Novas ordens do Palácio do Planalto orientam para não emocionalizar a guerra de acusações no Senado. O governo quer evitar um confronto mortal que possa levar Marconi Perillo (PSDB) a presidência da casa no caso da saída de José Sarney.
Lula também parece se aperceber que o apoio explícito ao velho coronel está lhe prejudicando. Agora sua declaração é “não é um problema meu”. Mas é, o Senado nas mãos da oposição pode atar suas mãos em ano de campanha eleitoral.
Em outras palavras: pelo restabelecimento do corporativismo, já!
Arthur Virgílio afirma que retaliação peemedebista é quebra de decoro
Marcos Chagas e Carolina Lima – Repórter da Agência Brasil e repórter da TV Brasil
Brasília – O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), reagiu à decisão do PMDB de apresentar ao Conselho de Ética, na próxima semana, uma representação para que seja investigado. Ele qualificou a iniciativa de “retaliação do senador Renan Calheiros”. O parlamentar afirmou que conversará ainda hoje com o P-SOL para analisar se Calheiros não quebrou o decoro parlamentar ao ameaçar com representações senadores que defendem o afastamento de José Sarney da presidência do Senado.
“Isso, para mim, já configura quebra de decoro”, disse Virgílio à TV Brasil. O líder tucano ressaltou que vai continuar apresentando denúncias ao Conselho de Ética contra Sarney independentemente das “ameaças” do senador Renan Calheiros. “Estou investigando corrupção. Fui eu quem denunciou o Agaciel Maia. Essas ameaças podem funcionar para alguns, não para mim”.
O senador confirmou em plenário que o funcionário Carlos Alberto de Andrade Nina Neto, lotado em seu gabinete, recebeu salário do Senado enquanto morava no exterior. Segundo Arthur Virgílio, a dívida com os cofres públicos, por conta desses pagamentos, já começou a ser paga. “Já paguei quase R$ 61 mil”, disse o parlamentar acrescentando que outras outras três parcelas de R$ 50 mil cada serão pagas até outubro.
Sobre a postura de José Sarney de não renunciar ou se afastar da presidência, relatada à Agência Brasil pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), o peessedebista lembrou que, em 2007, quando teve de enfrentar seis pedidos de abertura de processos no Conselho de Ética e ocupava o cargo, o senador alagoano afirmava a mesma coisa.
“Isso [renúncia ou afastamento de Sarney] já não é problema meu. O Renan também dizia a mesma coisa. O Renan tem medo de ser o próximo [a ser denunciado no Conselho de Ética].
Governo defende que parlamentares evitem levar crise no Senado para o lado emocional
Marcos Chagas e Carolina Lima – Repórteres da Agência Brasil e TV Brasil
Brasília – Às vésperas da reunião do Conselho de Ética que vai decidir o destino das cinco representações partidárias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), além de duas denúncias dos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), a orientação do Palácio do Planalto a seus aliados políticos é evitar que levar o assunto para o lado emocional. A reunião está marcada para terça-feira (4).
Em conversa com a Agência Brasil, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reafirmou o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Sarney. Ele acrescentou que, no que se refere ao Palácio do Planalto, a ação será no sentido de resolver esse assunto “com equilíbrio”. “Não há uma avaliação do Palácio do Planalto [sobre a evolução da crise no Senado]“. Segundo Múcio, o presidente tem sido solidário a José Sarney e entende que não se pode “emocionalizar” a situação.
O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), reafirmou que o partido vai agir “com reciprocidade” e encaminhará representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AL), ao Conselho de Ética, na próxima semana. Calheiros afastou qualquer possibilidade de José Sarney se afastar ou renunciar à presidência do Senado por conta das denúncias envolvendo seu nome.
Sobre uma conversa que Sarney deverá ter com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana, Renan Calheiros afirmou que em nenhum momento será para tratar de um eventual afastamento do comando do Senado. Segundo o peemedebista, a pauta inclui a avaliação do momento e a retomada dos trabalhos legislativos neste segundo semestre.
O líder peemedebista disse à Agência Brasil que conversou hoje com Sarney, que teria defendido uma reação do PMDB diante da decisão do PSDB de bancar as denúncias encaminhadas contra ele ao conselho pelo líder tucano Arthur Virgílio. “Conversei hoje com ele e me disse que o partido tem que agir.”
Sobre a eventual renúncia do presidente, o líder do PMDB foi taxativo: “Sarney jamais admitiria renunciar. Isso está fora de cogitação. O senador está aceso, firmíssimo. Renúncia, licença, não resolve a vida de ninguém, nem do governo, nem do Senado, nem do Sarney, só agrava.”
Quanto às ponderações do ministro José Múcio, o parlamentar disse que o PMDB tem buscado “até agora o bom-senso e o equilíbrio”. O problema, na avaliação de Renan Calheiros, é que a partir de um determinado momento os partidos passaram a encampar as denúncias no Conselho de Ética.