Do melhor analista político em atividade, na minha opinião, Villas-Bôas Corrêa
abril 13, 2009
O escândalo de porte médio na escala das mutretas parlamentares, já devidamente despachado para o escaninho das coisas esquecidas, dos dois telefones celulares, com as contas pagas, que a Mesa do Senado ofertou, na cesta das muambas, aos 81 senadores e a uma lista robusta de servidores da estima especial de parlamentares, é um modelo perfeito e acabado das mordomias que enfeitam um dos melhores empregos do mundo.
Do berço ao caixão do esquecimento, o modelo do uso, abuso e desvios dos dinheiros públicos, confundidos com o subsídio que é a única parcela respeitável da escada dos saques ao cofre da Viúva.
De logo, não há um único argumento que justifique a prenda com que a Mesa prodigamente facilitou os papos telefônicos com amigos, familiares e demais eventuais necessidades. E o presente de telefones celulares com as contas pagas, sem limite de despesa, é uma de uma tal generosidade que só o coração de milionários a serviço deles próprios poderia assumir.
Mas, o fingido susto que com os parlamentares posaram para a imprensa com a caipora escorregadela do coração de pai do senador Tião Viana (PT-AC) que emprestou um dos celulares presenteados pelo Senado à filha que viajou para o México e, a moça deve falar pelos cotovelos, pois a conta passou dos R$ 14 mil, foi como abrir a porteira e soltar a boiada, que dispara pelo pasto.
Um escândalo puxa outro na fila da generosidade. Não apenas os 81 senadores ganharam os dois celulares com as contas pagas. Mais de meia centena de servidores do primeiro time também receberam os celulares mais baratos e com limite para as contas dos telefonemas, inclusive para o exterior.
Não sei como as Mesas das duas Casas do Congresso vão descascar o abacaxi. Não deve ser difícil. Afinal, os celulares são mais uma conta no colar das mordomias. Não é mais escandaloso do que a verba indenizatória de R$ 15 mil mensais para o ressarcimento das despesas de fim de semana de quatro dias úteis nas bases eleitorais.
Arrisco queimar a língua na sugestão de obviedade translúcida. Além de outras singularidades, a verba indenizatória não paga imposto. E então? Para sujar as mãos, suje-se gordo. Basta juntar tudo no mesmo pacote: subsídios, verba indenizatória, telefones celulares e o mais que o majoritário baixo clero pleitear com a sua privilegiada imaginação. Há muitas urgentes necessidades para o bom exercício do mandato. De miudezas como automóvel com motorista e gasolina. Um segundo apartamento próximo ao Congresso para a sesta depois do almoço e outras urgências.
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