PT rachando
Publicado por Pax em 19/08/2009
Reações às decisões de Lula, Dirceu e Berzoini sobre apoio incondicional ao Sarney, abraçando Renan e Collor, eram esperadas.
Mas um racha no PT não. Ele veio. Não só o racha mas a perda de dois senadores, Marina e Arns. Sem contar com a contrariedade de muitos eleitores do partido.
Caberia uma pergunta: valeu a pena?
O arquivamento das ações contra o presidente do Senado, José Sarney, confirmado nesta quarta-feira (19) pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, dividiu o PT. O senador Aloizio Mercadante (SP) chegou a colocar seu cargo de líder do partido à disposição, após discordar da orientação do presidente da legenda, Ricardo Berzoini, para que a bancada votasse a favor do arquivamento. Já o senador Delcídio Amaral (MS) criticou Mercadante, argumentando que o líder do PT, ao não seguir a orientação da Executiva do partido, “não cumpriu o que havia sido combinado e deixou seus colegas desamparados”.
Em entrevista à imprensa logo após reunião da bancada do partido, Mercadante declarou que “a decisão da Executiva Nacional do PT impôs uma disciplina partidária que, seguramente, não foi o melhor caminho para a bancada nem para o Senado”. Ele frisou ainda que a sua postura, ao defender investigações a partir das denúncias contra Sarney, “expressa o sentimento majoritário da bancada do PT no Senado”.
- Minha vontade era sair da liderança, mas não quero contribuir para agravar a crise no partido – disse Mercadante, rodeado de outros seis senadores da bancada.
Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Tião Viana (PT-AC) manifestaram apoio à permanência de Mercadante na liderança, “em nome de todos os senadores presentes”: além deles, Augusto Botelho (RR), João Pedro (AM),Paulo Paim (RS) e Serys Slhessarenko (MT).
Delcídio Amaral, por sua vez, afirmou que Mercadante não respeitou o acordo pelo qual o próprio líder da bancada leria a nota de Berzoini em que este recomendou o voto pelo arquivamento. Delcídio disse assumir a disposição de seguir a decisão do PT. Ao seguir a orientação de Berzoni, Delcídio afirmou endossar “uma posição coletiva, que segue as orientações da Executiva do PT e do presidente nacional da legenda”.
- Quando a gente combina e encaminha uma posição coletiva, todas as falas têm de ser coletivas – declarou ele, acrescentando que “integrar a base do governo resulta em bônus e ônus”.
Sarney
Ao avaliar a divisão dentro de seu partido, Mercadante afirmou que “a crise da bancada do PT e a do próprio Senado é de responsabilidade do senador José Sarney, que, se tivesse optado por um gesto de grandeza, teria se licenciado para preservar a instituição e permitir as investigações”.
- Estamos pagando um preço muito caro, inclusive com a saída da senadora Marina Silva [AC] e a possível saída do senador Flávio Arns [PR] – disse ele.
Ricardo Koiti Koshimizu / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Catatau disse
Parece-me que o PT sempre esteve numa encruzilhada, e agora estão se aproveitando dela: de um lado, os adversários na estranha união PSDB-PFL; de outro, os perpétuos anões, sanguessugas e afins, partidos de aluguel, fisiocratas e oligarcas.
Dentro das opções, a possibilidade ou não de governar. Para onde ir? Daí a curiosidade do PT se aliar com esse pessoal mais, digamos, “oportunista”. O caso do mensalão, certo ou errado, apenas mostra esse tom de um conjunto inteiro de políticos apoiados no puro e simples jeitinho, sem ideologias políticas, sem projetos de nação, enfim, apenas feitos de interesses regionais.
Se Sarney cair, isso será ruim para o PT? É claro! Não porque o PT é necessariamente o antro de hipócritas que pintam, mas sim pq o PT depende desse “pacto com o diabo”… Assim, é duro o dia-a-dia do partido: defender uma idéia originária (a tal “ética” que Arns diz ter se perdido), mas às vezes colocar o problema de se essa idéia originária seria contrariá-la para defender ela mesma…
O problema é que, ao contrário do que se tenta mostrar por aí, não existe uma espécie de dissolução da corrupção em nome da “justiça”, da “verdade”, ou o que quer que seja. Se Sarney sair, será para muitos apenas mais uma crise passada. Mas dados os termos, a Crise pertence ao Senado, ou o Senado pertence à Crise? A crise do Senado existe com ou sem Sarney.
Um mail, vinculando o “absurdo” do número de escândalos do governo Lula em detrimento de outros governos, circula por aí. Mas aí que está: não é a visibilidade que define o quanto um governo possui ou não escândalos. A visibilidade nunca andou pari passu com as práticas… A relação não é necessária.
E com tudo isso, muito provavelmente elegeremos outro ano que vem, e muito provavelmente não veremos mais tantos escândalos. Mas isso não quer dizer que não ocorram, talvez até de modo mais descarado e inconsequente…
Catatau disse
Parece-me que o PT sempre esteve numa encruzilhada, e agora estão se aproveitando dela: de um lado, os adversários na estranha união PSDB-PFL; de outro, os perpétuos anões, sanguessugas e afins, partidos de aluguel, fisiocratas e oligarcas.
Dentro das opções, a possibilidade ou não de governar. Para onde ir? Daí a curiosidade do PT se aliar com esse pessoal mais, digamos, “oportunista”. O caso do mensalão, certo ou errado, apenas mostra esse tom de um conjunto inteiro de políticos apoiados no puro e simples jeitinho, sem ideologias políticas, sem projetos de nação, enfim, apenas feitos de interesses particulares (regionais, coronelísticos…).
Se Sarney cair, isso será ruim para o PT? É claro! Não porque o PT é necessariamente o antro de hipócritas que se pinta por aí, mas sim pq o PT depende desse “pacto com o diabo”… Assim, é duro o dia-a-dia do partido: defender uma idéia originária (a tal “ética” que Arns diz ter se perdido), mas às vezes colocar o problema de contrariar a idéia originária para defender ela mesma…
O problema é que, ao contrário do que se tenta mostrar por aí, não existe uma espécie de dissolução da corrupção em nome da “justiça”, da “verdade”, ou o que quer que seja. Se Sarney sair, será para muitos apenas mais uma crise passada. Mas dados os termos, a Crise pertence ao Senado, ou o Senado pertence à Crise? A crise do Senado existe com ou sem Sarney.
Um mail, vinculando o “absurdo” do número de escândalos do governo Lula em detrimento de outros governos, circula por aí. Mas aí que está: não é a visibilidade que define o quanto um governo possui ou não escândalos. A visibilidade nunca andou pari passu com as práticas… A relação não é necessária.
E com tudo isso, muito provavelmente elegeremos outro no ano que vem, e muito provavelmente não veremos mais tantos escândalos. Mas isso não quer dizer que os escandalos não ocorrerão, talvez até de modo mais descarado e inconsequente…
Pax disse
Concordo em quase tudo, mas tenho um aparte:
Porque não se mexeram para fazer reformas políticas?
Tinham tudo para isso.Mais de 80% de aprovação popular não é para qualquer um.
E, caso esteja com alguma razão nessa reclamação, indicaria que o PT se “acomodou” com o status quo. E aí a coisa complica.
Veja, já fiz um post afirmando que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve. Gerou inúmeras reclamações – aliás foi um post bem interessante pois todos que reclamaram da minha afirmação não souberam indicar um melhor.
Mas daí a aceitar tudo… sei não. Prefiro colocar a boca no trombone.
De outro lado você toca num ponto importantíssimo: a aliança do PSDB com o PFL (DEM) já diz a quem vem, também, a proposta da oposição.
Ou seja, voltando, temos uma situação política que precisa de mudanças, não vejo com bons olhos – e acredito que as torcidas do Flamengo e Corinthians também – o, me repetindo, status quo.
Como mudar?
Boa pergunta.
Chesterton disse
Porque, Pax, nesse caso, o diabo é o PT.
para você
http://pajamasmedia.com/claudiarosett/ban-ki-moons-rising-son-in-law-at-the-un-plus-the-nepotism-and-biting-scandal/
Pax disse
Veja Chesterton,
Você deveria mandar esse link para o Sarney que poderia dizer que sua biografia é igual a do Ban Ki-Moon, da ONU.
Se os caras da ONU podem, porque nosso Sarney não?
(valeu pelo link, tks)
Chesterton disse
Mandei para você numa tentativa de mostrar que as instituições estatais (ou supra-estatais) são sempre corruptas.
Chesterton disse
esse aqui conheci pessoalmente
O gaúcho Alceu Collares chegou assim à audiência com o ministro de Minas e Energia de Itamar, Delcídio Amaral, hoje senador do PT-MS:
- O negrão do Rio Grande chegou! – exclamou, bem humorado.
Ao despedir-se, ele tinha pressa: precisava ir a uma festa na colônia alemã.
- O que o sr. tem em comum com a colônia alemã? – brincou Delcídio.
Collares deu uma risada:
- Nada, mas se o negrão não for vão dizer que é discriminação!
Daniel Ferreira disse
Vocês são muito exagerados, não estou vendo “racha” nenhum no PT, o que estou vendo são os ratos abandonando o navio no meio da tempestade. Durante muito tempo no Brasil são feitas críticas aos partidos por não terem coesão em suas posições, agora o PT vem e mostra exatamente isso e é cruxificado. A aliança PT/PMDB é essencial e vale o desgaste sofrido, principalmente por ter sido uma campanha articulada pela oposição e mídia sem legitimitade.
Pax disse
Daniel,
E a proposta do PT se repensar? Não é válida? Uma parada para arrumação.
Ou é melhor deixar o barco ao sabor desses ventos?
Entendo o lado de preservação do poder. Mas o de preservação de uma imagem, de uma bandeira, deve ser deixado absolutamente de lado?