Entidade imobiliária financiou metade da Câmara
Publicado por Pax em 27/03/2009
Entidade imobiliária financiou metade da Câmara
10/03/2009
Nota minha: recebi o material de uma fonte confiável. Envolvida com os movimentos de bairro e o Defenda São Paulo participante do movimento Nossa São Paulo, que apoio, mesmo sem participar. Não achei a matéria no site do Valor disponível, achei em vários blogs. Me permito colocar aqui depois de todas as verificações e pela qualidade da fonte. É assustador como o modelão funciona. Mas é bem conhecido. Não é uma notícia diretamente ligada à corrupção. Mas, segundo os movimentos com quem converso, merece alguma atenção. Afinal, estamos falando dos políticos brasileiros. E das imobiliárias. E sabemos como estão as classes hoje em dia. Basta acompanhar o noticiário.
Por seu nome, a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) parece ser apenas mais uma das centenas de entidades de classe que congregam empresas de um mesmo setor. Mas não é. Ao contrário da maior parte dessas associações, a AIB tem uma operação quase virtual. Sua sede, em uma sala em um edifício de escritório na avenida Brigadeiro Luís Antônio, está sempre fechada. Seus sócios não são conhecidos. Funcionários, não existem, assim como páginas na internet ou mesmo um número de telefone registrado em seu nome. Para entrar em contato com a entidade o melhor caminho é ligar diretamente para o seu presidente, o empresário do setor imobiliário Sérgio Ferrador.
Apesar da aparência quimérica, a AIB teve participação ativa na última eleição municipal de São Paulo. A associação foi uma das maiores doadoras de recursos para candidatos a vereador na cidade. Ao todo a AIB distribuiu quase R$ 4 milhões a 47 concorrentes a uma vaga na Câmara de São Paulo, sendo que 27 deles foram eleitos.
Os sócios da AIB, e os doadores destes valores, são as empresas de construção civil da cidade, em especial aquelas voltadas ao mercado imobiliário. Sérgio Ferrador não revela o nome dos sócios, mas não esconde que a maior parte das empresas de capital aberto do setor integra a entidade, que fez as suas doações de forma legal com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ferrador, dono de uma empresa de consultoria imobiliária, trata pessoalmente de toda a operação da ABI. Ele recolhe os recursos com a empresa e trata diretamente com os candidatos que receberão a doação. “Não há nada de ilegal nisso, somos uma entidade registrada, que defende os interesses do setor“, diz o empresário, claramente incomodado em falar sobre a associação que preside. De acordo com o empresário, a AIB não atua apenas como doadora de campanha. “Também fazemos estudos, mas é uma atuação extremamente específica, por isso não mantemos estrutura permanente”, diz.
O empresário afirma não ser remunerado pelo que faz e nem escolher quem receberá as doações. A decisão é da empresa contribuinte, de acordo com seus interesses específicos. “Meu trabalho é de um abnegado, estou apenas dando minha contribuição para o setor”, afirma. “Precisamos todos na vida fazer um trabalho pelo bem comum e estou fazendo minha parte na AIB”.
Fonte: Valor Online
Darwinista disse
Não são necessários muitos neurônios pra sacar a relação entre a AIB, suas doações a vereadores, as discussões sobre o plano diretor e o futuro caótico que aguarda a cidade de São Paulo.
Bárbara disse
Porque os vereadores não nos explicitam o embasamento técnico que justifica a votação que fizeram a favor da revisão do plano diretor? Ou será uma motivação política?!?
Denis RB disse
É corrupção sim, Pax. Corrupção não no sentido de roubo, mas corrupção do sistema político, que deveria nos representar e não representa. É corrupção no sentido em que o Lawrence Lessig dá à palavra: http://lessig.org/blog/2007/06/required_reading_the_next_10_y_1.html
Pax disse
Denis,
Todos sabemos do sentido que o Lawrence Lessig atribui – aliás, obrigado, não conhecia. Obrigado mesmo.
E aí, meu caro, passa a ser uma boa pauta pro que resta de esperança, que é que alguém / instituição séria e competente analise para proteger os interesses de quem lhes paga seus dignos salários: o povo brasileiro, com seus impostos.
Bárbara: boa questão. Muito boa.
Darwinista: cada indivíduo brasileiro tem mais de dois neurônios. A desmobilização da sociedade brasileira faz com que o conjunto de todos brasileiros não tenha. Se o conjunto juntasse todos os neurônios, com certeza mitigaríamos em muito todas essas questões.
Obrigado a todos pela visita. O assunto realmente merece atenção. Fico feliz que haja movimentos importantes em São Paulo que lutam contra o modelo canalha e a favor da população de São Paulo.
Pax disse
Muito boa essa parte aqui:
The answer is a kind of corruption of the political process. Or better, a “corruption” of the political process. I don’t mean corruption in the simple sense of bribery. I mean “corruption” in the sense that the system is so queered by the influence of money that it can’t even get an issue as simple and clear as term extension right. Politicians are starved for the resources concentrated interests can provide. In the US, listening to money is the only way to secure reelection. And so an economy of influence bends public policy away from sense, always to dollars.
Do site indicado pelo Denis.
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jose carlos disse
Espero que os sindicos e condominio acorde para esta situaçao, e nao contribua para entidade que nao tem nada haver com condominio. Pagamos a contribuiçao Sindical e Assistencia para secovi e o que recebemos em troca. Ta na hora do Ministerio do trabalho acordar para esta situaçao ta muito facil montar sindicato que nao tem nada haver com a categoria. Estamos de olho eles nao tem condominio na denominaçao. Sao representantes de imobiliaria, contruçao civil, e administradora. Sindicos e Condominio chegou a hora da libertaçao.