Lula é o governante mais popular da História do Brasil? Não sei responder essa questão. Sei que a maioria do Brasil e do mundo inteiro acham que sim. Talvez eu também.
Talvez…
O Brasil é o país do fim da década, ou do início do milênio, como queiram. Está em todos os jornais mais importantes do mundo, Lula como exemplo para os maiores líderes e formadores de opinião, enfim, há uma euforia gereralizada em torno do Brasil que venceu a crise, do Brasil da Copa, o Brasil das Olimpíadas, o Brasil finalmente do Brasil.
E é claro que o Brasil está melhor. O rumo que tomamos desde o fim da ditadura militar é bem melhor que o Brasil da dita dura. Mas ainda falta um bocado para eu eleger o Brasil como um grande país ou mesmo o governo Lula como um grande governo. Nem um nem outro o são.
O mínimo que se fez com relação à corrupção desvairada do que entendemos ou vivenciamos como governo surtiu resultados que impressionam para todos os lados. Começamos com a Responsabilidade Fiscal que não é desse governo. É do passado que acabou se sujeitando à velha aristocracita para que pudesse continuar sua obra. Foi aí seu fim. A emenda para a reeleição determinou o fim do PSDB que hoje estrebucha para mostrar que seus quadros são melhores que os atuais. Não são. Se não são iguais, são corruptos tais e quais e se aliam com corruptos, também tais e quais a situação o faz. Não há questão aqui. É constatação. E os corruptos de ambos os lados, que PT e PSDB se aliam, representam, em síntese, a velha e podre aristocracia.
O governo atual pegou a onda nacional e mundial para prosseguir uma obra da evolução das espécies, ou dos governos. E conseguiu feitos inegáveis. O país está melhor. Muito melhor. Nossa economia é muito diferente do país devedor do FMI para a atual situação de credor. Chegamos ao ponto de ditar regras aqui e acolá. O Meio Ambiente, assunto que sempre incomodou e ainda incomoda o governo atual, acabou por confirmar Lula como “este é o cara” na fracassada COP15, assunto que nunca foi pauta do líder de Obama. Mas a base da pirâmide, uma miopia que o governo anterior deu pouca importância, melhorou.
Porém continuamos sendo o país do estrativismo, desde os tempos do descobrimento. Estamos melhor na economia porque exportamos matérias primas, sem qualquer valor agregado. Não temos capital humano para isto – talvez uma ou outra exceção honrosa como a Embraer, mas pouco, muito pouco para o século da informação e conhecimento que mal adentramos. Triste e pura realidade. Educação não é prioridade para este governo como não foi no anterior. Nunca estados que representam as aristocracias creditaram à Educação qualquer importância maior. Nunca. É onde podemos availar a competência de um governo, seja para o lado de cá, mais liberal, ou para o lado de lá, mais centralizador e forte. E dos dois lados, apesar dos discursos, só temos fracassos retumbantes.
Desde os gregos a questão do Estado é discutida. Nos séculos XVII e XVIII as ideias sobre o Estado foram aprofundadas e chegamos a brilhante conclusão que os poderes devem ser divididos entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. E que estes poderes sejam diferenciados em seus assuntos, mas iguais em sua importância no poder.
E o que vemos?
Uma corrupção da proposta. O Legislativo e o Executivo vivem uma situação de amantes, e amantes gulosos dos bens públicos. Um deita com o outro e se satisfazem em prazeres com os cofres públicos.
Essa situação é venal e precisa ser revista com urgência. O patrimonialismo é ditante das regras de poder e governo. Ou achamos que as alianças do PT com o PMDB ou do PSDB com o DEM negam tal verdade?
A aristocracia continua no poder, os donos de grandes propriedades, sejam agrícolas, industriais, financeiras ou das informações, continuam os donos do poder. Mandam e desmandam, compram, vendem e alugam o que bem lhes interessa. Inclusive o Estado.
Aí é que mora a grande questão. O Estado só é razoável se existir para o bem comum.
É o que vemos?
Não. A verdade cruel é que não. Por mais que tenhamos um país melhor aqui e acolá, por mais que tenhamos uma população melhor e uma ascensão social jamais vista, os donos dos meios de produção continuam os donos do Estado. E aí a coisa tende a desandar.
Os escândalos que vivenciamos em 2009, sejam das passagens aéreas, sejam das verbas indenizatórias, sejam dos governos municipais, estaduais e federal, quaisquer que sejam, principalmente a escória ressaltada pelo Senado, nos mostram que é a aristocracia que continua em sua luta incansável de dominar os bens públicos. E os que vieram debaixo, dos sindicatos que nasceram para lutar pelos afiliados e hoje detém algum poder? Bem, esses estão sentados em poltronas de couro em salas luxuosas com ar condicionado e um bom contra-cheque regado por “outras” vantagens, um estágio bem acima dos pelegos tradicionais. E estas poltronas são das maiores estatais do governo que agradam à aristocracia, num looping eterno de canalhice.
Aqui não há inocentes. Até pareceria que as esquerdas brasileiras, as dominantes faz 2 décadas, se preocupariam com o bem comum. Podem até ter em seus conceitos, e em alguns de seus quadros, a ideia básica deste princípio. Mas são fracas. Ao ponto de se submeterem à aristocracia dominante por conta da vontade de poder. O poder da propriedade venceu as classes. De longe. E este poder vitorioso é canalha em última instância. É, no fundo, déspota. Não quer nada do povo além do voto fácil, do mesmo modelo de curral de outros tempos. Se houver diferença, é na vírgula. E assim, perpetuando as desigualdades, principalmente em Educação, Saúde e Segurança, perpetuam suas vontades.
Os amigos da situação dirão que a governabilidade impôs tal situação. Os da oposição dirão que este é o jogo e que o Estado mínimo é a solução para o atual quadro corrupto dos poderes nacionais.
Nenhum deles tem qualquer razão ou História para subir em tamancas e proferir juízos ou conceitos. Todos se perderam. Ou se renderam às aristocracias vigentes.
Este é um discurso comunista? Claro que não. O que fracassou fracassou por conta de sua incompetância de princípios. É um discurso liberal? Claro que não. Este já fracassou faz mais tempo.
O que realmente fracassou, principalmente no Brasil, foram os conceitos morais e, principalmente, os éticos. Não sobrou praticamente pedra sobre pedra.
O Estado que só deveria existir para defender o bem comum, hoje só existe para defender o bem de poucos calando a maioria com um pouco qualquer, uma migalha aqui e acolá capaz de alçar qualquer um ao status de líder que não é.
Houve uma discussão aqui no blog sobre o tamanho do Estado. Ela é para lá de complexa. Deveríamos nos reportar aos gregos, aos iluministas e a toda a linha histórica para fazê-la com competência.
Mas acredito que se nos focarmos no assunto do blog: a Corrupção, teremos um bom caminho para discutir o tamanho do Estado.
Ou então acharemos que o coronelato é quem tem razão. Aí é melhor começarmos a censurar jornais e revistas, baixar o cassetete e, como nos idos dos anos 60 e 70, teremos um crescimento vertiginoso da nossa economia e o aparecimento de novos “líderes”. Deus, dentro do meu ateísmo, que me livre disso.
Prefiro o caminho da discussão.