Ao invertermos todos e quaisquer valores acabamos plantando absurdos inacreditáveis. O deputado Edmar Moreira, réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de ter se apropriado de contribuição previdenciária de funcionários, além de ser investigado, também no STF, por suspeita de crime contra a ordem tributária (inquérito que corre em segredo de Justiça), abre 44 processos contra jornais e jornalistas.
Na Câmara do pior Congresso de todos os tempos ele deu um belo nó quando Michel Temer não quis investigar – e punir – a fundo o passado das gastanças com passagens aéreas do ParlamenTurismo e dos absurdos praticados com as Verbas Indenizatórias, alegando covardemente que não havia regras. Havia sim, mas a maioria dos deputados e senadores enfiou o pé na jaca, usou e abusou do dinheiro público em benefício próprio, de familiares, comparsas, amantes e até de máfias, não sobrando praticamente ninguém, nem mesmo vestais como Fernando Gabeira e outros metidos a empunhar bandeiras da moral e da ética, e Edmar, então sob suspeição de mau uso das verbas e baseado nessa fraqueza de Temer, sustentou que ele poderia ter pago sua segurança pessoal com suas próprias empresas. Foi um xeque mate em Temer e uma saída de mestre do deputado que o presidente da Câmara, sem moral alguma para contestar, teve que se calar.
Agora o deputado abre os 44 processos. Leia abaixo.
Bem feito, Brasil. É o que dá. A gente colhe o que planta.
Brasília – O deputado Edmar Moreira ouve leitura do parecer do deputado Hugo Leal, novo relator do processo que pedia a cassação de seu mandato por uso indevido da verba indenizatória Foto: Antonio Cruz/ABr
Dono de castelo move 44 processos contra órgãos de imprensa
RANIER BRAGON – da Folha de S.Paulo, em Brasília
O deputado Edmar Moreira (PR-MG) move na Justiça de Minas Gerais 44 processos em que cobra de vários órgãos de imprensa, locais e nacionais, indenização por danos morais.
Além de jornais regionais e segmentados, como o “Estado de Minas”, “O Tempo” e a “Folha Universal”, o deputado aciona jornais e revistas de circulação nacional, como a Folha, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo”, “Veja” e “IstoÉ”, TVs –”Band”, “SBT” e “Record”–, o site UOL (ligado ao Grupo Folha), jornalistas e apresentadores, entre eles José Luiz Datena, Jô Soares, Marcelo Tas e Hebe Camargo.
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Edmar foi corregedor da Câmara por sete dias. Ao tomar posse, em fevereiro, defendeu que a Justiça, e não mais o Conselho de Ética da Casa, passasse a julgar os deputados acusados de quebra de decoro. Ele renunciou ao posto uma semana depois e pediu desfiliação do DEM devido à repercussão da notícia de que havia colocado à venda um castelo no interior de Minas Gerais, com torres de até oito andares e 36 suítes.
Réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de ter se apropriado de contribuição previdenciária de funcionários, além de ser investigado, também no STF, por suspeita de crime contra a ordem tributária (inquérito que corre em segredo de Justiça), teve processo arquivado pelo Conselho de Ética da Câmara em julho. A suspeita era de uso de verba pública para pagamento de sua empresa de segurança por serviços não prestados.
Edmar afirma que já pagou o que devia ao INSS e diz que construiu o castelo com renda de suas empresas de segurança, tendo o repassado a dois filhos.
Dos 44 processos movidos pelo deputado, 2 já tiveram decisão: um, contra o jornal “Folha Universal”, foi julgado procedente, e o veículo foi condenado a pagar R$ 30 mil de indenização, mais a publicação da sentença em espaço proporcional à notícia veiculada. Outro, contra “O Tempo”, não foi aceito e Edmar foi condenado a pagar R$ 1.000 pelos honorários e custos do processo. Em ambos os casos, cabe recurso.
Continua na Folha…