Esta é uma história que merece ser contada aos poucos e sugere um jogo político canalha envolvendo o governo, alguns jornalistas e uma atuação do Ibama para lá de suspeita.

Foto - Site da Marina Silva
Vamos às notícias, tentando uma cronologia através do que há disponível na Web e que foram pescadas na rede sobre este escândalo inventado que acaba voltando para o próprio governo, em especial o tal sr Abelardo Bayma, novo presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA):
Dia 07/07/2010: A Agência Brasil destaca notícia em que o novo presidente do Ibama, Abelardo Bayma, informa que o Instituto notificou o candidado à vice-presidência na chapa de Marina Silva, do PV, sobre “a existência de edificações e outras instalações que alteraram a paisagem natural em área de Mata Atlântica” . No link abaixo a íntegra da notícia onde se percebe a expressa diligência de Bayma em informar os jornais, incluindo aqui a agência oficial do governo.
—> Ibama confirma notificação a candidato a vice de Marina após vistoriar propriedade no sul da Bahia
Dia 08/07/2010: A Folha de São Paulo dá a notícia sem fazer, ao que parece, o dever de casa, de ir até o local, enviar jornalistas e fotógrafos e constatar a denúncia. Ressalta-se que é o jornal de maior circulação do país. Leia matéria completa no link abaixo:
—> Ibama investiga fazenda do vice de Marina na Bahia
Dia 08/07/2010: No próprio dia Alfredo Sirkis (PV-RJ) coloca em seu blog uma contestação para lá de interessante, afirmando que não só a propriedade de Guilherme está legal como insinua que há uma atuação no mínimo esquisita do Ibama no caso. Destaco o cabeçaho de seu post:
—> A inversão de Itacaré II
Como a campanha suja tenta inverter a situação de Itacaré manipulando eleitoralmente o IBAMA. Para esconder megaprojeto siderúrgica de devastação implicam com uma canaleta de rede elétrica.
Alfredo Sirkis
Dia 08/07/2010: Ainda no dia 08, conhecido jornalista blogueiro Reinaldo Azevedo, que se diz democrata mas não aceita qualquer comentário que não seja de aplausos para si ou apoio à candidatura de José Serra ou aos ruralistas de plantão na CNA, coloca em seu blog, aos berros (caixa alta), a notícia da Folha e insinua que Marina Silva acusa os outros mas protege seu vice de supostos crimes. Leiam abaixo, no blog da VEJA:
—> MARINA DEFENDE VICE, INVESTIGADO PELO IBAMA POR SUPOSTO CRIME AMBIENTAL
Dia 08/07/2010: Mais tarde, ainda no dia 08, Josias de Souza, também da Folha, já alertava que a atitude do presidente do Ibama era suspeita. Destaco um trecho e seu post —> Marina defende vice: ação do Ibama é um ‘vale-tudo’:
Lula deveria chamar para uma conversa o senhor Abelardo Bayma. Renderia homenagens ao bom senso se pedisse pressa ao mandachuva do Ibama.
Se o Ibama investiga a fazenda do vice de Marina, não deveria ter permitido que, em fase embrionária, as suspeitas ganhassem o noticiário.
Se permitiu que a coisa virasse manchete, deveria demonstrar cabalmente que sua inspeção tem começo, meio e perspectiva de fim.
Se não acomodar a coisa em pratos asseados, levará a platéia a prestar mais atenção em Marina Silva. A acusação de “vale-tudo” começará a fazer nexo.
Em meio à mais disputada eleição presidenial da história, o desempenho de Marina vai determinar se haverá ou não segundo turno. Para alguns, o ideal seria que a candidatura verde definhasse.
Dia 11/07/2010: O jornalista e analista político Paulo Moreira Leite da revista Época vai mais à além, afirmando que as suspeitas são fatos, em seu post —> É difícil achar um culpado único pela casa pouco ecológica do vice de Marina
Dia 14/07/2010: Até o deputado Aldo Rebelo que produziu o recente relatório de alteração do Código Florestal, absolutamente contestato por quem quer que tenha qualquer preocupação ambiental, aproveitou a carona, como se quisesse justificar suas ações com os “erros” dos outros, numa vergonhosa declaração que o portal R7 noticiou –> Relator do novo Código Florestal alfineta vice de Marina em evento sindical
Nesse negócio de desmatamento ilegal, parece que na República não escapa ninguém, nem os que têm compromissos com a sustentabilidade. (Aldo Rebelo)
Dia 17/07/2010: O Estadão publica o desmentido geral: —> Agora, Ibama inocenta vice na chapa de Marina
Destaco o início da notícia
AE – Agência Estado
As obras que o empresário Guilherme Leal, candidato a vice na chapa da Marina Silva (PV), vem realizando em sua propriedade no litoral da Bahia estão de acordo com a legislação ambiental do País. Foi o que anunciou ontem o presidente do Ibama, Abelardo Bayma, em comunicado à imprensa.
O comunicado está ligado às especulações, surgidas no início do mês de que o empreendimento, localizado dentro da Área de Proteção Ambiental Itacaré-Serra Grande, no sul da Bahia, estaria violando leis ambientais.
Após receber uma denúncia formal sobre o caso, o Ibama enviou fiscais ao local. Eles fizeram duas vistorias e notificaram o empresário para que apresentasse a documentação do imóvel.
De acordo com Bayma, o Ibama, após analisar os documentos concluiu que “o empreendimento está em conformidade com as autorizações concedidas pelas esferas estaduais e municipais”.
Some os fatos acima com a seguinte notícia do site O Eco, respeitado veículo vinculado ao Meio Ambiente:—> Ibama proíbe próprios fiscais de embargarem obras
O trecho inicial da notícia:
Em plena corrida eleitoral, foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União a Portaria No17 do IBAMA, regulando os procedimentos de embargo de obras e atividades de interesse público. A partir de agora, ao menos que fique comprovado um dano ambiental relevante ou risco à saúde pública, nenhum fiscal do Ibama poderá interromper o funcionamento de instalações que tenham cometido infrações administrativas. Ou seja, a não ser que tenha cometido crime ambiental, uma estrada, porto, hidrelétrica sem licenciamento poderá continuar funcionando. Mais do que isso, mesmo que se decida pelo embargo após comprovado dano ambiental ou risco à saúde, o embargo só pode ocorrer se aprovado pelo presidente do órgão.
Conclusão: nota-se que o IBAMA carece não só de um presidente que mereça respeito como de uma revisão geral de sua estrutura, procedimentos e posicionamento visando independência e isenção política. O Meio Ambiente brasileiro agradeceria de antemão.