Além dos dogmas religiosos há também os filosóficos e políticos. No Brasil há um estabelecido na Ditadura da Corrupção que se define em seu próprio título.
Sem corrupção não há política. Ou praticamente inexiste. As exceções são tão raras que podemos considerar como modelo em extinção.
O vasto noticiário -com vídeos para todo lado- mostrando o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda recebendo dinheiro em espécie de um assessor ou colaborador é somente uma amostra do que acontece em todos os âmbitos políticos brasileiros, seja na União como nos Estados e Municipios.
Assim é a política no Brasil. Das empresas de transporte urbano, coleta de lixo, obras públicas, ou seja, fornecimentos gerais dos governos, saem o numerário não contabilizado, dinheiro sujo, que vai parar em sacolas, cuecas e todo tipo de meio de transporte para pagamento de políticos corruptos. Financiam de tudo, desde campanhas políticas até fazendas, carros importados e mansões. Incluem-se aqui filmes de financiamento duvidoso ou absolutamente questionáveis. Não esquecer que boa parte dos artigos de luxo de botiques e comércio de contrabandistas badalados também são objetos de desejo dos usuários desse dinheiro canalha.
Virou dogma, uma verdade que se espera que as pessoas aceitem sem questionar, um princípio estabelecido e opinião sustentada e propagada por métodos irracionais.
Ano que vem teremos eleições e as campanhas já estão em andamento. Como de costume, tudo fora da lei estabelecida. Quase ninguém reclama, nem das campanhas nem da realidade da corrupção intragável. Teremos um show esquizofrênico, frenético e pirotécnico do mais baixo nível onde todos tentarão provar que são menos corruptos que os outros, como se houvesse uma gradação na prática desse dogma político. Algo como meia gravidez.
O povo paga a conta calado. Todo mês, toda semana, praticamente todo dia, aparecem escândalos que se tornam os escândalos da vez, que fazem esquecer os escândalos passados. Os atuais também serão passados na medida que sabemos de antemão que semana que vem aparecerão outros de igual ou maior indigestão e que a Justiça não punirá praticamente qualquer um deles.
O mote da campanha eleitoral de 2010, assim como de todas as campanhas vindouras num grande espaço de tempo histórico nacional, é: “O meu corrupto é melhor que o teu”.
Triste realidade brasileira. Triste apatia da sociedade civil que paga mais e mais impostos para saciar essa maioria da classe política que vale bem menos que qualquer tostão filmado nas tais sacolas e cuecas andando de mão e mão.
A Campanha Ficha Limpa, de rara iniciativa popular, está travada no Congresso com Michel Temer fazendo de tudo para que não ande. Atrapalha o dogma. Políticos de todos os lados fazem força para não dar prosseguimento no projeto de lei que tentaria inibir candidaturas de criminosos.
O governo atual imita os governos anteriores. Sabia que se não aderisse ao dogma não atuaria e não se estabeleceria. Prometeu mudar e não cumpriu. Pior que não cumprir foi não fazer qualquer esforço para alterar o status quo. Independente de analisarmos se é um sucesso.
Nesta questão é um retumbante fracasso.
Aqui o modelão seguido por todos pode ser visto numa amostra do que acontece todos os santos dias dessa religião dogmática.
“Divirta-se.”