A ANP dirigida por apadrinhados políticos do PCdoB e o dinheiro que entidade fundada por Delúbio recebeu da Petrobras.
Ricardo Brito – Correio Brasiliense
Responsável por regular o bilionário mercado de combustíveis, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) passou a ser dirigida, no início do governo Lula, por filiados e apadrinhados políticos do PCdoB. Em 2005, os comunistas chegaram, com o engenheiro e ex-deputado Haroldo Lima, ao cargo máximo do órgão. Na esteira dessa ascensão, surgiram críticas de “aparelhamento” da ANP, que será um dos alvos da recém-criada CPI da Petrobras. Empresários e advogados com larga atuação no setor se queixaram ao Correio de dificuldades para ter simples demandas respondidas pela agência. Em alguns casos, os problemas foram parar na polícia.
A advogada Vanuza Sampaio, que, nas palavras dela mesma, atua em favor de 40% dos empresários do mercado, é um dos poucos que chegaram a romper o silêncio de quem atua no setor. Vanuza levou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro documentos que acusam o superintendente de Abastecimento, Edson Menezes da Silva, de tentativa de extorsão. Por intermédio de dois funcionários da agência, Edson teria cobrado R$ 50 mil para liberar um registro de uma empresa, segundo a advogada.
Vanuza disse que sua denúncia, embora tenha gerado um inquérito na PF, ainda não surtiu desdobramento judicial ou político — os supostos extorquidores continuam trabalhando, e sua acusação vazou dentro da agência. “Virei persona non grata”, afirmou, contando que, depois das denúncias, tem sempre de recorrer à Justiça para ver suas demandas respondidas. Em resposta por e-mail, a assessoria de imprensa da agência afirma que Edson Menezes declarou “não ter qualquer vinculação com as denúncias em apuração”. “A apuração está sob responsabilidade do MPF, sem que a ANP tenha conhecimento de sua conclusão.”
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Já citada em irregularidades com Incra, entidade fundada por Delúbio mantém convênio de R$ 4 mi com estatal
Rodrigo Rangel – Estadão
Arrastada para o centro de uma CPI aberta no Senado para investigar desde contratos para a construção de plataformas de petróleo até decisões administrativas que reduziram o pagamento de impostos, a Petrobrás também terá de dar explicações sobre milionários convênios firmados com entidades amigas do PT para executar projetos sociais.
Veja o que será apurado na CPI da Petrobrás
As cifras, como tudo na estatal, são generosas. Em apenas um desses programas – batizado de Petrobrás Fome Zero, em homenagem ao principal projeto social do início do governo Lula – foram gastos R$ 385,7 milhões entre 2003 e 2006. Em outro, o Programa Petrobrás Desenvolvimento & Cidadania, a estatal desembolsou mais R$ 300 milhões de novembro de 2007 a dezembro do ano passado e pretende chegar a R$ 1,2 bilhão até 2012.
Nos dois programas, a intenção é a melhor possível: apoiar projetos de geração de renda e emprego, financiar boas iniciativas na área de educação e investir em projetos de auxílio a crianças e adolescentes em situação de risco. A benemerência da Petrobrás, porém, esconde situações explícitas de mau uso das verbas da estatal em favor de entidades alinhadas ideologicamente ao governo.
Um caso exemplar envolve o Instituto Nacional de Formação e Assessoria Sindical da Agricultura Familiar, o Ifas, organização não-governamental (ONG) com sede em uma casa simples do centro de Goiânia, sem ao menos uma placa na fachada. A ONG, que já frequentou o noticiário por desvio de verbas repassadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), fechou convênio em 2007 com a Petrobrás no valor de R$ 4 milhões. Mas até hoje deve explicações sobre a maneira como gastou parte desse dinheiro.
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