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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Dogma da Corrupção

Posted by Pax em 29/11/2009

Além dos dogmas religiosos há também os filosóficos e políticos. No Brasil há um estabelecido na Ditadura da Corrupção que se define em seu próprio título.

Sem corrupção não há política. Ou praticamente inexiste. As exceções são tão raras que podemos considerar como modelo em extinção.

O vasto noticiário -com vídeos para todo lado- mostrando o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda recebendo dinheiro em espécie de um assessor ou colaborador é somente uma amostra do que acontece em todos os âmbitos políticos brasileiros, seja na União como nos Estados e Municipios.

Assim é a política no Brasil. Das empresas de transporte urbano, coleta de lixo, obras públicas, ou seja, fornecimentos gerais dos governos, saem o numerário não contabilizado, dinheiro sujo, que vai parar em sacolas, cuecas e todo tipo de meio de transporte para pagamento de políticos corruptos. Financiam de tudo, desde campanhas políticas até fazendas, carros importados e mansões. Incluem-se aqui filmes de financiamento duvidoso ou absolutamente questionáveis. Não esquecer que boa parte dos artigos de luxo de botiques e comércio de contrabandistas badalados também são objetos de desejo dos usuários desse dinheiro canalha.

Virou dogma, uma verdade que se espera que as pessoas aceitem sem questionar, um princípio estabelecido e opinião sustentada e propagada por métodos irracionais.

Ano que vem teremos eleições e as campanhas já estão em andamento. Como de costume, tudo fora da lei estabelecida. Quase ninguém reclama, nem das campanhas nem da realidade da corrupção intragável. Teremos um show esquizofrênico, frenético e pirotécnico do mais baixo nível onde todos tentarão provar que são menos corruptos que os outros, como se houvesse uma gradação na prática desse dogma político. Algo como meia gravidez.

O povo paga a conta calado. Todo mês, toda semana, praticamente todo dia, aparecem escândalos que se tornam os escândalos da vez, que fazem esquecer os escândalos passados. Os atuais também serão passados na medida que sabemos de antemão que semana que vem aparecerão outros de igual ou maior indigestão e que a Justiça não punirá praticamente qualquer um deles.

O mote da campanha eleitoral de 2010, assim como de todas as campanhas vindouras num grande espaço de tempo histórico nacional, é: “O meu corrupto é melhor que o teu”.

Triste realidade brasileira. Triste apatia da sociedade civil que paga mais e mais impostos para saciar essa maioria da classe política que vale bem menos que qualquer tostão filmado nas tais sacolas e cuecas andando de mão e mão.

A Campanha Ficha Limpa, de rara iniciativa popular, está travada no Congresso com Michel Temer fazendo de tudo para que não ande. Atrapalha o dogma. Políticos de todos os lados fazem força para não dar prosseguimento no projeto de lei que tentaria inibir candidaturas de criminosos.

O governo atual imita os governos anteriores. Sabia que se não aderisse ao dogma não atuaria e não se estabeleceria. Prometeu mudar e não cumpriu. Pior que não cumprir foi não fazer qualquer esforço para alterar o status quo. Independente de analisarmos se é um sucesso.

Nesta questão é um retumbante fracasso.

Aqui o modelão seguido por todos pode ser visto numa amostra do que acontece todos os santos dias dessa religião dogmática.

“Divirta-se.”

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36 Respostas to “Dogma da Corrupção”

  1. Patriarca da Paciência said

    “Se não houver prova nenhuma haverá, consequentemente, o arquivamento do processo.”

    Final da fita.

    Ou seja, se o STF acatar que as as fitas de vídeo não são provas legais, posto que obtidas de forma não recomendada, deixando de seguir, rigorosamente, a cartilha etc.etc.etc.

    A coisa é bem mais complicada que parece.

  2. vilarnovo said

    PAX – O problema baseia-se basicamente no Estado corporativo. Cada vez que o Estado cria leis dificultando o empreendedorismo, cada vez que o Estado cria leis trazendo para ele definições que deveriam estar no âmbito dos fornecedores-consumidores, cada vez mais que o Estado se afasta de suas funções constitucionais para ser o “indutor da economia”, cada vez mais que o Estado transforma-se em uma empresa, cada vez mais a corrupção irá existir.

    Apenas a liberdade econômica e entenda isso como leis simples e justas, regulamentações que não sejam anacrônicas, com menos poder nas mãos de políticos será que o país conseguirá sair dessa sina de um grande cartório que é o Brasil de hoje.

    Não existe milagre quanto a isso.

  3. Patriarca da Paciência said

    Ou seja, o negócio mesmo é legalizar os ladrões.

    Cada um rouba como consegue e está tudo certo.

    Eis aí uma visão do paraíso na concepção dos liberais.

    Jornada de 16 horas? Crianças exploradas? legalização do “salário máximo”, ou seja, todas essas “maravilhas” que existiram no século XIX, onde brilhou o liberalismo, é que é o certo.

  4. Chesterton said

    Eu quero ver é o Pax afirmar que o Arruda só fez o que fez por causa da governabilidade é que a culpa é do sistema que já estava aí antes de ele nascer. Como fez com Lula. E isso que ele não é petista.

  5. Chesterton said

    «When buying and selling are controlled by legislation, the first things to be bought and sold are legislators.» P. J. O’Rourke.

    Sabedoria e humor que, pelo visto, poucos atingem.
    (Mosca azul)

  6. Iconoclasta said

    “O governo atual imita os governos anteriores. Sabia que se não aderisse ao dogma não atuaria e não se estabeleceria.”

    Pax, vc consegue olhar p/ os teus depois de escrever uma escrecência dessas?

    quem se digna a isto não tem do que reclamar…

    ;^/

  7. fk said

    “O governo atual imita os governos anteriores. Sabia que se não aderisse ao dogma não atuaria e não se estabeleceria. Prometeu mudar e não cumpriu. Pior que não cumprir foi não fazer qualquer esforço para alterar o status quo. Independente de analisarmos se é um sucesso.”

    Pax – Essa frase é para lá de contraditória. Por um lado, dá a impressão de que não havia o que fazer: era aderir ou aderir à falta de ética, e isso já justifica a falta ética. Por outro, assume que haveria uma escolha, que poderia haver um combate à corrupção, uma saída que não fosse a adesão “a isso tudo que está ai”.

    Eu, como já escrevi em outros comentários nesse blog, acho que “nunca antes na história desse País” um governo teve tantas condições de não aderir à corrupção. Portanto, o fez por preguiça ou conveniência.

    E vc? O que acha?

  8. Iconoclasta said

    o Pax é como o Corinthians, reclama da arbitragem para encobrir a “entrega”…

  9. Chesterton said

    boa essa.

  10. Chesterton said

    10 DESCULPAS QUE O ARRUDA PODE DAR PRO CASO DO MENSALÃO DO DF

    1. Eu não sabia de nada!

    2. Esse careca aí não sou eu!!! É o Marcos Valério!!!

    3. Aquelas notas são do Banco Imobiliário do meu filho!

    4. Isso é corrupção não-contabilizada!

    5. Eu não posso ver uma liquidação que eu compro logo uns deputados…

    6. Isso é coisa da mídia golpista!

    7. Eu avisei que era mais fácil fraudar o painel de votação da Câmara!

    8. Dei mole. Tinha que pegar uns conselhos com o Zé Dirceu e o Roberto Jefferson!

    9. Essa grana era pra ser levada pros jogadores do Goiás!!!

    10. Sério? O pessoal ainda se irrita com roubalheira em Brasília?
    Detonado por Adaílton Persegonha

  11. Chesterton said

    FK tem toda razão, mas o Pax é de uma cabeça duríssima, vai morrer negando que é petista.

  12. Chesterton, quantos “direitistas” (na definição deles, claro) você conhece que estão criando desculpas e defendendo o Arruda?

  13. Carlão said

    Pax
    Resolvi introduzir uma dimensão poética a esta discussão depois que o Lula Borges foi definitivo.

    A educação pela pedra
    João Cabral de Melo Neto

    Uma educação pela pedra: por lições;
    para aprender da pedra, freqüentá-la;
    captar sua voz inenfática, impessoal
    (pela de dicção ela começa as aulas).
    A lição de moral, sua resistência fria
    ao que flui e a fluir, a ser maleada;
    a de poética, sua carnadura concreta;
    a de economia, seu adensar-se compacta:
    lições da pedra (de fora para dentro,
    cartilha muda), para quem soletrá-la.

    Outra educação pela pedra: no Sertão
    (de dentro para fora, e pré-didática).
    No Sertão a pedra não sabe lecionar,
    e se lecionasse, não ensinaria nada;
    lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
    uma pedra de nascença, entranha a alma.

    OBS. Copiei do blog do RA (no google há outras fontes)e totalmente fora do contexto original que o RA a empregou, mas aqui julgo-a adequada ao q se discute, espero.

  14. Chesterton said

    L.B., o Pax ainda vai dizer que foi pela governabilidade.

  15. Chesterton said

    O uso maciço da fraude científica, em proporções jamais antes imaginadas, vem-se tornando o principal meio de imposição de novas políticas, a tal ponto que em breve a classe científica estará totalmente desaparelhada para servir de árbitro nas grandes questões da humanidade e se tornará uma militância política como qualquer outra, disposta a mentir até o último limite do descaramento e do cinismo, em favor de qualquer estupidez politicamente conveniente.
    O.C.

  16. 2% De 3 trilhões said

    Eremildo jamais morrerá, personagem imortal de Elio Gaspari, ACREDITA! Nos políticos e que a corrupção neste país cai a passos largos.
    Alguém dirá, hoje estamos combatendo a corrupção, por isso é tão visível, rs.
    O texto acima é lúcido e verdadeiro, parabéns PAX, estamos tal como zumbis a assistir a depravação do poder público eleição após eleição independente de partido ou ideologia.
    Cada município deste país tem seu mensalão, cada câmara de vereadores, cada assembléia legislativa, senado, ministérios, etc. Porque nossos políticocos são eleitos pelo Eremildo.
    Politicos estes que gastam valores absurdos em campanhas para elegerem-se e que jamais serão resgatados através de seus ganhos como vereadores, deputados, senadores ou presidente.
    O Eremildo somos nós Clever, Iconoclasses, HRomeuMole, etc.
    O brasileiro já deveria saber que a vida é dura para quem é mole com seus políticos corruptos.
    Do outro lado temos empresários que não conseguem sobreviver neste ambiente porque existem fiscais, técnicos e funcionários públicos que protegem as empresas prestadoras de serviços públicos da concorrência.
    Exemplo muito bem dado acima e claro disso estão as empresas de limpeza pública, com coleta e aterros sanitários, seja ele industrial, residencial, hospitalar, etc. Ou empreiteiras de obras e transporte público. Bastariam estes 3 segmentos para termos os mensalinhos que abastecem cada um de nossos municípios.
    Infelizmente Eremildo acredita nos filhos da pátria.

  17. Chesterton said

    Se há uma péssima conselheira em política externa, é a ideologia. A boa diplomacia leva em conta antes de tudo o interesse nacional. E o interesse nacional brasileiro está em manter relações normais com todos os países e povos, dado que não temos contenciosos graves com ninguém.

    A eleição de domingo em Honduras criou uma situação de fato, que o governo brasileiro deverá olhar com atenção. Importa menos nestas horas a vaidade do governante. Se o Brasil apostou no cavalo errado, que se façam então os necessários ajustes. Podem ser feitos lentamente, suavemente, pouco importa. O que interessa é o resultado final.

    Fica de todo modo a lição. Há um risco na estratégia marqueteira de engordar o capital interno do presidente da República apresentando-o como o líder mundial indispensável, o homem que vai conseguir um acordo contra o aquecimento global, o estadista que alcançará a paz na Palestina, o visionário que trará um Irã nuclearizado para o concerto nas nações pacíficas, o líder que mostrará o caminho para uma nova ordem econômica mundial etc.

    Qual é o risco? Dar errado. Porque tem pouco a ver com a realidade. O presidente é, merecidamente, um homem respeitado e admirado. O Brasil é um país em ascensão. É muito? É. Transforma-nos num jogador indispensável para todos os assuntos complicados do planeta? Óbvio que não.

    Não é raro que o complexo de inferioridade se manifeste como o seu contrário. Aliás é frequente.

    Alon, cada vez melhor. O único esquerdista honesto que conheço.

  18. Patriarca da Paciência said

    Por alguns comentários desse post está sendo comprovada a tese do Pax do “meu corrupto é melhor que o teu”.

    O corrupo Demo não esconde que é corrupto, assume a corrupção, logo é mais “honesto”.

    E o Eremildo? Vai fazer como todos os outros e se tornar um corrupto também, para “deixar de ser besta”?

  19. Chesterton said

    Não Patriarca, de novo você está enganado. Já é um hábito. O politico escondeu, mas seus eleitores não perdoam nem desculpam sua atitude. o oposto do PT.

  20. Patriarca da Paciência said

    Já eu concordo com o comentário 17. A coisa foi bem por aí mesmo. Os “articulistas” dos Estados Unidos, México, Colombia etc., viram que o Lula ia sair muito prestigiado do episódio e trataram de melar.

  21. Chesterton said

    Pelamordedeus, Patriarca, lê de novo com atenção.

  22. Patriarca da Paciência said

    “Qual é o risco? Dar errado. Porque tem pouco a ver com a realidade. O presidente é, merecidamente, um homem respeitado e admirado. O Brasil é um país em ascensão. É muito? É. Transforma-nos num jogador indispensável para todos os assuntos complicados do planeta? Óbvio que não.”

    Eu não estou defendendo o mesmo ponto de vista do Alon, apenas aproveitndo uma idéia levantada por ele.

    O Brasil é um país em ascensão. É muito? É. Transforma-nos num jogador indispensável para todos os assuntos complicados do planeta? Óbvio que não.”

    Foi isso aí que os articulistas pensaram: É muito cedo para o Brasil se transformar num jogador indispensável para todos os assuntos complicados do planeta.

    E o complexo de inferioridade? Acho que é do Alon e ele está jogando para cima dos outros.

  23. Chesterton said

    É muita pretensão, Patriarca, para quem não consegue resolver nenhumas das enrrascadas que se mete. Queriam isolar a Colombia, deu errado, querem se associar à Bolivia, só da cocaína na fronteira, à Venezuela de Chaves, quebrada, vai acabar dando calote. Não é possível política externa sem objetivos definidos para o país. A dupla ratito e porquito pensa na AL inteira, de modo bolivariano…e não tem um porta-aviões em funcionamento.Obama acaba com qualquer intervenção brasileira em 20 minutos.

  24. vilarnovo said

    Em relação ao mundo o Brasil não dá pitaco nenhum. Não é player. Dentro do Bric o Brasil é o menor de todos. A Rússia possui mais importância, a China possui mais importância, a Índia possui mais importância…

    O Brasil é importante por conta de Lula. Aquele cara que sempre diverte as festinhas mundiais mas que na hora do vamos ver ninguém dá muita bola.

    É politicamente correto hoje dizer que o Brasil é de importância mundial. Mas um país que cai de 2% para 1,2% na participação do comércio mundial dizer que é importante é piada…

    Bom, acredita quem quiser…

  25. fk said

    Patriarca – Na boa, vc fez uma superinterpretação do texto do Alon, até pq o Brasil já liderou processos muito mais importantes do que esse de Honduras. Só pra citar, foi o Brasil, em 2003, que liderou a criação do Grupo de Amigos do secretário-geral da OEA pra a venezuela, fundamental para superar a crise política depois do golpe contra Chávez. Tambem foi o Brasil que conseguiu por fim, em 1998, ao processo belicista entre Equador e Peru, mediando um acordo de Paz.
    Onde esses dois fatos seriam menos importantes do que a deposição de um presidente de uma mini-nação da América Central? A questão é que logo percebeu-se que Zelaya era intransigente.
    Por exemplo, estava tudo acertado para ele voltar ao poder, mas ele deu para trás.
    O Brasil, verificando-se a legalidade das eleições e a normalidade da situação, deve reconhecer o governo de Honduras, e assim encerrar a crise no País.

  26. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax,
    Tenho pouca simpatia por várias idéias repassadas no seu texto. Seja por exemplo a seguinte frase que é o fio condutor do seu post: “Sem corrupção não há política”. De onde você tirou esse que você considera um dogma. A sua crítica a esse dogma é desnecessária, pois esse dogma não existe.
    O que é comum dizer é que desde que existe o Estado há também a corrupção. É comum e é verdadeiro. Não há exemplo de um lugar no mundo onde haja estado e não haja corrupção.
    O que se discute é se a corrupção é um mal tão grande que se não se acabar com ela onde ela exista o Estado irá perecer? É discussão presente, mas a meu ver bizantina, a menos para aqueles que acham que o mundo está involuindo.
    Outra discussão é sobre se é o Estado que produz a corrupção ou se a corrupção faz parte da própria natureza humana e o Estado é apenas o elemento necessário para aquilo que, não existindo o Estado, seria qualificado como furto ou roubo? No mundo todo o Estado cresce de importância, torna-se maior, fica mais forte. Essa é uma tendência universal. A pergunta que surge então é saber se a corrupção tem aumentado ou se tem diminuído a medida que ao longo dos anos o Estado se fortaleceu?
    Quanto a essa questão eu não tenho resposta. Era preciso que se pudesse criar índices confiáveis de corrupção. Com índices assim, confiáveis, poder-se-ia comparar o que acontecia no início do século XX em que os gastos públicos representavam menos de 10% do PIB e o que acontece agora quando os gastos públicos no mundo representam mais de 35% do PIB. Infelizmente, esses dados não existem.
    Um pouco por uma questão de fé, um tanto por outros indícios, eu acredito na evolução da humanidade. O próprio aumento do tamanho do Estado é para mim uma prova dessa evolução. Dentro dessa evolução acredito que, na média, ao longo do tempo, a corrupção vai reduzindo.
    Há ainda dentro da idéia de que a corrupção solapa a democracia falsos entendimentos sobre a democracia. A atividade política só nos serve para análise se existe um processo democrático. Como vamos analisar a atividade política na China se lá não existe democracia? Não vale à pena. E o processo democrático só é viável pela representação. (Não há como nos dias de hoje fazer a democracia pela via direta e quando ela é feita corre-se o risco do que aconteceu como na Suiça em que se proibiu novos minaretes). E a representação não se faz com a renúncia (que é mais própria da ética), mas sim com a luta, os conchavos, as barganhas, os fisiologismos e os acordos. Deve obedecer ao princípio da legalidade. Não se pode qualificar de corrupto um congresso que age com fisiologismo. Só ai se entende o dogma que você critica: “Sem corrupção não há política”.
    Sim, se o fisiologismo for tomado como corrupção e como se sabe que não há democracia sem fisiologismo e que a política só pode ser exercida em um regime democrático não resta dúvida que nesse sentido pode-se dizer que “Sem corrupção não há política”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 01/12/2009

  27. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax,
    Alguns acertos no meu comentário anterior enviado em 01/12/2009 às 13:30.
    Assim, ao dizer que a discussão sobre se a corrupção vai acabar com o Estado é uma discussão atual, mas bizantina, a menos para aqueles que acham que o mundo involui, eu queria dizer que para os que pensam que o mundo retrocede, o que evidentemente não é o que eu penso, não é bizantino discutir se a corrupção vai acabar com o Estado Democrático de Direito moderno.
    Outro acerto é na frase interrogativa a seguir que com a correção vai para o plural:
    “Era preciso que se pudessem criar índices confiáveis de corrupção”.
    Embora, em meu entendimento dever-se-ia haver apenas um índice.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 01/12/2009

  28. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax,
    Eu disse que há vários pontos no seu post pelos quais eu tenho pouco ou nenhuma simpatia. Vou mencionar alguns deles a seguir.
    Na realidade brasileira e da maioria dos países em desenvolvimento com estrutura democrática, é difícil existir Ministérios Públicos e Polícia completamente independente de tal modo a se ter certeza que o fato de existir a tramitação de uma ação contra uma pessoa é verdadeiramente indicativo da culpabilidade da pessoa. Assim, eu não endosso a sua e de milhões de brasileiros Campanha Ficha Limpa. Talvez até nos países com Ministério Público e Polícia autônoma e independente se devesse deixar para o povo a decisão de eleger o político. Talvez não se devesse lutar por fichas limpas, mas por fichas transparentes onde toda a informação do candidato fosse repassada para o eleitor.
    Também não concordo com uma seqüência no final do seu post em que você diz:
    “Pior que não cumprir foi não fazer qualquer esforço para alterar o status quo. Independente de analisarmos se é um sucesso”.
    Aparentemente penso que há duas percepções sua nas duas frases: uma de que o atual governo nada fez para mudar o status quo e a outra a de que o governo é um sucesso. Se você teve essas duas percepções o melhor seria dizer:
    “Pior que não cumprir foi não fazer qualquer esforço para alterar o status quo. Independente de ser um sucesso”.
    É claro, que eu como um céptico penso que o melhor seria dizer:
    “Pior que se demonstrar que o governo não cumpriu com o prometido seria demonstrar que ele não fez qualquer esforço para alterar o status quo. Independente de analisarmos se é um sucesso.”
    Há outra seqüência, um pouco mais espaçada, da qual eu também discordo. Na seqüência você diz:
    “O povo paga a conta calado. . . .
    Triste realidade brasileira. Triste apatia da sociedade civil que paga mais e mais impostos para saciar essa maioria da classe política que vale bem menos que qualquer tostão filmado nas tais sacolas e cuecas andando de mão e mão”.
    Bem, espero que por conta do povo você esteja incluindo todo mundo, o José Ninguém, o Sílvio Santos, a Xuxa, os políticos, todos nós e não um grupo específico de escolha a seu talante.
    E você prossegue dizendo que é triste a realidade brasileira? Por que triste? Porque não alcançamos o grau de desenvolvimento das melhores democracias européias? É verdade, mas ainda não adotamos o lema da democracia cristã alemã quando da campanha pelo parlamento europeu em que se dizia: “Por Deus e contra a Turquia”. Nem proibimos os muçulmanos de construírem seus minaretes. Sobre o lema da democracia cristã alemã veja artigo de José Luis Fiori “Entre Berlim e o Vaticano”, publicado no Valor Econômico de 17/06/2009. A menos que você considere triste ter que pagar a conta. Como diz o ditado do pragmatismo americano: não há almoço grátis.
    E você acusa a sociedade de apática. Não me parece justo. A maneira dela, a sociedade luta. Com muito esforço e persistência ela conseguiu eleger um governo como Lula. Torço para que dias melhores ainda venham e se eleja alguém ainda mais competente. E espero que a sua crítica não esconda aquele sentimento de hipocrisia em que se diz “eu faço o meu trabalho, mas esse povo apático não mercê a minha ajuda”.
    Aliás, considero a frase toda um descalabro, pois não considero a sociedade apática, sou a favor de se pagar mais e mais impostos, não penso que os impostos são pagos para saciar a maioria da classe política, não concordo com a idéia de que a maioria da classe política vale bem menos que qualquer tostão filmado nas sacolas e cuecas. Aliás essa idéia de que a classe política vale bem menos que qualquer tostão filmado nas sacolas e cuecas é frase elitista de quem se acredita superior aos políticos, o que vai contra as evidências, pois como diz Kenneth Minogue no livro dele “Política – O essencial” os políticos na média tem mais interesse público que a média dos que não são políticos.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 01/12/2009

  29. Catatau said

    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=4840

  30. Pax said

    Sugestão de leitura

    Ah, se meu panetone falasse…

    Autor(es): ELIO GASPARI
    Folha de S. Paulo – 02/12/2009

    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/2/ah-se-meu-panetone-falasse-1

  31. 2% De 3 trilhões said

    PAX sobre o Elio Gaspari
    O problema é que a cadeia que faz sabiá gorjear está tão longe do sabiá quanto um iceberg polar.
    Quando chegar neste país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza já derreteu.
    Estaremos então vasculhando uma nova choldra satisfeitos e amansados pela inoperância da justiça brasileira, veloz como um sedex bahiano e primorosa como o filho da pátria.

  32. Chesterton said

    Isso é corrupção

    C Benjamin

    DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os “verdadeiros motivos” do meu artigo “Os Filhos do Brasil”. Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: “por quê?”, ou, em forma um pouco expandida, “por que agora?”. A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.

    Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal.
    Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.

    O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.

    Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.

    O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. “O Filho do Brasil” será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.

    Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.

    Embalado pelas pré-estreias, anunciou que “não há mais formadores de opinião no Brasil”. Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos. Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.

    Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.

    Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.

    Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.

  33. fk said

    Particularmente não gosto muito quando o tema principal da discussão é desviado, mas nesse caso, vou abrir uma exceção.

    Aos conervadores que postam nesse blog, e que andaram defendendo Fox News, Sarah palin e coisas afins, leiam esse texto do Andrew Sullivan, Tory inglês, conservador portanto, e que agora rompe com a direita norte-americana. É uma obra prima de concisão e pensamento político.
    http://andrewsullivan.theatlantic.com/the_daily_dish/2009/12/leaving-the-right.html

    Ah, e só pra citar a fonte primária, essa indicação eu tirei lá do http://napraticaateoriaeoutra.org/ um dos espaços mais inteligentes de discussão política que eu encontri até agora na net brasileira…

  34. Chesterton said

    Parece gagá.

  35. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (02/12/2009 às 7:45),
    Em relação ao Elio Gaspari, eu tenho grande admiração pela capacidade de escritor que ele possui. Textos precisos e criativos ele é um dos nossos melhores escribas a preencher as páginas dos nossos jornalões. Penso, entretanto, que o valor dele como jornalista seja pequeno. Pelo menos é assim que eu avalio o Elio Gaspari desde que se contou que Elio Gaspari participou da farsa da história de que a frase “quem gosta de pobreza é intelectual pobre gosta é de luxo” (ou as variações dela) é de Joãozinho Trinta. Isto não é jornalismo.
    Agora, a cadeia para quem pratica crime que mereça a cadeia não é nada que mesmo não considerando o Elio Gaspari um jornalista se possa ficar contra.
    É preciso ter cautela na nossa análise. Já comentei em outro post seu sobre a contratação pela nossa maior mineradora dos serviços de markting de um dos mais prestigiados marqueteiros políticos. Ficou uma fortuna a contratação desse serviço. Provavelmente parte do pagamento irá quitar o débito que algum político tiver ou vier a fazer com esse grande marqueteiro.
    Sobre o mesmo assunto vale reproduzir aqui um texto meu mais antigo. Enviei em 19/05/2009 às 14:20 esse texto para o Sérgio Resende no blog do Luis Nassif junto ao post “Os bilhetes aéreos de Ciro” de 19/05/2009 às 08:09 em que se tratava de notícia na Folha de S. Paulo da Sucursal de Brasília intitulada “TAM admite erro na emissão de passagens para mãe de Ciro”. No meu comentário, que se encontra na página 2, eu dizia:
    “Sérgio Resende,
    De minha parte não faria comentários a favor de Ciro, nem contra ele. Penso que na questão de passagens há várias falhas, mas não merecia ter a repercussão que se deu. Dei uma olhada na matéria, por que, embora não seja eleitor do Ciro Gomes (considero-o muito PSDBista para o meu gosto) torcia para ele. Não faço, entretanto, distinção à crítica que lanço a todos que de uma maneira ou de outra participaram do Plano Real. O prejuízo que o Plano Real causou ao Brasil (Balanço de Pagamento deficitário, aumento da dívida, venda da Vale a preço de banana – tinha que vender a Vale para poder receber recursos e não ter que desvalorizar o real) é muito maior do que essas questões de passagem.
    O que você falou tem razão: as pessoas se acham o supra-sumo da ética e acusam (a acusação mesmo quando correta já é ou falta de ética de quem acusa ou excesso de ética da soberbia que para mim é falta de ética) porque é de praxe acusar políticos no Brasil como se eles fossem um ET e não gente como a gente.
    Só um exemplo que eu gosto de mencionar quando questiono a respeito da corrupção na política. Sejam dois deputados. Um com um bom advogado (Não necessariamente ele seria o Ciro Gomes, ou o Aécio Neves, ou o José Serra ou o grande economista como o Kandir e outro sem nem mesmo uma assessoria jurídica (Um severino qualquer dessa vida e morte severina)). Pois bem, um dia [Vamos supor que nós estamos em 199] o assessor de cada um deles diz o seguinte: olha, há uma grande empresa de mineração que diz que se você votar a favor da desoneração de produtos primários do projeto de Lei Complementar que será a futura LC 87/96 ou Lei Kandir ela lhe dará um milhão de dólares [Se eu soubesse do caso teria escrito que a mineradora se comprometia a pagar os gastos com o marketing político até a última candidatura]. O deputado então pergunta: isso é legal? Quem tem um assessor jurídico vai receber como resposta que não, mas se a empresa ao invés de pagar diretamente ao deputado, pedir uma fornecedora (ela tem que passar o dinheiro via uma fornecedora porque ela é concessionária de exploração de mina) para financiar nas próximas eleições a campanha do deputado, não haverá nada de errado. E o assessor vai ainda acrescentar: mas sua excelência tem de constar as doações de campanha na suas prestações de conta eleitoral.
    Agora imagine o deputado só com uma assessoria matuta e ela dizendo: sei não deputado, nao vi nenhum impedimento e ainda mais que sua excelência ia votar a favor mesmo.”
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 02/12/2009

  36. Clever Mendes de Oliveira said

    Chesterton (02/12/2009 às 15:37),
    Antes de ler esse texto do César Benjamim, eu havia feito o seguinte comentário (É o comentário (4145) de 01/12/2009 às 17h05) para o Surfando na Jaca no post que resta do antigo blog do Pedro Doria (“Hora da despedida” de 16/08/2009 às 20h44):
    “*Surfando na jaca (4140) (01/12/2009 às 12h26),
    Penso que o César Benjamim tentou apenas mostrar que Caetano Veloso estava certo em dizer que em matéria de sensibilidade artística o Lula é um zero a esquerda, pois aquela brincadeira de Lula podia ser feita na frente de todo mundo, menos na frente de César Benjamin.
    O Caetano Veloso errou nas palavras para dizer que Lula não tinha senso de estética ou sensibilidade artística ou veia poética ao chamar Lula de analfabeto. O César Benjamin talvez tenha apenas errado na escolha do jornal em que ele quis repercutir a crítica dele sobre a falta de sensibilidade do Lula.”
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 02/12/2009

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