Izabelle Torres – Correio Braziliense
Obrigado a enfrentar denúncias de funcionários fantasmas na folha de pagamento da Câmara e levado a adotar discursos radicais com promessas de decisões moralizadoras, o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu começar a faxina dentro do próprio gabinete. Na semana passada, exonerou o ex-deputado Sidney Miguel, lotado desde 2006 na Presidência com salário de R$ 9,5 mil, apesar de nunca ser visto por lá.
O ex-deputado costumava prestar consultoria para o ex-presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a quem é atribuída a nomeação e o apadrinhamento da permanência de Miguel por tantos anos no posto. Segundo a assessoria de Temer, já havia um acordo entre o atual presidente e o PCdoB para exonerar Miguel do cargo de confiança que ocupava. O prazo deveria acabar em julho, mas foi antecipado depois da denúncia do Correio de que pelo menos cinco ex-parlamentares encontraram abrigo na folha salarial da Câmara depois de perderem eleições.
Apesar da atitude do presidente da Casa, deputados responsáveis pela nomeação de ex-colegas continuam inertes. Para explicar a atitude — ou a falta dela —, alegam que a maioria das indicações parte de outros políticos integrantes dos partidos e, por isso, a demissão só é possível se for realizada como resultado de um acordo. É justamente por conta dessa proteção dos próprios pares que a Câmara continua pagando salários a candidatos derrotados nas urnas.