José Sarney e Heráclito Fortes, presidente e primeiro secretário do Senado, parecem estimular o suicídio da casa.
Ano passado, após os escândalos dos Atos Secretos que nomeavam parentes e contratavam empresas suspeitas, entre outras falcatruas, José Sarney foi salvo de um processo na desacreditada Comissão de Ética da casa por uma manobra da base do governo chancelada pelo presidente Lula com a famosa frase “Sarney não pode ser julgado como um homem comum“. Os braços operacionais do esquema, seu afilhado e então diretor geral, o ex todo poderoso Agaciel Maia, e o diretor de recursos humanos, João Carlos Zoghbi, foram exonerados de seus cargos e a Fundação Getúlio Vargas foi convocada para fazer um plano de reestruturação moralizante, segundo Heráclito Fortes. Descobriram-se 181 diretorias para cuidar de 81 senadores, entre outros absurdos. Havia diretor até para cuidar do check in de suas excelências em aeroporto.
Mas a reestruturação era jogo para olhos ingleses. Ou, como disse Giuseppe Tomasi di Lampedusa em seu romance O Leopardo, “tudo deve mudar para que tudo fique como está“.
O novo diretor geral nomeado, Haroldo Tajra, foi à além do romance e partiu para o escárnio não só com os próprios senadores, mas principalmente com a sociedade brasileira que questiona com toda propriedade a real necessidade de uma casa fadada à improdutividade pública e aos assaltos diuturnos dos cofres da viúva. Tajra conseguiu produzir alterações no plano da FVG que elevam os gastos com as empresas terceirizadas em R$ 6 milhões e brindam os funcionários com um aumento de 30% em seus já gordos salários.
José Sarney afirmou em entrevista concedida ao Jornal Nacional de ontem que o Senado é o que há de mais moderno na administração pública brasileira e Heráclito Fortes afirma que as mudanças não podem ser produzidas em curto espaço de tempo.
Em outras palavras, Sarney e Fortes deram o tom para o escárnio de Haroldo Tajra que resolveu desafiar a paciência dos brasileros aumentando a farra do Senado, exatamente o oposto do prometido com as tais mudanças. Agora a subcomissão de Constituição e Justiça que analisou a reforma administrativa proposta quer a contratação da FGV novamente, segundo seu relator, Tasso Jereissati.
José Sarney apóia o governo, Heráclito Fortes é um dos pilares da oposição, e o povo brasileiro não parece merecer de ambos qualquer respeito.
A Reforma Política ainda entrará na pauta da sociedade que obrigará o Congresso a fazê-la, como foi com o Projeto Ficha Limpa. E nesta hora, entre tantos pontos a serem discutidos, voltará a discussão da necessidade ou não da existência do Senado, ou do seu tamanho e custo, que denotam não fazer qualquer sentido prático para o Brasil.
O Senado parece querer o suicídio. É a única mensagem possível de se entender dessa tamanha ofensa ao bom senso.
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