Agaciel Maia ameaça Senadores e funcionários mas José Sarney não demite o ex-diretor. Saiba os porquês.
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Presidente da CCJ entra com pedido para que ex-diretor do Senado seja demitido
Marcos Chagas – Repórter da Agência Brasil
Brasília – O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), deu entrada hoje (24), na direção da Casa, em um pedido de abertura de processo civil disciplinar para que o ex-diretor-geral, Agaciel Maia, seja demitido do serviço público. O parlamentar defendeu também o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), das investigações dos atos secretos e nomeações feitas durante os 15 anos de gestão de Maia.
“Depois de tudo isso ele [Sarney] ainda foi ser padrinho de casamento da filha do Agaciel. Eu não tenho nada com isso, ele tem as afeições dele, mas o próprio Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal estabelecem casos de impedimento e suspeição, inclusive por foro íntimo”, justificou o presidente da CCJ.
O parlamentar não exclui a possibilidade de alguém ter obtido vantagens em nomeações de funcionários, por ato secreto, para gabinetes que tinham cargos vagos sem o conhecimento dos senadores. Segundo ele, isso ocorreu em seu gabinete e também nos de Delcídio Amaral (PT-MS), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Aloizio Mercadante (PT-SP).
“Pode ser mais do que uma simples picaretagem como aparenta, pode ser uma picaretagem complexa que pode ter levado essas pessoas a enfiarem dinheiro no bolso”, avaliou o presidente da comissão.
Demóstenes Torres acrescentou que é difícil para o presidente José Sarney julgar alguém “de sua afeição”. O parlamentar não descarta a possibilidade de se instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as irregularidades administrativas no Senado.
O senador José Nery (P-SOL-PA) anunciou que vai coletar assinaturas para a apresentação de um pedido de abertura de CPI. Demóstenes Torres disse, no entanto, que no momento este não é o caso.
Além do pedido de abertura de processo civil disciplinar, o presidente da CCJ também encaminhou ao Ministério Público um pedido de abertura de inquérito civil para investigar as denúncias contra o ex-diretor- geral e uma comunicação ao Tribunal de Contas da União (TCU) para fazer “uma varredura” na folha de pagamento do Senado.
Para Demóstenes Torres a atitude de se misturar os atos secretos com outros publicados nos boletins administrativos do Senado foi proposital. Ele levanta a hipótese, inclusive, de alguém ter obtido vantagens com a nomeação de funcionários para gabinetes sem o conhecimento dos senadores.
Senador Arthur Virgílio pede demissão de ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi
Em discurso inflamado na Tribuna, líder do PSDB exige providências enérgicas e punições severas
BRASÍLIA [ABN NEWS] – - A época dos panos quentes no Senado acabou, adverte o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que na segunda-feira (22) pediu a demissão, “a bem do serviço público”, do ex-diretor-geral Agaciel Maia, e do ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.
Virgílio permaneceu na tribuna por mais de duas horas e meia, recebendo vários apartes. No fim, o presidente do Senado, José Sarney disse que tem tomado providências e que reunirá a Mesa para discutir outras medidas.
Segundo Virgílio, aqueles funcionários levaram para casa dados sobre senadores, e vão soltando “drops” para a imprensa, a fim de chantagear senadores.
Ameaças – Virgílio acrescentou que isso foi feito com ele. Ameaçaram falar de despesas médicas que teve com sua mãe (em parte custeadas pelo Senado); depois, de um funcionário que reside no Rio de Janeiro (na verdade, um conceituado professor de jiu-jitsu, Osvaldo Alves, que ganhava apenas R$ 1.500,00, e era seu principal interlocutor com a juventude esportista de Manaus e que, para não lhe criar problema, pediu demissão); e agora, para completar, uma insinuação mentirosa de que o Senado teria pago diárias de hotel, em Paris. Sem falar que já recebeu telefonema anônimo com ameaça de morte – que desprezou.
O líder tucano disse não ter dúvida, porém, de que Agaciel Maia não praticou esses crimes todos sozinho. “Temos de saber isso, sob pena de estarmos sendo incompletos, covardes e oportunistas.”
”Não teve facilidades”, garante neto de Sarney
Economista de 29 anos, que também trabalha com crédito consignado na Câmara e no Judiciário, nega interferência do avô
Rodrigo Rangel e Rosa Costa – Estadão
O economista José Adriano Cordeiro Sarney, 29 anos, disse ao Estado que o avô, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sabia que ele tinha uma empresa especializada em intermediar empréstimos consignados em Brasília. Ele nega, porém, que o avô tivesse conhecimento de sua atuação no Senado.
Indagado sobre o endereço da Sarcris, que não foi localizada pela reportagem, José Adriano titubeou e, depois, admitiu que hoje a empresa existe apenas no papel. Ele não quis informar o faturamento da Sarcris. Limitou-se a dizer que, por ano, a empresa fatura “menos de R$ 5 milhões”. Ao atender à reportagem, no fim da tarde de ontem, ele estava passeando em Barreirinhas, nos Lençóis Maranhenses.
Quando o sr. começou a trabalhar com empréstimo consignado?
Fui funcionário do Banco HSBC. Em São Paulo, eu era da área do crédito consignado, era gerente de projetos e qualidade. Aprendi tudo sobre o mercado do crédito consignado e, ao retornar a Brasília, eu pleiteei junto ao banco um contrato de prestação de serviço. Depois de muito esforço, porque ex-funcionário tem de ficar um tempo de quarentena, eles me liberaram, fecharam uma parceria, para operar em Brasília. Eu trabalhei no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, na Câmara dos Deputados, no Senado, no Superior Tribunal Militar e em outros convênios que o HSBC já tinha.
Negócio já movimentou R$ 1,2 bi
Estadão
Existem hoje pelo menos 40 bancos credenciados fazendo empréstimos consignados aos servidores públicos. É um crédito mais barato porque o risco de calote é muito baixo – o pagamento do crédito é tomado descontando diretamente no contracheque dos salários dos funcionários. Nos últimos três anos, esse crédito movimentou em torno de R$ 1,2 bilhão só no Senado.
Pelo menos dez bancos emprestam no Senado. O Banco Cruzeiro do Sul trabalha na Casa desde 2002, assim como Santander, HSBC, Finasa, CEF, Daycoval e Banco do Brasil, entre outros. “Nunca houve exclusividade para nenhum banco, até porque a lei não permite”, disse o primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI).
A proliferação de oferta de crédito e de bancos deu-se a partir de 2004. Em 2006, como revelou a revista Época em abril passado, o diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, usando os nomes dos filhos e até de uma babá de 83 anos, Maria Izabel Gomes, criou empresas (Contact, DMZ Consultoria e DMZ Corretora de Seguros) para fazer intermediação do crédito consignado, cobrando taxas de indicação e fechamento de contrato de bancos credenciados.
Ex-diretor do Senado recebe políticos em casamento de filha
Estadão
Agaciel Maia pediu afastamento do cargo após vir à tona que sonegou a compra de uma casa de R$ 5 milhões
BRASÍLIA – O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia recebeu na noite desta quarta-feira, 10,políticos e amigos para celebrar o casamento da filha, Maiana, com Rodrigo Cruz, num salões mais luxuosos de Brasília. O novo genro é um desconhecido dos corredores do Senado. Mas uma figura recorrente nos atos secretos da Casa.
Do sogro, ele não tem o que reclamar. Em 18 de janeiro de 2007, Cruz foi nomeado por Agaciel Maia, por meio do ato de número 95, para trabalhar como assistente-parlamentar no gabinete do então senador Maguito Vilela (PMDB-GO) pelo salário de R$ 2,6 mil. Um ano depois, uma promoção: o genro do homem mais poderoso da administração do Senado virou secretário do curso de Educação do Interlegis, programa digital da Casa para o ensino legislativo, um dos principais braços políticos de Agaciel Maia.
O salário subiu para R$ 8,1 mil. O Interlegis serviu, por exemplo, para abrigar os aliados políticos do ex-primeiro-secretário Efraim Morais (DEM-PB) na Paraíba. O mecanismo? Ato secreto. As movimentações internas do genro de Agaciel Maia no Senado foram todas assinadas pelo então diretor-adjunto e hoje diretor-geral, José Alexandre Gazineo.
Em 10 de outubro do ano passado, durante o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) antinepotismo, Agaciel foi obrigado a demitir o genro. Mas escondeu a decisão, numa tentativa de esconder o loteamento familiar do Senado. A exoneração saiu num ato secreto. A mulher do ex-diretor, Sânzia Maia, perdeu a cadeira de comando da Secretaria de Estágios com a decisão do Supremo. Procurados pela reportagem, Agaciel e Rodrigo Cruz não respoderam a reportagem.