Agência Estado via Correio Brasiliense
São Paulo – Grampos da Castelo de Areia, operação integrada da Polícia Federal com a Procuradoria da República, atingiram também o gabinete do senador Mão Santa (PMDB-PI).
Mão Santa não foi interceptado pela PF. Mas, em uma conversa gravada, Luiz Henrique Bezerra, emissário em Brasília da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi cobrado sobre um depósito por Doca Lustosa, assessor do senador. Luiz Henrique é filho do ministro Valmir Campelo, do Tribunal de Contas da União, e, segundo a PF, seria elo entre executivos da Camargo Corrêa e suposto esquema de repasses “por fora” para campanhas eleitorais.
Mão Santa é o terceiro senador citado no inquérito aberto para investigar licitações fraudulentas, superfaturamento de obras públicas e lavagem de dinheiro, e que avançou para o plano eleitoral. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Agripino Maia (DEM-RN) foram os primeiros senadores mencionados como beneficiários de doações. Eles negam enfaticamente captação irregular de recursos e apresentaram recibos para comprovar a legalidade das doações.
Relatório de Inteligência da PF destaca um capítulo para o episódio do assessor de Mão Santa. A PF avalia que a cobrança a Luiz Henrique, grampeada, tratava possivelmente de doação ilegal de campanha da Camargo Corrêa. As suspeitas têm como base diálogo entre Doca e Luiz Henrique na manhã de 1º de outubro, perto das eleições municipais.
Doca pede que lhe seja enviado comprovante do depósito via e-mail. Soletra seu endereço eletrônico do Senado. Mas lembra que “é melhor” que o comprovante seja enviado para seu endereço pessoal. A PF analisa: “Chama a atenção no diálogo que Doca quer passar seu e-mail institucional do Senado para Luiz transmitir o comprovante do depósito. Porém Luiz recomenda que passe outro e-mail, aparentemente dando a impressão que tal depósito não foi feito às claras.”