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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Posts de maio \31\UTC 2011

Saudades de Alencar é maior mérito de Temer

Publicado por Pax em 31/05/2011

Antonio Palocci deve explicações ao Brasil. Ou sai ou se explica convincentemente o mais rápido possível. E Dilma precisa tomar as rédeas do governo ou tende a comprometer todo o percurso de seu mandato.

O PMDB torce para o enfraquecimento de Dilma. Quer cobrar o apoio para a falta de força política da presidente com as chaves de ministérios e outros cargos que detenham fartos orçamentos. A eventual saída de Palocci provocará uma reforma ministerial que aguça a fome. E nenhum destes desejos peemedebistas está no bojo de um projeto de país que se tenha notícia.

Michel Temer se vangloria de ter colocado Palocci “em seu devido lugar” numa tal conversa em tom mais alto que o normal no episódio de votação (e derrota para o governo) do novo Código Florestal. O maior mérito do atual vice-presidente, até o momento deste governo, é fazer o sentimento de saudades de José Alencar aumentar significativamente.

Se compararmos o mandato de presidente com uma competição de salto de obstáculos do hipismo podemos imaginar que Dilma está com enorme dificuldade no primeiro obstáculo. E não será Lula que a fará terminar bem a pista à frente. Muito ao contrário, quanto mais o ex-presidente aparece mais a sensação que a cavaleira perdeu as rédeas de sua montaria e o mal causado aumentam exponencialmente.

Enviado em Opinião pessoal, Palocci | 43 Comentários »

O mando de campo é do PMDB

Publicado por Pax em 30/05/2011

O professor Marcos Nobre, em entrevista ao jornal Valor Econômico, analisa que a derrota do governo no projeto de reforma do Código Florestal associada com as denúncias do rápido enriquecimento de Antonio Palocci, expõe uma problemática ainda maior do sistema político brasileiro e da atual presidente.

O mando de campo não é mais de Dilma nem do PT, segundo este ponto de vista. Leia:

‘Dilma perdeu seu grande projeto político’
Autor(es): Cristian Klein | De São Paulo
Valor Econômico – 30/05/2011

Entrevista : Para pesquisador, presidente terá de ceder ao PMDB

Depois de uma aparente lua-de-mel, que marcou os cem dias iniciais de seu governo, a presidente Dilma Rousseff enfrenta o revés da primeira grave crise política, com as denúncias envolvendo a súbita evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e, na sequência, a derrota na votação do Código Florestal. Uma derrota imposta não pela oposição, hoje minguada, mas por um aliado da própria coalizão, o PMDB. Um fracasso que representa, na opinião do professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap, Marcos Nobre, o fim do grande projeto político de Dilma: governar com relativa autonomia, com indicações ao segundo escalão que vinham seguindo critérios mais técnicos, sem se dobrar ao “pemedebismo”, termo preferido de Nobre para denominar a cultura política brasileira. Para Nobre, os recentes acontecimentos, que incluem a “absurda” entrada do ex-presidente Lula em cena, mostram que Dilma perdeu a queda-de-braço e vai ter que ceder. Terá uma tarefa “muito difícil” para se reeleger e deve exercer o mesmo papel de seus antecessores: ser apenas a síndica do condomínio pemedebista. Com um agravante, avisa: o de que o sistema político se esgotou e tende a levar o país à paralisia. A seguir, os principais trechos de sua entrevista ao Valorconcedida na tarde da última sexta-feira, em sua casa em São Paulo.

Valor: O que aconteceu com o governo Dilma?

Marcos Nobre: A Dilma teve de renegociar os acordos feitos pelo Lula. O Lula ampliou a base do governo a tal ponto que não existe mais oposição. Quando acontece isso, a oposição vai para dentro do governo. Na verdade, o jogo entre governo e oposição é entre PT e PMDB e, digamos, seus satélites. Nesse processo de ampliação da base, Dilma resolveu aproveitar o que chamo de excesso de adesão para tentar fazer uma seleção dos quadros do segundo escalão. Quis aproveitar a situação a favor dela. Estava usando todo seu capital eleitoral para fazer essa negociação dura com o PMDB e com os outros partidos, para que aqueles que fossem acolhidos no segundo escalão fossem mais técnicos, com mais qualidade gerencial, e política também, no sentido de tentar encontrar currículos que fossem mais “ficha limpa”. E o caso Palocci termina essa tentativa da Dilma. Nesse momento, a Dilma vai entregar o que o PMDB pedir. É a parte triste da história.

Valor: A Dilma errou ao conduzir a negociação política e ao escalar Palocci para a Casa Civil?

Nobre: Não sei se errou porque o caso é muito estranho e não temos esclarecimento. Se Palocci não der explicações razoáveis, ela errou com certeza porque não aplicou os critérios que ela mesma disse que iria aplicar, no primeiro escalão.

Valor: Parlamentares reclamam muito de não serem atendidos pela presidente. Consta que a cada dez indicações de nomes levados por Palocci, Dilma aceitaria, por exemplo, apenas dois ou três.

Nobre: Isso tem lá sua parte de verdade e tem também a parte de que o Palocci está tentando tirar a responsabilidade dele mesmo.

Valor: Como a presidente pôde perder a votação do Código Florestal tendo uma base tão grande? Faltou habilidade ou seria inevitável?

Nobre: Inevitável nada é. E habilidade realmente não é uma característica dos líderes escolhidos pela Dilma.

Valor: Que líderes?

Nobre: Nobre: O [Cândido] Vaccarezza [líder do governo na Câmara]. É de uma inabilidade flagrante.

Valor: Ele subiu à tribuna dizendo que tinha acabado de conversar com a Dilma, que teria lhe dito considerar uma “vergonha” o Código que a Câmara iria aprovar. Isso causou muitas reações.

Nobre: Além da ameaça que aparentemente existiu de que a Dilma demitiria os ministros do PMDB. Então, o que se tem é um processo de chantagem mútua. O PMDB chantageia porque quer as nomeações, e a Dilma chantageia de volta dizendo: “Então eu demito”. Aí, é uma queda-de-braço. Só que, com o caso Palocci, enfraqueceu o lado da Dilma. O enfraquecimento dela foi tal que o Lula ocupou o espaço dela. E isso realmente é um dos grandes absurdos do momento político brasileiro. Ele obriga a Dilma a sair a público para falar a favor do seu ministro, mesmo que em termos muito genéricos. Isso só ajuda a aumentar o estado de confusão da situação política brasileira. Não ajuda em nada a intervenção do Lula.

Valor: Há um duplo comando?

Nobre: Não… Porque em política existe uma regra que é: há uma pessoa que tem a caneta. Isso faz muita diferença. Mas aumenta a confusão. O que aconteceu no Código Florestal? O PMDB disse: “Olha, se continuarem neste ritmo as exigências que estão sendo feitas para as nomeações de segundo escalão, vamos votar contra o governo”. E escolheram um projeto, o Código Florestal, que não é vital para o funcionamento da máquina governamental. Escolheram quando perceberam que Dilma endureceu porque tomou essa votação como se fosse, no parlamentarismo, um voto de desconfiança. Ela levou a votação nesses termos, coisa que não deveria ter feito. Resolveu tirar a limpo e quando, no meio, acontece o caso Palocci, ela não tinha mais força para enfrentar essa base.

Valor: Havia saída?

Nobre: Qualquer que seja o governo ele acaba sendo submetido à lógica do sistema político, que funciona de maneira autônoma. Algo do tipo: “Se você não mexer comigo, eu não mexo com você”. Isso significa que funciona na base da chantagem mútua e na base do veto mútuo. Um exemplo: o caso dos líderes parlamentares religiosos que fizeram um acordo de que não chamariam o Palocci à Câmara se fosse retirado de pauta o material contra homofobia do Ministério da Educação. É um acordo quase mafioso do sistema político, de autoproteção.

Valor: Isso corresponde a um processo de cartelização, que caracterizaria atualmente os sistemas partidários pelo mundo?

Nobre: Não, é uma coisa muito brasileira e, acho, um pouco incomparável. O PMDB criou, lá na década de 80, uma cultura política duradoura para o Brasil, que diz assim: “Se você entrar para o partido – qualquer um pode entrar -, se você se organizar como grupo de pressão, tem o seu interesse garantido e pode ter certeza de que será consultado a respeito de qualquer assunto que diz respeito a esse interesse”. Portanto, tem direito de veto. Com isso, você não tem debate público real, porque as questões não vão para o debate, são vetadas antes, como nesse caso que dei do [deputado federal do PR do Rio, Anthony] Garotinho versus Palocci.

Valor: A imagem de uma presidente refém de grupos de pressão não é contraditória com a ideia predominante de que o governo tem a primazia e sua posição quase sempre prevalece, porque pode oferecer cargos, verbas etc?

Nobre: É, mas eu acho que essa ideia de um governo todo-poderoso é completamente ilusória. Basta ver o que o Lula, do alto de seus 80% de popularidade, conseguiu passar no Congresso. O que ele conseguiu passar de realmente decisivo? Nada. O desafio anual do governo é passar a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] e depois passar a lei orçamentária.

Valor: Qual é a solução para se escapar desse pemedebismo?

Nobre: É preciso ter governos mais enxutos e mais coesos, que coloquem uma linha e digam: a partir daqui eu não aceito.

Valor: Mesmo que seja um governo minoritário?

Nobre: Mesmo. Mas aí é preciso ter um apoio popular significativo para você conseguir se manter. Algum movimento vai ter que ser feito. E necessariamente é diminuir a adesão ao governo. Num certo sentido, Dilma estava fazendo isso, ou tentando fazer, ao colocar critérios rígidos para escolher o segundo escalão. Com o caso Palocci ela perde esse grande projeto político que era dela e vai simplesmente continuar sendo uma síndica do pemedebismo.

Valor: É factível que o Brasil venha a ter um governo minoritário ao estilo dos escandinavos com essa cultura política de barganha?

Nobre: É, mas aí você está me dizendo que o pemedebismo é inevitável. Pode ser. A maioria das pessoas do PT, por exemplo, com quem eu converso, dizem que esta é a estrutura, que se você quiser fazer política pela esquerda, precisa ocupar essa cultura política pela esquerda. O que eu posso dizer contra um argumento realista? Nada. Por que o realismo sempre está certo. Agora, o que muda o mundo não é o realismo. Pode-se dizer: “Isso é ser realista, é ser pragmático”. Mas, bom, nós vamos para o buraco, vamos construir uma democracia horrorosa, que é o que estamos fazendo. É um sistema que funciona na base da chantagem.

Valor: Esse modelo de pragmatismo, de maior diluição ideológica, não vem se tornando uma tendência mundial, como o caso clássico do Partido Trabalhista britânico?

Nobre: Com toda razão. Esse movimento para o centro você pode observar em vários países, não vou dizer em todos. Mas no Brasil, a tendência tem uma certa especificidade. Porque não existe na Espanha, na Alemanha, na Escandinávia, essa tradição pemedebista. Ou seja, ser político é estar no poder, seja qual for o governo.

Valor: Não seria esta a origem do problema: o alto custo de ser oposição no Brasil? As reformas não deveriam começar por aí?

Nobre: Sem dúvida. É um problema de cultura política, sim, e é um problema de estrutura também. Você tem uma concentração de recursos na União que é absurda. A União pode manter Estados e municípios a pão e água. Isto não é possível. Esse grau de concentração foi produzido em grande medida pelo Plano Real que retomou o poder para a União, um poder que era disseminado pelos Estados. Os Estados faziam política econômica! Esse processo de concentração e fortalecimento da União foi importante para se estabelecer alguma espécie de estabilidade, mas tem agora um efeito perverso. Porque o sistema político pemedebista, que era a fragmentação entre os Estados, se readaptou a esse modelo centralizado. O que acontece num sistema pemedebizado? Significa que a Dilma, a partir de agora, é refém desse sistema e que ela vai operar nos limites que este sistema colocar para ela. Qual é o problema disso? É que leva à paralisia.

Valor: Por que ela é refém e o Lula não foi?

Nobre: O Lula foi, claro que foi, ele montou este sistema. E ele montou de tal maneira que ele aparecia como alguém que mandava muito e não mandava coisa alguma.

Valor: O Lula não mandava?

Nobre: Muito pouco. Por onde o governo Lula passou neste sistema de vetos? Pense nas políticas pelas quais o Lula é conhecido: Bolsa-Família, Luz para Todos, os PACs, que estão empacados. Foi por onde o sistema não vetava. Quem é contra o aumento do salário mínimo? Quem é contra dar Bolsa-Família? Com isso ele produziu um crescimento econômico que permitiu um realinhamento da economia. Fez uma política “keynesiana”. Agora, essa ideia de que Lula mandava muito não procede. Ele é muito importante? Sim, fez o Brasil voltar à ideia de que o país pode ter futuro, de país que cresce. Mas do ponto de vista do sistema político não mudou nada.

Valor: Por que o PMDB não consegue ser o síndico?

Nobre: Quantos votos teve Ulisses Guimarães em 1989, na eleição presidencial, 4,89%? O PMDB aprendeu a lição. Não pode ser síndico de seu condomínio. Porque se o síndico for outro e der errado, a culpa é do síndico. Não é dele. Então essa é a lógica do PMDB: põe a culpa no síndico. Não é a lógica do PMDB só. É de todos os partidos do sistema político brasileiro.

Valor: O PT é um PMDB?

Nobre: Não, o PT é um partido diferente. Por isso ele é síndico. O Fernando Henrique estabeleceu dois polos, que são dois síndicos. Na eleição do condomínio você pode escolher entre eles: o do PT ou o do PSDB.

Valor: Que são duas alternativas ao pemedebismo…

Nobre: Alternativas a tomar conta do condomínio pemedebista. O PSB é assim, o PSD do Kassab é assim. Você acha que Aécio é líder da oposição? Aécio não lidera oposição nenhuma. Ele está esperando que o governo Dilma dê errado para afirmar que isso é um fracasso, depois de dizer que Lula e Dilma eram ótimos. Ou seja, é um mero oportunismo eleitoral. Agora qual é o limite que tem um Estado para fazer o governo Dilma fracassar? Peguemos a Copa. Em que Estados está havendo maior problema? São Paulo, Minas… Só que tem limite. Porque os Estados e municípios dependem de repasses federais.

Valor: Não seria um tiro no próprio pé do PSDB, ao arriscar seu governo nesses Estados?

Nobre: Sim, mas se a Copa não der certo, a culpa é do governo federal, não do estadual. É da Dilma.

Valor: A governabilidade da presidente está ameaçada, a crise tende a se aprofundar, com perda de iniciativa de agenda?

Nobre: A iniciativa de agenda desaparece. Como no governo Lula. Qual foi a iniciativa de agenda dele? Enfrentamento da crise mundial. Foi muito importante, mas foi uma crise mundial! Mas a Dilma pode levar perfeitamente os quatro anos até o final – sendo síndica do pemedebismo.

Valor: Ela vai ser a síndica ou ficará à sombra do antecessor?

Nobre: Acho que a Dilma não vai deixar isso acontecer. Ela deixou claro quando Lula resolveu ocupar o espaço dela. Você acha que o Lula precisa dizer à presidente o que ela tem que fazer? Não tem o menor cabimento. Pode existir um conflito entre os dois? Pode.

Valor: Tende a acontecer?

Nobre: Não tenho a menor ideia. Há aquela lei da política: de criatura e criador. Mas neste caso há um elemento fundamental que é o PT. Quem vai segurar para que isso ocorra ou não é o PT.

Valor: E a reeleição?

Nobre: Se a inflação não for colocada sob controle, se as obras de infraestrutura não forem realizadas para a Copa, e se não tiver uma taxa mínima de crescimento, está ameaçada a reeleição dela, claramente. A tarefa dela é muito difícil. Tem a maior base política da história do Brasil, e a menor margem de manobra. Essa é a situação dela.

Valor: E qual a chance de a oposição capitalizar esse momento?

Nobre: Se Dilma fracassar durante o mandato. Mas capitalizar o Palocci é difícil porque o PSDB está pedindo desculpas por criticá-lo. Não tem oposição!

Valor: Há suspeitas de que a divulgação das denúncias teria sido fogo amigo e partido do próprio PT.

Nobre: Tem, com certeza. Porque, por paradoxal que pareça, o Palocci é o representante do Lula no governo Dilma. E não tem ninguém com quem o PT tenha tido mais divergência do que com o próprio Lula. Claro, essas divergências ficaram todas debaixo do tapete e estavam esmagadas por 80% de popularidade. Mas houve divergências sérias. O PT sentia que não tinha mais a liderança do governo Lula. O Palocci é a continuidade dessa lógica. Num certo sentido, tem fogo amigo sim. Mas tem fogo amigo para todo lado. O PSDB está em guerra. O PT está em guerra. O líder do partido está em guerra aberta com o líder do governo na Câmara. O PMDB está unido, mas apenas momentaneamente, como estratégia.

Valor: O PMDB também não sofre uma influência do PT, ao se tornar cada vez mais coeso e disciplinado, como já havia chamado a atenção na votação do mínimo?

Nobre: Não, acho que quem dá lições sempre é o PMDB. O PMDB diz para onde o sistema está indo.

Valor: Já que o Lula, com toda a sua popularidade, e a Dilma, agora, no seu estilo linha-dura, não conseguiram dobrar o pemedebismo, quem seria capaz?

Nobre: Mas é a sociedade que tem que exigir. Você só ouve argumento realista. Mas eu digo que, se continuar assim, trava. Tende à paralisia e daí o que vai acontecer é uma crise muito maior. O governo Lula teve um efeito extraordinário de inclusão. Mas essas pessoas ainda não falaram! A gente ainda não viu o que vai ser o efeito dessas pessoas que têm acesso a internet, jornal, revista, informação política. Tem efeitos dessas mudanças da estratificação social que a gente não conhece.

Valor: Qual é a causa desse sistema pemedebista?

Nobre: É uma cultura política, que vem de muito longe, que se explica pela nossa história ditatorial recente, é importante dizer isso. Os avanços feitos nos últimos 17 anos ocorreram apesar desse sistema político.

Valor: O pemedebismo é favorecido pelo sistema eleitoral proporcional, que torna o sistema fragmentado? Qual seria o seu modelo preferido, um sistema com apenas dois ou três partidos?

Nobre: O número não importa. Quem é que faz uma reforma política – que na verdade é uma reforma eleitoral? O próprio sistema político. O problema não é da regra enquanto tal. Os protestos na Espanha e os da Primavera Árabe têm suas razões completamente diferentes. Mas o que o sistema político está achando é que enquanto o país estiver crescendo ninguém vai reclamar. E isso é uma loucura, as pessoas vão reclamar.

Valor: Quais os principais problemas que precisam ser atacados?

Nobre: Primeiro, destravar o debate público. No Brasil, se uma questão é colocada imediatamente o problema é: a favor ou contra o governo? E não pode se resumir a isso.

Valor: A existência de uma oposição mais forte não levaria justamente ao não debate e à estratégia de ser “do contra”, como ocorria com o PT – por sinal papel típico de quem está na oposição?

Nobre: Não aconteceu isso com o PT, não. Não foi assim. Quer dizer, em alguns casos, como no primeiro mandato do Fernando Henrique, pode ter sido. Mas o PT aprendeu a ser oposição, durante o governo Fernando Henrique. Pegue o caso Telebrás. Ia ter a privatização da Telebrás e o que o PT fez? Apresentou um projeto alternativo de privatização.

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Estranho abraço de Dirceu em Palocci

Publicado por Pax em 23/05/2011

Abraço de afogado ou de amigo da onça?

Dirceu vê ‘crise forjada’ em polêmica sobre patrimônio e defende Palocci

Em blog, ex-ministro diz que acusações têm ‘poucos fatos’. Atual ministro multiplicou patrimônio em 20 vezes, segundo jornal.
Robson Bonin – Do G1, em Brasília

O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu publicou em seu blog no final de semana artigo no qual defendeu o atual titular da pasta, Antonio Palocci, ao classificar de “crise forjada” a polêmica acerca da evolução patrimonial do colega. (continua no G1…)

Enviado em Palocci | 115 Comentários »

Dez ex-ministros do Meio Ambiente contra Aldo e seu bando

Publicado por Pax em 23/05/2011

Carta Aberta à Presidente da República e ao Congresso Nacional

Os signatários desta Carta Aberta, ao exercerem as funções de Ministros de Estado ou de Secretário Especial do Meio Ambiente, tiveram a oportunidade e a responsabilidade de promover, no âmbito do Governo Federal, e em prol das futuras gerações, medidas orientadas para a proteção do patrimônio ambiental do Brasil, e com destaque para suas florestas. Embora com recursos humanos e financeiros limitados, foram obtidos resultados expressivos graças ao apoio decisivo proporcionado pela sociedade, de todos os presidentes da Republica que se sucederam na condução do país e do Congresso Nacional. Mencione-se como exemplos: a Política Nacional do Meio Ambiente (1981), o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, a Lei de Gestão de Recursos Hídricos (97), Lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente (98), o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (2000), a Lei de Informações Ambientais (2003), a Lei de Gestão de Florestas Públicas (2006), a Lei da Mata Atlântica (2006), a Lei de Mudanças Climáticas (2009) e a Lei de Gestão de Resíduos Sólidos (2010).

Antes que o mundo despertasse para a importância das florestas, o Brasil foi pioneiro em estabelecer, por lei, a necessidade de sua conservação, mais adiante confirmada no texto da Constituição Federal e sucessivas regulamentações. Essas providências asseguraram a proteção e a prática do uso sustentável do capital natural brasileiro, a partir do Código Florestal de 1965. Marco fundante e inspiração nesse particular, o Código representa desde então a base institucional mais relevante para a proteção das florestas e demais formas de vegetação nativa brasileiras, da biodiversidade a elas associada, dos recursos hídricos que as protegem e dos serviços ambientais por elas prestados.

O processo de construção do aparato legal transcorreu com transparência e a decisiva participação da sociedade, em todas as suas instâncias. E nesse sentido, é importante destacar que o CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente já se constituia em excepcional fórum de decisão participativa, antecipando tendências que viriam a caracterizar a administração pública, no Brasil, e mais tarde em outros países. Graças a essa trajetória de responsabilidade ambiental, o Brasil adquiriu legitimidade para se tornar um dos participantes mais destacados nos foros internacionais sobre meio ambiente, além de hoje dispor de um patrimônio essencial para sua inserção competitiva no século XXI.

Para honrar e dar continuidade a essa trajetória de progresso, cabe agora aos líderes políticos desta nação dar o próximo passo. A fim de que o Código Florestal possa cumprir sua função de proteger os recursos naturais, é urgente instituir uma nova geração de políticas públicas. A política agrícola pode se beneficiar dos serviços oferecidos pelas florestas e alcançar patamares de qualidade, produtividade e competitividade ainda mais avançados.

Tal processo, no entanto, deve ser desenvolvido com responsabilidade, transparência e efetiva participação de todos os setores da sociedade, a fim de consolidar as conquistas obtidas. Foram muitos os êxitos e anos de trabalho de que se orgulham os brasileiros, e portanto tais progressos não devem estar expostos aos riscos de eventuais mudança abruptas, sem a necessária avaliação prévia e o conveniente debate. Por outro lado, não consideramos recomendável ou oportuno retirar do CONAMA quaisquer de suas competências regulatórias no momento em que o país é regido pelo principio da democracia participativa, consagrado na nossa Carta Magna.

Não vemos, portanto, na proposta de mudanças do Código Florestal aprovada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados em junho de 2010, nem nas versões posteriormente circuladas, coerência com nosso processo histórico, marcado por avanços na busca da consolidação do desenvolvimento sustentável. Ao contrário, se aprovada qualquer uma dessas versões, o país agirá na contramão de nossa história e em detrimento de nosso capital natural.

Não podemos, tampouco, ignorar o chamado que a comunidade científica brasileira dirigiu recentemente à Nação, assim como as sucessivas manifestações de empresários, representantes da agricultura familiar, da juventude e de tantos outros segmentos da sociedade. Foram suficientes as expectativas de enfraquecimento do Código Florestal para reavivar tendências preocupantes de retomada do desmatamento na Amazônia, conforme demonstram de forma inequívoca os dados recentemente divulgados pelo INPE.

Entendemos, Senhora Presidente e Senhores congressistas, que a história reservou ao nosso tempo e, sobretudo, àqueles que ocupam os mais importantes postos de liderança em nosso país, não só a preservação desse precioso legado de proteção ambiental, mas, sobretudo, a oportunidade de liderar um grande esforço coletivo para que o Brasil prossiga em seu caminho de nação que se desenvolve com justiça social e sustentabilidade ambiental.

O esforço global para enfrentar a crise climática precisa do ativo engajamento do Brasil. A decisão de assumir metas de redução da emissão dos gases de efeito estufa, anunciadas em Copenhagen, foi um desafio ousado e paradigmático que o Brasil aceitou. No próximo ano, sediaremos a Conferencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e o Brasil poderá continuar liderando pelo exemplo e inspirando os demais países a avançar com a urgência e a responsabilidade que a realidade nos impõe.

É por compreender a importância do papel na luta por um mundo melhor para todos e por carregar esta responsabilidade histórica que nos sentimos hoje na obrigação de dirigirmos a Vossa Excelência e ao Congresso Nacional nosso pedido de providências. Em conjunto com uma Política Nacional de Florestas, o Código deve ser atualizado para facilitar e viabilizar os necessários esforços de restauração e de uso das florestas, além que de sua conservação. É necessário apoiar a restauração, não dispensá-la. O Código pode e deve criar um arcabouço para os incentivos necessários para tanto. O próprio CONAMA poderia providenciar a oportunidade para que tais assuntos sejam incorporados com a devida participação dos estados, da sociedade civil e do mundo empresarial. De nossa parte, nos colocamos à disposição para contribuir a este processo e confiamos que sejam evitados quaisquer retrocessos nesta longa e desafiadora jornada.

Brasília, 23 de maio de 2011

Carlos Minc (2008-2010)

Marina Silva (2003-2008)

José Carlos Carvalho (2002-2003)

José Sarney Filho (1999-2002)

Gustavo Krause (1995-1999)

Henrique Brandão Cavalcanti (1994-1995)

Rubens Ricupero (1993-1994)

Fernando Coutinho Jorge (1992-1993)

José Goldemberg (1992)

Paulo Nogueira Neto (1973-1985)

(obs.: dica do twitter da Miriam Leitão)

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Código Florestal e o aumento do desmatamento

Publicado por Pax em 19/05/2011

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nega, mas há indícios que a votação das alterações do Código Florestal incentivou os desmatamentos com a expectativa de anistia implicada nas reformas patrocinadas pelos grandes ruralistas.

A velha prática do correntão voltou. São dois tratores puxando uma enorme corrente que derruba tudo que estiver pelo caminho, arrasando a floresta em poucos segundos.

Desmate cresce 27% na Amazônia; governo exime Código Florestal

JOÃO CARLOS MAGALHÃES – DE BRASÍLIA – Folha

O sistema de monitoramento por satélite Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), conseguiu detectar um aumento de aproximadamente 27% do desmatamento nos nove Estados da Amazônia Legal acumulado entre agosto do ano passado e abril, se comparado com o mesmo período anterior.

A área desmatada passou de 1.455 km2 para 1.848 km2.

Durante a divulgação dos dados nesta quarta-feira, Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, classificou a situação de preocupante e disse que o governo criou um gabinete de crise para lidar com o aumento, mas negou que ele tenha relação com a discussão sobre o Código Florestal.

Essa versão já vinha sendo adotada pelo próprio Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Proprietários estariam desmatando na expectativa de serem futuramente anistiados pelas reformas no código.

Agora, Teixeira afirma não ter elementos para chegar à mesma conclusão. Ela esperará o relato de fiscais e as explicações dos governos estaduais para entender as causas do aumento.

O que mais chamou a atenção, disse, é o crescimento “anormal” de 47% em Mato Grosso. (Continua na Folha…)

Mato Grosso lidera desmatamento na Amazônia Legal, segundo Inpe
18/05/2011 – Meio Ambiente – Roberta Lopes – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Mato Grosso foi o estado da Amazônia Legal onde ocorreu o maior desmatamento entre março e abril deste ano. Foram 480,93 quilômetros quadrados (km²) desmatados, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mede o desmatamento com base em imagens de satélites e dados do sistema Deter.

No total, o desmatamento atingiu 593 quilômetros quadrados nos estados do Acre, de Mato Grosso, do Maranhão, Pará, de Rondônia e Roraima. Nos outros três estados da Amazônia Legal (Amapá, Amazônia e Tocantins) não houve registro de desmatamento. Os dados foram divulgados hoje (18) pelo Ministério do Meio Ambiente.

Além disso, houve um aumento no desmatamento, entre agosto de 2010 a abril de 2011, de 27% na comparação com o mesmo período de 2009 e 2010.

Desmatamento em Mato Grosso foi atípico, diz ministra do Meio Ambiente

18/05/2011 – Meio Ambiente -Roberta Lopes -Repórter da Agência Brasil

Brasília – A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse hoje (18) que o desmatamento detectado em Mato Grosso (MT) foi atípico. Ela afirmou também que está tomando providências para saber o que motivou o aumento da área desmatada.

Segundo dados divulgados hoje, a área desmatada na Amazônia Legal atingiu 593 quilômetros quadrados (km²) no Acre, em Mato Grosso, no Maranhão, Pará, em Rondônia e Roraima. Além disso, houve aumento no desmatamento de 27% entre agosto de 2010 e abril de 2011 na comparação com o mesmo período anterior. O MT foi o estado que teve a maior área desmatada, com 480,93 quilômetros quadrados desmatados.

“Ainda não podemos citar quais as razões para esse pico de desmatamento”, disse a ministra. De acordo com ela, a Secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso informou que as s fazendas [onde houve o desmatamento] estão licenciadas e apresentam um perfil de desmatamento de áreas com mais de mil quilômetros quadrados, o que não acontece mais na Amazônia. “Hoje, estamos trabalhando com pequenas áreas.”

Conforme a ministra, no estado foi registrado uma redução de desmatamento em 62% dos municípios e 15% do desmatamento em novas áreas. Ela disse ainda que outro fator que chamou a atenção foi o uso de correntes puxadas por tratores para derrubar árvores, o que não era verificado há muito tempo. Izabella adiantou que o estado vai apresentar, na próxima semana, um relatório sobre as áreas desmatadas.

“O governo estadual informou que o aumento [do desmatamento] é resultado de autorizações com base na legislação. Fui informada de que houve aprovação de uma lei estadual de zoneamento econômico e ecológico, que não foi formalmente apresentada ao governo federal”, assinalou a ministra.

Izabella disse ainda que 500 homens estão em Mato Grosso fiscalizando as áreas desmatadas. Também foi criado um gabinete de crise, que está se reunindo toda semana para avaliar a situação do desmatamento nos estados. Fazem parte do gabinete os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Polícia Federal, entre outros órgãos.

A ministra disse ainda que quem tiver gado ou platação em área desmatada vai ter o animal ou o produto apreendido e doado ao Programa Fome Zero. “Quem estiver desmatado para abrir pasto, vai ter o boi apreendido e doado ao Fome Zero. Quem tiver plantado em área desmatada, vai ter o produto doado para o Programa Fome Zero.”

Já o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que será feito um histórico das áreas que estão sendo embargadas. A ideia, acrescentou, ele é documentar tudo o ocorreu nelas ao longo do tempo. Ele afirmou ainda que os fiscais que estão em campo serão informados em tempo real com imagens de satélite. No próximo ano, segundo ele, deverá ser lançado um satélite mais eficiente para monitorar as áreas desmatadas.

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Sarney nosso de cada dia

Publicado por Pax em 18/05/2011

O ex-presidente da República, atual presidente do Senado, José Sarney, é incansável em cometer deslizes. Notícia de hoje no jornal Estadão aponta que o transgressor Sarney nomeou o filho de seu afilhado político, outro contumaz transgressor, Gilvam Borges, para um cargo “mesada”, desses que ninguém trabalha mas recebe todo mês no Senado Federal.

Nepotismo e Sarney provavelmente se tornarão sinônimos nos modernos dicionários da língua portuguesa com regionalismo brasileiro.

Triste um país que precise deste tipo de apoio para governar.

José Sarney e Renan Calheiros são dois nomes que incomodam até a malta.

Miguel Gil Pinheiro Borges, o filhote de Gilvam, ficará sem seu mimo mensal graças à atuação do Estadão, que questionou o ato de nomeação.

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Aula de Amanda Gurgel

Publicado por Pax em 17/05/2011

Desnecessário qualquer complemento ao depoimento acima.

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Palocci com fritas

Publicado por Pax em 17/05/2011

O ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, entrou em processo de fritura. O jornal Folha de São Paulo publicou no domingo notícia que o patrimônio do ministro multiplicou por vinte nos últimos quatro anos.

Palocci multiplicou por 20 patrimônio em quatro anos

Chefe da Casa Civil comprou apartamento de R$ 6,6 milhões antes de assumir. Imóvel foi registrado em nome de empresa que ministro criou para dar consultoria quando era deputado federal

O Palácio do Planalto montou operação para blindar o ministro. O PMDB, guloso, entrou no jogo da proteção do Palocci com olhos em novos cargos na administração federal.

E há uma parcela do PT que comemora a crise. A turma que não consegue lugar no úbere lotado da viúva, que é farta, mas limitada.

Atualização: em O Globo – Assessoria de Palocci encaminha esclarecimentos a líderes partidários e cita casos similares

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Operação Saúde

Publicado por Pax em 16/05/2011

Operação da PF investiga desvio de recursos para a compra de medicamentos em sete estados

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Polícia Federal, com a colaboração da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou hoje (16) a Operação Saúde. Serão cumpridos 64 mandados de prisão temporária em sete estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

As investigações tratam de fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e formação de quadrilha. De acordo com a PF, os suspeitos atuavam no desvio de verbas públicas federais destinadas à compra de medicamentos, material hospitalar e outros insumos da área de saúde por prefeituras municipais. Os remédios seriam distribuídos entre a população carente.

A operação mobiliza, ao todo, 282 policiais federais e 18 auditores da CGU. Serão cumpridos ainda 70 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal de Erechim (RS). As buscas foram feitas em dez sedes de empresas e seis prefeituras do Rio Grande do Sul, Pará e Mato Grosso. Os presos incluem sócios e representantes de empresas, além de servidores municipais.

A CGU informou que as apurações, iniciadas em 2009, apontaram a atuação de três grupos criminosos sediados na cidade gaúcha de Barão do Cotegipe e com atuação em estados próximos.

As empreses envolvidas no esquema venciam as licitações oferecendo preços muito baixos preferencialmente em pregões presenciais de municípios de pequeno ou médio porte. Em muitos casos, a licitação já estava direcionada para as empresas envolvidas no esquema.

Em relação à entrega dos medicamentos e demais insumos, foi constatada que a quantidade entregue era frequentemente menor que a constante da nota fiscal e que os medicamentos eram entregues em data próxima à da expiração da validade.

Ainda de acordo com a CGU, foi verificada “de forma recorrente” a inexistência de controles de estoque nas farmácias das prefeituras municipais envolvidas. Fiscalizações realizadas em 2009 e 2010 em 22 municípios dos sete estados citados confirmaram a ocorrência das irregularidades que levaram a prejuízos de, pelo menos, R$ 3 milhões.

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Aldo Rebelo vs Marina Silva

Publicado por Pax em 12/05/2011

Aldo Rebelo confessa que age à margem da lei e é ovacionado pelos pares ruralistas no Congresso. Daqui tiram-se duas conclusões:

1 – A inteligência de Aldo Rebelo não é lá das maiores. O deputado declara em público as falcatruas nas quais participa.

2 – A turma que apóia as alterações do Código Florestal promovidas pela bancada ruralista é avessa a questões como coerência, decência etc.

Assista o vídeo onde o Aldo Rebelo confessa sua participação no abafamento do suposto caso de fraude no IBAMA pelo marido de Marina Silva, aqui.

Bate-boca marca tentativa de votação do Código Florestal - site G1

Marina Silva criticou texto do relator, que, depois, acusou o marido dela. Ex-coordenador da campanha de Marina revidou: ‘Canalha, traidor!’

Uma suspeita de suposta fraude no texto final do novo Código Florestal, apresentado pelo relator Aldo Rebelo (PC do B-SP), provocou uma troca de insultos durante a sessão desta quarta-feira (11) que tentava votar a mudança na legislação ambiental - a votação acabou adiada.

A confusão começou quando o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), disse na tribuna que o texto final apresentado por Aldo Rebelo havia sido alterado com relação ao que foi acordado em reunião de líderes às 21h.

Em seguida, a ex-senadora do PV Marina Silva postou no microblog Twitter: “Estou no plenário da Câmara. Aldo Rebelo apresentou um novo texto, com novas pegadinhas, minutos antes da votação. Como pode ser votado?!”

Aldo Rebelo, então, pediu a palavra e disse: “A fala infeliz do deputado Paulo Teixeira (de que Aldo havia alterado o texto em relação ao acordo) deu razão para a ex-senadora Marina Silva, que postou em seu Twitter que eu fraudei o texto. Quem fraudou, quem contrabandeou madeira, foi o marido da senadora.”

Rebelo se referia a reportagens publicadas no ano passado sobre o suposto envolvimento do marido de Marina, Fábio Lima, em fraudes no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) então, gritou para Aldo Rebelo: “Canalha, traidor!” Sirkis coordenou a campanha à Presidência de Marina Silva em 2010. (continua no G1 …)

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Procurador liga Lula ao mensalão

Publicado por Pax em 09/05/2011

Segundo Manoel Pestana, procurador da República no RS, o envio de mais de 10 milhões de cartas para aposentados do INSS fez com que o BMG, o principal banco por onde circulou o dinheiro do mensalão do PT, lucrasse mais que a Caixa Econômica Federal naquele período.

As cartas eram assinadas por Lula.

Manoel Pestana enviou representação para o procurador geral da República, Roberto Gurgel, pedindo a responsabilização criminal do ex-presidente pela existência do mensalão.

Leia no site Congresso em Foco:

Procurador gaúcho responsabiliza Lula por mensalão

No último dia 17 de abril, o procurador da República Manoel Pastana encaminhou ao procurador geral da República representação em que responsabiliza o ex-presidente pela existência do mensalão

Rudolfo Lago

Ao fazer a investigação e elaborar a peça acusatória que baseia a ação penal sobre o mensalão, que tramita no Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República livrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de responsabilidade sobre os fatos que marcaram o seu primeiro mandato. O procurador da República no Rio Grande do Sul Manoel Pastana, no entanto, agora quer modificar essa situação. No dia 17 de abril, ele encaminhou ao procurador geral da República, Roberto Gurgel, uma representação em que pede a responsabilização criminal de Lula pela existência do mensalão. O Congresso em Foco teve acesso exclusivo à representação.

Para Pastana, há provas da responsabilidade do ex-presidente na montagem do esquema de captação e distribuição de recursos para aliados que ficou conhecido como mensalão. A assessoria de Lula foi procurada, mas não prestou nenhum esclarecimento à reportagem do Congresso em Foco.

As provas, segundo Pastana, vêm de um conjunto de acontecimentos e atos do governo Lula iniciados em setembro de 2003, que se estenderam até setembro de 2004. Nesse período, o governo criou as condições para o BMG – banco por onde circulou o dinheiro do mensalão, pelas contas do publicitário Marcos Valério de Souza – administrar crédito consignado para aposentados da Previdência, faturando R$ 3 bilhões. (continua no Congresso em Foco…)

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Dirceu, Genoino e Delúbio: falência da oposição

Publicado por Pax em 09/05/2011

A oposição ruiu. Acabou. Faliu. Colapsou. De tão ruim que é. Não há qualquer proposta ou propósito em suas trincheiras. Muito ao contrário, o que vê é um caminho cada vez maior em direção ao suicídio coletivo.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) acredita que há uma possibilidade do partido representar o eleitorado liberal, de perfil conservador. Difícil situação deste eleitorado com este partido que mais parece com as torres gêmeas em seus momentos finais, desmoronando sobre as ruas de Manhattan.

O PDSB gastou suas lideranças. Serra, Alckmin e, o agora desabilitado, Aécio não parecem ter mínimas condições de unificar o partido e muito menos dar um rumo ideológico que agrade o eleitorado que Demóstenes do DEM quer.

O resultado? Delúbio volta aos holofotes sob aplausos, Genoino é condecorado com medalhas e Dirceu não sai do noticiário, agora com nova denúncia de tráfico de influência. Segundo notícia da Veja, José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado disseram à revista, na edição desta semana, que Dirceu foi contratado para aproximar o presidente do Conselho de Administração da empresa Delta Construções, Fernando Cavendish, de pessoas influentes do PT.

A frase que se destaca nesta notícia, supostamente dita por Dirceu, é:

“Com alguns milhões, seria possível comprar um senador”

José Dirceu, segundo notícia de O Globo, promete ir à Justiça. É bom mesmo que vá com muita gana. Em nome do próprio PT e das instituições democráticas. Este blog acompanhará amiúde a reação do grão-duque petista.

A oposição (PSDB, DEM e PPS) deverá chamar o empresário Fernando Cavendish para depor no Senado. Precisa passar por cima de José Sarney, o todo poderoso presidente da casa à serviço da proteção do Executivo, sabe-se lá a que custo.

ps.: Ana de Hollanda poderia devolver as tais diárias para não aumentar o problema de Dilma com a credibilidade de sua equipe.

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Corrupção e desenvolvimento

Publicado por Pax em 02/05/2011

Artigo de Renato Janine Ribeiro no Valor Econômico coloca em xeque a afirmação que nos países mais liberais a corrupção é menor. Vale o debate.

A corrupção e o desenvolvimento – Valor Econômico – 02/05/2011

Começo a colaboração nesta página sentindo-me honrado e, também, ansioso por contribuir para um debate respeitoso entre posições que podem ser divergentes. Sem divergência, é difícil haver debate; sem respeito, é impossível. Proponho hoje uma questão que sei candente, a da corrupção. Cresci, acreditando que corrupção e subdesenvolvimento andavam juntos. Alguns achavam que o Brasil era subdesenvolvido, porque corrupto; sem chegar a tanto, eu considerava nosso país corrupto, porque subdesenvolvido. Mas será mesmo assim?

Porque, mundo afora, se vê que também os países mais ricos e desenvolvidos mostram bastante corrupção. Nem eu, nem nenhuma entidade que estude a corrupção, temos dados consistentes sobre sua dimensão real. Mesmo o indicador mais utilizado, o da Transparência Internacional, fala em percepção da corrupção. É possível que a corrupção maior passe despercebida. Talvez nunca venhamos a saber dela. Quando o portal do Governo revelou os gastos com cartões corporativos, mesmo os que causaram maior indignação eram de pequena monta; certamente, grandes corruptos não deixam pistas. Mas, de todo modo, o que se lê sobre as nações mais desenvolvidas, com a exceção dos países escandinavos, aponta escândalos espantosos. Não falemos apenas na Itália de Berlusconi, na França de Chirac, nas acusações a ex-primeiros-ministros espanhóis ou na crise holandesa de 1976, quando se soube que o marido da rainha recebera suborno da Lockheed. Concentremo-nos na invasão norte-americana do Iraque e nos contratos que ela proporcionou.

Em 2003, eu lecionava na Universidade de Maryland. No seu campus de College Park, vi um debate sobre a invasão iminente. Um seu defensor explicou que ela nada custaria aos contribuintes, porque seria paga com o petróleo iraquiano. Nunca antes eu tinha visto um ladrão ser tão explícito. Mas a verdade é que não apenas o ouro negro do Iraque foi entregue a quem os invasores quiseram, como também o orçamento dos Estados Unidos foi sangrado a fundo. Contudo, as denúncias de benefícios a empresas vinculadas ao então vice-presidente norte-americano não levaram a nenhum inquérito mais exigente. Comparando, o fato de estarem hoje indiciados Chirac, na França, e entre nós os suspeitos pelo mensalão do PT, é um diferencial significativo, embora muitos creiam que nada disso resultará em condenações.

Ou pensemos historicamente. Uma das fases de maior desenvolvimento econômico dos Estados Unidos, o final do século XIX, é também o apogeu dos “robber barons”, barões ladrões, alcunha dada a industriais e financistas que não tinham escrúpulos no trato dos empregados, fornecedores, concorrentes e na sonegação tributária. Suas práticas indecentes não impediram o país de crescer economicamente.

Considero muito bom que, em nossos dias, movimentos militem por um ambiente de negócios marcado pela honestidade. Ter garantias éticas é essencial – sustenta André Franco Montoro Filho num bem argumentado artigo do livro “A cultura das transgressões”, editado pela ETCO – para que o capitalismo funcione. Torço para que ele tenha razão. Mas penso que essa é uma forma apenas de capitalismo, que não funcionou em todas as épocas nem em todos os lugares. Certamente, é o preferível para a sociedade como um todo; deve melhorar a vida dos funcionários, dos concorrentes, sobretudo os pequenos empresários, e o papel do Estado. Mas não significa que seja essa, necessariamente, a tendência dominante do capitalismo.

Quer isso dizer que devamos nos resignar à corrupção? De forma alguma. Porém, primeiro, não devemos confundir sua percepção com sua realidade. Hoje, a boa notícia é que se denuncia mais a corrupção do que sob a ditadura. Mas isso não quer dizer que o regime de exceção fosse mais honesto – apenas, que era mais difícil descobrir e relatar o mau uso do dinheiro público. A sociedade está mais exigente. É preciso que tanto os órgãos da Justiça quanto a imprensa aperfeiçoem seus meios de identificar e denunciar os atos de corrupção. Mas também há um segundo aspecto que devemos apontar.

É frequente ouvir-se, hoje, que ser ético agrega valor. Em certos casos, é verdade. A empresa que promove um recall, o governante que corrige uma política, o jornalista que reconhece um erro podem sofrer um impacto negativo em sua imagem a curto prazo, mas depois disso conseguem maior confiança de seu respectivo público. Perdem no varejo, ganham no atacado. Nosso tempo valoriza essas condutas, e isso é bom. Só que políticos, empresas e jornais também lucram com práticas, digamos, menos ortodoxas. Dos exemplos de boas práticas, não podemos inferir que sempre a ética é bom negócio. Porque nem sempre é. E, sobretudo, não deve ser negócio.

Não há ética sem o risco do prejuízo e do fracasso. Quando pregamos que a ética é vantajosa ou mesmo rentável, esquecemos que muitas vezes ela não o é. “Hoje, para ser ético, às vezes é preciso ser herói”, diz um personagem no romance “A casa da Rússia”, de John LeCarré. Nem todos nós teremos estofo ou disposição para o heroísmo. Mas devemos reconhecer que as razões para combater a corrupção e assegurar a lisura na política, na economia e na sociedade são, afinal de contas, éticas mesmo. Combater a corrupção para melhorar o ambiente econômico é muito bom, mas não basta. Prometer a jovens – empresários, políticos ou jornalistas – um mundo ao mesmo tempo lucrativo e decente é correr o risco de não fortalecer sua fibra moral. Quando tiverem de escolher, saberão fazê-lo? Terão a coragem necessária para enfrentar o prejuízo que a decência, por vezes, exige?

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

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