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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Posts de julho \27\UTC 2009

A esquizofrenia do PT

Publicado por Pax em 27/07/2009

O PT vive as dores do crescimento com suas alas batendo cabeça. Uma parte esperneia pelas decisões impostas goela abaixo e apoios aos antigos inimigos mortais. Mas Lula é quem manda e acaba de convocar o deputado cassado José Dirceu para pilotar o partido nas eleições de 2010.

José Dirceu prepara retorno

A Notícia

Escalado para ajudar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na campanha ao Planalto, o deputado cassado José Dirceu retornará formalmente à direção do PT. Seu nome está na chapa da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), que increveu no sábado a candidatura do presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, ao comando do partido.

Nos bastidores da política desde o escândalo do mensalão, em 2005, o ex-poderoso chefe da Casa Civil do governo Lula trabalha para apaziguar disputas entre PT e PMDB, construir palanques para Dilma nos Estados e defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acusado de empregar parentes e favorecer amigos por meio de atos secretos na casa.

O retorno de Dirceu à cúpula do PT passará pelo teste das urnas – já que a eleição na seara petista tem voto dos filiados –, mas a volta oficial é dada como certa.

Continua…

Governo mantém apoio a Sarney e minimiza posição do PT

Estadão

Segundo Múcio, governo avalia que nota do PT, que pede a licença de Sarney, não reflete toda bancada

BRASÍLIA - O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou nesta segunda-feira, 27, que o governo mantém o apoio à permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. Ainda segundo Múcio, a avaliação do governo é de que a nota divulgada na última sexta-feira (24) pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), não reflete a opinião de toda a bancada petista. A nota afirma que a bancada continua defendendo o afastamento temporário de Sarney.

Veja também:

especialESPECIAL: a trajetória de José Sarney

lista O ESTADO DE S. PAULO:Gravação liga Sarney a atos secretos

somÁUDIO: Ouça os diálogos que ligam Sarney a atos secretos e a Agaciel

lista Confira a lista dos 663 atos secretos do Senado

especialESPECIAL MULTIMÍDIA: Entenda os atos secretos e confira as análises

trailer Galeria: vista aérea da casa particular de José Sarney na Península dos Ministros

lista O ESTADO DE S. PAULO: Senado acumula mais de 300 atos secretos

lista O ESTADO DE S. PAULO: Neto de Sarney agencia crédito no Senado

A avaliação é do grupo de coordenação, que se reuniu hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Centro Cultural Banco do Brasil. “O que nós avaliamos é que isso não é um movimento do PT. Imaginamos que seja o posicionamento de um ou dois senadores”, afirmou o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que participou da reunião. “Como o Senado está em recesso, muitos estão fora. Estamos esperando que a poeira baixe para conversar na próxima semana”, disse.

Múcio, no entanto, lamentou a nota divulgada pelo líder do PT no Senado. “Pois é, vamos ver se houve um movimento da bancada inteira, visto que o presidente conversou com a bancada 15 dias antes de isso tudo acontecer”, afirmou o ministro. “Nós lamentamos a decisão. Vai caber ao Senado, que tem todos os pré-requisitos e poder para resolver essas coisas”, acrescentou.

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Ala do PT comandada por Tarso defende fim do Senado

Publicado por Pax em 27/07/2009

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O governo e o PT vão calibrar o discurso sobre a crise política diante do agravamento da situação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é cada vez mais aconselhado a conter os elogios ao aliado e a dizer que a crise se trata de “assunto interno do Congresso”, dirigentes do PT defendem abertamente a extinção do Senado. Sem efeito prático no momento, pois só poderia sair da prateleira numa reforma constitucional, a polêmica proposta consta da plataforma da corrente Mensagem ao Partido, capitaneada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

“Os debates sobre o unicameralismo ou sobre as restrições ao poder revisor do Senado e sua composição (…) devem ser retomados pelo partido”, diz um trecho do programa do grupo de Tarso para a disputa que vai renovar, em novembro, o comando nacional do PT. O texto preliminar era ainda mais duro: dizia que a crise no Senado “relembra o arcaísmo desta instituição vinda do Império”. No entanto, Tarso Genro considerou o comentário excessivo e a observação foi retirada do documento apresentado pela chapa.

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Dantas tem posse sem registro de fazendas, aponta MP

Publicado por Pax em 27/07/2009

AE – Agencia Estado

SÃO PAULO – A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, controlada pelo banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, não figura como proprietária oficial na maior parte das 27 fazendas que foram sequestradas pela Justiça Federal, dentro da Operação Satiagraha. Em pouco mais de três anos, Dantas criou um império do gado que envolve oficialmente cerca de 500 mil cabeças de boi e 500 mil hectares de terras. Concentradas no Pará, praticamente todas as áreas são consideradas irregulares pelo Ministério Público (MP).

Relatório das investigações federais acusa o empresário de usar as propriedades – 43 ao todo – e os negócios com gado para lavar dinheiro não declarado. O MP e a Polícia Federal (PF) apontam a aplicação de mais de R$ 700 milhões na atividade agropecuária do grupo e começaram a pleitear na Justiça o confisco desse patrimônio. Mas há problemas tanto quanto ao real número de bois espalhados pelos pastos da Santa Bárbara como em relação aos verdadeiros donos das fazendas.

Em pelo menos nove das 27 propriedades rurais sequestradas pela Justiça Federal, os donos definitivos dos imóveis ainda são os antigos proprietários. Em alguns casos os bens estão em nome de empresas ligadas ao grupo, como a Alcobaça Consultoria e Participações. Segundo a PF, a firma teria participação societária na Agropecuária Santa Bárbara e os donos são Dantas e sua irmã Verônica, uma das controladoras dos negócios rurais com o ex-cunhado do banqueiro Carlos Rodenburg.

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Condomínio Laranjeiras impede ir e vir dos caiçaras

Publicado por Pax em 26/07/2009

Caiçaras, índios e quilombolas chamavam a atenção dos participantes da FLIP 2009 para o absurdo promovido pelo Condomínio Laranjeiras, o mais rico do Brasil, de impedir seu direito de ir e vir. Hoje a Agência Brasil traz uma matéria sobre o assunto.

Abaixo mais links que apontam para esse problema. Sugiro ler os relatos dos próprios moradores.

Caiçaras denunciam condomínio de luxo por impedir acesso à praia no litoral fluminense

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil

Paraty (RJ) – Depois de passar meses juntando dinheiro, o pescador Edivaldo dos Santos decidiu reformar a casa de estuque (barro), na Praia do Sono, em Paraty, litoral sul fluminense. Comprou oito tábuas de madeira, o material para fixá-las e conseguiu a autorização do órgão ambiental responsável por acompanhar mudanças nas residências da comunidade, que estão dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) do Cairuçu.

Foto Reporter Izabela Vieira/Abr

Paraty ( RJ)- Comunidades caiçaras de Paraty, no sul fluminense, reclamam que condomínio de luxo na Praia do Sono restringiu o acesso ao mar
Paraty ( RJ)- Comunidades caiçaras de Paraty, no sul fluminense, reclamam que condomínio de luxo na Praia do Sono restringiu o acesso ao mar

Preparado para buscar o material no ancoradouro mais perto da Praia do Sono, Edivaldo conta que foi impedido pelos administradores da marina localizada no luxuoso Condomínio Laranjeiras, na BR-101, de passar pelo local. Sem desistir da reforma, o pescador desafiou os seguranças privados e carregou, nas costas, as tábuas, da entrada do condômino até a marina. Por isso, ele foi notificado judicialmente por invasão de propriedade.

Assim como o pescador Edivaldo, moradores da Praia do Sono e da Praia de Ponta Negra, comunidades caiçaras (descendentes de índios, negros e colonizadores), que somam cerca de 400 habitantes, denunciam que o condomínio cria, a cada dia, restrições de acesso à marina, usada secularmente. É que para se chegar até o local é preciso passar por dentro do Laranjeiras, o que só pode ser feito com autorização e por meio de caminhonete modelo Kombi.

“Para pegar o ônibus (na BR –101), não podemos passar a pé, às vezes, ficamos horas mofando, esperando a Kombi”, conta a líder comunitária, Leila Conceição. ” Eles criam um monte de restrições. Turista não pode passar. Também não deixam passar carro de gelo para o pescado. No verão, jogamos muitos peixes fora. Barco não pode descarregar… Muitos pescadores têm até vendido seus barcos.”

Em representação encaminhada ao Ministério Público Federal, a Associação de Moradores da Praia do Sono relata que, além do material de construção, está proibida a passagem com compras durante os finais de semana e feriados, além do acesso às quatro praias do condomínio. Regras às quais também estão submetidos funcionários da prefeitura de Paraty, como médicos e professores que trabalham nas comunidades e de técnicos que garantem a manutenção do único telefone público da praia.

“A nossa única alternativa é uma trilha, a pé, de duas horas de duração, que não serve para crianças, idosos e doentes. Tampouco para o transporte de cargas. Mas a questão não é abrir um novo caminho. Queremos o nosso caminho, que está ligado à nossa identidade caiçara e que nossos antepassados usaram sem problema nenhum. Nosso problema é condomínio, que a cada dia inventa mais uma restrição”, completa Jadson dos Santos, membro da associação.

De acordo com as lideranças da praia, os administradores da propriedade ainda têm dificultado o acesso de turistas, o que atrapalha uma das principais atividades econômicas das comunidades, depois da pesca, principalmente no verão. Segundo as lideranças, o objetivo é “sufocar o sustento” dos últimos caiçaras, “que deixarão de incomodar” os veranistas de luxo.

Procurado, o Condomínio Laranjeiras não atendeu a Agência Brasil. A repórter não foi autorizada a entrevistar os administradores enquanto esteve no local e não conseguiu contato por telefone. Em comunicado enviado aos moradores, o condomínio disse que disponibiliza um barco para o transporte marítimo de materiais de construção, sem custos.

O Ministério Público informou, em nota, que investiga “a possível obstrução às praias pelo condomínio”, além de denúncias de irregularidades ambientais. E esclareceu: “As praias são bens de uso comum do povo, sendo vedadas limitações ao seu livre acesso”.

Manifesto das Comunidades Tradicionais de Paraty

Nós, do FÓRUM DE COMUNIDADES TRADICIONAIS, constituído por legítimos representantes das comunidades tradicionais quilombolas, indígenas e caiçaras, de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, visando a proteção e garantia de nossos direitos, respaldados em diversas leis, vimos manifestar extrema indignação e repúdio à política de total desrespeito, arbitrariedade e fortes indícios de irregularidades, com que o INEA mantém a administração da Reserva Ecológica da Juatinga, no município de Paraty /RJ.

O total abandono da região pelo Poder Público tem causado graves problemas às comunidades tradicionais caiçaras ali existentes, que desde a entrada do turismo de massa e da especulação imobiliária, sofrem todo tipo de pressão para deixarem seus territórios, ocupados há várias gerações.

Apesar da Reserva Ecológica da Juatinga ter sido criada com o objetivo de preservar a natureza e a cultura caiçara e, portanto, garantir a permanência dessas comunidades e suas gerações futuras em suas áreas de origem, desde a sua criação, há aproximadamente 17 anos, nenhuma providência foi tomada no sentido de atender às previsões legais do Decreto no que se refere ao fomento das comunidades caiçaras, nem tampouco quanto à obrigatória regularização fundiária, prevista na lei que autorizou sua criação.

Nunca houve preocupação e qualquer esforço do órgão em fazer um trabalho educativo junto às comunidades tradicionais da região. Ao contrário, há sérios registros de ações contra estas populações realizadas de forma repressiva, autoritária e ilegal, motivando, inclusive, a propositura de ação civil pública contra a instituição.

O órgão já promoveu a derrubada de casas de moradores tradicionais, destruiu ranchos caiçaras, adotando, curiosamente, tratamento desigual em relação às construções irregulares de luxuosas mansões construídas integralmente em áreas de proteção permanente, em cima de costões rochosos, nas faixas de marinha e casas de veranistas, que permanecem intactas, de forma indevida dentro da REJ.

A ineficiência do órgão em impedir as construções irregulares e a privatização de praias é visível, podendo ser considerada até proposital, já que nenhuma providência é tomada, por exemplo, em relação a constante chegada de caminhões de material de construção para embarque na praia de Paraty Mirim, de onde sai grande parte do material para o interior da Reserva, sem nenhum controle.

A falta de comprometimento, o abandono e descaso do órgão em relação à administração local, impossibilitando que o trabalho seja feito de forma correta, não deixam qualquer dúvida sobre suas verdadeiras intenções em expulsar as comunidades da REJ dos seus cobiçados territórios.

Nos últimos três anos, aproximadamente, a REJ teve 3 (três) diferentes chefes, sendo que o último, o Sr. Jaderson Mendes, foi o único que, nestes 17 (dezessete) anos, iniciou um trabalho junto com as comunidades, respeitando a legislação que garante a permanência das populações tradicionais em seus territórios. Certamente, este foi o motivo de sua exoneração.

A atuação irresponsável do Instituto Estadual do Ambiente tem propiciado, de um lado, a vulnerabilidade das comunidades e, de outro, uma política de favorecimento e concretização de interesses de grandes grupos econômicos e políticos da região.

Considerando que todos esses fatos afrontam diretamente os objetivos e princípios da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, instituída pelo Decreto Federal nº 6.040, de 07 de fevereiro de 2007, solicitamos que seja assegurado às populações tradicionais da REJ, em condições de igualdade, os direitos e oportunidades que a legislação nacional outorga aos demais membros da população.
Solicitamos, portanto, que seja marcada com urgência uma reunião entre as lideranças que integram o Fórum de Comunidades Tradicionais da região, o presidente do INEA, Sr. Luiz Firmino Martins Pereira, e a Secretária de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Sra. Marilene Ramos.

Por fim, considerando que a Constituição da República incube ao Ministério Público Federal a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, solicitamos a este órgão providências no sentido de ver garantido os direitos das comunidades tradicionais caiçaras que moram no interior da Reserva Ecológica da Juatinga.

Este documento está sendo entregue Ministério do Meio Ambiente, ao Instituto Estadual do Ambiente – INEA, à Secretaria do Ambiente – RJ, ao Ministério Público Federal, e à Defensoria Pública do Estado do RJ – núcleo Direitos Humanos.

Paraty, 21 de junho de 2009.

http://forumtradicionais.blogspot.com/

O post abaixo é de Flávio Araújo, de quem obtive autorização por e-mail para reprodução de seu blog Zangarêio que sugiro visitar.

A extinção do Pirão

Condomínio Laranjeiras cerceia o direito de ir e vir de Zeca da Farinha.

Começa assim: Zeca da Farinha, morador da Praia do Sono, precisa trocar o sapê velho de sua casa por telhas, pois é março e a chuva grossa molhará seu eito de farinha armazenado no cesto de bambu se assim não o fizer, portanto segue para a casa de materiais de construção na cidade.                   

Chegando lá compra telhas, pregos e ripas, pagando com seu dinheiro suado conquistado com a pesca no cerco. Mas é advertido pelo gerente da casa de materiais para que ele pegue a autorização de entrada do caminhão com seus materiais no Condomínio Laranjeiras, para que assim possam descarregar no minúsculo cais suas telhas e ripas, onde Antônio, filho mais velho de Zeca, espera com uma lancha para levar até a praia. Zeca da Farinha corre dali, corre daqui, é mandado pra lá e pra cá até que consegue a tal autorização. Mas surpresa, chegando ao portão de entrada do Condomínio Laranjeiras o caminhão é barrado pelos guardas, impedindo que os materiais do caiçara Zeca da Farinha cheguem até o píer sob alegações misteriosas.


É assim, temos visto, e não é de hoje, que o Condomínio Laranjeiras outorga sobre si a estrela dourada de xerife no município de Paraty. Guardiã de não sei quê, arroga também o direito de intervir socando no pilão da ilegitimidade os direitos supra-estatais, enquanto gargalha ao limpar o rabo com a Constituição Federal.

A última dose aconteceu no dia 10 de junho quando moradores da Ponta Negra, Praia do Sono e moradores da Vila Oratória de Laranjeiras, entre entidades e personas gratas da causa se reuniram ao portão do Condomínio para um protesto pacífico e legítimo a favor do livre acesso de moradores das comunidades próximas que reivindicam o direito de ir e vir assegurado pela lei régia brasileira.

A questão é que o Condomínio Laranjeiras está pouco se lixando para quem grita por seus direitos. Como um rolo compressor estimado em 15% do PIB do país tenta achatar qualquer atitude contrária aos seus interesses, portanto ora sutilmente, ora vergonhosamente mina os direitos das comunidades tradicionais que por século usam a via marítima como acesso, pois como todo mundo sabe Praia do Sono e Ponta Negra não possuem estradas, mantendo assim uma relação intimista com o mar para promoção de seu sustento e locomoção; muito diferente da relação dos condôminos do citado Condomínio, e de tantos outros, como o da Praia da Caçandoca, por exemplo, que só molham os pés no mar uma, duas vezes ao ano, no máximo.

Há pelo menos dois pensamentos errados gritantes sobre a questão caiçara: O primeiro é que o caiçara é o agressor do meio ambiente, dilapidando os recursos naturais, um tipo de Influenza A (H1N1) que deve ser expulsa da natureza.

O segundo pensamento maquiavélico aspira que o caiçara viva num eterno presépio: casa de estuque caindo aos pedaços, filhos catarrentos com a barriga gorda de lombrigas, um pai mascando fumo sob o olhar terno da esposa, grávida da décima quarta criança.

Ora minha gente, pelo amor do Cristo de Deus! O caiçara é antes de tudo a extensão do meio em que vive, vivendo harmoniosamente geração após geração. Um defensor perpétuo da natureza, pois é o primeiro a saber que, por exemplo, cortando uma árvore inconsequentemente, está destruindo a concepção de uma canoa que usará por décadas.

A população caiçara é o berço do Brasil, foi por essas bandas que foi mestiçamente engendrada a invenção do brasileiro: portugueses, africanos e índios do litoral, que deram origem ao que eu sou e ao que você é.

É fácil ver a questão de degradação ambiental entre as partes (ver fotos),

Condomínio Laranjeiras (início da construção das mansões)

Praia do Sono (foto atual)

basta ver a área de construção na Praia do Sono por exemplo, e comparar com a área construída do Condomínio Laranjeiras. O resultado é berrante, e para espanto geral da nação é necessário dizer que o Condomínio Laranjeiras não tem nem cinquenta anos!

É claro que o morador de um condomínio paga muito caro para ter sossego e segurança e isso deve ser respeitado por ser justo (diga-se muito justo sob a égide de um sistema capitalista onde a distribuição de riquezas está maldosamente distribuída: 5% da pirâmide social detêm 80% de toda riqueza da nação). O injusto é por essa causa transformar essas comunidades num Tibete ou numa Palestina.

Será necessário o surgimento do profeta Moisés com seu cajado para abrir o Mar Vermelho de ferrolhos, grades e guardas para que o povo saia do Egito social que se encontram?

Não. Paraty tem lei e ordem. Tem poderes constituídos como o legislativo e judiciário. Tem opinião pública, ainda que acanhada e, acima de tudo, um povo forte que está despertando para reivindicar seus direitos.


O caiçara é um cidadão como qualquer outro. Ele tem o direito de melhorar suas condições de moradia, de ter energia elétrica, de ter acesso à educação, saúde, saneamento básico. Ele tem o direito inalienável a todo complemento para obtenção de sua dignidade social, isso inclui o sagrado direito de ir e vir sem ter que ser barrado por quem chegou agora e já quer sentar no colo do motorista desse ônibus que se chama sociedade.

O que estão fazendo com os caiçaras há muito tempo é crime, passivo do extremo exercício da lei e vingança. Sim, vingança. Pois a justiça é a vingança dos justos.


Azul Marinho – pirão de peixe a base de farinha de mandioca

Observação: Pelo fato de Zeca não ter podido trocar o sapê velho por telhas de barro, perdendo toda a sua produção de farinha com as mil goteiras no seu barraco, hoje ninguém comeu azul marinho na cidade.


Flávio de Araújo

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Meu corrupto é melhor que o teu!

Publicado por Pax em 26/07/2009

O Coliseu do relativismo está em festa.

A temporada de escândalos do Congresso Nacional está longe de acabar. José Sarney faz cara de sonso, mas não é. Além de aliados fortíssimos, como Lula, Collor e Renan, os que atiram pedras têm telhado de vidro. Cipó vai, mas o cipó volta, avisam os defensores de Sarney.

A turma da esquerda festiva repete o que Lula diz, e a turma da direita explosiva esquece seu passado e se posta de arauto da ética e da moral que nunca tiveram.

Aliados de Sarney reagem à ofensiva da oposição e preparam representações

MÁRCIO FALCÃO – da Folha Online, em Brasília

Os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), preparam contra-ataque à ofensiva do PSDB, do DEM e de senadores que prometem uma nova representação contra o peemedebista no Conselho de Ética. Senadores ligados a Sarney encomendaram a assessores a elaboração de representações por quebra de decoro parlamentar contra colegas.

A ideia é dividir a responsabilidade pela crise que atinge a imagem da instituição com outros senadores. Podem ser alvo de representação, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Efraim Moraes (DEM-PB) e Tião Viana (PT-AC). Todos já estiveram envolvidos em denúncias de irregularidades nos últimos meses.

A estratégia dos senadores próximos ao presidente do Senado é intimidar opositores que insistirem em desgastar ainda mais imagem do peemedebista. Eles também seriam levados ao colegiado na tentativa de diminuir a pressão contra Sarney.

Continua…

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Fisco rastreia laranjas em negócios dos Sarney

Publicado por Pax em 26/07/2009

da Folha Online

A Receita Federal começou a rastrear a movimentação financeira de pessoas apontadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como laranjas usados pela família Sarney para ocultar a propriedade de empresas e praticar lavagem de dinheiro, de acordo com dados do fisco aos quais a reportagem teve acesso. A matéria de Leonardo Souza, Maria Clara Cabral e Hudson Corrêa está disponível para assinantes da Folha e do UOL.

Aliados de Sarney reagem à ofensiva de oposição
PT defende afastamento de Sarney após gravações
Fernando Sarney omite centro de futebol em IR

A Folha informou na edição deste sábado que após uma investigação sem precedentes nas empresas da família Sarney, a Receita Federal indicou a prática de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro, entre outras ilegalidades, informou a Folha na edição deste sábado.

São 17 ações fiscais em curso, que atingem 24 pessoas e empresas relacionadas direta e indiretamente aos Sarney, incluindo sete contribuintes do Rio de Janeiro e São Paulo.

O caso se estende até a Usimar Componentes Automotivos, empresa que deu nome ao escândalo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) no final da década de 1990 no Maranhão, no governo da então e atual governadora Roseana Sarney (PMDB).

O aperto da fiscalização sobre pessoas físicas e jurídicas da família Sarney somou-se a uma série de outros fatores que levaram o governo federal a demitir a secretária da Receita Lina Maria Vieira, segundo a Folha apurou.

Por meio de nota, Fernando Sarney afirmou que a fiscalização da Receita é de rotina e nada tem a ver com câmbio e lavagem de dinheiro. Ele negou qualquer ligação com a Usimar.

O empresário disse ainda que a fiscalização não tem relação com a saída de Lina Vieira do comando da Receita porque foi iniciada antes da nomeação dela para o cargo. No entanto, foi na gestão de Lina que a Justiça Federal expediu um ofício determinando celeridade na investigação. A receita constituiu então um grupo especial de fiscalização com auditores de fora do Maranhão.

Entre os alvos do fisco estão Dulce de Britto Freire, Walfredo Dantas de Araújo e Thucydides Barbosa Frota, que constam como sócios do grupo Marafolia, especializado em shows e eventos. Segundo a PF, Fernando Sarney e sua mulher, Teresa Murad, “são os donos de fato” do negócio.

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Custo de obras do PAC sobe até 100%

Publicado por Pax em 26/07/2009

Alguns empreendimentos do programa estão na mira do TCU por conterem suspeitas de irregularidades graves

Renée Pereira – Estadão

Não bastasse a lentidão na execução dos projetos, agora o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – peça-chave do segundo mandato do governo Lula – enfrenta um forte encarecimento no custo das obras. Quase metade dos projetos incluídos no pacote federal passou por revisão no volume de investimentos nos últimos dois anos, desde o lançamento do PAC, em janeiro de 2007. Há casos em que o valor da construção subiu 100%, como é o caso do Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, da Petrobrás.

Os dados constam de levantamento feito pelo Estado com 122 empreendimentos de logística, energia, saneamento, urbanismo e transporte urbano. Desse total, 55 tiveram aumento no custo das obras – o que pode mascarar o valor real do programa e dificultar a obtenção de crédito. O resultado foi obtido com base na comparação entre o último balanço do PAC (abril de 2009) e os relatórios anteriores. Só ficaram de fora obras incluídas recentemente no programa ou que tiveram mudanças na descrição do projeto.

Alguns empreendimentos estão na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), com indícios de irregularidades graves. Outros já passaram pelo crivo do órgão e foram liberados, com ressalvas para adequação de contratos. Há ainda casos em que as suspeitas de irregularidades não foram esclarecidas, mas a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional optou por liberar a obra por causa do estágio avançado da construção.

Apesar de os projetos serem de diferentes setores, as justificativas para o aumento dos custos quase sempre têm o mesmo tom. Segundo os responsáveis pelas obras, as revisões decorrem de fatores como reajustes anuais dos contratos, mudança nas tecnologias e inclusão de obras não previstas no desenho original. No caso do Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, a Petrobrás explica que o acréscimo se refere à adoção de uma tecnologia inédita no Brasil de transporte de tubos, que incluiu o uso de aeronaves especiais vindas do exterior. Além disso, houve elevação dos custos de bens e serviços por causa do aquecimento do mercado, que acrescentaram R$ 1,55 bilhão ao investimento, para R$ 3,1 bilhões.

Na avaliação de especialistas, isso tudo pode ser resumido em duas palavras: falta planejamento. “As obras são iniciadas sem projetos básicos ou com projetos de baixa qualidade. No meio do caminho, descobrem que dimensionaram mal o volume de investimentos e precisam revisar os valores”, afirma o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi.

Foi o que ocorreu em várias obras executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Na época do lançamento do PAC, boa parte dos empreendimentos rodoviários não tinha projeto básico. Como a inclusão no programa exigia o valor de investimentos, o departamento projetou valores médios para cada obra, contou o diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT, Hideraldo Luiz Caron.

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Secretário da Receita é investigado pelo MPF

Publicado por Pax em 26/07/2009

Procuradores apuram como Cartaxo se livrou de processo do próprio Fisco

David Friedlander – Estadão

Nomeado depois da demissão de Lina Vieira do comando da Receita Federal, o secretário interino, Otacílio Cartaxo, também está na linha de tiro. Ele é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). Em 2006, Cartaxo caiu numa operação pente-fino realizada na própria Receita para localizar auditores com indícios de patrimônio incompatível com a renda. Houve uma auditoria e o processo foi arquivado. Este ano, o MPF reabriu o caso porque desconfia dos resultados da investigação da Corregedoria da Receita. O processo corre em segredo de Justiça.

Segundo homem na hierarquia do Fisco, Cartaxo foi nomeado para contornar a rebelião dos superintendentes regionais contra a saída de Lina. Auditores ligados ao movimento sindical tentam manter o interino por mais tempo, embora no Ministério da Fazenda comente-se abertamente que o ministro Guido Mantega deseja o atual presidente do INSS, Valdir Simão, no comando.

Cartaxo caiu na malha da Receita por dois motivos principais. Primeiro, pela presença de grandes somas de dinheiro em casa. Em suas declarações anuais de renda, o secretário afirmava guardar dinheiro vivo na residência pelo menos desde 2000. Eram sempre quantias na casa dos R$ 100 mil. Chegou a ter R$ 155 mil “no cofre” em 2002 e R$ 127 mil em 2003.

O outro ponto que despertou suspeitas foi o volume de doações de dinheiro entre Cartaxo e sua família. O secretário recebeu ou doou somas expressivas, superiores ao salário total no ano. Tanto o dinheiro “embaixo do colchão” quanto doações de altas somas são itens que normalmente chamam a atenção dos agentes do Fisco. São considerados indícios, mas sozinhos não provam nada.

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O melhor presidente do Brasil

Publicado por Pax em 25/07/2009

Lula é o melhor presidente que o Brasil já teve. Apesar de todas as fundamentadas críticas sobre o apoio de Lula a Collor, Renan e Sarney, personagens do modelo pouco elogiável da política brasileira, há uma realidade que merece ser dita: o Brasil nunca esteve melhor.

O pouco que o governo do presidente Lula fez para a base da pirâmide social – garantindo aumento real do salário mínimo, reforçando o necessário assistencialismo iniciado por Ruth Cardoso, e permitindo a continuidade dos privilégios das estruturas econômicas tradicionais, principalmente as bancárias – teve conseqüências benéficas para o país. A base da pirâmide é tão grande que foi capaz de, ao ter o direito de não passar fome, suportar a tsunami da crise econômica mundial.

Parece de uma obviedade ululante, aproveitando o trocadilho, mas a verdade é que os governos passados deixaram essa bola quicando em frente da área e não a chutaram.

Lula chutou. Assim como Ronaldo Fenômeno, que entende tudo de futebol, o presidente entrou no jogo do poder, usou a máquina, deu migalhas aos pobres e fez o Brasil melhor. Deu uma lição nos neoliberais que sempre basearam sua lógica na farsa que a capacidade dos poderosos de produzir riquezas era de tal monta que todas as camadas sociais seriam beneficiadas. Uma falácia que hoje leva os EUA a estatizarem grandes ícones dessa fracassada ideologia.

O papel da imprensa é criticar. Ela é o quarto poder. Apontar os descaminhos da corrupção desvairada é importante. Sarney hoje é venda fácil de todos os meios de comunicação. Assim foi com o escândalo das passagens aéreas da Câmara dos Deputados. Sites explodem suas audiências com estes escândalos.

Mas apontar a realidade é sempre necessário.

O PT vive um paradoxo entre querer ser honesto, a necessidade de permanecer no poder e reforçar a tese que o socialismo é o melhor caminho. A conclusão é simples: o poder é corrupto. Todos sabem, mas não falam abertamente. Sem corrupção não há chances de governar o país e privilegiar as classes menos favorecidas.

Será?

A grande culpa de Lula é não ter promovido as mudanças necessárias para sair desse modelo. Com tanta aprovação popular, e mundial, teve absoluta condição de fazê-las para alterar esse quadro sujo que impera no Brasil, como havia prometido. Não fez. E não fará. Empurrou o problema com sua pronunciada barriga.

Atualização em 27/07/2009: Lula Borges fez um post criticando minha avaliação sobre o governo Lula. Representa a oposição ensandecida com o sucesso do presidente melhor avaliado da história da República. Não aplaudo os caminhos tomados pelas alas do PT e Lula que relativizam a corrupção. Mas não deixo de constatar a realidade. Apesar dos pesares, apesar dos abraços de Lula em Collor e Sarney, o Brasil atravessa a crise econômica sem maiores abalos e o presidente tem mais de 80% de aprovação popular. É um governo que está dando certo. Mesmo que a oposição histérica não queira aceitar.

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Justiça libera fazenda de Dantas para vender rebanho

Publicado por Pax em 25/07/2009

Gazeta do Povo

A Justiça Federal autorizou ontem a Santa Bárbara Xinguara, suposto braço agropecuário do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a comercializar seu rebanho, desde que mantida a média atual de cabeças de gado – 453 mil espalhadas por 27 fazendas, alvos de sequestro decretado pelo juiz Fausto Martin De Sanctis nos autos da Operação Satiagraha.

Continua…

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Trio Agaciel: Sarney, Renan, Mão Santa

Publicado por Pax em 25/07/2009

Os Atos Secretos de Agaciel Maia favoreciam os indicados pelo trio pmdbista Sarney, Renan e Mão Santa

Agaciel usou vagas como instrumento de poder

Agência Estado via Correio Braziliense

A nomeação do namorado da neta do presidente José Sarney (PMDB-AP) na diretoria-geral do Senado confirma que o ex-diretor Agaciel Maia usava as vagas de confiança do órgão como instrumento de poder para agradar aos senadores. A diretoria-geral possui cerca de 200 vagas comissionadas disponíveis para um pequeno espaço no terceiro andar do prédio principal do Senado. Muitos desses cargos foram criados por atos secretos. Agaciel aproveitou para empregar indicados de Sarney, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Mão Santa (PMDB-PI).

continua….

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PSDB e DEM – o outro lado

Publicado por Pax em 24/07/2009

O outro lado da moeda é a clara definição da oposição para 2010, formada pelo PSDB do Senador Eduardo Azeredo e o DEM do Senador Efraim Morais, como dois exemplos de seus quadros que lutam para provar que a situação é a pior opção.

O blog tem uma coleção de matérias sobre esses bons exemplos da oposição.

Veja

Eduardo Azeredo

Efraim Morais

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O dilema do PT

Publicado por Pax em 24/07/2009

O PT está desconfortável com as declarações de Lula em apoio incondicional a Sarney. Vive o paradoxo entre sua vontade de parecer um partido menos corrupto e a necessidade de fazer alianças para as eleições de 2010.

É uma questão pragmática e aritmética: quanto perde na opinião pública e quanto ganha nos currais eleitorais.

PT teme desgaste e pode insistir na saída de Sarney

Cristiane Agostine – Valor econômico via Clipping da ANPR – Associação Nacional dos Procuradores da República

De Brasília

Com o recrudescimento de denúncias envolvendo o presidente do Senado, José Sarney (PMDBAP), o PT poderá voltar a pressionar o pemedebista para que se afaste do cargo. A bancada de senadores petistas pediu a Sarney que se licenciasse até o fim da apuração das denúncias, mas recuou sob influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Senadores do partido avaliam que a situação de Sarney está “insustentável” e que poderão desgastar-se caso continuem ao lado do pemedebista.

A avaliação de petistas é de que o partido precisará tomar outra posição depois do recesso, quando começarem os trabalhos do Conselho de Ética e a análise de denúncias e representação contra Sarney.

A denúncia mais grave, dizem, é a quebra de decoro parlamentar, caso se confirme que o pemedebista mentiu quando declarou em plenário desconhecer o que são os atos secretos. Em diálogos interceptados com ordem judicial pela Polícia Federal, revela-se a ligação de Sarney a indicações e nomeações feitas em atos secretos. Foi por quebra de decoro parlamentar que Luiz Estevão (PMDB-DF) foi cassado, sob acusação de ter mentido sobre participação no esquema de desvio de verbas da obra do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Estevão foi o único senador a ser cassado.

O presidente Lula, entretanto, mantém as declarações em favor de Sarney e ontem, em entrevista a uma rádio, defendeu-o novamente.

Mesmo com a sustentação política do presidente, aliados de Sarney cobram mais apoio do PT e acusam a Polícia Federal e o ministro da Justiça, Tarso Genro, de vazarem escutas telefônicas.

Continua…

PT tenta não parecer enquadrado

Correio Braziliense – via ANPR

Lula: “Uma coisa é matar. Outra, roubar. Outra é fazer lobby”

O PT vive um paradoxo. Está constrangido, mas não vê saída senão defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), envolvido em uma série de denúncias por ter sido beneficiado por desmandos administrativos de aliados. Para não parecer tão enquadrado, o partido não pretende recuar da defesa do afastamento de 30 dias do peemedebista do cargo mais alto do Congresso Nacional. Mesmo assim, abraçou a ordem expressa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser um ponto de referência de Sarney no Conselho de Ética.

O PT gostaria apenas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diminuísse o tom do discurso pró-Sarney. O argumento é, na verdade, um temor: a defesa desmedida poderia ferir a popularidade de Lula e colocar buracos desnecessários na sucessão do ano que vem.

Petistas dizem que a aliança com o peemedebista maranhense eleito pelo Amapá é tão forte que o presidente não deixará de estender-lhe a mão, mas avaliam que o presidente poderia evitar os comentários sobre o Senado e se fixar no debate sobre o governo. Nas palavras de um deputado, falar todo o dia sobre a crise do Sarney só cria desgastes.

Continua…

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Coronel Marimbondo

Publicado por Pax em 23/07/2009

Novas informações revelam que a clã Sarney mantinha intimidade com integrantes do Poder Judiciário. Lula, que já nos brindou com a declaração que Sarney “não é uma pessoa comum”, ontem pediu cuidado com as biografias dos investigados pelo Ministério Público. No Senado, o Conselho de Ética é todo favorável ao velho coronel. Os três poderes não mexem em casa de marimbondo.

Gravações revelam atuação da família Sarney na Justiça

Agência Estado via Correio Braziliense

Num dos diálogos gravados pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Boi Barrica, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), telefona para avisar o filho Fernando Sarney sobre o andamento de um dos recursos apresentados pelos advogados da família ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), para ter acesso aos autos da investigação. O parlamentar orienta o filho a procurar um “amigo”, que poderia ajudar. Em várias conversas interceptadas pela PF com autorização judicial, os Sarney demonstram intimidade com integrantes do Poder Judiciário.

Continua…

Lula pede cautela com biografia de acusado

Sem citar o nome de José Sarney, alvo de denúncias no Senado, petista disse que nunca colocará “um alfinete” para impedir investigações

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – Folha de São Paulo via Clipping da ANPR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem ao novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que os procuradores, ao realizarem uma investigação, também pensem “na biografia dos investigados”. Em discurso, Lula criticou a imprensa por julgar as pessoas antes do processo finalizado.

“Uma instituição que tem o poder que tem o Ministério Público brasileiro, garantido pela Constituição, tem o direito e a obrigação de agir com a máxima seriedade, não pensando apenas na biografia de quem está fazendo a investigação, mas pensando, da mesma forma, na biografia de quem está sendo investigado”, disse.

Segundo o presidente, “dependendo da carga de manchetes da imprensa, a pessoa já está condenada”.

Lula disse que jamais fará pedidos pessoais ou impedirá investigações e que a instituição precisa atuar de forma responsável, sob pena de sofrer “castramento” de sua liberdade por alguém que se sinta atingido.

Continua…

Sarney não pode ser tratado como pessoa comum, diz Lula

Em viagem ao Casaquistão, ele também levantou suspeita sobre veracidade de informações sobre atos secretos

Andrei Netto – Estadão em 17/06/2009

ASTANA, CASAQUISTÃO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu nesta quarta-feira, 17, em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que o parlamentar não é “uma pessoa comum” e questionou a veracidade das denúncias sobre a criação de cargos e nomeação de parentes por atos secretos. A fala foi afinada com o discurso feito no dia anterior por Sarney, da tribuna, no qual ele se esquivou do escândalo, alegando que a responsabilidade é coletiva, ou seja, dos senadores e da Casa.

Na entrevista, antes de embarcar em Astana, capital do Casaquistão, última etapa de sua turnê pela Europa e Ásia Central, Lula criticou o “processo de denuncismo” e afirmou que não sabe “a quem interessa enfraquecer o Legislativo”.

“Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada”, criticou Lula, referindo-se às últimas reportagens sobre os escândalos envolvendo o Senado. “Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum.” Em seu discurso, o parlamentar também considerou “uma injustiça”, “um desrespeito”, o modo como vinha sendo tratado.

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Agaciel sorteava dinheiro público

Publicado por Pax em 22/07/2009

Agaciel sorteou bônus no Senado, dizem servidores

Agência Estado via Correio Braziliense

A abertura da caixa-preta da gráfica do Senado revela que gratificações teriam sido sorteadas pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia entre os funcionários. O sorteio beneficiou nos últimos anos servidores com FC-6 e FC-7, funções comissionadas que variam de R$ 1,3 mil a R$ 1,8 mil mensais. A denúncia foi feita por chefes de serviço da gráfica numa reunião na sexta-feira e deve ser investigada internamente a partir de hoje

Segundo servidores, Agaciel não só decidiu transformar a concessão do bônus num jogo, como acompanhava pessoalmente esse método de distribuição. Um dos sorteios ocorreu no antigo auditório da gráfica, onde funciona hoje a seção de edição em braille. Com um saco na mão e os números de matrícula dos servidores dentro dele, assessores de Agaciel sorteavam os beneficiados. Durante a festa, quem era sorteado recebia aplausos dos demais colegas. O sorteio, conhecido pelo nome de “mão no saco”, era um “espetáculo”, contam servidores. Até hoje essas pessoas recebem o dinheiro extra no salário.

O presidente do Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), Magno Mello, confirma que a prática é conhecida no Senado. “É uma história que já me foi contada, dizem que é quente, mas eu não tenho nenhuma prova.” Na época, Agaciel teria argumentado aos servidores que recebia muita pressão para distribuir esses bônus. Em vez de optar pelo critério de merecimento, ele decidiu então sortear o benefício para evitar reclamações. A iniciativa, no entanto, criou um problema interno de hierarquia: alguns funcionários sortudos passaram a receber uma gratificação maior do que a do próprio chefe.

continua…


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Inacreditável desdém da família Sarney

Publicado por Pax em 22/07/2009

O Estadão publica os diálogos entre neta e filho de Sarney. Tratam o Senado como patrimônio da família. O capataz Agaciel Maia, compadre de Sarney, se tornou tão poderoso que a própria família o chamava de “doutor” e lhe pedia favores às custas do dinheiro do povo brasileiro. Vale a audição.

Gravação liga Sarney a atos secretos

Rodrigo Rangel, BRASÍLIA – Estadão Online

Uma sequencia de diálogos gravados pela Polícia Federal com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica, revela a prática de nepotismo explícito pela família Sarney no Senado e amarra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), ao ex-diretor-geral Agaciel Maia na prestação de favores concedidos por meio de atos secretos. Em uma das conversas, o empresário Fernando Sarney, filho do parlamentar, diz à filha, Maria Beatriz Sarney, que mandou Agaciel reservar uma vaga para o namorado dela, Henrique Dias Bernardes.

Ouça a seguir os diálogos que ligam Sarney a atos secretos e a favores de Agaciel:

som Diálogo 1 (30/3/2008 – 15h14min04s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

som Diálogo 2 (31/3/2008 – 11h34min54s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

som Diálogo 3 (01/4/2008 – 15h57min00s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para namorado na Casa

som Diálogo 4 (01/4/2008 – 21h00min53s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

som Diálogo 5 (02/4/2008 – 09h36min17s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, tenta agilizar a contratação do namorado da filha

som Diálogo 6 (02/4/2008 – 10h32min21s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, fala com o pai e  pede que ele dê “uma palavrinha com Agaciel” para a contratação e os dois conversam sobre “negócio da TV”

som Diálogo 7 (25/03/2008 – 19h31min29s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, conversa com o filho João Fernando sobre o emprego dele como funcionário do senador Epitácio Cafeteira

Continua…

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Dantas lavou vacas

Publicado por Pax em 22/07/2009

Segundo o Juiz Fausto de Sanctis, Dantas não lavou a égua, como diz o dito popular, mas lavou dinheiro em agronegócios. A justiça mandou sequestrar 27 de suas fazendas e 453 mil cabeças de gado.

Foto: site www.meionorte.com

http://www.meionorte.com/imagens/COL22Barras-nao-vacina-gado-contra-aftosa.jpg

De Sanctis decreta sequestro de 453 mil cabeças de gado de Dantas

De acordo com juiz, banqueiro teria usado suas 27 fazendas para lavagem de recursos de origem ilícita

Fausto MacedoEstadão

O juiz federal Fausto Martin De Sanctis decretou o sequestro de todo o complexo agropecuário do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity – 27 fazendas e 453 mil cabeças de gado. Amparado em investigação da Polícia Federal, na Operação Satiagraha, o juiz suspeita que Dantas teria usado suas propriedades rurais para lavar recursos de origem ilícita. A ordem judicial foi comunicada ontem ao Ministério Público Federal, à PF e à defesa.

É o segundo golpe da Justiça no coração financeiro do Opportunity. De Sanctis já mandara liquidar o Opportunity Special Fundo, que detém R$ 535 milhões, em valores de setembro de 2008 – medida suspensa ontem à noite.

Em julho de 2008, o juiz decretou duas vezes a prisão de Dantas, que reconquistou a liberdade por decisão do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. Na segunda-feira, De Sanctis abriu ação penal contra o banqueiro por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, quadrilha e fraudes financeiras, mas não mandou prender o réu. Escolheu outra arma para enfraquecer o dono do Opportunity.

As fazendas que caíram na malha judicial estão espalhadas por quatro Estados: 23 no Pará, 2 em Mato Grosso, uma em Minas e uma em São Paulo. Na decisão em que confisca os pastos e o rebanho do banqueiro, De Sanctis assevera que “se o produto do crime tiver sido misturado com bens adquiridos legalmente, estes bens poderão ser confiscados”. Relatório da PF sustenta que “uma das atividades em que atua a organização criminosa, liderada por Daniel Dantas, é na compra e venda de fazendas, gado e outros negócios agropecuários”.

A principal fazenda do grupo é a Santa Bárbara Xinguara, “que controla, através da empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, as demais propriedades”. A PF afirma que Dantas e sua irmã, Verônica, “têm participação efetiva nos negócios”. Segundo o relatório, foi encontrado no Opportunity “gráfico demonstrando que o grupo investiu mais de R$ 700 milhões na atividade agropecuária, ficando Dantas diretamente responsável pelo aporte de mais de 20% deste valor”.

O juiz sustenta que a medida tem respaldo em convenções internacionais, de Palermo e de Viena, além da recomendação número 3 do Grupo de Ação Financeira (Gafi), organismo internacional que dita regras no combate à ocultação de valores de organizações criminosas, e que “revelam a necessidade de perda de bens em caso de futura e eventual condenação para fins de restituição do ofendido que, no caso, é o Estado”. De Sanctis nomeou fiel depositário das fazendas o empresário Carlos Bernardo Rodenburg, que a PF aponta como responsável pela gestão dos investimentos no setor.

Continua…

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Terceirizado está à disposição de Efraim Morais, mas recebe para trabalhar na TV Senado

Publicado por Pax em 21/07/2009

Marcelo Rocha – Correio Braziliense

De carona num dos contratos firmados pelo Senado com prestadoras de serviço, o senador Efraim Morais (DEM-PB) mantém seu próprio funcionário terceirizado. Marcelo Mayer Lisboa, empregado da Plansul, está à disposição do gabinete do parlamentar, embora receba para trabalhar em outra área da Casa. Até 1º de fevereiro, Efraim comandava a Primeira-Secretaria, setor encarregado de realizar as milionárias licitações promovidas pela instituição. Ele deixou a função, exercida agora pelo colega de partido Heráclito Fortes (PI), mas parece manter influência sobre o setor.

O contrato com a Plansul, no valor de R$ 23,3 milhões anuais, prevê o fornecimento de trabalhadores para a TV Senado. Marcelo ocupa uma das nove vagas de “programador visual sênior”, com salário de R$ 2,8 mil. Em tese, ele e os demais funcionários deveriam estar restritos à TV. Não é o que ocorre. Numa planilha da Plansul, à qual o Correio teve acesso, o nome de Marcelo aparece vinculado ao do senador do DEM e tem como telefone de contato o gabinete do representante da Paraíba.

A reportagem conseguiu consultar uma segunda planilha sobre a lotação de terceirizados, desta vez referente à Ipanema, sucedida pela Plansul. O documento revela que Efraim se beneficia da situação há pelo menos três anos. Referente a abril de 2006 (leia fac-símile), o papel mostra Marcelo e uma outra pessoa — Diego Maciel Silva — à disposição do gabinete do parlamentar paraibano. “Quando cheguei ao Senado, me mandaram ir para o gabinete dele (Efraim)”, afirmou Marcelo.

Por telefone, o rapaz explicou que “ajuda” a manter a página de Efraim na internet, embora o contrato com a Plansul não tenha essa previsão. Os demais senadores poderiam reivindicar o mesmo direito. O funcionário da Plansul alegou que não houve qualquer interferência política para conseguir a vaga, ainda na Ipanema. “Foi convite. Mandei um currículo e me chamaram.”

Marcelo carrega o sobrenome da mulher de Efraim, Ângela Mayer. Na lista telefônica, existe um número do Recife vinculado ao rapaz. O Correio ligou. Uma senhora, que se identificou apenas como “prima”, informou que haveria parentesco. Seriam primos de terceiro ou quatro graus, afirmou ela. Marcelo ficou em dúvida. “Não sei. Que eu saiba, não, mas a família é grande.” A assessoria de Efraim foi contatada, mas não conseguiu localizar o parlamentar para comentar o assunto.

Continua…

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Comissão propõe exoneração de 218 funcionários do Senado Federal, mas depois de examinar caso a caso

Publicado por Pax em 20/07/2009

Iolando Lourenço – Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Comissão do Senado criada para analisar os 663 atos secretos constatou que foram contratadas através desses atos 218 funcionários para o Senado. A comissão ainda dispõe de mais 20 dias para concluir os seus trabalhos, mas em relatório preliminar entregue hoje (20) à Diretoria-Geral da Casa, a comissão recomenda a demissão imediata de todos esses funcionários.

No entanto, o órgão não concorda com essas exonerações imediatas e, por isso, quer analisar caso a caso. Segundo a assessoria da diretoria, há casos específicos para exonerações. Alguns funcionários já foram exonerados. Também podem existir casos em que não houve a prestação dos serviços pelo contratado e, nesse caso, tem que haver o ressarcimento aos cofres do Senado do dinheiro recebido.

Ainda de acordo com a assessoria, alguns funcionários trabalharam e devem receber os salários. A assessoria informou que cada caso deverá ser analisado individualmente, de acordo com as suas características e local de prestação de serviço. Também será avaliado se houve a contrapartida da prestação de serviço e do pagamento.

A assessoria informou, também, que o entendimento da diretoria é que esses funcionários devem continuar trabalhando e recebendo seus salários até a conclusão da análise de cada caso. Em relação aos “funcionários fantasmas”, caso eles existam, a assessoria informou que eles deverão devolver o dinheiro recebido, enquanto que os que trabalharam não terão que fazer essa devolução.

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Justiça abre processo contra Dantas por lavagem de dinheiro

Publicado por Pax em 20/07/2009

Além de Dantas, outras 13 pessoas responderão processo por diferentes crimes. Juiz acolheu pedido de abertura dos três inquéritos requisitados pelo MPF e determinou a liquidação de fundo bloqueado em setembro de 2008

Justiça abre processo contra Dantas por lavagem de dinheiro

Ministério Público Federal – Procuradoria Geral da República

O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF/SP) e abriu processo contra o banqueiro Daniel Dantas, controlador do grupo Opportunity, pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa.

Na denúncia, oferecida no último dia 3 de julho, o MPF relatou que as investigações da Operação Satiagraha, um ano após sua deflagração, constataram que Dantas, o presidente do banco Opportunity, Dório Ferman, e a irmã do banqueiro, Verônica Valente Dantas, constituíram “um verdadeiro grupo criminoso empresarial, cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresariais para a perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos”.

O juiz abriu processo contra todos os acusados na denúncia do MPF, que detalhou sete diferentes fatos criminosos praticados ao longo dos últimos dez anos por Dantas, Ferman e Verônica e mais 11 pessoas a eles relacionados: Itamar Benigno Filho, Danielle Silbergleid Ninnio, Norberto Aguiar Tomaz, Eduardo Penido Monteiro, Rodrigo Behring Andrade e Maria Amalia Delfim de Melo Coutrim, estes ligados ao banco e às empresas do grupo; Humberto José Rocha Braz e Carla Cicco, ex-diretores da Brasil Telecom (BrT), na época em que a empresa era gerida pelo Opportunity; e os colaboradores Guilherme Henrique Sodré Martins, Roberto Figueiredo do Amaral e Willian Yu. Todos eles agora se tornam réus nessa ação.

O juiz, atendendo a manifestação do procurador da República Rodrigo de Grandis, autor da denúncia, determinou a abertura de três inquéritos policiais:
- para aprofundar a participação de pessoas investigadas inicialmente e que não foram denunciadas, caso do ex-deputado federal Luís Eduardo Greenhalgh e Carlos Rodenburg, que comanda o braço agropecuário do grupo;
- para apurar crimes financeiros na aquisição do controle acionário da BrT pela Oi, e,
- para investigar evasões de divisas praticadas por cotistas brasileiros do Opportunity Fund, com sede nas Ilhas Cayman, no Caribe.

Liquidação – De Sanctis determinou à Corretora BNY Mellon a liquidação imediata do Opportunity Special Fundo de Investimento em Ações em até 48 horas após a ciência da decisão. O fundo está bloqueado, a pedido do MPF, desde setembro do ano passado, pois a Procuradoria da República recebeu relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicando a prática de operação suspeita de lavagem de dinheiro pelo fundo.

Para o juiz, a medida é necessária para preservar os interesses dos cotistas do fundo, alguns deles réus na ação. Uma vez que o fundo de investimento está bloqueado, as ações que o compõem não podem ser negociadas e estão sujeitas às variações do mercado, inclusive depreciação.

Com a liquidação, o dinheiro obtido com a venda dos papéis que compõem o fundo será depositado em conta judicial na Caixa Econômica Federal e sujeito a correção. Se os réus forem condenados, será determinado o perdimento dos valores. Se absolvidos, o valor será devolvido corrigido.

O juiz negou pedido do Ministério Público Federal para que a Justiça requisitasse ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, documentos do processo do Mensalão. Para De Sanctis, não é necessária a intervenção judicial e o MPF deve requisitar o que for necessário diretamente ao STF. Na denúncia, o MPF expôs a relação da Brasil Telecom, na época gerida pelo Opportunity, com o financiamento do esquema.

De Sanctis determinou a publicidade da decisão em que recebeu a denúncia, datada de 16 de julho, e de boa parte do processo e seus andamentos, exceto documentos cobertos por sigilo legal.

Os réus e as acusações – Confira a lista de réus e os crimes que cada um responde no caso Satiagraha:
1) Daniel Valente Dantas, controlador do grupo Opportunity, já foi condenado a uma pena de dez anos de prisão em processo de corrupção ativa e agora tornou-se réu sob as acusações de crimes de quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e lavagem de dinheiro;
2) Verônica Valente Dantas, sócia, diretora e conselheira de várias empresas do grupo e do banco: quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e lavagem de dinheiro;
3) Dório Ferman, presidente do banco Opportunity: quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, gestão temerária de instituição financeira, evasão de divisas e lavagem de dinheiro;
4) Itamar Benigno Filho, diretor do banco: gestão temerária de instituição financeira e participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
5) Danielle Silbergleid Ninnio, da área jurídica do grupo, ex-assessora jurídica da Brasil Telecom: crime de quadrilha e organização criminosa;
6) Norberto Aguiar Tomaz, diretor do banco: lavagem de dinheiro;
7) Eduardo Penido Monteiro, diretor do banco: lavagem de dinheiro;
8) Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresas ligadas ao grupo: participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
9) Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, conselheira de diversas empresas do grupo: participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
10) Humberto José Rocha Braz, ex-diretor da Brasil Telecom e atual consultor do grupo Opportunity, já foi condenado a sete anos de prisão em processo pelo crime de corrupção ativa. Agora responde também a processo pelos crimes de quadrilha e organização criminosa e duas lavagens de dinheiro;
11) Carla Cicco, ex-presidente da Brasil Telecom: participação no crime de gestão fraudulenta de instituição financeira;
12) Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, lobista do Opportunitty: quadrilha e organização criminosa;
13) Roberto Figueiredo do Amaral, lobista e consultor: crime de quadrilha e organização criminosa e lavagem de dinheiro;
14) William Yu, consultor financeiro: crime de quadrilha e organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República em São Paulo

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