Villas-Bôas Corrêa – março 31, 2009
O ilustre deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, não pode creditar ao azar o dia em que, em mais um desabafo da alma magoada, queixou-se das críticas “absolutamente injustas” da imprensa e, no repique reclamou das omissões do silêncio quando ela deveria reconhecer as decisões corretas, da rotina parlamentar em benefício do povo.
Receia o presidente Temer que se submetido ao julgamento da opinião pública, o Poder Legislativo seria considerado desnecessário, por causa da crítica cerrada da imprensa.
Ora, presidente, diante do descalabro ético, do desatino moral que, como praga, despeja mais de um escândalo por dia no lixo parlamentar, a imprensa não tem espaço para contar da missa a metade.
No embalo, para dar exemplos das injustiças da má imprensa, o presidente Michel Temer cita as cota de passagens pagas pela Viúva para que os senadores e deputados desfrutem o fim de semana de quatro dias nos lençóis domésticos e no convívio com os eleitores que garantem as reeleições para um dos melhores empregos do mundo.
Puxando o fio da meada, as mordomias, vantagens e outras mutretas são os frutos bichados da mudança precipitada da capital do Rio para Brasília, em 21 de abril de 1960, então um canteiro de obras. Mas, o presidente Juscelino Kubitschek apostou o cacife no JK-65 do seu sonho que acabou em pesadelo.
Na cesta natalina das mordomias, as passagens para o fim de semana em casa foi a gorjeta milionária para vencer a resistência dos parlamentares. E que arrombaram o cofre da Viúva para os saques que se sucedem até a orgia demencial da crise sem fim.
No rol das miudezas, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), licenciado do mandato desde 2007, quando assumiu a Secretaria de Transportes do Distrito Federal, manteve até ontem, uma empregada em sua casa com o salário pago pela Câmara. A doméstica Izolda da Silva Lima foi contratada em 2003 e lotada no gabinete do deputado Osório Adriano (DEM-DF), suplente do citado Fraga e recebia R$ 480, um salário mínimo, como “secretaria particular”.
O suplente Alberto Fraga enrolou-se em contradições. Negou que Izolda fosse empregada doméstica, alegando que apenas prestava serviços domésticos. E como a corda em mãos que não se dão ao respeito sempre arrebenta do lado mais fraco, Izolda foi demitida e o deputado e seu suplente pularam o muro e nada têm a temer.
Bem mais grave o recorde do senador Gilvam Borges (PMDB-AP) cujo chefe de gabinete, o advogado Fernando Aurélio Aquino empregou oito parentes em seu gabinete: o pai, a mulher, irmãos e cunhado, uma família a serviço do seu protetor. Com tantos parentes no gabinete, a distribuição do serviço é simplificada. O pai da família, Tersandro Benvindo de Aquino nunca aparece no gabinete. A mulher de Fernando Aquino, Leila Carla Caixeta de Sá Aquino entrega-se à leitura de cartas e convites dos eleitores; uma irmã atende ao telefone, outra despacha expediente para os prefeitos da base eleitoral do senador.
Uma família unida, feliz e bem remunerada.
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