Comissões do Senado e da Câmara fazem vigília pela preservação da Amazônia
Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil
Brasília – Com o plenário e as galerias do Senado lotados, começou, há pouco, a audiência pública conjunta de comissões do Senado e da Câmara para realização de vigília em favor da preservação da Amazônia. A cerimônia será marcada pela entrega do documento Amazônia Para Sempre, que reúne mais de um milhão de assinaturas pedindo a preservação da floresta.
O documento, que foi trazido ao Senado em vários carrinhos, é resultado de dois anos de viagens por todo o país dos atores Christiane Torloni e Victor Fasano para recolhimento de assinaturas. A ideia é entregá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A presidente da Comissão de Mudanças Climáticas do Senado, que também preside a sessão solene, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), abriu a cerimônia lembrando as palavras do ambientalista Chico Mendes de que preservar a Amazônia é salvar a humanidade.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que este é um bom momento para realização da cerimônia, pois nos últimos três anos triplicou o número de espécies ameaçadas e todo o mundo sofre com as mudanças climáticas devido ao aquecimento global.
“Em boa hora se organizou essa vigília. Estamos passando por um momento muito difícil da preservação da Amazônia. Olhamos as pessoas sofrendo com as mudanças do clima e, aqui, nós no Brasil, vemos uma ofensiva para a diminuição das proteções ambientais, como se elas fossem um engessamento do país”, argumentou Minc. “Temos proteção a menos e não a mais”, reforçou o ministro.
Minc lembrou que, na Câmara, está em votação a Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária da Amazônia, e há “forte pressão” para que sejam retiradas as garantias ambientais presentes na MP. “O que está em jogo é a preservação da Amazônia. Se as garantias forem retiradas o país estará cometendo um suicídio”, alertou.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse que a vigília, além de representar um ato importante em defesa da Amazônia, mostra a força do Poder Legislativo. “É aqui que se concentram os grande temas nacionais. Às vezes, ouvimos críticas a esse poder, mas as grandes questões, as grandes manifestações populares se dão no Legislativo”, discursou.
Já o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defendeu que todas as gerações assumam o dever de preservar a Amazônia. “Quem tem a Amazônia não tem medo do futuro”, disse o presidente do Senado.
“A vigília significa ação, atividade articulada de movimentos. As comissões, do Senado e da Câmara, precisam, ativamente, acompanhar os programas públicos que busquem reduzir o desmatamento”, defendeu o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que preside a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle.
Para o senador José Nery (P-SOL-PA), preservar e defender a Amazônia significa “rever o modelo de desenvolvimento até aqui vivenciado”. O deputado Sarney Filho (PV-MA) afirmou que a floresta é uma fonte “incomensurável de cura para nossa sociedade”.
O ator Victor Fasano, um dos coordenadores do movimento Amazônia para Sempre, disse que essa noite é uma especial pois estão reunidos cientistas, ambientalistas e representantes da floresta. “Que a aula que teremos aqui nos faça refletir sobre as ações que estamos tendo em relação à floresta”, disse o ator.
Durante a vigília serão mostrados quatro painéis que tratarão de temas ligados à preservação da Amazônia.
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(Artistas anunciam vigília em favor da Amazônia – Fábio Góis Congresso em Foco)
“CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA
Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.
Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.
Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.
Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.
Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:
“A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.”
Assim, deve-se implementar em níveis federal, estadual e municipal, A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!
É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história. SOMOS UM POVO DA FLORESTA!”