Há um dito absurdo, truculento e desprezível que é: “Bandido bom é bandido morto”. Coisa de ditadura onde julgamento sumário é permitido e direito só existe para quem está do lado do ditador.
O Congresso, ontem, aprimorou este dito para um novo formato brasileiro: “Bandido malandro vai mesmo é para o Congresso”.
Ao menos parece ser esta a mensagem de 265 deputados que votaram contra a cassação de Jaqueline Roriz.
O motivo dessa lista de centenas de deputados ficar ao lado desta representante do feudo Roriz que se apoderou do Distrito Federal é mais que óbvio, se Jaqueline fosse cassada a sociedade brasileira poderia se entusiasmar e exigir que o Congresso promovesse uma limpeza da bandidagem instalada em seus quadros e protegida em fórum privilegiado.
Fica para outra. Como diz o jornalista Fernando Rodrigues, “liberou geral“.
Absolvida pela Câmara, Jaqueline Roriz ainda enfrenta processo na Justiça
Procurador-geral da República apresentou denúncia contra deputada flagrada em vídeo
Gustavo Gantois, do R7, em Brasília
A Câmara dos Deputados decidiu, na terça-feira (30), manter o mandato da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada em um vídeo recebendo dinheiro do pivô do escândalo do mensalão do DEM. Isso, porém, não interrompe o processo a que a parlamentar responde no STF (Supremo Tribunal Federal).
Na última sexta-feira (26), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentou à Suprema Corte denúncia criminal contra a deputada. O caso será analisado pelo ministro Joaquim Barbosa.
Absolvida por 265 votos dos colegas, Jaqueline Roriz demonstrou tranquilidade durante todo o processo em que esteve ameaçada de cassação. Ao chegar ao Congresso Nacional, na tarde de ontem, não fez questão sequer de alterar a rotina: desembarcou de seu Porsche Cayenne, avaliado em mais de R$ 300 mil, e entrou tranquilamente no prédio por um acesso reservado.
Dentro do plenário da Câmara, também não foi preciso montar qualquer operação para salvar o mandato da deputada federal de primeira viagem, mas que carrega no sobrenome uma das marcas mais tradicionais da política da capital federal.
As rodas de deputados davam como certa, desde cedo, sua absolvição. A possibilidade de Jaqueline Roriz ser cassada por conta do vídeo em que aparece recebendo dinheiro ilícito, em 2006, era como um atestado de que outros parlamentares poderiam enfrentar o Conselho de Ética por possíveis desvios cometidos no passado. (continua no portal R7…)