Senador Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes, exonerado após inúmeras denúncias de corrupção em sua gestão, afirma que nem ele nem seu partido, o PR, são lixos para serem varridos da administração pública do governo federal.
E insinua que os problemas foram criados em 2010, durante a campanha presidencial.
Lixo pode ser reciclado, tem valor. O PR e o senador podem? A afirmação do parlamentar deixa esta questão no ar. Todos os modelos democráticos impõem alianças para governar. Mas nem todas são saudáveis. Este episódio da necessária faxina no Ministério dos Transportes parece vir à tona para colocar em xeque o modelo brasileiro onde, ao que tudo indica, o financiamento de campanha estimula assaltos generalizados aos cofres públicos que acabam facilitando malfeitores à geração de fortunas pessoais e feudos políticos venais aos interesses da sociedade.
PR não é lixo para ser varrido’, protesta Alfredo Nascimento em discurso no Senado
Andrea Jubé Vianna e Jair Stangler, do Estadão.com.br
Em pronunciamento de mais de meia hora na tribuna do Senado, o senador Alfredo Nascimento (AM), presidente nacional do PR, afirmou que seu partido “não é lixo para ser varrido da administração pública”. Em tom de indignação, ele enfatizou que o PR possui as mesmas qualidades e defeitos dos demais partidos políticos e saiu em defesa de seus filiados. “Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nossos sete senadores não são lixo”, repetiu.
Sob denúncias de corrupção, o Ministério do Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) transformaram-se em alvo de profunda devassa do governo federal, que determinou a demissão, até agora, de 27 servidores. Essa iniciativa ganhou o apelido informal de “faxina” do governo federal, que a oposição deseja ver ampliada a outros órgãos.
Nascimento declarou que pediu à Procuradoria Geral da República (PGR) que instaure ampla investigação contra ele, oferecendo a abertura de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. No entanto, provocado pelo líder do PSDB – o senador paranaense Álvaro Dias -, o ex-ministro recusou-se a assinar o requerimento de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado para investigar as denúncias contra o Ministério dos Transportes.
Seguindo a estratégia adotada pelo ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot, Nascimento tentou dividir responsabilidades com outros partidos, outros ministros e com a própria presidente Dilma Rousseff. Nascimento afirmou que os fatos que provocaram sua demissão – superfaturamento de obras e cobrança de propinas – não ocorreram quando ele estava no cargo, porque ele se afastou em 31 de março para concorrer ao governo do Amazonas em 2010. Em contrapartida, quando ele reassumiu o posto no início deste ano, Nascimento afirma que verificou uma elevação excessiva nos valores dos contratos e, em seguida, teria informado Dilma do ocorrido.
Ainda segundo o ex-ministro, ao verificar a “disparada dos gastos” no ministério, ele teria levado a informação à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e se comprometido com Dilma em efetivar um corte de R$ 10 bilhões nos gastos de sua pasta. Por fim, Nascimento ressaltou que todas as decisões do Ministério eram avalizadas pelo comitê gestor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), formado pelos representantes dos ministérios dos Transportes, Planejamento e Casa Civil. “Não fui convocado para resolver distorções que não criei, nem para desfazer acordos dos quais não participei”, defendeu-se. (continua no Estadão…)
