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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Arquivo para 2 março, 2009

Ex-superintendente do Ibama no Pará condenado por corrupção é preso no Rio de Janeiro

Publicado por Pax em 02/03/2009

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Nota minha: a notícia é boa.

Rio de Janeiro – O ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Paulo Castelo Branco, foi preso na tarde de hoje (28) na zona sul do Rio de Janeiro. O ex-servidor estava foragido e, contra ele, havia um mandado de prisão decretado pela Justiça Federal, em 2008.

Paulo Castelo Branco foi condenado em última instância, no final do ano passado, pelo crime de concussão, ou seja, exigência indevida de vantagens em função de cargo público. De acordo com a Polícia Federal, Castelo Branco foi preso em flagrante em 2000, em Brasília, exigindo propina de madeireiros.

Depois da prisão em flagrante, ele foi solto e passou a responder ao processo em liberdade. Mas, desde o fim do ano passado, quando houve a condenação definitiva, era considerado foragido.

O ex-superintendente do Ibama foi descoberto no Rio de Janeiro por turistas paraenses, que passavam o carnaval na cidade. Os turistas fizeram uma denúncia à Superintendência da Polícia Federal no Pará, que passou a monitorar os passos do ex-servidor até prendê-lo hoje.

Ele passeava pelo calçadão de Copacabana e não ofereceu resistência à prisão. Paulo Castelo Branco foi levado para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, na segunda-feira (2), será transferido para Belém (PA).

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Tropa de Elite – minha crítica ao filme

Publicado por Pax em 02/03/2009

Assisti duas vezes o filme Tropa de Elite neste fim de semana que passou. Um bom comentarista do Weblog do Pedro Doria me perguntou o que achei do filme, o Darwinista, um biólogo que conheci pessoalmente depois de conhecê-lo virtualmente lá pelo Weblog. E um bom cara.

Vi o filme bem depois de todos, esperei entrar nos canais à cabo pra assistir. Tenho feito isso depois que passei a morar longe das megalópolis. Perdi os cinemas, que sempre gostei, mas vejo depois na minha casa.

Abaixo está minha crítica. O blog tem mudado um pouco do seu propósito inicial, agora tem entrado um pouco mais de minhas opiniões pessoais. Mas acho que continua com o valor que quero para ele, que é colecionar notícias da corrupção como fonte de pesquisa para mim mesmo e pra quem quiser olhar.

Tropa de Elite

- se tiver que falar alguma coisa que não gostei tanto, diria que filmes com fotografia mais escura (vejam, não sou crítico e nem entendo do assunto) me agradam menos. Prefiro as cores mais estouradas mesmo, mais “cores de Almodovar” como diz a Adriana Calcanhoto.

- pra falar bem do filme há várias coisas.

1 – Realismo – reflete uma dura realidade da Polícia Militar, em especial do Rio de Janeiro, mas que tem semelhança em vários outros estados. Na verdade acredito que reflete um estado geral em que nos encontramos, de corrupção generalizada, as polícias muito envolvidas com toda espécie de crime, tráfico de drogas, de armas, prostituição, jogos do bicho e caça-níqueis e mais outros negócios em que se meteram, como por exemplo aquele lance de reboques de carros. Esse universo é enorme e precisa ser totalmente mapeado. Acredito que já tenha sido, mas não sabemos. Há estados que a situação é um pouco menos grave. Morei muito tempo no Rio e sei que lá a coisa é feia mesmo, e infelizmente o povo carioca aceita, reclama um pouco mais aceita, como o brasileiro em geral, mas lá a coisa é tão grave e a sociedade tão desmobilizada e envolvida que acaba aceitando. A classe média, média/alta, e alta, é consumidora de droga afinal. E reflete o que dizemos: a corrupção tomou conta dos poderes no Brasil de forma generalizada, tomou conta da sociedade brasileira. O filme tem uma cena que mostra legal a cadeia quando o coronel comandante acerta com um deputado a nomeação/promoção de outros envolvidos para que mais quartéis/áreas passem para o controle da máfia e coisa e tal e o deputado quer saber o botton line: “quanto que vai pra ele e o partido”.

2 – Drogas: outro lance que achei muito bem colocado, e reforço em especial aqui, é o lance das drogas. Ok, um baseado não faz mais mal que um litro de pinga e um maço de cigarro. Mas ele, o back, o fino, está na base da cadeia alimentar dessa história toda e a discussão sobre a criminalização ou não do uso de drogas é uma questão que os poderes não querem discutir. Por quê? Porque fazem parte do esquema. É melhor que as drogas fiquem ilegais que aí dá mais dinheiro pra máfia, para o esquemão.

3 – Hipocrisia – o papo da turma da PUC que entra na favela e monta sua ONG, outro bom ponto, uma turma de gente que “se acha geral” e que, no fundo, alimenta o esquema. Quer dizer que todas as ONGs sociais são assim? Não, quer dizer que há várias que precisam se envolver e alimentar o esquema achando que fazem coisas boas, mas que, no fundo, acabam é fazendo parte desse todo.

4 – Perigoo lance dos policiais do Bope: há um paradoxo total aqui, muito bem colocado no filme. De um lado mostra que existe uma parte de polícia que não gosta do esquemão, mas não tem força suficiente para acabar com ele. Como que se vivessem outra realidade. Mas, a partir daí, também caem na ilegalidade com torturas e assassinatos. E a gente, que se sente totalmente desprotegido pelo Estado acaba torcendo por essa outra ilegalidade. Esse paradoxo é importantíssimo e perigosíssimo. Se levarmos ao extremo, o mesmo paradoxo é que fez surgirem as milícias, os esquadrões da morte etc.

5 – A sociedade brasileira: o filme mostra claramente que o Brasil é um país de desigualdades total. Enquanto uma pequena parte da sociedade é capaz de viver, mesmo que assustada, com alguma dignidade, uma enorme parte da sociedade vive uma situação terrível de pobreza e falta de tudo. Na favela, onde a maioria é de gente honesta e trabalhadora (sim, isso é mais pura verdade), o Estado é o tráfico. E você acha que o bom povo da favela gosta disso? Aí é que entra a dura realidade: sim, prefere o tráfico que esse Estado corrupto, que é ainda pior. Muito louca a situação em que estamos.

Resumo geral do filme, pra mim:

Corrupção gera miséria. E não sairemos dessa situação tão cedo. Aliás, quer saber, atualmente estamos é nos aprofundando na situação, na medida em que não há qualquer movimento sério de combate à corrupção por aí. Pelo contrário. Mui infelizmente.

Aqui culpo todos e, em especial, o Lula que prometeu e não cumpriu.

Esse jogo começa lá em cima. Não adianta dizer que não. Como lá em cima é sujo, totalmente sujo, nojentamente sujo, o que passa pra baixo só vai piorando e piorando.

Enviado em Opinião pessoal, Polícia, Tropa de Elite | Etiquetado: | 3 Comentários »

 
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