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As cidades e o clima – uma reflexão sobre o Plano Diretor Estratégico de São Paulo

Publicado por Pax em 16/06/2009

Recebido por e-mail de fonte conhecida e confiável.

Revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo (PDE) e as Mudanças Climáticas

Ros Mari Zenha

Geógrafa, Conselheira da sociedade civil no Cades Lapa e membro do Mover – Movimento de Oposição à Verticalização Caótica e pela Preservação do Patrimônio da Lapa e Região

A população do Brasil e da cidade de São Paulo têm sido testemunhas da intensificação dos fenômenos climáticos.

Eventos como o furacão Catarina ( no Atlântico Sul), as enchentes do rio Paraíba, as inundações do rio Paraná (1997/1998 e 2007), o aumento na vazão da Hidroelétrica de Itaipu, o deslizamento de encostas em Santa Catarina (2008), as chuvas no Piauí, a seca da Amazônia (2005) e a ocorrência de tornados são alguns exemplos dos quais, tristemente, nos lembramos.

Na Região Metropolitana de São Paulo, estudiosos têm observado que a temperatura média aumentou, a umidade diminuiu, o verão é úmido, o inverno seco e as chuvas mais intensas.

E a culpa disso não é somente das mudanças climáticas no planeta, mas também dos impactos da urbanização (crescimento da mancha urbana) que cria, cada vez mais, o fenômeno das ilhas de calor urbano.

Estudiosos de vários países prevêem que as mudanças climáticas causarão desastres mais freqüentes e mais graves e já existem projeções dos riscos potenciais para os anos de 2020, 2050 e 2100.

Pesquisadores têm constatado o aumento de noites muito quentes, o aumento das chuvas (mais intensas e concentradas) e o aumento dos dias secos.

Vamos ter que nos adaptar a essas mudanças, pois não temos condições objetivas de impedir que elas aconteçam.

E quais são as ações que os governos do mundo estão adotando para enfrentar esse desafio?

Vários países têm adotado programas de gerenciamento de risco e redução de risco e melhorado o uso rotineiro de informações de riscos associados ao clima por planejadores, engenheiros e tomadores de decisão.

Vamos precisar construir cidades mais seguras e aí destaca-se a importância do planejamento urbano.

Neste momento, encontra-se na Câmara Municipal de São Paulo projeto de lei do Executivo de revisão do Plano Diretor Estratégico de nossa cidade.

Será que os tomadores de decisão incorporaram nesse estudo de revisão dados sobre as mudanças climáticas que são constatadas em nossa cidade e que estão disponíveis nas universidades e institutos públicos de pesquisa?

Infelizmente, acho que não!

Se essas informações fossem consideradas, haveria maior preocupação, por exemplo, com a regulação do mercado imobiliário (que tem transformado São Paulo em um “paliteiro”, desrespeitando a capacidade de suporte do espaço urbano); pensar-se-ia melhor se ampliar pistas das marginais é uma solução inteligente (mais uma vez priorizando o transporte individual; não se teriam extirpado as ZEIS – Zonas Especiais de Interesse Social do PDE (obrigando os mais pobres a se assentarem na periferia do espaço urbano ou em assentamentos precários e sujeitos a riscos) dentre outros.

A busca por cidades sustentáveis, justas e inclusivas caminha lado a lado com a construção de cidades mais seguras.

Precisamos de um planejamento urbano competente e comprometido com os interesses maiores de nossa sociedade.

16 de junho de 2009

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