Nos últimos dias a campanha presidencial de 2010 desceu a ladeira da baixaria com os principais candidatos. Trocaram a discussão do Brasil pelas acusações de qual é a pior opção.
Os principais jornalistas da blogosfera alimentam esta decadência institucional atrás de público fácil. Salvam-se raríssimas exceções. O futuro já condenou o atual modelo das empresas de comunicação à morte e a forma que estes veículos encontram de comprar um pouco de tempo é estimular péssimos profissionais ao exercício da desinformação e prática do que há de pior com o tratamento do que é notícia. Uma pena.
Com relação aos partidos a situação ainda é mais grave. Ao acompanharmos os presidentes dos dois principais em disputa, pelo Twitter, PT e PSDB, a decepção chega ao extremo. Parecem crianças mimadas sem qualquer conteúdo além da última fofoca da tia de plantão na venda ou salão de beleza.
Inacreditável é a incapacidade de leitura dos anseios da sociedade. O projeto Ficha Limpa, mesmo com a tentativa de estupro feita pelo senador Francisco Dornelles, é a grande mensagem passada pelo povo que não aguenta mais tanta corrupção e baixaria na política nacional. E como os nobres partidos e candidatos respondem a este desejo inequívoco? Com mais baixaria.
A terceira colocada nas pesquisas, Marina Silva, mesmo se salvando deste triste espetáculo, ainda não encontrou um discurso convincente, que se enfraquece ainda mais pelo partido que necessita uma faxina nacional que sustente uma proposta moralizadora de fato. Some-se a isso a questão religiosa que a atrapalha, com um posicionamento transcendente e um discurso imanente de mundo. Sua última declaração contrária à união homossexual, movida por sua convicção religiosa, foi um tremendo tiro no pé da campanha. De novo, uma pena.
Resta olhar para os pequenos candidatos. À esquerda as expressões mais conhecidas seriam, no meu entender, o candidato do PSTU, Zé Maria e o candidato do PSol, Plínio de Arruda Sampaio. À direita o candidato que surge é o Mario Oliveira, que aparece como quarto colocado nas intenções de voto na última pesquisa Sensus em Minas Gerais, como ele ressalta na entrevista concedida ao site Congresso em Foco.
Zé Maria, do PSTU, faz duras críticas ao governo Lula em seu Twitter. Algumas de seus posts por lá:
Depois de destinar dezenas de bilhoes às grandes empresas, o governo corta investimentos na educaÇao e na saude. Uma vergonha.
A Dilma ja esta ai, propondo mais anos de trabalho antes da aposentadoria. No mesmo dia em que as Centrais governistas declaram apoia-la.
Fica cada vez mais claro o que seria um governo Dilma. E também o capachismo dos dirigentes destas Centrais Sindicais.
Plínio de Arruda Sampaio, do PSol, também faz críticas ao governo Lula e à esta baixaria instaurada na campanha, em seu Twitter:
Sobre a reforma agrária: O governo cortou nossa meta pela metade e não executou nem a metade.
Sobre a baixaria na campanha: Não estou discutindo quem tem razão, mas a pobreza do debate, que deixa os assuntos sérios para trás.
Debater não é acusar. É chamar sua atenção sobre o fato de que ambos estão sonegando suas posições sobre os problemas do povo.
Por enquanto, pelo visto, o jeito é torcer para que a decisão do TSE sobre o projeto Ficha Limpa seja pela aplicação imediata da lei sancionada ontem por Lula e já valha para estas eleições, deprezando a canalhice do artifício semântico de Francisco Dornelles, do PP de Maluf, vale ressaltar.
Obs.: destacar candidatos alternativos talvez seja uma forma de protesto pelo caminho que a campanha tomou na última semana. Quem sabe se as próximas pesquisas venham a indicar mais votos para outros candidatos e opções e assim os principais descubram que suas campanhas precisam de acertos profundos? Como na fábula do beija-flor no incêndio da floresta, não custa levar uma gota d´água no bico.