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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Posts de novembro \24\UTC 2011

Controlar S.A.: suspeitas de fraude ameaçam Kassab

Publicado por Pax em 24/11/2011

O Ministério Público Estadual de São Paulo pediu o afastamento de Gilberto Kassab da prefeitura. Acusa de fraudes a contratação da empresa Consórcio Controlar no processo licitatório para o Programa de Inspeção Veicular na Cidade de São Paulo.

MP entra com ação contra Kassab por fraude na inspeção veicular de SP – G1

Promotoria pediu afastamento de prefeito do cargo e sequestro dos bens dele.
Prefeitura diz que contratação da Controlar seguiu rigorosamente a legislação.

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação de responsabilidade civil contra o prefeito Gilberto Kassab (PSD) por suposto ato de improbidade administrativa, na tarde desta quinta-feira (24). Na ação, o MP pleiteia o “ressarcimento de danos ao erário público e ao particular”, a suspensão do contrato com a Controlar, concessionária que realiza a inspeção veicular na capital, o sequestro de bens do prefeito e outros envolvidos como garantia da reparação dos danos causados e o afastamento dele do cargo.

Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, outros 13 empresários e seis empresas, entre elas a Controlar, também são citados como acusados na ação movida pelo MP. O alvo do pedido é justamente o processo licitatório que culminou na contratação da Controlar, que, para o Ministério Público, foi constituído “de forma irregular, através de fraudes e simulações que atentam contra o edital e o contrato, que nunca foi cumprido”.

Na interpretação dos promotores Roberto Antonio de Almeida Costa e Marcelo Duarte Daneluzzi, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, que assinam a ação, “as exigências do edital e do próprio contrato foram relevadas pelos agentes públicos, em benefício da empresa Controlar S.A., seus gestores e acionistas, com a quebra dos princípios da vinculação ao edital, da impessoalidade, da isonomia”.

A ação pede o afastamento porque, no entendimento dos promotores, “os processos administrativos demonstram ingerência do prefeito na autonomia da Procuradoria Geral do Município, bem como em virtude da resistência em atender as recomendações do Tribunal de Contas que, nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, apontou irregularidades no negócio.”

O prejuízo com a suposta fraude na licitação para a Prefeitura e proprietários de automóveis da capital superaria o valor de R$ 1 bilhão, segundo o MP. Por isso, ação pede a interrupção da inspeção veicular na cidade, a devolução das multas, além de indenização por danos morais. A ação foi distribuída à 31ª Vara da Fazenda Pública da capital.

Por meio de nota, a assessoria da Prefeitura informou que “não foi comunicada pelo Poder Judiciário”. O comunicado ressalta que “a contratação do Consórcio Controlar, responsável pelo Programa de Inspeção Veicular na Cidade de São Paulo, seguiu rigorosamente a legislação em vigor com total transparência”. (continua no G1…)

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A punição da Chevron

Publicado por Pax em 23/11/2011

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, afirma que a Chevron terá apuração e punição rigorosas para o vazamento de óleo na Bacia de Campos.

Ok, nada mais apropriado.

Resta saber quais serão as punições para a ANP – Agência Nacional do Petróleo – e IBAMA que não fiscalizaram corretamente a Chevron.

Temos um mundo de exploração de petróleo em águas profundas à frente. Se nossos órgãos regulatórios não funcionarem com alta competência só nos resta esperar por mais desastres ambientais no mar brasileiro.

Secretário-geral da Presidência promete punição rigorosa dos responsáveis pelo vazamento de óleo no poço da Chevron

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse hoje (23) que não faltará rigor na apuração das causas do vazamento de óleo em um poço do Campo de Frade, na Bacia de Campos, operado pela petroleira norte-americana Chevron, e também, na punição dos responsáveis.

“Não vamos brincar com essa questão. Está em jogo todo nosso futuro em termos do pré-sal e nosso cuidado ambiental é muito grande. Portanto, não faltará rigor”, disse ele ao deixar a cerimônia de entrega do Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar, em Brasília.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou, na segunda-feira (21), multa R$ 50 milhões à Chevron. No mesmo dia, o presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, declarou que a subsidiária brasileira da Chevron foi negligente e omitiu informações ao governo federal sobre o vazamento de petróleo. A ANP abriu dois processos contra a empresa para apurar as irregularidades.

Atualização

ANP suspende operações da Chevron em território nacional

Da Agência Brasil

Brasília – A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou hoje (23) a suspensão das atividades de perfuração da Chevron no Campo de Frade, “até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança na área”

Segundo nota da ANP, a deliberação suspende toda atividade de perfuração da Chevron do Brasil no território nacional.

A agência também rejeitou pedido da concessionária para perfurar novo poço no Campo de Frade com o objetivo de atingir o pré-sal. A ANP entende que “a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade”.

Ainda segundo a ANP, a decisão “se baseou nas análises e observações técnicas da agência, que evidenciam negligência, por parte da concessionária na apuração de dado fundamental para a perfuração de poços e na elaboração e execução de cronograma de abandono, além de falta de maior atenção às melhores práticas da indústria”.

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O buraco mais abaixo do metrô paulista

Publicado por Pax em 19/11/2011

A Justiça paulista afastou o presidente do Metrô. Há indícios que houve acordos irregulares na licitação da linha 5, uma obra de R$ 4 bilhões.

Justiça determina afastamento do presidente do Metrô de SP

ALENCAR IZIDORO – JOSÉ BENEDITO DA SILVA – FOLHA DE SÃO PAULO

A Justiça de São Paulo determinou nesta sexta-feira o afastamento do cargo do presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, e a suspensão dos contratos de prolongamento da linha 5-lilás –de Adolfo Pinheiro até a Chácara Klabin– por suspeita de fraude na concorrência da obra, de R$ 4 bilhões.

A decisão, da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, de caráter provisório, vale até o final da ação, movida por quatro promotores do Ministério Público paulista.

A investigação é decorrente de reportagem publicada pela Folha em outubro de 2010 revelando que os vencedores dos oito lotes estavam definidos havia seis meses.

Segundo os promotores, Avelleda deve ser responsabilizado por ter levado adiante a concorrência apesar das evidências de que havia ilegalidades no processo.

Para o Ministério Público, além de não suspender os contratos e não investigar a suspeita de fraude, Avelleda usou o “artifício insidioso” de tentar desqualificar documento com firma reconhecida, do jornalista Ricardo Feltrin, da Folha, em cartório antecipando os vencedores.

Laudo pedido pela Promotoria, além de depoimento do funcionário do cartório onde o documento foi registrado, atestaram a sua integridade.

O governo utilizou um laudo do Instituto de Criminalística, órgão ligado à Polícia Civil paulista, para afirmar que o documento não era prova irrefutável de que era possível antecipar os vencedores. (continua na Folha…)

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Agência Brasil e a corrupção

Publicado por Pax em 18/11/2011

Coluna da Ouvidoria – Uma novela chamada corrupção

18/11/2011 – 12h48 – Coluna do Ouvidor – Agência Brasil

Brasília – A leitora Luciana Rocha escreveu para a Ouvidoria pedindo que a Agência Brasil desse tanto destaque às denúncias de corrupção na Assembleia Legislativa de São Paulo quanto às do Ministério do Esporte: “Eu não vi, nos destaques das notícias, a cobertura do escândalo de corrupção por venda de emendas parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo. Por favor, vocês não podem ‘sentar em cima do caso’ e não dar o mesmo destaque que estão dando para as denúncias de corrupção que envolvem o Ministério do Esporte!

Nós aqui em São Paulo somos completamente órfãos de uma mídia de qualidade; somos manipulados pela mídia convencional de forma que nunca ficamos sabendo das imundícies e irregularidades que acontecem no estado. Vocês não podem omitir isso do público também, por favor!

Quero ver os escândalos de corrupção no Estado de São Paulo sendo escancarados. O público brasileiro merece saber que aqui também tem corrupção. A política do Estado de São Paulo também precisa de transparência, de divulgação,”, escreveu ela.

A Agência Brasil respondeu: “Como a própria a Alesp não acolheu as denúncias e não instalou uma CPI, não havia fato novo que justificasse a continuidade da cobertura. Estamos atentos ao assunto e, assim que houver fatos novos, retomaremos a pauta.”

O caso do ministro, a que a leitora se refere, resultou em sua renúncia e o assunto sumiu das páginas da ABr à exemplo do que aconteceu depois da renúncia de outros ministros desde o começo do atual governo.

Ao apagar o assunto de sua pauta a mídia passa para o cidadão a falsa idéia de que a corrupção foi extirpada. É como se houvesse um efeito mágico – elimina-se do poder o suposto corrupto e com isso a corrupção desaparece. Até que na semana seguinte surgem novas denúncias contra outros personagens – é apenas mais um capítulo da novela.

Em seu nascimento, o jornalismo brasileiro esteve muito ligado à literatura. Jornalistas eram escritores e vice-versa. Mas de uns tempos para cá o jornalismo parece se aproximar muito mais de autores de novelas, principalmente quando o assunto é corrupção.
Assim, de escândalo em escândalo, talvez a mídia esteja contribuindo justamente para a banalização das denúncias.

A forma como são cobertos os casos de corrupção acabam levando à indiferença do público em relação a eles. Se juntarmos essa indiferença com a morosidade judiciária, a falta de transparência e a impunidade teremos certamente um caldo de cultura riquíssimo para a proliferação da corrupção. Pelo menos é isso que algumas recentes pesquisas demonstram.

Na página eletrônica mantida pela Controladoria-Geral da União – CGU (*), há uma biblioteca virtual de livre acesso, cujo objetivo é divulgar pesquisas e informações sobre corrupção, bem como disponibilizar dados sobre auditoria, fiscalização e ouvidoria. Todo o conteúdo é de domínio público ou obteve prévia autorização dos proprietários dos direitos autorais.

É uma fonte na qual todo jornalista que se dedica ao assunto deveria beber.

A Agência Brasil cobriu os fatos ocorridos na Assembleia Legislativa de São Paulo publicando cinco matérias entre os dias 06 e 27 de outubro, mas nenhuma delas teve o destaque pretendido pela leitora.

As matérias narram um caminho melancólico para as denúncias no qual interesses coorporativos dos parlamentares foram mais uma vez colocados acima do interesse público, conforme descrito na notícia: “Conselho de Ética da Alesp rejeita requerimentos para ouvir secretários sobre denúncia de venda de emendas …” Incapacitado de apurar seus próprios desvios e desmandos o Poder Legislativo estadual e os paulistas ficarão agora aguardando a investigação por parte do Ministério Público. Talvez o assunto não tenha merecido destaque por parte da ABr justamente pelo tipo de desfecho que ensejou.

Mas se no episódio a ABr não conseguiu ir além do factual declarado pelos envolvidos, uma notícia publicada no dia 04 de outubro trouxe para os leitores os resultados de uma pesquisa que explicaria antecipadamente os acontecimentos que sucederiam.

A matéria “Pesquisa aponta falhas em órgãos de controle externo e comissões parlamentares de investigação …” traz explicações do pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Bruno Speck, que coordenou um estudo realizado em parceria com o Instituto Ethos no qual procurou-se analisar as razões que levam Tribunais de Contas, assembleias legislativas e comissões parlamentares de inquérito, entre outros, a não funcionarem a contento no país.

Esse jornalismo que vai a busca das causas, das origens e dos mecanismos que facilitam a corrupção contribui decisivamente para a formação da consciência crítica do leitor a respeito do assunto.

Há algo mais pavoroso na corrupção que passa praticamente despercebido no que tange à mortandade provocada pelo assalto aos cofres públicos. Uma das possíveis abordagens seria demonstrar como o dinheiro desviado poderia mudar a realidade se aplicado na saúde, na segurança ou mesmo na educação.

Para fugir do óbvio é necessário um trabalho profundo de investigação, apuração e pesquisa. É preciso cruzar informações, checá-las à luz de fatos não tão óbvios quanto reportar um contrato com uma Ong inexistente. É preciso acompanhar os processos históricos em curso e a execução de políticas públicas com base em critérios que meçam eficácia, eficiência e transparência e contrapor tudo isso com as receitas, as despesas, as metas e os investimentos, conforme a responsabilidade de cada ator envolvido na execução, regulação e fiscalização das políticas públicas.

Essa deveria ser a contribuição do jornalismo para que cumprisse sua função social de debater as grandes questões nacionais. No entanto a atração pela fofoca de bastidores parece ser o caminho mais comum, mais fácil para se obter uma notícia, para impactar a vida do cidadão de maneira mágica, sem maiores explicações sobre o contexto em que esses fatos ocorrem. Explicar porque tais fatos aconteceram e que fatores os determinaram, é muito mais complicado.

Em um dos estudos disponibilizados na biblioteca virtual da CGU sob o título “Relatório corrupção: custos econômicos e propostas de combate” (**), o cidadão encontra uma analise detalhada das razões e das formas de corrupção e como elas influenciam o desenvolvimento do país, inclusive quanto à eficácia das políticas públicas relativas à educação e à saúde. Nele, os pesquisadores trabalham com os índices de percepção da corrupção, ou seja, o grau de consciência e o conhecimento que o povo de uma nação tem dos esquemas e dos meandros da corrupção. É aí que entra a mídia fazendo o papel de dotar o cidadão da informação necessária para que ele descubra, investigue, denuncie e fiscalize os mecanismos de corrupção, corruptores e corruptos.

O documento mapeia esses mecanismos, os classifica e fornece dicas importantes para que a percepção da corrupção se alastre como uma vacina por toda a sociedade. Ele se constitui em um roteiro para os jornalistas montarem pautas consistentes e acompanharem o processo histórico da corrupção, explicando os fatos cotidianos por meio de suas causas estruturais, culturais e políticas.
Uma das conclusões apontadas está diretamente relacionada aos índices de percepção da corrupção e sua correlação com os índices de desenvolvimento comparado entre nações.

O estudo demonstra claramente que quanto mais consciência o cidadão tem a respeito dos fatores que levam a corrupção menores são os danos causados por esses fatores à qualidade de vida do cidadão e à eficácia da ação do estado. Ou seja, cidadãos mais conscientes diminuem o espaço de manobra para os corruptos praticarem seu esporte predileto: desviar recursos públicos.

A transparência é o melhor antídoto contra a corrupção – muitas mortes poderão ser evitadas se o jornalismo cumprir seu papel de investigar, apurar, pesquisar e informar sobre os caminhos obscuros onde se abrigam corruptos e corruptores.
Até a próxima semana.

(*) – disponível em: https://bvc.cgu.gov.br/home.jsp
(**) – disponível em: https://bvc.cgu.gov.br/handle/123456789/3113

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Reforma ministerial

Publicado por Pax em 17/11/2011

Hora da reforma ministerial. Já há uma lista realizada e outra a realizar. Uma eventual redução do número de ministérios seria de bom tom. E uma próxima nomeação “ficha limpa” ainda mais importante. Há três anos de governo pela frente, uma crise internacional que chegará às portas cedo ou tarde e um país de dimensões e necessidades continentais para ser conduzido. A pauta deve ser outra.

Abaixo a lista dos ministros já trocados.

Antonio Palocci – Casa Civil
Luiz Sérgio – Relações Institucionais
Alfredo Nascimento – Transportes
Nelson Jobim – Defesa
Wagner Rossi – Agricultura
Pedro Novais – Turismo
Orlando Silva – Esporte

Carlos Lupi poderia fazer o favor de não travar a pauta. Governabilidade não pode exigir que Dilma se torne refém de um time de baixa qualidade montado exclusivamente por questões políticas de baixo interesse nacional.

Hora de virar o jogo. Os partidos da base aliada é que devem ficar às cordas, não o governo.

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Ficha Limpa constitucional

Publicado por Pax em 11/11/2011

O projeto de lei Ficha Limpa deu mais um passo no STF, mas estabeleceu um novo impasse. O Ministro Luiz Fux, relator das ações que tratam da legalidade da lei, defendeu que os políticos que renunciarem antes da abertura de processos de cassação não poderiam se tornar inelegíveis. Afirma que este seria um entrave para a vigência da nova lei.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante alertou que este mecanismo poderá esvaziar a força do Ficha Limpa” “A prevalecer o entendimento do ministro Fux, os políticos voltam a poder renunciar, na véspera da reunião do Conselho de Ética, para não serem cassados, ficando plenamente elegíveis para a eleição imediatamente seguinte. Ou seja, nada muda.”

O ministro Luiz Fux prometeu refletir e, se necessário, mudar sua posição sobre a questão.

É cedo para se comemorar, mas o desejo popular de um mecanismo legal para evitar que maus políticos concorram em eleições está cada vez mais próximo de ser estabelecido. E já valerá para 2012.

Ministro do STF diz que pode mudar voto sobre Lei da Ficha Limpa

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator das ações que tratam da legalidade da Lei da Ficha Limpa, pode mudar seu voto sobre a questão da renúncia de políticos para escapar de processo de cassação. Ele disse hoje (10) que vai reanalisar a matéria, já que o julgamento ainda não acabou. Caso entenda que sua proposta abre brechas para impunidade, pretende modificar o voto.

Fux defendeu ontem (9), em seu voto, que a Lei da Ficha Limpa deveria ser alterada para que a renúncia só pudesse tornar o parlamentar inelegível se já houvesse processo de cassação aberto contra ele. Atualmente, a Lei da Ficha Limpa diz que o político já fica inelegível se renunciar quando houver uma representação para abertura do processo que pode levar a cassação.

“Vamos refletir e recolocar, porque o julgamento não acabou”, ressaltou Fux, ao sair hoje do STF. “E se nós entendermos que de alguma maneira essa proposição abre alguma brecha que tira a higidez desse item da Lei da Ficha Limpa, vamos fazer uma retificação.”

O ministro disse ainda que seu voto tinha o objetivo de manter todas as restrições da Lei da Ficha Limpa. Para ele, não lhe parecia razoável que a renúncia a partir de uma simples petição pudesse tornar alguém inelegível. “Posso mudar. Você sempre reflete sobre a repercussão da decisão. Então, até o termino do julgamento, a lei permite que o próprio relator possa pedir vista e mudar o seu voto. É uma reflexão jurídica e fática.”

O voto de Fux provocou reações de entidades que entenderam que se criou uma brecha para impunidade. De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o voto de Fux contém uma “excrecência”. “A se manter esse ponto do voto do ministro Fux, ficarão elegíveis todos os políticos que já renunciaram antes da abertura do processo pelo Conselho de Ética para escapar de cassações” assinalou o presidente da entidade, Ophir Cavalcante.

Os primeiros dois casos analisados no STF sobre a Lei da Ficha Limpa – os registros de Joaquim Roriz e de Jader Barbalho – dizem respeito ao item que trata da renúncia. Jader entregou o mandato de senador, em 2001, em meio a denúncias de desvio de verbas no Banpará. Joaquim Roriz fez o mesmo em 2007, depois de ser acusado de negociar a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura. Roriz e Jader renunciaram antes da abertura do processo, o que poderia levar à cassação do mandato parlamentar.

Mais cedo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que a proposta de Fux certamente seria analisada pelos demais ministros e que a discussão sobre o momento em que passa a valer a inelegibilidade por renúncia sempre foi objeto de contestação. “Mas, no geral, o voto foi animador, porque proclama a constitucionalidade da lei”.

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O TCU e paralizações de obras

Publicado por Pax em 09/11/2011

TCU pede paralisação de 26 obras, a maioria do PAC, por problemas como sobrepreço e superfaturamento

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a paralisação de 26 obras do governo federal, a maior parte relacionada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente do tribunal, Benjamin Zimler, foi hoje (8) ao Senado Federal entregar o relatório Fiscalizações de Obras Públicas (Fiscobras) do TCU , acompanhado do ministro relator, Raimundo Carreiro.

Segundo o relatório, das 26 obras onde o TCU encontrou irregularidades “gravíssimas”, 11 são reincidentes do ano passado, quando um acordo evitou a paralisação delas. As demais são empreendimentos deste ano. “Os maiores problemas que nós encontramos são superfaturamento e sobrepreço”, disse Carreiro. Para ele, são comuns falhas nos projetos e nos editais de licitação, que acabam por provocar irregularidades durante a execução da obra.

Apesar disso, os ministros ressaltaram que os problemas apontados pelo tribunal têm sido corrigidos na maior parte das vezes. Segundo o presidente do TCU, cerca de R$ 2 bilhões vão ser economizados este ano por órgãos da administração pública federal que adotaram procedimentos recomendados pela corte. “Os erros existem e podem ser corrigidos. Há uma adesão muito grande às nossas recomendações”, disse Zimler ao sair da reunião com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O TCU fiscalizou 230 obras e encontrou erros graves em 190. Erros que, segundo o relatório, podem ser corrigidos sem a necessidade de paralisar as obras. Segundo o relator, as obras somam R$ 32 bilhões em investimentos, sendo 51% de responsabilidade de um único ministério, o Ministério dos Transportes. Para Carreiro, tanto o ministério quanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) têm apresentado “melhoria de gestão” nos últimos anos, apesar dos problemas que ainda são encontrados nas obras administradas pelos dois órgãos. “Das 87 obras fiscalizadas na malha rodoviária, 50% tinham problemas. Mas, mesmo assim, houve melhoras”, disse Raimundo Carreiro.

O relatório sobre irregularidades em obras públicas ainda será entregue à Comissão Mista de Orçamento, conforme determina a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Anualmente, desde 1997, o TCU produz o relatório, que é entregue ao Congresso Nacional.

Obs.: Obras conhecidas que constam na lista de irregularidades – Refinaria Abreu e Lima, Ferrovia Norte-Sul, Metrô do RJ

Enviado em DNIT, Ferrovia Norte-Sul, Metrô-RJ, Refinaria Abreu e Lima, TCU | 9 Comentários »

Governabilidade ingovernável

Publicado por Pax em 08/11/2011

Durante os escândalos do mensalão do PT o discurso adotado pelos dirigentes do partido, reverberado ad nauseam pela militância, expunha razões de governabilidade que justificariam concessões com políticos corruptos para que o então governo do ex-presidente Lula pudesse implementar suas diretrizes. A bandeira ética foi abandonada para viabilizar a implantação de políticas de governo. Queiramos ou não o quadro foi este. Lula venceu, o país cresceu. O povo gostou. Mas o PT perdeu.

O primeiro governo PT precisava montar sua base de sustentação no Congresso e o caminho escolhido foi o de fazer alianças com inúmeros pequenos partidos de prateleira, de leilão, que têm como único dogma a exigência de nacos do governo de onde podem extrair dinheiro público ilegalmente para sustentar suas legendas e seus bandidos.

Há quem afirme que José Dirceu não queria este caminho. Mas como voto vencido na decisão tomada e homem de partido, aceitou a orientação geral. Acabou cassado sob acusação de chefe de quadrilha. Até hoje, gostemos ou não, um dos nomes mais importantes da república tem poder, mas capital político – capacidade de voto – enfraquecido. Difícil acreditar que Dirceu possa suceder Lula como líder nacional, mesmo considerando o ex-deputado como o nome mais preparado para a missão. Além das questões jurídicas pendentes, falta carisma a Dirceu. E sobram-he antipatias.

Ato contínuo ao grande escândalo o PT adotou método diferente. Aproximou-se do PMDB como forma de simplificar o modelo e reduzir o número de agradados necessários para sustentar seu governo. Mas, aos poucos, os partidos menores foram reconquistando seus espaços e remontando suas alianças com o governo. Ninguém queria – ou quer – ficar fora da festa. A colcha de retalhos foi remontada e a – dita – governabilidade novamente estabelecida. E o pavio aceso da bomba ameaçando chegar ao talo.

Dilma herdou a solução e o problema. O país está melhor, mas a ingovernabilidade maior. Ainda mais considerando que a concreta oposição ao governo atual não é a do enfraquecido e desnorteado PSDB, mas sim do próprio seio do PT, a militância que reverberou a justificativa da complicada governabilidade ingovernável e hoje se sente órfã de Lula e não consegue aceitar Dilma como sucessora do líder.

A militância exige que a presidente sustente o antigo modelo. E Dilma parece não concordar em ser poste e querer determinar um novo modelo. Tarefa hercúlea.

Alguns petistas deveriam se lembrar do velho dito popular: quem planta o vento colhe tempestade.

Uma hora o PSDB ou este novo partido do Kassab acham um discurso que convence a base da sociedade que seu próximo governo não será mais elitista. Aí Inês estará morta.

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As penas sujas do tucano

Publicado por Pax em 06/11/2011

O tucanato anda em polvorosa. Sobe às tamancas quando o assunto é o derrubada geral do ministério de Dilma e se coloca na posição de arguir o governo contra a corrupção reinante. Que é fato consumado.

Mas há penas neste tucano que parecem borradas de sujeira. Impedem qualquer arroubo do partido de chamar a si a guarda nacional da ética e da moralidade. Se essa for a única bandeira do partido para seu desejo de voltar ao poder tudo indica que o mastro, a base, já está quebrada.

Em São Paulo há pauta que sobre e a grande mídia não corresponde à altura. Desde a inevitável CPI dos pedágios aos esclarecimentos necessários das obras do Rodoanel e da nova marginal Tietê, coisa que levou Paulo Preto a declarar que “não se abandona um líder ferido na estrada”, até as suspeitas emendas de parlamentares tucanos – não só desta plumagem – que manipulam e, segundo acusações, se fartam na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Em síntese podemos afirmar que quem está atacada e vilipendiada é a sociedade brasileira, nos cofres públicos. Ataques de todos os lados.

Tucanos são campeões de emendas em São Paulo

SILVIO NAVARRO e RODRIGO VIZEU – FOLHA DE SÃO PAULO

Administrado pelo PSDB há 16 anos, o governo de São Paulo privilegiou um seleto grupo de deputados estaduais tucanos ao liberar recursos para obras indicadas pelos políticos ao Orçamento do Estado.

A lista dos que mais captaram verbas para emendas de 2007 a 2010 é encabeçada pelo atual presidente da Assembleia Legislativa, Barros Munhoz (PSDB), reeleito para o cargo neste ano. Antes, o tucano foi líder da gestão José Serra (PSDB) na Casa.

Os dados foram tornados públicos pela primeira vez anteontem pela Secretaria de Fazenda do Estado e envolvem as administrações de José Serra e do seu sucessor, Alberto Goldman (PSDB).

Além de Munhoz, que apadrinhou a liberação de R$ 11,5 milhões em quatro anos –R$ 5,6 milhões só no ano eleitoral–, pelo menos outros quatro deputados conseguiram recursos acima da cota informal de R$ 2 milhões anuais para cada deputado.

São eles os tucanos Vaz de Lima, antecessor de Munhoz no cargo, o atual secretário estadual Paulo Alexandre Barbosa (Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia) e Roberto Engler, escolhido para ser o relator do Orçamento neste ano.

Também aparece no topo do ranking o presidente estadual e líder do PTB, Campos Machado, um dos articuladores do acordo nos bastidores para encerrar a investigação sobre venda de emendas no Conselho de Ética da Casa.

Machado disse que as liberações para suas indicações estão “rigorosamente dentro do estipulado”. Ele obteve R$ 8,8 milhões, sendo que R$ 620 mil só saíram do caixa do governo neste ano.

Para tentar facilitar a liberação de verbas, os deputados do PT, principal sigla de oposição ao governo estadual, apresentaram diversas emendas em nome da bancada, ou seja, em conjunto. Conseguiram captar um total de R$ 11,8 milhões.

As emendas são cobiçadas pelos parlamentares porque são recursos para pequenas obras ou compra de equipamentos em seus redutos eleitorais.

A divulgação dos padrinhos das indicações foi feita após a crise gerada com as afirmações do deputado Roque Barbiere (PTB), segundo quem seus colegas negociariam emendas com empreiteiras. As emendas do petebista somam R$ 6 milhões.

Barbiere não revelou nomes e o caso acabou abafado na Assembleia. O Ministério Público abriu inquérito para apurar irregularidades. (continua na Folha...)

Enviado em Assembléia Legislativa SP | 50 Comentários »

Lupi na trilha dos outros que caíram?

Publicado por Pax em 05/11/2011

Denúncias sobre irregularidades envolvendo o Ministério do Trabalho e o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – estão em pauta no noticiário já há algum tempo.

Cedo ou tarde estas questões viriam à tona na medida que o atual ministro da pasta, Carlos Lupi, parece não ter feito a devida tarefa de corrigir eventuais desvios. Questão de opção dele e, supostamente, de seu partido. Por coincidência a mesma agremiação de origem da atual presidente da república, o PDT.

Agora fica-se em uma sinuca delicada. De um lado Dilma tem a obrigação de apurar as supostas irregularidades. De outro a sensação que seu governo está à mercê da mídia.

Entre mortos e feridos quem parece se salvar, ao menos em aparências, são pequenos nacos dos cofres públicos. Até que o putrefato modelo de sustentação de partidos corruptos de todos os ambientes descubra novos métodos de roubalheira.

A única crítica que parece razoável nesta situação semanal é que a mídia teima em esquecer os problemas dos governos estaduais que não são da base de sustentação do governo federal. Permite, desta forma, questionamentos bem formulados sobre sua qualidade e integridade, principalmente no sentido de isenção que insiste em regurgitar.

Supondo que Dilma veio à campo para estabelecer como marca um novo modelo de governar, onde a corrupção atrapalha seu caminho de eficiência e discordância com os malfeitos, o ministro Carlos Luppi deve abrir a página de classificados de emprego da edição de domingo do jornais, não necessariamente por seu envolvimento direto, mas por sua omissão e/ou incompetência.

TCU: Contas no Ministério do Trabalho estão em “situação crítica”

Estados, municípios e ONGs recebem dinheiro, mas as prestações de contas não estão sendo analisadas em tempo hábil pelo ministério

Severino Motta e Adriano Ceolin, iG Brasília

Monitoramento do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma “situação crítica” no que diz respeito à apreciação das prestações de contas dos convênios do Ministério do Trabalho. De acordo com os ministros da Corte, seria necessário que a pasta ficasse 60 dias sem firmar novos convênios com Estados, municípios e ONGs para tratar exclusivamente dessas pendências.

Dados do TCU dão conta que somente nos convênios que usam recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), 543 prestações de contas dos convênios firmados entre a pasta do Trabalho e entes federativos ou ONGs não foram analisadas pelos servidores do ministério em tempo hábil. Por isso, ficam no chamado “estoque” de atraso.

Na conclusão do monitoramento o TCU exige que o ministério encaminhe um plano de trabalho para que, em 360 dias, todas as prestações de contas entregues pelos conveniados à pasta sejam analisadas e o estoque seja zerado.

De acordo com os ministros, a não apreciação “é uma das causas mais relevantes de impunidade e do baixo nível de recuperação dos prejuízos causados ao erário federal e, também relevante, da recorrente transferência de recursos a entidades inidôneas, ou a entidades idôneas geridas por gestores ímprobos”.

Nos últimos dias o iG vem revelando convênios suspeitos de irregularidades entre ONGs ligadas ao PDT e o Ministério do Trabalho, num esquema semelhante ao usado para o desvio de recursos do programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte. (continua no iG – Último Segundo…)

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O futuro que Aldo nos oferece

Publicado por Pax em 04/11/2011

Há dois assuntos da pauta nacional que tem em Aldo Rebelo o ponto de interseção. São eles o novo Código Florestal e a necessária rearrumação do Ministério do Esporte que tem pela frente não só suas missões e atribuições rotineiras como uma Copa do Mundo e umas Olimpíadas que demandam esforço e competência extraordinários.

Se nos basearmos na confusão criada pela proposta do novo Código Florestal relatada pelo deputado Aldo, teremos tempestades à vista na condução do desporto nacional.

Aldo conseguiu agradar a bancada ruralista ao produzir uma emenda que misturou sob uma mesma legislação os agricultores familiares com grandes desmatadores, protegendo os interesses legítimos dos primeiros e acobertando as irregularidades e crimes ambientais de alguns dos segundos.

Ao mesmo tempo produziu outras confusões que, segundo especialistas, não têm qualquer nexo científico, como exemplos a redução de 30 para 15 metros de área de proteção de mata ciliar e a nova regulamentação de topos de morros que pode reduzir em até 90% o que hoje é considerado área de preservação permanente. À além destas aberrações há uma curiosa anistia – súbita e suspeita – dos recentes crimes ambientais mais graves.

Supondo a boa fé do então deputado, hoje ministro, o mínimo que se pode deduzir é que sua competência ao tratar do assunto ambiental é abaixo da crítica.

De outro lado o Ministério do Esporte se tornou, segundo o próprio STF, um modelo de sangria de verbas públicas que alimenta o PCdoB e meia dúzia de supostos criminosos escondidos atrás de ONGs suspeitas.

Concordemos ou não com o ideário, o socialismo já teve melhores representantes no país. Luis Carlos Prestes deve estar se revirando em seu túmulo.

O Código Florestal no mundo da escassezWashington Novaes – O Estado de S. Paulo – 04/11/2011

Aproxima-se a hora de votações decisivas no Senado do controvertido projeto de lei sobre um novo Código Florestal. E aumentam as preocupações, tantos são os pontos problemáticos que vêm sendo apontados por instituições respeitáveis como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciência, o Ministério Público Federal, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Museu da Amazônia, os comitês de bacias hidrográficas e numerosas entidades que trabalham na área, entre elas o Instituto SocioAmbiental e a SOS Mata Atlântica.

Não faltam motivos para preocupações graves. Entre eles, a possibilidade de transferir licenciamentos ambientais para as esferas estadual e municipal, mais suscetíveis a pressões políticas e econômicas; a anistia para ocupações ilegais, até 2008, de áreas de proteção permanente (reconhecidas desde 1998 como crime ambiental); a redução de 30 para 15 metros das áreas obrigatórias de preservação às margens de rios com até 10 metros de largura (a proposta atinge mais de 50% da malha hídrica, segundo a SBPC); a isenção da obrigação de recompor a reserva legal desmatada em todas as propriedades com até 4 módulos fiscais (estas são cerca de 4,8 milhões num total de 5,2 milhões; em alguns lugares o módulo pode chegar a 400 hectares); a possibilidade de recompor com espécies exóticas, e não do próprio bioma desmatado; nova definição para “topo de morro” que pode reduzir em 90% o que é considerado área de preservação permanente.

São apenas alguns exemplos. Há muitos. Para que se tenha ideia da abrangência dos problemas: o professor Ennio Candotti (ex-presidente da SBPC), outros cientistas e o Museu da Amazônia lembram que naquele bioma há uma grande variedade de áreas úmidas, áreas alagadas, de diferentes qualidades (pretas, claras, brancas), baixios ao longo de igarapés, áreas úmidas de estuários etc.; cerca de 30% da Amazônia pode ser incluída entre as áreas úmidas e cada tipo exige uma regulamentação específica, não a regra proposta no projeto. No Pantanal, são 160 mil quilômetros quadrados.

Mas não bastassem todas essas questões, recentes portarias ministeriais (Estado, 29/10) e do Ministério do Meio Ambiente mudaram – para facilitar – os procedimentos obrigatórios para licenciamento de obras de infraestrutura e logística, com o argumento de que há 55 mil quilômetros de rodovias, 35 portos e 12 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia sem licenciamento – como se o problema estivesse nos órgãos ambientais, e não nos empreendedores/construtores.

E tudo isso ocorre no momento em que as últimas estatísticas dizem que o desmatamento na Amazônia permanece em níveis inaceitáveis: em sete meses deste ano foram mais de 1.800 km2, número quase idêntico ao de igual período do ano passado (Folha de S.Paulo, 1.º/11). E no momento em que se reduz a área de vários parques nacionais na Amazônia para facilitar a construção de hidrelétricas questionáveis (já discutidas várias vezes neste espaço). Esquecendo a advertência do consagrado biólogo Thomas Lovejoy: o desmatamento no bioma já chegou a 18%; se for a 20%, poderá atingir o turning point irreversível, com consequências muito graves na temperatura e nos recursos hídricos, ali e estendidas para quase todo o País. É uma advertência reforçada por estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Escritório Meteorológico do Hadley Centre, da Grã-Bretanha. Já o professor Gerd Sparovek, da USP (Estado, 26/10), adverte: o passivo com o desmatamento no País já é de 870 mil km2. (continua no Clipping do Ministério do Planejamento…)

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Lula e a amizade de FHC

Publicado por Pax em 01/11/2011

Fernando Henrique Cardoso demonstra que a amizade antiga com Lula não está abalada. Não só deseja melhoras como critica a onda de baixaria que se instaurou na internet exigindo que Lula se trate no Sistema Único de Saúde.

Segundo informações da equipe médica do Hospital Sírio Libanês o tumor de Lula tem agressividade média e as chances de cura são muito grandes. O tratamento teve início ontem.

FHC deseja melhoras a Lula e critica pedido por tratamento no SUS – Agência Estado via Último Segundo – iG

Ex-presidente diz que Lula, de “grandes feitos”, merece toda a solidariedade. Para tucano, quem fala para petista ir para o SUS tem “recalque”

“A pessoa que tem a projeção e o grande número de feitos pelo Brasil deve receber a maior solidariedade, sobretudo neste momento de dificuldade”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso condenou hoje as manifestações de internautas nas redes sociais sugerindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizesse seu tratamento contra o câncer em hospitais públicos. Após palestra do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, Fernando Henrique classificou os comentários na internet de “recalque”. “Acho que isso é uma espécie de recalque, eu não endosso isso”, disse. “É um equívoco. Não tenho visto (as manifestações), mas acho um equívoco. Vida humana, saúde, não, que é isso!”, emendou. (continua no Último Segundo…)

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