Reinhold Stephanes, Ministro da Agricultura, diz que Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, não foi ético ao criticar estudo que diz que áreas de proteção ambiental atrapalham crescimento da produção agrícola.
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Ministros da Agricultura e do Meio Ambiente se desentendem em audiência na Câmara
Danilo Macedo – Repórter da Agência Brasil
Brasília – Um desentendimento entre os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Meio Ambiente, Carlos Minc, marcou a audiência realizada hoje (23) pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Stephanes chegou a classificar como antiética a atitude de Minc de criticar um profissional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que elaborou um estudo mostrando que o crescimento da produção agrícola está engessado pela grande quantidade de áreas de proteção ambiental.
A audiência começou sem a presença de Minc, com o diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Bráulio Ferreira de Souza, desqualificando a pesquisa feita por Evaristo Miranda, diretor da Embrapa Monitoramento por Satélite.
Na sua vez de falar o ministro Reinhold Stephanes discordou da avaliação do diretor do MMA. “O técnico do MMA desqualificou claramente a Embrapa Monitoramento por Satélite, uma unidade criada há 20 anos no sentido de trabalhar em assuntos de interesse nacional”, disse Stephanes no momento da chegada de Minc à sala da audiência.
Numa rápida entrevista aos jornalistas, Minc defendeu a posição Bráulio Ferreira de Souza contra o estudo do diretor da Embrapa. “Não estamos criticando a Embrapa, que é uma maravilha da natureza, e sim um único estudo, feito por um pesquisador”, disse o ministro do Meio Ambiente. Depois, ao falar para os deputados da comissão, MInc também criticou o estudo feito por Evaristo Miranda.
A crítica do ministro do Meio Ambiente voltou a causar indignação no ministro da Agricultura na parte final da audiência, que se referiu ao assunto quando Minc já havia deixado o local. “Tentou-se aqui desqualificar um técnico, o que eu acho uma tremenda falta de ética, e que não foi quem fez o estudo. Foi um conjunto de técnicos, com doutorado em Meio Ambiente, e a meu pedido”, disse.
O ministro da Agricultura também explicou o motivo que levou, no fim do ano passado, ao encerramento das negociações entre os dois ministérios em torno do Código Florestal. Stephanes disse que sempre procurou o consenso, mas quando o acordo estava praticamente fechado, o MMA apresentou mais alguns pontos, entre eles, um que o deixou “chocado”. “Exigiam três anos de cadeia aos produtores infratores do Código Florestal. Minc disse que não estava presente quando aprovaram o novo item, mas mesmo assim foi lá e o apresentou”, afirmou Stephanes para os parlamentares.
Segundo Setephanes, cerca de 3 milhões de proprietários estariam na condição de infratores levando-se em consideração a legislação ambiental. Ele ainda reproduziu uma frase que teria dito ao ministro Carlos Minc na última conversa que tiveram sobre o assunto: “Desculpa [Minc], mas perdi a confiança no seu diálogo”. Mesmo assim, de acordo com o ministro da Agricultura, estaria a aberto a conversar outra vez sobre o tema com Minc.
Atualização às 12h:00 – do site da Câmara dos Deputados
Minc pede desculpas por chamar produtores rurais de ‘vigaristas’
Agência Câmara
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pediu há pouco desculpas aos deputados por ter chamado os produtores rurais de “vigaristas”, durante manifestação na Esplanada dos Ministérios em 27 de maio. Segundo Minc, as declarações não representam seu pensamento e foram feitas no “calor” do carro de som. “Todos aqui já subiram em carro de som e sabem que as pessoas se empolgam e vão além do que gostariam. E foi o que aconteceu”, disse.
Minc participa neste momento de audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. A audiência ocorre no plenário 6.
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Edição – Pierre Triboli
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara’)
Atualização 2 às 15h:47
Deputado quer demissão do ministro Carlos Minc
Agência Câmara
O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA) pediu há pouco a demissão do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que participa de audiência da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. O deputado disse que Minc “envergonha o País”, pelo fato de ele ter acusado os produtores rurais de serem “vigaristas” e depois ter dito que essa declaração não “corresponde ao seu pensamento”.
O ministro pediu desculpas hoje por ter chamado os produtores rurais de vigaristas, durante manifestação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricutlura (Contag) no mês passado. O ministro admitiu que a declaração foi feita “no calor do carro de som” e não corresponderia ao seu “real pensamento”.
“Olha que vergonha, o País ter um ministro que diz o que não pensa. Acho que o senhor deveria sair daqui e pedir demissão”, disse Queiroz. “O verdadeiro vigarista é aquele que tapeia, engana, que fala demais”, acrescentou.
Minc respondeu que é direito dos deputados pedir a demissão dele e que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva acatar ou não o pedido dos parlamentares.
Declarações
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que as declarações de Minc foram feitas porque o ministro “não tem proposta e tem que criar factóides e acusações, satanizar alguém, para esconder a incompetência do ministério”.
Já o líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), minimizou as declarações do ministro e afirmou que todas as pessoas já disseram frases que provocaram arrependimento. “Uma frase não apaga uma história de vida nem serve para julgar uma vida”, declarou.
Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Pierre Triboli
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara’)