Luxo ofensivo
Publicado por Pax em 30/07/2009
Não só os poderes constituídos nos ofendem diuturnamente. Parte do consumo de luxo faz igual ou pior. Daslu e Tânia Bulhões lideram esse triste campeonato.
Ex-funcionária de Tânia Bulhões confirma esquema
Braço direito da empresária Tania Bulhões diz que 70% do valor real das mercadorias era pago por fora
Bruno Tavares e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – A administradora de empresas Magali Bertuol, braço direito da empresária Tania Bulhões até abril do ano passado, confirmou à Polícia Federal as suspeitas levantadas pela Operação Porto Europa – missão integrada entre PF, Receita Federal e Ministério Público Federal que apura fraudes em importações do Grupo Tania Bulhões.
Em depoimento ao delegado Alexsander Castro de Olivera, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF em São Paulo, Magali afirmou que 70% do valor real das mercadorias trazidas do exterior era “pago por fora”. Disse, ainda, suspeitar que o grupo comercializava mercadorias sem nota fiscal ou com valores subfaturados.
O intrincado processo de importação dos artigos de decoração começava com o retorno de Tania das feiras internacionais, onde escolhia os produtos a serem adquiridos. A partir daí, Magali entrava em contato com os fornecedores para efetuar os pedidos. As faturas (denominadas pro forma) eram então traduzidas e remetidas para as importadoras All Trade Logistics e Eurosete Internacional, com sede em Miami, nos Estados Unidos, e By Brazil, investigada em 2005 por intermediar compras para a butique Daslu.
Magali afirma que era o empresário Márcio Campos Gonçalves, dono da All Trade e da Eurosete, quem refazia as notas de importação “com a redução de algo em torno de 60% (do valor real)”. Na maioria das vezes, diz a ex-funcionária, ele seguia instruções de Tania. Magali disse se recordar de dois pagamentos feitos a Gonçalves, um por meio de dólar-cabo (remessa de dinheiro não declarado) e outro num paraíso fiscal.