O 4º Congresso Nacional produz incertezas até o momento. Para agradar seu plenário afirma que o Brasil deve guinar à esquerda, taxar grandes fortunas, exigir a aprovação da jornada de 40 horas e apoiar incondicionalmente o Plano Nacional de Direitos Humanos.
Mas os principais dirigentes do partido querem a continuidade do modelo Lula que não apresentou rupturas estruturais e é um sucesso fundamentalmente por focar o governo no aumento real do salário mínimo, na disponibilização de crédito e na ampliação dos programas assistenciais. E que para governar voltou-se mais ao centro com suas alianças com o velho modelo, um “mal necessário”, segundo deixam a entender.
Agradar gregos (sociedade) e troianos (o plenário petista) tem produzido mensagens confusas.
Hoje Dilma Rousseff será aclamada como candidata à sucessão do Presidente Lula. E ela será porta-voz dela mesma daqui por diante. Seu mestre já lhe deu a velocidade inicial na campanha e continuará apoiando, mas a candidata agora terá que voar sozinha. Que mitigue a ambiguidade e deixe claro para o país que caminho seguirá: O de Lula ou o de Chávez? Vai ceder aos gregos ou aos troianos?
Abaixo duas notícias que sustentam o post, uma da Agência Brasil e outra do Estadão.
Luciana Lima – Repórter da Agência Brasil
Brasília – A palavra continuidade vem dando o tom ao programa de governo que o PT pretende oferecer para a aliança partidária a ser formada em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, cujo nome deve ser confirmado amanhã (20) para concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo partido. Os petistas, no entanto, buscam associar o conceito de “aperfeiçoamento” ao programa.
A manutenção da política econômica e o incremento dos programas sociais são propostas que permanecem na pauta do PT. “Continuidade significa aperfeiçoar. Temos o desafio de integrar mais as políticas sociais”, comentou o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que conduziu o Bolsa Família, um dos principais programas de distribuição de renda do governo.
As mudanças aprovadas hoje (19) no programa referem-se a políticas para afirmação de direitos das mulheres, reforma agrária, redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salários, apoio incondicional e explícito ao Plano Nacional de Direitos Humanos, além mudanças na política tributária, com o objetivo de taxar especialmente grandes fortunas.
O programa do PT, de acordo com Walter Pomar, que preside a tendência Articulação de Esquerda, se tornou mais “radical” na defesa de pontos considerados “de esquerda”. O texto será encaminhado pelo partido para a comissão a ser formada com os demais partidos que se unirão em torno da candidatura de Dilma. “Não houve mudanças. O que houve foi um processo de radicalização. Que a coalizão fará um programa mais ao centro nós temos certeza, mas não por causa nossa. Nossa posição como partido na coalizão será mais à esquerda”.
Para o deputado federal por São Paulo, José Genoino, que pertence a uma das tendências mais influentes do partido, o Campo Majoritário, a principal contribuição do PT no programa de Dilma será a maneira com que a legenda defenderá as conquistas do governo Lula.
“O PT é muito responsável por essas conquistas. Foi o esteio principal. Na hora que a onça bebe água o PT está lá no Congresso para segurar. A militância está muito convencida do que representa o governo Lula”, disse Genoino. “Mas nós vamos dialogar. Queremos fazer uma aliança parceira e não adesista ou impositiva”, completou.
Sobre a aprovação de uma emenda que indica para a revisão de leis criados no governo de Fernando Henrique Cardoso, Genoino alerta que essa posição não é unanimidade no partido. Há setores da esquerda que não veem que nós [governo Lula] não fizemos uma ruptura. Nós não destruímos a casa para construir uma nova. Nós estamos mudando a ordem por dentro da ordem”, ponderou.
Partido reforçou guinada à esquerda ao aprovar emendas e apresentar mudanças durante congresso nacional
Vera Rosa, Clarissa Oliveira e Wilson Tosta – Estadão
O PT decidiu radicalizar o programa de governo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que será aclamada hoje como candidata do partido à sucessão do presidente Lula com um discurso contundente de herança governista. A guinada à esquerda foi reforçada ontem, quando o 4º Congresso Nacional do partido aprovou emendas às diretrizes do programa de governo de Dilma. As mudanças pregam o combate ao monopólio dos meios de comunicação, cobrança de impostos sobre grandes fortunas, apoio incondicional ao polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos e jornada de trabalho de 40 horas semanais sem redução do salário.
Na tentativa de se aproximar do Movimento dos Sem-Terra (MST), o plenário petista também deu sinal verde para encaixar na plataforma da campanha de Dilma a atualização dos índices de produtividade para efeito de reforma agrária. Intitulado A Grande Transformação, o documento manteve o mote do projeto nacional de desenvolvimento, com ampliação do papel do Estado na economia e fortalecimento dos bancos públicos.
O controle da mídia foi aprovado no eixo das diretrizes que tratam do acesso à comunicação. O trecho que passou pelo crivo do congresso diz que as medidas para promover a democratização da comunicação social devem ser voltadas para “combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”.
Continua no Estadão…