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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Arquivo para 26 julho, 2009

Condomínio Laranjeiras impede ir e vir dos caiçaras

Publicado por Pax em 26/07/2009

Caiçaras, índios e quilombolas chamavam a atenção dos participantes da FLIP 2009 para o absurdo promovido pelo Condomínio Laranjeiras, o mais rico do Brasil, de impedir seu direito de ir e vir. Hoje a Agência Brasil traz uma matéria sobre o assunto.

Abaixo mais links que apontam para esse problema. Sugiro ler os relatos dos próprios moradores.

Caiçaras denunciam condomínio de luxo por impedir acesso à praia no litoral fluminense

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil

Paraty (RJ) – Depois de passar meses juntando dinheiro, o pescador Edivaldo dos Santos decidiu reformar a casa de estuque (barro), na Praia do Sono, em Paraty, litoral sul fluminense. Comprou oito tábuas de madeira, o material para fixá-las e conseguiu a autorização do órgão ambiental responsável por acompanhar mudanças nas residências da comunidade, que estão dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) do Cairuçu.

Foto Reporter Izabela Vieira/Abr

Paraty ( RJ)- Comunidades caiçaras de Paraty, no sul fluminense, reclamam que condomínio de luxo na Praia do Sono restringiu o acesso ao mar
Paraty ( RJ)- Comunidades caiçaras de Paraty, no sul fluminense, reclamam que condomínio de luxo na Praia do Sono restringiu o acesso ao mar

Preparado para buscar o material no ancoradouro mais perto da Praia do Sono, Edivaldo conta que foi impedido pelos administradores da marina localizada no luxuoso Condomínio Laranjeiras, na BR-101, de passar pelo local. Sem desistir da reforma, o pescador desafiou os seguranças privados e carregou, nas costas, as tábuas, da entrada do condômino até a marina. Por isso, ele foi notificado judicialmente por invasão de propriedade.

Assim como o pescador Edivaldo, moradores da Praia do Sono e da Praia de Ponta Negra, comunidades caiçaras (descendentes de índios, negros e colonizadores), que somam cerca de 400 habitantes, denunciam que o condomínio cria, a cada dia, restrições de acesso à marina, usada secularmente. É que para se chegar até o local é preciso passar por dentro do Laranjeiras, o que só pode ser feito com autorização e por meio de caminhonete modelo Kombi.

“Para pegar o ônibus (na BR –101), não podemos passar a pé, às vezes, ficamos horas mofando, esperando a Kombi”, conta a líder comunitária, Leila Conceição. ” Eles criam um monte de restrições. Turista não pode passar. Também não deixam passar carro de gelo para o pescado. No verão, jogamos muitos peixes fora. Barco não pode descarregar… Muitos pescadores têm até vendido seus barcos.”

Em representação encaminhada ao Ministério Público Federal, a Associação de Moradores da Praia do Sono relata que, além do material de construção, está proibida a passagem com compras durante os finais de semana e feriados, além do acesso às quatro praias do condomínio. Regras às quais também estão submetidos funcionários da prefeitura de Paraty, como médicos e professores que trabalham nas comunidades e de técnicos que garantem a manutenção do único telefone público da praia.

“A nossa única alternativa é uma trilha, a pé, de duas horas de duração, que não serve para crianças, idosos e doentes. Tampouco para o transporte de cargas. Mas a questão não é abrir um novo caminho. Queremos o nosso caminho, que está ligado à nossa identidade caiçara e que nossos antepassados usaram sem problema nenhum. Nosso problema é condomínio, que a cada dia inventa mais uma restrição”, completa Jadson dos Santos, membro da associação.

De acordo com as lideranças da praia, os administradores da propriedade ainda têm dificultado o acesso de turistas, o que atrapalha uma das principais atividades econômicas das comunidades, depois da pesca, principalmente no verão. Segundo as lideranças, o objetivo é “sufocar o sustento” dos últimos caiçaras, “que deixarão de incomodar” os veranistas de luxo.

Procurado, o Condomínio Laranjeiras não atendeu a Agência Brasil. A repórter não foi autorizada a entrevistar os administradores enquanto esteve no local e não conseguiu contato por telefone. Em comunicado enviado aos moradores, o condomínio disse que disponibiliza um barco para o transporte marítimo de materiais de construção, sem custos.

O Ministério Público informou, em nota, que investiga “a possível obstrução às praias pelo condomínio”, além de denúncias de irregularidades ambientais. E esclareceu: “As praias são bens de uso comum do povo, sendo vedadas limitações ao seu livre acesso”.

Manifesto das Comunidades Tradicionais de Paraty

Nós, do FÓRUM DE COMUNIDADES TRADICIONAIS, constituído por legítimos representantes das comunidades tradicionais quilombolas, indígenas e caiçaras, de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, visando a proteção e garantia de nossos direitos, respaldados em diversas leis, vimos manifestar extrema indignação e repúdio à política de total desrespeito, arbitrariedade e fortes indícios de irregularidades, com que o INEA mantém a administração da Reserva Ecológica da Juatinga, no município de Paraty /RJ.

O total abandono da região pelo Poder Público tem causado graves problemas às comunidades tradicionais caiçaras ali existentes, que desde a entrada do turismo de massa e da especulação imobiliária, sofrem todo tipo de pressão para deixarem seus territórios, ocupados há várias gerações.

Apesar da Reserva Ecológica da Juatinga ter sido criada com o objetivo de preservar a natureza e a cultura caiçara e, portanto, garantir a permanência dessas comunidades e suas gerações futuras em suas áreas de origem, desde a sua criação, há aproximadamente 17 anos, nenhuma providência foi tomada no sentido de atender às previsões legais do Decreto no que se refere ao fomento das comunidades caiçaras, nem tampouco quanto à obrigatória regularização fundiária, prevista na lei que autorizou sua criação.

Nunca houve preocupação e qualquer esforço do órgão em fazer um trabalho educativo junto às comunidades tradicionais da região. Ao contrário, há sérios registros de ações contra estas populações realizadas de forma repressiva, autoritária e ilegal, motivando, inclusive, a propositura de ação civil pública contra a instituição.

O órgão já promoveu a derrubada de casas de moradores tradicionais, destruiu ranchos caiçaras, adotando, curiosamente, tratamento desigual em relação às construções irregulares de luxuosas mansões construídas integralmente em áreas de proteção permanente, em cima de costões rochosos, nas faixas de marinha e casas de veranistas, que permanecem intactas, de forma indevida dentro da REJ.

A ineficiência do órgão em impedir as construções irregulares e a privatização de praias é visível, podendo ser considerada até proposital, já que nenhuma providência é tomada, por exemplo, em relação a constante chegada de caminhões de material de construção para embarque na praia de Paraty Mirim, de onde sai grande parte do material para o interior da Reserva, sem nenhum controle.

A falta de comprometimento, o abandono e descaso do órgão em relação à administração local, impossibilitando que o trabalho seja feito de forma correta, não deixam qualquer dúvida sobre suas verdadeiras intenções em expulsar as comunidades da REJ dos seus cobiçados territórios.

Nos últimos três anos, aproximadamente, a REJ teve 3 (três) diferentes chefes, sendo que o último, o Sr. Jaderson Mendes, foi o único que, nestes 17 (dezessete) anos, iniciou um trabalho junto com as comunidades, respeitando a legislação que garante a permanência das populações tradicionais em seus territórios. Certamente, este foi o motivo de sua exoneração.

A atuação irresponsável do Instituto Estadual do Ambiente tem propiciado, de um lado, a vulnerabilidade das comunidades e, de outro, uma política de favorecimento e concretização de interesses de grandes grupos econômicos e políticos da região.

Considerando que todos esses fatos afrontam diretamente os objetivos e princípios da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, instituída pelo Decreto Federal nº 6.040, de 07 de fevereiro de 2007, solicitamos que seja assegurado às populações tradicionais da REJ, em condições de igualdade, os direitos e oportunidades que a legislação nacional outorga aos demais membros da população.
Solicitamos, portanto, que seja marcada com urgência uma reunião entre as lideranças que integram o Fórum de Comunidades Tradicionais da região, o presidente do INEA, Sr. Luiz Firmino Martins Pereira, e a Secretária de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Sra. Marilene Ramos.

Por fim, considerando que a Constituição da República incube ao Ministério Público Federal a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, solicitamos a este órgão providências no sentido de ver garantido os direitos das comunidades tradicionais caiçaras que moram no interior da Reserva Ecológica da Juatinga.

Este documento está sendo entregue Ministério do Meio Ambiente, ao Instituto Estadual do Ambiente – INEA, à Secretaria do Ambiente – RJ, ao Ministério Público Federal, e à Defensoria Pública do Estado do RJ – núcleo Direitos Humanos.

Paraty, 21 de junho de 2009.

http://forumtradicionais.blogspot.com/

O post abaixo é de Flávio Araújo, de quem obtive autorização por e-mail para reprodução de seu blog Zangarêio que sugiro visitar.

A extinção do Pirão

Condomínio Laranjeiras cerceia o direito de ir e vir de Zeca da Farinha.

Começa assim: Zeca da Farinha, morador da Praia do Sono, precisa trocar o sapê velho de sua casa por telhas, pois é março e a chuva grossa molhará seu eito de farinha armazenado no cesto de bambu se assim não o fizer, portanto segue para a casa de materiais de construção na cidade.                   

Chegando lá compra telhas, pregos e ripas, pagando com seu dinheiro suado conquistado com a pesca no cerco. Mas é advertido pelo gerente da casa de materiais para que ele pegue a autorização de entrada do caminhão com seus materiais no Condomínio Laranjeiras, para que assim possam descarregar no minúsculo cais suas telhas e ripas, onde Antônio, filho mais velho de Zeca, espera com uma lancha para levar até a praia. Zeca da Farinha corre dali, corre daqui, é mandado pra lá e pra cá até que consegue a tal autorização. Mas surpresa, chegando ao portão de entrada do Condomínio Laranjeiras o caminhão é barrado pelos guardas, impedindo que os materiais do caiçara Zeca da Farinha cheguem até o píer sob alegações misteriosas.


É assim, temos visto, e não é de hoje, que o Condomínio Laranjeiras outorga sobre si a estrela dourada de xerife no município de Paraty. Guardiã de não sei quê, arroga também o direito de intervir socando no pilão da ilegitimidade os direitos supra-estatais, enquanto gargalha ao limpar o rabo com a Constituição Federal.

A última dose aconteceu no dia 10 de junho quando moradores da Ponta Negra, Praia do Sono e moradores da Vila Oratória de Laranjeiras, entre entidades e personas gratas da causa se reuniram ao portão do Condomínio para um protesto pacífico e legítimo a favor do livre acesso de moradores das comunidades próximas que reivindicam o direito de ir e vir assegurado pela lei régia brasileira.

A questão é que o Condomínio Laranjeiras está pouco se lixando para quem grita por seus direitos. Como um rolo compressor estimado em 15% do PIB do país tenta achatar qualquer atitude contrária aos seus interesses, portanto ora sutilmente, ora vergonhosamente mina os direitos das comunidades tradicionais que por século usam a via marítima como acesso, pois como todo mundo sabe Praia do Sono e Ponta Negra não possuem estradas, mantendo assim uma relação intimista com o mar para promoção de seu sustento e locomoção; muito diferente da relação dos condôminos do citado Condomínio, e de tantos outros, como o da Praia da Caçandoca, por exemplo, que só molham os pés no mar uma, duas vezes ao ano, no máximo.

Há pelo menos dois pensamentos errados gritantes sobre a questão caiçara: O primeiro é que o caiçara é o agressor do meio ambiente, dilapidando os recursos naturais, um tipo de Influenza A (H1N1) que deve ser expulsa da natureza.

O segundo pensamento maquiavélico aspira que o caiçara viva num eterno presépio: casa de estuque caindo aos pedaços, filhos catarrentos com a barriga gorda de lombrigas, um pai mascando fumo sob o olhar terno da esposa, grávida da décima quarta criança.

Ora minha gente, pelo amor do Cristo de Deus! O caiçara é antes de tudo a extensão do meio em que vive, vivendo harmoniosamente geração após geração. Um defensor perpétuo da natureza, pois é o primeiro a saber que, por exemplo, cortando uma árvore inconsequentemente, está destruindo a concepção de uma canoa que usará por décadas.

A população caiçara é o berço do Brasil, foi por essas bandas que foi mestiçamente engendrada a invenção do brasileiro: portugueses, africanos e índios do litoral, que deram origem ao que eu sou e ao que você é.

É fácil ver a questão de degradação ambiental entre as partes (ver fotos),

Condomínio Laranjeiras (início da construção das mansões)

Praia do Sono (foto atual)

basta ver a área de construção na Praia do Sono por exemplo, e comparar com a área construída do Condomínio Laranjeiras. O resultado é berrante, e para espanto geral da nação é necessário dizer que o Condomínio Laranjeiras não tem nem cinquenta anos!

É claro que o morador de um condomínio paga muito caro para ter sossego e segurança e isso deve ser respeitado por ser justo (diga-se muito justo sob a égide de um sistema capitalista onde a distribuição de riquezas está maldosamente distribuída: 5% da pirâmide social detêm 80% de toda riqueza da nação). O injusto é por essa causa transformar essas comunidades num Tibete ou numa Palestina.

Será necessário o surgimento do profeta Moisés com seu cajado para abrir o Mar Vermelho de ferrolhos, grades e guardas para que o povo saia do Egito social que se encontram?

Não. Paraty tem lei e ordem. Tem poderes constituídos como o legislativo e judiciário. Tem opinião pública, ainda que acanhada e, acima de tudo, um povo forte que está despertando para reivindicar seus direitos.


O caiçara é um cidadão como qualquer outro. Ele tem o direito de melhorar suas condições de moradia, de ter energia elétrica, de ter acesso à educação, saúde, saneamento básico. Ele tem o direito inalienável a todo complemento para obtenção de sua dignidade social, isso inclui o sagrado direito de ir e vir sem ter que ser barrado por quem chegou agora e já quer sentar no colo do motorista desse ônibus que se chama sociedade.

O que estão fazendo com os caiçaras há muito tempo é crime, passivo do extremo exercício da lei e vingança. Sim, vingança. Pois a justiça é a vingança dos justos.


Azul Marinho – pirão de peixe a base de farinha de mandioca

Observação: Pelo fato de Zeca não ter podido trocar o sapê velho por telhas de barro, perdendo toda a sua produção de farinha com as mil goteiras no seu barraco, hoje ninguém comeu azul marinho na cidade.


Flávio de Araújo

Enviado em Condomínio Laranjeiras, Pandorama | 15 Comentários »

Meu corrupto é melhor que o teu!

Publicado por Pax em 26/07/2009

O Coliseu do relativismo está em festa.

A temporada de escândalos do Congresso Nacional está longe de acabar. José Sarney faz cara de sonso, mas não é. Além de aliados fortíssimos, como Lula, Collor e Renan, os que atiram pedras têm telhado de vidro. Cipó vai, mas o cipó volta, avisam os defensores de Sarney.

A turma da esquerda festiva repete o que Lula diz, e a turma da direita explosiva esquece seu passado e se posta de arauto da ética e da moral que nunca tiveram.

Aliados de Sarney reagem à ofensiva da oposição e preparam representações

MÁRCIO FALCÃO – da Folha Online, em Brasília

Os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), preparam contra-ataque à ofensiva do PSDB, do DEM e de senadores que prometem uma nova representação contra o peemedebista no Conselho de Ética. Senadores ligados a Sarney encomendaram a assessores a elaboração de representações por quebra de decoro parlamentar contra colegas.

A ideia é dividir a responsabilidade pela crise que atinge a imagem da instituição com outros senadores. Podem ser alvo de representação, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Efraim Moraes (DEM-PB) e Tião Viana (PT-AC). Todos já estiveram envolvidos em denúncias de irregularidades nos últimos meses.

A estratégia dos senadores próximos ao presidente do Senado é intimidar opositores que insistirem em desgastar ainda mais imagem do peemedebista. Eles também seriam levados ao colegiado na tentativa de diminuir a pressão contra Sarney.

Continua…

Enviado em Arthur Virgílio, Congresso Nacional, Cristovam Buarque, Efraim Morais, José Sarney, Pandorama, Tião Viana | Deixar um comentário »

Fisco rastreia laranjas em negócios dos Sarney

Publicado por Pax em 26/07/2009

da Folha Online

A Receita Federal começou a rastrear a movimentação financeira de pessoas apontadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como laranjas usados pela família Sarney para ocultar a propriedade de empresas e praticar lavagem de dinheiro, de acordo com dados do fisco aos quais a reportagem teve acesso. A matéria de Leonardo Souza, Maria Clara Cabral e Hudson Corrêa está disponível para assinantes da Folha e do UOL.

Aliados de Sarney reagem à ofensiva de oposição
PT defende afastamento de Sarney após gravações
Fernando Sarney omite centro de futebol em IR

A Folha informou na edição deste sábado que após uma investigação sem precedentes nas empresas da família Sarney, a Receita Federal indicou a prática de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro, entre outras ilegalidades, informou a Folha na edição deste sábado.

São 17 ações fiscais em curso, que atingem 24 pessoas e empresas relacionadas direta e indiretamente aos Sarney, incluindo sete contribuintes do Rio de Janeiro e São Paulo.

O caso se estende até a Usimar Componentes Automotivos, empresa que deu nome ao escândalo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) no final da década de 1990 no Maranhão, no governo da então e atual governadora Roseana Sarney (PMDB).

O aperto da fiscalização sobre pessoas físicas e jurídicas da família Sarney somou-se a uma série de outros fatores que levaram o governo federal a demitir a secretária da Receita Lina Maria Vieira, segundo a Folha apurou.

Por meio de nota, Fernando Sarney afirmou que a fiscalização da Receita é de rotina e nada tem a ver com câmbio e lavagem de dinheiro. Ele negou qualquer ligação com a Usimar.

O empresário disse ainda que a fiscalização não tem relação com a saída de Lina Vieira do comando da Receita porque foi iniciada antes da nomeação dela para o cargo. No entanto, foi na gestão de Lina que a Justiça Federal expediu um ofício determinando celeridade na investigação. A receita constituiu então um grupo especial de fiscalização com auditores de fora do Maranhão.

Entre os alvos do fisco estão Dulce de Britto Freire, Walfredo Dantas de Araújo e Thucydides Barbosa Frota, que constam como sócios do grupo Marafolia, especializado em shows e eventos. Segundo a PF, Fernando Sarney e sua mulher, Teresa Murad, “são os donos de fato” do negócio.

Continua…

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Custo de obras do PAC sobe até 100%

Publicado por Pax em 26/07/2009

Alguns empreendimentos do programa estão na mira do TCU por conterem suspeitas de irregularidades graves

Renée Pereira – Estadão

Não bastasse a lentidão na execução dos projetos, agora o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – peça-chave do segundo mandato do governo Lula – enfrenta um forte encarecimento no custo das obras. Quase metade dos projetos incluídos no pacote federal passou por revisão no volume de investimentos nos últimos dois anos, desde o lançamento do PAC, em janeiro de 2007. Há casos em que o valor da construção subiu 100%, como é o caso do Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, da Petrobrás.

Os dados constam de levantamento feito pelo Estado com 122 empreendimentos de logística, energia, saneamento, urbanismo e transporte urbano. Desse total, 55 tiveram aumento no custo das obras – o que pode mascarar o valor real do programa e dificultar a obtenção de crédito. O resultado foi obtido com base na comparação entre o último balanço do PAC (abril de 2009) e os relatórios anteriores. Só ficaram de fora obras incluídas recentemente no programa ou que tiveram mudanças na descrição do projeto.

Alguns empreendimentos estão na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), com indícios de irregularidades graves. Outros já passaram pelo crivo do órgão e foram liberados, com ressalvas para adequação de contratos. Há ainda casos em que as suspeitas de irregularidades não foram esclarecidas, mas a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional optou por liberar a obra por causa do estágio avançado da construção.

Apesar de os projetos serem de diferentes setores, as justificativas para o aumento dos custos quase sempre têm o mesmo tom. Segundo os responsáveis pelas obras, as revisões decorrem de fatores como reajustes anuais dos contratos, mudança nas tecnologias e inclusão de obras não previstas no desenho original. No caso do Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, a Petrobrás explica que o acréscimo se refere à adoção de uma tecnologia inédita no Brasil de transporte de tubos, que incluiu o uso de aeronaves especiais vindas do exterior. Além disso, houve elevação dos custos de bens e serviços por causa do aquecimento do mercado, que acrescentaram R$ 1,55 bilhão ao investimento, para R$ 3,1 bilhões.

Na avaliação de especialistas, isso tudo pode ser resumido em duas palavras: falta planejamento. “As obras são iniciadas sem projetos básicos ou com projetos de baixa qualidade. No meio do caminho, descobrem que dimensionaram mal o volume de investimentos e precisam revisar os valores”, afirma o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi.

Foi o que ocorreu em várias obras executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Na época do lançamento do PAC, boa parte dos empreendimentos rodoviários não tinha projeto básico. Como a inclusão no programa exigia o valor de investimentos, o departamento projetou valores médios para cada obra, contou o diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT, Hideraldo Luiz Caron.

Continua…

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Secretário da Receita é investigado pelo MPF

Publicado por Pax em 26/07/2009

Procuradores apuram como Cartaxo se livrou de processo do próprio Fisco

David Friedlander – Estadão

Nomeado depois da demissão de Lina Vieira do comando da Receita Federal, o secretário interino, Otacílio Cartaxo, também está na linha de tiro. Ele é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). Em 2006, Cartaxo caiu numa operação pente-fino realizada na própria Receita para localizar auditores com indícios de patrimônio incompatível com a renda. Houve uma auditoria e o processo foi arquivado. Este ano, o MPF reabriu o caso porque desconfia dos resultados da investigação da Corregedoria da Receita. O processo corre em segredo de Justiça.

Segundo homem na hierarquia do Fisco, Cartaxo foi nomeado para contornar a rebelião dos superintendentes regionais contra a saída de Lina. Auditores ligados ao movimento sindical tentam manter o interino por mais tempo, embora no Ministério da Fazenda comente-se abertamente que o ministro Guido Mantega deseja o atual presidente do INSS, Valdir Simão, no comando.

Cartaxo caiu na malha da Receita por dois motivos principais. Primeiro, pela presença de grandes somas de dinheiro em casa. Em suas declarações anuais de renda, o secretário afirmava guardar dinheiro vivo na residência pelo menos desde 2000. Eram sempre quantias na casa dos R$ 100 mil. Chegou a ter R$ 155 mil “no cofre” em 2002 e R$ 127 mil em 2003.

O outro ponto que despertou suspeitas foi o volume de doações de dinheiro entre Cartaxo e sua família. O secretário recebeu ou doou somas expressivas, superiores ao salário total no ano. Tanto o dinheiro “embaixo do colchão” quanto doações de altas somas são itens que normalmente chamam a atenção dos agentes do Fisco. São considerados indícios, mas sozinhos não provam nada.

Continua…

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