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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Pastrami da Segurança Pública

Posted by Pax em 19/10/2009

Pastrami é uma antiga técnica de conservação de carnes. Beltrame é a atual técnica de conservação da bandidagem.

Em todas as entrevistas que vi, o secretário de segurança do Rio cercado dos seus imediatos em fardas ostensivas, como se fossem homens de um batalhão de operações, afirmou que a marginalidade carioca está atordoada, de tão boa que é a atuação da sua pasta. E que a invasão do Morro dos Macacos foi um ato de desespero dos traficantes.

O pior cego é o que não quer ver, ou o que quer conservar sua carne, ou cargo, com o desvio da realidade.

Parcela significativa da polícia no Rio – e no Brasil – compõe a própria criminalidade, como toda a sociedade sabe. O Rio é um caso especial, um dos piores estados brasileiros neste assunto. E não há qualquer indício que a valentia exposta do Beltrame tenha conseguido alterar o quadro e o rumo.

Soldados da PM e policiais civis ganham uma miséria e precisam de outras ocupações para conseguir o orçamento de casa. Evidente que uma fatia acaba engordando o próprio contingente do crime. Além da participação no mercado de drogas e armas e no jogo do bicho, as milícias se formam. Segurança virou um mercado bastante lucrativo e, portanto, o crime passa a compensar. Voltamos aos tempos dos Esquadrões da Morte já faz um bom tempo como se não soubéssemos que o resultado é só mais insegurança.

O noticiário policial do Rio é recheado de ações espetaculares, com tiros e invasões em favelas, helicópteros disparando em traficantes correndo nos morros, corpos sendo carregados e uma interminável série de imagens que quer mostrar uma guerra contra os marginais cariocas. Uma bela enganação generalizada para ingleses e cariocas verem.

O noticiário de ontem diz que a inteligência policial sabia da invasão no morro dos Macacos e não teve capacidade de impedir. Balela.

O noticiário de hoje diz que a ordem para a invasão saiu do presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, onde vários integrantes do PCC se encontram. Como se já não soubéssemos que de dentro dos presídios todo tipo de crime se pratica ou é comandado.

Mas na técnica de conservação de carne, o que interessa é dizer para a população que estão vencendo a guerra e que os marginais é que estão desesperados, não a secretaria de segurança (em minúscula mesmo).

Errado, Beltrame, com sua técnica pastrami quem fica no desespero é a sociedade.

Sugestões de leitura:

Ocupar morro no Rio manda crime para o asfalto

Do Xico Vargas – em seu blog Ponte Aérea

Os limites do sociologismo

Do Blog do Alon do Alon Feuerwerker

Numa foto, o sentimento do Rio

Do Blog do marona do Mario Marona

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89 Respostas to “Pastrami da Segurança Pública”

  1. Pax,

    queria saber qual a diferença entre o álcool e a cocaína? Por que um é legal- e socialmente aceito- e a outra não!

    Temos, hoje, no Brasil, por volta de 17 MILHÕES de pessoas com problema de alcoolismo, um número infinitamente maior que os dependentes de tôdas as outras drogas somadas. E, posso te afirmar, que grande parte dos usuários de cocaína, se iniciam através do álcool!

    O alcoolismo já é um problema grave de saúde pública e muito pouco tem sido feito para conscientizar(e tratar!) os dependentes.

    Grande parte dos usuários de cocaína, são dependentes do álcool,e usam a cocaína para beberem mais. Quando param de beber, quase sempre, param de cheirar.

    No mais, onde houver mercado, haverá sempre alguém disposto a fornecer mercadoria. Não sei se a política de repressão funciona? Os resultados dizem que não!

    Precisamos de uma ampla discussão sôbre quais caminhos seguir!

  2. Pax said

    O dinheiro da pinga não é encontrado nos rastros das armas ilegais… nem da corrupção da polícia. Desde as péssimas cervejas até os melhores uísques, esse dinheiro está dentro da lei, com impostos altos.

    Por aí, José Antonio, você já pode encontrar um caminho para desenvolver um raciocínio sobre teu questionamento. Acho que sim.

    Se sou a favor da legalização das drogas? Não, ou melhor, não sei. O que sei é que sou a favor da discussão.

    O que sou contra é ver o secretário de segurança do Rio dizer que está tudo sob controle, que o caminho está correto. Com o apoio do governador Cabral, dando entrevistas patéticas ao lado do Minc.

    Você acredita nisso?

    O que afirmo é que, com certeza, sou contra essa política de avestruz.

  3. Chesterton said

    Tambem sou contra o “avestru8z”. Tem que sair da toca e acabar com a marginalidade. Literalmente.

  4. O dinheiro da pinga não é encontrado nos rastros das armas ilegaise da corrupção por que a pinga é legalizada!

    É só lembrar o que ocorreu nos EUA quando da lei sêca…grandes fortunas se formaram no contrabando do álcool! Inclusive as do Kennedy!

    Também não tenho a fórmula, só constato que apesar da repressão, as drogas ilegais são encontradas em qualquer esquina!

    E não só no Brasil,por isso vários países estão mudando sua políticas de combate as drogas!

  5. Quanto à nossa polícia…bem!, ela reflete a nossa política, ou melhor, nossos políticos!

  6. Pax said

    A polícia reflete a política: não consigo concordar mais!

  7. Chesterton said

    Impressionante achar que a violência de um ataque de uma facção a outra facção do tráfico de drogas tem a ver com a proibição.
    É uma pequena amostra do que ocorreria no caso de liberação total.

  8. Daniele said

    No Rio de Janeiro deveria ser feito algo como aconteceu em Minas Gerais. O Governo de Minas levou a segurança pública à sério, com altos investimentos, programas sociais, vontade política e firmeza. O Governo Aécio Neves criou o Fica Vivo que já atendeu mais de 50 mil jovens que vivem em áreas de risco e com isso reduziu bastante a criminalidade nestas regiões. Integrou as polícias que hoje trabalham de forma mais inteligente compatilhando informações e criou mais de 3 mil vagas no sistema prisional. Isso sim são resultados! Olha só o que eu estou falando http://www.youtube.com/watch?v=HyZ7Ol1CPhY

  9. Chesterton said

    mais cadeia? è um começo.

  10. iconoclasta said

    Chesterton # 7,

    se isso é amostra, o q ocorreria no caso da liberação?

  11. Chesterton said

    a mesma coisa que ocorre em relação as milicias em transportes de vans, gas, cartão de telefone (sic), no grande Rio de Janeiro. Experimenta encher uma Kombi com butijões de gas e vai numa favela vender.
    Ou você acha que (os atuais traficantes) vão deixar você vender maconha na orla da praia como se fosse pipoca?
    Traficantes são traficantes pois são bandidos, não por ser o tráfico é proibido.

  12. fk said

    chest #9 – Olha, tendo em vista as estatísticas sobre reincidência criminal, acho que um bom passo seria MENOS cadeia…

    Quanto à questão da droga, a lei dá espaço pra muito subjetivismo na hora de determinar quem é usuário e quem é traficante. Não sei o quanto as pessoas daqui conhecem sobre a justiça criminal, mas aqueles que atuam na defesa, falam que lutam tanto contra a acusação como contra o juíz. No Brasil, o indúbio pró-réu é uma ficção e tem muita, mas muita gente presa indevidamente.

    Quanto à situação do RJ, especificamente, precisa ser muito inocente ou desonesto pra não perceber ue a política de enfrentamento -que está aí há 30 anos- não funcionou, não funciona e nunca funcionará.

    Na verdade, esse discurso da “guerra” é exatamente o que a classe política quer. Oferecer soluções de longo prazo é difícil, mas mandar duas centenas de policiais subirem os morros, matarem meia dúzia de bandidos -detalhe: eles dizem que são bandidos, mas não há um representante de nossa mediocre imprensa capaz de apurar isso- e passar a impressão de endurecimento com o crime é muito mais fácil, joga pra platéia. Raios, é isso que tem sido feito ano após ano!

  13. Chesterton said

    mais cadeia tanbem significa mais tempo na cadeia, alguns para a vida toda.

  14. Chesterton said

    Quanto a uma solução não hipócrita do problema das drogas, só há uma maneira:
    Criminalizar o usuário…exemplarmente. O resto é enrroloterapia.

    Hipocrisia é poder comprar e não poder vender.

  15. E as milícias são formadas por quem ?!?!

    Pelo que leio e vejo, pelos que deveriam combater o crime…Qualquer crime!

  16. iconoclasta said

    “Ou você acha que (os atuais traficantes) vão deixar você vender maconha na orla da praia como se fosse pipoca?”

    bem, então vai ver q isso ocorreu nos anos 30 em Chicago e até hoje bebidas alcoolicas são comercializadas pelos gangsters…

  17. iconoclasta said

    a violenta repressão as drogas é uma batalha tão gloriosa qt foram as revoluções socialistas…

  18. fk said

    Usuário é questão de saúde pública e enquanto não se cuidar dessa ponta, não adianta nada combater o tráfico. É questão de elasticidade de oferta e demanda. Até o Steven Levitt, já devidamente abençoado pela “Veja”, chegou a essa conclusão, por sinal, de toda fácil de se chegar por qualquer um com conhecimento 101 de economia.

    Sobre a criminalização do usuário, só posso dizer que, antes da lei de 2006, que discriminalizou o uso, a coisa mais comum era o cara entrar na cadeia usuário e sair traficante. Uau, que maneira eficiente de se combater as drogas, não???

  19. iconoclasta said

    “Até o Steven Levitt, já devidamente abençoado pela “Veja”, chegou a essa conclusão,”

    o q tem a ver a pesquisa do Levitt com a Veja? pq o “até”?

  20. Obrigado FK, concordo com tudo que foi dito por você!

  21. Paulo Roberto Silva said

    O crime se combate com duas ações: repressão às máfias e estimulo aos valores morais na sociedade. O pessoal confunde pobreza financeira com pobreza moral. O que gera o estímulo ao tráfico e ao seu mercado é o desencaixe das relações sociais causado pelas transformações sociais intensas, a desconstrução da família e a crise de autoridade.

  22. Chesterton said

    15. Nem toda policia é bandida, nem todo bandido é polícia, muitos ex-policiais, expulsos por delitos, se ligam as milicias. E daí, vai deixar de combater o crime por causa disso?

    16. comparar consumo etílico com consumo canabílico e outros é muita falta de experiência de vida e desinformação.

    17. tem que reprimir o consumidor tambem

    18. não

    21. exatamente, e quem foi que glorificou o uso das drogas, os conservadores ou os progressistas? Quem cantava “Imagine”?

  23. fk said

    #19 – Não tem nada a ver, mas é que parcela do fla-flu da discussão política brasileira atual acha que a “Veja” dá algum tipo de chancela qualitativa. De qualquer forma, é um livraço!

    #22 – Eu entendi errado ou você acabou de defender a existência de milícias?
    De qualquer forma, corrupção policial acontece em todo canto do mundo. Só que no Rio a polícia a polícia parece ter perdido a credibilidade com a população por causa da corrupção endêmica, e aqui gostaria de reforçar a opinião do sujeito aí de cima que disse que a polícia é um reflexo de nossa política. Mais ainda, a polícia é um reflexo da sociedade, a polícia não existe fora dela.

    #22 sobre 21 – Quer dizer que todos os yuppies cheiradores de cocaína que fizeram a fortuna dos Estado Unidos nos anos 1980 eram progressistas, de esquerda? Quer dizer que aquela molecada que se enfia em baladas de R$ 200 a entrada e enfileira carreirinhas são progressistas, são de esquerda? E onde diabos em “Imagine” há apologia às drogas?

  24. Paulo Roberto Silva said

    o consumo de drogas não tem a ver com ser de esquerda ou de direita. Tem a ver com a falta de referências. Conheço muito maconheiro velho, nascido no Baby Boom, que é mais conservador do que formol na cobra.

  25. Chesterton said

    Pois eu não conheço maconheiro velho e conservador.

  26. Desinformado é você, Chesterton, desinformado e prepotente, usando sempre de um cinismo barato e inconsequente!

    Procure qualquer orgão sério e verá que o ácool é o maior(não o unico!), responsável por acidentes de trânsito, crimes e diversos tipos de doenças, que acometem nossa população.

    Aliás, veja o que anda fazendo FHC, com respeito à questão das drogas…

    No mais, você deveria exigir o mesmo rigor na punição aos ladrões da República que exige dos usuários de droga!

    Se bem que você não precisa de droga, sua visão de mundo já é uma…

  27. iconoclasta said

    “16. comparar consumo etílico com consumo canabílico e outros é muita falta de experiência de vida e desinformação.”

    uau, agora vc foi mesmo definitivo, grande tirada…mas faltou dizer a q veio…

    então vamos supor q vc seja alguem com nivel de informação e experiencia de vida suficientes para definir oq pode e oq nao pode(cada um entende isso da maneira q for conveniente…), dai diz p/ gente quais os custos (em vidas e grana) marginais da tolerãncia ao uso e comércio dos entorpecentes que vc sabe (informação, experiência…) q são inadequados?

    ou não é isso o q importa afinal? preservar vidas, reduzir danos, otimizar recursos?

    tem aquela definição de loucura que por desinformação e inexperiência não atribuo afirmativamente a Einstein, mas é mais ou menos assim: “fazer determinada coisa repetidas vezes da mesma maneira e esperar resultados diferentes…”

    alguns vão dizer q assim se adquire experiência…quem sabe?

    ;^/

  28. Chesterton said

    23, #22 entendeu tudo errado

    23, #22 (sobre 21) uma geração antes os Yupies não eram chegados em drogas , era coisa de marginal e bandido – e da contra-cultura.
    Imagine era a apologia da utopia, a época dos hippies, Woodstock, contra-cultura, udigúdi, enfim, isso é óbvio, como é que você não sabe disso?

  29. Chesterton said

    26, além de desinformado, burro. Onde foi que eu disse que o álcool é flagelo menor? São drogas distintas, com efeitos distintos, no indivíduo e na saúde pública, na vida privada e na familiar, e portanto com efeitos distintos na liberação.

  30. iconoclasta said

    “Pois eu não conheço maconheiro velho e conservador.”

    ah, entao não conte tanto com a sua experiência de vida…

  31. Chesterton said

    Muita experiência associada a muita capacidade de discernir o que é conservador e o que não é.

  32. fredericokling said

    Não havia yuppies uma geração antes. Esses eram os “baby boomers”, coitados, com seus anos 1950.

    É, vc nunca ouviu “Imagine” mesmo…

    Voltando um pouco atrás, a política pública de abordagem da violência no Brasil é completamente reativa.
    Só para dar um exemplo, cada crime tipificado na lei dos crimes hediondos corresponde a um caso de grande alcance nacional. É sempre assim, estamos sempre um passo atrás.

  33. Realmente sou obrigado a concordar com você, Chesterton: Sou Burro!!!!

    Desculpe ter me intrometido em suas digressões geniais, vou me recolher á minha insignificante burrice e ler suas geniais elocubrações filósoficas!

    Quem sabe assim, um dia, você me promove de Burro a Anta!

    Aí viramos colegas, né não?

  34. Chesterton said

    32. Eu ouvia “When I am 64″….

  35. iconoclasta said

    #31 opa, cheio de efeito, mas substanciar nem pensar, hem?!

    esperava mais, eu confesso…

    ;^@

  36. Chesterton said

    Voltando um pouco atrás, a política pública de abordagem da violência no Brasil é completamente reativa.
    Só para dar um exemplo, cada crime tipificado na lei dos crimes hediondos corresponde a um caso de grande alcance nacional. É sempre assim, estamos sempre um passo atrás.

    chest-mas isso é mais velho que mijar para baixo. Ou você acha que devemos combater crimes que imaginamos ocorrer no futuro? Nem os regimes mais autoritários se dispuseram a isso. Tem um filme que o Tom Cruise atua onde a policia consegue antever os criminosos antes do crime ser praticado e os condena assim mesmo. Mas aviso, é pura ficção (rs).

  37. Chesterton said

    35, não dou chapagne aos porcos.

  38. Chesterton said

    My God!!!!

  39. Paulo Roberto Silva said

    Quem disse que não existia drogado antes de 1960? A cocaína era uma das paixões de gente como Freud e Proust.

  40. iconoclasta said

    # 37, é prudente, afinal alcool nao é coisa q se de para os filhos…

    ;^>

  41. fk said

    Não, meu caro, eu falo de tolerância zero, mas não aquele arremedo de política que o Maluf vendia, mas sim a política do Giuliani, aquela do “broken windows”, que se baseava me ocmbater as pequenas contravenções penais antes de tudo, pois aí estava a chave da criminalidade maior.
    Iluminação pública é mais eficiente no combate à criminalidade do que colocar um posto de polícia. É esse tipo de previsão que eu falo, o tipo que se aprende em qualquer aula inicial de criminologia. Mais que previsão, falo de prevenção.

    p.s: e “lucy in the sky with diamoonds”, vc não ouvia?

  42. Chesterton said

    39 …para você ver a espécie de gente que as usava….

  43. Chesterton said

    39, esse Proust, do “La recherche do temps perdue” não tinha nada a ver com Formula 1 não?

  44. Chesterton said

    Eu gostava do Lucy in the Sky with diamonds, um inocente desenho da filha do cara, e tambem do She´s leaving home, história de uma filha ingrata que abandona os pais em troca de dias de prazer com um caminhoneiro qualquer. Que vadia.

  45. Paulo Roberto Silva said

    Chesterton causando no cafofo do Pax.

  46. fk said

    Hey, chest, avacalhou, hein!

    Por sinal, lembrei uma frase de um companheiro seu de conservadorismo, o Oliveira Viana. Ele tem uma sacada fantástica sobre essa verdadeira tara que o Brasil tem em legislar sobre tudo, achar que legislar resolve tudo. Ele disse que no Brasil, a gente sempre escreve que a roda tem que girar, mas se ninguem for lá e efetivamente girar a roda, não adianta nada escrever isso.

  47. Chesterton said

    E tem um amigo meu que tinha um hóspede alemão que ficou surpreso com o “expressamente” proibido.
    Esse é definitivamente um país de idiotas, onde idiotas elegem os mais idiotas aos cargos máximos. Sei não, o brejo é logo ali.

  48. Chesterton said

    FARTURA EM CUBA
    ESTÁ POR ACABAR

    Mais de 70% dos cubanos vivem sob o sistema de racionamento, em vigor desde 1962, quando nasceram. Uma caderneta – libreta, como se diz por lá – garante a cada cubano, por mês:

    – 3,5 quilos de arroz. Ou seja, 116 gramas por dia.
    – 2,5 quilos de açúcar. O que me parece demais. Aqui em casa, não tenho sequer um grama de açúcar por mês. Nem por ano. Coisas da monocultura. A propósito, uma amiga petista reclamava outro dia que o Lula quer transformar o Brasil num grande canavial. Bom… mas e Cuba? – perguntei. Ela reagiu: estou falando do Brasil. Quando falo do Brasil tu sempre vens com essas comparações. Isto é, comparar não pode.
    – meio quilo de feijão.Quer dizer, 16,66666… gramas por dia. Dá dízima periódica.
    – 230 gramas de azeite. Dízima periódica de novo. 7,66666… gramas por dia.
    – dez ovos. Coincidência, mais uma dízima. 0,333333… ovo por dia.
    – 460 gramas de espaguete. De novo: 15,333333… gramas por dia.
    – 230 gramas de picadinho de soja. Outra dízima: 7,666666… por dia.
    – 115 gramas de café. Mais uma vez: 3,8333333… por dia.
    – um pão por dia. Finalmente uma unidade. Se você tiver três filhos, divida-o em cinco pedacinhos.

    No país da dízima periódica, o salário médio é de 415 pesos, o que dá uns 33 reais por mês. Um mendigo no Brasil que consiga juntar cinco reais por dia, ganha cinco vezes mais que um médico em Cuba. A caderneta mal dá para doze dias. Papel higiênico, ni pensar. Para isso existe o vibrante matutino nacional, o Granma.

    Mas essa fartura toda vai acabar. Leio no El País que, em meio à atual crise, a libreta se tornou um fardo por demais pesado para o governo de Raúl Castro (o irmão daquele outro), que tenta organizar um modelo de economia ”sustentável” baseado na lógica dos números e não em sonhos impossíveis.

    Cuba importa mais de 80% dos alimentos que consome. Ou seja, o tal de socialismo dos Castro não consegue sequer alimentar os cubanos. Nas atuais circunstâncias, a subvenção dos produtos da libreta significa um custo e 800 milhões de dólares para o Estado. A conta não fecha.

    Desde que assumiu formalmente o poder, em 24 de fevereiro de 2008, Raulito tem declarado que a libreta de racionamento, da mesma forma que outras “gratuidades e subsídios milionários” – imagine! – são irracionais e insustentáveis. “País nenhum pode gastar indefinidamente mais do que o que recebe” – disse em várias oportunidades.

    Qualquer dia, acabam redescobrindo a América.

    – Enviado por Janer

  49. Chesterton said

    LONGA É A JORNADA
    DE UM ANALFABETO
    ATÉ O ENTENDIMENTO

    Mas um dia eles acabam chegando lá. Escrevi outro dia que com o exercício do poder, algo Lula deve ter entendido. Pois não é que o homem acaba de enunciar uma frase de grande sabedoria? Leio na coluna de Fernando de Barros e Silva, na Folha de São Paulo:

    “Não tem nenhum outro grande líder. No Brasil hoje – e esse é um dado triste para o Brasil -, a única figura de dimensão nacional sou eu”. Quem fala é Lula. Está num jatinho que vai de Macapá a Belém, a cinco dias do segundo turno das eleições de 2002. A cena faz parte de Entreatos, o documentário dos bastidores da campanha petista, dirigido por João Moreira Salles e lançado em 2004.

    Sabedoria profunda. Tristeza profunda. E vergonha também profunda.

    – Enviado por Janer

  50. iconoclasta said

    # 48

    oportuna essa colagem, quem sabe um regime (não a dieta) deste não impede as pessoas de consumirem drogas? parece que lá eles não tem esses problemas de violência urbana, viciados e etc…

    figurinha folclorica…

  51. iconoclasta said

    a proposito, nos EUA eles estao levando a serio o uso terapeutico da erva…imagina só, o cara cura o cancer (nao por causa disso, mas da quimio) alivia os efeitos colaterais e,talvez o melhor, nem se lembra do martírio…

  52. Chesterton said

    O mais engraçado dessa semana foi o ataque aos guardas iranianos. O Irã que arma os teroristas palestinos tomou um troco.

  53. iconoclasta said

    essa questão da politica anti-drogas é interessante e é babaquice desperdiçar o post.

    sem entrar no mérito do atentado as liberdades de escolha, e apelando apenas para o quantitativo: os custos colossais, o absurdo número de mortes causadas pela violência, a ineficiência em desestimular o consumo, os lucros estratosfericos, de uma atividade q funciona totalmente a margem, e incentivam a entrada de jovens (muito jovens) desfavorecidos e munição para um sem numero de outros crimes, o estimulo a corrupção da sociedade e do poder público, além, evidentemente, da questão de saúde pública que dada a falta de informação, em decorrência da criminalização do uso, se torna ineficaz no tratamento e recuperação dos viciados, encerrar em preconceitos a discussão sobre alternativas não violentas a repressão é coisa 1) um cretino apegado a dogmas e rotulos ou 2) um crente…

    ;^/

  54. Chesterton said

    mas que sujeitinho dogmático.

  55. Pax said

    O mundo nunca vai parar de consumir drogas. Ponto.

    O que interessa, na minha opinião, é colocar o Estado nos locais onde o Estado deixou de estar. Tão simples quanto isso.

    E é aí que digo que o Cabral e o Beltrame fazem de conta e não vão resolver nada.

    Sobe o morro, coloca polícia, escola, hospital, internet grátis, esportes, cultura e vê se o favelado trabalhador vai preferir o tráfico de drogas no comando.

    E deixa que a Cia de gás venda o gás, que a Cia Telefônica venda o telefone, a Cia de TV venda os serviços a cabo.

    É o que acontece no Alemão? Nos Macacos? Na Mineira?

    Não, o Estado só vai lá para dar imagens para o Jornal Nacional e depois vai embora.

    Podem matar 500 que aparecerão mais 1000 no lugar. Sempre. É um negócio muito lucrativo para que umas meras incursões bang bang desestimulem as máfias organizadas.

    Ainda mais que parte dessas máfias está exatamente nas próprias estruturas de poder.

    Então… essa novela está longe de acabar. É só um jogo de faz de conta e o Beltrame faz o papel do valentão que o Cabral quer que ele faça.

  56. iconoclasta said

    “Sobe o morro, coloca polícia, escola, hospital, internet grátis, esportes, cultura e vê se o favelado trabalhador vai preferir o tráfico de drogas no comando.”

    a idéia é irretocável, mas tem morro p/ KCT, haja grana.

    “É o que acontece no Alemão? Nos Macacos? Na Mineira?”

    no Alemão? esquece…

    aqui vc define perfeitamente:

    “Podem matar 500 que aparecerão mais 1000 no lugar. Sempre. É um negócio muito lucrativo para que umas meras incursões bang bang desestimulem as máfias organizadas.”

    pq exatamente por ser absurdamente lucrativo a politica de confronto é inviável. isso não é só aqui, nos EUA(onde até então as restrições orçamentarias eram muito menores) não apenas na academia, mas mesmo por quem já esteve no comando, é reconhecida a falencia desse metodo.

  57. fk said

    Só para se ter uma ideia, em São Paulo, o mero ato de colocar iluminação pública nas ruas da favela de Heliópolis teve impacto significativo nos índices de violência. Volto ao “tolerância zero”, modelo NY, que se baseava em pequenas interferências urbanísticas e no combate a contravenções.

    Mas não, precisamos do caveirão subindo o morro, da polícia atirando, do corpo saindo dentro do saco plástico. Não queremos segurança: a nós, basta a sensação de segurança.

  58. É um dos paradoxos do Brasil: Estado demais onde não é necessário e de menos onde mais se precisa da sua presença.

  59. Paulo Roberto Silva said

    Fk, no Rio uma ação de tolerãncia zero, nos moldes da que você defende, precisa estar combinada a uma ação de inteligência para desmobilizar e sabotar o crime organizado.

  60. fk said

    Sem dúvida. E para isso é necessária a tal inteligência policial.
    Ao que me consta, o edifício carioca no qual seria instalada parte dessa inteligência está apodrecendo.

  61. Pax said

    Alguém pode me explicar como isso aqui pode acontecer?

    http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,corpo-e-encontrado-dentro-de-carrinho-de-supermercado-no-rio,453606,0.htm

    Bem, segundo as informações do Cabral e do Beltrame, os morros estão cercados por mais 2 mil policiais extraordinariamente, todo mundo sem folga.

    E aí aparece um carrinho de supermercado descendo ladeira abaixo com um cadaver dentro.

    E nenhum dos 2 mil policiais explica nada?

    Pois é.

  62. iconoclasta said

    “em São Paulo, o mero ato de colocar iluminação pública nas ruas da favela de Heliópolis teve impacto significativo nos índices de violência.”

    no rio derrubariam o poste…alias, se deixassem subir…

  63. Paulo Roberto Silva said

    No Rio, logo depois da privatização da Light, a empresa instalou interruptores nos postes para reduzir o custo com a troca de lâmpadas. Os traficantes apagavam a luz a tiros.

  64. fk said

    A última vez em que estive no RJ -em 2009, por sinal- todos os túneis pelos quais eu passei estavam sem iluminação. Todos! Isso porque há sempre queixas sobre arrastões e coisas do tipo nesses túneis.
    É óbvio que não é pra transformar o RJ em um vaga-lume, mas seria uma ação com custo bem menor e alcance bem maior em determinadas áreas.
    Quanto às favelas, não dá pra falar em iluminação pública em locais onde nem chega energia elétrica legal.
    Eu levanto a lebre da “luz” apenas para mostrar que as soluções não precisam enão vão ser- essas coisas espetaculosas que andam propondo por aí.

  65. iconoclasta said

    #64

    isso é pq roubam os cabos…

  66. Chesterton said

    55 O que interessa, na minha opinião, é colocar o Estado nos locais onde o Estado deixou de estar. Tão simples quanto isso.

    chest- sem dúvidas. Só que o estado só vai onde pode cobrar IPTU, e os favelados caloteiros nem água e luz querem pagar.

  67. Chesterton said

    Podem matar 500 que aparecerão mais 1000 no lugar. Sempre. É um negócio muito lucrativo para que umas meras incursões bang bang desestimulem as máfias organizadas.

    chest- são 350, e se matar o chefe junto, fica um bom tempo sem bagunça (minhas fontes dizem que o chefão está nesse momento na Rocinha deambulando e defecando).

  68. Chesterton said

    Ainda mais que parte dessas máfias está exatamente nas próprias estruturas de poder.

    chest- esse tipo de acusação precisa de provas.

  69. fk said

    #65 – Não, na verdade os cabos estão no asfalto. Dali pra cima, é tudo gato mesmo.

    chest – Construções do porte dos barracos estariam isentos de iptu por causa de seu tamanho e localização.

  70. Chesterton said

    quem rouba cabo de luz na cidade não é o traficante nem o assaltante, é o morador da favela.

  71. fk said

    Ah, e só acrescentar que o favelado paga sim. A maioria das submoradias, não só no Rio, mas em quase todas as favelas do mundo, é constituída de construções alugadas.

  72. fk said

    É, eles roubam os cabos de luz imaginários…

  73. iconoclasta said

    # 69

    não FK, roubam mesmo, inclusive em SP…

  74. Chesterton said

    71, aluguel cobrado por outro favelado que tb não paga impostos. Não entendi esse comentário, sem noção.

    72 roubam para revender.

    73 ah, bom….

  75. fk said

    Também, com essa profusão de postes de luz instalados nos morros cariocas, quem não roubaria?

  76. fk said

    A situação é um pouquinho mais complicada do que isso, mas sim, os donos efetivos não pagam impostos, mas os favelados que lá moram, pagam pra morar.
    Sugiro a leitura do livro “Planeta favela”, do Mike Davis.

  77. Chesterton said

    |Pagam aluguel, não pagam nada ao estado. Eu pago aluguel E impostos territoriais urbanos.
    Aliás, acho que votos para prefeito deveriam ser válidos apenas os de quem paga IPTU, de outro modo a cidade vira rapidamente uma favela, vide a cidade maravilhosa.

  78. iconoclasta said

    #75

    roubam nas vias, roubam nos tuneis, seja o cabeamento sub ou pendurado…

    mas sem duvida, o amontoado caotico q constitui as favelas favorece a criminalidade. há alguns projetos de lotear, conceder titulos de propriedade, oferecer indenizações e abrir vias nos morros no intuito de “civilizar”…nao tenho mais visto levantarem essa bola…

  79. Chesterton said

    75 eu não roubaria, meus filhos não roubariam, seus coleguinhas não roubariam, enfim um montanha de gente recebe educação suficiente em casa (tem pai e mãe conhecidos)para não depredar propriedade pública.

  80. Chesterton said

    78 meui plano é o seguinte. Aplainar os morros cariocas. Sim, passar a patrola, abrir ruas e com o dinheiro das vendas desses terrenos desinfectados, indenizar o favelado. Ou é horizontal, ou absolutamente vertical, impossibilitando a cobiça favelística.
    Creiam, é a única solução.

  81. Chesterton said

    O complexo do Pavão/Pavãozinho-Cantagalo tem uma população de 28 mil moradores, já passou por obras de saneamento básico e ganhou dois prédios, com um total de 56 apartamentos. Dois outros prédios estão sendo construídos e a expectativa é de que o elevador, com capacidade para 30 pessoas por vez, seja inaugurado em março de 2010.

    Fonte: Secretaria de Obras do Estado

    chest- 28 mil pessoas privatizaram propriedade pública e se penduram em penhascos para viver. E os governos acham que vão conseguir urbanizar esse terrenos escarpado. Mais correto seria comprar apartamentos – 7.000 apartamentos de 80.000 reais =
    560.000.000 reais. Transferi-los para a zona norte (não, vista para o mar não é direito adquirido)e construir condominios de luxo , a especulação imobiliária trataria de valorizar esses terrenos de modo legal , o suficiente para dar um bom lucro ao estado, que já teve prejuizo demais com esses vagabundos.

  82. fk said

    hahahahahahaha

    p.s: deus me livre se o voto fosse só para quem pagasse iptu…já imaginou a zona sul votando em massa? o boninho ganhava a eleição com certeza!!

    p.s2: cabeamento sub? na favela? uau, a coisa tá melhor do que eu pensava!

  83. fk said

    #79 – Aposto que os pais da molecada zona sul que sai por aí espancando geral deve pensar a mesma coisa…

  84. Chesterton said

    essa molecada, principalmente advem da Barra da Tijuca. Objeto de desejo de 10 entre 10 suburbanos.

  85. fk said

    E?

  86. Chesterton said

    a Zona Sul não é a Barra, a Barra é Zona Oeste.

  87. iconoclasta said

    é verdade, aqui na sul a galera é paz e amor, vai de gabeira, chico alencar, benedita, passeatas de branco e etc…

    ;^/

  88. fk said

    Vai de Gabeira quando não tem sol e feriado, né, porque, segundo estatísticas, foi o ensolarado feriado da zona sul o responsável pela não eleição do tanguinha…

  89. iconoclasta said

    #88

    fez sol na barra e no recreio tb, area do paes, a diferença é q no final de semana a turma da sul vai p/ angra, buzios, serra…

    ;^/

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