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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Espaço aberto: motivo de força maior

Posted by Pax em 24/02/2012

Prezados,

Este é o primeiro post deste blog via iPhone. Confesso que é um saco este veículo para este fim mas, como todos sabem, estou sem internet em casa e saindo para uma viagem de moto até Ushuaia, se tudo der certo. Espero que sim.

Talvez no Uruguai, Argentina e Chile a inclusão digital seja uma realidade. Para mim, aqui onde moro, a Tele(a)fônica, ilegalmente protegida pela Anatel, impede este direito.

Leio todos os comentários que recebo por email. Difícil é participar do debate que se torna melhor a cada dia, graças a vocês. Obrigado por isto.

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163 Respostas to “Espaço aberto: motivo de força maior”

  1. mona said

    Pax,
    o dono da casa é que o responsável pelo clima que se instala nela. Parabéns a você.

  2. Elias said

    Atualizar blog por iPhone é mesmo um saco!

    Já ajudei um cara a fazer isso. É preciso gostar muito de blogar pra encarar essa pedreira…

    Boa sorte, Pax. E boa viagem ao fim do mundo.

    Tenho uma vontade danada de ir lá. Vi pela tevê alguns microdocumentários da série “Histórias do fim do mundo” e fiquei apaixonado pelo lugar. No ano passado, o conselho da tribo votou contra, e acabamos cumprindo um roteiro manjado de agência de turismo. Espero ter mais sorte em 2012…

  3. Pax said

    Obrigado, Mona. Confesso que fico muito feliz com o nível de discussão que temos por aqui. Vejo outros cantos bons por aí, mas, de maneira geral, o que rola me incomoda um bocado. Não consigo ententer, por exemplo, como os grandes jornais (Estadão é um bom exemplo) permite o nível de comentários que rola por lá.

    Obrigado, Elias. Estou numa grande expectativa, cara. Ano passado peguei um gostinho da Patagônia conhecendo os Sete Lagos Argentinos na volta do Chile. Mas a coisa será bem diferente desta vez.

    (tenho comigo um plano de ir até Belém de moto e, se você puder, tomarmos uma cerveja e eu mato a saudade do tacacá e da maniçoba (assim que se escreve?))

    Usem o post para discutirem o que quiserem. O espaço é de vocês.

    (e uma pergunta: querem que poste aqui algumas fotos da viagem? – confesso que não gostaria de poluir o blog, mas… vcs decidem)

  4. Elias said

    Pax,
    De minha parte, as fotos seriam muito benvindas. Melhor, ainda, se acompanhadas de textos seus sobre elas.

  5. Patriarca da Paciência said

    Apreveitando a dica do Pax, que este é como se fosse “um open”, vou responder aqui ao Zbigniew .

    Meu caro,

    o que eu quis dizer é que o PHA declarou guerra aberto à Globo e ao Dr. Gilmar Mendes.

    São dois “inimigos” de peso.

    Quanto à história de “negro de alma branca” acho que o PHA está com toda a razão.

    É o tipo de gente que antigamente era chamado de “pai joão”, ou seja, aquele que “conhece seu lugar”, “que sabe se comportar”, que tem “noção dos limites” das possibilidades de um negro etc.

    Gente “aculturada”.

    Gente que faz o “tipo ideal” para o Reinaldo Azevedo.

  6. Zbigniew said

    Caro Patriarca,

    entendi sua posição. Coloquei apenas um contraponto ao que, também, é o meu entendimento de que na expressão “negro de alma branca” há uma crítica política e não racismo, no caso específico do PHA. Mesmo assim alguém sentiu-se ofendido pela expressão (no caso o autor da ação e a blogueira citada). No mais, concordo contigo.

    Quanto ao RA… ha, o RA. Assim como outros de direita aproveitou a onda para espinafrar o PHA, colocando condenação onde não houve, mas torcendo os fatos para enquadrar o blogueiro proguessista. Ficam nisso, e só.

  7. Zbigniew said

    Ainda sobre a questão do acordo entre o PHA e o Heraldo Pereira, uma entrevista do Viomundo com o historiador Elias Cândido (esse termo – “negro de alma branca” – bem que poderia ser aplicado a muitos nacionais que se comportam como verdadeiros entreguistas):

    Viomundo — O que significa “negro de alma branca”?

    Elias Cândido — “Negro de alma branca”, na verdade, é como alguns brancos racistas, se reportam a alguns negros. São os negros que não se rebelam, que toleram passar por humilhações e que, segundo alguns brancos, “sabem o seu lugar na sociedade”.

    O negro que reivindica o seu lugar é o negro “ negro”, isso do ponto de vista do racista.

    Viomundo – Chamar alguém de “negro de alma branca” seria xingamento?

    Elias Cândido –Seria um xingo. Seria exatamente aquela pessoa que, por querer ser aceito por aqueles que não a aceitam, se submete a humilhações em vez de buscar o seu espaço. Assim, do ponto de vista racista, equivaleria a um xingo.

    Viomundo – Paulo Henrique se referiu ao Heraldo Pereira como um “negro de alma branca”. Essa menção seria racismo?

    Elias Cândido — Não seria racismo, não. Quando o Paulo Henrique usa a expressão “negro de alma branca” não é para ofender a população etnicamente negra. A intenção dele é chamar atenção para o comportamento do Heraldo Pereira, que é o comportamento daquele negro aculturado, que se submete a determinadas coisas, que se submete, por exemplo, às determinações da Rede Globo. E a instituição Globo, eu diria, tem um comportamento racista.

    Viomundo – Por quê?

    Elias Cândido — A Rede Globo é racista. Se olhar com atenção o quadro de seus artistas, vai notar que a maioria é branca. Se observar também o tratamento que é dado aos negros nas suas novelas, vai verificar que a Globo os coloca em posições que seriam de “negro”, que é escravo, segurança ou bandido. Isso é um comportamento completamente racista, porque induz a sociedade a enxergar o negro daquela maneira.

    Já nos negros isso tem um efeito psicológico extremamente cruel. A pessoa passa a não almejar coisas maiores na sociedade a não ser aquelas coisas que lhes são impostas, dado o poder cultural das novelas da Globo sobre o nosso povo de um modo geral.

    Lembra-se da época em que Xuxa tinha as Paquitas e o sonho de todas as meninas era ser Paquita, uma menina loura, de cabelos lisos? Aquilo tinha efeito devastador na cabeça das meninas negras.

    Isso sem falar dos noticiários que, de forma bastante sutil, dão mais atenção aos crimes cometidos pelos negros. Aliás, o seu diretor de Jornalismo, Ali Kamel, é bastante criticado por negar o racismo no Brasil, que mesmo os racistas admitem existir.

    Viomundo – Na sua opinião, por que o Heraldo entrou com a ação contra o Paulo Henrique?

    Elias Cândido – Por dois motivos. Primeiro, vestiu a carapuça. Ele tem cultura e inteligência suficientes para entender o que o Paulo Henrique estava falando. Ele não fez confusão.

    Agora o que possivelmente o estimulou foi a própria Central de Jornalismo da Rede Globo, que promove um combate ao Paulo Henrique Amorim, assim como promove combate aos blogueiros progressistas em geral e mesmo àqueles que não estão no seu rol de controle.

    É bastante notório que alguns blogueiros, como Reinaldo Azevedo, se apressaram em acusar o Paulo Henrique, tentando impingir-lhe a pecha de racista, que, se pegasse, enfraqueceria bastante a influência do Paulo Henrique.

    Daí a nossa pressa em sair em defesa dele, não só por ele não ser racista, mas principalmente pelo significado. A intenção deles era dizer que os blogueiros progressistas estavam atacando aquele negro que está fora do seu rol ideológico, como querendo dizer “esse negrinho é nosso”.

    A intenção era levar a discussão para esse viés. Era levar Paulo Henrique Amorim para o sacrifício em nome de uma ideia, que é para fazer com que o negro “se coloque no seu lugar”.

    Viomundo — Como avalia o racismo hoje em dia no Brasil?

    Elias Cândido — É importante entender que o modelo de racismo no Brasil é extremamente jovem, que é o racismo por cor. Algo em torno de 500 anos. Antigamente os escravos tornavam-se escravos porque eram derrotados em guerras, inclusive os povos negros da África.

    Aqui no Brasil, como justificativa para a escravidão, foi introduzido o racismo por tonalidade da pele. Quanto mais claro tom de pele menos preconceito você sofre, mesmo sendo afrodescendente. Quanto “melhor” o seu cabelo, menos você sofre também.

    Esse processo está sendo refreado por conta de maior organização movimento negro e da ida dos negros às universidades. À medida que passamos a ir para as universidades, devido aos programas de cotas e à melhora de vida dos últimos nove anos, o racismo melhorou um pouco do ponto de vista social.

    Mas ele aumenta do ponto de vista racial. Essas pessoas, que foram acostumadas a ter privilégios em relação à maioria excluída, começam a ficar mais desesperadas e mais reacionárias com o aumento de negros para as mesmas vagas, tanto na escola quanto no trabalho.

    A tendência do racismo em si é aumentar. Não porque há mais racistas, mas por conta da resistência. Isso fica claro na resistência ao modelo de cotas com argumentos de que “querem regalias só para negros”. É o tipo de argumento que não dá nem para a gente discutir.

    Viomundo – Outras lideranças do movimento negro pensam como você?

    Elias Cândido – Estive numa reunião na sexta-feira com várias lideranças para discutir outras questões e a gente acabou conversando sobre o caso. Elas não têm nenhuma dúvida: o Paulo Henrique não é racista. Ele caiu numa armadilha armada pela própria boca. Como é vítima de perseguições, ele deve tomar um pouco mais de cuidado nos seus pronunciamentos, porque a ideia é pegá-lo numa armadilha. Foi o que restou para essas pessoas. Aliás, a pecha de racista é usada inclusive por racistas para atacar as demais pessoas.

    Por tudo isso, o momento é de a gente se unificar em torno do Paulo Henrique, produzindo mais textos, fazendo moções de apoio. Não podemos permitir que destruam o Paulo Henrique.

  8. Você despertou uma saudável inveja! Uma viagem de moto até Ushuaia!!!

    Sobre a fraqueza das agências reguladoras, mormente a Anatel e a Anac, é uma herança de governos anteriores mas ávidamente mantida pelos atuais governistas: a política de apadrinhar políticos “desempregados” e técnicos incompetentes para garantir esquemas de beneficiamento partidário é um principio caro ao PT e aos partidos “rêmoras” que o acompanham.

    Oi e principalmente a Telefônica são os melhores exemplos de que a mistura de monopólio com apadrinhamento político (sob a forma de normas reguladoras ineficientes) só produz serviços de merda, corrupção e tarifas elevadas.

    Boa viagem!

  9. Pax said

    Obrigado, caro Fernando. Bem-vindo ao Blog.

    E, sim, concordo com tua opinião sobre as agências e sobre as causas… herança e mantenimento pelo atual governo (leia-se desde Lula até Dilma).

  10. Elias said

    Zbigniew e Patriarca,

    Sartre escreveu dois ensaios sobre racismo, reunidos num livro sob o título “Reflexões sobre o racismo”. A primeira parte — “Reflexões sobre a questão judaica” — é, obviamente, sobre o anti-semitismo. A segunda parte, “Orfeu Negro”, é sobre o racismo contra os pretos, do ponto de vista da peosia negra de língua francesa.

    Lá pelas tantas, refetindo-se ao anti-semitismo, Sartre declara que, do ponto de vista prático, não há muita diferença entre o racista que considera o judeu sub-humano e o “democrata”, que repudia o racismo mas quer que o judeu se deixe “assimilar” pela sociedade geral.

    No frigir dos ovos, diz Sartre, o racista nega o judeu como ser humano e o “democrata” nega o ser humano como judeu. A este, resta escolher em qual das duas fogueiras ele prefere ser queimado…

    Como judeu, desde criança sempre desprezei o judeu que se deixa assimilar pela sociedade geral. Trata-se daquele f.d.p. que nega a si mesmo, no limite enchendo de razão quem é contrário à sua existência…

    É o equivalente judeu ao “preto de alma branca”. Um ser desprezível…

    Do ponto de vista político, há que se respeitar o direito de cada um de ser, parecer, tentar ser ou tentar parecer aquilo que quiser. Mas também me reservo o direito de sentir asco…

    Considero nojento um negro brasileiro se declarar contra as cotas nas Universidades.

    Qualquer brasileiro alfabetizado sabe — e se não sabe, deveria saber — que, ao se extinguir com a escravidão no Brasil, foi estabelecido todo um conjunto de restrições legais, que impediam que o ex-escravo tivesse acesso à propriedade da terra, numa época em que a propriedade da terra era a base econômica do país. O objetivo era manter o negro disponível como mão-de-obra abundante, barata e destituída de direitos…

    Qualquer brasileiro sabe que essas normas legais condenaram a população negra brasileira, de modo geral, ao analfabetismo e à pobreza, com as parquíssimas exceções que apenas confirmam a regra.

    Um eventual “privilégio” que o aparato legal brasileiro conceda à população negra do país, agora, no Século XXI, é, apenas, uma tímida e insuficiente reparação aos muitos malefícios que o Brasil causou aos negros, dos quais, infelizmente, a escravidão foi apenas maior e o pior, mas não o único…

    Por essa razão, também considero vergonhoso e nojento que qualquer brasileiro se declare contra as cotas nas Universidades.

    Não creio que devamos incluir o RA nas nossas referências sobre o assunto. Esse cara é só um pervertido ideológico, patologicamente alinhado ao que houver mais reprovável e repugnante na sociedade brasileira.

    Uma espécie de vira lata doentio permanentemente ladrando nos jardins de seus donos, que jamais consentirão seu ingresso à sala de visitas…

  11. Patriarca da Paciência said

    É bem isso aí, meu caro Elias.

    Como sempre, estamos de pleno acordo.

  12. mona said

    Vixe, Elias, será que é por ciúme, esse ataque tão vituperente ao meu amado Tio? Hummm, amorzinho, leia o que a Ana Maria Gonçalves fala do caso que envolve o PHA, no link abaixo. Particularmente, creio que defender o PHA nesse caso específico é gastar muita vela para um defunto que não vale à pena…

    Xerin no cangote, baby.

    http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/02/27/paulo-henrique-amorim-o-negro-de-alma-branca-e-os-demonios-de-cada-um-de-nos-por-ana-maria-goncalves/#comments

  13. Edu said

    Elias,

    O que vc fala para a oposição vale pra vc? Vamos nos lembrar no tópico do Celso Daniel suas próprias palavras:

    “Zbigniew, Patriarca e eu, apenas tiramos sarro com esse cacoete boboca da oposição de direita, que ainda é do tempo em que, pra se fazer oposição, é necessário insultar o adversário, de preferência atribuindo a ele status de subgente, idiota, incapaz, etc.:”

  14. Edu said

    Vc considera nojento o fato de eu ser contra cotas as Universidades?

    Se vc considera a “dívida histórica” do país com os negros, o país não tem nenhuma “dívida histórica” com os índios? O país não tem nenhuma “dívida histórica” com imigrantes? O país não tem nenhuma “dívida histórica” com o grupo GLBT?… e assim por diante?

    Além disso, se formos considerar a dívida de qualquer branco ocidental com qualquer minoria, esses brancos hoje teriam que trabalhar para pagar suas “dívidas históricas” com todas essas minorias.

    Então promulgar leis de cotas para cada um desses grupos? Porque se deixarmos qualquer um desses grupos de fora, estamos sendo preconceitosos, certo?

    Então me diga: quem aqui no Brasil não tem 1 antepassado que não se encaixa em qualquer um dos grupos elencados?

  15. Zbigniew said

    Edu,

    coloque as boas e as mas gestoes do governo na balanca. Se pra voce so tem coisa ruim, passa pra outra, como se diz: a fila anda. Pra mim o governo petista com o Lula e agora a Dilma esta se saindo muito bem.

    Quanto ao divida historica, os negros foram os mais sacrificados, principalmente porquanto discriminados pela raca. A situacao dos imigrantes, nordestinos, GLBTs e tantas outras minorias e igual a dos negros? Voce acha? Comprove.

  16. Zbigniew said

    Quanto a questao do Pinheirinho o Alckmin e seus poodles pisaram e pisaram feio na bola. Da uma olhadinha em que pe esta o projeto social do teu governador: http://www.viomundo.com.br/denuncias/defensor-jairo-salvador-“terrorismo-patrocinado-pela-prefeitura”.html.

    E grana meu amigo. O que importa e grana e poder. Pinheirinho fica ali, nas curvas de uma historia mal contada e confusa, esquecido dos grande meios de comunicacao. Esses que adoram propagar que no Brasil nao ha racismo ou no maximo um tal de racismo cordial, seja la o que isto signifique.

  17. Edu said

    Mona,

    Muito bom mesmo o texto da Ana Maria Gonçalves.

  18. Edu said

    Zbig,

    Como eu disse: há coisas boas sim. Mas há muito mais coisas ruins do que boas, as notícias e tudo o que viemos discutindo aqui claramente apontam a isso:

    – Educação vai mal
    – Saúde vai mal
    – Infra-estrutura vai mal

    – Há os programas sociais que vão bem
    – Há a economia que vai bem

    Resultado: aprovação popular disparando, assim como a corrupção.

    Pergunto novamente (ahh.. a resposta que não quer calar):
    – Os fins justificam os meios?
    – Devemos continuar votando em quem faz uma gestão que mais erra do que acerta?

  19. Edu said

    Zbig,

    Dívida histórica, todo mundo tem e se tem “privilégio” como disse o Elias, para uns, também deve ter para outros. Se a proporção for menor, então que a proporção seja considerada. Não é verdade?

    Daí podemos fazer: 10% das cotas para negros, mais 5% das cotas para pobres, mais 3% das cotas para nordestinos e asssim por diante…

    Como já discutimos antes, trata-se de tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente na proporção de sua desigualdade, não é mesmo?

  20. Edu said

    Zbig,

    hahaha antes de mais nada, que fique claro que Alkmin nem de longe é o meu governador! Aliás, aproveitando… cara, dá pra alguém cortar a cabeça do Serra de uma vez por todas?! Acho que os paulistanos devem estar se sentindo num episódio do Walking Dead….

    O que eu estou cobrando é a análise de banana X banana e laranja X laranja. No caso, o Alkmin, ainda que seja um político fraco, é o laranja da mídia amiga. E o problema claramente não está no executivo, está no judiciário, e problema no judiciário é a pior coisa que um país pode ter, principalmente um judiciário que se mostra ineficiente, confuso e acima de tudo sujeito a influência partidária.

  21. Edu said

    Pax,

    Pô, não nos deixe fora da sua viagem! Apenos sugiro que faça um tópico específico pra isso!

    Aproveite bastante!

  22. Zbigniew said

    O problema esta nos bastidores, caro Edu. Nos bastidores. E ali que o “check and balances” vai pro brejo.

    Quanto a educacao, especificamente, embora entenda que o governo tenha avancado, principalmente em relacao ao ensino superior e tecnico, um bom artigo em forma de entrevista da agencia o Globo, sobre o sistema educacional finlandes.

    E bom lembrar, Edu, que a educacao e responsabilidade de todas as esferas de governo, e e muito mais facil ficarmos nesta de criticar apenas o governo federal (que deve ser criticado, sim), e esquecermos a parte que cabe aos governos estaduais e municipais neste latifundio. Da a ideia de que o governo federal e o unico responsavel. Quem tem agido melhor nestas esferas? O que voce acha?

    Aqui o texto sobre o sistema finlandes: http://br.noticias.yahoo.com/lições-revolução-educacional-finlandesa-mundo-115942955.html

  23. Elias said

    Mona,

    Claro que é ciúme!

    Se eu souber que esse cara anda arrastando a asa pra ti, eu vou até onde ele estiver, mato, capo e bebo o sangue…

    Acabou toda a pequena consideração que eu ainda tinha pelo RA. Agora é no pau!

    E só ainda não despachei o péssimo porque tu disseste que o número 2 sou eu. Então, o corno é ele… Se fosse eu, ele ia ver só com quantas chifradas se arrebenta um tio doido…!

    E, pra própria segurança dele, é bom que o Edu não se meta entre nós… Vai acabar se acidentando gravemente…!

    Edu,
    Tu não sabes do que se trata. Então, fica de fora ou este planeta se tornará insalubre e perigoso pra ti!

    E, Mona,
    Nem pensar em transformar nosso triãngulo num quadrado…! Eu não admito isso! Tô avisando… Eu não admito!

    (Perdão, colegas…)

  24. Elias said

    Edu,

    Claro que há uma dívida histórica!

    Claro que ele tem que ser paga!

    Claro que é nojento dever e não querer pagar!

    Os EUA, p.ex., acabaram com a escravidão muito antes que o Brasil. Logo em seguida à abolição cada ex-escravo foi INDENIZADO em dinheiro, recebeu um trato de terra, recebeu cavalos e bois, recebeu proteções legais para que as compensações recebidas não lhes fossem usurpadas (como se acabaria tentando fazer, com as leis “Jim Crow”…).

    Nos anos 1960 LBJ investiu pesado na criação de universidades negras que, aliás, hoje, desfrutam de excelente conceito acadêmico (há alguns anos conheci por dentro uma delas, a Howard University, em Washington).

    E — saca só…! — os EUA têm sistemas de cotas…

    No Brasil, não só os negros não receberam compensações pelo cativeiro como ainda foram editadas leis praticamente vedando o acesso deles à propriedade da terra, com o claro e, não raro, declarado propósito de garantir que ele, negro, permanecesse na condição de mão-de-obra abundante, barata e absolutamente destituída de quaisquer direitos.

    A desigualdade foi, assim, instituída em lei. Nada mais adequado que, também por lei, ela seja minorada.

    Mais, ainda, porque se está fazendo isso de modo insuficiente e com mais de um século de atraso.

    É nojento ignorar isso!

    Ainda bem que os EUA são governados por gente que pensa bem diferente da direita brasileira…

  25. Yellow_SUBmarine said

    Bom Pax!
    Tá no meio da viagem?! Tá de bike?

    Aproveite 200%…

    E aí?! o que tá pegando aqui no open do Pax?! Vocês tão discutindo o que desta vez?! Tão se amando mais ou se odiando mais?

    Tenho jogado muita conversa fora por essas bandas, dia desses foi sobre poligamia…

    Tô de trampo (nas horas vagas) pra um amigo que se lançará candidato. A troca dos vereadores aqui promete como nunca. A prefeita e sua gang tem 90% de rejeição.

    E os corruptos? O meio ambiente? A intolerância? A desigualdade? A miséria? A violência? A juventude? As redes socias? O futuro? … cansei geral… eu tô amargo.

    E já que eu disse amargo, taí uma composição bacana de um broder que o Eddie aqui de PE gravou.

    “Mim dê uma cachaça
    Eu tou amargo demais
    Pra beber cerveja
    Ora veja
    Quem não gosta de fumaça, minha querida
    Não entende de bebida
    E nessa vida
    Eu já caí na desgraça”

    Bom frio pra ti guerreiro!

  26. mona said

    Meu querido amor triangular,
    respeito, em muito, as suas considerações acerca da dívida histórica para com os negros. Muuuito me revolta a forma como eles foram tratados, as injustiças cometidas, as crueldades horrorosas praticadas. Mas muito me incomoda também o que a esquerda vem tentando fazer: suscitando uma asquerosa luta de raças, querendo transformar a negritude em causa – e o negro que não rezar nessa cartilha é expulso do gueto, que nem o que vem ocorrendo com o Heraldo Pereira – desprezando nossa mistiçagem (imagine a crise de identidade na qual fico. Eu, o mais puro retrato dessa mistiçagem, com ancestrais brancos, negros e indígenas), umas das coisas que nos tornam ímpar, a ponto de ninguém fora do país reconhecer um brasileiro (mas todos os brasileiros se reconhecerrem entre si, quando estão lá fora).
    Vêm tentando institucionalizar, a fórceps, um racismo maluco, querendo uma compensação por fatos passados que, sem dúvida, são responsáveis pela nossa péssima distribuição de renda, mas cuja solução não poderia jamais ser encontrada na criação de mais injustiças. O nosso problema atual não é racismo, meu Deus: é a grande desigualdade de renda. Isso é o que tem que ser atacado. E não é a instituição de políticas afirmativas de cunho racial que vai modificar tal fato. Nesse sentido, é que eu advogo as cotas sociais. Ora, se a grande parte de negros habita os extratos economicamente mais vulneráveis, é lógico que as cotas sociais atenderiam com muito mais intensidade os negros; mas também alcançariam vermelhos, brancos, amarelos e todo o expectro racial existente.
    Outra coisa que muito me incomoda é o desrespeito das esquerdas às opções de cunho individualista. Há de se reconhecer, como muito bem dito pela Ana Maria Gonçalves (e também pelo meu primeiro amor, o Tio, só que no seu estilo peculiar), que nem todos nasceram para militar. O que todos, sem dúvida alguma, buscam são estratégias de sobrevivência. Se alguns se encontram na defesa de causas (ou seja, no coletivo), outros se dão bem vivendo sua vidinha de acordo com o stablishment, a la Heraldo: estudando, se formando, se pós-graduando, trabalhando e sendo reconhecido por seus méritos, sem sem necessariamente um porta-voz de coisa nenhuma. Tais criaturas não têm de ser cobrados por nada: o seu próprio exemplo já basta e quem quiser que se inspire nele.
    Beijo enorme, meu bem 2º. E um xêro nos demais (afinal, meu segundo amor só admite triângulos. Outras figuras geométricas, jamais…)

  27. Edu said

    Po Zbig,

    Mil escândalos de corrupção envolvendo o governo federal, debaixo das barbas do Lula em seus 2 mandatos e agora debaixo do nariz da Dilma e os 2 dizendo: “jura?! Como é que eu não sabia disso?!?” e fazendo corpo mole para demitir, exonerar e fazer o que for necessário para acabar com essa historinha de bastidores e vc vem falar sobre bastidores da política paulista? Esse argumento não dá pé…

    Para mim está claro: a justiça brasileira deveria ser o próximo ente a ser escrutinizado até o último fio de cabelo.

    Sobre a educação, não estou dizendo nada além do que vc disse, mas o ENEM não é uma avaliação federal sobre a situação do ensino? Não vem sendo mal aplicado? O governo federal não está liderando essa tentativa de evolução? Porque essa liderança tem dado tanto problema? O governo federal não tem responsabilidades sobre a construção, gestão e desenvolvimento das unversidades federais? Estou avaliando justamente a parcela de responsabilidade referente ao governo federal em educação, e é só mais um exemplo do tanto que a competência de gestão do ministro da educação é ruim e, consequentemente dos seus chefes (Lula e Dilma). Ainda assim, isso conta para a avaliação geral do governo?

  28. Edu said

    Elias,

    E por que pagar a dívida histórica só de negros? E os demais? Não merecem?

  29. Patriarca da Paciência said

    Para aqueles que acham que é bem fácil aceitar “os limites que o negro deve aceitar e se movimentar”, transcrevo um trecho da biografia de Malcolm X:

    “Na escola, Malcolm era o que se considerava um bom aluno e geralmente tirava notas altas. E assim foi ate o dia em que disse a um professor que desejava ser advogado. Este lhe disse ser absurdo a ideia de um negro ser advogado e que o máximo que ele poderia chegar era carpinteiro. Esta declaração mudou seu comportamento fazendo com que se transformasse de um “bom aluno” em um “garoto problema”. Quando terminou a oitava série, Malcolm foi morar em Boston na casa de sua meia-irmã Ella. Fez amizade com Shorty e por influencia deste e de outros boêmios de Boston ele esticou os cabelos, passou a beber, fumar, usar roupas extravagantes”

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Malcolm_X

  30. Zbigniew said

    Deve ser porque desde os 500 os GLBTs, nordestinos que vieram para ajudar a fundar Sao Paulo e demais minorias tambem foram alijadas do processo de desenvolvimento de racas no Brasil. Po, Edu, explica ne?

  31. Edu said

    Zbig,

    Se minoria tem que ser protegida, qualquer minoria deve ser protegida. Senão vc está fazendo meia justiça. Não é necessário explicação, é base do direito brasileiro ilustrada pela clássica frase de Rui Barbosa, não sou eu quem está dizendo:

    “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade… Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.”

    Agora, se a esquerda brasileira não concorda com Rui Barbosa ou com a lei… bom… aí temos outro problema.

  32. Elias said

    Mona I,
    Agora fiquei mais calmo. Não suportaria viver num triângulo de 4 lados, principalmente me sabendo o 2º… Mas continuarei agressivo com o primeiro, até tirá-lo do páreo. “Sou ciumento e passional, como o Deus dos judeus…”.

    Edu,
    Claro que tem que pagar as outras dívidas históricas, rapaz!

    Isso não muda nada. Apenas reafirma a necessidade de se começar a pagar a dívida histórica com os negros.

    Ou tu és daquele tipo que, não podendo pagar todos, não paga ninguém?

    Mona II,
    É quando entramos no terreno das opiniões. Ninguém nega o direito de um determinado judeu abrir as pernas pra sua assimilação pela sociedade geral.

    É direito dele fazer isso. E é direito meu sentir pena e nojo dele.

    Se um negro resolve bancar o “Uncle Thomas”… Direito dele!E problema dele. Tá se dando bem desse jeito? Pois que vá em frente…!

    Agora, se ele é uma figura pública, e manifesta publicamente sua opinião, não pode ficar raivosinho só porque outras pessoas formam opinião a respeito da opinião dele, né?

    As outras pessoas não são obrigadas a concordar com ele, só porque ele é rico e famoso. Isso ele deve exigir dos puxas-saco dele.

    Quem não se inclui entre os vassalos dele, tem todo o direito de discordar dele e, no uso do direito de opinião, manifestar publicamente essa opinião divergente.

    Processar alguém por delito de opinião é algo estranho, em se tratando de um jornalista.

    Acusar de racismo alguém com um longo histórico de apoio à luta anti-racista é, no mínimo, litigância de má-fé.

    As duas coisas juntas num só processo não recomendam ninguém, do ponto de vista moral…

  33. Edu said

    Elias,

    O problema não é:

    Porque não dá para pagar todos não paga ninguém.

    O problema é:

    Provavelmente 100% dos brasileiros merecem algum tipo de indenização porque fazem parte ou possuem algum antepassado que sofreram por ser algum tipo de minoria. Se não são 100% devem ser 90%.

    Vc quer indenizar o Brasil inteiro? Não é mais fácil continuar a busca pelas oportunidades iguais?

  34. Edu said

    Neste caso Elias, sugiro que a sociedade comece pagando a todas as mulheres uma pensão pela opressão masculina desde que o homem virou sapiens.

    Em seguida, mais uma vez em relação às mulheres, deverá ser paga uma pensão, terras, cavalos e bois às prostitutas e seus descendentes.

    Na seqüência, estou em dúvida, se devemos ficar com os índios ou com os não-cristãos.

    Depois disso talvez os negros.

    Isso posto, acho que devemos tomar alguns cuidados quando falamos de “dívida histórica”.

    Quer dizer, os negros que vieram ao Brasil realmente viveram muito pior do que viveriam na África, muitos imigrantes também, com a diferença de que os imigrantes chegaram depois da escravidão e se tornavam “escravos funcionais” por conta das dívidas e da legislação e que os segundos vieram por expontânea vontade e os primeiros foram trazidos à força.

    Já foi pensado que o Brasil pode ter piorado a vida dos descendentes dos imigrantes, ao passo que para os descendentes dos negros originários da África pode ter havido uma grande evolução? Será que os descendentes africanos desfrutariam de oportunidades melhores do que no Brasil?

    Que fique claro que eu não quero ensejar a possibilidade de que o Brasil deva indenizar imigrantes, ou mesmo pagar mais os imigrantes, ou que os imigrantes sofreram mais que os negros.

    O que eu estou tentando ilustrar é que mesmo que haja uma “dívida histórica”, também há benefícios históricos. Estes nunca são computados, mas isso é a evolução social.

    Ela é lenta, dura, triste, blablabla…. e quem nunca teve um antepassado que se matou de trabalhar, que cruzou o oceano, ou que nunca sofreu qualquer tipo de injustiça que o levou à falência que atire a primeira pedra, ou que pague o primeiro centavo de indenização.

  35. Michelle de Souza Malone said

    Bom dia/tarde/noite a todos

    Edu u’r The man!

    Autsch !!!
    Deve ter doído …..matou a pau essa baboseira santarrona dos “românticos” petralhas do pedaço.
    Eles querem o socialismo chines….como já disse o tio da Mona, estes dias.
    Congratulations!

    beijinhos de satisfação.

  36. Elias said

    Edu,
    Então tu equiparas a questão do negro (escravidão, cerceamento ao direito de propriedade, etc, etc — olhaí o liberal se revelando, gente…!) à discriminação contra as prostitutas?

    Ora, Edu… Tenho certeza de que podes fazer melhor… Se fores por aí, vou passar pro terreno da gozação e, aí, barata vôa, né?

    Pessoal,
    Do noticiário da ADVFN:

    “As principais bolsas de valores européias abrem em alta hoje, após o Banco Central Europeu decidir alocar mais empréstimos de longo prazo aos bancos da região do que o previsto, com o intuito de dar liquidez ao sistema bancário e permitir uma maior expansão do crédito. Ao total, o BCE emprestará em torno de 530 bilhões de Euros a 800 bancos europeus, com taxa de juros de 1% ao ano e prazo de 3 anos para pagamento.”

    E haja dinheiro público pra fazer esse pessoal sair da crise!

    Quando ela passar, vai ter “liberal brasileiro” (um tipo de doido mais doido que o mais doido “direitista brasileiro”) dizendo que quem venceu a crise foi o “livre mercado”, o “índice de liberdade econômica”, e outros elementos sobrenaturais que o liberal de almanaque costuma associar à popular “mão invisível”, uma espécie de Saci Pererê (ou Curupira, ou Caapora, ou Matinta Perêra, sei lá…!) da teoria econômica.

    O Reinaldo Azevedo vai espumar pela boca, expelir três litros de baba e, depois,escreverá um artigo dizendo que foi tudo culpa do Lula, da gepone e dos petralhas…

    Em seguida, irá pro banheiro, se masturbar, usando como inspiração uma fotografia da “Dama de Ferro” aos 65 anos…

  37. Elias said

    “Agora, se a esquerda brasileira não concorda com Rui Barbosa ou com a lei… bom… aí temos outro problema.” (Edu)

    Concordar com Ruy Barbosa?

    Sei… Aquele gênio que mandou queimar os arquivos de documentos sobre a escravidão, para “apagar a mancha” da nossa história? (Uma antecipação ao conterrâneo do Chesterton, que tocou fogo no sofá…).

    Mas, aquele garoto, o Ruy… Não é o gajo que, Ministro da Fazenda, instituiu a total liberdade econômica, a fim de que, “livre das amarras estatais, a criatividade individual” produziria as riquezas que conduziria o Brasil à prosperidade e à justiça social?

    Mas, não foi essa brilhante estratégia econômica que resultou numa montanha de papéis inconversíveis, no encilhamento, num funding loan e numa intervenção da Inglaterra no Brasil? (a Inglaterra literalmente confiscou as estruturas de transporte ferroviário, de VLTs, de produção e distrição de energia elétrica, de distribuição de água potável, etc, de todo o Brasil, e ficou décadas explorando e sucateando essas estruturas, até receber de volta o dinheiro que aquele gênio, o Ruy, não conseguiu pagar).

    E, esse gênio, o Ruy, não é aquele gajo que lutou bravamente contra a vacinação obrigatória, atacando Oswaldo Cruz com uma ferocidade que faria o RA parecer noviça das Carmelitas Descalças?

    Não foi o Ruy que atiçou a “Revolta da Vacina”? Não foi o Ruy quem disse que, se tivesse mil filhos, preferiria mil vezes que esses mil filhos morressem mil vezes, a permitir que fossem compulsoriamente inoculados com as vacinas de Oswaldo Cruz (que, por seu turno, era homologado pelo próprio Pasteur, em pessoa, que, aliás, o indicara para o cargo…).

    É… Acho que ninguém tem muitos motivos pra concordar com o Ruy, não…

    Mas, no texto que citaste, o Ruy mandou bem! Vou até repetir:

    ““A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade… Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.”

    É ISSO AÍ, EDU! Só te falta, agora, ler com cuidado, entender e aplicar ao caso que estamos tratando…

    O princípio é o da EQUIDADE. A maneira desigual pela qual os dessemelhantes devem ser tratados.

    Há poucos dias tivemos um debate sobre isso. E — pasme! — os liberais daqui do pedaço discordaram disso! Discordaram do Ruy, Edu!

    Eu até citei exemplos, como as normas legais de proteção ao trabalho da mulher (seja em termos de horário de trabalho, de exposição a agentes insalubres, à proteção à gravidez, etc. — sacou a questão das leis especiais direcionadas à mulher, Edu?). Citei, também, os exemplo do advogado dativo e da inversão do ônus da prova no Direito do Trabalho, e uma porção de etc.

    E, sabe o que aconteceu? O pessoal da ESQUERDA concordou (CONCORDANDO com Ruy Barbosa, ao contrário do que disseste).

    Quem discordou foram os liberais e os direitistas…

    Obrigado por lembrar, Edu.

  38. Edu said

    Elias,

    Pense mais amplo, porque isso é uma questão ampla e em relação à evolução de um indivíduo ou grupo de indivíduos, em que eu disse expressamente: isso tudo é para ilustrar que em algum momento da árvore genealógica de qualquer raça, credo, gênero, profissão etc. alguém sofreu pra caramba para garantir um futuro melhor para as gerações seguintes!

    Isso abre margem para restituição, em maior ou menor proporção para o mundo inteiro, e não que seja inviável, mas é um jogo de soma zero. Ok, até podemos fazer as contas para o registro contábel e dizer: pobrezinho desse grupo, sofreu mais que os outros, mas vai receber 100 e o outro vai receber 50 e o terceiro vai receber 10. No fim, todo mundo paga tudo e voltamos à estaca zero. Além disso, para efeito de reconhecimento de um grupo como mais coitado que outro, isso já é mais do que propagandeado por todos os progressistas.

  39. Edu said

    Elias,

    Bom, o Ruy Barbosa, e eu não sabia dessa, pode ter sido um péssimo político, adiministrador, qualquer coisa que envolvesse questões práticas. Mas nada do que ele fez, de resultado prático, invalida a frase feita por ele.

    Se vc acha a frase boa, ótimo, atenha-se a frase. Não precisa desqualificar o resto do que o sujeito fez, a menos que vc não concorde com a frase.

    Sim, lembrei principalmente porque não discordei de vc!

  40. Edu said

    Elias,

    Sobre o empréstimo, eu acho louvável, mas já disse aqui que é um paliativo: a conta do assistencialismo europeu não fecha.

    Em algum momento, ainda que a juros de 1%, alguém vai ter que pagar a conta.

    Nesse ponto, como diria Joelmir Betting: “A Grécia morreu, mas passa bem”.

    O que ela terá que fazer? Controle fiscal. Por que? Porque não aguenta sustentar os gastos do governo…

  41. Elias said

    Edu,
    Faça uma reflexão:

    1 – Os tratamentos DIFERENTES que a legislação confere aos dessemelhantes, têm em vista estabelecer um equilíbrio perante a lei. Ou seja, nesse caso, o tratamento DESIGUAL promove a IGUALDADE.

    2 – Daí a manifestação do Ruy Barbosa, com a qual concordei.

    3 – “Desqualificar” é outra coisa, Edu. “Desqualificar” é quando se invalida o raciocínio da pessoa, qualquer que seja esse raciocínio, só porque ele foi formulado por alguém de quem não se gosta.

    4 – As críticas que fiz ao Ruy Barbosa nada têm de desqualificantes, portanto. Elas se referem a fatos certos e determinados, que dizem respeito a atos e palavras do dito cujo, os quais e as quais ele nunca negou, até porque os proclamou publicamente e, hoje, fazem parte da história deste país.

    5 – Só que, nos casos citados, Ruy Barbosa estava operando contra a história. Foram atos e palavras desastrosos, na maior parte dos casos decorrentes de uma assimilação distorcida do liberalismo.

    6 – A expressão “liberal de almanaque”, que usei mais acima, tem a ver com isso. É o liberalismo avacalhado, vulgarizado e transformado em menos que uma superstição.

    7 – Quanto ao empréstimo:

    7.1 – O problema da Grécia (e de Portugal) não foi apenas porque o Estado gastou muito.

    7.2 – O problema da Grécia (e de Portugal) foi, TAMBÉM (e talvez até principalmente), do Estado arrecadar pouco.

    7.3 – Quem viveu algum tempo em Portugal, p.ex. (e eu vivi), sentiu, ou melhor, usufruiu disso. Um carro bacana, com tudo a que se tinha direito e algo mais, custava uma michariazinhazinha. Sabe por que? Porque quase não tinha impostos embutidos no preço. Aí a cambada liberal aplaudia: Menos Estado! Menos impostos!

    7.4 – Bacana, né não? O problema é que carros mais baratos, significou mais carros nas ruas e nas estradas. E quem paga pela manutenção das ruas e das estradas, e pela abertura de mais ruas e mais estradas? O Estado, certo? (E nem vou falar da questão dos combustíveis, pra não complicar).

    7.5 – E estou citando os carros como um exemplo. Posso citar dezenas de outros…

    7.6 – Então ficamos assim: MENOS impostos; MAIS despesas públicas… Então, tá…! Qualquer chipanzé bem treinado sabe que uma coisa assim tem data pra acabar. É uma bolha…

    7.7 – Não por acaso, Grécia, Portugal e Espanha estão, neste momento, aumentando brutalmente as respectivas cargas tributárias. Os cortes nas despesas são mínimos, se comparados com o aumento da tributação (daí a chiadeira generalizada da população, que pensava ter chegado ao paraíso…).

    7.8 – Por fim, lembre que os empréstimos do Banco Central Europeu são DESPESAS PÚBLICAS, Edu. A diferença é que uma parte dessa despesa será rateada com a Alemanha, França, Inglaterra, Holanda, etc.

    7.9 – Ou eles fazem isso, ou eles fazem algumas expulsões da UE, ou, pior, um classe média alemão ou belga corre o risco de, ao levantar a tampa de um vaso sanitário de sua casa, dar com uma mulher de bigode saindo de dentro e exclamando: “Pois não, dotoire…!!”

  42. Edu said

    Elias,

    Sobre os 6 primeiros pontos, tudo bem, não tenho nada contra o q vc disse. Até pq o fato de alguém, na melhor das intenções usar uma agenda liberal ou conservadora, direitista ou esquerdista pode levar a resultados desastrosos, se a pessoa não souber o que está fazendo.

    E, refletindo, como vc pediu que eu fizesse, a maioria das discussões aqui eu tenho posto o dedo na cara da esquerda, mas como já disse, não porque eu seja contra o que ela prega, mas do modo como as coisas estão sendo feitos pela esquerda (com os fins justificando todos os meios). Isso pra mim é uma questão ética:

    – Eu não estou disposto a trocar certo por mais certo (oportunidade vs sistemas de cotas);
    – Nem um erradinho por um erradão (fome vs latrocínio);
    – Eu não acho que um erro justifique outro (falta de terra vs queima das lavouras de terras invadidas);
    – E sou totalmente contra lei de talião (porque um fala mal, eu falo mal; porque um roubou eu roubo, porque eu tenho uma herança maldita, posso usar isso como desculpa)

    Talvez, para cada assunto específico esse raciocínio, dentro do que eu enxergo como razoável, eu vou ser mais liberal, mais conservador, mais esquerdista ou mais direitista. No entanto, para isso é preciso clareza, e por isso que eu pentelho com detalhes. Embora eu tenha um posicionamento, minha opinião não está formada, quero consolidar, alterar, ver o que é melhor para votar melhor na próxima eleição, por isso esse blog é interessante pra mim.

    Sobre as cotas, já que existem, ok, os prejuízos de voltar atrás são maiores do que debater tudo denovo para retroceder. Embora eu ainda não tenha encontrado argumentos sólidos o suficiente para que tal ação afirmativa permaneça em pé.

    – Eu acredito que os negros sofreram muito no Brasil, e merecem todo o respeito, só que estamos há quase 200 anos de distância disso, onde essas diferenças já reduziram bastante, e, se deixarmos as coisas continuarem, vão se reduzir ainda mais. Não é necessário cotas para acelerar o processo.
    – Não foram só os negros que sofreram no processo de formação do Brasil, TODOS sofreram e muito. Hoje todos colhem frutos, INCLUSIVE os negros. Se fôssemos indenizar, deveríamos indenizar todos, que no fim resulta em soma zero.
    – Ações afirmativas são ótimas no curto prazo: as minorias se sentem mais confortáveis. Ninguém sabe o efeito a longo prazo: e se essas minorias se isolam (a exemplo do que acontece nos EUA e Europa)? Em vez de termos uma sociedade miscigenada, misturada, que desenvolveu uma cultura coletiva e tolerante, teremos guetos de minorias com barricadas de ações afirmativas e abismos culturais. Como falamos antes: ações políticas devem ser ponderadas para o longo prazo.

  43. Edu said

    Elias,

    Eu não sei qual é a carga tributária na Grécia, nem em Portugal.

    Mas a dúvida então muda: por quem, dentro da agenda econômica de salvação que a Grécia deve cumprir, pouco se fala de elevar os impostos e muito se fala em cortes em gastos do governo?

  44. Elias said

    Edu,
    Claro que, no Brasil, todos sofrem muito… Nem queira saber o que eu já vi e ouvi, na tevê, de queixas do Antônio Ermírio de Moraes, do Abílio Diniz…

    Eles reclamam tanto que só posso imaginar o quanto eles sofrem… Às vezes fico até com peninha deles…

    E, se Abílio Diniz e Antônio Ermírio têm motivos pra queixas, imagine o resto deste povo sofrido…

    Mas não estamos falando de indenizar sofrimento.

    Estamos falando de COMPENSAR minimamente pelos danos associados à ESCRAVIDÃO.

    Não creio que Abílio e Antônio Ermírio tenham sido prejudicados pela escravidão imposta a ancestrais deles… Até porque não consta que ancestrais deles tenham sido escravizados.

    Além do mais, a indenização a que me referi, foi a indenização paga pelo governo dos EUA a cada negro norte-americano, logo após o término da Guerra Civil.

    Além da indenização em dinheiro e em bens, o governo americano adotou medidas especiais de proteção, a fim de que os recursos e as propriedades recém-concedidas aos negros, não lhes fossem tomadas, por meio de manobras de seus ex-proprietários ou de outros espertalhões.

    No Brasil não aconteceu nada parecido. O Brasil deveria ter feito algo parecido, e não fez. Ao contrário, aqui tomou-se uma série de providências legais, a fim de IMPEDIR que o ex-escravo tivesse acesso à propriedade da terra que, na época, era a base econômica brasileira. Isso equivaleu a uma condenação à pobreza, com o objetivo de manter o negro como estoque de mão-de-obra abundante, barata e sem direitos.

    Nenhum grupo étnico, no Brasil, recebeu tratamento tão cruel e desonesto. Ninguém neste país sofreu tamanha espoliação.

    O sistema de cotas é uma medida mitigadora, tímida, insuficiente, e com atraso de mais de 100 anos.

    NÃO ESTOU DIZENDO, Edu, que se deve pagar indenização aos negros.

    ESTOU DIZENDO que essa indenização deveria ter sido paga quando da abolição da escravatura, a exemplo do que ocorreu nos EUA.

    ESTOU DIZENDO, também, que a ausência dessa indenização, BEM COMO os impedimentos legais para o acesso à propriedade da terra, prejudicaram enormemente a população negra do Brasil, posto que, na prática, a condenaram à pobreza.

    Isso tornou a competição muito mais desfavorável ao negro. Tornou mais difícil ao negro, p.ex., proporcionar educação aos seus filhos.

    Não por acaso, a maioria esmagadora da população negra brasileira entrou no Século XX vivendo bem abaixo da linha de pobreza.

    Claro que são necessárias medidas especiais pra equilibrar esse jogo, né?

  45. Edu said

    Elias,

    Então vc está dizendo que a população negra brasileira foi condenada a pobreza por conta da evolução dos direitos dos mesmos aqui no Brasil.

    Se essa informação é verdadeira, a contrapartida deveria deixar o argumento em pé, correto?

    Então os negros são condenados à pobreza e os brancos pobres ficaram pobres porque quiseram, e estes últimos não merecem medidas especiais para equilibrar esse jogo. É isso?

  46. Elias said

    Edu,
    Eu disse, e repeti várias vezes, que:

    1 – Quando da abolição da escravatura no Brasil, os ex-escravos não receberam nenhuma indenização, ao contrário do que ocorreu nos EUA, onde foi proporcionada uma indenização em dinheiro e em bens (cavalos, bois e terras) aos ex-escravos.

    2 – No Brasil, além de não se pagar nenhuma indenização aos ex-escravos, adotou-se todo um conjunto de normas LEGAIS, que IMPEDIRAM o acesso do negro à propriedade da terra, quando a propriedade da terra era a base da economia brasileira.

    3 – Evidentemente, mais que evidentemente, isso condenou a maior parte da população negra brasileira à miséria, posto que dificultou ENORMEMENTE a participação do negro no processo competitivo próprio das sociedades capitalistas. É como te colocar, Edu, pra disputar uma corrida, amarrando uma bigorna nos teus pés.

    4 – Isso agravou a dívida histórica do Brasil para com os negros. Além da escravidão, houve, ainda, a posterior discriminação, com o claro propósito de manter o negro como mão-de-obra abundante, barata e destituída de direitos.

    5 – Daí porque iniciativas legais como a adoção do sistema de cotas, a meu ver, constituem uma tímida, insuficiente e mais de 100 anos atrasada reparação.

    6 – Disse, também, que nenhum grupo étnico ou social, no Brasil, sofreu injustiças que se comparem às injustiças que vitimaram os negros em nosso país. A comparação prostitutas, que tentaste fazer, é imprópria, até porque prostituição é uma OCUPAÇÃO, que reflete uma opção de vida. Já a condição de negro não é uma escolha…

    Não tem nada de “evolução de direitos”. Que “evolução”, Edu? De onde tiraste isso? Foi uma lei proibindo o acesso dos negros à propriedade da terra. Só isso e pronto, Edu.

    E quem disse que “os brancos ficam pobres porque querem”? Que diabo é isso?

    A diferença, Edu, é que nunca houve lei no Brasil proibindo que o branco tivesse acesso à propriedade da terra e dos meios de produção. Essa a diferença, Edu!

  47. Michelle de Souza malone said

    Hello and boa tarde? …a todos

    Boa viagem, Pax!

    Mas sinto muito Pax. Teu sonho acabou …
    Este governo- dilma a gepone – é ruim pra kct!
    pracaralhoabeça , se vc preferir.
    Nomear um bispo pra Min da Pesca para ajudar a eleição paulistana é…
    algo “nunca-antes-nestepais”!!! visto
    (ou até cheirado pelo Zé D. ou pelo Ricardo K. …rsrsrs)

    Tá na hora de virar oposição … menininhos
    Chega de ,try and error
    antes q a vaca enterre até o chifre na lama petista!
    PT saudações…virou partido de aluguel

    Sem beijos for now!

  48. Zbigniew said

    O Brasil ta se acabando, o mundo ta se acabando, o PT ta dominando tudo, corrupcao por todo lado, saude e educacao em frangalhos, e o fim… e o fim…. mas…

    Que noticia e esta? Os governos mais a esquerda fizeram isto na America Latina?!!! Que nada! Foi o software automatico, supermegaplus deixado pelos direitistas desde o seculo passado. Essa pedra filosofal e o dez! Ah! esses direitistas!

    Da Agência France Press, desde Washington:

    “O número de pobres que vivem com menos de US$ 1,25 por dia caiu a níveis recorde na América Latina no triênio 2005-2008, a 6,5% da população, a mesma tendência apresentada em todos os países em desenvolvimento, informou nesta quarta-feira o Banco Mundial.

    Em 2008, um total de 1,29 bilhão de pessoas, o equivalente a 22% da população dos países em desenvolvimento, vivia em extrema pobreza, ou seja, com menos de US$ 1,25 por dia, a cota internacional fixada pelo Banco Mundial.

    Isso representa uma queda pela metade em relação a 1990, quando o BM começou a avaliar de forma sistemática e integral a pobreza no mundo.

    Também significa que o primeiro objetivo de desenvolvimento do Milênio, que era reduzir a extrema pobreza à metade em relação a 1990, foi cumprido antes da data limite de 2015, segundo as estatísticas do Banco.

    Um total de 1,94 bilhão de pessoas vivia em extrema pobreza em 1981, o que acentua o êxito desta redução da pobreza, levando-se em conta o aumento geral da população mundial.

    “Esta redução geral ao longo de um ciclo trienal de seguimento se dá pela primeira vez desde que o Banco começou a contabilização da extrema pobreza”, explicou o texto.

    AL E CARIBE

    Na América Latina e no Caribe, “a partir de um máximo de 14% de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25 por dia em 1984, a taxa de pobreza alcançou seu nível mais baixo até então [6,5%] em 2008″, explicou o texto.

    A porcentagem de pobres que vivem com menos de dois dólares por dia na região era de 12% em 2008, explicou em uma coletiva de imprensa por telefone Martin Ravallion, diretor do Grupo de Pesquisas do Banco.

    Na América Latina, o número de pobres aumentou até 2002, mas veio diminuindo de forma pronunciada desde então.”

    2002,2002, 2002? O que será que aconteceu de lá pra cá, o que será?”

    http://www.tijolaco.com/queda-recorde-na-pobreza-extrema/

    O individualismo exacerbado, a bocalidade inerente, a linguagem raivosa e desrespeitosa, o culto a propriedade, ao dinheiro e a filosofia do “self made man” sob o signo de um dogmatismo estupido e pueril, a rejeicao e ojeriza a fraternidade numa sociedade de co-irmaos, tudo isto e caracteristica da direita raivosa, incapaz de enxergar avancos, mas, pior que isto, incapaz de entender a necessidade de politicas publicas de inclusao social e distribuicao de renda. A logica do mercado anuviou a mente dos direitobas empedernidos e os levou ao vicio dos discursos padroes de desconstrucao e do nao-debate. Por isso nao sao levados a serio, ficando a falar sozinhos ou para alguns poucos pontos percentuais da populacao.

  49. Zbigniew said

    Mas a logica do mercado abencoa esta relacao, que sera eterna enquanto dure:

    “Fica assim como sempre foi:

    O Galvão escolhe o técnico da seleção;

    O técnico da seleção escala as estrelas do Brasileirinho da Globo. O Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, que não joga bola desde que saiu de Milão.

    O Brasileirinho é um campeonato em que só jogam o Flamengo e o Corintians;

    Os jogos do Brasileirinho continuarão a ser às 10h da noite, para premiar o trabalhador brasileiro, que, como se sabe, não trabalha no dia seguinte;

    Só o Mauro Naves e a Fátima Bernardes tem acesso aos jogadores da seleção;

    E a seleção continua essa Bósnia, como diz o Bessinha.

    (Aqui se omitem observacões sobre a administração das finanças pessoais do Mr Teixeira, da CBF e do COL. Aqueles pormenores que levaram o repórter da BBC a perguntar: “Mr. Teixeira, did you accept the bribe ?”.)

    (Como o Cerra, o Mr. Teixeira é eterno !)”

    E certo que a selecao esta sendo montada para nao ganhar a copa 2014.

    http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/03/01/mr-teixeira-fica-a-globo-deita-e-rola/

  50. Elias said

    E a privataria tucana?

    Uma das estatais privatizadas no âmbito da privataria Tucana foi a Celpa (Centrais Elétricas do Pará). A Celpa é sucessora da “Força e Luz do Pará” que, por seu turno, era sucessora da Pará Eletric, a popular “paralítica”, picaretagem inglesa feita pra arrancar na marra o dinheiro devido por conta do megacalote que resultou dos delírios liberalóides de almanaque do Ruy Barbosa, a quem o Edu tanto admira…

    A Celpa foi privatizada quando era governador o tucano (hoje ex-tucano) Almir Gabriel. Quem comprou foi o grupo Rede, já estabelecido no Centro-Sul do país.

    O ágio foi o menor de toda a privataria tucana: módico 0,1%. E foi privatizado só o ATIVO da empresa. O PASSIVO foi “absorvido” pelo Estado do Pará. “Absorvido” é eufemismo pra dizer que as dívidas da Celpa foram, até o último centavo, transferidas pro contribuinte.

    Coisa de “mamãe, quero mais!”.

    Tão logo privatizada, a Celpa imediatamente implantou uma estratégia pra “minimizar custos e maximizar lucros”, de modo a encher seus acionistas de alegria e, sobretudo, de dinheiro… Não investiu na expansão ou na melhoria da rede de distribuição e reduziu ao mínimo dos mínimos as equipes de manutenção.

    Resultado: apagão pra tudo que é lado!

    A capital do Estado é quem mais sofre, por estar em pleno processo de expansão. Belém se tornou um enorme canteiro de obras, e a substituição de casas térreas por edifícios com mais de 30 pavimentos muda por completo a demanda de energia. Como a rede de distribuição não foi modernizada e ampliada, ela entrou em colapso.

    E os lucros da Celpa?

    Ah, a Celpa bamburrou! Os lucros que ela não distribuiu aos acionistas, ela investiu numa hidrelétrica que ela se meteu a construir, não sei diabos onde.

    Acontece que esse investimento… Gorou! As obras estão paralisadas há um porradal de tempo. Falha de projeto, falha de orçamento, falha de programação de fluxo de caixa, falha disso, falha daquilo… Sei lá!

    Agora, a Celpa entrou em concordata. Está com um rombão de mais de um brilhão de reais.

    A rigor, a diretoria da Celpa deveria estar na cadeia. No meio dessa dívida imensa, tem impostos indiretos e, ao que parece, contribuições de funcionários à Previdência Social.

    Quando uma empresa não recolhe impostos DIRETOS, ela está sonegando. Quando ela não recolhe impostos INDIRETOS e CONTRIBUIÇÕES, ela está ROUBANDO.

    É que os impostos diretos são pagos pela própria empresa. Já os impostos indiretos e as contribuições, são pagos pelos clientes e/ou empregados. A empresa é apenas um intermediário entre o contribuinte e o Estado. Quando ela não recolhe impostos indiretos e contribuições, significa que ela recebeu o dinheiro dos contribuintes e o embolsou, em vez de procedeu ao recolhimento devido. Ou seja, ela ROUBOU.

    As leis brasileiras já tipificam esse tipo de crime (até bem recentemente, não tipificavam), a exemplo do que já fazem os países civilizados há muitas décadas.

    Só falta aplicar a lei.

    Quando eu disse, no Weblog e no PolíticAética, que a Celpa tava levando farelo, a galera liberal e de direita chiou, ironizou, rosnou… Só bosquejamento inconsequente, claro!

    Duvido que esse pessoal tenha alguma grana investida em ações. E, se tiver, duvido que algum deles tenha investido um único centavo em ações da Celpa.

    Se investiu… Tubulou!

  51. Elias said

    Zbigniew,

    Muito bem lembrado!

    A acentuada redução de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza, na América Latina e Caribe, aconteceu exatamente depois do restabelecimento da democracia na maior parte dos países da região e, principalmente, com a chegada ao poder de partidos de esquerda ou centro-esquerda.

    Nada como a velha, empedernida e boçal direita no poder, pra perenizar e ampliar a miséria…!

  52. Zbigniew said

    Elias,
    são uns coitados.
    Vivem rangendo os dentes, espumando (como é da característica desses velhacos), mas de bom não trazem nada para o mundo.
    São de uma filosofia materialista, creditando que todo e qualquer avanço da humanidade se deve ao capitalismo.
    Aceitam que as empresas adotem a ordem de valorização da pessoa em suas crenças de recursos humanos, mas o que importa é o lucro a qualquer custo, ainda mais se gerados pelos modelos matemáticos dos derivativos, obra-prima da financeirização, cujo poder deletério revelou-se através da desregulação dos mercados (os poodles europeus hoje dançam pra resolver os “restos a pagar” das esquações metafísicas – os poodles de cá ficam quietinhos, apontando apenas que o PT é o partido mais corrupto do universo, sambando pra segurar São Paulo e priu – projeto de país nem pensar).
    Inventaram o neoliberalismo, esta fascinante filosofia que diz assim: “não queremos pagar impostos, queremos viver nos nossos nichos, o Estado que nos subsidie e nos socorra em nossas loucuras e, podemos fazer isso porque os avanços da humanidade que nos dão prazer e conforto são obras nossas. Está mais do que justificado. Os lucros criminosos e exorbitantes também”.
    Aí assumem uns caras de esquerda e a miséria diminui, dando ao capitalismo dos empedernidos uma massa de consumo que antes não tinham. E aí? Aí eles fazem muxoxo e que não é com eles, porque o que importa é que o PT é o partido mais corrupto da história universal. É com esse discurso que esses caras querem ajudar a direita a voltar ao poder? Taí o DEM em vias de extinção que não nos deixa tergiversar. Que o PSDB se cuide ou vai pelo mesmo caminho, e com o Serra novamente na cabeça…

  53. Edu said

    Elias,

    1 e 2 – Eu perguntei se vc queria indenizar, vc disse que não. Então pare de repetir isso, não agrega em nada o seu argumento. Eu evitei falar sobre isso porque esse exemplo não se aplica: a partir do momento em que os EUA indenizaram (e na minha opinião fizeram certo) e o Brasil não, acabaram-se as semelhanças, simplesmente não há como retroceder.

    E vc mesmo afirma que não devemos indenizar. Então novamente: pra quê essa insistência?…

    A menos que vc queira levar a comparação até o fim e considerar o pós-indenização, onde, nos EUA as leis também eram segregadoras, os ambientes eram segregados, era praticamente um apartheid, que durou muito mais do que as escolas públicas brasileiras. Manifestações lideradas por negros, Ku Klux Klan, violência racial, guetos e uma série de coisas das quais o Brasil passou longe no q vc chama de “período de mão-de-obra barata”. Seria porque os brasileiros eram mais desunidos? Seria porque os brasileiros tinham menos força? Seria porque os brasileiros acabaram mais deseducados? Seria porque os brasileiros no fim das contas acabaram aceitando sua situação, que apesar de ruim, já era muito melhor que antes? Isso aqui, meu amigo, nunca iremos saber.

    Mas para fechar esses pontos (1 e 2) retomo uma frase sua: no limite, homem vira bicho. Durante a escravidão, houve rebeliões, os escravos se organizavam, havia quilombos etc. Eles haviam virado bicho. Depois, ainda que servindo de mão-de-obra semi-escrava, isso acabou, e acabou sabe porquê? Porque começaram os imigrantes, que também serviam de mão-de-obra semi-escrava… só que eles não são comparáveis, né? Eles não merecem compensação….

    3 e 4 – Escravidão, discriminação e finalmente igualdade de oportunidades. Os descendentes sofreram mais e demoraram mais sim para alcançar a igualdade de oportunidades.

    Hoje, como vc mesmo disse, 100 anos depois temos igualdade de oportunidades, e sendo assim:

    – Um negro pobre tem a mesma igualdade de oportunidades que um branco pobre
    – Um negro rico pode fazer absolutamente tudo o que ele queira fazer, igual a um branco rico
    – A diferença entre oportunidades causada pelos problemas nos serviços públicos (e não por falta de compensações legais), está entre pobres e ricos e não negros e brancos

    – E hoje, se vc for tentar compensar maldades históricas que o Brasil fez aos escravos oferecendo cotas raciais a negros, vc está MUITO MAIS LONGE de compensar a tal da dívida histórica do que está de DISCRIMINAR OS BRANCOS POBRES, já que estes últimos HOJE usufruem da mesma igualdade de oportunidades que os primeiros.

    6 – Por que eu comparei prostitutas?

    Sim, trata-se de uma profissão, uma profissão onde a mulher é vulgarizada e desvalorizada provavelmente desde que a profissão surgiu.

    E ao contrário do que vc pensa, já que estamos falando de uma “dívida histórica”, praticamente até as leis trabalhistas mais recentes e a emancipação feminina, as mães solteiras, mulheres que eram proibidas de trabalhar e/ou não tinham como garantir seu sustento ou o sustento para suas famílias, caso não conseguissem se casar, eram levadas à prostituição (assim como o pobre que rouba porque tem fome hoje, tão defendido pelos esquerdistas). Não era uma opção de vida, era uma fatalidade, e sim, prostitutas endividadas viravam escravas, prostitutas apanhavam, eram exploradas, amarradas, violentadas etc etc etc.

    Só que prostitutas não foram o único grupo que usei como exemplo, ainda tem mulheres e imigrantes, para colocarmos em uma perspectiva em que justifique algum tipo de “dívida histórica”.

  54. Edu said

    Zbig,

    Cara, depois vcs falam mal do Tio Rei… Realmente, o Tio Rei dá suas manipuladas, grita, esperneia, quando envolve a religião então, pai amado… parece uma freira de TPM.

    Mas o “TioJolaço” é diferente, ele com a maior cara-de-pau do mundo escancara o modus-operandi da esquerda atual. Além, é claro, de ele não usar de linguagem desrespeitosa, ele usa a linguagem “sacaneosa”.

    Mas tudo bem, de um jeito ou de outro é muito legal ler nas entrelinhas do que ele escreve.

    Eis a minha leitura, gostaria de compartilhar. Não precisam rebater, é só pra vcs verem o que passa na minha cabeça quando eu pego um texto desses.

    Começa minimizando a corrupção.

    – Não tem problema, pq os fins justificam os meios
    – Corrupção é a herança maldita da direita mesmo, eles que resolvam quando e se voltarem ao poder, hoje nos beneficia, e outra: se eles já roubaram eu nós também podemos roubar, é a nossa vez.
    – E o Elias aplaude se o Estado arrecadar mais (presente de grego, né?). Mais pra quê? Para acabar no bolso da esquerda?

    Tendo em vista o raciocínio da nossa esquerda nacional, Elias tem razão, faz todo sentido.

    Mas vamos falar do que a esquerda fez:

    – Do ano 1 depois de cristo até o ano de 2002 todas as decisões econômicas, fiscais, sociais, etc só tiveram um objetivo: fazer a população pobre da América Latina sofrer.
    – Em 2002 todas as lideranças esquerdistas da América Latina apertaram o botão “reset” econômico, porque economia não é algo contínuo, não é algo herdado, economia se faz aqui e agora, apenas com decisões de curto-prazo.
    – Então, entre 2002 e 2008 a esquerda mudou drasticamente toda herança econômica maldita da direita e transformou ela no maior resgate de miseráveis jamais visto na história humana.

    Gostei muito do que o TioJolaço disse: herança maldita (mas só para a imprensa não se zangar) é a corrupção; herança econômica não existe e a esquerda sabe tudo de resolver problemas sociais.

    “O individualismo exacerbado, a bocalidade inerente (até aqui a linguagem não é desrespeitosa),a linguagem raivosa e desrespeitosa … , dogmatismo estupido e pueril (opa, de onde vem a linguagem mesmo?), …, tudo isto e caracteristica da direita raivosa (ahh, entendi! É da direita raivosa, não a direita, só a direita raivosa, tá?),…”

    “A logica do mercado anuviou a mente dos direitobas (oi? Vc é da direita raivosa?) empedernidos (denovo?)e os levou ao vicio dos discursos padroes de desconstrucao e do nao-debate,…” (ahh! Tá explicado, vc tá nervoso pq os “direitobas” não querem debater, ou vc tá nervoso pq sua argumentação, por ser de esquerda tem que seguir a agenda escrita pelo Tijolaço, que é visivelmente deturpada e, portanto, inválida, para debater?)

    “Por isso nao sao levados a serio, ficando a falar sozinhos ou para alguns poucos pontos percentuais da populacao.” (tal qual o Tijolaço e seus 17 comentaristas)

  55. Edu said

    Elias,

    Just for the record: onde eu escrevi, ou vc leu, q eu admirava o Ruy Barbosa?

    Ainda assim, concordamos que a frase dele é útil e amplamente usada pelo direito brasileiro. Só que a esquerda e a lei não se dão muito bem…

  56. Zbigniew said

    Cara, Edu.
    Direitoba empedernido ou esquerda porra-loca, pode escolher.
    Agora, limitar o tijolaço a 17 comentaristas de um post é de um simplismo desconcertante.

    Olha, não fui eu que disse que de 2002 a 2008 as coisas melhoraram na AL. Foi a ONU. Reclama com ela.

  57. Edu said

    Zbig,

    Estou confuso, vc é da esquerda porra-louca?

    Estatísticas de comentários do blog do Tijolaço dos últimos 4 dias: 0, 2, 17, 39, 24, 32, 16, 24, 20, 16.

    Estava errado, admito, ele tem mais de 17 comentaristas.

    O número não é bom? Que outro indicador numérico e objetivo podemos levantar sobre a popularidade deste ilustre blogueiro?

    A ONU disse que foi a esquerda que melhorou a AL entre 2002 e 2008, INDEPENDENTEMENTE da preparação econômica dos governos de direita anteriores a este período?

  58. Zbigniew said

    Desculpe, o Banco Mundial.

  59. Edu said

    Ah sim, tá escrito no relatório do Banco Mundial:

    A diminuição da pobreza na AL não tem absolutamente nada a ver com a evolução econômica promovida pela direita até 2002, e é conquista exclusiva das grandes mudanças nas variáveis macroeconômicas, de curto-prazo, promovidas pelos governos de esquerda.

    É isso que está escrito lá?

  60. Elias said

    Edu,

    1 – A ausência de indenização, há mais de 100 anos, está na base das razões históricas para as cotas e demais compensações que deveriam ter sido adotadas pelo Brasil.

    2 – Que imigrantes vieram para o Brasil na condição de mão-de-obra semi-escrava? Os italianos? Os alemães? Os Japoneses? Ora, Edu… Podes fazer melhor…

    3 – O princípio da equidade como base doutrinária do Direito não foi formulado pelo Ruy Barbosa, Edu. Ele vem do Direito Romano. Aliás, bem antes do Direito Romano, o Código de Hamurabi já previa o tratamento desigual a dessemelhantes. A direita brasileira é que não tolera isso, em mais uma demonstração de que, nas idéias, ela é mais antiga que o Código de Hamurabi. Vá ser atrasada assim na baixa da égua…!

  61. Zbigniew said

    O, Edu. Tem razão. Injustiça! A direita, desde 21 de abril de 1500 que vem contribuindo para que de 2002 a 2008 a pobreza tenha diminuído significativamente. Ta certo que com avanços e retrocessos: a escravidão, a politica do café com leite, a ditadura… ops… desculpe… a ditanranda, segundo a Folha entre outros. Mas as bases foram lançadas para que o Lula (ah! esse Lula) e o PT pudessem, até que enfim, juntamente com as demais lideranças de esquerda da AL, reduzir a pobreza. E nao foi nada demais, já que as bases estavam lançadas, num lento e vigoroso processo desde 1500. Que injustiça com a direita, Edu. Que do.

  62. Edu said

    Elias,

    1 – Calmaí, vamos fazer o seguinte, deixa eu, humildemente, tentar organizar essa bagaça. Tudo isso porque vc julga nojento o fato de eu ser contra cotas raciais. Não vou militar contra, afinal, como eu já disse: foi aprovado, paciência, sou voto vencido, além disso, é democracia, não é? Ótimo! Tudo o que eu estou tentando fazer é tentar livrar a minha cara, pq não gosto que pessoas me julguem nojento sem conhecer meu raciocínio. Talvez, entendendo o porquê de eu ser contra, vc mude sua opinião sobre o fato de eu ser nojento.

    Ao que me parece há uma ligação entre o raciocínio de ser contra cotas e a nojeira pela possível correlação que haja entre ser contra e ser discriminador. Se eu estiver errado, o assunto se suspende, e vc tem que me esclarecer melhor porque vc julga quem é contra cotas (inclusive eu) nojento novamente, pq nesse caso, fica claro que eu não entendi.

    Se eu estiver certo, pretendo desconstruir essa imagem que me afeta argumentando o contrário. Então vamos à tese.

    Tese: As cotas raciais são discriminatórias

    Premissa: o princípio da equidade deve estar contido na lei de cotas (ele que garante que não haja discriminação, correto?)

    Argumentos:

    a) As cotas visam compensar o resultado da falta de indenização aos ex-escravos (a base da razão histórica, certo?), que os levou a permanecerem em regime de semi-escravidão e, consequentemente deixaram seus descendentes pobres. Porém, há outros grupos de pessoas que também, historicamente, viveram em regime de semi-escravidão, e, consequentemente deixaram seus descendentes pobres. Para ilustrar, podemos usar os imigrantes, que também foram afetados por isso, mais especificamente os italianos, que, por conta de suas dívidas passaram suas primeiras gerações vivendo em regime de semi-escravidão. Pelo princípio da equidade, descendentes de italianos deveriam receber cotas em uma proporção menor, já que os negros sofreram muito mais, mas aqueles não recebem. Neste caso, as cotas abrangem somente um público específico, e não o outro, caracterizando discriminação.

    b – Baseado na premissa de que o negro hoje tem mais chances de ser pobre porque seus antepassados foram escravos, as cotas se aplicam aos negros. No entanto, há brancos pobres e negros ricos. Se a aplicação do princípio da equidade pode ser traduzido por oportunidades iguais, aplicada a lei das cotas, HOJE, um negro pobre terá mais chances que um branco pobre. Uma compensação de uma dívida histórica não pode provocar justamente o que principiou esta dívida histórica: mais oportunidades para uns em detrimento de oportunidades para outros.

    Fim da argumentação.

    Se vc quiser refutar o que eu disse, ataque os pontos (a) e (b), basta provar que os argumentos estão errados. Eu não estou pendindo para vc mudar de opinião, muito menos estou julgando o fato de vc ser a favor das cotas. Eu respeito o fato de vc ser a favor. Inclusive, o motivo eu acho válido, a lei em vigor relativa a esse motivo não é.

    Que fique claro: eu acho que a escravidão, não só no Brasil, mas no mundo todo ilustra bastante o tipo de pensamento que a humanidade deve se afastar cada vez mais, mas se unindo e se respeitando e não segregando.

    2 – Está ali no argumento (a).

    3 – Será q vc ainda não entendeu q eu não falo em nome da direita? Se por acaso alguém de direita se alinha a isso é por acaso! Como eu já expliquei mais de 1 vez: eu tenho meu posicionamento, ele vai variar em função de fatos objetivos + ética pessoal. Se vc não conseguir argumentar dentro desse escopo, sugiro que pare de se desgastar com isso, eu não me importo de repetir quantas vezes forem necessárias a mesma coisa.

    De uma vez por todas: não importa quem inventou a equidade! Poderia ter sido a Hebe Camargo, Hitler, Stalin, Cristo ou Judas. O que importa é que hoje é um princípio do direito e vc está pode estar alinhado ou desalinhado com este princípio. Eu me alinho e se a direita não se alinha é problema dela!

    No entanto, o sistema de cotas é idéia progressista e de esquerda, e não segue este princípio, pelos motivos apontados em (a) e (b) citados acima. E enquanto vc não rebater de forma lógica os motivos (a) e (b), na minha modesta opinião, só prova que a esquerda NÃO segue o princípio da equidade. Não adianta ficar nervoso e rosnar para a direita…

  63. Edu said

    Zbig,

    Esforce-se um pouco mais. Vc conhece a diferença entre correlação e relação de causa e efeito.

    – Quando um político põe o dinheiro na cueca, só tem uma causa: a vontade dele botar o dinheiro na cueca. E a qualquer momento, se uma pessoa diz: “não, eu não vou botar o dinheiro na cueca”, o dinheiro não será posto na cueca e pronto.

    – Quando há diminuição da pobreza, há inúmeros fatores concorrentes que podem haver culminado para tal: pode ser a estabilidade econômica, pode ser projetos sociais, pode ser a evolução da educação, pode ser o nível de gastos do governo, pode ser o aumento da demanda por parte do resto do mundo, fatores inclusive que podem não ter dependido da política local. Significando que a correlação tem uma ligação mais frágil, se um político sobe lá e tenta desconstruir a estabilidade econômica, ele vai demorar pra conseguir fazer isso, se um político quiser empobrecer os ricos, ele vai demorar pra conseguir fazer isso.

    E sim, de 1500 até 2002 o bem estar social melhorou muito, mesmo para os mais pobres, diferente de Cuba, com seu regime bastante democrático, que piorou. Felizmente Cuba não tem peso mto grande nas estatísticas do Banco Mundial, nem no blog do Tijolaço, não é mesmo?

  64. Zbigniew said

    O, Edu! E nao e isto que estou dizendo?! Fui injusto com a direita mundial. Estou me penitenciando. Apesar de vocês terem levado cinco séculos para criarem os magníficos pilares para o PT e as esquerdas na AL operacionalizarem, vcs tem sim contribuído para a melhoria de vida de muita gente. Poxa, e a lista e extensa. Vou te dar só um exemplo (e aqui aproveito também para me penitenciar): Naji Nahas x 6000 pessoas do Pinheirinho. A direita preferiu o Nahas, e talvez isso explique os cinco séculos para implantar o software supermegaplus. Mas olha, nao se pode negar: a direita se esforça pra distribuir riqueza. Penitenciando-me eu cheguei a conclusão: e porque vcs sao mais tímidos. A esquerda porta-loca e que faz tudo apressadamente. E isso, Edu!

  65. Edu said

    Zbig,

    Quantas vezes eu tenho que falar? Eu não falo pela direita!

    Vc não entendeu nada! Deixa eu tentar ser mais didático.

    Para começar, estamos discutindo HERANÇ:.

    a) Herança para diminuição de pobreza
    b) Herança em corrupção

    O que o Tijolaço disse?

    Ele diz:

    – segundo o BM, a pobreza diminuiu
    – a pobreza diminuiu entre 2002 e 2008
    – o PT governou entre 2002 e 2008
    – Logo, o PT diminuiu a pobreza

    Só faltou ele provar que a pobreza não diminuiu antes de 2002 e 2008, ou seja a pobreza já vinha diminuindo. Isso basta para dizer que o PT não mudou o cenário, ele pôs mais ênfase no cenário. O PT HERDOU o cenário. O que EU NUNCA disse o oposto. No entanto, a forma como o PT peca em vários pontos, um deles é a corrupção (o famoso rouba mas faz).

    Agora vamos ver o que o Tijolaço diz sobre corrupção:

    – há corrupção na saúde, educação, etc. (entre 2002 e 2008)
    – a direita esteve no poder até 2002
    – a corrupção já existia
    – Logo, só há corrupção entre 2002 e 2008 porque havia antes e, por conseguinte, a culpa da corrupção é da direita

    Bastante conveniente o raciocínio do blogueiro mais popular do brasil. Ocorre que a premissa de que a corrupção existia antes de 2002 é bastante questionável em termos reais. Há sim inúmeros processos, há a tentativa de levantar a CPI da privataria mesmo. No entanto, se mudam os agentes políticos: por exemplo, até 2002 eram X e entre 2002 e 2008 eram Y, e quem faz corrução são os agentes políticos, como é que a corrupção pode ser HERDADA?

    Bom, nem ele nem vc conseguem me explicar. Não adianta rosnar para a direita vc tbm, não estou defendendo a direita, a esquerda é que anda incoerente. Se ela quiser se provar coerente pra mim, o ônus da prova é totalmente dela. Mesmo pq o governo imediatamente anterior a 2002 não é de direita. Aliás, sabe o que eu lembrei agora? PSDB e PMDB também são esquerda… talvez o Tijolaço tenha mais razão do que parece.

  66. Zbigniew said

    Nao, nao, Edu. Vc ainda nao entendeu (ou eu nao me fiz entender). Corrupção e PTsaem a ver com as esquerdas; evolução e software supermegaplus com a direita. Nao e assim? Cuba, kim Jon il, Stalin, etc., sao esquerda. A direita evoluiu o mundo: que o digam Tatcher, Reagan, Friedman, Pinochet, os Chicago Boys e as crises cíclicas a la Wall Street. Nao tem nem comparação.

  67. Edu said

    Zbig,

    A pergunta ainda não foi respondida:

    Os fins justificam os meios?

  68. Zbigniew said

    Devolvo: justificam?
    Há regimes imaculados ou padronizados?

  69. Elias said

    Edu,

    I
    CLARO que o governo petista REDUZIU a pobreza! Reduziu SUBSTANCIALMENTE a pobreza! Tanto que a própria pirâmide social brasileira se alterou. Houve uma alteração estrutural — ESTRUTURAL, Edu! — na pirâmide social brasileira.

    Quem reconhece isso? A ONU, a OEA, o Banco Mundial, o FMI, o BID, o jornal New York Times, a revista Economist, e um porrilhão de Chefes de Estado e intelectuais de esquerda, direito e centro, espalhados pelo planeta.

    A ONU, disse com todas as letras que, embora o Brasil tenha crescido menos aceleradamente que a China, ele avançou muito mais que a China na redução da pobreza. A ONU disse, com todas as letras, que a China cresceu com concentração de renda, enquanto que o Brasil cresceu com distribuição de renda. (O Pax fez mais de um post sobre o assunto. Deve estar aí, nos arquivos, com os respectivos comentários).

    É o que dizem ONU, OEA, FMI, BM, BID, NYT, Economist…

    Não por acaso, tem um monte de gente aí querendo que o Lula assuma a presidência do Banco Mundial (insisto em dizer que preferiria o Lula na presidência do BID, antes de assumir a Secretaria Geral da ONU… faço o adendo só pra chatear a galera bicuda e a subgalera direitoba, que teria motivos de sobra pra passar as noites mordendo e babando os respectivos travesseiros).

    Quem não concorda? O Reinaldo Azevedo, tu, o Chesterton…

    Não é que eu queira tripudiar ou minimizar a importância da opinião de vocês, a quem eu respeito muito, mas…

    …Entende…?

    II
    Quanto à relação do princípio da equidade com o sistema de cotas.

    Claro que o benefício de cotas aos negros produz um privilégio que o deixa em vantagem em relação a um branco pobre.

    E daí?

    Como perguntaria o Pax: o que têm as pantalonas com o orifício anal?

    Nesse passo, vais acabar dizendo que as cotas são injustas porque não contemplam o interesse de arranjar marido pra tudo que é mulher casadoura encalhada…

    Putz…!

  70. Edu said

    Elias e Zbig,

    Respondam-me uma coisa: vcs acreditam que o PT realizou SOZINHO essa diminuição significativa e estrutural da pobreza sozinho? Quer dizer, sem herança nenhuma?

  71. Elias said

    Edu,

    Quem falou em “sozinho”?

    O PT esteve, apenas, no comando da ação! Mandando no jogo, no meio de campo… Dirigindo a galera… Comandando o barco… Mandando ver…

    Entendeu?

    E diz a BBC Brasil, sobre o número mais recente da Economist: “A pré-candidatura “tardia” de José Serra à Prefeitura de São Paulo mostrou “o fracasso do PSDB” em formar uma nova geração de candidatos, opina a revista britânica The Economist em sua edição mais recente. ”

    Falei antes, certo?

  72. Patriarca da Paciência said

    “E diz a BBC Brasil, sobre o número mais recente da Economist: “A pré-candidatura “tardia” de José Serra à Prefeitura de São Paulo mostrou “o fracasso do PSDB” em formar uma nova geração de candidatos, opina a revista britânica The Economist em sua edição mais recente. ”

    É isso aí, Elias, você falou bem antes da BBC Brasil.

    E ainda nesse ponto o Lula sai na frente, procurando uma renovação no PT de São Paulo e que pode servir de exemplo para o Brasil.

    Chega a ser impressionante a capacidade política do Lula. Sem dúvida nenhuma é um verdadeiro homem de visão.

  73. Elias said

    Patriarca,

    Se tudo correr bem, entre 60% a 70% dos candidatos petistas às prefeituras, em 2012, serão “sangue novo”.

    Vai ter muita gente chiando, claro. Vai ter gente dizendo: “Ah, mas eu nunca me corrompi, e estão me tratando como se eu fosse mensaleiro…”. Coisas assim. Será o “jus esperneandi”… Mas a renovação vai seguir em frente e, se tudo correr melhor, logo ela vai andar com as próprias pernas.

    Claro que haverá um preço. Vamos perder em locais onde ganharíamos se recorrêssemos à velha guarda. Mas o negócio é preparar a maré vermelha de 2014, 2016, 2018, 2020…

    Vamos perder em 2012 para alguns Matusas, caindo aos pedaços. Em 2018 eles estarão tão velhos que mal conseguirão subior num palanque. Outros estarão subindo ou estarão prestes a subir, sim, mas à terceira instância…

    Em oposição a eles, o PT mostrará uma fornada de políticos jovens, temperados nas disputas brabas de 2010, 2012, 2014, 2016…

    Sangue novo! E sangue bom…

  74. Edu said

    Elias, Patriarca, Zbig e a que mais possa interessar:

    A princípio o que eu tenho, baseado no Ipeadata é o seguinte, para tentarmos avaliar o desempenho dos governos independentemente da herança:

    Fiz uma comparação dos dados do FHC (considerado por vcs como direita) vs os 8 anos anteriores (para que os períodos sejam iguais) e os dados do governo Lula vs os dados do governo FHC. Os indicadores analisados, bem como os resultados são os seguintes:

    1) A média das taxas de pobreza extrema no governo FHC diminuiu 15% e no período Lula, 25%.
    2) A média das taxas de pobreza no governo FHC diminuiu 12% e no período Lula, 15%.
    3) Analfabetos (15 anos ou +), FHC: -25%, Lula, -21%
    4) Domicílios com saneamento (água e esgoto), FHC: +21%, Lula 12%

    Outros indicadores não favorecem a comparação por falta de valores, alguns entre 1985 e 1991 e outros após 2000.

    Estou calculando os indicadores macroeconômicos, mas não tive tempo de levantar todos os números, quando tiver, eu apresento.

    Analisando somente as informações acima não temos nada de novo:

    – Lula privilegiou a redução da pobreza em detrimento a outras questões sociais.
    – Ambas administrações refletem um viés de melhoria geral na situação da população.

    Quando acrescentamos o fator corrupção, que ainda não fizeram um índice no Ipeadata para analisar isso, infelizmente, sabemos que o governo Lula passou por muito mais escândalos e que a herança do Lula contaminou fortemente o governo da Dilma. Aliás, se há uma herança de corrupção, quem herdou de verdade foi o FHC, pelo simples fato de que o Collor foi o seu antecessor. Aparentemente FHC lidou mto melhor com isso.

    Como já disse antes, esse blog me ajuda a votar com consciência. Se eu tivesse que tomar uma decisão entre Lula e FHC eu votaria no FHC, porque os indicadores sociais também melhoraram na gestão dele, no entanto os escândalos de corrupcão foram menores.

    Como Lula não é candidato, nem FHC, eu não tenho que decidir entre ambos (felizmente).

    —x—

    Sobre as cotas, vc acaba de dizer que o sistema de cotas é DISCRIMINATÓRIO, discriminatório com os brancos pobres, e eu que sou nojento?!

    Está aqui, nas suas palavras:

    “Claro que o benefício de cotas aos negros produz um privilégio que o deixa em vantagem em relação a um branco pobre. E daí?”

    Se a falta de equidade torna uma pessoa menos nojenta pra vc, eu prefiro continuar nojento.

    Já me dei por satisfeito, não precisamos discutir mais.

    —x—

    Em relação ao Serra, eu torço para que ele não ganhe as eleições. Estou totalmente de acordo com vcs, os quadros políticos devem ser renovados, precisamos de sanguessugas ops, de sangue novo. (Eu to falando sério, é que não resisti a colocar sanguessugas heheheh)

    Já disse antes: os paulistas devem estar se sentindo num episódio do Walking Dead! hahahahaha

    Tomara esse zumbi político descanse em paz de uma vez por todas.

  75. Edu said

    Ah, e Zbig,

    Pode até ser que haja corrupção em todos os mandatos, mas o valor do político no comando está exatamente no que ele faz em relação a esta corrupção, uma vez que é descoberta: o Lula e a Dilma foram totalmente lenientes para tratar do assunto.

    E não, os fins não justificam os meios. Já disse aqui: não troco o certo pelo mais ou menos certo e nem o errado pelo mais ou menos errado.

  76. Elias said

    Edu,

    Mais uma vez estás equivocado.

    Pax, Patriarca, Zbigniev, eu, etc., consideramos FHC, Serra e o PSDB em geral como CENTRO ESQUERDA.

    CENTRO ESQUERDA, Edu. Mesma posição do PT no espectro político. CENTRO ESQUERDA!

    Sabe porque as perspectivas do Brasil são boas? Porque o partido de situação e o principal partido de oposição são CENTRO ESQUERDA.

    Ou seja, a direita está no papel de coadjuvante. No papel de segunda linha do processo político, Edu. Raspa do pote…

    Assim que FHC se elegeu Presidente pela primeira vez, perguntaram a ele se o PT seria convidado a participar do gobverno. Sabe o que ele respondeu? O seguinte: “Não seria bom para o governo, não seria bom para o PT e, sobretudo, não seria bom para o Brasil.”

    Ele estava certíssimo! Se o PT e o PSDB estivessem juntos no governo, sabe quem lideraria a oposição? A direita. No momento do revezamento, sabe quem venceria a eleição? A direita. Aí, o Brasil estaria ferrado!

    Nada disso, Edu! O PSDB liderou uma composição política, e colocou a economia nos eixos, estabilizando a moeda. Deu fadiga de material, cansou. Quem liderava a oposição? O PT, que assumiu o poder, manteve a estabilidade econômica e promoveu o crescimento com distribuição de renda.

    Vai cansdar? Vai. Vai perder a eleição mais à frente? Vai. E quem vai assumir? O PSDB, espera-se…

    E a direita? Ah, a direita vai ficar rosnando, ofendendo todo mundo, espumando pela boca e babando… Na geral, Edu. Na geral. Um ou outro vai conseguir um lugarzinho na arquibancada… Uma quantidade ainda menor vai pras numeradas…

    Mas, no gramado, batendo um bolão, vai continuar dando CENTRO ESQUERDA. CENTRO ESQUERDA, Edu!

    Entendeu, agora?

  77. Edu said

    Elias,

    b^ebado escrvo; a quantidade de centor-esquerda escrit no seu texto ‘e minha bebedeira ou vc estava tebtando enfatizar alguma coisa?

    Ainda bem que o BRasil tem mtas riquezas, tem um povo que trabalha e tem mta fé.

    – A riqueza leva o povo a ignorar o problema da corupcão
    – O povoque trabalha bastante nao lê
    – E tem mta fé, pq quando tem lê, acredita no que lê e não questionad nada

    Com esses fatores o PT continuará reinando… coitado do Reinaldo. hahaha

    A fadiga do PSDB é tamanha que os caras tem preguica de arrumar um candidato novo oras.

    Obrigado por discutir comigo, aprendo mto com vcs.

    Um brinde!

  78. Zbigniew said

    Falando em corrupção (é da direita, mas é exceção, claro!):

    “Folha também escondeu caso Carlinhos Cachoeira

    Notícia sobre as relações do bicheiro com governador Marconi Perillo, do PSDB, e Demóstenes Torres, do DEM, é quase invisível no jornal; será que o PIG existe mesmo?

    247 – Pé de uma página par, sem fotos, e sem referência aos nomes dos políticos no título e no olho. Assim, a Folha de S. Paulo noticiou o que apurou sobre as relações entre o mafioso Carlinhos Cachoeira e dois personagens centrais da política goiana: o governador Marconi Perillo, do PSDB, e o senador Demóstenes Torres, do DEM.

    Intitulada “Preso pela PF tinha contato com políticos de GO”, a matéria está bem escondida. No entanto, a reportagem tem revelações importantes. Uma delas, a de que Perillo recebeu Carlinhos Cachoeira em audiência oficial. Outra, a de que Demóstenes jantava com frequência com o bicheiro, contando muitas vezes com a presença do governador. Além disso, Cachoeira era um suposto lobista da Delta Engenharia junto ao governo de Goiás.

    Assim, como a Folha, as Organizações Globo também esconderam o que a Operação Monte Carlo traz de mais relevante: o fato de Carlos Cachoeira possuir influência direta no governo goiano (leia mais aqui).

    http://brasil247.com/pt/247/midiatech/45585/Folha-tamb%C3%A9m-escondeu-c…”

    Essa história de PIG é coisa do PHA, aquele racista macomunado com o bispo.

  79. Elias said

    Zbigniew,

    O PSDB parece ter uma queda por pedófilos e empresários do ramo… digamos, zoológico.

    Aqui no Pará, um zooempresário, Mário Couto, é morubixaba do PSDB. Um dos principais aliados de Mário Couto e do PSDB, era o médico e ex-deputado Sefer, famoso por ter abusado sexualmente de uma menina que morava na casa dele, dos 9 aos 12 anos. Ele andou foragido por um tempo, mas acabou preso em outro Estado, foi recambiado pro Pará, e… Não, não, não… Ele não foi condenado… Está livre, leve e solto… Foi absolvido! É que a suposta vítima e as testemunhas desapareceram sem deixar vestígio… Que COINCIDÊNCIA, não? Entre milhões de habitantes paraenses, somem sem deixar vestígios exatamente aquelas cujo testemunho poderiam colocar Sefer atrás das grades (e servir de mainha e tiazinha prum pessoal que não via a hora de colocar a… digamos, mão nele…).

    Em 2010, Sefer até se candidatou de novo a deputado federal (não foi eleito, mas, aí, já seria um pouco… digamos, excessivo, né?).

    Mas eu falava de Mário, o Couto. O zooemprendedor do PSDB paraense. Ele foi presidente da Assembléia Legislativa, quando se juntou à… digamos, equipe empreendedora de Marcelo Gabriel, filho do então governador tucano, Almir Gabriel (que foi candidato a Vice-Presidente da República, na chapa de Mário Covas). Marcelo Gabriel e seu sócio eram proprietários de umas duas dezenas de empresas, que forneciam ao Governo do Estado e à Assembléia Legislativa material de limpeza, material de laboratório e ambulatório médico-odontológico, gêneros alimentícios, material de expediente, combustíveis, roupas profissionais, peças e acessórios para máquinas e veículos, refeições prontas e um extenso etc. Se fosse necessário, essas empresas forneciam até material aeroespacial…

    O mais impressionante é que essas quase duas dezenas de empresas tinham como sede um único escritório de pouco mais de 50 metros quadrados… Competência empresarial, claro…!

    Um dos fornecimentos mais surpreendentes desse… digamos, grupo empresarial, foi o de algumas partidas de tapiocas — isto mesmo, tapiocas! — no valor de alguns milhões de reais, para a Assembléia Legislativa paraense. Mário, o Couto, deve ter alimentado a população carente do Pará por um ano inteiro, só com as tapiocas que ele comprou de Marcelo Gabriel (que, pra fabricar tanta tapioca, deve ter usado a safra paraense de mandioca de uns dez anos…). É certo que nunca ninguém viu esse tapiocal todo, mas isso é só um detalhe…

    Daí porque Mário, o Couto, passou a ser também conhecido como Mário, o Tapiocouto.

    Hoje ele é Senador. Adequado, né?

    Pensando bem, taí uma boa finalidade pro Senado…! Já que essa porra não serve pra nada mesmo, a gente poderia usá-lo como instituição de aposentadoria pra grandes marginais. Em vez de presídio de segurança máxima, a gente colocaria os chefes de quadrilha no Senado, com a condição de que eles, sob palavra, abandonassem a vida criminosa, e passassem a se dedicar exclusivamente à vida corrupta…

    E os parceiros de… digamos, negócios, de Mário, o Tapiocouto?

    Ah, Marcelo Gabriel, filho do ex-governador tucano Almir Gabriel, foi preso pela Polícia Federal na “Operação Rêmora”. Depois, foi solto.

    Já os sócios deles continuam presos, mas por outro motivo. É que eles assassinaram dois irmãos do então deputado Alessandro Novelino, colocaram os corpos dentro de dois barris metálicos e os lançaram na foz do Rio Guamá. Acabaram sendo descobertos, confessaram o crime, os corpos foram resgatados e os assassinos foram condenados.

    Só gente fina, esses tucanos paraenses… Mas eu prefiro não convidá-los pra almoçar na minha casa…

    Se algum dos comentaristas quiser alguns desses tucanos, é só se manifestar, que ou mando entregar a domicílio. E ainda embrulho pra presente…

    Edu,
    Pensaste que a repetição de CENTRO ESQUERDA tava enfatizando alguma coisa?

    Nada, não… Magina…!

    É só impressão tua…

  80. Zbigniew said

    Pois e, Elias.

    Mas em Sao Paulo a moral do PSDB e alta. Pra mim tem muito da incompetência do PT e do engajamento da midia amiga, vulgo PIG. Vamos ver se o teto do Serra e retratil ou vai se expandir na mesma proporção da incapacidade do PT de explorar as fraquezas e imperfeições do PSDB.

  81. Michelle de Souza malone said

    Bom dia tarde noite a todos
    rsrsrs
    Um amigo meu foi direto ao ponto:

    O PT se compõe de dois grupos: um formado por gente incapaz e outro por gente capaz de tudo.

    Matou a pau!

    Edu..pra discutir seriamente com esta povo…só tomando várias.
    Eita porre!

  82. Zbigniew said

    Ainda na esteira do conservadorismo paulista, o Edu Guimaraes traz um raciocinio bastante elucidativo sobre o porque de Sao Paulo continuar a manter o PSDB a frente do governo do Estado e da capital. E nao se argumente que tudo sao flores e que o PT e incompetente. Sao Paulo e um caso a ser estudado e debatido:

    “(…)A direita paulistana costuma rebater a teoria sobre esse amplo e inarredável viés conservador da maioria dos paulistanos mencionando as eleições de Luiza Erundina, de Celso Pitta e de Marta Suplicy. Das mulheres por serem mulheres e de esquerda, e do homem, por ser negro.

    Essas eleições foram meros acidentes. Erundina se elegeu porque a eleição era em um turno só. Teria perdido de qualquer adversário que tivesse ido com ela para o segundo turno, se segundo turno houvesse à época.

    Marta foi produto da aliança inevitável entre PSDB, PT e mídia para derrotar Maluf, que a mesma mídia, anos antes, apoiara contra Eduardo Suplicy e que, sempre com a ajuda midiática, elegera Celso Pitta. O tresloucado apoio da mídia a alguém como Maluf só para impedir o PT de vencer uma eleição pôs São Paulo em estado de calamidade pública.

    Já o Pitta, o pobre Pitta, que foi usado e jogado fora, que não teria como governar porque herdou de Maluf uma massa falida e um esquema de corrupção institucionalizado na prefeitura, só se elegeu porque um homem branco e rico lhe deu seu aval, pintando-o como “mal necessário” para barrar “os comunistas”.

    Se Maluf tivesse sido eleito em 2000, é difícil prever que nível de tragédia poderia se estabelecer em São Paulo. Naquele ano, os serviços públicos estavam paralisados. A cidade parecia uma terra de ninguém. A prefeitura paulistana estava literalmente falida. Havia que impedir Maluf e só restou Marta devido aos 30% que o PT costuma ter em São Paulo.

    Assim mesmo, com mídia, PSDB e todo o aparato sindical e político do PT aglutinados em torno de Marta, foi duro derrotar Maluf em 2000. Ela teve 58.51% dos votos e ele, 41.49%. Chega a ser inacreditável que quase metade dos paulistanos tenha votado em Maluf. A cidade arrasada pelo candidato que ele indicara e a população lhe deu tal nível de apoio…(…)”

    http://www.blogcidadania.com.br/2012/03/na-falta-de-maluf/

  83. Elias said

    Zbigniew,

    De 30% a 38% dos eleitores é a média do PT em todo o Brasil.

    Isso faz dele, isoladamente, o 2º partido mais forte do país (logo depois do PMDB), mas não o capacita a vencer eleições em 2 turnos. Com as eleições em um turno, seria mais fácil pro PT. Ele levaria quase todas. Em dois turnos não dá (o pessoal que concebeu, gestou e pariu eleições em 2 turnos não era aprendiz… era tudo macaco velho de traseiro pelado…).

    Na verdade, nenhum partido brasileiro consegue vencer eleições sozinho no Brasil. Tem que fazer aliança, senão dança.

    O que está em jogo, na prática, é quem se credencia a liderar as alianças que disputarão o 2º turno.

    Na verdade, nos pleitos estaduais, um dos partidos que deveria liderar as alianças seria o PMDB, que é a organização partidária mais bem estruturada do país. O problema do PMDB é o envelhecimento dos quadros.

    O PMDB é deminado por um pessoal extremamnente competente, do ponto de vista político. É um pessoal tão competente e competitivo, que não permitiu o surgimento de novas lideranças. Os caciques do PMDB só largam a rapadura quando morrem.

    Dê uma olhada no pessoal que manda no PMDB: é uma turma que já dava nó em trilho na política quando mais de dois terços dos eleitores de hoje ainda nem havia nascido.

    Esses Matusaléns dominam o partido, mas sensibilizam cada vez menos o eleitor. Não têm gás pra disputar uma majoritária.

    Mais ou menos a mesma coisa aconteceu com o pessoal mais à direita, tipo PFL/DEM e o resto da turma do rodapé…

    Não houve renovação de quadros nesses partidos, e, por isto, eles vão amargar um longo período de submersão (no Brasil, a praxe é extinguir a sigla desgastada, arranjar um outro nome ou ressuscitar siglas do passado: e lá vem de novo PSD, Partido Republicano, etc.).

    Algo parecido está acontecendo com o PSDB. Isso é terrível, porque o partido não tem a mesma estrutura do PMDB. Em mais da metade dos casos, o PSDB é um partido sem militantes. É só um escritório político, armado em torno de uns poucos tuxauas. Se os tuxauas ficam fora de combate, o partido some…

  84. Elias said

    Zbigniew (ainda na esteira do comentário # 82),

    Pra mim, ainda não está clara essa história de que o eleitor paulista é mais conservador que a média brasileira.

    Se juntarmos as preferências de voto da esquerda/centro esquerda paulista, a soma supera a preferência na direita em pelo menos uns 3 pontos percentuais.

    Acontece que a esquerda e a centro esquerda paulistas costumam sair dividida nas eleições. Aí acabam parecendo ser menores que do são.

    Evidentemente que Marta venceu porque teve o apoio de Mário Covas. Mas… Mário Covas era direita?

    É o caso do Serra. No frigir dos ovos, Serra é mais “esquerda” que um monte de gente do PT…

    Se eu morasse em São Paulo, o Mário Covas só não teria meu voto se ele estivesse disputando diretamente com o PT. Contra qualquer outro candidato, Covas teria meu voto sem pestanejar.

    Em 2010 houve uma inflexão no tom da campanha do Serra. A direita acabou hegeminizando a campanha. O tom inicial foi substituído por um tom vociferante, espumante, babante, rosnante, ofensivo, idiotizante, zurrante, ladrante, grasnante e semipornográfico, típico da direita brasileira.

    Esse rosnado hidrófobo, tão caro à direita brasileira, faz muito barulho, porque a direita tem o controle de boa parte da mídia. Mas não conquista apoio. Não consegue votos. O linguajar pernóstico, elitista, de quem se acha mais capaz que seus oponentes, acaba despertando mais antipatia do que simpatia. Afasta as pessoas cujo apoio pretende conquistar.

    Ou seja: quanto mais a direita acha que é mais inteligente, mais ela age como uma completa idiota.

    O resultado foi o que se viu. Quanto mais a direita hidrófoba hegemonizou a campanha do Serra, mais rapidamente a Dilma passou por cima dele e avançou em direção à vitória.

    As eleições de 2010 foram, aliás, um excelente campo de prova pra demonstrar o quanto declinou a capacidade da “grande” mídia, de formar opinião. Hoje sabemos que essa capacidade está mais baixa que poleiro de pato…

    E, quem ainda tinha dúvida, é só analisar o que houve em 2011, com os episódios de troca de ministros. A “grande” mídia fez o que pode pra usar os episódios como ferramentas para o desgaste de Dilma. E o que aconteceu foi exatamente o oposto… Uma das análises mais recentes da Economist diz que, neste momento, Dilma seria imbatível numa eleição presidencial (confirmando o que, de resto, tá mais que na cara, né…?).

    Em 2010, a principal “ameaça” a Dilma, se é que se pode usar o termo, ainda que aspeado, veio de Marina, quem tem a ver com a direita tanto quanto Mané Garrincha tinha a ver com basebol…

  85. Zbigniew said

    Elias,
    as aliancas sao necessarias, e ate salutares. Um unico partido com todo poder sacrifica a democracia. Deve haver um equilibrio de poderes. O problema e como essas aliancas sao feitas e exercidas e o preco que e pago.

    Mas, alem disso, o que o Edu Guimaraes propos foi um debate em cima do conservadorismo do eleitorado paulista. Por meu turno acredito que ali ocorre mais ou menos o que ocorre nos EUA, com apenas dois partidos com chance de conquistar o poder. So que aqui com o gravame de que apenas um permanece no poder e outro com alguma chance, mas sempre com grandes dificuldades em face dos poderes economicos estarem alinhados com o PSDB. Alem, claro, dos principais meios de comunicacao. Tudo bem, e um poder e tanto, mas o que nao consigo entender e como, depois de tantos problemas de administracao, como a questao do PCC e das cheias do Tiete, os paulistanos ainda se deixam levar pelo canto da sereia. O caso Maluf e emblematico. Um cara procurado pela Interpol nao teria dificuldades de se eleger pelo Estado. De outro lado o discurso do PT corrupto pegou pesado e o odio politico parece estar bem entranhado na populacao, principalmente na classe media. Exceto pelo teto do PT.

    O desafio e como o PT quebrara essa logica. Sera possivel? A estrategia do Lula de renovacao dara certo? Sem a presenca carismatica do ex-Presidente chancelando um candidato desconhecido para o eleitorado paulista havera alguma chance? Ainda que o Serra tenha uma grande rejeicao, sera ela suficiente para mante-lo no teto historico sem romper essa barreira? Mas, o mais importante: como dobrar o sistema midiatico a favor do PSDB? Pela cooptacao e impossivel. O preconceito e odio ideologico regem os baroes midiaticos paulistas (e o grupo Globo). Pela diminuicao de sua importancia requer uma mudanca de cultura que passa pela internet e redes sociais e pela educacao para a cidadania, mas isto requer muito tempo. Sinceramente, para o PT a chance de ouro e com o Lula entrando na campanha do Hadadd. Resta saber se ele tera saude para isto. Nunca antes neste pais a direita torceu tanto contra o ex-Presidente.

  86. Elias said

    Zbigniew,

    Um troço interessante: no ano passado, a “grande” mídia paulista gastou toneladas de palavras pra demonstrar que o grande índice de aprovação popular do governo Dilma, depois das trocas de ministros, mostra que Dilma está se tornando “independente” do seu antecessor.

    Caraca…! Pra mim, tava mais que na cara a estratégia do PT e do governo, com o objetivo de desmoralizar e neutralizar a influência da mídia na capitalização política dos episódios de troca de ministros. Dilma acabou capitalizando tudo…

    A coisa foi tão óbvia que, até hoje, custo a acreditar que os adversários não tenham percebido.

    Alguém entrou na copa dos Civita, arrebentou com as cristaleiras, reduziu a pratarada a caco e os donos da casa, deitados em suas camas, resmungaram: “…Acho que tá rolando briga braba na casa do vizinho…”. Aí viraram pro outro lado, e continuaram a dormir…

  87. Zbigniew said

    Elias, escrevi sem observar o seu ultimo comentario.

    O conservadorismo paulista (muito mais forte no interior do Estado – mais rico e reacionario) tem muito a ver com o poder da midia local e sua relacao com os poderes economicos. Nao podemos desprezar a economia paulista. Sim, no ambito nacional eles perderam poder, ate porque fica dificil explicar para um nordestino que nao deveria votar no PT quando o partido melhorou a vida de muita gente por la. Bem como no resto do pais.

    O que acho que voce esta esquecendo e que Sao Paulo e um estado rico, menos sensivel as melhorias nacionais e muito influenciado pelos mantras midiaticos de corrupcao do PT (vejam o caso do Sarney, Calheiros, Collor, entre outras figurinhas tarimbadas e carimbadas pela propria midia que hoje os execram, mas, enquanto serviam aos interesses “certos”, eram preservados da forma com so eles sabem fazer).

    O que acho e que grande parte do eleitorado paulista vai na onda do odio ideologico contra o PT, o que traz grande dificuldade ao partido de se firmar no comando do estado mais rico do pais.

  88. Zbigniew said

    Nem sei, Elias.

    O jogo do poder admite acomodacoes e negociacoes. Se Dilma torna-se independente do antecessor, limpando o ministerio com a cara do Lula, reforca o discurso midiato para o consumidor paulista da corrupcao “lulista” e pode reduzir o seu apelo no Estado. Ele e ou nao padrinho do Haddad? La e ou nao sua base politica? Vao-se os aneis, ficam-se os dedos. Obviamente esse e um lucro menor, mas evidentemente calculado na equacao de, tambem, enfraquecer politicamente a Dilma. Nao conseguiram. Mas nao perderam tudo.

    Se conseguirem manter Sao Paulo, e a base mais importante para a conquista do poder central. A fadiga de material e inerente ao exercicio do poder (exceto em Sao Paulo). E e nisto que eles estao apostando, ate porque o Brasil nao e Sao Paulo, e, contraditoriamente, e nisto que eles estao apostando.

  89. Elias said

    Zbigniew,

    Não acho que o conservadorismo brasileiro vai diminuir em termos absolutos. E acho que ele vai ficar mais agressivo em suas exteriorizações.

    Vai acontecer com ele a mesma coisa que acontecerá com o racismo. Vai ficar mais ostensivo e mais agressivo.

    A razão é simples. Está havendo um processo acelerado de mobilidade social. Uma nova leva de brasileiros está tendo acesso aos supermercados, às lojas de shoppings centers, às viagens aéreas, aos automóveis, às motos, etc.

    Isso incomoda aquela turminha que sempre encarou essas coisas como privilégios seus (dela). Eternos e incompartilháveis privilégios.

    Essa turma agora se sente incomodada em ter que compartilhar os espaços “dela” com os negros e com a “gentalha”, a quem ela imaginava estar eternamente reservada a porta de serviço…

    Algo assim como uma dor de corno gigantesca, azucrinando a cabeça e deformando o focinho de milhões de direitistas brasileiros, uma das sub-espécies mais retrógradas, pestilentas e desprezíveis já surgidas neste planeta decadente…

    Os direitistas brasileiros são, hoje, cornos inconformados, furiosos e violentos.

    Nós, a esquerda, somos os Ricardões deles. Estamos em permanente risco de levar chifradas…

    Mas, em termos relativos, a tendência é de que a população de corn…, digo, de direitistas e conservadores brasileiros, se mantenha estável.

    Continuará a ser difícil, mas… é claro que vamos vencer a armada brancaleone do atraso, da injustiça, do ódio, do preconceito, da discriminação e da exploração dos mais fracos.

  90. Zbigniew said

    Elias,
    precisamos de politizacao para nao nos tornarmos cinicos. Nao podemos nos mover apenas por questoes economicas porque assim somos presas faceis nas maos dos meios midiaticos concentrados. Talvez isto explique um pouco o fenomeno em Sao Paulo. Nao falo nem dos direitistas segregadores e virulentos. Falo do homem comum, despolitizado, papagaio de pirata, que so vai dormir apos o boa noite do William Bonner. Esse e mais sensivel ao apelo midiatico e aos consensos fabricados ate porque ele esta muito mais preocupado em sobreviver ou ganhar dinheiro. O resto e conversa para intelectual. E ai que a porca torce o rabo.

  91. Elias said

    Zbigniew,

    Em praticamente todo o Brasil, cerca de 40% do eleitorado votaria em qualquer coisa pra não votar num candidato de esquerda.

    Não é só em São Paulo.

    E não é de hoje. Em 1964 um monte de gente saiu às ruas berrando “Verde e amarelo sem foice nem martelo”, e “Com Deus, pela família…”, como se os comunistas estivessem em vias de tomar o poder… Na realidade, o que estava em jogo eram as “Reformas de Base” de Jango, cuja principal meta era estabelecer 10 milhões de novos empreendimentos (micro, pequenos e médios) no país.

    Nada a ver com comunismo, portanto, mas… Quem queria saber disso? E o que se esperar de um país cuja elite econômica, até às portas do Século XX, achava que a escravidão era a única forma possível de se manter o aparelho produtivo nacional funcionando com um mínimo de eficiência?

    Olhe em torno. Veja o que dizem os conservadores e direitistas brasileiros. Agora, em pleno Século XXI, eles acham que assistência médica gratuita proporcionada pelo Estado é um absurdo. O ultra-conservador alemão, Bismarck, no Século XIX, já achava que não. Se Bismarck, o ultra-conservador alemão do Século XIX, ressuscitasse hoje no Brasil, seria chamado de comunista, estatista, que finge não saber que “não existe almoço grátis”…

    Mas, prestando mais atenção, você verá que os conservadores e direitistas brasileiros, de modo geral, perderam espaço político no país. Hoje, pra participar do poder, eles têm que parasitar um partido de centro ou de centro esquerda, como o PSDB. Algo bem diferente do que ocorria há algumas décadas.

    A esquerda tem problemas em SP? Tem. Assim como no RJ.

    Mas é preciso reconhecer que boa parte dos embananamentos da esquerda vêm sendo causados pela própria esquerda. É a incapacidade de constituir frentes políticas capazes de se opor aos conservadores e direitistas… É o se deixar contaminar pelo vírus da corrupção, dando argumentos para hipocrisia conservadora e de direita, que berra em altos brados contra os ladrões de galinha de esquerda, e, ao mesmo tempo, silencia covardemente e desonestamente diante dos bilionários ladrões conservadores e de direita.

    Tá certo, tá certo… A mídia conservadora é covarde, desonesta, hipócrita e nojenta. Mas ela não mente quando denuncia os ladrões de esquerda.

    Se você baixar o porrete em todo o tipo de ladrão, logo você baixará a crista dessa mídia, até porque ela está comprometida até a medula com certas facções da bandidagem. Se pelo menos uma parte da bandidagem de alto coturno for ferida de morte, certo como dois e dois que boa parte da “grande” mídia conservadora também o será. Porque a bandidagem de alto coturno está para a “grande” mídia conservadora assim como o oxigênio está para a vida.

    A tendência em se deixar seduzir pelo discurso conservador e de direita não é conseqüência de nenhum tipo de determinismo. Existem razões para isso. E as razões nunca estão só de um ou só do outro lado do muro. Quase sempre, estão dos dois lados.

    Em vez de ficar culpando o outro lado (até porque este cuida de fazer o que é melhor pra ele), melhor é a gente prestar mais atenção nos nossos próprios erros, nas nossas próprias falhas e nas nossas próprias culpas.

    Sem alarde, é, mais ou menos, o direcionamento que o PT está adotando. E não só em SP. Claro que ninguém tem vara de condão. Nada será como num passe de mágica. Mas, como diz meu filho de 11 anos: estamos em processo…

  92. Elias said

    Deu na BBC Brasil:

    “A presidente Dilma Rousseff voltou a criticar no início da tarde desta segunda-feira, em Hannover, na Alemanha, a nova oferta do Banco Central Europeu (BCE) de empréstimos a juros baixos a bancos da região, alegando que ela terá o efeito de desvalorizar artificialmente a moeda comum europeia e poderá criar bolhas na economia global.”

    “`A política monetária expansionista desses países produz um efeito extremamente nocivo, porque desvaloriza de forma artificial as moedas`, afirmou Dilma. `O que o Brasil quer é mostrar que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado, que é o câmbio. Não é tarifa, é o câmbio`, disse.”

    Destaco:

    1 – Os liberalóides estão “boca de abiu”. Não tugem nem mugem. Doutrina em adiantado estado de decrepitude e putrefação…

    2 – Vêm aí, uma nova política tarifária.

    3 – Os BC vai reduzir os juros, pra evitar a entrada excessiva de capital externo volátil no Brasil, bagunçando a política cambial.

    4 – O Marco Aurélio Garcia perdeu uma ótima oportunidade pra ficar calado. Quem está no governo NÃO PODE NEM DEVE abrir metade da matraca antecipando decisão do Copom.

    5 – Agora, que o Marco Aurélio já fez cocô pela boca, o mais provável é que o Copom adie a decisão de reduzir a taxa básica de juros, ou parcele a redução em dois ou mais meses, pra anular os efeitos da especulação provocada pela diarréia verbal do supracitado ditocujo Marco Aurélio, que passa a merecer o troféu “Tibloft-tibloft Pum!”, disputado apenas pelo pessoal de 1º e 2º escalão.

  93. Elias said

    3 – Os BC vai reduzir os juros, pra evitar a entrada excessiva de capital externo volátil no Brasil, bagunçando a política cambial.

    Bem entendido: o excesso de capital volátil é que bagunçaria a política cambial. A redução dos juros evita esse excesso, porque diminui a remuneração do volátil (que está sendo tomado a leite de pato, na Europa, graças ao derrame de dinheiro público que está sendo promovido pelo Banco Central Europeu).

  94. Zbigniew said

    Realmente eles ficam caladinhos. Este e o esquema que eles gostam. O sistema e phoda!

    E a Dilma la, com a Merkel tentando explica-la que o que esta querendo fazer e para o bem de todos. E a Europa cada vez mais nas maos da troika liderada pela Alemanha., e, consequentemente, da propria Alemanha.

    Cara! Quando e que as pessoas vao acordar para isso?! Logo os europeus, tao politizados? Cade os sindicatos? E as greves? Nao e possivel que nao exista um instrumento de pressao que force os governos a tomarem atitudes contra o clube Bilderberg. Fica dificil quando sao apenas gerentes, mas tem gente logo ali, pagando impostos e consumindo, e sao a maioria! A Islandia que o diga.

    Outrlo dia, no parlamento europeu, polticos conservadores, do espectro mais a direita, apontaram o dedo na direcao dos governos que hoje estao em dificuldade e denunciaram a banca financista como destruidora de democracias. Pra garantir e manter o sistema, democracia e apenas um detalhe. E mais ou menos o que acontece aqui, quando a midia engajada e amiga denuncia corrupcao – tem pra todo gosto, e existe mesmo!

    Enquanto isto Wall Street esta la, caladinha, resolvendo seus problemas com os gerentes deles, mas continuando a pagar polpudos bonus aos seus CEOs, que, participam alegremente dos programas de estagio no tesouro, no FED e como advisors do Presidente da vez, alem, logico, de criarem jurisprudencias em prol da banca. Regulacao? O que e isto? Deixem que os surtos ciclicos se repitam, gerem desempregos e destruam economias inteiras. Mas, e dai? A culpa sera sempre dos governos. E de uma certa forma eles tem razao.

  95. Elias said

    Zbigniew,

    1 – O Banco Central Europeu está inundando os bancos privados da Europa com dinheiro público a juro zero.

    2 – Os europeus, tomadores, metem esse dinheiro em economias como a brasileira, que necessitam ter uma taxa de juros alta, pra evitar a inflação. Como o dinheiro foi tomado na Europa a juro zero, sua aplicação no Brasil rende uma baba… Ao mesmo tempo, o excesso de dinheiro externo provoca uma supervalorização do Real. A conversão da renda da aplicação financeira, de Real para a moeda de origem, com a moeda brasileira valorizada, faz com que essa renda financeira fique ainda maior.

    3 – Aí os caras pegam a renda e repatriam. Levam pra Europa.

    4 – Ou seja: o empréstimo do BCE europeu acaba se convertendo em mais uma forma de drenar dinheiro dos países pobres para os países ricos.

    5 – Pra evitar isso, Dilma terá que adotar medidas como a redução da taxa básica de juros, a elevação de tarifas sobre a importação e, sobretudo, a elevação da tributação sobre rendimentos financeiros.

    6 – Quando ela chegar na terceira fase — elevação da tributação sobre rendimentos financeiros — aí, sim, os liberalóides vira latas, puxassaquildos, remelentos e ligeiramente descerebrados verde-amarelos vão reclamar, rosnando que “a carga tributária é alta demais”,´”é Estado demais”, as bisonhices idiotinhas de sempre…

    7 – Ter que conviver com gente assim é mesmo uma m…

  96. Olá!

    Caramba! Pelo menos nos últimos 20/25 comentários, não há um só contraponto ao que os esquerdistas escreveram.

    Então, vamos lá!

    O Elias escreveu mais acima no comentário #36

    “E haja dinheiro público pra fazer esse pessoal sair da crise!

    Quando ela passar, vai ter ‘liberal brasileiro’ (um tipo de doido mais doido que o mais doido ‘direitista brasileiro’) dizendo que quem venceu a crise foi o ‘livre mercado’, o ‘índice de liberdade econômica’, e outros elementos sobrenaturais que o liberal de almanaque costuma associar à popular ‘mão invisível’, uma espécie de Saci Pererê (ou Curupira, ou Caapora, ou Matinta Perêra, sei lá…!) da teoria econômica.”

    Eita! É o velho vício quermesseiro da esquerda.

    Elias, antes de chamar o livre mercado para tirar do buraco a social-democracia européia, que tal procurar os fatores que levaram-na a cair nesse imenso buraco das dívidas que cada país europeu contraiu ao longo dos anos?

    Foram décadas após décadas cultivando um imenso Welfare State que garantia e garante “direitos sociais” ao ponto do exagero e com o agravante de que apenas uma parte da população trabalha para gerar os recursos que mantêm esses direitos para todo mundo. O problema é que, com frequência, as contas não fechavam e tais países acumulavam dívidas. Adicione a isso o fato de que um Welfare State escandinavo só pode ser mantido com uma elevada carga tributária e até as pedras no fundo do mar sabem que alta tributação, não raro, contribui para um baixo crescimento econômico.

    Um cenário dessa natureza nada mais é do que uma bomba relógio esperando para ser detonada.

    Não foi e nem é o livre mercado que endivida os países, Elias.

    Aliás, Elias, até onde foram as suas leituras sobre o liberalismo? Você leu os liberais do século XX, por exemplo? Até onde eu pude argumentar com você, a sua idéia de liberalismo empacou nos séculos XVIII-XIX e toda aquela bobajada de “concorrência perfeita” e coisas tais. Do jeito que você escreve as coisas, parece até que você é um verdadeiro connoisseur do ideário liberal.

    E outra, Elias, para quem já escreveu certas barbaridades sobre o liberalismo e foi devidamente corrigido (aqui e aqui) por pessoas que, de fato, buscaram se informar sobre o assunto, quando a questão é o liberalismo, você deveria ficar quieto ou, no mínimo, procurar se instruir um pouco mais para não emitir gratuitamente recibo de ignorância.

    Tudo isso sem contar as outras bobagens que você já escreveu sobre o liberalismo.

    Aliás, o comentário do Vilarnovo e o meu comentário (linkados acima) dão uma boa mostra do que é a visão liberal. Bem diferente do vício quermesseiro aprendido na cartilha ideológica dada em algum desses sindicatos aparelhados por partidos.

    Então quer dizer que o Banco Central Europeu tem 530 bilhões de euros para dar ao sistema bancário de lá? Vale a pergunta: Onde foi gerado esse dinheiro? Surgiu no sindicato? Ou foram estruturas de livre mercado que geraram toda essa dinheirama que, agora, será posta nos bancos da Europa?

    Não fossem valores, instituições e estruturas de livre mercado, talvez sequer houvesse toda essa grana para dar aos bancos europeus. Afinal de contas, toda essa grana, se não foi impressa ao estilo Brasil-Anos-80, foi gerada no livre mercado e recolhida pelo governo através dos impostos. Parece que esse ponto os esquerdistas não entendem.

    Se todo esse dinheiro foi impresso out of thin air, boa sorte. Dinheiro que não vale nada.

    Aliás, sorte a do Brasil de ser um país do Estado Mínimo: Mínimo em educação, mínimo em saúde, e mínimo em segurança pública. Se o governo brasileiro tivesse de prover às pessoas todos esses serviços com a mesma qualidade que há no mundo civilizado, a dívida brasileira estaria na estratosfera ou para lá do do Cinturão de Van Allen ou da Nuvem de Oort! O Brasil estaria em sérios apuros! Com o agravante de que, diferentemente do mundo civilizado, no Brasil não há fortes estruturas, valores e instituições de livre mercado que gerariam os recursos para tirar o país do buraco. Pelo contrário, aqui, como certa vez disse um grande filósofo e polímata lá do Grão-Pará, “liberdade de empreender é potoca!“.

    Até!

    Marcelo

  97. Olá!

    Da Série “Liberdade de Empreender é Potoca”

    Aproveitando que o Elias, mais acima, citou o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation/Wall Street Journal e também levando em consideração que a presidente Dilma está na Alemanha, aqui vai um comparativo entre Brasil e Alemanha nos quesitos de liberdade econômica, percepção da corrupção e facilidade para fazer negócios (dados do Doing Business Report do Banco Mundial).

    Primeiro, o nosso Brasil varonil:

    Brasil

    Legenda:

    Coluna 01: Anos
    Coluna 02: Índice de Liberdade Econômica (Heritage Foundation)
    Coluna 03: Índice de Percepção da Corrupção (Transp. Internac.)
    Coluna 04: Qtd. de Procedimentos Para Abrir uma Empresa
    Coluna 05: Qtd. de Dias Para Abrir uma Empresa
    Coluna 06: % da Renda Per Capita Investido Para Abrir uma Empresa
    Coluna 07: Nome do País

    2004 . . 62.00 . . 4.00 . . 17 . . 152 . . 13.1 . . Brazil
    2005 . . 61.70 . . 3.90 . . 17 . . 152 . . 11.7 . . Brazil
    2006 . . 60.90 . . 3.90 . . 17 . . 152 . . 10.1 . . Brazil
    2007 . . 56.20 . . 3.70 . . 17 . . 152 . . 09.9 . . Brazil
    2008 . . 56.20 . . 3.30 . . 18 . . 152 . . 10.4 . . Brazil
    2009 . . 56.70 . . 3.50 . . 18 . . 152 . . 08.2 . . Brazil
    2010 . . 55.60 . . 3.50 . . 16 . . 120 . . 06.9 . . Brazil
    2011 . . 56.30 . . 3.70 . . 15 . . 120 . . 07.3 . . Brazil

    Média . 58.20 . . 3.69 . . 16.8 .144. . .09.7

    Comentário: No Brasil, no período 2004-2011, eram necessários, em média, quase 17 procedimentos para se abrir uma empresa, o que tomava, no geral, 144 dias do pobre do empreendedor e consumia, em média, quase 10% da esmilingüida renda per capita brasileira. Vejam lá como a liberdade econômica (1a coluna) e a corrupção (2a coluna) se relacionam com essas variáveis sobre empreendedorismo.

    Agora a Alemanha:

    Alemanha

    Legenda:

    Coluna 01: Anos
    Coluna 02: Índice de Liberdade Econômica (Heritage Foundation)
    Coluna 03: Índice de Percepção da Corrupção (Transp. Internac.)
    Coluna 04: Qtd. de Procedimentos Para Abrir uma Empresa
    Coluna 05: Qtd. de Dias Para Abrir uma Empresa
    Coluna 06: % da Renda Per Capita Investido Para Abrir uma Empresa
    Coluna 07: Nome do País

    2004 . . 69.50 . . 7.30 . . 9 . . 45 . . 5.90 . . Germany
    2005 . . 68.10 . . 7.70 . . 9 . . 45 . . 5.90 . . Germany
    2006 . . 70.80 . . 8.20 . . 9 . . 24 . . 4.70 . . Germany
    2007 . . 70.80 . . 8.20 . . 9 . . 24 . . 5.10 . . Germany
    2008 . . 70.60 . . 8.00 . . 9 . . 18 . . 5.70 . . Germany
    2009 . . 70.50 . . 7.80 . . 9 . . 18 . . 5.60 . . Germany
    2010 . . 71.10 . . 7.90 . . 9 . . 18 . . 4.70 . . Germany
    2011 . . 71.80 . . 8.00 . . 9 . . 15 . . 4.80 . . Germany

    Média . 70.40 . . 7.89 . . 9 . . 25.8 . . 5.30

    Comentário: Na Alemanha, onde “liberdade de empreender é potoka!“, no período de 200-2011, um empreendedor passava, em média, por 9 procedimentos para abrir o seu negócio, o que lhe consumia quase 26 dias e custava algo em torno de 5.3% da renda per capita alemã.

    Aliás, comparem o Índice de Liberdade Econômica e o Índice de Percepção da Corrupção com as três variáveis sobre empreendedorismo. Tirem suas próprias conclusões.

    Até!

    Marcelo

  98. Elias said

    Caríssimo Marcelo,

    Se você acha que o Vilarnovo me “corrigiu”, com as ingenmuidades que ele escreveu sobre o liberalismo, você está delirando.

    Claro, meu jovem, que o liberal diz que considera a propriedade “sagrada” (e, se o cara é sincero ao dizer isso, já está a meio caminho de passar de meio doido a doido e meio…). “Sagrada”…?

    Um dos problemas desse “credo”, meu caro jovem Marcelo, é a extensão que os liberais conferem ao conceito de propriedade.

    Um exemplo: os liberais consideravam os escravos sua legítima propriedade, já que os haviam comprado. Essa “propriedade” também era “sagrada” pra eles.

    Os liberais, meu caro jovem Marcelo, consideravam a escravidão uma instituição “sagrada” (para o que haviam obtido junto ao Papa um estudo “provando” que os negros não tinham alma e, assim, podiam ser escravizados).

    Daí o discurso de A. Lincoln, sobre “liberdade”, lembra? Aquele que diz que, quando um pastor libera o cordeiro das mandíbulas do lobo, o cordeiro o chama de “meu libertador”; já o lobo o trata como “destruidor de minha liberdade”.

    Porque, para o lobo, “liberdade” é poder destruir a liberdade (e a vida) do cordeiro…

    Sacou?

    Sem papo furado, Marcelo.

    Cadê as propostas dos liberais para debelar a crise do capitalismo europeu e americano, SEM APELAR PRA AJUDA DO ESTADO. SEM DEPENDER DA INJEÇÃO MACIÇA DE DINHEIRO PÚBLICO NOS BANCOS, SUBSIDIANDO O JURO ZERO.

    Não foram os liberais que disseram que a crise tinha sido provocada pelo crédito com subsídio estatal? O pessoal de Viena berrou isso durante mais de 2 anos (e o Vilarnovo ecoou isso aqui, no PolíticAética).

    Se a análise dos liberais estava correta, o BCE e o governo americano estão tentando apagar incêndio jogando gasolina no fogo, porque estão subsidiando ainda mais o crédito.

    Por que os liberais estão assim, caladinhos? Por que não chiam? Por que não pedem pra que parem com isso? Acima de tudo, POR QUE NÃO DIZEM O QUE DEVE SER FEITO, segundo o catecismozinho deles, que há dois séculos não conseguem atualizar?

    Marcelo, vocês é que estão parados há séculos. Vivem repetindo a mesma ladainha de “equilíbrio de mercado”, “mão invisível”, que nunca existiu em lugar nenhum nem em época nenhuma.

    A “mão invisível”, de tão invisível não tem nem nunca teve existência concreta. É tão crível quanto o Saci Pererê, o Caapora…

    Sem mais delongas, Marcelo: CADÊ AS PROPOSTAS? ONDE ESTÃO AS PROPOSTAS? O QUE FAZEM OS PARLAPATÕES LIBERAIS, QUE, AGORA, NÃO TÊM O QUE DIZER? POR QUE ESTÃO ESCONDIDOS NAS TOCAS?

    Estou falando de propostas, Marcelo. PROPOSTAS! Não a décima milésima transcrição sobre esse índice amalucado de “liberdade econômica”, construído e usado por quem nunca nem tentou montar uma mercearia…

  99. Edu said

    Elias, Zbig e a quem mais possa interessar,

    Agora são.

    Muita coisa foi dita! Li menos da metade, surgiram novas demandas aqui na minha vidinha pacata e estou atolado de trabalho e estudo até o último fio de cabelo.

    Mas to achando bastante interessante a discussão sobre quem será vitorioso na capital de SP.

    Com certeza ganhará a centro-esquerda. hahahaha (ainda bem que o Elias não tem um megafone)

    Todo mundo que nasce no PT tem vocação pra militância?!

    Aliás, sabe o que eu mais gostei do comentário do Elias?

    “Se eu morasse em São Paulo, o Mário Covas só não teria meu voto se ele estivesse disputando diretamente com o PT.”

    Eu realmente estou boquiaberto. Vamos imaginar: Mário Covas vs José Dirceu. O cara ia votar no Dirceu! Talvez porque o Direceu é mais CENTRO-ESQUERDA, que o Mário (que Mário?) Covas, e o fato de o Dirceu ser mais CENTRO-ESQUERDA, faz dele mais confiável, competente e honesto, ENTENDEU? Mesmo que ao entrarmos no blog oficial dele ele se orgulha de manter um currículo de todas as falcatruas que fez. hahahaha

    Agora eu entendo pq quando a Dilma aceitou sem hesitação os ministros ladrões da era Lula , sem olhar currículo, sem buscar referências, sem fazer uma entrevista, sem nada, só pela “governabilidade”.

    Ela sofre de uma doença muito comum a qualquer petista médio: confusão entre fé e política. Ela se manifesta normalmente quando um indivíduo em contato com o vírus do partido é exposto a alguma idéia direitista ou liberal e/ou quando qualquer iniciativa, cujos fins justificam os meios, do partido é questionada. A doença causa febre alta, irritação, perda de senso crítico e delírio, levando o enfermo a acreditar em teorias da conspiração e a chamar pessoas que não compartilham o mesmo ponto de vista de “direitobas”, “reaças”, “nazis”, e alguns setores da imprensa de PIG.

    Ah, mas essa doença também se aplica ao RA e cia. Hum… interessante.

    Será que isso não é doença, mas um termo bastante conhecido nosso: o fanatismo?

    Agora sério:

    Vamos ver como se sai o Fernando Haddad. Já sabemos de ante-mão que ele é um tremendo de um incompetente. Quando a coisa aperta pro lado dele, ele põe a culpa em qualquer coisa que se mova. Se ele tiver um pouco, mas só um pouco, de articulação ele ganha.

    Acho que o Serra ninguém mais aguenta.

    Tenho algumas dúvidas:

    – O Serra tem alguma história na cidade. Não lembro o que ele fez por lá (deve ser mal do PSDB, não faz nada, e quando faz, é tão tímido que ninguém reconhece)? Será que ele quer dar alguma continuidade, e que continuidade é essa?
    – O Kassab andou tomando algumas medidas bastante impopulares. Se Serra se aliar a ele, terá que enfrentar questionamento sobre essas medidas tbm.

    Por outro lado:

    – O que o Fernando Haddad tem a oferecer? Os CEUs da Marta? Se é pra fazer CEU, pq não a Marta?
    – Quais serão as propostas de Fernando Haddad?

    Sabem de uma coisa acho que devíamos esperar para ver as propostas de governo…

  100. Edu said

    Ah, e sobre o lance da intervenção estatal, já disse:

    Enquanto os países tentarem sustentar esse welfare state, vai dar problema. A conta simplesmente não se paga, a menos que o país tenha indústria e comércio suficientemente fortes para gerar riqueza, e ainda assim, os impostos teriam que ser ridiculamente altos para que isso funcione.

    Exemplos reais disso:

    De um lado estão: Grécia, Portugal e Espanha;
    De outro estão: Alemanha, França (no limite), Noruega.

  101. Olá!

    Elias, o Vilarnovo corrigiu você quanto às suas concepções sobre como os liberais vêem a natureza humana. Neste ponto, o Vilarnovo está certo. Você deu a maior bola fora ao dizer que o liberalismo “parte do princípio de que o ser humano é, essencialmnente, um animal sensato e decente.”

    As palavras são suas, Elias.

    É difícil de relativizar coisas como o direito à propriedade. Por exemplo, que tal chamar o MST para definir o que é e como deve ser definido o direito à propriedade? Good luck!

    “Um exemplo: os liberais consideravam os escravos sua legítima propriedade, já que os haviam comprado. Essa ‘propriedade’ também era ‘sagrada’ pra eles.

    Os liberais, meu caro jovem Marcelo, consideravam a escravidão uma instituição ‘sagrada’ (para o que haviam obtido junto ao Papa um estudo ‘provando’ que os negros não tinham alma e, assim, podiam ser escravizados).”

    Você perde o ponto fundamental, Elias. A liberdade só é uma instituição onde a escravidão também é uma instituição. No liberalismo, o direito à liberdade é considerado um direito natural, isto é, um direito que a pessoa já tem mesmo antes de nascer.

    É verdade que liberais do período clássico possuíram escravos, vide o caso de alguns dos Founding Fathers, como Thomas Jefferson. Mas é verdade também que alguns desses mesmos Founding Fathers também debateram sobre abolir a escravidão em pleno século XVIII, vide Benjamin Franklin. Infelizmente, a escravidão não foi abolida no jovem EUA de então. Uns 60-70 anos depois, o país quase se despedaçou para se abolir a escravidão e mais de meio milhão de vidas foram ceifadas no processo. É interessante que, quando as pessoas ou uma sociedade se afastam dos valores liberais, os resultados geralmente são desastrosos.

    O próprio Adam Smith afirmou que a instituição da escravidão era economicamente prejudicial e que o melhor rendimento econômico obtido de uma pessoa ocorria quando ela tinha a condição de liberdade.

    Esse negócio de dizer que os escravos não tinham alma é bem anterior ao próprio advento do liberalismo. É uma idéia que já estava em voga em pleno século XVI, por exemplo.

    E outra, a esquerda tem o grande mérito de ter trazido de volta a escravidão em pleno século XX. GULAGs, campos de extermínio, campos de concentração foram obras de esquerdistas, que utilizavam a doutrina socialista/comunista/marxista como guia moral para justificar as atrocidades que eles cometeram.

    Uma curiosidade: Os social-democratas suecos da década de 1930 tinham lá a sua admiração pelo regime nazista e não hesitavam em mandar para o Hitler minérios da mais alta qualidade e peças de mecânica de precisão, sem dizer que estavam de prontidão para auxiliar os trens militares que a Alemanha mandava para lá.

    Novamente, Elias, você deveria estudar mais para não afirmar bobagens sobre o liberalismo.

    “Cadê as propostas dos liberais para debelar a crise do capitalismo europeu e americano, SEM APELAR PRA AJUDA DO ESTADO. SEM DEPENDER DA INJEÇÃO MACIÇA DE DINHEIRO PÚBLICO NOS BANCOS, SUBSIDIANDO O JURO ZERO.”

    Ou seja: Que tal jogar nas costas do liberalismo o trabalho de encontrar uma solução para tirar do buraco a social-democracia européia?

    O caso americano foi diferente. Foi populismo imobiliário. Deu no que deu. O Ron Paul tem um bom sumário sobre isso.

    No entanto, algo fundamental terá de ser feito: Corte dos gastos governamentais. Sobretudo no caso europeu. É difícil de se ter um governo com as contas fiscalmente equilibradas se os gastos continuam descontrolados.

    Quanto ao setor financeiro de lá, é melhor que o governo resgate essa gente do que esperar para que tudo desabe e resulte em um efeito em cascata, jogando mais países e economias no abismo. O PROER fez algo semelhante por aqui.

    Mas isso não é uma receita infalível para o sucesso. Basta ver o que aconteceu na Grécia, onde ninguém — governo, empresários e afins — pôde evitar o default e olha que não foi por falta de tentativas do governo grego. Veio dinheiro de fora para estimular a economia grega, mas deu no que deu.

    Os liberais estão quietos, Elias? Quais são os colunistas liberais que você lê com frequência? Se for o caso de você não ter algum, eis aqui uma sugestão. Tem um monte de coisas sobre a atual crise na Europa.

    “Não foram os liberais que disseram que a crise tinha sido provocada pelo crédito com subsídio estatal? O pessoal de Viena berrou isso durante mais de 2 anos (e o Vilarnovo ecoou isso aqui, no PolíticAética).”

    Elias, a crise na Europa foi causada por uma combinação de fatores: Welfare State muito grande; elevada carga tributária; baixo crescimento econômico; assistencialismo governamental a grupos de interesse; governos fiscalmente irresponsáveis; acúmulo de dívidas além do ponto onde governos poderiam gerenciá-las; e etc.

    Uma conjuntura dessas é uma bomba-relógio prestes a ser detonada.

    “Se a análise dos liberais estava correta, o BCE e o governo americano estão tentando apagar incêndio jogando gasolina no fogo, porque estão subsidiando ainda mais o crédito.”

    Veja o caso da Grécia, Elias. Lá, houve estímulos tanto do governo quanto da União Européia, mas o governo grego não conseguiu atingir o seu objetivo e foi jogado no abismo. Estímulos e créditos subsidiados não são infalíveis. Podem ou não podem funcionar.

    “Marcelo, vocês é que estão parados há séculos. Vivem repetindo a mesma ladainha de ‘equilíbrio de mercado’, ‘mão invisível’, que nunca existiu em lugar nenhum nem em época nenhuma.”

    Pelo contrário, Elias. O liberalismo evoluiu bastante desde John Locke. Se você fosse ler as obras dos liberais recentes, veria como houve, sim, evolução.

    Conceitos como “equilíbrio de mercado” e “mão invisível” são argumentos neoclássicos.

    Nenhum liberal que tenha lido Hayek afirmaria que é possível haver “equilíbrio de mercado”, pois, para que houvesse tal equilíbrio, todos os agentes econômicos precisariam ter ao seu dispor as mesmas informações econômicas e isso é impossível, já que a própria natureza da informação econômica é sempre dispersa e desigual e as pessoas, no geral, não têm acesso igualitário à essa informação, o que impossibilita qualquer tipo de equilíbrio nesse sentido que você afirmou.

    A “mão invisível” é apenas uma metáfora para ilustrar como a dinâmica dos agentes econômicos progride ao longo do tempo a partir das informações recebidas através dos preços estabelecidos no mercado. Se um determinado material fica muito caro, os setores da economia que o utilizam passam a agir de forma mais cuidadosa ao lidar com essa matéria-prima.

    Mas, enfim. É uma pena que, mesmo depois de explicar para você conceitos bem básicos sobre o liberalismo, você continue a emitir bobagens. Sinceramente, fazer isso é uma perda de tempo. Não é à toa que o Vilarnovo desapareceu daqui, pois cansa ter de explicar o básico pela enésima vez.

    Melhor voltar à quietude dos livros mesmo.

    Até!

    Marcelo

  102. Elias said

    Marcelo,

    I
    Se tu dizes que os liberais eram CONTRA a escravidão, então não dá pra discutir contigo em termos respeitosos. Porque aí, já não dará mais pra separar a ignorância da má fé.

    Os liberais, meu caro jovem Marcelo, enquadravam a “liberdade de escravizar” dentro do conceito da “liberdade de empreender”.

    Postos diante da contradição de que essa liberdade implicava a extinção da liberdade de outros seres humanos, eles logo arranjaram um “fundamento” teológico: os negros não tinham alma, logo, não eram “totalmente” humanos, logo, podiam ser escravizados sem que isso implicasse uma afronta aos “princípios” liberais.

    Não acredito que tu ignores isso. Se ignoras, não tens condições de debater. Se não ignoras, ages de má fé…

    II
    A base filosófica da teoria econômica clássica é que a iniciativa individual, agindo livremente, conduz a humanidade ao equilíbrio e ao progresso. Ela “parte do princípio de que o ser humano é, essencialmente, um animal sensato e decente.”

    Daí as análises “demonstrando” que a demanda e a oferta criam forças opostas entre si, as quais, agindo combinadamente conduzem o preço a um ponto de equilíbrio, e blá, blá, blá…

    Quais os problema? Vários. Destaco dois:

    (1) o “coeteris paribus”. O que “permanece constante” na economia? P… nenhuma! Quando uma variável se altera, ela produz efeitos em todas as demais, com maior ou menor intensidade;

    (2) a teoria econômica clássica, e a neo-clássica, foram formuladas para um “regime de concorrência perfeita”. Onde existe isso, neste planeta? Onde existiu? Quando existiu? Nunca, em época alguma e em lugar nenhum.

    Se achas que existiu, Marcelo, demonstra. Mas demonstra, e não enrola.

    Criada para um ambiente fictício, a teoria econômica clássica não funciona no mundo das coisas reais. Nunca funcionou. Tanto que, onde ela foi posta em prática, mais ou menos ortodoxamente, terminou em desastre econômico. Exemplos? Ruy Barbosa, no Brasil; “Reaganomics” e “Era Baby Bush”, nos EUA. J. K. Galbraith tem mais de um estudo mostrando o fracasso da teoria clássica (e neo-clássica) ao longo da história, em mais de um continente.

    III
    Estás sendo intelectualmente desonesto ao citar meu debate com o Vilarnovo.

    Nos debates que eu tive com ele, eu chamava atenção para o fato de que o DISCURSO liberal é um e a PRÁTICA outra.

    Seja na área econômica, seja no campo dos direitos humanos, é isso que acontece.

    Vilarnovo discordou. Eu argumentei com ele, mostrando o que ocorria com a liberal Inglaterra em relação às suas colônias.

    Para que a “liberdade empreendedora” da indústria textil inglesa continuasse firme e forme, e para garantir o “livre trânsito” dos produtos texteis ingleses na Ásia, a Inglaterra PROIBIU a produção de tecido na Índia, por exemplo.

    PROIBIU a produção de tecidos pelos indianos, Marcelo!

    Não por acaso, Marcelo, um dos símbolos da independência da Índia é a roca de fiar.

    Ghandi usou a fiação artesanal de tecidos como estratégia de resistência à dominação inglesa (ao mesmo tempo em que a população indiana melhorava seu nível de vida, não tendo que gastar boa parte de sua renda na compra de tecidos ingleses).

    Não foi só isso, Marcelo. A Inglaterra proibiu a produção de sal e de um porrilhão de outros produtos, na Índia, pra garantir mercado pros produtos industrializados ingleses.

    O Brasil, Marcelo, era proibido de produzir artefatos de ferro: ferramentas, pregos, etc., tinham que ser IMPORTADOS. Apesar de metade do território brasileiro estar situado sobre uma imensa jazida de ferro…

    Ou seja: ao mesmo tempo em que a teoria econômica clássica pregava as delícias da “concorrência perfeita”, os próceres dessa teoria cuidavam de fulminar qualquer resquício de concorrência aos produtos de seus países…

    …Que, assim, prosperaram, sob a égide da “liberdade econômica”.

    A “liberdade econômica” desses países, Marcelo, só se fez possível, porque feita à custa do fim das liberdades (econômicas inclusive) de outros países.

    Assim, como a liberdade econômica do escravista era feita à custa do fim da liberdade do escravizado…

    IV
    Tu dizes que a teoria econômica clássica evoluiu e criou novas abordagens no Século XX, né? Pois mostra que novas abordagens são essas Marcelo…

    Mas mostra, mesmo!

    Não fica repetindo aquele papo furado e ptreguiçoso de “índice de liberdade econômica”, que, além de burrinho, já cansou a todos que tiveram o desprazer ver isso reproduzido oitocentos e cinquenta vezes aqui.

    Um pé no saco!

    Dá um tempo no “copia e cola” e tenta mostrar o que tens dentro da cabeça.

    V
    Ah, então a teoria liberal só funciona nos países onde a teoria liberal foi aplicada desde sempre?

    Então a teoria liberal não funciona nas social-democracias?

    Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá!

    E os liberais não têm proposta para a crise?

    Caramba, Marcelo! Mas foi justamente isso que eu disse. Que os liberais estão “boca de abiu”. Não estão dizendo nada. Não estão formulando nada. É como se eles não estivessem neste mundo.

    Quando tu me contestaste, pensei que irias mostrar alguma coisa nova, produzida pelos doidinhos de Viena… (eles estão tão doidos que nem doidices produzem mais… Ficaram catatônicos!).

    Pô, Marcelo… Tenho certeza de que não és tão… Assim… Vienense… Tenta, rapaz! Pensa e tenta. Tenho certeza de que podes fazer melhor.

  103. Olá!

    O tempo é escasso, mas vamos lá.

    Elias:

    “Se tu dizes que os liberais eram CONTRA a escravidão, então não dá pra discutir contigo em termos respeitosos. Porque aí, já não dará mais pra separar a ignorância da má fé.

    Os liberais, meu caro jovem Marcelo, enquadravam a ‘liberdade de escravizar’ dentro do conceito da ‘liberdade de empreender’.”

    Vejamos o que Adam Smith dizia sobre a escravidão:

    From the experience of all ages and nations, I believe, that the work done by free men comes cheaper in the end than the work performed by slaves. Whatever work he does, beyond what is sufficient to purchase his own maintenance, can be squeezed out of him by violence only, and not by any interest of his own.

    Adam Smith

    Isso em pleno século XVIII. Quando nem mesmo nos países fornecedores de escravos havia sequer um fiozinho infinitesimal de iniciativa para acabar com a escravidão.

    Em vez de fazer sapateado mental, você deveria trazer o excerto de algum teórico do liberalismo que defendesse a escravidão.

    “Postos diante da contradição de que essa liberdade implicava a extinção da liberdade de outros seres humanos, eles logo arranjaram um ‘fundamento’ teológico: os negros não tinham alma, logo, não eram ‘totalmente’ humanos, logo, podiam ser escravizados sem que isso implicasse uma afronta aos ‘princípios’ liberais.”

    “”

    Isso está cheio de equívocos.

    O conceito de que os escravos não tinham alma e muito anterior ao liberalismo e é uma problemática corrente desde os tempos mais remotos do cristianismo. Essa idéia passou a vigorar com mais força a partir do século XV/XVI com a expansão das potências coloniais da Europa. Nessa época, como todo e qualquer um que tenha estudado o assunto, o liberalismo sequer existia.

    Nem sempre foi utilizado argumentos teológicos para defender a escravidão. Thomas Jefferson, por exemplo, considerava que os escravos tinham uma inteligência inferior à do europeu e que, portanto, não tinham nenhum direito de desfrutar das mesmas benesses das pessoas livres.

    Esse posicionamento do Thomas Jefferson reflete alguns conceitos pseudo-científicos da época de superioridade racial, preconceitos sociais e, talvez acima de tudo, a defesa dos interesses econômicos dos senhores de escravos como ele próprio.

    Curiosidade: O naturalista francês Conde de Buffon considerava que os colonos do continente americano, de norte a sul, jamais seriam capazes de qualquer avanço intelectual e que nunca conseguiriam produzir um grande poeta, um matemático ou qualquer genialidade nas ciências.

    “II
    A base filosófica da teoria econômica clássica é que a iniciativa individual, agindo livremente, conduz a humanidade ao equilíbrio e ao progresso. Ela ‘parte do princípio de que o ser humano é, essencialmente, um animal sensato e decente.’

    Daí as análises ‘demonstrando’ que a demanda e a oferta criam forças opostas entre si, as quais, agindo combinadamente conduzem o preço a um ponto de equilíbrio, e blá, blá, blá…”

    Elias, você deveria admitir o seu erro e considerar que, na questão da visão liberal sobre a natureza humana, você errou fragorosamente.

    Você está estagnado no liberalismo dos idos de 1700-1800. Aconteceu muita coisa após isso, Elias. A abordagem informacional do Hayek é o que de mais recente há na teoria liberal.

    No liberalismo, a questão da definição do preço de um dado produto/serviço ocorre dentro do livre mercado, onde milhões e milhões de pessoas tomam suas decisões quanto ao uso dos recursos que elas têm ao seu dispor. O preço final definido representa o melhor valor obtido por essas pessoas, levando em consideração incontáveis outras variáveis, como escassez/abundância de um material, oferta de mão-de-obra, impostos e coisas tais.

    “Quais os problema? Vários. Destaco dois:

    (1) o ‘coeteris paribus’. O que ‘permanece constante’ na economia? P… nenhuma! Quando uma variável se altera, ela produz efeitos em todas as demais, com maior ou menor intensidade;”

    Sim, Elias, isso está correto e é isso que Hayek afirma sobre a extrema conexão entre as decisões que existe em uma ordem social de livre mercado. Esse seu argumento é muito comum na Escola Austríaca.

    “(2) a teoria econômica clássica, e a neo-clássica, foram formuladas para um ‘regime de concorrência perfeita’. Onde existe isso, neste planeta? Onde existiu? Quando existiu? Nunca, em época alguma e em lugar nenhum.”

    Elias, eu já mostrei para você, mais de uma vez, que a idéia do “regime de concorrência perfeita” é uma impossibilidade prática. Nunca houve isso em nenhum ponto da história. Esse argumento clássico/neo-clássico está errado.

    Mais uma vez, vamos lá: Para que houvesse o tal do “regime de concorrência perfeita”, todos os agentes econômicos dentro do mercado precisariam ter acesso a e ao seu dispor as mesmíssimas informações, isto é, haveria uma distribuição igualitária da informação econômica. O detalhe é que isso é uma enorme impossibilidade, pois tal informação é, por natureza, extremamente dispersa e está desigualmente distribuída dentro do mercado de tal maneira que seria irreal dar as mesmas informações aos variados agentes econômicos dentro do mercado.

    “Criada para um ambiente fictício, a teoria econômica clássica não funciona no mundo das coisas reais. Nunca funcionou. Tanto que, onde ela foi posta em prática, mais ou menos ortodoxamente, terminou em desastre econômico. Exemplos? Ruy Barbosa, no Brasil; ‘Reaganomics’ e ‘Era Baby Bush’, nos EUA. J. K. Galbraith tem mais de um estudo mostrando o fracasso da teoria clássica (e neo-clássica) ao longo da história, em mais de um continente.”

    Encilhamento é liberalismo? Game Over, Elias.

    As medidas econômicas do Reagan ajudaram a tirar o EUA do buraco que o Jimmy Carter ajudou a jogá-lo. Quando o Reagan assumiu, havia inflação em alta; dificuldade para se obter determinados produtos (como combustíveis); internacionalmente, o EUA estava enfraquecido por causa da questão iraniana; e etc. Sem dizer que foi nessa época que houve o surgimento e consolidação de várias empresas do setor de tecnologia, sobretudo no Vale do Silício.

    Quando Reagan assumiu, a renda per capita americana era de U$ 13.526,19. No final do seu governo, a renda era de U$ 22.039,23. Houve um aumento de quase 100%. Parece que o Reaganomics não foi, assim, como você afirmou.

    Um dos acessores econômicos do Reagan era o Milton Friedman, um liberal monetarista e não um clássico/neo-clássico.

    A atual crise americana foi resultado do populismo imobiliário feito por lá. E, como todos sabem, populismo e liberalismo não combinam. Repelem-se mutuamente.

    “Estás sendo intelectualmente desonesto ao citar meu debate com o Vilarnovo.”

    De forma alguma. Nos links postados acima, a discussão entre você e o Vilarnovo era sobre a visão liberal da natureza humana, sobre a qual você afirmou algumas bobagens.

    “Nos debates que eu tive com ele, eu chamava atenção para o fato de que o DISCURSO liberal é um e a PRÁTICA outra.

    Seja na área econômica, seja no campo dos direitos humanos, é isso que acontece.

    Vilarnovo discordou. Eu argumentei com ele, mostrando o que ocorria com a liberal Inglaterra em relação às suas colônias.

    Para que a ‘liberdade empreendedora’ da indústria textil inglesa continuasse firme e forme, e para garantir o ‘livre trânsito’ dos produtos texteis ingleses na Ásia, a Inglaterra PROIBIU a produção de tecido na Índia, por exemplo.

    PROIBIU a produção de tecidos pelos indianos, Marcelo!”

    O Vilarnovo afirmou algo mais ou menos assim: A Inglaterra já era rica quando começou a explorar colônias. Ela não enriqueceu por causa das colônias. Antes de começar essa exploração, os ingleses passaram por um longo período de liberdade econômica que não havia em boa parte da Europa da época, sendo a Revolução Industrial um dos frutos desse processo. Isto é, a Inglaterra já havia experimentado e absorvido valores liberais que muitas das nações de então sequer haviam chegado perto.

    Um outro fator que você se esquece é que, ao longo da história, nações mais ricas e poderosas sempre buscaram subjugar as nações mais pobres e fracas. Isso sempre aconteceu e continuará acontecendo independentemente da ideologia/conjunto de valores que guia uma sociedade.

    A Inglaterra, por exemplo, já foi colônia romana e, em seguida, se tornou domínio dos invasores anglo-saxões e nórdicos. Seu povo foi escravizado e pilhado pelos colonizadores e invasores. A mesma Inglaterra que, mais tarde, construiria um dos maiores impérios que já existiu e iria submeter incontáveis povos às mesmas brutalidades que ela, a Inglaterra, um dia sofreu.

    A Índia, por exemplo, era extremamente civilizada na época em que a Inglaterra (sua posterior metrópole) conhecia a civilização apenas através daquilo que os romanos haviam trazido. A Índia de então possuía um nível de desenvolvimento civilizacional inimaginável na maior parte do mundo daqueles tempos. O sistema numérico utilizado hoje se originou lá; uma parte considerável da matemática e das demais ciências exatas também devem muito ao que os indianos fizeram nesses campos. Sem contar outros avanços nas demais disciplinas. Os indianos de então guerrearam, pilharam, mataram e exploraram outros povos e mesmo entre si.

    É isso que o registro histórico tem a oferecer, Elias.

    O liberalismo tem a grande vantagem de, historicamente, ter estabelecido uma ordem social onde os cidadãos não são brutalizados pelas forças estatais. Países que experimentaram e absorveram valores liberais nunca brutalizaram os seus cidadãos na mesma escala em que houve, por exemplo, nos regimes que se pretenderam uma alternativa ao modelo democrático-liberal, notadamente os experimentos coletivistas do século XX (socialismo/nazismo/comunismo/marxismo).

    “Ghandi usou a fiação artesanal de tecidos como estratégia de resistência à dominação inglesa (ao mesmo tempo em que a população indiana melhorava seu nível de vida, não tendo que gastar boa parte de sua renda na compra de tecidos ingleses).”

    Sorte a do Gandhi que o “inimigo” era uma democracia. Fosse um Hitler ou um Stálin, talvez sequer houvesse um Gandhi para libertar (uma parte dos) indianos. Os métodos de não-violência do Gandhi apenas funcionam caso o “inimigo” seja uma democracia limitada por leis, constituições, separação entre os poderes, direitos civis e coisas tais. Eis aqui como Hitler trataria Gandhi caso a Índia fosse uma colônia germano-nazista:

    Gandhi was fortunate that it was the British who ruled India rather than any other colonial masters. “Shoot Gandhi” was Adolf Hitler’s advice to Lord Halifax, in 1938, about how to rule the Subcontinent, “and if that does not suffice to reduce them to submission, shoot a dozen leading members of Congress; and if that does not suffice, shoot two hundred, and so on until order is established.”

    Sacou?

    Ah, sim, Elias. Uma outra coisa. Os dalits, a casta mais baixa da sociedade indiana, odeia o Gandhi. Sabe por quais motivos, Elias?

    Em 1933, os malvados colonizadores britânicos propuseram que na constituição indiana houvesse a inclusão de um artigo que permitisse aos dalits eleger as suas próprias lideranças políticas. Para escrever a constituição indiana, os malvados britânicos selecionaram o Dr. Bhimrao Ramji Ambedkar, um dalit que se formou em direito na universidade de Cambridge (ele, por ser dalit, não tinha acesso às instituições de ensino superior indianas e foi convidado pelos malvados ingleses para estudar no mesmo lugar onde Isaac Newton estudara no século XVII).

    Pois então, o Gandhi, membro da casta superior da sociedade indiana, estava tão determinado a não permitir que tal artigo fosse incluso na constituição da Índia, que ele foi ao ponto de fazer uma greve de fome. Essa greve de fome fez com que houvesse violência generalizada contra os dalits e algumas dezenas de milhares de dalits foram massacrados, pois havia o risco muito presente da greve de fome feita pelo Gandhi levá-lo à morte e, logicamente, a culpa cairia no colo dos dalits. Não querendo que isso acontecesse, o Dr. Ambedkar concordou com o Gandhi e retirou da constituição indiana o artigo que daria aos dalits o direito de eleger suas próprias lideranças políticas.

    Parece que o Gandhi não tinha a ojeriza à opressão como um valor, como um princípio. Opressão pelos colonizadores britânicos não pode, mas opressão pelo princípio de casta is all right!

    Parece que, após a independência indiana, os dalits teriam de fazer a sua própria roca de fiar.

    “O Brasil era proibido de produzir artefatos de ferro: ferramentas, pregos, etc., tinham que ser IMPORTADOS. Apesar de metade do território brasileiro estar situado sobre uma imensa jazida de ferro…

    Ou seja: ao mesmo tempo em que a teoria econômica clássica pregava as delícias da ‘concorrência perfeita’, os próceres dessa teoria cuidavam de fulminar qualquer resquício de concorrência aos produtos de seus países…”

    Eita, Elias! Quanta bobagem!

    Portugal foi, tradicionalmente, um país mercantilista e atrasado. Portugal era uma das cortes mais atrasadas da Europa. Portugal nunca praticou liberalismo ou seja lá o que for.

    Essas práticas de Portugal estão de acordo com a filosofia mercantilista-patrimonialista, que colocavam restrições, forte presença estatal e etc.

    Aliás, Portugal e Espanha são as provas mais cabais de que exploração de colônias não enriquecem uma nação.

    “Tu dizes que a teoria econômica clássica evoluiu e criou novas abordagens no Século XX, né? “

    Você pode começar por aqui.

    “Não fica repetindo aquele papo furado e ptreguiçoso de ‘índice de liberdade econômica’, que, além de burrinho, já cansou a todos que tiveram o desprazer ver isso reproduzido oitocentos e cinquenta vezes aqui.”

    O Índice de Liberdade Econômica é calculado a partir dos dados públicos que os países fornecem sobre os seus indicadores econômicos, sociais e etc. Da mesma maneira que, aliás, é calculado o IDH.

    Mais acima, para desacreditar o índice, você afirmou que o Índice de Liberdade Econômica é calculado por pessoas que nunca abriram uma mercearia. O que pode até ser verdade. Da mesma maneira que o IDH é calculado por pessoas que nunca gerenciaram uma escola, nunca administraram um hospital ou nunca forneceram emprego para fosse quem fosse, mas, nem por isso, o IDH deve ser posto na lata de lixo.

    O Índice de Liberdade Econômica incomoda a esquerda pelo fato de que, quando correlacionado com outras variáveis tão caras aos esquerdistas — tais como qualidade educacional, nutrição, satisfação pessoal, corrupção, renda per capita, taxas de homicídio, acesso aos serviços de saúde, presença estatal na economia, empreendedorismo, e etc. — , tal índice mostra que as sociedades mais economicamente livres também são aquelas com altos padrões educacionais, elevadas taxas de nutrição, alto índice de satisfação pessoal, baixos níveis de corrupção, níveis elevados de renda per capita e etc.

    A liberdade econômica mostra implacavelmente aos esquerdistas que a ascensão divina, tão vomitada por eles e que eles tanto afirmam ter, faz muito pouco pelo homem comum, pela pessoa comum.

    “Ah, então a teoria liberal só funciona nos países onde a teoria liberal foi aplicada desde sempre?

    Então a teoria liberal não funciona nas social-democracias?

    Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá!”

    Pelo contrário, Elias. Foram valores, estruturas e instituições de livre mercado que sustentaram as social-democracias européias desde o final da 2a Guerra Mundial até os dias de hoje. O problema é que, para tudo, há limites.

    A conclusão acima é toda sua.

    “E os liberais não têm proposta para a crise?”

    Esse é um argumento retórico. Seria o mesmo que perguntar, lá nos idos da hiperinflação brasileira, o que o livre mercado poderia fazer para reduzir as taxas hiperinflacionárias.

    Ora, da mesma maneira que não é o livre mercado que imprime e emite dinheiro no mercado, não é ele o culpado pelo endividamento dos países europeus. O livre mercado não endivida países. Políticos e ideologias super-sociais é que o fazem.

    E da mesma maneira que o governo brasileiro implementou um plano para cessar a emissão desenfreada de dinheiro no mercado, bem como a implementação de uma lei que preza pela responsabilidade fiscal, os governos europeus terão de caminhar na direção que permita a eles sanarem as suas dívidas.

    O problema é que, fazer isso em sociedades onde há direitos e mais direitos sociais, acaba se tornando algo muito complicado.

    Não há saída fácil.

    Até!

    Marcelo

  104. Elias said

    Marcelo,

    Parece bêbado…!

    I
    Caceta! Um porrilhão de vezes eu disse que o DISCURSO liberal é um e a PRÁTICA outra.

    Smith, Ricardo & quejandos fizeram o DISCURSO liberal. A PRÁTICA foi outra, Marcelo.

    O ouro que financiou a revolução industrial saiu do Brasil, Marcelo. Foi pra Inglaterra por meio de pilhagens, feitas pelos corsários ingleses e pelo próprio governo inglês, que transformou o governo português em refém, em troca do apoio à restauração, em 1580.

    O Brasil era proibido de fabricar artefatos de ferro, pra ser OBRIGADO a comprar produtos INGLESES.

    INGLESES, Marcelo, e não portugueses.

    Portugal ganhava o dele como INTERMEDIÁRIO. INTERMEDIÁRIO, Marcelo. Isso está em qualquer livro de história que se aproveite.

    Daí porque, mais tarde, já na primeira metade do Século XIX, as Cortes Portuguesas (liberais, certo?), tentaram cancelar a chamada “abertura dos portos”.

    É que, com a “abertura dos portos”, o Brasil, agora na condição de Reino Unido, poderia comercializar diretamente com outros países. Portugal havia perdido o privilégio da INTERMEDIAÇÃO, Marcelo.

    Isso é coisa pra estudante de Ensino Fundamental, Marcelo!

    II
    “Portugal foi, tradicionalmente, um país mercantilista e atrasado. Portugal era uma das cortes mais atrasadas da Europa. Portugal nunca praticou liberalismo ou seja lá o que for.”

    E quem disse que Portugal era liberal ou avançado, rapaz? Tu tá ficando lóki?

    Fálávamos da INGLATERRA, Marcelo, lembra? INGLATERRA!

    A proibição de instalar indústriais no Brasil tinha por objetivo garantir o mercado brasileiro pros produtos industriais INGLESES.

    INGLESES, Marcelo! Vou repetir: PRODUTOS INDUSTRIAIS INGLESES, Marcelo.

    Não portugueses, até porque Portugal praticamente não tinha indústrias.

    Mais adiante, pela mesma razão — garantir mercado para seus produtos –a Inglaterra interferiria na própria escravidão no Brasil, lembra? Ela simplesmente bloqueou o comércio negreiro pelo Atlântico, etc e tal.

    INGLATERRA, Marcelo! Não Portugal. INGLATERRA!

    III
    TU NUNCA ME MOSTRASTE que a “concorrência perfeita” não existe. Eu aprendi isso na Universidade, quase duas décadas e meia antes de saber que tinhas vindo ao mundo…

    Acontece, Marcelo, que, inexistindo a concorrência perfeita, toda a teoria econômica clássica vai pras cucuias, no que ela se refere ao poder de auto-regulação do mercado. A teoria da “mão invisível” aparece pelo que ela realmente é: história da carochinha.

    E o “coeteris paribus”, Marcelo, como fica?

    IV
    É mais do que conhecido o episódio em que a Inglaterra tentou impor uma Constituição biônica à Índia. É mais do que conhecido o apoio dos dalits à Inglaterra (pardal, entreguista e puxa saco é coisa que todo lugar tem…) e é mais do que conhecido o desdobramento desse episódio.

    A Inglaterra não tinha nada que outorgar uma Constituição à Índia! Elaborar sua própria Constituição é tarefa elementar de um país que proclama sua independência.

    A última coisa que os indianos poderiam querer seria uma Constituição elaborada sob a coordenação de um preposto da Inglaterra…

    Essa ação desastrada do governo colonial em extinção na Índia só contribuiu pra tornar as coisas mais difíceis, dolorosas e sangrentas do que por si já seriam, se os ingleses tivessem simplesmente ido embora.

    É preciso ser muito tolo, ou muito desonesto, pra defender uma das mais desastradas ações do governo colonial inglês em extinção na Índia.

    E essa história de “malvados” e “bonzinhos” soa completamente… ingênua (pra não usar adjetivo mais forte).

    Eu nunca disse que os ingleses fizeram isso ou aquilo por “malvadeza”. Eles faziam isso pelas suas razões de Estado… Pra defender o deles. Pra espoliar quem diabo fosse, pra ficar mais ricos.

    Esse papo de “malvadeza” é conversa de otário. Assim como só um otário pode acreditar que a Inglaterra tentou outorgar uma Constituição à Índia por ser “boazinha”, tentando fazer o que era melhor pra esta última (por que não fez antes, quando tinha todo o poder pra isso?).

    Vale lembrar: sistema de castas na Índia foi mantido e apoiado pela Inglaterra durante um porrilhão de tempo, porque assim ficava mais fácil controlar o país.

    Que besteira, sô!

    V
    Nada do que disseste a respeito do Império Romano, da Índia e do escambal da Bahia, muda a essência da nossa discussão.

    A questão que eu coloquei é que: o regime de liberdade econômica defendido pelo liberalismo, NUNCA FOI um valor universal.

    Enquanto os teóricos do liberalismo pregavam a liberdade econômica na Inglaterra, os operadores bloquevam a liberdade econômica de tantos países quantos eles puderam. Onde conseguiram fazer isso pacificamente, assim o fizeram. Onde não foi possível fazer pacificamente, foi na porrada.

    Essa, aliás, é uma das causas essenciais da I Guerra Mundial. Uma guerra pela conquista (ou manutenção) de mercados cativos.

    A Inglaterra PROIBIU SIM, a instalação de indústrias na Índia e em outros países sob sua dominação, pra garantir mercado cativo para seus próprios produtos industriais.

    VI
    RESPONDE E NÃO ENROLA MARCELO:

    1 – Quais são as propostas dos liberais pra enfrentar a atual crise econômica mundial? (Não vale responder que é por meio de intervenção estatal, com mais regulação e, sobretudo, com mais recursos públicos)

    2 – Qual foi o grande (ou médio, ou pequeno) acréscimo que a Teoria Econômica Clássica fez a si mesma, durante o Século XX? De preferência, qual o acréscimo que a torna atual no Século XXI?

  105. Olá!

    Elias,

    “I
    Caceta! Um porrilhão de vezes eu disse que o DISCURSO liberal é um e a PRÁTICA outra.

    Smith, Ricardo & quejandos fizeram o DISCURSO liberal. A PRÁTICA foi outra”

    É tolice esperar que forças externas implantem em um país estrangeiro uma democracia liberal, cheia de direitos civis e etc. Esse é o tipo de coisa que a própria população local deve buscar.

    Veja lá se, por exemplo, o cidadão inglês dos séculos XVIII-XIX não possuía mais liberdades do que boa parte dos seus colegas europeus. Isso ocorreu sob influência do liberalismo, Elias, e esteve no cerne dos valores que tornaram a Inglaterra a potência mundial do século XIX.

    “O ouro que financiou a revolução industrial saiu do Brasil [. . .].”

    É engraçada essa afirmação, pois, por exemplo, no verbete da Wikipedia sobre revolução industrial, não há uma citação sequer sobre o financiamento dessa revolução ter sido feito através do ouro extraído do Brasil e/ou por intermédio via Portugal.

    Na versão em português desse mesmo verbete, os seguintes fatores são destacados por terem contribuído para a revolução industrial:

    O pioneirismo do Reino Unido

    O Reino Unido foi pioneiro no processo da Revolução Industrial por diversos fatores:

    o Pela aplicação de uma política econômica liberal desde meados do século XVIII. Antes da liberalização econômica, as atividades industriais e comerciais estavam cartelizadas pelo rígido sistema de guildas, razão pela qual a entrada de novos competidores e a inovação tecnológica eram muito limitados. Com a liberalização da indústria e do comércio ocorreu um enorme progresso tecnológico e um grande aumento da produtividade em um curto espaço de tempo.

    o O processo de enriquecimento britânico adquiriu maior impulso após a Revolução Inglesa, que forneceu ao seu capitalismo a estabilidade que faltava para expandir os investimentos e ampliar os lucros.

    o A Grã-Bretanha firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países. Um desses acordos foi o Tratado de Methuen, celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa, em 1703, por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português.

    o A Grã-Bretanha possuía grandes reservas de ferro e de carvão mineral em seu subsolo, principais matérias-primas utilizadas neste período. Dispunham de mão-de-obra em abundância desde a Lei dos Cercamentos de Terras, que provocou o êxodo rural. Os trabalhadores dirigiram-se para os centros urbanos em busca de trabalho nas manufaturas.

    o A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, adquirir matérias-primas e máquinas e contratar empregados.

    Antes que digam que a Inglaterra só se industrializou por causa do Tratado de Methuen, vale lembrar que tal acordo era de via dupla: Favorecia Portugal e Inglaterra. Mas apenas a Inglaterra se industrializou.

    “Foi pra Inglaterra por meio de pilhagens, feitas pelos corsários ingleses e pelo próprio governo inglês, que transformou o governo português em refém, em troca do apoio à restauração, em 1580.”

    Mingau de coisas!

    A pirataria já estava em decadência em pleno século XVIII, Elias. A Inglaterra financiou, sim, piratas/corsários lá pelos idos dos seculos XVI e XVII. No século XVIII, a Inglaterra já possuía a marinha mais poderosa do mundo de então e já se constituíra como um país rico.

    A Inglaterra apenas seguiu à risca uma regra já batida do registro histórico: Países mais avançados e ricos sempre buscam subjugar aqueles que são mais atrasados e pobres.

    “E quem disse que Portugal era liberal ou avançado, rapaz? Tu tá ficando lóki?

    Fálávamos da INGLATERRA”

    No século XVIII, havia uma proibição dessas estipulada pela coroa portuguesa. Daí a crítica a Portugal.

    “A proibição de instalar indústriais no Brasil tinha por objetivo garantir o mercado brasileiro pros produtos industriais INGLESES.”

    Elias, no século XIX, já havia indústrias instaladas em solo brasileiro e comandadas por brasileiros e por pessoas que imigraram para cá.

    Mas esse não foi o motivo do enriquecimento da Inglaterra. Ela só pôde fazer esse tipo de restrições pelo fato de já ser um país economicamente avançado e militarmente poderoso. O liberalismo contribuiu bastante para que ela chegasse a tal status.

    “III
    TU NUNCA ME MOSTRASTE que a ‘concorrência perfeita’ não existe. Eu aprendi isso na Universidade, quase duas décadas e meia antes de saber que tinhas vindo ao mundo…”

    Poxa, Elias, então mostre para nós o que os teus professores universitários disseram a respeito da “concorrência perfeita”. Seria interessante saber qual era a mentalidade econômica predominante na faculdade/departamento de economia da UFPA no anos de 1970/1980.

    A explicação que mostrei mais acima, para a inexistência da “concorrência perfeita”, é baseada na abordagem informacional do Hayek.

    “E o ‘coeteris paribus'”

    Elias, a economia é um sistema extremamente dinâmico. Considerar certas variáveis constantes para fazer previsões é uma receita para o desastre. Hayek tem críticas muito fortes sobre essas considerações, muito comum entre alguns keynesianos.

    Foi como você afirmou mais acima: “Quando uma variável se altera, ela produz efeitos em todas as demais, com maior ou menor intensidade.”

    Isso, Elias, é um argumento da Escola Austríaca, é um argumento austríaco, e quando Hayek chegou à essa conclusão, você não devia nem mesmo estar nos planos dos seus pais.

    “É mais do que conhecido o episódio em que a Inglaterra tentou impor uma Constituição biônica à Índia. É mais do que conhecido o apoio dos dalits à Inglaterra (pardal, entreguista e puxa saco é coisa que todo lugar tem…) e é mais do que conhecido o desdobramento desse episódio.”

    Eita, Elias, que posicionamento mais asqueroso.

    Os dalits, pelo sistema de castas indiano, são considerados lixo social. Eles não têm os mesmos direitos que a classe superior, da qual o Gandhi fazia parte, tem. Os dalits não podiam frequentar certos lugares, não podiam estudar, não podiam exercer certas profissões, enfim, era uma ordem social onde prevalecia um apartheid.

    O Dr. Ambedkar, um dalit, considerava que apenas garantindo na lei que essas discriminações fossem eliminadas é que os dalits poderiam melhorar a própria condição de sobrevivência.

    Se os dalits não tivessem concordado com os britânicos para receberem um tratamento mais igualitário das leis, dificilmente os membros das castas superiores iriam dar aos dalits esse tipo de coisa. Muito pelo contrário! Houve até mesmo membros das casta superiores que foram ao extremo de fazer greve de fome para que isso não ocorresse.

    Elias, o quê os dalits, um gigantesco exército de miseráveis, tinham a entregar para os britânicos?

    Afirmar que os dalits eram entreguistas tem o mesmo valor moral de dizer que eram entreguistas os judeus que colaboraram com os aliados para dar um fim às brutalidades do nazismo e do holocausto.

    “V
    Nada do que disseste a respeito do Império Romano, da Índia e do escambal da Bahia, muda a essência da nossa discussão.

    [. . .]

    Enquanto os teóricos do liberalismo pregavam a liberdade econômica na Inglaterra, os operadores bloquevam a liberdade econômica de tantos países quantos eles puderam. Onde conseguiram fazer isso pacificamente, assim o fizeram. Onde não foi possível fazer pacificamente, foi na porrada.”

    Aquilo posto mais acima sobre a Inglaterra, os romanos e a Índia é apenas para lhe dar o exemplo de uma regra bem fundamental do registro histórico: Países mais ricos e poderosos sempre buscaram subjugar as nações mais pobres e fracas. Isso sempre aconteceu.

    “A questão que eu coloquei é que: o regime de liberdade econômica defendido pelo liberalismo, NUNCA FOI um valor universal.”

    Sorte a do país que conseguiu cultivar uma elite intelectual liberal. Sorte a do país que fez a sua revolução burguesa. Sacou?

    “1 – Quais são as propostas dos liberais pra enfrentar a atual crise econômica mundial? (Não vale responder que é por meio de intervenção estatal, com mais regulação e, sobretudo, com mais recursos públicos)”

    Basicamente, os países europeus precisarão pagar as suas dívidas. Não há solução fácil para essa situação.

    “2 – Qual foi o grande (ou médio, ou pequeno) acréscimo que a Teoria Econômica Clássica fez a si mesma, durante o Século XX? De preferência, qual o acréscimo que a torna atual no Século XXI?”

    Quanto à teoria econômica clássica, os liberais do século XX mostraram que alguns dos seus conceitos estavam errados e, diante disso, seria um equívoco trazê-la para um cenário do século XXI.

    A abordagem informacional do Hayek é mais formal e rigorosa nesse sentido.

    Até!

    Marcelo

  106. Elias said

    Marcelo,

    I
    NÃO ENROLA!

    A Inglaterra teve tempo e poder suficiente pra fazer com que os dalits deixassem de ser “lixo social”. Por que não o fez?

    Não te faz de tolo, e para de insultar a inteligência dos leitores deste blog.

    Quando propôs à Índia uma Constituição feita por um preposto da Inglaterra, o governo colonial inglês sabia muito bem o que estava fazendo. Era uma estratégia pra provocar dissenções internas no movimento independentista e, assim, melar o processo de independência do país.

    O que os ingleses não imaginavam é que Ghandi pagaria pra ver… Deu no que deu!

    Não se trata de dizer que os dalits tinham isso ou aquilo pra entregar, Marcelo. Eles se portaram como ENTREGUISTAS, porque estavam contribuindo pra IMPEDIR A INDEPENDÊNCIA da Índia, ou seja, para ENTREGAR O PAÍS à Inglaterra (no caso, contribuir para que a Índia permanecesse sob dominação inglesa).

    Nem se pode dizer que foram os dalits que fizeram isso, até porque, em regra, eles eram desarticulados politicamente. Foi um pequeno grupo de dalits oportunistas, que viu aí uma chance de se dar bem. Um grupo de colaboracioonistas. Entreguistas.

    Repito: pardal, entreguista e puxa saco é coisa que todo lugar tem.

    Só um completo imbecil, ou um desonesto tanto quanto, há de dizer que o governo colonial inglês era conduzido por pessoas ingênuas, que não tinham consciência de que estavam operando sobre uma bomba com pavio aceso, e nem suspeitavam — tadinhos…! — que qualquer tentativa externa de influir no processo político interno da Índia resultaria numa explosão de violência.

    A explosão de violência era exatamente o que o governo colonial queria, Marcelo. A escolha de um dalit como preposto do governo inglês não aconteceu por acaso…

    Não te finge de bobo, Marcelo. Pra quem tenta exibir conhecimento, fingir que é bobo é a última coisa a fazer.

    Qualquer chipanzé bem treinado sabe essa história de cor. Só os muito idiotas e os extremamente desonestos ainda dizem que os ingleses estavam sendo “bonzinhos”.

    E deixaste de dizer que Ghandi ficou em greve de fome até que que cessassem as represálias contra os dalits.

    FOI GHANDI, e não os ingleses, quem fez parar as represálias contra os dalits.

    É muita desonestidade intelectual da tua parte, insinuar que Ghandi incitou à violência…

    NÃO ENROLA, MARCELO!

    II
    “Poxa, Elias, então mostre para nós o que os teus professores universitários disseram a respeito da “concorrência perfeita”. Seria interessante saber qual era a mentalidade econômica predominante na faculdade/departamento de economia da UFPA no anos de 1970/1980.”

    Não, bobinho… Em qualquer universidade do mundo, a questão da “concorrência perfeita” é tratada quando se examina as refutações de Keynes e Kalecky à Teoria Clássica. Antes mesmo de se estudar a “teoria dos ciclos”, estuda-se essa refutação.

    III
    E o “coeteris paribus”? Por que ele permanece na teoria clássica?

    Ele é essencial às análises em “planos bidimensionais” ou “cartesianos”, que abordam as variáveis duas a duas, pressupondo que as demais permanecem constantes.

    Isso foi eliminado da teoria clássica? Neste caso, por que permanece nos livros?

    Foi substituído? Pelo quê? Quando? Por quem?

    NÃO ENROLA, MARCELO!

    Responde ao que te perguntam, ou, simplesmente reconhece que não tens resposta.

    IV
    O que vou te dizer é mais do que conhecido por qualquer estudante de Ensino Fundamental.

    Em 1580, com o desaparecimento de D. Sebastião (na batalha de Alcacer Qibir), Portugal ficou, na prática, sob domínio espanhol (já que, por laços familiares, os reis espanhóis se tornaram herdeiros da coroa portuguesa). É quando se inicia a chamada “União Ibérica”.

    A restauração da monarquia portuguesa só aconteceria em 1640, ou seja, mais de meio século depois. Para isso, Portugal pediu e obteve a “ajuda” da Inglaterra, que cobrou caro pelo apoio que deu.

    A partir daí — ou seja, bem antes do Século XVIII — começou a dominação inglesa sobre Portugal.

    Aproveito a oportunidade pra corrigir minha afirmação: “Foi pra Inglaterra por meio de pilhagens, feitas pelos corsários ingleses e pelo próprio governo inglês, que transformou o governo português em refém, em troca do apoio à restauração, em 1580.”

    O apoio à restauração culminou em 1640 e não em 1580. Em 1580 ocorreu o fato que daria início à União Ibérica.

    V
    “Elias, no século XIX, já havia indústrias instaladas em solo brasileiro e comandadas por brasileiros e por pessoas que imigraram para cá.”

    Marcelo, alguém precisa te dizer que um século tem 100 anos…

    As indústrias começaram a ser instaladas no Brasil, no Século XIX, DEPOIS da Independência, Marcelo. DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA.

    Vou repetir: DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA, Marcelo.

    No meu texto, eu me referi às decisões das Cortes Portuguesas sobre abertura dos portos e comércio direto do Brasil com as “nações amigas” (leia-se: Inglaterra).

    Logo, são fatos ocorridos ANTES da Independência, Marcelo. No INÍCIO do Século XIX, portanto.

    Entendeu, Marcelo? Não? Então vou repetir: as decisões das Cortes Portuguesas, se opondo ao comércio do Brasil com as “nações amigas”, aconteceram ANTES DA INDEPENDÊNCIA, viu Marcelo? ANTES! Isto, é: a Independência ocorreu DEPOIS dessas decisões (e também POR CAUSA delas).

    Entendeu, Marcelo? Não? Então lê de novo…

    Há uma diferença muito grande de contexto, entre o Brasil de 1800 a 1820, por exemplo, e o Brasil de 1860 a 1880, embora ambos os períodos estejam dentro do mesmo Século XIX.

    Sabe por que, Marcelo? Porque um século tem 100 anos e, em 100 anos, muitas coisas mudam.

    Entendeu?

    No início do Século XIX, com o Brasil ainda sob domínio português, era PROIBIDO instalar indústrias neste país. E essa proibição existia desde a chegada dos portugueses no país.

    Mesmo o refino do açúcar, p.ex., era proibido. O Brasil só podia produzir até a fase de mascavo. Daí pra frente, tinha que ser feito fora daqui. O Brasil só refinou açúcar durante o breve período holandês.

    Gráficas eram terminantemente proibidas (o primeiro jornal brasileiro, “Correio Braziliense”, era impresso na Inglaterra).

    Tenho em minha casa fac similes de documentos firmados pelo Governador do Grão Pará-Maranhão, pedindo autorização ao rei de Portugal pra demolir a antiga “Casa do Governo”.

    Motivo? Ele queria aproveitar o máximo de pregos existentes na casa em ruínas, já que ele estava proibido de fabricar pregos (embora dispondo de materia prima e tecnologia pra isso). Se o governador caísse na besteira de fabricar pregos, ele seria preso e mandado a ferros pra Portugal. Seus bens seriam confiscados e sua família degradada.

    VI
    Os países devedores têm que pagar suas dívidas…

    Então essa é a “solução” que os liberais propõem, para o enfrentamento da crise?

    Já sei! E a solução pra acabar com a fome no mundo é… TODO MUNDO COMER!

    Que tal brioches?

    Marcelo Augusto pra presidente do mundo!!!

    Pô, Marcelo… Taí um momento em que é melhor não dizer nada…

    Alguém já te disse que um dos componentes da crise é, exatamente, a incapacidade desses países de pagar suas dívidas?

    Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá! Huá!

  107. Elias said

    Ranking do crescimento de PIB em 2011, entre as maiores economias:

    1º lugar: China (claro!), 9,2%
    2º lugar: Índia, 6,9%
    3º lugar: Coréia do Sul, 3,6%
    4º lugar: África do Sul, 3,1%
    5º lugar: Alemanha, 3,0%
    6º lugar: Brasil, 2,7%
    7º lugar: EUA, 1,7%
    8º lugar: França, 1,7%
    9º lugar: Reino Unido, 0,8%
    10° lugar: Espanha, 0,7%

    A economia da esmagadora maioria dos demais países do mundo, Rússia inclusive, cresceu a taxa menor que 0,7% ou teve crescimento negativo em 2011.

    Parece que, em termos absolutos, o Brasil ultrapassou a Inglaterra e, agora, é a 6ª economia do mundo.

    De qualquer modo, um crescimento tão acanhado quanto o de 2011 faz crer que o Brasil já está operando com capacidade ociosa.

    Isso, mais a enxurrada de dinheiro que o Banco Central Europeu injetou nos bancos do Velho Mundo, indicam que a taxa básica de juros no Brasil vai cair ainda mais. Ontem, o Copom derrubou essa taxa em 7,14% ou 0,75 ponto percentual: passou de 10,5% pra 9,75% (acho que a última vez que essa taxa esteve em um dígito foi lá pelo início de 2010…).

    Taí algumas ruas fechadas e uma larga avenida aberta, pra quem tem alguma coisa entre as orelhas, outra nos bolsos e está a fim de arriscar…

    O problema é que, com esse papo do BCE inundar o mercado europeu com grana a custo quase nulo, o governo brasileiro pode sovar ainda mais a tributação sobre ganhos financeiros.

    Aí a coisa pode não compensar: a grana vai entrar por uma porta e, na mesma hora, sair por outra…

    Quem tiver grana e peito que se habilite…

  108. Elias said

    Deu na BBC Brasil:

    “A cidade espanhola de Rasquera arrendou um terreno no qual irá cultivar maconha, como forma de saldar sua dívida de 1,3 milhões de euros (cerca de R$ 3 milhões).”

    “O financiamento para o polêmico plantio da erva será feito ao longo dos próximos dois anos pela Associação de Consumidores de Maconha de Barcelona.”

    “Mas as autoridades espanholas ainda estão estudando se a medida é ou não legal. A lei do país permite o consumo de maconha em bases pessoais ou compartilhada, mas o tráfico é punido com penas que podem chegar a 6 anos de prisão.”

    Taí uma forma de usar a “liberdade econômica” pra sair da crise…

    Uma solução literalmente lombrada…

    Só não pode é, depois, ficar falando mal da Bolívia…

  109. Olá!

    Elias, tenha calma, santa! Não precisa agir como marido traído e espernear feito uma louca.

    Alguns argumentos, que você parece ignorar, já mostraram qual é a minha opinião sobre certos assuntos, como a impossibilidade da “concorrência perfeita”.

    Mas, vamos lá! Mais uma vez!

    “I
    NÃO ENROLA!

    A Inglaterra teve tempo e poder suficiente pra fazer com que os dalits deixassem de ser ‘lixo social’. Por que não o fez?”

    O ponto fundamental é: Não dá para falar sobre o que poderia ter sido, mas, sim, sobre o que, de fato, aconteceu.

    O que importa mesmo é que, no momento em que os dalits teriam acesso a mais direitos e a maior proteção das leis, as castas superiores indianas foram contra. Gandhi, um membro dessas castas, foi até mesmo ao extremo de fazer greve de fome para evitar isso.

    “Não te faz de tolo, e para de insultar a inteligência dos leitores deste blog.”

    Ora, ora, Elias. Para quem já escreveu certas barbaridades sobre o liberalismo, coisa de quem nunca leu nem mesmo os textos mais básicos, você não poderia fazer esse tipo de afirmação.

    “[. . .] Eles se portaram como ENTREGUISTAS, porque estavam contribuindo pra IMPEDIR A INDEPENDÊNCIA da Índia, ou seja, para ENTREGAR O PAÍS à Inglaterra (no caso, contribuir para que a Índia permanecesse sob dominação inglesa).

    Nem se pode dizer que foram os dalits que fizeram isso, até porque, em regra, eles eram desarticulados politicamente. Foi um pequeno grupo de dalits oportunistas, que viu aí uma chance de se dar bem. Um grupo de colaboracioonistas. Entreguistas.

    Repito: pardal, entreguista e puxa saco é coisa que todo lugar tem.”

    É engraçada uma coisa: No rascunho da constituição indiana, outros grupos teriam acesso a provisões semelhantes àquela dos dalits, como os muçulmanos, sikhs, anglo-indianos e etc. O Gandhi não se opôs que tais provisões fossem dadas aos demais grupos, mas apenas aos dalits.

    Elias, dê um tempo nesse troço esquerdóide de chamar os outros de “entreguistas”. Soa por demais infantil. Já não basta o maior papelão que a esquerda fez ao chamar o Roberto “Bob Fields” Campos de “entreguista”?

    Esperar que as castas superiores dessem aos dalits direitos que, historicamente, estes nunca tiveram, seria o mesmo que esperar que os nazistas libertassem os judeus dos campos de extermínio e de seus altos fornos. Sacou?

    “FOI GHANDI, e não os ingleses, quem fez parar as represálias contra os dalits.

    É muita desonestidade intelectual da tua parte, insinuar que Ghandi incitou à violência…”

    Se o Gandhi incitou a violência de forma proposital, bom, aí é outro departamento. Mas eis aqui uma fonte que relata certas coisas. Excerto:

    Most readers are familiar with Gandhi’s great hunger strike against the so called Poona Pact in 1933. The matter which Gandhi was protesting, nearly unto death at that, was the inclusion in the draft Indian Constitution, proposed by the British, that reserved the right of Dalits to elect their own leaders. Dr. Ambedkar, with his degree in Law from Cambridge, had been choosen by the British to write the new constitution for India. Having spent his life overcoming caste based discrimination, Dr. Ambedkar had come to the conclusion that the only way Dalits could improve their lives is if they had the exclusive right to vote for their leaders, that a portion or reserved section of all elected positions were only for Dalits and only Dalits could vote for these reserved positions.

    Gandhi was determined to prevent this and went on hunger strike to change this article in the draft constitution. After many communal riots, where tens of thousands of Dalits were slaughtered, and with a leap in such violence predicted if Gandhi died, Dr. Ambedkar agreed, with Gandhi on his death bed, to give up the Dalits right to exclusively elect their own leaders and Gandhi ended his hunger strike.Later, on his own death bed, Dr. Ambedkar would say this was the biggest mistake in his life, that if he had to do it all over again, he would have refused to give up Dalit only representation, even if it meant Gandhi’s death.

    Como ficou a condição dos dalits após a independência? Excerto:

    “As history has shown, life for the overwhelming majority of Dalits in India has changed little since the arrival of Indian independence over 50 years ago. The laws written into the Indian Constitution by Dr. Ambedkar, many patterned after the laws introduced into the former Confederate or slave states in the USA during reconstruction after the Civil War to protect the
    freed black Americans, have never been enforced by the high caste dominated Indian court system and legislatures. A tiny fraction of the “quotas” or reservations for Dalits in education and government jobs have been filled. Dalits are still discriminated against in all aspect of life in India’s 650,000 villages despite laws specifically outlawing such acts. Dalits are the victims of economic embargos, denial of basic human rights such as access to drinking water, use of public facilities and education and even entry to Hindu temples.”

    Os “entreguistas” dalits, segundo alguns, não podem estudar, não têm acesso a saneamento básico, não têm permissão para entrar em certos lugares, não podem desfrutar de certos serviços públicos e etc. Enfim, os “entreguistas” dalits vivem em um regime de apartheid social.

    “Não, bobinho… Em qualquer universidade do mundo, a questão da ‘concorrência perfeita’ é tratada quando se examina as refutações de Keynes e Kalecky à Teoria Clássica. Antes mesmo de se estudar a ‘teoria dos ciclos’, estuda-se essa refutação.”

    Poxa, Elias, então dê aí, por gentileza, uma breve explanação a respeito disso. Poderia ser uma breve resumo, caso não vá tomar muito do seu tempo.

    “III
    E o “coeteris paribus”? Por que ele permanece na teoria clássica?

    Ele é essencial às análises em ‘planos bidimensionais’ ou ‘cartesianos’, que abordam as variáveis duas a duas, pressupondo que as demais permanecem constantes.

    Isso foi eliminado da teoria clássica? Neste caso, por que permanece nos livros?

    Foi substituído? Pelo quê? Quando? Por quem?”

    Ora, vá fazer essas perguntar ao pessoal que ainda crê na teoria clássica e coisas como “concorrência perfeita” e coisas tais.

    Fazer análises econômicas considerando apenas duas variáveis ou um conjunto simples de equações diferenciais/integrais são receitas para um verdadeiro desastre. A quantidade de informações que tais modelos matemáticos teriam de englobar seria tão grande, que tais equações acabariam sendo impossíveis de serem resolvidas analiticamente e/ou numericamente/computacionalmente. No entanto, existe uma entidade capaz de processar todas essas informações de maneira muito mais eficiente do que qualquer método analítico e/ou numérico. Tal entidade é o próprio mercado.

    Nas considerações de Hayek:

    A crítica de Von Hayek à solução de Lange-Lerner

    Em 1944, Von Hayek agregou outra dimensão ao debate em seu Caminho da Servidão. Ele afirmou que, na prática, o planejamento central jamais poderia ter informações suficientes para tomar uma decisão racional. Em sua opinião, não há nada superior ao sistema de preços.

    O esquema Lange-Lerner é estático, Hayek apontou este fato como sendo uma falha já que a economia é dinâmica. O conhecimento técnico, os recursos e as informações são considerados dados no sistema. Hayek argumentou que o conhecimento é disperso na sociedade e a sua utilização racional é levada a efeito por cada indivíduo traçando seus próprios planos segundo circunstâncias personalíssimas e intransferíveis. O mercado coordena esses planos espontaneamente, sobretudo por intermédio do sistema de preços, de forma muito mais racional e útil do que um planejamento central poderia esperar fazer. O planejamento central implica a supressão dos planos individuais. Os indivíduos tornam-se instrumentos do planejador central, mas esse não pode ter jamais a esperança de coordenar a produção racionalmente. O estado de equilíbrio é uma quimera que não tem lugar no mundo real, dinâmico por natureza, e o conhecimento, as oportunidades e a informação nunca estão “dados”. Ao contrário, estão sendo incessantemente criados e ampliados através das iniciativas individuais e suas interações.

    Sacou?

    Bom, sem comentários sobre a sua gigantesca diatribe quanto a Portugal, o Brasil colônia, a Inglaterra, as indústrias e coisas tais. É dar murro em ponta de faca e repetir o mesmo argumento indefinidamente. Uma perda total de tempo.

    A citação das indústrias brasileiras em pleno século XIX foi apenas para lhe lembrar que, apesar da influência inglesa, o Brasil conseguiu ter os seus próprios meios industriais.

    Até!

    Marcelo

  110. Olá!

    Elias,

    “Os países devedores têm que pagar suas dívidas…

    Então essa é a ‘solução’ que os liberais propõem, para o enfrentamento da crise?

    Já sei! E a solução pra acabar com a fome no mundo é… TODO MUNDO COMER!

    Que tal brioches?”

    Não é isso, não, Elias. Eu lhe respondi no comentário mais acima:

    “No entanto, algo fundamental terá de ser feito: Corte dos gastos governamentais. Sobretudo no caso europeu. É difícil de se ter um governo com as contas fiscalmente equilibradas se os gastos continuam descontrolados.

    Quanto ao setor financeiro de lá, é melhor que o governo resgate essa gente do que esperar para que tudo desabe e resulte em um efeito em cascata, jogando mais países e economias no abismo. O PROER fez algo semelhante por aqui.

    Mas isso não é uma receita infalível para o sucesso. Basta ver o que aconteceu na Grécia, onde ninguém — governo, empresários e afins — pôde evitar o default e olha que não foi por falta de tentativas do governo grego. Veio dinheiro de fora para estimular a economia grega, mas deu no que deu.

    [. . .]

    Elias, a crise na Europa foi causada por uma combinação de fatores: Welfare State muito grande; elevada carga tributária; baixo crescimento econômico; assistencialismo governamental a grupos de interesse; governos fiscalmente irresponsáveis; acúmulo de dívidas além do ponto onde governos poderiam gerenciá-las; e etc.

    Uma conjuntura dessas é uma bomba-relógio prestes a ser detonada.”

    Mas parece que você ignorou a resposta.

    Há um problema ao argumentar com você. Você parece não entender certas colocações que a outra parte faz em uma argumentação (não sei se propositalmente ou não). Isso obriga o outro a repetir o mesmo argumento indefinidamente — vide o caso ceteris paribus que você tanto aporrinha para lhe mostrar, sendo que eu já fiz isso uma três vezes apenas neste post — e ter de repetir o mesmo argumento é de uma chatice tremenda, torna a argumentação massante e etc.

    Por exemplo, você leu o link que coloquei para o artigo do Hayek The Use Of Knowledge In Society? Nesse artigo, há argumentos contra esse negócio de “concorrência perfeita”, “variáveis constantes” e coisas tais. Mas cadê que você leu? Se tivesse lido, não ficaria aporrinhando por uma resposta que está lá e que, eu mesmo, ainda que resumidamente, já lhe dei. E, ainda assim, vem você com esse negócio de ceteris paribus novamente e novamente.

    Isso é muito chato e cansa. Quando chego no final do seu comentário e vejo algo me pedindo novamente qual é a solução dos liberais para a crise na Europa, depois do calvário de ter repetido mais de uma vez os mesmos argumentos para outras coisas que você já havia me perguntado, eu vou na resposta mais resumida. Por mais que eu lhe desse uma resposta mais completa, cheia de referências e coisas tais, você não daria a mínima e viria com aquele lance de ceteris paribus, isto é, continuaria a me perguntar por uma resposta que eu já lhe dei. Como aconteceu exatamente nos excertos acima destacados.

    Mas, se for o caso de dar uma visão mais liberal sobre essa crise européia, eis aqui dois links discutindo o assunto:

    What’s the Solution to Europe’s Fiscal Crisis: Spending Cuts, or Bailouts and Easy Money?

    Let’s Copy the Baltic Nations and Really Cut Spending

    Leia lá. Eu não vou fazer resumos.

    E outra, Elias, você me parece bastante alterado nessa argumentação, fazendo referências à burrice, macacos/chimpanzés, idiotas e coisas tais. Excerto:

    “Qualquer chipanzé (sic) bem treinado sabe essa história de cor. Só os muito idiotas e os extremamente desonestos ainda dizem que os ingleses estavam sendo ‘bonzinhos’.”

    Você percebeu que, em nenhum momento, eu agi assim com você e sempre lhe tratei de maneira respeitosa? A referência aos animais apenas é feita quando se quer diminuir o outro. Se fosse uma pessoa negra que estivesse no meu lugar, ela poderia se sentir ofendida.

    É engraçado que você tenha dito que a “direita brasileira” rosna, morde, baba, esbraveja, seja tosca e etc. Mas repare só no seu jeito de argumentar, nas palavras que você usa e nas referências que você faz.

    Mas, enfim. . .

    Até!

    Marcelo

  111. Zbigniew said

    Elias,
    vamos ver se agora com a China crescendo menos e tendo que se voltar para o mercado interno, além da guerra cambial que os paises de liberdade economica na estratosfera estão empreendendo, a Dilma tem cacife pra desvalorizar o Real – ainda que a politica monetária seja do BC – e reverter o processo de desindustrializacao que se abateu sobre o pais. Vai requerer muita coragem porque certamente teremos algo de inflação. A imprensa vai fazer a festa de um lado, a oposição do outro, mas e uma chance de nos livrarmos dessa armadilha cambial.

  112. Elias said

    Zbigniev,
    A Dilma tem espaço pra reduzir a taxa básica de juros, porque o crescimento do PIB foi pequeno em 2011. Ou seja, aparentemente, não há risco da redução de juros gerar inflação de demanda.

    Ao mesmo tempo, a redução da taxa de juros ajudará a evitar a supervalorização do Real, como conseqüência da migração em massa da grana braba que o BCE está injetando nos bancos europeus a custo zero (ou quase zero).

    Vai daí que, apesar dos pesares, pode ser que, para o Brasil, 2012 seja um pouco melhor que 2011 (que foi um ano difícil pra caramba, né?).

    Meu temor é de que só a redução da taxa de juro não segure a valorização do Real. Neste caso, o governo vai acabar intervindo nas tarifas e aumentando a tributação sobre receita financeira.

    Aí, barata vôa prum monte de gente. Infelizmente, estarei no meio dessa gente, feito poodle metido numa briga de dobermans…

    Marcelo,
    “No entanto, algo fundamental terá de ser feito: Corte dos gastos governamentais. Sobretudo no caso europeu. É difícil de se ter um governo com as contas fiscalmente equilibradas se os gastos continuam descontrolados.”

    Corre lá na Europa e avisa pro pessoal, que tá injetando dinheiro estatal adoidado na economia. Coisa de trilhão de Euros, segundo se disse nesta semana. Até a Dilma foi lá, bronquear…

  113. Elias said

    “Elias, a crise na Europa foi causada por uma combinação de fatores: Welfare State muito grande; elevada carga tributária;”

    “Na Europa”? A Alemanha, que tá bamburrada, fica na Ásia?

    “Elevada carga tributária”? Tás delirando…!

    Os países em crise — Portugal, Grécia e Espanha — eram países volta e meia citados pelos libs brazucas, EXATAMENTE POR SUA BAIXA CARGA TRIBUTÁRIA.

    Em Portugal, comprei carro francês (um Citroen), com tudibom nele, por um preço que, no Brasil, não daria pra comprar um Pálio de 2ª mão…

    Sabe por que, tão baratinho, Marcelo? Porque quase não tinha impostos nesse preço…

    E era (e é!) um festival de automóveis em Portugal… No Porto & adjacências, conseguir uma vaga pra estacionar é tarefa pra mágico…

    Perguntei a um amigo: se quase não tem impostos sobre carros, como é que o Estado banca a manutenção da pavimentação das ruas e das estradas?

    Ele sorriu e balançou a cabeça, assim como quem diz: “Sei lá… Entende?”

  114. Elias said

    É que, pra vocês, neo-libs verde-amarelos de reflexo, certos argumentos já se tornaram ladainhas.

    “Assistência social”, “elevada carga tributária”, “despesa pública”. É a “análise” feita pro Brasil que vocês acham que pode ser aplicada a qualquer outro lugar e em qualquer época ou circunstância (quando a análise não cola nem pro lugar para o qual ela foi, digamos, “elaborada”).

    “Estado de bem estar social” na Grécia? Tás pirado, cabra! Vai te aposentar lá, que verás o que é bom pra tosse…

  115. Elias said

    “O PROER fez algo parecido por aqui…”.

    Mentira, Marcelo! O PROER NÃO fez nada parecido.

    No Brasil, o PROER socorreu bancos que haviam FRAUDADO seus depositantes e investidores, haviam perdido o dinheiro desviado (em alguns casos, como o Econômico, o dinheiro desviado havia sido garfado pelo controlador do banco), e, então estavam sem nenhuma liquidez.

    Bem entendido:nenhum banco tem liquidez, só que os bancos cujas estripulias caem na boca do povo, são submetidos a “corridas”, e nenhum banco, em nenhuma época e em nenhum lugar, segura uma “corrida”.

    No caso brasileiro, os bancos socorridos estavam sob “corridas”…

    No caso europeu, o BCE está metendo grana no sistema financeiro, pra drenar recursos dos países pobres ou em desenvolvimento.

    Os países pobres ou em desenvolvimento são obrigados a manter uma taxa de juros alta, pra segurar a inflação interna.

    Quando o país rico disponibiliza dinheiro a juros nulos, isso permite ao especulador tomar dinheiro emprestado nesse país rico, a juros zero, aplicar no mercado financeiro de um país pobre a um juro muito mais alto, e, depois, transferir a grana braba que ganhou pro país de origem.

    É uma estratégia de combater a crise usando dinheiro dos países pobres e em desenvolvimento.

    Não tem nada a ver com PROER, seu tonto!

    Por isso é que a Dilma foi lá na Alemanha, chiar.

    E o Brasil é um país que ainda tem como se defender disso. Outros, sem tanta força, vão se ferrar, simplesmente…

    É por isso que os liberais europeus estão caladinhos…

    Entendeu, bobinho?

  116. Patriarca da Paciência said

    Elias,

    é estranho como eu compreendo tudo que você escreve. Para mim você escreve no mais cristalino português. Acho que o problema do Marcelo é que ele só entende linguagem esotérica.

  117. Edu said

    Marcelo,

    O problema não é a visão de cada um a respeito do tema: é o fanatismo de cada um. Contra fanatismo não há argumentos.

    O objetivo de expor o que eu penso era buscar me aproximar da verdade considerando os pontos de vistas e as evidências, de forma que todos se beneficiassem dessa verdade. Errei várias vezes, e não tive problema em admitir meus erros, a idéia era justamente essa, afinal, é humanamente impossível ser o “dono da verdade”. Com o passar do tempo, comecei a perceber que o único interessado na verdade construída era eu, e que ao pensamento de esquerda é a única verdade entendida pelos que a defendem, e que se houver alguma verdade incompatível, a verdade da esquerda transforma a verdade incompatível em uma verdade nova. Por mim, não tem problema nenhum! Mas desisti de compartilhar a verdade, fanáticos não gostam dela. Então, fico em conhecer o outro ponto de vista, fico satisfeito de saber que eu não sou o “dono da verdade” e fico satisfeito de saber que a verdade que me satisfaz é bastante distante da verdade fanática.

    Sugiro que, ao debater, vc se preocupe apenas com o seu aprendizado, do contrário será uma experiência frustrante.

  118. Olá!

    Elias,

    “Os países em crise — Portugal, Grécia e Espanha — eram países volta e meia citados pelos libs brazucas, EXATAMENTE POR SUA BAIXA CARGA TRIBUTÁRIA.”

    Cite aí, Elias, pelo menos um desses liberais brasileiros que viam em tais países um exemplo tributário a ser seguido.

    Quanto ao caso de Portugal, eu não sei, mas quanto aos outros dois, houve, sim, distribuição de privilégios, fraudes fiscais, péssimas opções de investimentos e exagerados “direitos sociais”.

    Veja o caso da Grécia. A Grécia era um país pobre antes de entrar na União/Comunidade Européia, com uma economia bem atrasada, o governo empregava uma parcela bem considerável da população, com forte presença estatal, um Risco-País elevado e etc. Para ser admitida, ela teve de se compatibilizar a alguns requisitos básicos, como austeridade fiscal, meta de inflação, limitação dos gastos públicos, evitar a explosão da dívida pública e etc.

    Pois bem, o lance é que o governo grego fraudou vários dos seus números, sobretudo aqueles relativos aos gastos do governo, o que já demonstra uma clara má vontade da Grécia para estar de acordo com os requisitos de admissão à UE/CE.

    Após a admissão, o Risco-País da Grécia passou a ser o mesmo do Risco-País da UE/CE (que é fortemente influenciado pelos Riscos-País de economias como a francesa e, sobretudo, a alemã) e, por isso, ficou bem mais fácil arrumar empréstimos. E foi exatamente o que a Grécia fez e saiu por aí fazendo empréstimos até não querer mais. Só que, em vez de utilizar essa dinheirama para investimentos mais produtivos, os gregos utilizaram-na para (adivinhem só?) inflar ainda mais o já inflado setor público de lá, sem dizer que foram dados ainda mais privilégios e bonanças para os funcionários públicos, tais como elevados salários, aposentadorias diferenciadas e etc. O setor público consumiu uma parte considerável desses empréstimos.

    Ou seja, a Grécia pegou os empréstimos e os colocou exatamente onde não devia, pois isso que ela fez contribuiu para aumentar ainda mais os gastos públicos e, por consequência, a dívida pública. Sem dizer que, a partir do que foi feito com esses empréstimos, estava óbvio que a Grécia não teria como pagá-los.

    E outra, Elias, é difícil de manter uma ordem social dessas sem uma elevada tributação.

    Uma conjuntura assim é uma bomba-relógio esperando para ser detonada.

    Sacou?

    O caso espanhol é “diferente” do grego. Antes de ser admitida na UE/CE, a Espanha era um país que vinha de um longo histórico de uma ditadura e tinha uma das economias mais fechadas e estatizadas da Europa Ocidental. Quando houve o processo de democratização, essa conjuntura passou a ser revista e os governos democráticos de lá começaram uma série de reformas para que a Espanha fosse admitida na UE/CE. Foram exigidos dos espanhóis requisitos semelhantes àqueles exigidos dos gregos. Não há indícios de que os espanhóis tenham feito algum tipo de fraude nos seus números.

    Após a admissão na UE/CE, igualmente ao caso da Grécia, ficou bem mais fácil para os espanhóis obterem empréstimos, afinal de contas a entrada na UE/CE colocou o Risco-País espanhol em patamares aceitáveis.

    E a Espanha saiu pelo mundo fazendo empréstimos e mais empréstimos. Com toda essa dinheirama, os espanhóis começaram a inflar o mercado imobiliário de lá, oferecendo créditos fáceis e coisas tais, além de terem ampliando consideravelmente o seu Welfare State. O Vilarnovo tem um relato do quão bondoso é esse Welfare State:

    Sobre o wellfare estate na Espanha eu posso dar um depoimento. Tenho dupla nacionalidade. Tenho passaporte espanhol. Nunca contribuí com um centavo de imposto para o Estado espanhol.

    Porém outro dia chegou em minha casa uma carta com um cartão magnético. A carta dizia que eu tenho “direito” de acessar todo o sistema público de saúde de Madrid.

    Por incrível que pareça Madrid é uma das poucas cidades da Espanha que eu nunca coloquei os pés, fora o aeroporto de Bajaras.

    É difícil para um governo manter suas contas equilibradas quando coisas como essa acontecem.

    Ah, sim, vale ressaltar outra coisa também: Houve investimentos pesados, na casa dos bilhões de euros, em projetos sem nenhum retorno financeiro e/ou de retorno financeiro bastante improvável, como, por exemplo, usinas eólicas e coisas do tipo.

    Não dá para manter tudo isso sem impostos elevados.

    Novamente, um cenário desses é uma bomba-relógio esperando para ser detonada.

    Sacou?

    Esses dois exemplos jogam por terra a sua proposição de que os liberais brasileiros viam em Portugal, Grécia e Espanha exemplos tributários e etc. O motivo principal é que, pelo menos quanto à Espanha e à Grécia, tais países não tinham essa baixa carga tributária que você afirmou, até mesmo pela própria estrutura social de tais países, que exige uma alta carga tributária para ser mantida. E os dados confirmam isso, Elias:

    Grécia

    Corporate Tax: 22%/25%
    Individual Tax: 0/45%
    Payroll Tax: 44%
    VAT, GST, Sales Tax: 23%/11%

    Espanha

    Corporate Tax: 25%/30%
    Individual Tax: 0/52%
    Payroll Tax: N/A
    VAT, GST, Sales Tax: 18%/8%/4%

    São valores consideravelmente elevados, Elias.

    Mas cadê que você ao menos se deu o trabalho de pesquisar esses dados para sustentar o seu posicionamento, Elias?

    A situação não é tão simples quanto você quis colocar, Elias.

    Viu só como é complicado de argumentar com você, Elias? Você tira “fatos” do nada, out of thin air, e nem mesmo cita seja lá qual referência for.

    O maior problema é que você, Elias, não deve ter lido nada sobre liberalismo e, pelo menos aqui no site do Pax, é a pessoa que mais critica os valores liberais. Basta ler o besteirol que você já escreveu sobre o liberalismo para, facilmente, se chegar nessa conclusão, isto é, que você não sabe lhufas sobre liberalismo e deve ter aceito apenas aquilo que seus professores da UFPA lhe disseram.

    Isso é ruim, pois os demais leitores, sobretudo aqueles que não comentam, ficarão com uma visão deturpada sobre o que é o liberalismo, ainda mais quando a crítica vem de uma fonte repleta de ignorância sobre o assunto.

    Cadê que você leu o artigo do Hayek “The Use Of Knowledge In Society” que é uma introdução à abordagem informacional do liberalismo moderno? Leia lá, Elias, pois nenhuma cartilha do MST ou do sindicato ensinará essas coisas para você.

    Difícil de se criticar aquilo que não se conhece.

    Quanto ao exemplo do PROER, Elias, eu o usei para expressar a seguinte idéia: É melhor que o governo socorra o setor financeiro do que esperar para vê-lo desabar e, por consequência, isso acabe gerando um desastre de dimensões catastróficas. Logicamente, severas punições devem ser estabelecidas após o resgate.

    Não pude ter uma idéia mais ampla do que se tratava toda aquela dinheirama dada aos bancos europeus, pois as informações que li foram apenas aquelas destacadas por você em um excerto mais acima.

    Mas, se for o caso, que fique registrado o meu erro. Afinal de contas, a certeza inexorável é um atributo dos idiotas.

    Sacou?

    Até!

    Marcelo

  119. Elias said

    Saquei!

    Saquei que tu disseste que o BCE fez “mais ou menos o que o PROER fez aqui…”.

    E que, agora, estás dizendo que ” É melhor que o governo socorra o setor financeiro do que esperar para vê-lo desabar e, por consequência, isso acabe gerando um desastre de dimensões catastróficas.”

    Não foi uma coisa nem outra, rapaz!

    Como já expliquei acima, não vou repetir.

    Antes de escrever mais a respeito, dá uma olhada nos noticiários e em análises de publicações especializadas, do Brasil e do exterior. A Economist, por exemplo.

  120. Elias said

    Patriarca,

    É que esse pessoal é monomaníaco.

    Pra essa turma, a crise econômica, toda crise econômica, qualquer crise econômica, em qualquer lugar ou época, terá sempre sido provocada pelo excesso de gastos públicos, porque o Estado tá empregando gente demais, porque subsidiou o crédito, etc, etc.

    Eles já têm esse raciociniozinhozinhozinho gravado. Aí é só repetir, repetir, repetir…

    Essa do subsídio ao crédito é lapidar. Aqui mesmo, no PoliticAética, teve gente dizendo que a crise imobiliária nos EUA foi provocada pelo governo, que subsidiou o crédito “obrigou” os bancos americanos a emprestar dinheiro a quem não podia pagar (imagina, o governo americano “obrigando” os bancos a emprestar dinheiro…).

    Só que, pra enfrentar a crise, o governo americano praticamente zerou o juro. Lá, está a menos de 1% ao ano.

    Se os juros baixos (“subsidiados”, segundo os monomaníacos daqui…) provocam crise econômica, então o governo americano está apagando fogo com gasolina…

    Aí os monomaníacos daqui pararam de falar dos EUA. Passaram a falar da Europa…

    E o que eles dizem? A-mesma-coisa-exatamente-igual-com-as-mesmas-palavras-que-dizem-a-mesma-coisa-exatamente-igual-com-as-mesmas-palavras-que-dizem-a-mesma-coisa-exatamente-igual-com-as-mesmas-palavras-que-dizem-a-mesma-coisa-exatamente-igual-com-as-mesmas-palavras-que-dizem-a-mesma-coisa-exatamente-igual-com-as-mesmas-palavras-que-dizem-a-mesma-coisa-exatamente-igual-com-as-mesmas-palavras-que-dizem-a…

    Os liberais europeus são mais inteligentes. E mais consequentes.

    Não têm nada a propor, certo? E o que eles fazem? Ficam calados.

  121. Chesterton said

    Os revolucionários…

  122. Michelle de Souza Malone said

    Good day for everyone

    Minha contribução ao assunto em pauta.

    O auto-elogio de Dilma na Economist
    por Flavio Morgenstern

    Dilma Rousseff assina um artigo na edição especial “O mundo em 2012″ da revista The Economist, licenciada no Brasil para a Carta Capital. É assaz curioso ventilar hipóteses para uma revista séria como a Economist ser traduzida e licenciada pela Carta Capital no Brasil. A resposta aparece como óbvio ululante com poucas sinapses: os leitores da Carta Capital raramente lêem ou entendem os ensaios da Economist, e quando o lêem, pensam-nos como “idéias exploratórias que estão me mostrando para que eu discorde”.

    Dilma Rousseff se rasga rendendo loas a si própria em seu artigo. Intitulado O modelo brasileiro, a presidente começa com o chavão “O mundo está mudando rapidamente.” É a última frase no artigo com a qual conseguimos concordar.

    leia completo aqui: http://www.implicante.org/artigos/o-auto-elogio-de-dilma-na-economist/

    a “petralhada religiosa” do pedaço vai ficar furiosa…hihihi
    Existem pessoas que ousam discordar as “verdades” deles!
    E sim existia vida inteligente no Brasil antes de lula.

  123. Olá!

    Elias,

    “Saquei que tu disseste que o BCE fez ‘mais ou menos o que o PROER fez aqui…’.”

    É interessante uma coisa. Revi o comentário onde citei pela primeira vez o PROER e verifiquei que nem mesmo eu havia dito que toda aquela dinheirama que o BCE emitiu era para fazer algo no estilo PROER. Resgatando o trecho do comentário onde citei o PROER, escrevi o seguinte:

    “Quanto ao setor financeiro de lá, é melhor que o governo resgate essa gente do que esperar para que tudo desabe e resulte em um efeito em cascata, jogando mais países e economias no abismo. O PROER fez algo semelhante por aqui.”

    Nem mesmo eu afirmei que toda aquela dinheirama era para resgatar o setor financeiro de lá. Disse, isso, sim, que, se o setor financeiro europeu chegasse a um ponto no qual precisasse ser resgatado pela ajuda do governo, seria melhor fazer isso do que esperar para ver tudo indo pelos ares.

    É toda sua a conclusão de que todo o dinheiro emitido pelo BCE era para fazer algo parecido com o PROER.

    É uma pena que eu não tenha relido esse trecho antes de escrever o meu último comentário, pois, verificando agora, percebo que nem mesmo eu havia dito isso que você concluiu por conta própria. Não reli e acabei admitindo um erro que não cometi.

    Mas, não há problemas, ainda assim, admito o “erro”.

    Até!

    Marcelo

  124. Zbigniew said

    Claro, claro! Devemos bater palmas como miquinhos amestrados para os ilustrados liberais, porque eles sempre sabem o que fazem e se houve erros – ora erros! – é culpa dos governos e políticos incompetentes. Quando nada funciona, então, a regra é a seguinte:

    “A arbitragem com países de câmbio flutuante

    No filme “Muito Grande para Falir”, na cena final o Secretário do Tesouro Paulson pergunta a Ben Bernanke se estava satisfeito com o fato dos grandes bancos terem absorvido os empréstimos para rolar dívidas. Bernanke, quieto, responde: não tenho certeza se eles vão emprestar. De fato, não emprestaram: uma parte ficou depositada no próprio FED, outra parte foi devolvida.

    No caso da Europa, são um trilhão de euros emprestados a 1% ao ano, que em breve entrarão na ciranda financeira. Irão investir em títulos da Itália e Espanha, aumentando sua exposição? Não: virão fazer arbitragem aqui e em outros países. Tem uma enorme bolha a caminho.

    O problema é que essa desvalorização cambial artificial é a forma de protecionismo mais feroz que se tem. Há um discurso dos países centrais, de que são defensores do livre comércio. Mas praticam o protecionismo mais feroz que se tem. E essa desvalorização artificial da moeda não está regulada pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Então não venham reclamar de algumas medidas absolutamente defensivas que o Brasil toma.

    Hoje em dia, via tsunami monetária, está em curso no mundo a prática das desvalorizações competitivas, o que se chama de “empobreça seu vizinho”.

    É uma situação esquizofrênica na Europa, que não consegue uma solução de crescimento.

    Muitos países estão com graus de desemprego do ponto de vista política incompatível com sistemas democráticos abertos. A dívida grega não é financiável, assim como a de Portugal. Como conviver com nível de desemprego que chega a atingir 45% dos jovens? Destrói o tecido social, tira das pessoas a esperança.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dilma-exclusivo-vamos-defender-a-industria-brasileira#more

  125. Michelle de Souza Malone said

    Good Day for everyone

    Da série Dilma a “gepone” a incompetenta…rsrsrs

    Cartão amarelo para os manos

    O secretário-geral da Fifa deu um carrinho por trás – mas… vamos mesmo conseguir sediar a Copa?
    Nada como um carrinho por trás para criar confusão dentro e fora de campo. A julgar pelo desfecho, a falta aconteceu em boa hora. A jogada desleal foi aplicada pelo francês Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, conhecido pelo estilo traiçoeiro. Em inglês, ele disse que o Brasil precisaria de “um pontapé no traseiro” se quisesse sediar direito a Copa do Mundo em 2014. Contundido moralmente, o Brasil peitou a Fifa e exigiu a expulsão de Valcke do gramado.
    A turma do deixa-disso entrou na área. Valcke chamou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de “infantil”, depois amarelou e pediu desculpas à torcida verde-amarela. O Brasil aceitou e resolveu mexer – se não no time, pelo menos na velocidade e na precisão dos passes. Os manos aparentemente se reconciliaram, mas… vamos mesmo cumprir a tempo todas as obras na infraestrutura e fazer uma boa exibição em 2014?
    Valcke expressou em linhas tortas o que temos falado na rua, no botequim, na praia, no trabalho: está difícil acreditar. Nem digo mais na Seleção, mas na agilidade (!!!) do Congresso, que vive adiando a votação da Lei Geral da Copa. Está difícil acreditar nos prazos e excelência dos estádios, nos serviços de hotelaria, transporte, aeroportos. Está difícil acreditar na honestidade no Brasil. Ou somos injustos?
    Ao rolar e espernear, o Brasil exagerou. Simulou. A falta de Valcke não foi tão grave assim – embora tenha sido mal-educado e inconveniente. Deveria ser parceiro, e não adversário. Sua chinelada verbal pode ter um mérito: virar o jogo a favor da Copa brasileira, ao mexer com os brios de uma equipe burocrática, comandada pelo sonolento Rebelo.
    É importante saber exatamente o que Valcke disse. O francês culpou os tradutores. Alegou que queria apenas sugerir ao Brasil: “Acelere o ritmo”. Sua declaração, literal, foi: “Lamento, mas as coisas não estão funcionando no Brasil. A gente espera mais apoio – há essas discussões infindáveis sobre a Lei Geral da Copa. Deveríamos ter recebido esses documentos assinados em 2007 e estamos em 2012. A gente tem de acelerar, dar um chute no traseiro e realizar esta Copa do Mundo, e é isso o que nós faremos”.

    O secretário-geral da Fifa deu um carrinho por trás – mas… vamos mesmo conseguir sediar a Copa?
    Cinco dias após o chute no bumbum sugerido pelo secretário-geral da Fifa, a comissão especial da Câmara aprovou o projeto de lei da Copa, assegurando a venda de bebida alcoólica nos jogos do Mundial em 2014. O texto ainda precisa ser votado no plenário da Câmara, depois no Senado. Alguém, sóbrio ou bêbado, acha o Congresso brasileiro ágil nas votações que interessam à população e não ao bolso dos congressistas?
    Fora o trecho polêmico, o restante da declaração de Valcke me pareceu um alerta bem mais importante. Ele confirmou que não há “plano B” para o país anfitrião da Copa e que o torneio se realizará no Brasil. Mas advertiu que “os torcedores vão sofrer”. Bem, nós temos medo de sofrer também, não?
    “Não há hotéis suficientes em todos os Estados. Há, sim, mais que o suficiente em São Paulo e no Rio de Janeiro (ele foi gentil), mas, se pensarmos em Manaus, é preciso mais. Digamos que, em Salvador, a Inglaterra jogue com a Holanda e que haja no estádio 12% de torcedores ingleses e 12% de holandeses. Isso representa cerca de 15 mil torcedores. A cidade é bonita, mas é preciso melhorar o transporte para o estádio e a organização.” Não é verdade? Nosso Ronaldo, do Comitê Organizador Local da Copa, concordou com Valcke: “Ainda tem muita coisa atrasada”.
    Como a decisão brasileira foi espalhar os jogos pelo país e não concentrá-los numa região, ao contrário do desejo inicial da Fifa, isso significa, disse Valcke, que, “se um torcedor quiser seguir seu time, terá de voar 8.000 quilômetros”. A Fifa apoiou a decisão, mas “é preciso assegurar que torcedores e jornalistas possam acompanhar sua seleção nacional”. Alguém discorda? Eu não. Na verdade, eu me preocupo muito, e não só com isso.
    Eu me preocupo também com o “Grande Irmão”, o Mano, e sua capacidade de treinar uma Seleção que faça jus a nossa tradição e a nossos craques. Na semana passada, vimos o show do Messi. Também vimos o show do Neymar, 20 aninhos de muito talento, em busca de um técnico seguro e competente que saiba armar e inspirar um time campeão. Porque não podemos depender apenas de rompantes individuais de genialidade.
    Como carioca, cresci indo ao Maracanã com meus pais aos domingos. É um descalabro imaginar que a Seleção possa nem chegar a jogar no estádio mais mítico do mundo na Copa de 2014 – caso não dispute a final. Vamos chutar, não no traseiro da Fifa, mas no gol, com brilho e decisão. Estamos na torcida. Temos futebol para isso. Acelera, Brasil.
    (Ruth de Aquino)

    Marcelo Augusto: leia isto http://www.ipea.gov.br/pub/td/td_2001/td0800.pdf e depois comente, por favor. Temos que acabar com essa falácia petista de “socialismo lulista” como indutor de desenvolvimento.

  126. Michelle de Souza Malone said

    Good Day for everyone
    Da série Dilma a “gepone” a incompetenta…rsrsrs
    Leiam a nota do Planalto

    “A presidenta da República, Dilma Rousseff, reiterou hoje os agradecimentos ao ministro do Desenvolvimento Agrário, deputado Afonso Florence, por sua importante colaboração à frente da pasta.

    A presidenta lamenta interpretações em contrário e considera que Florence prestou grandes serviços ao processo de inclusão social no campo. No comando do Ministério do desenvolvimento Agrário, ele participou de ações que fortaleceram a agricultura familiar e ajudaram a melhorar a vida de milhares de brasileiros.

    A presidenta está certa de que continuará contando com o valioso apoio e a colaboração de Afonso Florence, que deixa o cargo para se dedicar a projetos importantes para seu estado, a Bahia.”

    Então por que demitiu o valoroso petista bahiano?

    Chamem lula de volta! (pelo amor de deus)

  127. Michelle de Souza Malone said

    (continuando..)

    O bacalhau da Dilma no Oporto:
    Dilma a gepone, a nossa governanta..mais anta que govern
    sempre fazendo asneiras ..duela a quien duela! rsrsrs

    http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/historia-em-imagens/celso-arnaldo-e-o-bacalhau-a-dilma/

  128. Elias said

    Ihhhh…!

    Marcelo Augusto,

    I
    Taí pra ti, um pouco sobre a Grécia:

    1 – Pra Grécia entrar na Zona do Euro, ela FRAUDOU informações sobre suas finanças públicas.

    2 – O Tratado de Maastricht, da União Europeia, fixava requisitos rígidos para integrar o euro : nenhum membro da zona euro podia ter uma dívida superior a 60% do PIB e os déficitis públicos não podiam superar os 3%.

    3 – A Grécia estava acima disso. MUITO acima disso. Em junho de 2000, p.ex., a dívida pública grega estava em 103% do PIB.

    4 – O que ela fez? FRAUDOU informações, maquiando os dados, por meio do transporte da dívida grega de uma moeda para outra…

    5 – Quem operou a jogada foi o Goldman Sachs, que é um banco de negócios americano.

    6 – Quem está contando a história são os gregos Christoforos Sardelis e Spyros Papanicolaou.

    7 – Sabe quem são eles, Marcelo?

    8 – Sardelis foi o Chefe do Escritório de Gestão da Dívida da Grécia de 1999 a 2004 (ou seja, estava no cargo quando a safadeza foi cometida, o que confere às suas declarações o status de confissão).

    9 – Papanicolaou substituiu Sardelis. Ficou no cargo de 2004 a 2012.

    II
    “Disse, isso, sim, que, se o setor financeiro europeu chegasse a um ponto no qual precisasse ser resgatado pela ajuda do governo, seria melhor fazer isso do que esperar para ver tudo indo pelos ares.”

    Até parece… Lóki!

    Como se estivéssemos debatendo em tese…

    Ora, minha santa… Nós estamos falando de algo concreto. Conc retíssimo! Mais de um trilhão de Euros — grana estatal…! — injetado pelo BCE no mercado.

    Não nada de “se…”. Ou fala sobre os fatos ou sai do papo…

    Lero-lero-lero-lero….

  129. Zbigniew said

    Falar em lero lero, isto aqui e coisa que nenhum macaquito intelectualoide tupiniquim admitiria, afinal, a culpa e sempre dos governos, esses relapsos e preguiçosos.

    “Por Webster Franklin
    Da Carta Maior

    Islândia inicia o julgamento do neoliberalismo

    Geir Haarde, primeiro ministro da Islândia em 2008, quando se deu a derrocada bancária no país, está sendo julgado por um tribunal especial. No banco dos réus, pela primeira vez, a política neoliberal que originou a bancarrota. Juízes e 60 testemunhas têm refletido durante o julgamento – que está sendo seguido por milhares de islandeses através da internet – sobre as causas de uma situação que não surgiu em 2008 por geração espontânea mas sim pela deriva neoliberal a que o governo sujeitou o país.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/neoliberalismo-no-banco-dos-reus-na-islandia#more

  130. Edu said

    Nossa gente! O nível tá ficando cada vez melhor:

    – Monomaníacos
    – Macaquitos

    Pax, poderia colocar uma placa estilo “man at work” nos comentários escrito:

    “Atenção! A esquerda brasileira, do alto da sua intelectualidade trabalhando!”

    Juro, o site é muito legal, mas… contra a esquerda não há argumentos, né?

  131. Edu said

    Começo a duvidar que debater aqui também pode significar algum tipo de aprendizado… só se for sobre o ódio à direita… ou como prefere Elias: “como ser o ricardão da direita”.

    hahahaha

  132. Chesterton said

    http://www.imil.org.br/artigos/suecia-sucesso-apesar-estado-de-bemestar/

    chest= Aí, Edu, custou para chegar a essa conclusão hein?

  133. mona said

    Chest:

    “Um povo altamente competente, ordeiro, trabalhador e responsável”. Caramba! Eis a síntese do povo brasileiro. Não entendo o por quê de não termos o padrão de vida sueco…

  134. Elias said

    Zbigniew

    Me faltou dizer que Sardelis e seu substituto, Papanicolaou, eram gurus dos neo-libs gregos…

    Os agora confessos executores da safadeza que maquiou as contas públicas gregas eram profetas do neo-liberalismo na Grécia.

    Sardelis e Papanicolaou enganaram o povo grego durante mais de 10 anos, fazendo com que eles acreditassem que o país havia cruzado a porteira do paraíso e ingressado no 1º Mundo, sob a batura da Goldman Sachs (que levou alguns bilhões de dólares pra fazer esse pequeno favor…).

    A ilusão do paraíso acabou. Agora é a vez do inferno…

    Mas Sardelis e Papanicolaou estão vivos, ricos e em liberdade. Talvez escrevam um livro sobre sacanagem financeira neo-liberal… Aí o livro vai vender milhões de cópias e eles ficarão ainda mais ricos.

    Paciência…

  135. Elias said

    Edu,

    Rir da adversidade é indício de sanidade.

    Pra direita brasileira, mais do que mansidão, isso é savoir faire…

    Nada a ver com os direitistas hidrófobos, feito o RA, que passam a dar chifradas pro lado esquerdo…

    Se eu pudesse, diria ao RA: “Não fica aborrecido com essa história de cornice, Reinaldão, até porque chifre não existe, rapaz… Chifre é uma coisa besta que meteram na tua cabeça…”.

  136. Elias said

    Pra quem gosta:

    Em 2011, a Hypermarcas despencou mais de 60%. Está entre as maiores quedas do Ibovespa.

    No mesmo ano, a Hypermarcas fechou com uma vermelhidão de mais de R$ 54 milhões. Isso apesar da margem bruta de 60%…

    A explicação? Simples: a tal da “alavancagem”. Querer trabalhar com capital alheio. O lucro bruto pode ser alto, mas vai quase todo pros credores…

    E a Hypermarcas passa a fazer parte da galeria dos contraexemplos… Desfila como destaque na ala dos casos que ajudam a colocar mais um prego no caixão das duas expressões mais desmoralizadas da década, no mundo corporativo: “alavancagem” e “market share”.

    É que, no frigir dos ovos, a empresa vive mesmo é de LUCRO LÍQUIDO. Não de lucro bruto ou, mesmo, de market share…

    Bem… Parece que a Hypermarcas vai detonar o passivo dela em 2012. É de se ver…

  137. Zbigniew said

    Elias, sao uns caras-de-pau.

    Nao explicam porque para eles nao importa a sociedade, o povo ou a nacao. O que importa e como se vai pagar a divida, continuar a ganhar dinheiro e garantir o seu. Pra mim sao verdadeiros sacanas apatridas

    O que o capital, na sua forma financista extrema, trouxe de bom para a humanidade? A possibilidade do fluxo instantaneo de riquezas, do oferecimento do credito e do dinamismo da economia, quando so beneficia a uns poucos em detrimento de muitos, em associacao com governos lenientes e corruptos, nao deveria nos levar a uma regulacao mais rigorosa dos capitais? E a famosa taxa Tobin, para onde foi? Sera que teremos que conviver com esses verdadeiros esquemas Ponzi escondidos na ideia de crises ciclicas do capitalismo, sem que se tome qualquer providencia efetiva?

  138. Zbigniew said

    Vcs querem coisa mais neoliberal do que esse aluguel de espacos para os grupos Folha, e possivelmente Estadao e Veja, pela TV Cultura do Estado de Sao Paulo?! Nao bastasse a forca e concentracao de midia o proprio Estado (esse parceiro fiel nas horas dificeis) estimula a situacao.

    “A TV Cultura (TV estatal do governo do Estado de SP) também convidou a revista Veja e os jornais Valor e O Estado de S. Paulo. É possível esse tipo de procedimento segundo a Lei 8.666/93, é uma espécie de credenciamento (inexigibilidade de licitação por inviabilidade de competição). O problema são os critérios para a escolhas dos meios de comunicação. Por que não fazer convites também para as revistas Carta Capital e Caros Amigos?”

    http://blogdotarso.com/

  139. Chesterton said

    Plano inclinado

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eles-chegaram-la-dupla-de-especialistas-defende-o-direito-de-assassinar-tambem-os-recem-nascidos/

  140. Chesterton said

    http://bdadolfo.blogspot.com/2012/03/mudancas-na-lei-do-aborto-o-absurdo.html

  141. Elias said

    Zbigniew,

    Além de pedófilos e bicheiros, o PSDB parece ter um certo xodó também por empresários da área de comunicação (esta paixão é mais compreensível, né?).

    Essa da TV Cultura de São Paulo é fichinha perto da que aconteceu aqui no Pará.

    Veja só: o Governo do Estado (tucano), celebrou um CONVÊNIO com o Grupo Liberal (tevê, rádio e jornal, afiliado da Rede Globo). Pelos termos do CONVÊNIO, o Estado do Pará cedeu todas as instalações da TV Cultura ao Grupo Liberal, e ainda ficou pagando uma importância mensal ao dito grupo.

    Algo assim como você entregar um apartamento de luxo pra alguém morar nele e ainda pagar uma remuneração ao felizardo inquilino.

    A figura jurídica do “convênio” foi usada exatamente pra evitar a licitação. Pela natureza da operação, não caberia um convênio, e sim um CONTRATO. Só que, para fazer um contrato, seria necessário licitar…

    A mutretagem foi denunciada e corre um processo no Poder Judiciário paraense.

    “Corre um processo”, evidentemente, é modo de dizer. Na verdade, o processo não corre… Nem anda. Nem engatinha… Nem se arrasta… Está por lá há mais de 10 anos, sem que se tenha miseravelmente uma decisão a respeito.

    Um dos magistrados do TJE disse que é porque o assunto é “muito complexo”…

    Entendeu?

    Por detrás de toda grande fortuna há, sempre, uma grande sacanagem… Por detrás de todo processo de inxigibilidade de licitação quase sempre há mais de uma grande safadeza…!

  142. Edu said

    Elias,

    Cuidado com a análise de empresas. Não sei se é tão simples assim. Concordo totalmente que para o caso da Hypermarcas a alavancagem não tem nada de positivo. Só que alavancagem não pode ser generalizada como algo ruim, bem como o market share.

    Primeiro, não vamos misturar alavancagem, que é um indicador financeiro com market share, que é um indicador mercadológico. Analisados isoladamente não fornecem informações conclusivas sobre uma empresa. E mesmo em conjunto, ainda esclarecem apenas parte do negócio.

    A alavancagem parte do pressuposto que o custo de financiamento para a empresa é menor que o custo de capital próprio. É é usada pelos gestores para aproveitar oportunidades de mercado para realizar determinados investimentos e elevar o crescimento da empresa, às vezes impactando market share. Ou seja, o retorno gerado pelos investimentos realizados são maiores que os empréstimos e/ou financiamentos da empresa.

    Normalmente, empresas com alto grau de alavancagem estão passando por períodos de investimentos e de crescimento significativos (que também pode ser a conquista de market share). Nesses casos, alavancagem é bem vinda. O gestor da empresa se aproveitou de uma posição estratégica favorável e alavancou a empresa com o foco em expansão dos seus negócios.

    Se não me engano, a OGX do Eike Batista também vive alavancada até os céus, sob a promessa de produção de petróleo, este ano, se não estou enganado, a empresa produziu sua primeira gota e as ações subiram.

    No entanto, alta alavancagem por um período significativo de tempo pode impactar os empréstimos e financiamentos no curto-prazo, o capital de giro a médio-prazo e o fluxo de caixa no longo prazo (caso a situação permaneça igual). O fluxo de caixa, este sim, impacta a análise de valor das empresas.

    Em casos de empresas onde a alavancagem não é explicada por um plano estratégico adequado e/ou bem implementado, ou que o plano estratégico está incoerente ou mesmo que a empresa não esteja apresentando crescimento resultados consistentes e/ou melhores que suas concorrentes, isso pode gerar queda de ações, como no caso da Hypermarcas.

    Market share é uma medida de participação do mercado. Se os executivos da LVMH, da Ferrari, da Rolex ou da Montblanc fossem se preocupar em ter a maior participação do mercado de bolsas, carros, relógios e canetas respectivamente, pensaríamos que estas empresas estariam quebradas em menos de 2 anos e as ações delas despencariam.

    Existem alguns tipos de empresas, principalmente bens de consumo em que o markets share é importante para balizar o sucesso do produto de uma empresa frente ao produto de outra empresa. Há empresas, como a Unilever, que fazem disso uma meta para o negócio: ser a empresa de maior market share em bens de consumo no mercado onde atua.

    Coincidentemente, a Hypermarcas faz parte desse grupo de empresas também.

    Um outro ponto que pode ser destacado é o lucro bruto.

    E daí que a Hypermarcas tem 60% de lucro bruto? Significa apenas que ela paga menos pelo custo de produção pelo custo de matérias-primas. Um indicador de rentabilidade, que é melhor e que vc não citou, que a Hypermarcas também não é tão boa assim é o Ebitda, que mostra se a empresa é operacionalmente viável financeiramente ou não e, quando comparada com outras empresas do mesmo setor, dá uma idéia do quanto a operação da empresa é rentável versus outras empresas.

    Mas vc já sabia de tudo isso pq é um contador, né? Por que eu falei esse monte de coisas?

    Ah, é pq vc tem uma tendência a simplificar bastante o raciocínio para certas coisas:

    alavancagem = trabalhar com dinheiro dos outros = falência

    E, como contador, vc tbm sabe q isso é mentira.

  143. Edu said

    Elias,

    “Por detrás de toda grande fortuna há, sempre, uma grande sacanagem… Por detrás de todo processo de inxigibilidade de licitação quase sempre há mais de uma grande safadeza…!”

    Concordo plenamente! Quantos bilhões foram investidos em licitações dispensadas no governo do PT mesmo?

  144. Edu said

    Elias,

    Ah, e mais uma coisa:

    A empresa não sobrevive de lucro líquido.

    A empresa sobrevive é de fluxo de caixa livre positivo.

  145. Chesterton said

    Por detrás de toda grande fortuna há, sempre, uma grande sacanagem

    chest- pô, Edu, que ode à inveja,

  146. Elias said

    Edu,

    Não misturei “alavancagem” com “market share”. Apenas citei dois mitos do mundo corporativo.

    Na minha empresoca, prefiro viver do lucro líquido. Mas respeito quem pensa diferente. Cada um na sua.

    A Hypermarcas tem uma excelente margem bruta e um market share de dar inveja a qualquer um… Mas tá com um buraco de R$ 54 milhões e um despencamento de 60% no Ibovespa.

    É um caso isolado? Não. Conheço um montão de gente que apostou em coisas desse tipo e, agora, tá vendendo o almoço pra comprar o jantar… E não sabe o que terá pro próximo café da manhã…

    Alavancagem? Depende…

    Pessoalmente, não conheço nenhum negócio capaz de remunerar os juros do sistema financeiro brasileiro, deixando uma sobra mínima de lucro pro tomador… Olhando o que passa pela minha janela, diria que nem tráfico de droga é capaz dessa proeza…

    Agora, se for um desses balcões privilegiados, tipo BNDES, FINAN, FINOR… Aí já não tá mais aqui quem falou…

    Market share? Vi em SP uma palestra de um executivo da Sony. Ele não concorda muito contigo, não, viu Edu?

    Ele analisou dois casos: Sony vs Sansung e Porshe vs Volks.

    O caso Porshe vs Volks é exemplar: a sardinha engoliu o tubarão, com uma bocada só…

  147. Elias said

    “Quantos bilhões foram investidos em licitações dispensadas no governo do PT mesmo?”

    Não sei não, Edu…

    Quantos? Onde? Quando?

  148. Elias said

    E, Edu,

    “Dispensa de licitação” é uma coisa.

    “Declaração de inexigibilidade” é outra coisa.

  149. Elias said

    Se depender dos morubixabas tucanos, Serra já venceu as prévias na capital paulista.

    Dos 58 diretórios municipais do PSDB de São Paulo, 15 estão no poleiro de tucano, que atende pela alcunha de “muro”, 7 sumiram na noite e na neblina e 36 declararam voto.

    Dos que declararam voto, 20 estão com Serra; 8 com José Aníbal e 8 com Ricardo Trípoli. Tecnicamente qualquer um poderia vencer a disputa mas, entre os 15 que, oficialmente, estão empoleirados no muro, pelo menos 10 estão com Serra.

    A prévia tucana é pouco mais que um jogo de carta marcada. Para um concorrente do Serra ter alguma chance, o partido teria que estar investindo nele há um certo tempo. Do jeito que as coisas estão sendo feitas, os caras entram no jogo só pra cumprir tabela…

    Serra vai vencer as prévias, provavelmente, e claro que tem grande chance de vencer a eleição pra prefeito de São Paulo. Mas Serra é o passado. Até mesmo por uma questão biológica, Serra já deu o que tinha de dar.

    Ignorando isso, talvez o PSDB esteja abrindo mão de manter (e, pelo menos, de tentar ampliar) a força política que hoje ele tem.

    Como em política não existe espaço vazio, talvez esteja aí a chance da direita crescer em São Paulo.

    As raposas direitobas olham pro PSDB como quem olha pra um cortejo fúnebre, desejando que o carro tumba sempre tenha algo pra carregar…

  150. Edu said

    Elias,

    Nós acabamos de dizer que margem bruta não é o indicador de margem que deve ser considerado e vc insiste?

    Talvez sua empresa não precise considerar amortizações e depreciação para garantir que o lucro líquido seja positivo para “encantar” investidores mal informados… mas concordo com vc: cada um na sua. Se vc prefere lucro líquido para a sua empresa, ok, apenas sugiro que se for investir em empresas de grande porte, é sempre bom contra-checar com a geração de caixa da empresa.

    Sobre a Hypermarcas ser um caso isolado. Eu tenho certeza que não é, existem várias empresas, que na ânsia de crescer acabam exagerando na dose e acabam virando verdadeirso franksteins em termos de portfólio de produtos e/ou serviços; ou acabam assumindo passivos gigantes de empresas compradas; ou, por problemas de gestão não completam seus planejamentos e sofrem com atrasos de lançamentos de produtos e perda de rentabilidade… existem inúmeros casos, como o da Lupatech por exemplo, como o da Bunge por exemplo, como o da Ceagro por exemplo… e por aí vai.

    Entenda a crítica: ao mesmo tempo em que a Hypermarcas não é um caso isolado, ela não serve como parâmetro para generalização. Existem outras inúmeras empresas que passaram pelo mesmo processo de captação, alavancagem e investimentos e estão muito bem! Como a OGX, como a Natura, como a Pepsi, como a Cosan… e por aí vai.

    “Pessoalmente, não conheço nenhum negócio capaz de remunerar os juros do sistema financeiro brasileiro, deixando uma sobra mínima de lucro pro tomador… Olhando o que passa pela minha janela, diria que nem tráfico de droga é capaz dessa proeza…”

    Ué, eu não estou entendendo mais sua posição cara… outro dia vc meteu o pau no Jorge Gerdau e o restante dos empresários brasileiros porque os lucros deles seriam absurdos, e que, por isso eles deveriam pagar mais impostos… Explique novamente sua lógica, que agora deixou de ser clara.

    Mas vc tem razão: com os juros, taxas e inflação brasileiros um empreendedor tem que ser corajoso, gostar de empreender e esquecer o conceito de valor agregado ao acionista. São pouquíssimas empresas que possuem EVA (economic value added) positivo.

    Sobre o market share, eu não sei o que o executivo da Sony falou ou baseada em que premissas foram as conclusões dele. Eu gostaria mesmo de ter visto a palestra.

    Sobre a Sony vs Samsung, não sei mesmo o que pode ter rolado.

    Sobre a Porsche vs Volkswagen, posso estar errado, mas o resultado foi benéfico para ambas as empresas. Eis a sequência de eventos que eu conheço:
    0 – Antes de mais nada, eu nem sei se é válido falarmos em Porsche VS Volks. A Volkswagen não concorria diretamente com a Porsche, e por isso a união delas seria estrategicamente benéfica para ambas.
    1 – A Porsche se preparou para comprar a Volkswagen. Ela possuía dinheiro em caixa, altas margens (foco em margem e não em market share), no entanto seria interessante contar estrategicamente com a operação da Volks, que atuava em mercado oposto (menor margem e alto market share).
    2 – Para tal preparação, a Porsche se alavancou, captando dinheiro.
    3 – Surge um período de crise, em que a Volkswagen foi a única montadora (não sei se era alemã ou do mundo) que não teve prejuízos com a crise, inclusive, ela cresceu.
    4 – A engenharia financeira realizada pela Porsche ruiu, ao passo que a Volks se valorizou.
    5 – Já que havia o entendimento de que a fusão das empresas seria benéfica para ambas, a Volks inverteu os papéis na compra de ações.

  151. Edu said

    Elias,

    “Quantos bilhões foram investidos em licitações dispensadas no governo do PT mesmo?”

    Não sei não, Edu…

    Quantos? Onde? Quando?

    Olha, eu não sei, mas é uma boa pergunta, não é mesmo? Por que no site não estão elencados os valores pagos com dispensa de licitação ou declarações de inexigibilidade de licitação?

    Eu esqueci, que como eu sou oposição, o ônus da prova é meu, e que vc, que votou no PT, não precisa se preocupar em fiscalizar o governo que elegeu e pode cruzar os braços diante de uma pergunta como essa!

    Enquanto a galera da esquerda reclama que inexigibilidade de licitação e dispensa de licitação geram corrupção, eles mesmos tentam modificar a lei das licitações e se livrar das licitações. Muito coerente, não é mesmo?

    Talvez se isso fosse não haveria tantos atrasos e ou tantas demissões de ministros…

    Mas já que vc gosta de extrapolações genéricas, tenho 2 extrapolativas sugestões pra vc:

    1 – Mesmo que vc escolha um gerente para a sua empresa, tome conta dela. Não é pq vc escolheu um gerente que ele irá tratá-la como se fosse dele.

    2 – Mesmo que vc deixe seus filhos a cargo das 7 maravilhas da educação produzidas pelo Fernando Haddad, do seu querido PT, tome conta deles. Não é pq vc os deixou nas mãos de professores que estes irão tratá-los como se fossem deles.

  152. Patriarca da Paciência said

    “Talvez sua empresa não precise considerar amortizações e depreciação para garantir que o lucro líquido seja positivo para “encantar” investidores mal informados… mas concordo com vc: cada um na sua. Se vc prefere lucro líquido para a sua empresa, ok, apenas sugiro que se for investir em empresas de grande porte, é sempre bom contra-checar com a geração de caixa da empresa.

    Edu,

    empresários que se preocupam apenas com geração de caixa e não levam em consideração as amortizações e depreciações, eu classificaria como “empresários de curto prazo” e as empresas por eles administradas de “efêmeras”. Já existiram muitos no Brasil desse tipo, ou seja, “empresários” que geram o máximo possível de ativos financeiros, transferem uma boa parte da dinheirama para paraísos fiscais com a utilização de laranjas e depois deixam a empresa falir.

    Tal tipo de administração não tem “planejamento” para o pagamento das dívidas e a renovação e atualização das instalações.

  153. Elias said

    Edu,

    É preciso saber se a gente está usando o mesmo idioma.

    Pra mim:

    1 – “Captação” é quando a empresa obtém recursos pela venda de títulos representativos do capital. Neste caso, ela não está se endividando. Está atraindo novos sócios ou ampliando a participação societária de sócios já existentes.

    2 – “Alavancagem” é quando a empresa financia a ampliação de suas operações por meio de empréstimos e/ou financiamentos. Aqui há um aumento do endividamento. E, principalmente, um custo do endividamento.

    Estou dizendo isso porque já vi um monte de gente usar o termo “alavancagem” pra outras circunstâncias. Os caras devem ter achado a palavra bonitinha, e começaram a usá-la pra circunstâncias que nada tinham a ver com sua real significação.

    No caso da captação, não há custo. Há participação no risco e no resultado, seja ele lucro ou prejuízo. No segundo, haverá custo. Haverá remuneração a ser paga, independentemente do resultado.

    Em qualquer análise, portanto, “captação” e “alavancagem” representam universos diferentes.

    Na minha experiência de Brasil — falo da minha experiência, que pode ser bastante diferente da experiência de outras pessoas — salvo no caso de “balcões” privilegiados (aos quais jamais tive nem pretendo ter acesso), tipo BNDES, FINAM, FINOR, etc., não sei de nenhum ramo de negócio capaz de gerar lucro suficiente pra remunerar a alavancagem e ainda sobrar algum pro tomador. Só se for comércio atacadista de cocaína…

    Pode ser que esse ramo de negócio exista. Se tu o conheces, parabéns! Eu jamais fui apresentado a ele.

    Na minha experiência de algumas décadas como contador e, desde há alguns anos, como proprietário de uma pequena empresa, quando o cara recorre ao sistema financeiro já está dando adeus ao papagaio do Jarbas Periquito… Caindo pelas tabelas… Na melhor das hipóteses, o cara faz isso pra sair do sufoco.

    Não sei — porque nunca vi — de crescimento por alavancagem a juros de mercado, dar certo. Num levantamento feito pela Price (salvo engano), todas as empresas que fizeram isso no Brasil, nos últimos anos deram errado. Todas, sem exceção.

    Agora, se o cara “alavanca” com grana do BNDES ou de outra linha de crédito a juros bem abaixo da média de mercado, como disse antes… Já não está mais aqui quem falou!

    E o que é que isso tem a ver com o aumento da tributação sobre a riqueza?

  154. Elias said

    Concordo plenamente com o Patriarca, quanto à geração de caixa.

    Não é que isso não seja importante, mas…

    Edu,
    Quem disse que eu gosto de “extrapolações genéricas”?

    Caceta! Em quase todas as minhas intervenções nos debates, eu me refiro a casos certos e determinados.

    Tuas sugestões são um tanto quanto ociosas, a esta altura da minha vida… De qualquer modo, devo te dizer que sei muito bem o que é que engorda o boi…

    Meus filhos nunca necessitaram estudar na rede pública. Acho que a rede pública deve ser usada por pessoas de renda mais baixa. Quem pode pagar escola para seus filhos deve fazer isso, e não ocupar a vaga que, com mais justiça, deve ser ocupada por pessoas mais fragilizadas financeiramente.

    Acho que a rede pública está melhorando, sim, e isso não aconteceu somente no governo petista. Aliás, a melhoria mais significativa está acontecendo no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, que são níveis de ensino proporcionados pelos Estados e Municípios. E a maior parte dos Estados e Municípios brasileiros NÃO É governada pelo PT.

    A melhoria foi deflagrada pelo governo Itamar Franco, que passou a exigir formação de nível superior para docentes de todos os níveis de ensino. Aí a coisa começou a mudar de figura. Em algumas localidades do interior do Brasil, havia professores de Ensino Médio que não haviam cursado o Ensino Médio…

    O que se vê, hoje, são os primeiros resultados de um processo que foi deflagrado há mais de uma década e meia, pelo então presidente Itamar.

    De qualquer modo, isso não tem porra nenhuma a ver com o que estamos debatendo. Estamos falando de alavancagem, market share, margem bruta, lucro líquido…

  155. Elias said

    Ora, Edu,

    Se tu tens alguma idéia do que mudar na Lei 8.666, por que não dizes?

    Quando eu falo que por trás de toda declaração de inexigibilidade há, quase sempre, uma grande sacanagem, não estou falando de debilidades da lei. Estou falando de safadeza na APLICAÇÃO da lei, e de leniência na FISCALIZAÇÃO dessa aplicação.

    Nos casos de DISPENSA DE LICITAÇÃO, a lei é TAXATIVA.

    Já para os casos de INEXIGIBILIDADE, a lei é EXEMPLIFICATIVA, porque não há outra alternativa. Ninguém seria capaz de elencar todas as circunstâncias que inviabilizam uma competição.

    Quando o texto legal não é taxativo, sua aplicação se baseia em DOUTRINA e JURISPRUDÊNCIA. Isso aumenta a responsabilidade dos órgãos de fiscalização e das Cortes de Contas.

    Não é problema de partido, Edu. Nem de fazer isso ou aquilo com a lei.

    É problema de CGU, TCU, TCE, TCM, etc…

    Entendeste, agora?

    Se tu achas que a conceituação de inexigibilidade está errada, tens a obrigação e o dever cívico de dizer o quê fazer… Qual o conceito a ser adotado…

  156. Elias said

    Ah, sim!

    Mais de 250 mil novos empregos no Brasil, apesar da crise.

    Essa “gepone”… Essa “gepone”…

  157. Edu said

    Elias,

    Estamos falando a mesma língua, pode ficar tranquilo.

    Todas as empresas citadas passaram por períodos de forte expansão, seja por aumento de capacidade, seja por projetos de construção de novas unidades, seja por aquisições.

    Para que as empresas passem por estes períodos de expansão, elas se valem de ambos os recursos: captação e alavancagem. Captações ficam mais evidentes porque aparecem mais na mídia, mas todas as empresas com certeza se alavancaram em algum grau. Na verdade, são poucas as grandes empresas que não possuem financiamentos de curtos e longo prazos com instituições financeiras, e que se traduzem em alavancagem.

    E as emissões de debêntures? Não elevam a conta de alavancagem?

    É óbvio que se o nível de alavancagem é muito alto a empresa terá sérios problemas financeiros, como já dito nos comentários anteriores. Quem sou eu pra questionar um estudo da Price, né? Mas de que nível de alavancagem este estudo estava falando?

    Há controvérsias quando vc diz que capital próprio não tem custo. Tem sim, tanto que o cálculos baseados no custo médio poderado de capital devem levar em consideração o custo de capital próprio.

    Para empresas médias e pequenas, a alavancagem não é uma solução boa porque as taxas, mesmo de longo prazo, são altas.

    Novamente Elias, não estou discordando de vc. Estou pedindo apenas que guarde as proporções quando faz uma extrapolação do tipo: qualquer empresa que se alavanca vai à falência.

    Quer alguns exemplos, dê uma olhada em balanços nas seguintes indústrias: moinhos de trigo; concessionárias de rodovias; biodiesel e sucroalcoleira.

  158. Edu said

    Patriarca,

    É por isso que a geração de caixa deve ser analisada em um período significativo de tempo, para evitar que a análise seja contaminada por condutas duvidosas dos administradores.

    No entanto, quando falamos de valuation de empresas, o que conta é a capacidade da empresa ser operacionalmente positiva e gerar caixa.

  159. Edu said

    Elias,

    Desencana de falar sobre licitação. To com preguiça. Veja as respostas de ontem, fim de expediente 2h da manhã… hehehe Já ando preocupado demais com trabalho pra ter q ficar respondendo essas picuinhas.

    Apenas para não deixar sem resposta: não entendo da lei das licitações, se a inexigibilidade está mal escrita, não sei se é essa a sua idéia, mas eu acho que deveriam redigi-la melhor ou esclarecer os pontos de forma a minimizar a possibilidade de fraudes.

    Fraudes há em todas as esferas, é uma pena mesmo que o TCU, o CGU, os TCEs etc, e nem a mídia dão a devida atenção.

    Apenas citei o PT pq eles põem a culpa do atraso no PAC por conta dessa lei, e que houve tentativas, não sei se isso foi pra frente, de mudar a lei para tentar acelerar as coisas.

    Agora: se vc acha que é um absurdo as fraudes por tentar cumprir a lei, que na opinião deles atrasa as coisas, o que vc acha de alterar a lei para acelerar os processos?!

    Não precisa responder, é só pra pensar mesmo.

  160. Elias said

    Edu,
    A crítica que o Lula e o PT fizeram à legislação que atrapalha as obras, não é à lei de licitações. Ao que eu saiba, a crítica é mais direcionada à lei orgânica do TCU e legislação correlata, especialmente no que respeita à retomada de obras paralisadas por conta de irregularidades e/ou impropriedades em sua execução.

    Posso te falar disso por experiência própria.

    Lá por volta de 2004, foram paralisadas, aqui no Pará, as obras do Projeto Alvorada. Eram quase 150 obras de abastecimento de água, implantação de rede de esgoto sanitário e de MSDs (melhorias sanitárias domiciliares). Essas obras estavam sendo tocadas pelo governo estadual (tucano), e foram paralisadas por conta de aproximadamente 25 tipos de irregularidades, das quais as principais eram: (a) superfaturamento (contratação por preço superior ao conveniado); (b) quantitativos contratuais acima dos quantitativos conveniados; (c) pagamento de obras não executadas.

    Entre Tomada de Contas Especial (TCE) e deliberação final do TCU, passaram-se nada menos que 4 anos.

    Nesse meio tempo, o PSDB perdeu as eleições. Foi eleito um governo petista, que tentou desesperadamente retomar a execução das obras, por meio de novas licitações. Em vão. Com a TCE em curso e, depois, estando os processos em tramitação no TCU, impossível retomar as obras.

    O argumento mais freqüentente usado pra justificar isso, era o de que, se as obras fossem retomadas, seriam destruídas as evidências materiais imprescindíveis ao julgamento dos processos, seja como parte da TCE, seja no âmbito do TCU.

    Absurdo!

    As obras estavam paralisadas desde 2004. Com a paralisação, os canteiros foram abandonados. As partes já executadas (poços para captação profunda de água, castelos d´água, redes de distribuição, redes de esgoto sanitário, ETEs, etc), ficaram expostas à ação do tempo, se deteriorando; alguns canteiros haviam sido, estavam sendo e continuariam a ser saqueados ou vandalizados, e por aí afora. O saqueamento, o vandalismo e a deterioração pela exposição aos elementos da natureza estavam destruindo as tais “evidências”, tanto quanto elas seriam “destruídas” pela retomada das obras, com o agravante de que, sem a retomada, a “destruição das evidências” estava ocorrendo com dupla perda para o erário.

    A retomada dessas obras, tão rapidamente quanto possível, permitiria o aproveitamento de boa parte do que havia sido executado. A postergação da retomada só contribuiria pra reduzir ainda mais a parcela aproveitável.

    Não foi possível retomar as obras, e as partes já executadas foram perdidas em praticamente sua totalidade.

    No entanto, a CGU e o TCU estavam apenas cumprindo a lei…

    Há quem ache que essa legislação (que NÃO É a Lei 8666…) não deve ser mudada. Pelo que me tocou ver e viver, ela deve, sim, ser alterada, e muito!

    Quanto antes, melhor…

  161. Edu said

    Elias,

    Meu nível de conhecimento sobre essas leis é risível. Então vou confiar na sua opinião, que a lei (que não é a 8666)seja revista.

    Agora, no seu exemplo, mais uma amostra de como a falta de planejamento leva a problemas em obras de infra-estrutura causando prejuízo para o Estado e para a população.

    Quando a gestão é ruim, ou quando a vontade política supera a capacidade de gestão, o povo sofre.

    Dê nome aos bois do PSDB, por favor, que conduziram o planejamento, a licitação e a gestão das obras. Eles não merecem meu voto, e acho que o voto de ninguém por aqui.

  162. Elias said

    Pois não, Edu.
    O órgão encarregado da execução das obras do Projeto Alvorada, a que me referi, é a Secretaria Executiva de Estado de Desenvolvimento Urbano e Regional – SEDURB (hoje Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Regional – SEDURB). Seu titular à época era o arquiteto Paulo Elcídio. Os recursos foram mobilizados por meio do Convênio nº 065/2002.

    Pelo que sei, tanto esse ex-Secretário de Estado quanto o então Presidente da Funasa, Lustosa, foram condenados pelo TCU, e estão proibidos de exercer cargos públicos na esfera federal pelo prazo de 6 anos (Elcídio) e 5 anos (Lustosa), a contar de maio de 2008, salvo engano.

    Não creio que tenha sido falha de planejamento. Até onde consigo perceber houve uma mistura de irresponsabilidade com desonestidade.

    Há uma série de acusações (NÃO PROVADAS), de que o dinheiro usado pra pagar obras não executadas, na verdade teria ido para o PSDB, pra financiamento de campanhas. Foi o que me disse um empresário da construção civil, que recebeu por obras não executadas do Projeto Alvorada. Falei pra ele: “Eu ponho isso a termo e tu assinas.”. E ele: “Nem morto! Se alguém disser que falei isso, vou negar até morrer…”. Aí entra a velha máxima: “Alegatio et non probatio…”

    Vamos à lei: segundo estebelece a Lei Federal 8666 (em cominação com o CPB), comete crime não apenas o agente público que realiza pagamentos fraudulentos, mas também o particular que se beneficia desse ilícito.

    Ou seja, o cara que recebe por uma obra (ou parcela de obra) que não executou, é tão criminoso quanto o agente público que autorizou o pagamento.

    Só que entra ano, sai ano, e este um aqui nunca viu um único empresário receber alguma punição por isso ou algo parecido (nos episódios de corrupção, a regra é que haja uma empresa privada se beneficiando com a bandalheira…). Parece que a certeza da impunidade é tanta, que um empresário envolvido no recebimento de pagamento por obras não executadas diz que vai morrer negando que tenha feito isso na condição de vítima de um achaque…

    Falar nisso, também passou pela minhas mãos um processo de um empréstimo que o Governo do Estado (tucano) fez junto ao BNDES. Ele recebeu R$ 20 milhões e prestou contas de R$ 4 milhões.

    O resto (modestos R$ 16 milhões) sumiu.

    Também diz-se que a grana sumida foi usada pelo PSDB pra ajudar nas despesas eleitorais de 2002.

    É verdade? Não sei. Nunca ninguém declarou isso formalmente.

    O que se tem de concreto é que o dinheiro sumiu. Ninguém sabe o que foi feito com ele. Parece que o BNDES processou o ex-governador Almir Gabriel, mas não tenho a menor idéia no que deu isso.

    Só sei que a gestão petista exigiu a aplicação da IN 01/1997, da Sercretaria do Tesouro Nacional, segundo a qual a gestão sucessora não pode ser penalizada por atos impróprios ou irregulares praticados pela gestão antecessora. O BNDES concordou, mas, assim mesmo, exigiu que a gestão sucessora aplicasse R$ 16 milhões em municípios localizados na área de influência da Vale, pois o dinheiro emprestado à gestão antecessora, e sumido, era proveniente do Fundo de Privatização vinculado à venda da Vale.

  163. Edu said

    Elias,

    Acho que o seu relato é um favor que vc faz aos votos das pessoas que lêem esse blog. Para mim é o seguinte: essa história de que “nada foi provado” tem limite.

    Como vc disse: se faltam R$ 16 milhões, e ninguém sabe, ninguém viu, algumas conclusões me parecem evidentes imediatamente:

    – Não houve planejamento (entendo q vc discorde, deve ter seus motivos); para mim qualquer projeto minimamente bem planejado prevê os RISCOS e as AÇÕES a serem tomadas para a mitigação dos mesmos. Se havia risco de sumiço de verbas, o responsável pelo plenajemnto deveria deixar por escrito ou em algum documento o que deveria ser feito. Se ele não fez, é mau administrador.
    – Não houve gerenciamento adequado. Se os riscos não foram apontados, mas o gestor responsável se depara com os mesmos, ele deve comunicar IMEDIATAMENTE e propor planos de ação que sejam plausíveis para cumprir a meta do projeto. Se o gestor não fez isso, é mau administrador.
    – Se sumiu dinheiro, o responsável pelo projeto deve em primeiro lugar, ser o primeiro a saber e reportar isso, e quando o fizer, deve tomar todas as atitudes necessárias para: investigar, recuperar, punir, evitar perdas maiores pelos mesmos motivos. Se o gestor não fez isso, é mau administrador.

    Em qualquer cartilha elementar de administração e/ou gestão de projetos consta estas responsabilidades para os gestores. É inacreditável tais responsabilidades não sejam avaliadas e nem cobradas, pelos órgãos responsáveis ou pela mídia. Salvo casos onde a falcatrua é tão evidente que se torna um escândalo.

    Então, se um funcionário público, qualquer que seja, responsável pelo planejamento de qualquer obra ou por sua execução não cumpriu com essas funções básicas, ainda que nada tenha sido provado contra ele, ele já não merece cumprir funções semelhantes e, portanto, não merece o voto de ninguém.

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