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Arquivo da categoria ‘Agripino Maia’

Mão Santa é citado na operação Castelo de Areia

Publicado por Pax em 30/03/2009

Agência Estado via Correio Brasiliense

São Paulo – Grampos da Castelo de Areia, operação integrada da Polícia Federal com a Procuradoria da República, atingiram também o gabinete do senador Mão Santa (PMDB-PI).

Mão Santa não foi interceptado pela PF. Mas, em uma conversa gravada, Luiz Henrique Bezerra, emissário em Brasília da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi cobrado sobre um depósito por Doca Lustosa, assessor do senador. Luiz Henrique é filho do ministro Valmir Campelo, do Tribunal de Contas da União, e, segundo a PF, seria elo entre executivos da Camargo Corrêa e suposto esquema de repasses “por fora” para campanhas eleitorais.

Mão Santa é o terceiro senador citado no inquérito aberto para investigar licitações fraudulentas, superfaturamento de obras públicas e lavagem de dinheiro, e que avançou para o plano eleitoral. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Agripino Maia (DEM-RN) foram os primeiros senadores mencionados como beneficiários de doações. Eles negam enfaticamente captação irregular de recursos e apresentaram recibos para comprovar a legalidade das doações.

Relatório de Inteligência da PF destaca um capítulo para o episódio do assessor de Mão Santa. A PF avalia que a cobrança a Luiz Henrique, grampeada, tratava possivelmente de doação ilegal de campanha da Camargo Corrêa. As suspeitas têm como base diálogo entre Doca e Luiz Henrique na manhã de 1º de outubro, perto das eleições municipais.

Doca pede que lhe seja enviado comprovante do depósito via e-mail. Soletra seu endereço eletrônico do Senado. Mas lembra que “é melhor” que o comprovante seja enviado para seu endereço pessoal. A PF analisa: “Chama a atenção no diálogo que Doca quer passar seu e-mail institucional do Senado para Luiz transmitir o comprovante do depósito. Porém Luiz recomenda que passe outro e-mail, aparentemente dando a impressão que tal depósito não foi feito às claras.”

continua

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Skaf admite ter sugerido à construtora apoio a partidos

Publicado por Pax em 28/03/2009

ANNE WARTH – Agencia Estado

SÃO PAULO – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, admitiu ontem ter sugerido à empreiteira Camargo Corrêa que desse apoio financeiro aos diretórios do PSDB no Pará e do DEM no Rio Grande do Norte. Por lei, a Fiesp não pode doar dinheiro diretamente a nenhum partido político.

“A Fiesp nunca recebeu um tostão nem deu um tostão a campanha nenhuma, de partido político nenhum e candidato nenhum, porque a lei não permite”, afirmou Skaf, em entrevista à Rede Globo. “Nós sugerimos e a empresa (Camargo Corrêa) se dispôs a dar esse apoio. Foi dado dentro da lei, com recibo, tudo correto. É a única participação que temos”, explicou. Na entrevista, Skaf adiantou que os partidos e parlamentares que trabalham em defesa da indústria, “a favor do Brasil, do emprego e da produção”, voltarão a receber contribuições para as eleições de 2010 com a orientação da Fiesp.

“Neste caso pontual, o que há claramente é o seguinte: foi sugerido a essa empresa, se quisesse e pudesse – decisão da empresa -, doar para o PSDB do Pará e para o Democratas, do Rio Grande do Norte”, explicou, em referência às contribuições aos senadores Flexa Ribeiro (PA) e Agripino Maia (DEM).

leia a matéria completa de Anne Warth do Estadão aqui

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Camargo Corrêa: Grampos indicam doações ‘por fora’ de empreiteira

Publicado por Pax em 27/03/2009

Diretores da Camargo Corrêa citam ‘pasta de eleições’ com lista de ‘todos os caras que foram pagos’

Fausto Macedo e Roberto Almeida – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – “Tem aquela pasta de eleições”, diz Pietro Bianchi.

“Ah, tá bom”, responde Fernando Dias Gomes.

“E lá tem todos os caras que foram pagos”, emenda Bianchi.

Grampos telefônicos da Castelo de Areia, operação integrada da Polícia Federal com a Procuradoria da República, revelam intensa movimentação da cúpula da empreiteira Camargo Corrêa em suposto esquema de doações “por fora” para políticos e legendas.
Sete partidos (PSDB, PDT, DEM, PP, PPS, PMDB e PSB) – além dos senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e deputados, entre eles José Carlos Aleluia (DEM-BA) – são citados como beneficiários de recursos que a PF supõe terem sido desviados de obras superfaturadas.

Diálogos interceptados pela Inteligência da PF revelam passo a passo como agiam os principais executivos da empreiteira, que faturou R$ 16 bilhões em 2008. As escutas fazem a PF supor que a Camargo Corrêa mantinha duas contabilidades para repasses a políticos – uma oficial e outra paralela, sem comunicação à Justiça Eleitoral.

O alvo maior da operação é um pen drive com relação de políticos que teriam recebido propinas da empreiteira. O arquivo digital foi revelado naquela conversa que a PF interceptou, entre Bianchi e Gomes, executivos da empreiteira presos na quarta-feira. Os dois falam de José Carlos Aleluia e de um suposto pagamento a ele. “Não sou candidato e não é primeira vez que bandidos falam nomes de pessoas”, reagiu o deputado do DEM. “Não tenho absolutamente contato, nem oficial nem extraoficial, com a Camargo Corrêa. O governo começa a espalhar coisas para cobrir o drama que está vivendo. Não recebo doação que não seja legal.”

Os grampos são o fundamento mais contundente dos decretos judiciais de prisão de quatro dirigentes da construtora – Dárcio Brunato, Pietro Francesco Giavina Bianchi, Fernando Dias Gomes e Raggi Badra – e quatro doleiros, entre eles Kurt Pickel, apontado como articulador de um esquema de remessas ilegais para paraísos fiscais e lavagem de valores.

Além de políticos e siglas, os grampos citam frequentemente a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e seu presidente, Paulo Skaf. Também é mencionado em vários contatos Luiz Henrique, diretor da Fiesp baseado em Brasília e cuja missão seria fazer a ponte da entidade com o Congresso.

Fernando Dias Gomes, segundo a PF, “se coloca em constante comunicação e contato pessoal com o doleiro Kurt”. Em diálogo de 10 de outubro, Gomes fala sobre “umas contribuições“. Para a PF, ele se refere a doações para campanhas políticas, indicando uma empresa do grupo como doadora de R$ 50 mil e contribuição de R$ 100 mil “para o Mendonça Filho, de Recife (candidato a prefeito em 2008)”, além de citar repasse de R$ 300 mil para o PMDB do Pará, “aprovado por fora”. Os investigadores dizem que esse grampo “indica a ausência de contabilização oficial de tais doações”. Procurado, Mendonça Filho (DEM) afirmou em nota que as doações da Camargo Corrêa para sua campanha foram legais. O valor, segundo ele, foi de R$ 300 mil.

Em outra conversa, 21 de janeiro, Gomes afirma que Dárcio Brunato “tem um pen drive com todas as contribuições eleitorais”. Um grampo indica que Bianchi também teria cópia das planilhas com nomes de políticos que podem ter recebido propinas. Relatório da PF assinala: “Pietro diz que possui uma pasta com tais contribuições, constando duas formas de contribuições, a oficial e a ‘por fora’”.

Segundo a PF, diálogo de 23 de setembro entre Bianchi e um certo Marcelo “deixa claro a realização de doações por fora, irregularmente, por parte da Camargo Corrêa, a partidos políticos em campanha”.

A PF destaca diálogo de 3 de julho de 2008, por meio do qual Dárcio Brunato comenta sobre um cheque destinado a campanha eleitoral e instrui seu interlocutor para que encaminhe o dinheiro a Raggi Badra,”fato que confirma as doações a políticos em campanha”.

Para a PF, Bianchi “destaca-se como principal articulador” do esquema político. Em conversa gravada, ele confirma a Fernando Botelho, sócio da Camargo Corrêa e vice-presidente da Fiesp, o repasse de dinheiro a um representante da entidade, em Brasília. O dinheiro seria destinado a “PSDB e PS, 200 para um e 200 para outro”.

“Fernando se mostra insatisfeito pela ausência de detalhes de tal repasse e teria sido cobrado por Paulo Skaf, presidente da Fiesp, quanto à sua não-realização”, assinala a PF.

Bianchi, após ser cobrado por Botelho, questionou Brunato sobre remessa de R$ 550 mil para Brasília e sua real destinação. Brunato esclarece que o dinheiro fora repassado para a Fiesp em Brasília.

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Camargo Corrêa é suspeita de doações ilegais a sete partidos

Publicado por Pax em 26/03/2009

Operação da Polícia Federal prendeu 10 pessoas acusadas de fraudes que teriam beneficiado empreiteira

Anne Warth, David Friedlander e Fausto Macedo – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Sete partidos políticos (PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB) são citados na Operação Castelo de Areia, deflagrada na quinta-feira, 26, pela Polícia Federal, como supostos destinatários de doações de recursos ilícitos a partir de esquema envolvendo diretores da construtora Camargo Corrêa e doleiros. Segundo a PF, a trama consistia em licitações fraudulentas, obras públicas superfaturadas e remessa de valores desviados do Tesouro para paraísos fiscais. A primeira etapa da investigação aponta para evasão de R$ 20 milhões, em estimativa da Procuradoria da República.

A operação prendeu 10 pessoas e vasculhou 16 endereços, onde foram recolhidos computadores, armas, quadros, documentos e pelo menos R$ 1 milhão em dinheiro. A força-tarefa estava em busca de um Pen drive onde estaria armazenada a suposta contabilidade paralela da organização e uma lista de políticos beneficiados.

Auditores do Tribunal de Contas da União acompanharam a blitz. “Há fortes indícios de que a empresa utilizava-se de offshores e do sistema de dólar cabo para remessas de quantias para o exterior“, disse o delegado Alberto Iegas, coordenador da PF em São Paulo do combate ao crime organizado. Em nota, a Camargo Corrêa negou irregularidades e se declarou “perplexa”.

Quatro executivos da empreiteira foram detidos: Fernando Dias Gomes, Dárcio Brunato, Pietro Francisco Bianchi e Raggi Badra Neto. Os quatro doleiros são: Jose Diney Mattos, Jadair Fernandes de Almeida, Maristela Brunet e Kurt Paul Pickel – este, suíço naturalizado brasileiro, é apontado como o articulador da parceria entre a cúpula da empreiteira, partidos e paraísos fiscais. Também foram presas duas secretárias da diretoria, Marisa Berti Iaquino e Darcy Flores Alvarenga.

Interceptações telefônicas da PF mostram investigados falando de políticos que teriam recebido dinheiro, entre eles os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) – R$ 300 mil para o primeiro, R$ 200 mil para o tucano. Os dois confirmaram a captação dos recursos, mas alegam que foram doações registradas na Justiça Eleitoral.

Também há citações, em conversas de terceiros que a PF monitorou, ao empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e a um diretor da entidade, identificado como Luiz Henrique.

A procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, que pediu a prisão de 14 suspeitos, diz que “impressiona o grau de rapidez e coordenação na efetivação das transações financeiras ilegais, inclusive as internacionais, o intento de simulação para ludibriar as autoridades quanto à sua identificação e destino dos recursos evadidos”.

O inquérito, iniciado em janeiro de 2008 – a partir de vigilância a um doleiro – aponta para Fernando Arruda Botelho, um dos sócios da Camargo Corrêa. Ele não teve sua prisão decretada, mas é alvo da investigação. A PF apreendeu armas em um cofre de Botelho.

Ao autorizar a operação, o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, assinalou trechos de grampos que fazem “menção a divisão de valores, em tese, doados para partidos políticos”.

A investigação da PF sugere que Botelho teria participado da distribuição de doações da empreiteira para partidos. Ele é vice-presidente da Fiesp. Numa conversa telefônica captada pelos agentes, Botelho teria conversado sobre atrasos na liberação de recursos.

Os diálogos monitorados revelam tratativas e possíveis entregas de numerários supostamente a políticos e a partidos políticos oriundos, em tese, da empresa Camargo Corrêa, com a suposta intermediação da Fiesp, direta ou indiretamente“, anotou o juiz De Sanctis.

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Partidos e Fiesp nos papéis da Camargo Corrêa

Publicado por Pax em 25/03/2009

Revista Época

ÉPOCA teve acesso a informações do inquérito da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, no qual há referências a repasses de dinheiro da empreiteira para quatro partidos políticos PSDB, DEM, PMDB e PPS e para a Fiesp. Um dos políticos citados no documento é o senador Agripino Maia

Destinada a esquadrinhar crimes financeiros envolvendo a construtora Camargo Corrêa, uma das maiores do país, a Operação Castelo de Areia, deflagrada nesta quarta-feira (25) pela Polícia Federal, acabou descobrindo um esquema bem organizado de repasse de dinheiro para campanhas políticas. Trata-se de descobertas com potencial para antecipar a guerra de denúncias entre governo e oposição prevista para acontecer em 2010, ano de eleições presidenciais. ÉPOCA teve acesso a informações do inquérito, que corre em segredo na Justiça Federal de São Paulo. Há referências a repasses de dinheiro da empreiteira para quatro partidos políticos: PSDB, DEM, PMDB e PPS. Nem todos os repasses foram devidamente declarados à justiça eleitoral, de acordo com a investigação – em muitos casos, a “doação” era feita em dinheiro vivo.

A distribuição de dinheiro começou a ser descoberta por meio de telefonemas interceptados pela Polícia Federal com autorização da justiça. Nesses telefonemas, diz uma pessoa familiarizada com a investigação, diretores da Camargo Corrêa falavam abertamente com emissários de partidos políticos para tratar dos pagamentos. Os acertos se deram entre julho e outubro do ano passado – o que indica tratar-se de dinheiro utilizado nas campanhas municipais de 2008, segundo o inquérito.

Há referências, na investigação, a personagens importantes do cenário político e empresarial. Num dos telefonemas interceptados, um representante da Federação das Indústrias de São Paulo em Brasília conversa com um dos diretores da Camargo Corrêa. Diz que está falando em nome do chefe, o presidente da federação, Paulo Skaf. Na ligação, em tom de reclamação, ele cobra da Camargo Corrêa o repasse de R$ 400 mil a dois partidos. Afirma que os representantes dos partidos estariam cobrando o dinheiro – pelo teor da conversa, o pagamento estaria atrasado.

Outro nome que aparece no inquérito, como destinatário de repasses da Camargo Corrêa, é o do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, ele aparece como destinatário de doações da Camargo Corrêa durante a campanha eleitoral do ano passado. Procurado por ÉPOCA, Agripino Maia confirmou que o DEM do Rio Grande do Norte recebeu doação da construtora ano passado. Ele afirma, porém, que todos os repasses foram legais. “Recebemos R$ 300 mil, mas foi tudo legal, registrado e com recibo”, afirmou Agripino Maia. O senador distribuiu cópia de um “recibo de doação” em que a tesoureira do diretório potiguar do DEM, Maria de Fátima Lapenda Mesquita, atesta o recebimento de R$ 300 mil da Camargo Corrêa. O documento é datado de 15 de setembro de 2008.

O senador disse não se lembrar quem da Camargo Corrêa tratou da doação ao partido. Mas confirmou ter recebido a notícia de que o repasse estava concretizado por meio de outro personagem cujo nome aparece na investigação. Trata-se de Luiz Henrique Maia Bezerra, representante da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) em Brasília. Nas conversas gravadas pela polícia, Luiz Henrique Bezerra aparece cobrando de diretores da Camargo Corrêa as doações prometidas aos partidos, dentre eles o DEM. “Eu conheço o Luiz Henrique. Foi ele quem comunicou que a doação seria feita”, disse o senador Agripino.

Luiz Henrique Maia Bezerra assumiu a representação da Fiesp em Brasília há cerca de dois anos. Em pelo menos uma das conversas gravadas pela polícia, num contato em que tratava de doações, ele dizia estar falando em nome do presidente da federação, Paulo Skaf. Procurado por ÉPOCA, Luiz Henrique Maia Bezerra preferiu não comentar o assunto. “Vou querer ter acesso a investigação primeiro, para depois falar. Deixa a polícia investigar para depois eu comentar”, afirmou.

De acordo com uma fonte com acesso aos dados da investigação, a maioria dos repasses a políticos detectados no inquérito tem como destinatários políticos e diretórios partidários do Nordeste. Um deles é o diretório do PMDB de Pernambuco.

Em nota, a direção nacional do PSDB negou ter recebido dinheiro ilegal da Camargo Corrêa. Diz o texto, distribuído no início da noite desta quarta-feira: “Em diversas campanhas eleitorais, o PSDB recebeu doações da empresa Camargo Corrêa. Todos dentro do que determina a lei e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme prestações de contas que estão disponíveis inclusive na internet. O PSDB desconhece que qualquer empresa ou doador tenha atuado fora dos limites legais e condena tal procedimento”.

Procurado por ÉPOCA, o presidente do PPS, Roberto Freire, não foi localizado.

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