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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Posts de 20 março, 2009

Gilmar Mendes e Michel Temer – os novos censores da Ditadura da Corrupção

Publicado por Pax em 20/03/2009

Carta aberta aos jornalistas do Brasil

19/03/2009 20:54:59

Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e ?aterradoras? revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico ? de áudio nunca revelado ? envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: ?Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta?. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes
Jornalista

Brasília, 19 de março de 2009

Aqui os links para assistir ao programa censurado


Obs.: fui avisado pelo comentarista Rabbit do Pedro Doria

Enviado em Câmara dos Deputados, Operação Satiagraha | Etiquetado: | 3 Comentários »

Nepotismo e Conselho de Marajás

Publicado por Pax em 20/03/2009

Duas manchetes do Jornal O Estado de Minas de hoje

NEPOTISMO
Presidente do TRT garante à mulher cargo com salário acima de R$ 10 mil

CONSELHO DE MARAJÁS
TCE custa R$ 300 milhões, mas só recupera R$ 8 milhões dos recursos desviados

Enviado em TCE - MG, TRT - MG | Etiquetado: | 1 Comentário »

Apadrinhados se negam a deixar imóveis de deputados

Publicado por Pax em 20/03/2009

Izabelle Torres – Correio Braziliense e Edson Luiz – Correio Braziliense

A dois dias do prazo concedido pela Câmara para que servidores que ocupam 30 apartamentos da reserva técnica da Casa deixem os imóveis, os moradores que usufruem de moradia à custa da União demonstram pouco — ou nenhum — interesse em perder a benesse. Pior. A maioria já anuncia que não pretende sair e faz pouco caso da ameaça do quarto-secretário, Nelson Marquezelli (PTB-SP), de que entrará com uma ação de despejo na próxima terça-feira: um dia depois do fim do prazo dado para desocupação.
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Impressionante relato da corrupção policial feito por um delegado

Publicado por Pax em 20/03/2009

Do blog Flit Paralisante do Delegado Roberto Conde Guerra.

A função de ROBERTO MONTEIRO DE ANDRADE JUNIOR era, em verdade, a mais importante…

MARCELO HENRIQUE MONTEIRO DE BARROS e CARLOS AUGUSTO COMUNIAM controlavam, cada qual, a arrecadação de um determinado número de exploradores do jogo. Assim, todas as questões referentes à instalação de uma máquina em um ponto comercial, à arrecadação da propina e à distribuição dos selos, que funcionavam como verdadeiros recibos do suborno e que deveriam ser colados aos aparelhos, eram inicialmente conhecidas pelo policial responsável por aquela área da cidade. Se ele não conseguisse resolvê-las, tais questões eram levadas ao investigador MARUO ISHIZAKI. Apenas aquelas mais intrincadas chegavam ao delegado de Polícia ANTÔNIO AGNALDO FRACAROLI, tais como as disputas mais ferozes pelos melhores pontos comerciais do Município ou as desavenças dos integrantes da organização com pessoas que com ela se relacionavam.
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Enviado em Polícia, Polícia Civil - SP | 2 Comentários »

Sarney criou 70% das 181 diretorias

Publicado por Pax em 20/03/2009

Agora favorável ao corte, presidente do Senado comandava a Casa quando a maioria dos cargos foi instituída

Rosa Costa, Estadão em BRASÍLIA

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), encabeça os atos que criaram pelo menos 70% dos 181 cargos de direção da Casa que ele diz, agora, querer diminuir. A proliferação das diretorias e seus anexos com salários elevados se deu, sobretudo, entre 2003 e 2005, quando o parlamentar comandou a instituição pela segunda vez.

Sarney multiplicou, por exemplo, a gestão da então Secretaria de Comunicação, quando seu nome foi trocado para Secretaria Especial de Comunicação Social. Hoje o órgão comporta 20 cargos de direção.

A pulverização dos cargos chegou ao ponto de criar uma coordenação do Jornal Semanal, coletânea de notícias divulgada na segunda-feira, repetindo reportagens sobre atividades dos parlamentares divulgadas ao longo da semana e outras tidas como especiais.

Sarney foi ainda pródigo na transformação de várias outras subsecretarias em secretarias. É o caso das secretarias de Biblioteca, Telecomunicações, Comissões, Especial de Informática do Prodasen, Finanças, Orçamento e Contabilidade, Segurança Legislativa e outras. Cada uma delas municiada com subsecretarias e outros cargos anexos – todos considerados de direção.

Na transformação da Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública para secretaria, por exemplo, as seis funções comissionadas foram transformadas em “funções comissionadas de Secretários de Coordenação e Execução”, nível FC-8, elevando seus ocupantes à categoria de “diretores adjuntos”.

Segundo a assessoria de Sarney, a proliferação de cargos na época se justificava. A área administrativa do Senado apresentava pacote de demandas de cargos, o que era referendado pelos senadores da comissão diretora da Casa. De acordo com a assessoria, “eram vistos como meros atos burocráticos”.

Ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) encabeça ato de 2006 que modificou a estrutura da Secretaria-Geral da Mesa, abrindo várias subsecretarias, entre elas a Subsecretaria de Revisão Taquigráfica do Plenário.

O atual ministro das Minas Energia, Edison Lobão (PMDB), deixou igualmente suas marcas nos três meses em que ocupou a presidência do Senado, quando da renúncia do então titular Jader Barbalho (PMDB-PA), em 20 de julho de 2001. Lobão entregou o cargo ao senador Ramez Tebet, dia 21 de setembro. Mas antes ele transformou a subscretaria de Recursos Humanos em Secretaria de Recursos Humanos e com isso promoveu João Carlos Zoghbi, marido da sua chefe de gabinete, Denise Zoghbi.

João Carlos Zoghbi deixou a secretaria na semana passada porque não deu explicações razoáveis para justificar o empréstimo de um apartamento funcional a seu filho.

Enviado em Congresso Nacional, Denise Zoghbi, Edison Lobão, Jader Barbalho, João Carlos Zoghbi, José Sarney, PMDB, Renan Calheiros, Senado | Etiquetado: | 1 Comentário »

Aprendendo com o mestre

Publicado por Pax em 20/03/2009

Villas-Bôas Correa é, pra mim, o melhor jornalista e analista político da atualidade. Não só pela sua competência e experiência mas também pelo equilíbrio de suas críticas.

Reproduzo aqui seu post de hoje sobre sua visão sobre a questão da podridão do Congresso Nacional. Mas recomendo fortemente o acompanhamento do seu blog.

O Congresso em frente ao espelho
março 20, 2009

Imprensado contra a parede, o Senado desfia as suas queixas contra a imprensa em geral e a reportagem que cobre o Congresso queixando-se do exagero de críticas ao Legislativo com a denúncia do escândalo dos 181 diretores regiamente remunerados e gratificados numa Casa com 81 senadores, muitos omissos e ausentes dos três dias úteis da estafante semana parlamentar.
Na bagunça em que mergulhou o Congresso desde a mudança da capital para Brasília em obras, sem as mínimas condições para acolher os parlamentares e servidores nas lonjuras do cerrado, que a farra das mordomias e seus derivados, como vantagens, gratificações, passagens áreas pagas pela Viúva para o fim se semana nos lençóis domésticos, a imoralíssima verba indenizatória de R$ 15 mil mensais para as despesas miúdas do fim de semana e uma das fontes do desvio do dinheiro público, que a decadência e a desmoralização do Legislativo, com a contaminação do Executivo e do Judiciário vem crescendo, com galhos que se estendem por toda a área pública.
A reportagem política teve um pequeno período de brilho em Brasília, logo em seguida a mudança da capital em 21 de abril de 1960, na cobertura da crise da renúncia do embirutado presidente Jânio Quadros e do fracasso do despreparado Presidente João Goulart, que nunca entendeu nem reconheceu a contribuição do Congresso, com a fórmula salvadora do parlamentarismo híbrido, metade presidencialismo, articulada por meia dúzia de parlamentares, de um nível cada vez mais raro no Congresso. Jango esticou a corda da provocação ao disputar com o cunhado Leonel Brizola a liderança da esquerda. O elástico arrebentou e o país pagou o preço dos 21 anos do rodízio dos cinco presidentes militares, na ditadura que destroçou as instituições democráticas.
De lá para cá, mesmo nas fases curtas de esperanças, o Congresso jamais tentou recuperar a sua autoridade com a faxina das mordomias e outras muambas.
A reportagem política, ora na berlinda, perdeu-se no caos do Congresso desmoralizado. E deve estender às mãos à palmatória pelas suas omissões e fraquezas. Muitos não resistiram às ofertas de sinecuras bem remuneradas, com pouco ou sem nada para fazer. E os repórteres zanzam pelos corredores, pelos gabinetes, pelo plenário da Câmara e do Senado à cata de declarações que tamponem os buracos das anêmicas páginas políticas de jornais, enquanto as revistas cultivam as denúncias semanais de escândalos nos três poderes.
Não tenho lembrança de uma única nota denunciando o escândalo dos 181 diretores do Senado, para atender a 81 senadores. Nem da inevitável adesão da Câmara dos Deputados. Os senadores fé nada sabiam. Nem os repórteres.
Como nunca li a matéria que se oferece de bandeja da requintada mordomia dos gabinetes individuais de senadores e deputados, muitos com pouquíssimo uso e da penca de assessores de coisa nenhuma, cabos eleitorais dos donos da prenda, que siquer pisam em Brasília, deslocados para os gabinetes nos municípios que garantem a reeleição e os seus privilégios.
O Senado cortou 50 dos 181 diretores, sobram 131. A Câmara promete varrer o monturo do escândalo escondido durante tantos anos.
Não é o único. O Congresso deveria fechar para balanço, em recesso do tempo necessário para a faxina.
Pausa para a reportagem política rever o modelo brasiliense, que não pode ser o pastiche do cunhado pela minha geração.

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