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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Pizza estragada

Publicado por Pax em 19/12/2012

A CPMI do Carlinhos Cachoeira terminou em enorme pizza estragada. E algumas biografias profundamente arranhadas, talvez irremediavelmente.

O jovem deputado Odair Cunha e o ex-líder do PT na Câmara, o trapalhão Cândido Vaccarezza, foram os que mais saíram prejudicados, à além do próprio PT que perdeu apoio até de parte do PMDB para aprovar o relatório final.

Tudo indica, aliás, que setores do PMDB já dão indícios que pretendem ser os primeiros a abandonar o navio que faz água neste fim de ano.

Nós? Ficaremos sem saber sobre eventuais crimes cometidos por uma parte da imprensa que se imiscui com as máfias brasileiras e, segundo indícios, vende seus editoriais para quem lhes pagar melhor. Coisa para deixar o News Of The World com inveja e em lugar secundário em se tratando de desvios de conduta na atividade. Como dito, são indícios, não provas, e precisam ser investigados a fundo. Temos o direito de saber quem faz parte do lixo distribuído que forma opinião mediante pagamento.

A direita radical parece ter saudades dos tempos da senzala e age como um bando de hienas cercando um PT combalido por escândalos e mais escândalos de corrupção. Esta mesma direita agora quer o papel de vestal quando seu passado – e presente – não permite tal atitude.

A Justiça? Enquanto não mostrar que o mesmo rigor aplicado ao PT será distribuído a todos, deve explicações sobre várias hetorodoxias em andamento.

O povo quer heróis inexistentes mas o único possível é ele próprio, e se faz concreto nas urnas.

Uma pizza geral, diz relator da CPMI do Cachoeira sobre conclusão dos trabalhos

Karine Melo – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma grande pizza. Foi assim que vários parlamentares definiram nesta terça-feira (18) o fim da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. “As conclusões são um nada, um vazio, uma pizza geral, lamentável. Apesar de todo o esforço, nós fomos derrotados pela blindagem em favor de Marconi Perillo [governador de Goiás], e a empresa Delta”, disse o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG).

O relatório de Cunha foi rejeitado por 18 votos a 16 e fez com que a CPMI encerasse os trabalhos sem um documento final. Além de votos contrários do PSDB e de partidos menores, o documento foi rejeitado alguns por parlamentes do PMDB, partido da base do governo. O documento derrotado envolvia 41 pessoas. Todas suspeitas de ligação direta com o esquema ilegal de Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar quadrilha de exploração de jogos ilegais, em parceria com servidores públicos. O diretor da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, e o governador Marconi Perillo estavam na lista.

“Ao que vocês assistiram aqui é pior do que pizza. Os governadores Sérgio Cabral (RJ) e Marconi Perillo (GO), além da empreiteira Delta se uniram para derrotar o relatório e impedir que a investigação seguisse em frente. O dia de hoje ficará como o dia da infâmia. Um dia em que o Congresso Nacional brasileiro protagonizou uma das maiores vergonhas da sua história”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno, também criticou o resultado final da CPMI. “O parlamento não cumpre com seu papel de investigar, apurar e encaminhar a quem deve tomar providências. De mais de cinco mil páginas, nós tivemos uma página de meia no voto separado do deputado Luiz Pittman (PMDB-DF), o que é lamentável sob todos os aspectos. Como estamos em véspera de Natal é uma presepada o que foi aprovado hoje pela Comissão Parlamentar de Inquérito”, criticou Rubens Bueno.

“A única vitória daqueles que querem a investigação de um esquema de corrupção, que perpassa o governo federal e vários governos estaduais, foi compartilhamento [de informações] com o Ministério Público Federal”, avaliou do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele acredita que, apesar do resultado final da comissão, o compartilhamento dos sigilos recebidos pela CPMI fará com que as investigações sigam em frente. O ponto citado pelo deputado foi o único de consenso hoje na CPMI.

Os parlamentares aprovaram requerimento do deputado Odair Cunha para que os sigilos levantados pela CPMI – fiscais, bancários e telefônicos, sejam levados à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal de Goiás. O compartilhamento está previsto também no voto separado do deputado Luiz Pittman. Com uma página e meia, o documento aprovado na comissão inclui a Polícia Federal, e é considerado o resultado final da CPMI.

“As investigações continuarão e serão aprofundadas. E, aí sim, em ambiente sem as influências, que nós aqui tivemos, e isentas por completo, as investigações poderão aprofundar e trazer aos brasileiros os verdadeiros fatos, da mesma forma que Supremo Tribunal Federal trouxe os últimos fatos do mensalão”, afirmou Pittman.

Enviado em CPI do Cachoeira | 7 Comentários »

STF decreta perda de mandato

Publicado por Pax em 18/12/2012

Por 5 votos a 4 o STF decidiu cassar os mandatos de João Paulo Cunha (PT), Valdemar Costa Neto (PR) e Pedro Henry (PP). O presidente da Câmara, Marco Maia, classificou a medida como uma ingerência do STF no Legislativo.

Num evento que reuniu simpatizantes em SP José Dirceu disse que “Agora é importante reforçar o Marco Maia e depois ir às ruas”.

Segundo notícia da Folha/UOL, “o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem mais tempo para reiterar seu pedido de prisão imediata. A medida pode ser uma estratégia para forçar uma decisão individual do presidente do STF, Joaquim Barbosa, já que nos bastidores integrantes da corte apontavam que o pedido deveria ser rejeitado pelo plenário”.

A barril está cheio de pólvora. Basta acenderem o estompim. Tomara que não o façam.

STF decreta perda de mandato de deputados condenados do mensalão

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os parlamentares condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, estão proibidos de exercer seus mandatos, segundo decisão de hoje (17) do Supremo Tribunal Federal (STF). Por placar de 5 votos a 4, a Corte entendeu que a decisão de cassar os mandatos não cabe ao Congresso Nacional, pois as Casas Legislativas só devem ratificar o entendimento do STF. A decisão só deve ser cumprida quando transitar em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos.

Três deputados federais condenados no mensalão serão diretamente afetados: João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), já sinalizou em outras oportunidades que não pretende aderir automaticamente ao entendimento do STF, pois acredita que a Corte não pode deliberar sobre um tema político.

A questão da perda de mandato começou a ser discutida no dia 6 de dezembro. O último debate ocorreu há uma semana, quando o placar estava empatado em 4 votos a 4: metade dos ministros defendia a preponderância da decisão do STF e a outra metade queria que a última palavra fosse do Congresso Nacional.

Último ministro a votar, Celso de Mello ficou doente, o que acabou postergando o desfecho para hoje. O ministro foi internado com infecção nas vias respiratórias na última quarta-feira (12), e só recebeu alta médica na sexta-feira (14).

Conforme já havia sinalizado em discussões anteriores, o ministro aderiu à tese de que a decisão final sobre perda de mandato é do STF. Para Celso de Mello, não é possível aceitar que um parlamentar com diretos políticos suspensos por condenação criminal continue exercendo mandato.

“A perda do mandato é consequência direta e imediata da suspensão de direitos políticos por condenação criminal transitada em julgado. Nesses casos, a Câmara dos Deputados procederá meramente declarando o fato conhecido já reconhecido e integrado ao tipo penal condenatório”, disse.

O ministro ainda criticou a possibilidade de a Câmara dos Deputados não cumprir a decisão do STF, o que classificou como “intolerável, inaceitável e incompreensível”. Ele defendeu a responsabilização penal dos agentes públicos que se negarem a cumprir decisões judiciais, alegando que “qualquer autoridade pública que desrespeita a decisão do Judiciário transgride a ordem constitucional”.

No início do voto, Celso de Mello defendeu também que o presidente do STF e relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, seja o responsável pela execução das penas dos réus, sem delegar a função para juízes de instâncias inferiores.

Enviado em João Paulo Cunha, Mensalão PT, Pedro Henry, Valdemar Costa Neto | 45 Comentários »

Paulo Vieira: ANA é cabide de empregos

Publicado por Pax em 17/12/2012

Em entrevista concedida ao jornalista Fausto Macedo, do Estadão, Paulo Vieira abre o jogo. Segundo sua versão as autorizações para empreendimentos na Ilha dos Bagres, de interesse do ex-senador Gilberto Miranda, são de responsabilidade da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e a sra. Gisela Damm Forattini, diretora do Ibama de Licenciamento Ambiental.

Segundo o acusado de ser o chefe da quadrilha dos pareceres a ANA – Agência Nacional de Águas – é um cabide de empregos que abriga protegidos do alto escalão de partidos da base aliada.

A temporada da fuzarca de acusações está apenas começando, ao que parece.

E as Agências Regulatórias bem que merecem uma verificação geral dos nomes de seus Conselhos, Superintendências e Diretorias.

Investigação ‘blindou’ ministra, diz acusado de chefiar quadrilha

Ele cita ‘pressão’ de titular do Meio Ambiente para aprovação de projeto de interesse de ex-senador

FAUSTO MACEDO – O Estado de S.Paulo

Paulo Vieira, alvo da Operação Porto Seguro e apontado como chefe de quadrilha que corrompia servidores de órgãos federais para compra de pareceres técnicos, saiu da trincheira do silêncio e acusa o Ministério Público Federal e a Polícia Federal de “blindarem a ministra Izabella Teixeira”, do Meio Ambiente. Ele afirma que a ministra fez “pressão” para que fosse aprovado projeto de interesse do ex-senador Gilberto Miranda, denunciado por corrupção ativa.

Ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), cargo que assumiu em 2010 por indicação da amiga Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo e acusada de integrar o grupo, ele nega que tenha pago propina a Cyonil Borges, do Tribunal de Contas da União, que delatou o esquema.

Vieira se apresenta como “um petista de baixo clero” e defende Rose categoricamente. Revela-se indignado e amargurado. Recorre a Deus frequentemente, a quem pede proteção nesta etapa difícil de sua vida.

Classifica a ANA de “cabide de emprego”. Desafia que provem contra ele prática de ilícitos e diz não ter intenção de delatar outros nomes – em conversas reservadas havia admitido a possibilidade de contar o que sabe, como divulgou o Estado.

Vai provar, avisa, sua inocência à Justiça. Aponta laços entre o ex-ministro dos Portos Pedro Brito e Miranda. “Tenho provas de tudo.”

Repudia o papel que lhe é imputado pela acusação. “Que quadrilha é essa que supostamente só participou de dois pareceres em anos de ‘atividades’? Onde está o dinheiro de propinas que recebi?”

Leia a entrevista completa no Estadão

Enviado em Agências Regulatórias, ANA, Gilberto Miranda, Operação Porto Seguro, Paulo Rodrigues Vieira | 38 Comentários »

Porto Inseguro

Publicado por Pax em 15/12/2012

O Ministério Público Federal denunciou 24 pessoas envolvidas em formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência, falsidade ideológica e falsificação de documento particular.

Os bebês de Rosemary, a própria ex-chefe de gabinete da presidência em São Paulo e mais uma lista de nomes que serão analisados pela Justiça Federal.

A revista Época traz uma reportagem de capa nesta semana que promete incendiar ainda mais dois movimentos que imperam no noticiário político.

Um, oposicionista, quer destruir a imagem de Lula ligando-o ao mensalão e aos denunciados da Operação Porto Seguro, que traz novos fantasmas a cada dia. E ataca Dilma através dos resultados econômicos deste biênio. Prepara as bases da campanha presidencial de 2014 em cima das mesmas premissas que produziram as derrotas em 2006 e 2010, ou seja, sem projetos para apresentar combatem o PT onde a defesa se mostra cada vez mais enfraquecida, nos escândalos de corrupção. E nestes ataques não conta com muito apoio do DEM que tenta sobreviver após os escândalos de Arruda no DF e Demóstenes com Cachoeira.

Outro, governista, quer desmontar a crise desacreditando a imprensa e elevando Lula à inexistente condição de inimputabilidade.

Para completar o cenário temos um terceiro ator que não pode ter poder maior que o estabelecido na harmonia republicana e também pode ser questionado, a própria Justiça.

MPF denuncia 24 investigados pela Operação Porto Seguro

Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou hoje (14) à Justiça Federal 24 pessoas envolvidas no esquema criminoso infiltrado em órgãos federais e agências reguladoras para elaborar pareceres técnicos fraudulentos e favorecer interesses privados, investigado pela Operação Porto Seguro. Entre os crimes praticados pelo grupo estão formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência, falsidade ideológica e falsificação de documento particular.

Foram denunciados por formação de quadrilha a ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, o ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Rodrigues Vieira e seus dois irmãos, o então diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Rubens Carlos Vieira e o empresário Marcelo Rodrigues Vieira. Também foram denunciados pelo mesmo crime os advogados Marco Antonio Martorelli e Patrícia Santos Maciel de Oliveira.

De acordo com a denúncia do MPF, o núcleo principal da quadrilha era operada pelos irmãos Vieira. Rosemary, responsável por indicar Paulo e Rubens para as agências reguladoras, atuava como operadora de tráfico de influência.

Na denúncia, o MPF diz ter identificado cinco episódios que envolvem favores, vantagens solicitadas, cobradas ou recebidas por Paulo Vieira a Rosemary. São descritas ainda 27 situações nas quais Rosemary pediu favores, cobrou ou recebeu vantagens dos irmãos Vieira.

A denúncia é assinada pelos procuradores da República Suzana Fairbanks Oliveira, Roberto Antonio Dossiê Diana e Calos Renato Silva e Souza.

Enviado em Cyonil Borges, Gilberto Miranda, José Weber Holanda Alves, Marcelo Rodrigues Vieira, Marco Antonio Martorelli, Operação Porto Seguro, Patrícia Santos Maciel de Oliveira, Paulo Rodrigues Vieira, Rosemary Nóvoa de Noronha, Rubens Carlos Vieira, Valdemar Costa Neto | 80 Comentários »

AeroAlckmin

Publicado por Pax em 11/12/2012

As aeronaves públicas, federais, estaduais e municipais, são objetos de desejo dos patrimonialistas de plantão. Quase ninguém escapa.

A notícia de hoje é que um helicóptero do governo do Estado de São Paulo serviu para transportar entes queridos do governador Geraldo Alckmin enquanto o povo paulista enfrenta engarrafamentos e paga não só a aeronave utilizada como pedágios estratosféricos que nunca podem ser devidamente investigados.

Alckmin utiliza helicóptero oficial para buscar família

Tucano foi do Bandeirantes a Guarulhos em aparelho do Estado encontrar filho, nora e netos; governo afirma que voo é permitido

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), usou um helicóptero do governo do Estado para buscar o filho, a nora e os dois netos no Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos, na sexta-feira. O tucano não tinha compromisso oficial no local naquele dia.

O helicóptero Sikorsky, modelo S-76 A, matrícula PP-EPF, de propriedade do Estado de São Paulo, partiu no fim da manhã do Palácio dos Bandeirantes rumo ao aeroporto de Guarulhos. Lá, a aeronave teve autorização para pousar no pátio 6, chamado de pátio vip do aeroporto.

O governador e a primeira-dama, Lu Alckmin, foram então ao encontro da família, que vive no México. Depois de aguardarem os trâmites de alfândega e imigração, voltaram todos para o Palácio dos Bandeirantes. As fotos no aeroporto e no helicóptero foram postadas no Instagram (aplicativo de fotos usado em celulares e que funciona como uma rede social) da primeira-dama, que é aberto para o público. (continua no Estadão…)

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Marcos Valério acusa Lula

Publicado por Pax em 11/12/2012

Em 24 de setembro passado Marcos Valério foi a Procuradoria-Geral da República tentar reduzir sua condenação no julgamento do mensalão petista. Tem pena de mais de 40 anos de prisão para cumprir.

Neste depoimento acusa Lula e integrantes do PT de crimes que precisam ser esclarecidos.

Lula deu ‘ok’ a empréstimos do mensalão e recebeu de esquema, diz Valério

Novas acusações fazem parte de depoimento prestado por empresário mineiro à Procuradoria-Geral da República em 24 de setembro, dias após ser condenado pelo STF

Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse no depoimento prestado em setembro à Procuradoria-Geral da República que o esquema do mensalão ajudou a bancar “despesas pessoais” de Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio a uma série de acusações, também afirmou que o ex-presidente deu “ok”, em reunião dentro do Palácio do Planalto, para os empréstimos bancários que viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada.

Valério ainda afirmou que Lula atuou a fim de obter dinheiro da Portugal Telecom para o PT. Disse que seus advogados são pagos pelo partido. Também deu detalhes de uma suposta ameaça de morte que teria recebido de Paulo Okamotto, ex-integrante do governo que hoje dirige o instituto do ex-presidente, além de ter relatado a montagem de uma suposta “blindagem” de petistas contra denúncias de corrupção em Santo André na gestão Celso Daniel. Por fim, acusou outros políticos de terem sido beneficiados pelo chamado valerioduto, entre eles o senador Humberto Costa (PT-PE).

A existência do depoimento com novas acusações do empresário mineiro foi revelada pelo Estado em 1.º de novembro. Após ser condenado pelo Supremo como o “operador” do mensalão, Valério procurou voluntariamente a Procuradoria-Geral da República. Queria, em troca do novo depoimento e de mais informações de que ainda afirma dispor , obter proteção e redução de sua pena. A oitiva ocorreu no dia 24 de setembro em Brasília – começou às 9h30 e terminou três horas e meia depois; 13 páginas foram preenchidas com as declarações do empresário, cujos detalhes eram mantidos em segredo até agora. (continua no Estadão…)

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Confusão constitucional

Publicado por Pax em 11/12/2012

Nossa Constituição precisa de uma revisão sobre o aspecto específico de perda de mandato para deputados federais e senadores. Há artigos que se chocam. Um diz que o STF determina e outro que somente a casa do condenado, Câmara ou Senado, pode tomar esta decisão.

No conflito dos artigos uma eventual e desnecessária saia justa entre o STF e a Câmara pode se instaurar na quarta feira, quando provavelmente o STF reafirmará que pode interromper mandatos do Congresso.

E mais uma vez observamos comportamentos inadequados da parte desequilibrada da imprensa jogando gasolina numa crise que pouco importa. Muito mais simples seria uma pequena correção em nossa Constituição.

Alguns jornalistas precisam exercer seus papéis de palhaços para que seus públicos infantilizados sustentem o dono do circo.

STF fica empatado sobre cassação de deputados; decisão sairá na quarta

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – A questão da perda de mandato de parlamentares condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, será definida apenas na próxima quarta-feira (12). O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, suspendeu a sessão de hoje (10) quando o placar estava em 4 a 4, restando apenas as considerações do ministro Celso de Mello.

Mesmo sem o voto computado oficialmente, Mello já sinalizou nas últimas duas sessões que deverá acompanhar o entendimento de Barbosa. Para o relator, a perda do mandato deve ser decretada judicialmente pelo STF, e ao Congresso Nacional cabe apenas ratificar a determinação.

A Corte analisa a situação dos deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, disse que o STF não poderia interferir na questão política do mandato, e que caso isso ocorresse, a Casa iria estudar qual decisão tomar.

A questão é polêmica porque a Constituição Federal tem dois comandos sobre o assunto. O primeiro diz que a condenação em ação criminal é hipótese para suspensão de direitos políticos. O segundo abre exceção no caso de parlamentares, atestando que somente as respectivas Casas Legislativas podem decretar a perda de mandato após processo interno específico.

A discussão começou no STF na última quinta-feira (6), com os votos de Joaquim Barbosa, e do revisor da ação penal, ministro Ricardo Lewandowski. Eles apresentaram votos opostos: enquanto Barbosa defende a perda de mandato imediata por condenação criminal, Lewandowski argumentou que a intervenção política não cabe ao STF.

Até agora, votaram com Barbosa os ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello. Para o grupo, não é possível que um réu preso possa exercer mandato parlamentar normalmente. Também foi lançado o argumento de que a decisão do STF tem eficácia imediata e não pode ser submetida à análise política do Legislativo.

Já Lewandowski foi seguido pelos ministros Rosa Weber, Antonio Dias Toffoli e Cármen Lúcia. Para eles, o mandato foi concedido ao parlamentar pelo povo, e que somente os representantes eleitos podem tomá-lo. Também dizem que não defendem a impunidade, mas apenas que é o Congresso Nacional quem deve dar a palavra final sobre o assunto.

Em relação a João Paulo Cunha, o placar pela perda de mandato ainda ganhou a adesão do ministro Cezar Peluso. Ele se aposentou no final de agosto ao completar 70 anos e deixou o voto por escrito somente para o parlamentar, pois não teve tempo de julgar os outros dois na mesma situação. O sentido do voto foi colocado em dúvida por Lewandowski, para quem não está claro que a adesão é imediata à corrente de Barbosa.

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Nosso modelo republicano

Publicado por Pax em 09/12/2012

Esta semana teremos na pauta nacional o relatório da CPMI do Cachoeira, as definições finais no julgamento do mensalão petista, a Operação Porto Seguro e o encaminhamento sobre os royalties do pretróleo. Afora a esquecida discussão sobre regulação para que não tenhamos impunidade na mídia quando ela se torna criminosa.

Três dos principais assuntos em questão estão diretamente envolvidos com corrupção, crimes contra o povo. O quarto quase chega lá. E o último também.

Já faz um tempo que o Brasil vive esta pauta de escândalos de todos os partidos. Corrupção é unanimidade nacional. Todos reclamam para si o papel de mais limpos e as oportunidades para aventureiros – salvadores da pátria criados e produzidos para o imaginário popular – estão sempre presentes. Sem excluir culpas de quem quer que seja, ao centro de tudo vemos uma velharia política que permanece forte e determinante.

Alguns exemplos nos confirmam que tais salvadores não só inexistem como usualmente produzem efeitos absolutamente nocivos quando a imprensa ultrapassa certas barreiras naturais de investigação e informação atuando como força política pouco saudável. Basta lembrarmos do último presidente expulso do Planalto e de outros exemplos recentes como a gênese do modelo de desvios através das empresas de marketing de Marcos Valério, o mal encaminhado e atrasado julgamento do mensalão tucano em MG, conduzido por Eduardo Azeredo (segundo o Ministério Público), a fartura de imagens do governo Arruda no DF, à época do DEM, com políticos enfiando dinheiro em bolsas, meias, paletós e orando em agradecimento pelos desvios conquistados. Nossa memória nem consegue manter a lista atualizada de tantos escândalos que produzimos cotidianamente.

Precisamos recordar de Antonio Carlos Magalhães nos palanques de Fernando Henrique Cardoso, de José Sarney induzindo Lula a uma de suas maiores gafes morais (“não pode ser julgado como uma pessoa qualquer”) para que entendamos o modelo republicano que desagrada, que chega a enojar.

Os velhos coronéis continuam ditando rumos e preservando o patrimonialismo geral que assalta o dinheiro público. Seus interesses se sobrepõem aos interesses dos reais donos do país, os cidadãos que pagam impostos e sustentam esta máquina e modelo que pesam e cobram demais.

Hoje em dia a mídia, também forjada neste meio de cultura, comete mais um de seus crimes contra a nação criando heróis do Judiciário. Chega ao ponto de provocar a nação para uma eventual candidatura presidencial de Joaquim Barbosa, elevado ao panteão dos salvadores nacionais. A sociedade é enganável neste aspecto. Já foi e pode ser novamente ultrajada. Não há aqui questionamento sobre o resultado deste julgamento histórico e o comportamento de seu plenário, mas um alerta para que não queiramos que um dos poderes seja induzido a resolver a equação republicana como um todo. O que devemos exigir é que o mesmo tratamento deste caso seja imediatamente aplicado nos atrasados casos passados, para que o Judiciário, ele próprio, não crie a situação de se tornar réu da acusação de fazer justiça dirigida e seletiva.

De outro lado seria injusto não reconhecer avanços, conquistas destas poucas décadas que vivenciamos o estado democrático. As liberdades fundamentais estão asseguradas, temos um modelo político-econômico-financeiro mais responsável que a grande maioria das nações em crise, reduzimos um bocado a miséria e atingimos o patamar das maiores economias do planeta.

Foram acertos, erros e correções que nos trouxeram até aqui. Mas temos que admitir que o modelo impele a tantos erros e desvios que o custo se torna insuportável e nos obriga repensar nosso modelo republicano. Na verdade exige este exercício.

Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma não são coronéis patrimonialistas. Em suas essências estão léguas de distância de personalidades venais. Mas infelizmente foram fracos, não conseguiram mudar o modelo. Precisaram render-se aos caprichos do coronelato e de máfias infiltradas na máquina estatal, muitas vezes travestidas em partidos que se vendem ao maior preço. E é este o modelo que atrapalha, que atrasa, que freia e dificulta um desenvolvimento mais fácil, mais rápido e, como resultado final, uma sociedade mais justa, onde as oportunidades estariam melhor resolvidas e distribuídas para todos.

Que a CPMI do Cachoeira produza todos os inquéritos necessários. Queremos saber se a imprensa passou dos limites à além dos crimes apontados para figurões como Demóstenes Torres, Marconi Perillo, Fernando Cavendish e o bicheiro-mafioso preso novamente.

Pedindo vênia ao presidente Joaquim Barbosa, não há pressa alguma para terminar o julgamento do mensalão petista. Há, sim, a exigência que seus juízos condenatórios e penas aplicadas sejam consistentes, que assegurem a Constituição e nossos códigos processuais e que tenhamos garantidos todos os direitos dos réus, quaisquer que sejam eles.

A operação Porto Seguro aponta um gravíssimo aparelhamento das Agências Regulatórias e outros órgãos federais e esta infiltração de criminosos produz parte significativa da insatisfação nacional. Da saúde a necessária infraestrutura de estradas, portos e aeroportos, as comunicações, etc., estas agências demonstram que precisam de investigações profundas e outra solução que melhore suas eficácias. Basta nos focarmos na atuação de Valdemar da Costa Neto nos portos nacionais para entendermos quanto precisamos mudar.

A questão sobre a regulação da mídia não pode ser escanteada e a CPMI do Cachoeira indica que devemos expor esta pauta à discussão nacional. Criminosos da imprensa não podem se tornar inimputáveis.

Por fim o Congresso, o mais desgastado dos poderes republicanos, precisa referendar a excelente decisão de Dilma Rouseff que propõe que os novos contratos da exploração do nosso petróleo produzam riqueza destina à Educação.

Teremos uma semana importante à frente. Porém esta pauta desvia a atenção sobre necessárias reformas estruturais no nosso modelo republicano. Impossível que todos estes escândalos deixem tranquilas as consciências sabendo que as reformas política, eleitoral, tributária, etc estão relegadas ao segundo plano.

Dilma Rousseff tem conseguido sobreviver nesta selva. Há fortes indícios que não pertence e não aceita o conjunto de malfeitores que impregnam a máquina. Ao mesmo tempo parece não ter força para conduzir as reformas mais que necessárias. O modelo republicano que precisa ser alterado parece tê-la capturado, infelizmente.

Não há heróis à vista, não existem salvadores da pátria, caçadores de marajás e juízes que resolverão nossas vidas e nosso futuro.

A solução possível está nas mãos corretas. Na sociedade. O alento é que as urnas continuam soberanas. E a imprensa, neste aspecto, e que me desculpem os amigos profissionais da área, está longe de conseguir ajudar na pauta mais que necessária.

Enviado em CPI do Cachoeira, Mensalão DEM, Mensalão PSDB, Mensalão PT, Operação Porto Seguro, Opinião pessoal | 66 Comentários »

Descrédito das instituições e oportunismo da imprensa

Publicado por Pax em 06/12/2012

Em pouco menos de duas semanas tivemos duas versões sobre eventuais ligações telefônicas entre Lula e Rosemary grampeadas pela Operação Porto Seguro. A imprensa noticiou que houve 122 conversas entre os protagonistas e o ministro da Justiça afirma que Rosemary não teve ligações monitoradas.

Onde reside a verdade?

Este é um dos múltiplos exemplos que podemos trazer à discussão sobre a credibilidade das nossas instituições e o oportunismo perigoso de uma imprensa populista que não quer se controlar. Neste caso das tais ligações não sabemos a verdade. Não é uma questão de opinião, é bem mais simples: houve ou não houve grampos nos telefones de Rosemary Nóvoa de Noronha durante a Operação Porto Seguro?

O pano de fundo nos leva à reflexão sobre a credibilidade que a sociedade tem nas instituições fundamentais do Estado, o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e o papel que a imprensa exerce no contexto geral.

Neste momento vale observar o atual cenário inglês que discute abertamente a questão sobre regulamentação da mídia a partir de um evento de inacreditável atuação criminosa da imprensa local. Em julho do ano passado o jornal The Guardian acusou corretamente o tablóide News of the World de ter invadido o celular da menina assassinada Milly Dowler de 13 anos e emitido mensagens por seu aparelho que enganaram sua família e a própria polícia. Depois descobriu-se que o jornal criminoso mantinha em sua folha de pagamento investigador que invadia ilegamente a intimidade de vítimas de crimes e de famosos suspeitos de adultério.

Tudo pela notícia canalha que traz a audiência que paga suas contas.

O tablóide foi fechado, várias pessoas presas, autoridades de vários escalões apontadas em relações para lá de suspeitas e a imprensa britânica passa por enorme discussão se deve ou não ser regulamentada, controlada e, principalmente, por quem. Esta discussão está pautada pelo relatório do Inquérito Leveson conduzida pelo juiz que batizou o que hoje se discute mundo afora.

No Brasil o resultado deste inquérito e a discussão sobre tal relatório foi fracamente divulgado pela imprensa tupiniquim. Somente o Observatório da Imprensa deu a devida importância sobre o tema: quem controla e quem deve controlar o quarto poder?

O juiz inglês Leveson chega à conclusão que a única solução possível é a auto-regulação da mídia. As próprias empresas devem estabelecer seus códigos de conduta e se fiscalizar. A discussão está posta. New York Times discorda, a maioria dos jornais ingleses concorda e no Brasil a discussão está colocada a escanteio. Excetua-se o já mencionado Observatório da Imprensa.

Quem hoje tenta pautar o assunto é o PT. Justamente o PT que reclama a divulgação e acusa o Judiciário de ser influenciado pela mídia quando seus líderes são condenados por crimes de corrupção. Não há momento mais impróprio para o partido empunhar esta bandeira, esta pauta. Antes de mais nada precisa explicar o inexplicável. Como o partido que pregava a moral e ética como fundamentos para uma boa governabilidade hoje se envolve em tantos escândalos?

Independente do PT a discussão é boa, necessária.

No julgamento da Ação Penal 470 vimos um exagero de referências dos ministros da nossa Suprema Corte sobre o noticiário geral. Até aqui poderíamos somente ficar com as orelhas atentas. Julgamentos não devem satisfazer a opinião pública, mas obedecer a legislação vigente. E onde se discute a legislação é no Legislativo e não no Judiciário. Mas os links se sucederam até a última entrevista de um dos mais novos ministros relatando não só sua vaidade como o calvário perseguido para sua indicação à uma das cadeiras do plenário mais importante da nossa Justiça.

Começamos a chegar perto de uma conclusão.

A imprensa livre é melhor que qualquer outra opção. Mesmo a imprensa criminosa, protegida por um corporativismo atávico de seus membros e por uma legislação fraca, é melhor que esteja livre que qualquer opção de controle estatal, governamental. Já vivenciamos imprensa censurada. Aqui e alhures os exemplos cansam de nos mostrar que este caminho é o sepultamento de qualquer democracia.

De outro lado nossas leis sobre a direito de resposta, difamação, injúria, etc são muito mal aplicadas. Aqui podemos e devemos pensar em como melhorar. Como endurecer crimes cometidos por uma imprensa irresponsável e, em instância ainda mais perigosa, uma imprensa criminosa?

Basta nos lembrarmos do caso Escola Base e da complacente pena imposta aos jornais que difamaram os empresários e o pobre motorista que transportava as crianças. Uma vergonha que pesa para nossa Justiça e um crime jornalístico que não pode ser esquecido.

O relatório Levenson está em discussão mundo afora. E aqui?

Na Inglaterra discute-se alguma auto-regulação que funcione. A mídia deve inventar uma forma de controlar erros da própria mídia. Nada à além disso seria aceitável se não quiserem derrubar as liberdades fundamentais. Tudo que existe por lá não funciona. Os dois organismos ingleses de hoje jamais aplicaram qualquer censura ou pena para quem quer que seja.

Segundo a proposta de Leveson, não há outra solução senão manter dois pontos básicos como premissas, cláusulas pétras:

(a) continuar a imprensa livre, absolutamente livre e;

(b) que ela mesmo implante uma forma de inibir que seu poder seja criminoso.

Aqui podemos juntas os cacos e perguntar: houve ou não grampos nos telefones de Rosemary? Se é uma invenção da imprensa, que tal cobrar caro este seu erro ou crime? Caso contrário, quem sabe uma boa CPMI não seja mesmo necessária?

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Úbere fora do Planalto

Publicado por Pax em 04/12/2012

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, diz que o úbere onde os bebês de Rosemary se alimentam não se encontra na atual administração do Palácio do Planalto.

Os gulosos irmãos Vieira, que segundo informações do noticiário podem ser os chefes da bandidagem que atuava em diversos interesses, muitos deles no Porto de Santos, não recebem qualquer guarida da equipe presidencial, segundo Cardozo. E parece que Dilma não tolera esse tipo de funcionário público.

Difícil será a tarefa de garimpar dentre os 22 mil cargos de confiança outros similares aos Vieira.

Melhor começar logo antes que outros escândalos entrem na pauta eleitoral de 2014. A oposição não tem mais nada a apresentar e tudo indica que exercerá seu legítimo direito de procurar a única bandeira que tem a oferecer: a desconstrução do governo PT pelos escândalos de corrupção.

Investigação não indica que quadrilha tenha atuado “no seio” da Presidência, diz Cardozo

Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o inquérito da Polícia Federal relativo à Operação Porto Seguro não aponta para atuação da quadrilha investigada “no seio” da Presidência da República, mas disse que entende que o fato esteja sendo usado politicamente pela oposição.

“Não é resultado da investigação que a quadrilha esteja no seio da Presidência da República. Claro que no campo político acabe sendo colocado [argumentado]”, disse Cardozo durante audiência pública na Câmara dos Deputados.

Ele acrescentou que a decisão da presidenta Dilma Rousseff de exonerar os envolvidos dos cargos públicos foi tomada após uma conversa entre os dois. “Quando reportei o resultado [da operação] a Dilma, apresentei minha opinião pessoal, mas não cabe aqui apresentá-la para não cometer prejulgamentos. O fato é que, no dia seguinte, ela exonerou todos os indiciados pela Polícia Federal”, disse o ministro.

A presidenta determinou também que a Advocacia-Geral da União (AGU) fizesse uma análise de todos os pareceres feitos pelo ex-advogado-geral adjunto José Weber Holanda Alves que pudessem estar sob suspeita. “Ela [Dilma] não tem a menor complacência com essas pessoas”, acrescentou. Cardozo acrescentou que não existe qualquer interceptação telefônica envolvendo o ex-presidente Lula com a então chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha.

“Há critérios técnicos para fazer interceptações telefônicas. Elas não existem para apurar a vida das pessoas, mas para cumprir objetivos claros e para pegar situações em curso”, disse o ministro. Como, segundo ele, não houve decisões judiciais nesse sentido, “não há diálogos gravados entre ela e terceiros”, disse.

O superintendente da Polícia Federal de São Paulo, Roberto Troncon, confirmou que essas gravações não foram feitas. “Não grampeamos porque não havia justa causa nem motivo plausível para isso. Caso houvesse [justificativa para as interceptações], certamente o Ministério Público teria se manifestado”, disse o delegado.

Para o ministro da Justiça, a Operação Porto Seguro só foi possível graças à determinação do governo em dar autonomia à Polícia Federal.

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Últimas penas

Publicado por Pax em 28/11/2012

O STF concluiu a fase de definição das penas para os réus considerados culpados no julgamento da Ação Penal 470, vulgo mensalão do PT.

João Paulo Cunha, do PT e ex-presidente da Câmara, pegou nove anos e quatro meses. Prisão. Roberto Jefferson, o delator, do PTB, pegou sete anos e quatorze dias. Regine semiaberto.

No final da sessão houve um pequeno desentendimento entre os ministros. O presidente, Joaquim Barbosa, após certa deselegância com os pares, aceitou questão de ordem que acabou por acatar sua posição que a dosimetria de João Paulo Cunha independia de quorum superior a cinco ministros para sua definição.

Semana que vem o STF precisa definir se os réus condenados e atualmente ocupando cargos eletivos perdem ou não seu mandato. Assunto delicado e ambíguo na própria Constituição.

João Paulo Cunha pega mais de nove anos de prisão; STF encerra fixação das penas

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), um dos réus da Ação Penal 470, o processo do mensalão, foi condenado hoje (28) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à pena de nove anos e quatro meses de prisão, além de R$ 360 mil de multa em valores não atualizados. Caso não haja reajuste, o regime inicial de cumprimento deve ser o fechado. Com o resultado, o STF concluiu a fase de dosimetria das penas dos 25 réus condenados.

Para o crime de corrupção passiva, prevaleceu a pena de três anos de prisão, além de 50 dias-multa de dez salários mínimos na época dos fatos. Em relação ao crime de peculato, a pena fixada foi três anos e quatro anos meses de prisão, com os mesmos 50 dias-multa de dez salários mínimos cada.

Uma questão de ordem trazida pelo advogado Alberto Toron, que defende Cunha, provocou longa discussão em plenário. No crime de lavagem de dinheiro, o deputado federal foi condenado por 6 votos a 5, mas o ministro Carlos Ayres Britto não deixou seu voto por escrito com a pena. Por isso, apenas cinco ministros fixariam a pena do parlamentar para esse crime.

Com a aposentadoria de Britto no dia 18 de novembro, o plenário ficou com cinco ministros que condenaram o parlamentar e cinco que o absolveram. Para o ministro Marco Aurélio Mello, não era possível a fixação da pena se o plenário estava empatado. O ministro entende que, como não deixou a pena, o voto de Britto ficou incompleto e deve ser anulado. Joaquim Barbosa, relator da ação, argumentou que seria “esdrúxula” a situação de que, com a condenação configurada, o réu ficasse sem pena, ou ainda que o voto de Britto fosse desconsiderado.

Toron chegou a propor que a Corte esperasse a chegada do novo ministro, Teori Zavascki, que toma posse amanhã (29). A proposta foi rejeitada, pois os ministros entenderam que um juiz não pode complementar o voto de outro.

Barbosa queria resolver a questão individualmente, o que provocou grande discussão no plenário. Ele alegou que o questionamento sobre quórum já foi trazido ao plenário em situações anteriores. No primeiro caso, a Corte entendeu que só define pena quem votou pela condenação. No segundo caso, os ministros definiram que cinco votos eram suficientes para condenar o ex-deputado Pedro Corrêa por formação de quadrilha. O debate só terminou quando o assunto foi posto em votação.

Por maioria, a questão de ordem foi derrubada, com fixação de pena de três anos de prisão para o crime de lavagem de dinheiro. A multa também é 50 dias-multa de dez salários mínimos cada.

A Corte decidiu cancelar a sessão da próxima segunda-feira (3) para que os ministros tenham mais tempo para analisar questões residuais importantes do julgamento. A principal é a responsabilidade pela decretação de perda de mandato parlamentar – se do STF ou da Câmara dos Deputados. A próxima sessão será na próxima quarta-feira, no dia 5 de dezembro, pois amanhã (29) haverá posse do ministro Teori Zavascki.

Confira as penas fixadas para João Paulo Cunha (deputado federal):

1) Corrupção passiva: três anos + 50 dias-multa de dez salários mínimos cada

2) Peculato: três anos e quatro meses de prisão + 50 dias-multa de dez salários mínimos cada

3) Lavagem de dinheiro: três anos de prisão + 50 dias-multa de dez salários mínimos cada

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Baixo clero solto. Dura Lex?

Publicado por Pax em 27/11/2012

A Operação Porto Seguro abafou o noticiário da dosimetria das penas dos membros dos “partidos de aluguel” na Ação Penal 470, vulgo Mensalão Petista. O novo escândalo tomou a pauta da imprensa que deixou em branco uma questão que mereceria maior destaque: o baixo clero do nosso Congresso sai pela porta da frente neste julgamento.

Valdemar da Costa Neto passará o carnaval no semiaberto. Já deve ter planos para o foguetório. Idem para Pedro Henry, Romeu Queiroz, Bispo Rodrigues e José Borba. Somente o ex-deputado Pedro Corrêa foi contemplado com regime fechado.

O baixo clero que, segundo todo o processo, vota a favor de quem pagar melhor, terá um fim de ano festivo.

Data maxima venia.

Valdemar Costa Neto é condenado a sete anos e dez meses de prisão

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) foi condenado hoje (26) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a sete anos e dez meses de prisão e multa que passa de R$ 1 milhão em valores não atualizados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Como a pena está entre quatro e oito anos, deve ser cumprida inicialmente em regime semiaberto.

A condenação para corrupção passiva foi fixada por placar apertado de 5 votos a 4. A maioria seguiu a pena proposta por Ricardo Lewandowski – de dois anos e seis meses de prisão -, mas vários ministros protestaram alegando que o papel de Costa Neto no esquema era de liderança e merecia pena maior, como a proposta pelo relator Joaquim Barbosa, de quatro anos e um mês de prisão. Apenas a pena pecuniária de Barbosa prevaleceu: 190 dias-multa de dez salários mínimos cada.

A pena de corrupção de Costa Neto acabou ficando menor em comparação à do então deputado federal Bispo Rodrigues (PL-RJ), que tinha participação considerada menor e recebeu três anos. Isso ocorreu porque na primeira vez que Costa Neto aceitou receber vantagem indevida a lei em vigor era mais branda, com faixa de punição entre um e oito anos. Quando Rodrigues aceitou propina, a faixa de punição já era entre dois e 12 anos de prisão..

A defesa de Costa Neto assumiu a tribuna para pedir a redução da pena alegando que o parlamentar confessou ter recebido os repasses, inclusive revelando valores que não foram apurados pelo Ministério Público.

A maioria dos ministros rejeitou a tese, alegando que Costa Neto não confessou o crime, mas disse que recebeu dinheiro como acordo entre os partidos. O único a aderir à tese da defesa foi Marco Aurélio Mello, para quem basta admitir o fato que deu origem ao crime para a redução da pena ser aplicada, uma vez que fica mais fácil apurar o que ocorreu. “Para que se tenha essa elucidação [dos fatos], basta que se veicule dados sobre a prática”, argumentou.

Em relação ao crime de lavagem de dinheiro, também prevaleceu a pena proposta por Lewandowski, de cinco anos e quatro meses de prisão, além da pena pecuniária de Barbosa, de 260 dias-multa. A pena de Costa Neto foi agravada em relação ao mínimo legal (de três anos) porque ele fez várias operações e desenvolveu um sistema especial de recebimento por meio da empresa Guaranhuns.

Costa Neto também foi denunciado por formação de quadrilha devido à atuação em conjunto com representantes da empresa Guaranhuns, mas a pena foi excluída porque houve empate no plenário sobre a responsabilização do réu.

Os ministros ainda não decidiram como irão se posicionar sobre o pedido de perda de mandato parlamentar. A questão está provocando polêmica entre os dois Poderes (Judiciário e Legislativo), pois há dúvidas se a determinação deve ser do STF ou se cabe apenas à Câmara dos Deputados. O intervalo de 30 minutos foi convocado em seguida, e há chance de que a dosimetria termine ainda hoje, pois restam apenas cinco réus para terem a pena fixada.

Confira as penas fixadas para o réu Valdemar Costa Neto (deputado federal):

1) Corrupção passiva: dois anos e seis meses de prisão + 190 dias-multa de dez salários mínimos cada
2) Lavagem de dinheiro: cinco anos e quatro meses de prisão + 260 dias-multa de dez salários mínimos cada

Leia também:

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Mensalão: ex-deputado Romeu Queiroz deve cumprir regime semiaberto

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Operação Porto Seguro: Os bebês de Rosemary

Publicado por Pax em 24/11/2012

A presidente Dilma mandou exorcizar rapidamente os bebês de Rosemary.

Presidência determina exoneração de indiciados na Operação Porto Seguro

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Todos os servidores indiciados na Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal, serão afastados ou exonerados de suas funções, conforme nota oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgada hoje (24). A determinação da presidenta Dilma Rousseff também inclui o afastamento dos diretores de agência envolvidos na investigação e a abertura de processos disciplinares.

O Palácio do Planalto confirmou a exoneração da chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha. Dentre os investigados também estão José Weber Holanda Alves, adjunto do advogado-geral da União, e Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional das Águas.

A decisão foi anunciada após reunião no Palácio da Alvorada entre a presidenta Dilma Rousseff; a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; a ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas; a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti; e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

A Presidência determinou ainda que todos os órgãos citados no inquérito abram processo de sindicância. São eles: Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antac), Advocacia-Geral da União, Secretaria do Patrimônio da União (SPU), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Educação (MEC).

Em nota oficial, a Secretaria de Aviação Civil, informou que o ministro Wagner Bittencourt solicitou o afastamento imediato de Rubens Carlos Vieira do cargo de diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Anac e a abertura de processo administrativo.

Ontem (23), a PF prendeu seis pessoas acusadas de participar de organização criminosa que funcionava infiltrada em órgãos federais para favorecer interesses privados na tramitação de processos. As prisões foram efetuadas em São Paulo, Santos e Brasília. Foram presos em Brasília dois servidores públicos e um advogado, além de dois advogados em Santos e um empresário na capital paulista. Ao todo, 18 pessoas foram indiciadas.

Leia a íntegra da nota da Secretaria de Comunicação da Presidência da República:

Por determinação da Presidência da República, todos os servidores indiciados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal serão afastados ou exonerados de suas funções. Todos os órgãos citados no inquérito deverão abrir processo de sindicância. No que se refere aos diretores das Agências, foi determinado o afastamento, com abertura do processo disciplinar respectivo.

Leia mais:

PF desarticula organização criminosa infiltrada em órgãos federais

PF prende seis em operação contra grupo criminoso infiltrado em órgãos federais

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CPMI: Perillo recebeu R$ 1 milhão de Cachoeira

Publicado por Pax em 22/11/2012

Em 17 de maio passado o deputado Cândido Vaccarezza reforçou a tese da oposição que a CPMI era uma vingança de Lula sobre o mensalão. Num inacreditável e imperdoável vacilo colocou em seu Twitter a frase que deixa marcada sua biografia, escrevendo para o governador Sérgio Cabral: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu”.

Em outras palavras, ou, numa livre interpretação, avisava o governador carioca que ele estaria blindado pela base aliada, maioria na CPMI. Suas relações “íntimas” com Fernando Cavendish, então presidente da Delta, não seriam devidamente investigadas. O foco era outro. O foco estava em Goiás. No governo de Goiás. Segundo rege o noticiário, Marconi Perillo avisara Lula dos descaminhos agora julgados no mensalão do PT, na Ação Penal 470, e este teria marcado Perillo como alvo político. A vingança chegaria e seria degustada como se deve, num prato frio.

O tucano de alta plumagem Perillo deve mesmo uma série de explicações. Também estava envolvido com Carlinhos Cachoeira, segundo o relatório final da CPMI.

Demóstenes Torres, antigo vestal do DEM, caiu. Era da patota do bicheiro-mafioso de Goiás. Perillo se complica. Cabral, segundo a CPMI, não precisa se preocupar, como havia anunciado o trapalhão Vaccarezza em 17 de maio.

Por mais desmoralizada que esteja esta comissão parlamentar, o que se nota, se ratifica, é que nossa política continua como sempre, agora com novos jogadores graúdos, conforme as condenações da Ação Penal 470.

O verbete “realpolitik” precisa ser atualizado na Wikipédia. Lá diz que o termo é freqüentemente utilizado pejorativamente, indicando tipos de política que são coercitivas, imorais ou maquiavélicas.

No Brasil precisa acrescentar o sentido de corrupto mesmo.

CPI afirma que Marconi Perillo recebeu R$ 1 milhão de Cachoeira

Localização dos celulares usados pela quadrilha do bicheiro aponta que parte do dinheiro foi entregue na chácara do governador, em Goiás

MURILO RAMOS E MARCELO ROCHA – Revista Época

Em 13 de julho, ÉPOCA publicou reportagem sobre o envolvimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com a organização criminosa chefiada por Carlinhos Cachoeira. Com base em informações da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal, a reportagem mostrou que Perillo assumiu um “compromisso”, por intermédio de Cachoeira, para que a construtora Delta recebesse em dia pagamentos pela prestação de serviços ao estado. Em contrapartida, segundo a PF, Perillo exigiu R$ 500 mil da empreiteira. Esse valor foi negociado em meio à venda da casa do governador, num condomínio de luxo de Goiânia, para Cachoeira em março de 2011. Cachoeira pagou R$ 1,4 milhão a Perillo por meio de três cheques emitidos por uma empresa-laranja. Os R$ 500 mil restantes, segundo o relatório final da CPI do Cachoeira, apresentado nessa quarta-feira (21), foram entregues ao governador no dia 11 de junho de 2011. O portador da quantia foi o ex-vereador de Goiânia e braço-direito de Cachoeira, Wladmir Garcêz. Segundo novos dados obtidos pela CPI, e só revelados agora no relatório, Garcez fez a entrega na chácara do governador, localizada no município de Pirenópolis (GO). “O dinheiro foi efetivamente entregue na chácara de Marconi no dia 11.06.11 por Wladmir Garcez, conforme determinado por Carlos Cachoeira”. Segundo a agenda divulgada pela própria assessoria do governador, Perillo estava em Pirenópolis no dia da entrega do dinheiro. (continua na Revista Época…)

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Opiniões sobre a Nota do PT

Publicado por Pax em 15/11/2012

Prezados,

Este espaço se dedica, além da coleção de notícias sobre o tema, ao estímulo à pluralidade de opiniões.

Tenham cuidado com as instituições e seus representantes e evitem agressões desnecessárias e improdutivas.

Este blog não estimula extremismos, muito menos o cerceamento das liberdades. Também não alimenta o desrespeito e a histeria. Já existe à fartura jornalismo profissional de baixa qualidade que sobrevive de seus públicos dedicados à desconstrução democrática. Aqui não é o caso.

Abaixo está a nota que o PT emitiu sobre o julgamento da Ação Penal 470, vulgo mensalão do PT.

O ministro Ayres Brito, infelizmente, deixa o STF. Porém deixa um vácuo em sua passagem ao não indicar quando outros mensalões serão escalados na pauta do Supremo. Este vazio precisa ser preenchido com urgência para que o desequilíbrio não seja razoável argumento crítico à nossa Justiça.

PT E O JULGAMENTO DA AÇÃO PENAL 470

O PT, amparado no princípio da liberdade de expressão, critica e torna pública sua discordância da decisão do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da Ação Penal 470, condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados.

1. O STF não garantiu o amplo direito de defesa

O STF negou aos réus que não tinham direito ao foro especial a possibilidade de recorrer a instâncias inferiores da Justiça. Suprimiu-lhes, portanto, a plenitude do direito de defesa, que é um direito fundamental da cidadania internacionalmente consagrado.

A Constituição estabelece, no artigo 102, que apenas o presidente, o vice-presidente da República, os membros do Congresso Nacional, os próprios ministros do STF e o Procurador Geral da República podem ser processados e julgados exclusivamente pela Suprema Corte. E, também, nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, os comandantes das três Armas, os membros dos Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática em caráter permanente.

Foi por esta razão que o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, logo no início do julgamento, pediu o desmembramento do processo. O que foi negado pelo STF, muito embora tenha decidido em sentido contrário no caso do “mensalão do PSDB” de Minas Gerais.

Ou seja: dois pesos, duas medidas; situações idênticas tratadas desigualmente.

Vale lembrar, finalmente, que em quatro ocasiões recentes, o STF votou pelo desmembramento de processos, para que pessoas sem foro privilegiado fossem julgadas pela primeira instância – todas elas posteriores à decisão de julgar a Ação Penal 470 de uma só vez.

Por isso mesmo, o PT considera legítimo e coerente, do ponto de vista legal, que os réus agora condenados pelo STF recorram a todos os meios jurídicos para se defenderem.

2. O STF deu valor de prova a indícios

Parte do STF decidiu pelas condenações, mesmo não havendo provas no processo. O julgamento não foi isento, de acordo com os autos e à luz das provas. Ao contrário, foi influenciado por um discurso paralelo e desenvolveu-se de forma “pouco ortodoxa” (segundo as palavras de um ministro do STF). Houve flexibilização do uso de provas, transferência do ônus da prova aos réus, presunções, ilações, deduções, inferências e a transformação de indícios em provas.

À falta de elementos objetivos na denúncia, deduções, ilações e conjecturas preencheram as lacunas probatórias – fato grave sobretudo quando se trata de ação penal, que pode condenar pessoas à privação de liberdade. Como se sabe, indícios apontam simplesmente possibilidades, nunca certezas capazes de fundamentar o livre convencimento motivado do julgador. Indícios nada mais são que sugestões, nunca evidências ou provas cabais.

Cabe à acusação apresentar, para se desincumbir de seu ônus processual, provas do que alega e, assim, obter a condenação de quem quer que seja. No caso em questão, imputou-se aos réus a obrigação de provar sua inocência ou comprovar álibis em sua defesa-papel que competiria ao acusador. A Suprema Corte inverteu, portanto, o ônus da prova.

3. O domínio funcional do fato não dispensa provas

O STF deu estatuto legal a uma teoria nascida na Alemanha nazista, em 1939, atualizada em 1963 em plena Guerra Fria e considerada superada por diversos juristas. Segundo esta doutrina, considera-se autor não apenas quem executa um crime, mas quem tem ou poderia ter, devido a sua função, capacidade de decisão sobre sua realização. Isto é, a improbabilidade de desconhecimento do crime seria suficiente para a condenação.

Ao lançarem mão da teoria do domínio funcional do fato, os ministros inferiram que o ex-ministro José Dirceu, pela posição de influência que ocupava, poderia ser condenado, mesmo sem provarem que participou diretamente dos fatos apontados como crimes. Ou que, tendo conhecimento deles, não agiu (ou omitiu-se) para evitar que se consumassem. Expressão-síntese da doutrina foi verbalizada pelo presidente do STF, quando indagou não se o réu tinha conhecimento dos fatos, mas se o réu “tinha como não saber”…

Ao admitir o ato de ofício presumido e adotar a teoria do direito do fato como responsabilidade objetiva, o STF cria um precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito.

Trata-se de uma interpretação da lei moldada unicamente para atender a conveniência de condenar pessoas específicas e, indiretamente, atingir o partido a que estão vinculadas.

4. O risco da insegurança jurídica

As decisões do STF, em muitos pontos, prenunciam o fim do garantismo, o rebaixamento do direito de defesa, do avanço da noção de presunção de culpa em vez de inocência. E, ao inovar que a lavagem de dinheiro independe de crime antecedente, bem como ao concluir que houve compra de votos de parlamentares, o STF instaurou um clima de insegurança jurídica no País.

Pairam dúvidas se o novo paradigma se repetirá em outros julgamentos, ou, ainda, se os juízes de primeira instância e os tribunais seguirão a mesma trilha da Suprema Corte.

Doravante, juízes inescrupulosos, ou vinculados a interesses de qualquer espécie nas comarcas em que atuam poderão valer-se de provas indiciárias ou da teoria do domínio do fato para condenar desafetos ou inimigos políticos de caciques partidários locais.

Quanto à suposta compra de votos, cuja mácula comprometeria até mesmo emendas constitucionais, como as das reformas tributária e previdenciária, já estão em andamento ações diretas de inconstitucionalidade, movidas por sindicatos e pessoas físicas, com o intuito de fulminar as ditas mudanças na Carta Magna.

Ao instaurar-se a insegurança jurídica, não perdem apenas os que foram injustiçados no curso da Ação Penal 470. Perde a sociedade, que fica exposta a casuísmos e decisões de ocasião. Perde, enfim, o próprio Estado Democrático de Direito.

5. O STF fez um julgamento político

Sob intensa pressão da mídia conservadora-cujos veículos cumprem um papel de oposição ao governo e propagam a repulsa de uma certa elite ao PT – ministros do STF confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuiram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes.

Único dos poderes da República cujos integrantes independem do voto popular e detêm mandato vitalício até completarem 70 anos, o Supremo Tribunal Federal – assim como os demais poderes e todos os tribunais daqui e do exterior – faz política. E o fez, claramente, ao julgar a Ação Penal 470.

Fez política ao definir o calendário convenientemente coincidente com as eleições. Fez política ao recusar o desmembramento da ação e ao escolher a teoria do domínio do fato para compensar a escassez de provas.

Contrariamente a sua natureza, de corte constitucional contra-majoritária, o STF, ao deixar-se contaminar pela pressão de certos meios de comunicação e sem distanciar-se do processo político eleitoral, não assegurou-se a necessária isenção que deveria pautar seus julgamentos.

No STF, venceram as posições políticas ideológicas, muito bem representadas pela mídia conservadora neste episódio: a maioria dos ministros transformou delitos eleitorais em delitos de Estado (desvio de dinheiro público e compra de votos).

Embora realizado nos marcos do Estado Democrático de Direito sob o qual vivemos, o julgamento, nitidamente político, desrespeitou garantias constitucionais para retratar processos de corrupção à revelia de provas, condenar os réus e tentar criminalizar o PT. Assim orientado, o julgamento convergiu para produzir dois resultados: condenar os réus, em vários casos sem que houvesse provas nos autos, mas, principalmente, condenar alguns pela “compra de votos” para, desta forma, tentar criminalizar o PT.

Dezenas de testemunhas juramentadas acabaram simplesmente desprezadas. Inúmeras contraprovas não foram sequer objeto de análise. E inúmeras jurisprudências terminaram alteradas para servir aos objetivos da condenação.

Alguns ministros procuraram adequar a realidade à denúncia do Procurador Geral, supostamente por ouvir o chamado clamor da opinião pública, muito embora ele só se fizesse presente na mídia de direita, menos preocupada com a moralidade pública do que em tentar manchar a imagem histórica do governo Lula, como se quisesse matá-lo politicamente. O procurador não escondeu seu viés de parcialidade ao afirmar que seria positivo se o julgamento interferisse no resultado das eleições.

A luta pela Justiça continua

O PT envidará todos os esforços para que a partidarização do Judiciário, evidente no julgamento da Ação Penal 470, seja contida. Erros e ilegalidades que tenham sido cometidos por filiados do partido no âmbito de um sistema eleitoral inconsistente – que o PT luta para transformar através do projeto de reforma política em tramitação no Congresso Nacional – não justificam que o poder político da toga suplante a força da lei e dos poderes que emanam do povo.

Na trajetória do PT, que nasceu lutando pela democracia no Brasil, muitos foram os obstáculos que tivemos de transpor até nos convertermos no partido de maior preferência dos brasileiros. No partido que elegeu um operário duas vezes presidente da República e a primeira mulher como suprema mandatária. Ambos, Lula e Dilma, gozam de ampla aprovação em todos os setores da sociedade, pelas profundas transformações que têm promovido, principalmente nas condições de vida dos mais pobres.

A despeito das campanhas de ódio e preconceito, Lula e Dilma elevaram o Brasil a um novo estágio: 28 milhões de pessoas deixaram a miséria extrema e 40 milhões ascenderam socialmente.

Abriram-se novas oportunidades para todos, o Brasil tornou-se a 6a.economia do mundo e é respeitado internacionalmente, nada mais devendo a ninguém.

Tanto quanto fizemos antes do início do julgamento, o PT reafirma sua convicção de que não houve compra de votos no Congresso Nacional, nem tampouco o pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve, da parte de petistas denunciados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal.

Ao mesmo tempo, reiteramos as resoluções de nosso Congresso Nacional, acerca de erros políticos cometidos coletiva ou individualmente.

É com esta postura equilibrada e serena que o PT não se deixa intimidar pelos que clamam pelo linchamento moral de companheiros injustamente condenados. Nosso partido terá forças para vencer mais este desafio. Continuaremos a lutar por uma profunda reforma do sistema político – o que inclui o financiamento público das campanhas eleitorais – e pela maior democratização do Estado, o que envolve constante disputa popular contra arbitrariedades como as perpetradas no julgamento da Ação Penal 470, em relação às quais não pouparemos esforços para que sejam revistas e corrigidas.

Conclamamos nossa militância a mobilizar-se em defesa do PT e de nossas bandeiras; a tornar o partido cada vez mais democrático e vinculado às lutas sociais. Um partido cada vez mais comprometido com as transformações em favor da igualdade e da liberdade.

São Paulo, 14 de novembro de 2012.

Comissão Executiva Nacional do PT.

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Dirceu e Delúbio devem cumprir prisão. Genoino na semiaberta.

Publicado por Pax em 12/11/2012

Numa sessão onde as surpresas predominaram, Dirceu e Delúbio são condenados a penas que a princípio os levam ao regime fechado. Genoino deve iniciar no semiaberto.

Dirceu é condenado a mais de dez anos de prisão por formação de quadrilha e corrupção ativa

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi condenado a dez anos e dez meses de prisão como resultado do julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão. A pena pode ser alterada até o final do julgamento, conforme alertaram alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas inicialmente deve ser cumprida em regime fechado por ter superado os oito anos.

A fixação das penas de Dirceu não provocou debates mais acalorados porque o ministro-revisor Ricardo Lewandowski, responsável por votos de contraponto com punições mais amenas, não participou desta etapa. Ele não poderia participar porque absolveu Dirceu de todos os crimes da ação penal. Também não participou da votação o ministro Antonio Dias Toffoli, pelo mesmo motivo.

Em relação ao crime de formação de quadrilha, a votação foi unânime para condenar Dirceu a dois anos e 11 meses de prisão, conforme voto apresentado pelo relator Joaquim Barbosa. Já quanto ao crime de corrupção ativa de parlamentares da base aliada, a condenação foi fixada em sete anos e 11 meses de prisão mais 260 dias-multa de dez salários mínimos cada, que somam cerca de R$ 676 mil em valores não atualizados, proposta também pelo relator. Apresentaram pena menor os ministros Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia, que acabaram vencidos.

As penas de Dirceu foram bastante majoradas porque os ministros consideraram que ele teve papel preponderante no esquema, como autor intelectual. A faixa de punição para formação de quadrilha é um a três anos de prisão e a de corrupção ativa é dois a doze anos de prisão. Em relação à corrupção ativa, a pena ainda foi agravada porque o STF entendeu que houve corrupção de nove parlamentares.
Confira as penas fixadas para José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil):
Capítulo 2 – Formação de quadrilha
a) formação de quadrilha: dois anos e 11 meses de prisão

Capítulo 6 – Corrupção de parlamentares
a) corrupção ativa: sete anos e 11 meses de prisão + 260 dias-multa de dez salários mínimos cada (R$ 676 mil)

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Ministro Jorge Hage: Mensalão e os novos paradigmas no Judiciário

Publicado por Pax em 08/11/2012

O Ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União, afirmou que o julgamento da Ação Penal 470, o mensalão petista, será uma “enorme ajuda no combate à corrupção”.

Na sessão de ontem houve novo bate boca entre os ministros e a liturgia anda abalada na Suprema Corte brasileira. Não é o melhor caminho. Os ministros, em especial o relator, precisam encontrar paz de espírito para enfrentar as divergências dos pares que nem são tão grandes a ponto de justificar as discussões que pouco engrandecem o STF.

Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério, já tem pena de quase 26 anos de prisão definida.

Julgamento do mensalão criou novos paradigmas no Judiciário, diz controlador da União

Thais Leitão e Yara Aquino – Repórteres da Agência Brasil

Brasília – O julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, criou novos paradigmas no Poder Judiciário brasileiro, ao inovar em critérios para condenação de réus, mas é preciso esperar para ver se as mudanças decorrentes dele serão ampliadas e atingirão as práticas dos tribunais, permitindo maior celeridade na apreciação dos processos. A avaliação é do ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage.

Segundo Hage, que participou hoje (7) da abertura da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção, se isso ocorrer, principalmente no que diz respeito à rapidez com que a ação penal está sendo julgada, será uma “enorme ajuda para o combate à corrupção”. “Os juízes brasileiros não estavam acostumados com determinadas posturas e orientações que a Suprema Corte assumiu agora”, disse o controlador da União.

No entanto, ainda não se sabe em que medida isso vai se espraiar por todo o Judiciário, com que rapidez vai ocorrer e em que medida se conseguirá alterar a legislação de modo que os processos comuns, que começam no primeiro grau, cheguem ao fim, ressaltou o ministro. “Temos que esperar para ver.” Para ele, o julgamento deste processo reforçou a independência do Judiciário.

Uma das “inovações” citadas por Hage é a validade de provas obtidas na fase pré-processual. “Embora alguns tenham pretendido fechar os olhos a isso, não há como negar que o Supremo [Supremo Tribunal Federal] inovou em uma série de teses, como na do domínio do fato, e em questões que se referem à validade da obtenção de provas na fase pré-processual, isto é, nas investigações policiais ou parlamentares”, ressaltou.

Hage, que é juiz aposentado, disse que mudanças na composição da Corte nos últimos anos, associadas à evolução da sociedade brasileira no debate público sobre a corrupção, podem explicar as inovações observadas, que ainda serão alvo de muitas discussões nos meios jurídicos. “Já ouvi comentários de alguns ex-colegas, juízes, nos seguintes termos: ‘se eu desse uma sentença assim, ela seria reformada no dia seguinte pelo meu tribunal.’”

O ministro enfatizou que o período de sete anos desde o início do julgamento da Ação Penal 470 é recorde no país. Para ele, isso só foi possível por causa do foro privilegiado de alguns dos acusados, que restringiu a apreciação a apenas uma instância. Hage alertou, porém, que a “rapidez” deste julgamento não deve criar ilusões exageradas e defendeu mudanças no sistema processual brasileiro, que considera “um dos piores do mundo”, principalmente por causa das inúmeras possibilidades e variedades de “recursos e de apelos, que nenhum outro país tem”. De acordo com Hage, tal situação “eterniza os processos no Brasil”.

O controlador destacou também o papel da imprensa livre no combate à corrupção: “Ela é tão fundamental quanto órgãos de controle e de investigação”.

Em discurso na abertura da conferência, o ministro disse que a corrupção é um tema desafiador, que exige ações e instrumentos diversificados. Ele ressaltou que o Brasil optou por uma abordagem ampla, “que investe tanto na prevenção, a começar pela transparência e visibilidade das ações de governo, quanto na investigação e nas medidas repressivas.”

O Brasil vem, além disso, implementando todo o instrumental de medidas recomendadas pelas convenções internacionais de que é signatário, como a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, acrescentou.

A Conferência Internacional Anticorrupção é considerada o mais importante evento sobre o tema, reunindo chefes de Estado, representantes de governos e da sociedade civil. O debate ocorre em um país diferente a cada dois anos e conta com a participação de 1,5 mil representantes de mais de 130 países, em média, e é promovido pela organização não governamental (ONG) Transparência Internacional.

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PT: entre espiar e expiar suas culpas

Publicado por Pax em 30/10/2012

Terminadas as eleições municipais e a novela Avenida Brasil, voltamos ao dia-a-dia da nossa política corrupta, já com a cabeça levantada e o olhar no horizonte de 2014.

Mas o povo não pode ficar sem ganhar o pão e sem ver sangue derramado nas areias do Coliseu. Há que se substituir Carminha e Max por novos vilões a quem odiar e Rita e Tufão por quem torcer. Sem esquecer de Adauto, Leleco, Cadinho e suas três esposas entre tantos outros que formavam o melhor do molho servido.

A mídia não é boba. Ruim e tendenciosa sempre foi, mas não é boba. Sabe que o mensalão petista é o que tem de melhor para oferecer no fim deste ano em que não entramos profundamente na crise internacional, mas vamos crescer muito pouco. Não há abundância de pão. Então é melhor oferecer sangue em maior quantidade.

Segundo o noticiário, o PT prepara uma nota, um manifesto em defesa de seus réus do mensalão. Parece que acusarão a pressão da mídia como argumento para as condenações dos ministros do Supremo Tribunal Federal, à além das considerações sobre a garantia dos direitos individuais que exige provas concretas para a condenação dos réus.

Nada mais democrático que o PT exerça seu direito de opinar sobre as críticas dos seus eventuais pecados. Resta saber qual resultado colherá desta nota.

O povo, bravo povo brasileiro, espia as culpas petistas através do noticiário cotidiano do julgamento da Ação Penal 470. A mídia aproveita a audiência, fatura nos reclames publicitários e, de um lado ou de outro, estimula heróis e vilões desta novela brasileira, ou deste imenso bigbrother político.

Carminha, no final da Avenida Brasil, expiou suas culpas, salvou Rita e Tufão dos tiros que lhes matariam e o povo clamou para que o sinal de positivo no polegar do Imperador lhe salvasse da morte esperada.

Tudo indica que Lula, aos poucos, expia suas culpas. Dilma e Haddad deram certo em suas apostas de renovação nos desgastados quadros do partido.

O PT saberá se colocar nesta nota prometida para depois de amanhã? Qualquer grupo dirigente que esteja nos sapatos de revisor desta mensagem deveria se lembrar das cenas finais de Avenida Brasil antes de emiti-la.

Os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski prestam enorme serviço à necessária conscientização que a corrupção da política brasileira precisa ser mitigada. Todos os ministros estão obrigados a justificar seus votos entre duas teses possíveis e bem defendidas. Em nenhum outro momento da história brasileira houve tamanho acompanhamento de um julgamento como agora. O STF, independente de juízos positivos ou negativos de torcidas organizadas, segue seu rumo republicano.

Se há algum reparo a fazer no comportamento da nossa Suprema Corte, neste momento, é a ausência de informações sobre a definição da agenda para o julgamento do mensalão tucano, sem esquecer do julgamento da quadrilha de Arruda no DF. Há que se ter equilíbrio.

PT e PSDB são os melhores partidos brasileiros. Se expiarem suas culpas serão aplaudidos. Caso contrário a sorte estará lançada a eventuais aventureiros.

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Marcos Valério: 40 anos de cadeia

Publicado por Pax em 25/10/2012

Marcos Valério criou, segundo a Procuradoria Geral da República, um modelo de desvios de dinheiro público e privado para atender um dos fundadores do PSDB, ex-governador, ex-senador e hoje deputado federal, Eduardo Azeredo. Este episódio, ainda pendente de julgamento, uma dívida urgente da nossa maior corte de justiça, é chamado de mensalão mineiro.

Segundo o STF este modelo foi adotado pelo PT em 2003 e usado ad nauseam.

No julgamento do mensalão petista de agora, o criminoso Marcos Valério foi condenado, ontem, a mais de 40 anos de prisão e multa de R$ 2,78 milhões. Estas penas podem ser revistas até o final do julgamento. Ou para mais, caso em outros réus chegue-se a conclusão que as penas para o careca mineiro sejam brandas demais, ou, em outra hipótese, abrandadas, caso os ministros entendam que foram pesadas demais.

Os outros réus condenados, neste momento, fazem da lógica desta dosimetria, a simulação de suas penas. Tem gente que já mostra desespero, como Ramon Hollerbach.

Há grande expectativa para as penas que serão imputadas para os ex-dirigentes do PT, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. De um lado oposicionistas nutrem a esperança de vê-los cumprindo alguma pena de restrição de liberdade, de prisão. De outro, petistas chegam a sonhar com indulto presidencial. Melhor aguardar.

STF fixa pena de Marcos Valério em mais de 40 anos de prisão

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O publicitário Marcos Valério, considerado o principal articulador do esquema conhecido como mensalão, pode cumprir pena de 40 anos, um mês e seis dias de prisão, além de pagar multa de cerca de R$ 2,78 milhões. Ele deverá começar a cumprir a pena em regime fechado. Valério foi o primeiro réu cuja fixação de pena foi concluída pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na reta final do julgamento da Ação Penal 470.

A pena ainda é parcial e pode ser alterada até o final do julgamento, conforme alertaram alguns ministros. O valor da multa também é aproximado, pois em alguns casos a Corte não definiu o ano-base do salário mínimo, usado para o cálculo dos dias-multa. O montante final será definido na execução da pena.

Os ministros encerraram a dosimetria da pena de Valério com o crime de evasão de divisas, praticado 53 vezes para pagar outro publicitário, Duda Mendonça. O voto vencedor foi o do relator Joaquim Barbosa, que estipulou pena de cinco anos e dez meses de reclusão, além de 168 dias-multa de dez salários mínimos cada. Ele declarou ainda que Valério perderá produto ou bem que constitua proveito da evasão, uma decisão favorável à União. A apuração e cobrança desse valor deverão ocorrer em outro processo.

A dosimetria referente a Valério não foi oficialmente encerrada, porque o ministro Marco Aurélio Mello precisou sair mais cedo da sessão de hoje (24) e ainda não se pronunciou sobre a pena de corrupção ativa de parlamentares da base aliada nem sobre a pena de evasão de divisas. No entanto, como a maioria já foi obtida nos dois casos, Barbosa resumiu a situação do réu, indicando que ele deve cumprir em regime fechado e que não é possível substituir a pena de prisão por restritiva de direito.

Barbosa não fixou o valor mínimo de indenização para reparação dos danos causados pelo publicitário ao patrimônio público. Segundo o ministro, como esse ressarcimento não foi solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF) nem por qualquer uma das partes na denúncia ou instrução do processo, definir esse valor agora é ir contra o princípio de ampla defesa, pois o réu tem o direito de contestar os valores reclamados.

O ministro Celso de Mello pediu um aparte para lembrar que, em 2010, o STF pediu que o então deputado federal Natan Donadon ressarcisse os cofres públicos em R$ 1 milhão, mesmo sem o Ministério Público ter solicitado. A ministra Cármen Lúcia, que era relatora do caso na época, lembrou que a situação era específica, e por isso foi mais fácil a especificação do valor.

Os ministros também debateram a necessidade de estabelecer critérios objetivos para a fixação da pena, pensando em uma orientação para os juízes de primeira instância e para que haja mais previsibilidade das decisões judiciais penais. “Acho importante que o tribunal possa alcançar um consenso em relação a critérios objetivos, notadamente sobre o delito continuado, para os fatores não serem dispares para os juízes nos tribunais”, disse o decano Celso de Mello.

O julgamento será retomado amanhã (25) com o voto de Marco Aurélio Mello para encerrar oficialmente a fixação de pena de Valério. Em seguida, começará a dosimetria de um dos sócios de Marcos Valério, Ramon Hollerbach, que foi condenado exatamente pelos mesmos crimes.

Confira placar das penas já fixadas para o réu Marcos Valério (publicitário):

Capítulo 2 – Formação de quadrilha

1) formação de quadrilha: dois anos e 11 meses de reclusão

Capítulo 3 – Desvio de dinheiro público

1) Câmara dos Deputados
a) corrupção ativa (pagamento de R$ 50 mil para favorecimento da SMP&B): quatro anos e um mês de reclusão + 180 dias-multa de dez salários mínimos (R$ 432 mil)
b) peculato (contrato da SMP&B): quatro anos e oito meses de reclusão + 210 dias-multa de dez salários mínimos (R$ 546 mil)

2) Banco do Brasil
a) corrupção ativa (pagamento de R$ 326 mil para favorecimento da DNA): três anos, um mês e dez dias + 30 dias-multa de 15 salários mínimos (R$ 108 mil)
b) peculato (bônus de volume e Fundo Visanet): cinco anos, sete meses e seis dias + 230 dias-multa de dez salários mínimos (R$ 598 mil)

Capítulo 4 – Lavagem de dinheiro

1) lavagem de dinheiro: seis anos, dois meses e 20 dias + 20 dias-multa de 15 salários mínimos (R$ 78 mil)

Capítulo 6 – Corrupção ativa de parlamentares da base aliada
1) corrupção ativa: sete anos e oito meses de reclusão + 225 dias-multa no valor de dez salários mínimos cada (R$ 585 mil)
Capítulo 8 – Evasão de divisas envolvendo Duda Mendonça

1) evasão de divisas: cinco anos e dez meses de reclusão + 168 dias-multa de dez salários mínimos cada (R$ 436,8 mil)

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STF condena por quadrilha

Publicado por Pax em 22/10/2012

No entendimento da maioria dos ministros do STF houve crime de formação de quadrilha nos núcleos político, publicitário e financeiro do julgamento do mensalão do PT.

Agora é aguardar as dosimetrias para os réus considerados culpados e os trâmites subsequentes.

STF: maioria condena Dirceu, Genoino, Delúbio e mais sete réus por formação de quadrilha

Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, condenou hoje (22) 11 réus pelo crime de formação de quadrilha durante o julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão. “A sociedade não pode perder a crença de que o Estado dará a resposta penal adequada”, disse.

Com o voto de Britto, encerrando o Capítulo 2, o julgamento de todos os itens da ação está concluído. A próxima etapa é definir a pena dos réus, a dosimetria (definir quantos anos de prisão), o que já deve começar a ser discutido na sessão extra de amanhã (23).

Ayres Britto acompanhou integralmente o ministro-relator Joaquim Barbosa e condenou os réus do núcleo político: o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. Do núcleo publicitário, foram condenados Marcos Valério, Ramon Hollerbarch, Simone Vasconcelos e Cristiano Paz. Já do núcleo financeiro, foram condenados Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane.

“O fato é que os três núcleos de que trata a denúncia realmente se entrelaçaram. Houve um desígnio de propósito, divisão de tarefas”, analisou Britto. O magistrado refutou a consideração da ministra Rosa Weber, de que para caracterizar crime de quadrilha deve haver abalo à paz social. “O direito não se vale do dicionário comum da língua portuguesa”, disse.

Seguindo os demais ministros, votou pela absolvição de Ayanna Tenório, a única absolvida por unanimidade. Com o voto de Britto condenando o ex-dirigente do Banco Rural Vinícius Samarane, mais um placar ficou empatado. Ao total, sete réus tiveram placar indefinido. Mais cedo, Ayres Britto falou que os empates tendem a beneficiar o réu.

Confira o placar final do Capítulo 2 – formação de quadrilha envolvendo os núcleos político, publicitário e financeiro:

1) José Dirceu: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto/ Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

2) José Genoino: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux,Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármem Lúcia e Dias Toffoli)

3) Delúbio Soares: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

4) Marcos Valério: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

5) Ramon Hollerbach: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

6) Cristiano Paz: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

7) Rogério Tolentino: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

8) Simone Vasconcelos: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

9) Geiza Dias: 9 votos pela absolvição a 1 (Condenação: Marco Aurélio Mello)

10) Kátia Rabello: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

11) José Roberto Salgado: 6 votos a 4 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli)

12) Ayanna Tenório: 10 votos pela absolvição

13) Vinícius Samarane: 5 votos a 5 (Condena: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto / Absolve: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello)

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