A intragával campanha presidencial deste segundo turno coloca nos palanques de Dilma e Serra personagens que atuam de forma suspeita em seus partidos. Trocamos as discussões sobre programas e compromissos de governo por um lodaçal de acusações de corrupção que contamina a política brasileira acima do aceitável.
Quem paga a conta? O povo, o eleitor. Esta é a única certeza. E a conta é bastante salgada, por volta de R$ 200 bilhões ao ano são desviados no Brasil com a corrupção de todos os lados. Até quando?
Desde o início da corrida presidencial o blog anunciou que, infelizmente, a tendência desta campanha teria o mote: “o meu corrupto é melhor que o teu”.
Daqui dez ou vinte anos como nos lembraremos desta campanha? Como nos lembramos da campanha de 1989? Muitos de nós temos viva a recordação da eleição de Collor que utilizou Miriam Cordeiro e sua filha Lurian ad nauseam nos últimos sete dias da corrida presidencial à época. Deu no que deu, num presidente que saiu pela porta dos fundos do Palácio do Planalto, recheado de notícias de corrupção e até acusações de sua própria família sobre uso de drogas por vias “supositoriamente” impróprias.
Obras públicas, empresas de transporte e coleta de lixo urbano, emendas parlamentares, cala-bocas em fiscalizações e mais um interminável rol de modelos de corrupção são utilizados por todos os partidos que se encontram no poder. Em outras palavras, o povo paga mais pelas obras, paga mais nas passagens de ônibus, paga mais para que seu lixo seja coletado, paga mais pedágio que o necessário etc para que a máquina corrupta continue funcionando. Não bastasse a enorme carga tributária oficial, somos submetidos à carga tributária da Ditadura da Corrupção.
Os candidados, neste momento, fazem acordos com igrejas, sindicatos e todo tipo de instituição que possam trazer votos no atacado. Assinam cartas, acordos e sabe-se lá que outros compromissos. No desespero, vale tudo.
Esquecem, porém, de assinar o maior acordo necessário, que é com o povo brasileiro, o combate à corrupção e o compromisso com um Brasil sustentável. Tão simples e tão triste quanto isso.
Abaixo o noticiário que indica os modelitos seguidos pelos partidos:
Mara Gabrilli elogia ação judicial contra assessor de Lula
Fausto Macedo – O Estado de S.Paulo
“Era voz corrente na cidade que Gilberto Carvalho era o homem do carro preto, o cara da mala, que levava dinheiro da corrupção para o José Dirceu”, disse ontem Mara Gabrilli, psicóloga, vereadora paulistana e deputada federal eleita pelo PSDB com 160.138 votos.
Quase nove anos depois do assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), de Santo André, um sentimento de frustração a persegue. Filha do empresário Luiz Alberto Gabrilli, do setor de transportes, e autora da denúncia ao Ministério Público Estadual sobre arrecadação de propinas que teriam financiado caixa 2 petista, Mara cobra punição a empresários e políticos. (continua no Estadão…)
Paulo Preto deixou empreiteira mudar obra
Um dia após assumir Rodoanel, ex-diretor da Dersa alterou contrato e liberou mudanças em projeto original
Nova regra previa “preço fechado” para acelerar a obra, mas acabou permitindo até materiais mais baratos
ALENCAR IZIDORO Folha de São Paulo
Um dia após assumir a diretoria da Dersa responsável pelo Rodoanel, Paulo Vieira de Souza assinou uma alteração contratual na obra que deu liberdade para empreiteiras fazerem mudanças no projeto e, na prática, até usarem materiais mais baratos.
A medida, em acordo da estatal com as construtoras, foi definida em 2007 em troca da garantia de “acelerar” a construção do trecho sul para entregá-lo até abril deste ano, quando José Serra (PSDB) saiu do governo para se candidatar à Presidência.
Com a mudança no contrato do Rodoanel, ficou “inviável” calcular se os pagamentos da obra correspondiam ao que havia sido planejado e executado, conforme a avaliação do Ministério Público Federal dois anos depois. (continua na Folha – para assinantes…)