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Armas dos traficantes vem da polícia

Posted by Pax em 30/10/2009

Segundo a antropóloga Alba Zaluar da UERJ, uma das principais fontes de fornecimento de armas para os traficantes é a própria polícia.

Para Alba Zaluar, investigação de desvio de armas é chave para combate à violência

Gilberto Costa – Enviado especial – Agência Brasil

Caxambu (MG) – A falta de investigação sobre os atos ilícitos das policias (Militar, Civil, Federal) e do Exército em todo o país torna o combate a violência pouco efetivo e não ataca uma das raízes do problema: o fornecimento de arma para traficantes. A avaliação é da antropóloga Alba Zaluar, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e uma das maiores especialistas do tema no Brasil.

“Os moradores de favela que entrevistamos sempre informaram que ‘são os policiais que trazem as armas’. Ex-traficantes que também entrevistamos disseram que tinham alguns policiais que emprestavam armas em troca de algum pagamento que era feito na divisão do roubo”, conta ela, que participa do 33º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).

Segundo ela, as entrevistas mostram que não há preocupação das Forças Armadas e da Polícia Militar em investigar quem leva armas para os traficantes. “Nunca fizeram um investigação séria para desmantelar isso”, aponta. “Imaginar que essa questão vai se resolver colocando um soldado em cada ponto da fronteira é besteira. Fronteira é difícil de controlar.”

O Exército, diz Alba Zaluar, controla todos os registros de armas e munições do país, porém não passa a informação para a polícia. “A Polícia Militar, por sua vez, e os policiais civis, também, podem comprar três armas a cada dois anos. Essas armas acabam sendo vendidas. Você tem um mercado aí que acaba sendo muito movimentado.”

Na avaliação da antropóloga, o fornecimento ilícito de armas é antigo. “Desde 1980, ouço falar de granada, fuzil e revólveres que sempre foram armamentos exclusivos das Forças Armadas. No regime militar, isso já ocorria.”

A antropóloga assinala que, além do controle dos traficantes sobre o território e os moradores das favelas, também há as milícias. “Elas só fazem uma coisa: controlam as armas. Não deixam entrar. Então, tem menos crime, tem menos homicídio. Menos crime de rua, mas eles mesmos são criminosos, exploram, cobram taxas para o negócio mobiliário, vendem gás mais caro, fazem um transporte alternativo que gera um caos na cidade.”

Alba Zaluar acredita que seja possível diminuir a violência nas cidades brasileiras, mas não acabar com o tráfico de drogas. “Não se acabou em lugar nenhum. É preciso fazer com que os traficantes abandonem a corrida armamentista. Deixem de lado a ideia de dominar território.”

Segundo ela, uma eventual descriminalização das drogas, que defende há 20 anos, só pode ser implementada após o desarmamento dos traficantes. “Tem que desarmá-los e depois dissolver a formação desses pequenos exércitos, ganhar essa molecada para fazer outra coisa. Mostrando para eles que há outros modelos”, avalia.

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2 Respostas to “Armas dos traficantes vem da polícia”

  1. Chesterton said

    Um obrigado ao COI (29/10)
    O Brasil ficou repentinamente mais perigoso, mais inseguro? Ficou mais injusto socialmente, mais pobre? Os números mostram que não. A mudança foi outra. Agora temos Olimpíadas marcadas para o Rio

    Os críticos das Olimpíadas no Rio “perderam”, para usar a expressão imortalizada no Tropa de Elite. Começa a valer —e para valer— o argumento, otimista, de que a Rio 2016 funcionará como catalisador de mudanças boas. A primeira mais visível é a guinada de 180 graus nos discursos do governo federal e do presidente da República sobre o combate à criminalidade carioca.

    Ontem, na futura sede olímpica, Luiz Inácio Lula da Silva até exagerou, disse que bandidos não são pessoas “normais”.

    Menos, presidente. Devagar com o andor. Indivíduos até outro dia perfeitamente enquadráveis na “normalidade” podem hoje cometer crimes terríveis. Antes de debater a sanidade psíquica dos bandidos, talvez seja o caso de organizar a sociedade e o Estado de modo a desestimular que se cometam crimes. E a punir quando são cometidos.

    O crime no Brasil não é assunto primeira nem principalmente para a Psiquiatria. É para o Direito.

    Tirante o exagero verbal de Lula, é positivo e deve ser saudado que finalmente o governo olhe o crime como algo que exige diagnóstico e terapêutica específicos, como um fenômeno que até pode ter conexão com a mecânica social, mas não se confunde com ela. Em boa hora, vai morrendo, no discurso governista, a mistificação de que o crime e a violência são função direta da pobreza, da desigualdade ou da falta de oportunidades.

    O que mudou? O Brasil ficou repentinamente mais perigoso, mais inseguro? Não há elementos que comprovem. Ficou mais injusto socialmente, mais pobre? Os números mostram que não. A mudança foi outra. Agora temos Olimpíadas marcadas para o Rio daqui a menos de sete anos. Então é simples: o discurso que ontem convinha hoje não convém mais.

    Exigir “coerência” dos políticos é atividade frustrante, e não caio na armadilha. Até porque coerência não é um valor em si. Se o sujeito milita no equívoco, é bom que mude de posição. Líderes que estão errados e colocam a coerência em primeiro lugar costumam levar seus liderados a grandes desastres. A História está cheia de exemplos.

    O líder competente percebe a hora certa de guinar, e procura fazê-lo com o menor desgaste possível. E Lula ainda leva uma vantagem adicional. Como a crítica a ele no âmbito do governismo simplesmente desapareceu, pode fazer a guinada que quiser, pois estará invariavelmente certo. Antes e agora. Ainda que o “agora” seja o oposto do que era o “antes”.

    Então parabéns a Lula. Vamos ver como o discurso se materializa em ação. O Ministério da Justiça propõe endurecer a lei para punir os grandes traficantes, afrouxando simultaneamente as penalidades aplicadas aos pequenos.

    A ideia parece teoricamente razoável, mas embute um conceito que merece mais debate: será possível combater o tráfico de drogas feito em grande escala sem reprimir também, ainda que em grau distinto, o vendedor na ponta e o consumidor?

    Até porque se consumir drogas é tratado condescendentemente, e se o varejo nessa atividade deve ser visto com leniência, por que então punir os que se dedicam ao comércio no atacado? Por causa da escala? Do volume? Mas qual é o limite exato que distingue o “pequeno” do “grande” traficante?

    Enquanto se espremem as cabeças sobre essas e outras dúvidas conceituais, talvez seja o caso de promover, pelo menos num primeiro momento, o arrocho geral. Nem que por prudência. A situação não é de enfermaria. Está mais para UTI. Vamos primeiro salvar o paciente. Depois cuidaremos dos outros detalhes.

    De todo modo, fica aqui o obrigado aos membros do Comitê Olímpico Internacional que votaram para trazer as Olimpíadas ao Rio. Só mesmo vocês para Lula finalmente enxergar a conveniência de abandonar certos preconceitos e encarar a realidade como ela merece.

    O Rio e o Brasil sinceramente agradecem

    Alon Feuerwerker

  2. Zbigniew said

    A critica desapareceu? Onde o Feuerwerker vive?
    Talvez a critica honesta tenha desaparecido, talvez por preguica, ou talvez porque achem o que o povo nao perceberia uma critica mais apurada dos relevantes temas da nacao. O negocio e o partidarismo puro e simples, com rarissimas excecoes.
    Quanto a questao das Olimpiadas, acho que se deveria perder menos tempos com a postura do Lula (que deixara a presidencia daqui a pouco mai de um ano) e mais com a proposta dos governos para resolver o problema da violencia e das drogas, e ai eu concordo que deve haver uma atitude mais firme dos poderes constituidos.

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