Fonte: O ESTADO DE S. PAULO Em: 30/04/2009 via clipping da ANPR – Associação Nacional dos Procuradores da República
Roberto Amaral trabalhou por 30 anos para Andrade Gutierrez
Fausto Macedo
O executivo Roberto Amaral caiu na malha da Operação Satiagraha – investigação da Polícia Federal sobre envolvimento do banqueiro Daniel Dantas em suposto esquema de crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Ele foi indiciado pela PF por crimes de evasão de divisas, formação de quadrilha e ligação com organização criminosa.
Amigo e consultor empresarial de Dantas, Amaral é um dos 13 indiciados no inquérito Satiagraha. O enquadramento formal do executivo ocorreu há uma semana. Ele ficou em silêncio na audiência com o delegado Ricardo Saadi, que ontem concluiu a polêmica investigação. O relatório final do caso deve chegar hoje à Justiça Federal.
Amaral é um dos 3 indiciados da Satiagraha que não integram os quadros do Opportunity. Além dele, foram enquadrados o advogado Rodrigo Bhering Andrade e o investidor Willian Yu, sócio de uma consultoria financeira. Os outros 10 que a PF incluiu no relatório são todos os grupo de Dantas.
Personagem emblemático, com trânsito livre na administração pública, Amaral trabalhou durante 30 anos como lobista da Andrade Gutierrez, empreiteira que detém importantes contratos com governos estaduais, municipais e federal para obras de grande porte.
Reverenciado por governantes e autoridades, especialmente entre os anos 70 e 90, Amaral sempre desfrutou de um círculo de amizades influentes no poder. Paulo César Farias, tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, chamava-o de mestre.
A PF apurou que as relações de Amaral com Dantas foram reforçadas a partir de Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom Participações, empresa que controlava as operadoras Telemig, Amazônia Celular e Brasil Telecom. Condenado ao lado do banqueiro por suposto crime de corrupção ativa, Braz teria participado das negociações de suposto suborno de um delegado da PF em troca do arquivamento da Satiagraha.
No dia 16 de dezembro, a PF vasculhou os endereços de Amaral em busca de indícios de seu vínculo com Dantas em transações ilícitas. A PF recolheu o disco rígido do computador e um punhado de CDs que abrigam os contatos e movimentos do executivo.
A PF liga Amaral a operações do controlador do Opportunity para ocultação de valores e remessas para paraísos fiscais. Segundo os federais, ele teria o comando de uma offshore, criada para fazer o fluxo e integração de recursos que teriam como origem um fundo do grupo de Dantas no exterior e como destino final um braço do Opportunity no País.
A PF assinala que o fundo do Opportunity planejava financiar uma empresa do grupo no Brasil. Para escapar do foco de órgãos de fiscalização, adquiriu debêntures – títulos de crédito representativos de empréstimo. Pelo menos dois intermediários participaram da transação.
PEÇA DE FICÇÃO
Para o criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende Roberto Amaral, o inquérito Satiagraha “é um prejulgamento escandaloso”.
Oliveira Lima avalia que o indiciamento de Amaral “é um ato arbitrário praticado pela autoridade policial com base em uma investigação maculada pela ilegalidade e pela inconsistência”.
continua…