Entraremos numa nova fase da campanha, os debates se iniciarão amanhã assim como o horário eleitoral gratuito no próximo dia 17. Será a última chance de Serra.
Atualmente temos um quadro que aponta uma pequena vantagem de Dilma Rousseff – muito perto de um empate técnico – e uma estagnação da campanha de Marina Silva. Mas o problema maior se encontra na campanha do PSDB. As perdas foram consideráveis e seu índice de rejeição é o maior dos três candidatos.
E este índice de rejeição tende a se aprofundar se Serra insistir em cometer erros conhecidos de outras campanhas, como a de 2002, onde o candidato insistiu em colocar em sua pauta assuntos distantes do cotidiano brasileiro, que estimulam somente o eleitorado já decidido pelo PSDB, que alimenta um transe belicista que não estimula o resto do eleitorado. Os exemplos atuais são os discursos sobre as Farcs, o Irã, Bolívia etc.
Os atuais eleitores do PSDB, assim como alguns jornalistas, insistem em querer convencer a sociedade que estes assuntos definem um governo perigoso que levará o Brasil ao caos e a ditadura socialista do proletariado, tentando pelo medo, pela agenda negativa, estabelecer o caminho para a eleição de José Serra. Exatamente no momento em que a economia está bem para a maioria da sociedade, o nível de desemprego é baixíssimo, o consumo em alta e a aceitação do governo Lula está na casa dos 80%. Um erro crasso (*).
O marqueteiro de José Serra, Luiz Gonzales, sempre afirmou que a eleição será decidida no segundo turno. E esta afirmação está correta. Só não contava que a vantagem neste momento, mesmo que pequena, fosse da candidata do governo e que os tais assuntos em pauta não tivessem o resultado esperado. Ao contrário, ao perder o rumo e expor as fragilidades internas do PSDB e a questão litigiosa da escolha do vice com o maior partido aliado, o DEM, a campanha perdeu fôlego e as tendências das curvas de intenção de votos e índices de rejeição são negativos ao candidato José Serra. Em síntese: Dilma sobe e o candidato desce.
Amanhã teremos o primeiro debate, a partir das 22h na Tv Bandeirantes. Dia 17 iniciará o horário eleitoral gratuito. O quadro pode mudar. Se houver erros consideráveis nas campanhas ou deslizes dos candidatos, mudanças dramáticas poderão ocorrer.
Porém parece correto afirmar que se José Serra e seu marqueteiro insistirem e permitirem que os principais porta-vozes alimentem sua campanha na agenda negativa que não estimula o grande eleitorado, a tendência é que Dilma Rousseff descole do candidato da oposição. Até mesmo o segundo turno pode se tornar impossível se os erros não forem sanados.
Do outro lado o PT e suas alianças devem segurar seus militantes mais explosivos, os chamados aloprados, que podem comprometer o caminho definido de colar a imagem de Lula em Dilma. Uma economia positiva e um presidente com alta aceitação são vantagens consideráveis, mas não garantias absolutas que assegurem a vitória desde já. Grandes erros podem ser cometidos, provavelmente por gente de fora do núcleo de comando da campanha.
Para Marina Silva o caminho se divide em mirar na eficiência do pouquíssimo tempo que terá no horário gratuito eleitoral e aguardar que algum dos dois candidatos tombe por eventuais erros nas campanhas ou péssimas participações nos debates.
Sim, estamos à porta da nova fase das eleições 2010. E será a última chance de José Serra, caso resolva consertar os erros em andamento.
(*) Independente de qualquer análise correta que temos problemas estruturais não resolvidos, como as reformas política, tributária e fiscal, alta taxas de juros etc etc.