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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Dado: 83 de aprovação

Posted by Pax em 08/12/2009

A última pesquisa CNI/Ibope mostra que o governo Lula tem 83% de aprovação. Para 2010 as maiores áreas de preocupação são: Segurança Pública, Educação e Corrupção.

Veja os números nas notícias abaixo e faça suas análises:

Estadão

Aprovação ao presidente Lula sobe para 83%, segundo o Ibope

Globo.com

Aprovação de Lula cresce na pesquisa CNI/Ibope

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60 Respostas to “Dado: 83 de aprovação”

  1. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax,
    A análise interessante a fazer sobre essa pesquisa é saber porque ela foi feita logo após a propaganda do PSDB e antes da divulgação do PIB do terceiro trimestre de 2009? E lembrar que quando da divulgação do PIB do quarto trimestre de 2008 e, portanto, de 2008, as pesquisas foram realizadas após a divulgação do PIB.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/12/2009

  2. Lula não é candidato a nada.
    Dilma tem 41% de rejeição, a maior disparado. Montenegro do Ibope diz que ninguém com 40% de rejeição se eleje a nada.
    Mas a Lula Press não se interessa por isso, certo?

  3. Pax said

    Interessante o ponto do Clever.

    Lula Press, Lula Borges? Ao contrário, a notícia está em vários lugares e peguei as do Estadão e da Globo que, vamos concordar, não têm em seus editoriais, nada de Lulismo.

  4. fk said

    Pobre imprensa brasileir: de um lado é chamada de PIG; de outro, Lula Press. Ou seria pobre debate político brasileiro? Huummm….
    Lula Borges, a imprensa -que não é lulista, pelamordedeus- canta sempre que pode essa bola da rejeição gigantesca da Dilma…

  5. Anrafel said

    Se Montenegro afirmou isso aí, aproveitem e apostem no contrário. 50% dos pesquisados estão dispostos a votar em um candidato apoiado por Lula; do lado de Serra, FHC só faz lhe tirar votos.

    E tem a candidatura de Ciro Gomes, que bem utilizada deverá enterrar Serra, o que deixaria Ciro felicíssimo. Falta quase um ano, o PT já deveria ter-se acostumado com a presença no poder, mas o PSDB está perdidão da silva. Prestemos atenção. Só não dá pra levar em conta o que o bigodudo botafoguense, digamos, fala.

  6. José Antonio lahud Neto said

    Pax,
    Talvez se a oposição passar a falar mal do Lula, ele comece a cair nas pesquisas. Pelo que vejo é o que lhes resta…
    Quanto ao bigodudo botafoguense, o barbudo-botafoguense aqui, concorda!

  7. José Antonio lahud Neto said

    Desculpe, errei:Se a oposição passar a falar bem…

  8. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (08/12/2009 às 14:50),
    E faltou mencionar que quando da propaganda do PSDB houve também contra propaganda da Dilma. E estranhamente sem mencionar o partido que fazia a contrapropaganda. E contrapropaganda de baixo nível.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/12/2009

  9. Pax said

    Essa não entendi, Clever.

  10. Pax said

    A oposição, José Antonio? Ela existe?

    Claro que carrego nas tintas, mas, efetiva, não existe. E não considero isto bom.

  11. Zbigniew said

    Com a exposicao na televisao, a retorica do adeus ao governo Lula, a ideia de que Dilma e a continuacao do Lula, e o que o se tem pra mostrar sobre os avancos do Brasil nos ultimos oito anos, sinceramente?! Acho que estao subestimando a Dilma.
    Quanto a este percentual de rejeicao, como acreditar num instituto que tem um presidente que ja afirmou que o Lula nao fara seu sucessor, que travou quando a Record virava o jogo pra cima da Globo no domingo retrasado e que eliminou a Heloisa Helena da consulta na ultima pesquisa (pra turbinar o Serra?).

    Pano rapido: Da Desumana Burrice Paulista (do blog do Eduardo Guimaraes).

    “(…)
    Eu voltava do centro da cidade de metrô no começo da noite desta terça-feira e as pessoas, espremidas como sardinhas em lata dentro do vagão, reclamavam do caos num tom resignado, como se não houvesse alternativa, além de proferirem besteiras ininterruptamente.

    Num dado momento, meti-me no meio da conversa de duas senhoras e um senhor:

    — Desculpem-me a intromissão, mas será que nenhuma autoridade tem culpa por tudo isso de que o senhor e as senhoras estão reclamando?

    — A culpa é desse “sem-dedo”, desse “baiano” desgraçado, claro. Mas não adianta nada reclamar, o povo é burro. O senhor assistiu o jornal ontem?

    — O Jornal Nacional?

    — Sim, a pesquisa… Não viu?

    — Vi, sim. O que tem ela?

    — Nossa, o senhor precisa se informar… Por isso as coisas não melhoram. O povo burro acha o Lula ótimo.

    — Perdoe-me, mas o que o presidente tem que ver com as chuvas?

    — Como assim, moço?! A obrigação de fazer alguma coisa é dele.

    Adiantaria explicar? Talvez… Eu ia começar a explicação, mas a outra senhora entrou na conversa.

    — Ah, não adianta reclamar. Isto aqui não vai melhorar nunca. Eu já desisti há muito tempo.

    — A senhora desistiu do quê?

    — De votar, lógico. Não adianta. E muito menos reclamar. O jeito é a gente se virar como pode.

    Finalmente, o senhor que as acompanhava abriu a boca.

    — Olha, não adianta culpar o “sem-dedo” desta vez. Quem cuida da cidade é o governador, o Serra, mas ele não tem culpa. Eu li na internet, antes de sair do escritório, que hoje foi a maior chuva da história.

    Pensei em falar alguma coisa, mas não sabia por onde começar. E, além disso, o trem estava chegando à “minha” estação (Estação Paraíso) e ainda teria que tentar chegar à porta do vagão a tempo de desembarcar daquela lata de sardinhas.”

    E de fazer chorar!

  12. Pax said

    “É de fazer chorar!”

    Concordo e muito.

    Educação, Educação, Educação… se a sociedade não sabe nem a quem cobrar suas mazelas, algo está um tanto errado.

  13. Anrafel said

    É de fazer chorar mesmo, mas essas manifestações de desumana burrice podem ser percebidas a bordo de um ônibus em Salvador, de um trem de subúrbio do Rio, numa fila de banco em Belzonte, enfim, onde o analfabetismo político e a incapacidade de análise de situações se juntam ao preconceito de classe. E num desconforto infernal de metrô e ônibus lotados ninguém sente vontade de elogiar quem quer que seja.

    Isso sem minimizar a especificiadade do título do post do Eduardo Guimarães.

  14. fk said

    O pior não é nem a demonstração de “analfabetismo político” -que, a meu ver, não aflinge uma classe social específica, mas a sociedade como um todo-, mas sim a total inércia dos brasileiros, essa terrível capacidade de, com o perdão da palvra, ser enrrabado sem reclamar.
    Viva o homem cordial!

  15. Anrafel said

    A citação do ônibus, do trem e da fila de banco pode levar os amigos a acharem que eu estou restringindo o analfabetismo político a apenas uma classe. Desculpem, não é isso o que eu penso, apesar da culpa do meu comentário. Concordo que ele perpassa toda a sociedade, que é levada a pensar com a barriga (o que é natural) ou com o impulso produzido pela última tragédia. Tem sido difícil sair desse ABC.

  16. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (08/12/2009 às 22:08),
    Bem, eu quis salientar que no mesmo período em que havia a propaganda do PSDB, eu vi também uma propaganda que não identificava o partido falando mal da Dilma. Não sei se isso é permitido, nem sei porque não houve repercussão. Não tenho assistido televisão ultimamente. Não lembro de ter visto a propaganda do PSDB, mas vi essa contrapropaganda da Dilma. Vi uma só vez, mas devo ter ficado menos de 5 minutos em frente a televisão e se fiquei mais não estava prestando atenção.
    É claro que tanto a propaganda do PSDB foi importante como foi importante a contrapropaganda da Dilma. A escolha da data da pesquisa do IBOPE não foi gratuita.
    Eleitoralmente eu dou muita importância às pesquisas. Não a utilizo, entretanto, para avaliar a competência dos nossos governantes. Tenho certeza que no meio mais letrado do PSDB este também é a análise. O PSDB, entretanto, fez a campanha do Parlamentarismo afirmando que no Parlamentarismo “Governo bom fica governo ruim o povo tira”. Eles sabiam que o slogan era fácil, mas não têm o mínimo temor em enganar o povo.
    Depois relançaram o slogan para contar com a aprovação popular para a emenda da reeleição e depois para contar com o apoio popular para a reeleição de FHC e com o apoio popular apresentar o governo de FHC como o suprassumo da competência.
    O interessante na aprovação da emenda e na campanha da reeleição era que um dos motivos para o PSDB ficar contra o regime Presidencialista era a concentração de poder nas mãos do presidente no regime presidencialista. A reeleição reforçava a concentração de poder.
    Por fim, não acho o presidente essa brastemp de governabilidade. Para quem, como eu, defende o câmbio desvalorizado como principal instrumento para o crescimento continuado de uma economia em vias de desenvolvimento (E defende a desvalorização desde 1985 ao avaliar dois anos depois a desvalorização de março de 1983), o governo Lula tem até me decepcionado muito em 2009. Só que sei que a humanidade, salvo a inépcia absoluta que não ocorre nos processos democráticos, sendo mais própria das monarquias hereditárias, não possui mecanismos para avaliar a competência administrativa de um governante. Fazemos a avaliação com base em critérios que a nossa ideologia nos ajuda a construir. É uma avaliação ideológica e portanto não objetiva por mais que nos iludamos com a escolha de critérios objetivos (Crescimento econômico, geração de emprego, tamanho da dívida pública, índices de escolaridade, indicadores de saúde, etc.)
    No entanto, torço para que o governo Lula tenha altos índices de popularidade para que o slogan do PSDB fique cada vez mais enfraquecido, pois acusam o presidente Lula desde o início de ser o mais corrupto e o mais incompetente dos nossos governantes.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/12/2009

  17. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (08/12/2009 às 22:08),
    Outro assunto que eu não abordei no meu comentário foi o fato de o presidente Lula ter tido uma avaliação melhor do que o governo Lula (Só hoje vi referência a isso no jornal “O Globo” e coincidentemente havia menção a falhas de gestão do governo na área de educação uma página antes ou uma página depois da notícia sobre a pesquisa do IBOPE”). A salientar que a propaganda do PSDB muito provavelmente não falou mal do Lula, mas deve ter falado mal do governo. Aliás a contrapropaganda da Dilma era exatamente para mencionar que ela seria culpada pelas falhas administrativas do governo.
    O PSDB já se alertou que é dar tiro no pé falar mal do Lula, por isso deixou o foco de suas críticas só no governo. E essas críticas tinham muito mais validades se feitas antes da divulgação do PIB que evidentemente vai voltar a colocar Lula e o governo dele nas alturas.
    E um lembrete: uma andorinha só não faz verão. O IBOPE sozinho não tem muita força. E preciso que a grande imprensa trabalhe em conjunto. A reportagem sobre o ENEM que saiu na Globo é o tipo de trabalho conjunto. O governo enfrentou o problema dentro dos limites da capacidade financeira e de recursos humanos que ele possui. Pode ter havido erros, mas de novo nada que possibilite alguém dizer que os erros foram frutos de má-gestão. A má gestão só ficou visível no governo FHC durante o racionamento não pelo racionamento em si, mas pela origem dele. O governo para arrecadar mais permitia a venda das represas com a possibilidade de uso de plena carga. Só que as represas são construídas para serem usadas até um limite inferior de plena carga para que o reservatório possa suportar cinco anos de seca. Ali realmente faltou planejamento. Esse erro no entanto por mais que ele tenha tido repercussão no PIB reduzindo de forma duradoura e ao longo de um a dois anos o crescimento econômico não impede que no futuro, quando a humanidade inventar um mecanismo infalível de aferição da capacidade administrativa de um governo, o governo FHC seja considerado o melhor que nós tivemos. Eu sei que eu vou desconfiar desta engenhoca, mas na minha opinião não há impeditivo para se escolher o governo de FHC como o melhor governo. Nem o de FHC, nem o de José Sarney, nem o de Collor e de Itamar.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/12/2009

  18. Elias said

    Divulgado pela Economist:

    1 – Risco Brasil
    Nos tempos do FHC: 2.700 pontos
    Nos tempos do Lula: 200 pontos

    2 – Dívida Externa
    Nos tempos do FHC: foi mantida
    Nos tempos do Lula: foi zerada

    3 – Novas universidades federais
    Nos tempos do FHC: nenhuma
    Nos tempos do Lula: 10

    4 – Novas escolas técnicas
    Nos tempos do FHC: nenhuma
    NOs tempos do Lula: 214

    5 – Valores e reservas do Tesouro Nacional
    Nos tempos do FHC: US$ 185 bilhões NEGATIVOS
    Nos tempos do Lula: US$ 160 bilhões POSITIVOS

    6 – Taxa de juros SELIC
    Nos tempos do FHC: 27%
    Nos tempos do Lula: 11%

    7 – Mobilidade social
    Nos tempos do FHC: 2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.
    Nos tempos do Lula: 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.

    Tem mais, mas paro por aqui.

    Pra popularidade do Lula cair, melhor se a oposição começar a falar BEM do cara.

    A oposição tá tão ferrada que quem estiver bem com ela se ferra junto…

  19. Elias said

    Ah, sim,

    A partir de agora, a Economist passa a ser uma revista sob a direção da Fundação Perseu Abramo, com financiamento do governo Lula.

    Não é?

  20. Pax said

    Clever, você me permite um aparte? Os teus textos são muito bons, mas além de complexos, acabam se alongando demais. Nesse tiroteio da internet acaba que fica difícil acompanhar.

    Vamos lá, em #16: não entendi bem essa questão da propaganda do PSDB que você está citando desde o primeiro comentário neste post. Que propaganda é essa? Recente? Está no Youtube disponível ao menos para eu entrar na conversa sem estar vendido? E essa contrapropaganda da Dilma que você se refere: qual é? Juro que não estou conseguindo acompanhar, ou por deficiência minha, o que é bem provável, ou por desinformação, que é mais desculpável.

    Desculpa, por favor não veja como uma reclamação, é somente que quero dar atenção aos teus comentários mas não estou conseguindo.

  21. Pax said

    Elias,

    De todos os dados que você colocou da boa revista, não acho que são os mais importantes.

    O que me parece mais afeto, aí sim, é o da mobilidade social, mas ele não é causa, é consequência. E consequência do aumento do poder aquisitivo da base da pirâmide, seja pelo aumento real do salário mínimo – e todas suas consequências – como também, uma parte menor, do assistencialismo.

    Vale uma ressalta para não parecer torcida de time de futebol, mais irracional: muita da base do que foi possível fazer vem de um processo que teve em governos passados alguns avanças. Digo isso porque senão daqui a pouco ao invés de gostar ou não de Lula vai aparecer gente querendo que eu reze por ele, o que tá longe de acontecer. Nem acho Deus, nem Diabo. Tá num “mais ou menos com louvor”. Passa de ano, mas não direto.

  22. fk said

    Elias – Vc só se esqueceu de citar o contexto em que tais números foram possíveis, principalmente aqueles econômicos, ainda que concorde que, no campo social, Lula é realmente imbatível. Mas o contexto diz muito. Não se pode, por exemplo, esquecer qual era o cenário econômico pré-plano real (inflação galopante), qual era a alma do plano real (ancora cambial), qual era o cenário externo (derretimento das economias em desenvolvimento) e outras coisas mais. A política econômica do Lula, sem tirar nem por, é uma continuidade total daquela de FHC. Se os números econômicos de Lula são esses, é porque houve estabilização monetária lá atrás.

    Vc poderia citar também o PIB do brasil nos 8 anos de governo Lula, que foi o pior dentre os países do Bric, por exemplo, ainda que tenha sido melhor do que na época do FHC…

    Quanto à Economist, bom, tem gente por aí chamando a imprensa brasileira de Lulapress…pra esses, a Economist deve ser o Pravda!

  23. fk said

    Claro que, no campo social, Lula é mesmo imbatível e todos os méritos são dele, ainda que na educação ambos tenham sido igualmente mediocres.
    Vc pdoe até dizer que Lula fez mais escolas técnicas e mais faculdades federais -e fez mesmo-, mas isso me remete diretamente à universalização do ensino primário da era FHC, ou seja, quantidade sem qualidade…

  24. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (09/12/2009 às 18:50),
    Recentemente o PSDB, ou nacional ou dos Estado teve o direito a fazer propaganda política partidária no horário gratuito. A pesquisa do IBOPE foi feita logo depois da propaganda do PSDB. Eu não vi a propaganda, mas li nos jornais que ele ocorreu sendo dado destaque igual ao José Serra e ao Aécio Neves. É preciso até ver como o Aécio Neves se saiu.
    A propaganda contra a Dilma, eu vi e saiu no mesmo período em que eu li nos jornais que houve propaganda do PSDB, mas não havia a identificação do partido que estava usando o horário gratuito.
    O PT também age de forma semelhante pagando os institutos de pesquisas para fazer o levantamento no momento certo. É direito dos partidos fazerem levantamentos bem localizados até para se ter idéia da qualidade da propagando que se está fazendo. Não é nenhum demérito dos institutos realizarem essas pesquisas nessas oportunidades. É claro que o acúmulo de coincidências e que nos vão permitir saber qual é o instituto de pesquisa que apóia este ou aquele partido, basta fazer esse tipo de levantamento
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/12/2009

  25. Pax said

    Agora entendi, Clever. Mas precisaria ver as tais propagandas, que pelo que me lembro, não vi. Vejo televisão mais de noitão.

    Pelo que sei, qualquer instituição pode pedir pesquisa, pagando aos institutos, mas não entendo nada desse samba.

    Desde o primeiro comentário entendi que teu ponto era bom, e afirmei isso, apesar de não estar a par das tais propagandas.

    Obrigado pelas explicações. Abraço.

  26. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (09/12/2009 às 18:37),
    É claro que podemos escolher os indicadores para fazer a comparação e estabelecer que um governante é melhor do que outros. Só que a nossa escolha foi fundamentada em nossa ideologia.
    Fiquemos com o crescimento do PIB que aparentemente é extremamente objetivo. No Blog do José Eli da Veiga há alguns artigos dele em que ele mostra a carga subjetiva do PIB (No fundo o PIB foi um modelo criado para medir a capacidade de um país entrar em guerra). E pensando como Nicholas Georgescu-Roegen pode-se dizer que um crescimento menor é melhor do que um crescimento maior. E nos dias de hoje, com os problemas decorrentes dos estragos ambientais que um crescimento muito rápido da economia acarreta fica ainda mais fácil pregar e defender baixas taxas de crescimento do PIB.
    Quanto aos indicadores da revista The Economist, embora eu seja leigo em economia vou relacionar para cada um deles, uma opinião diversa:
    “1 – Risco Brasil
    Nos tempos do FHC: 2.700 pontos
    Nos tempos do Lula: 200 pontos”
    Evidente que todos torcem para que o risco Brasil seja menor. Há, entretanto, um livro lançado se não me engano no primeiro governo de Lula em que economistas de esquerda diziam que deveríamos torcer para que o risco Brasil fosse elevado, pois isso afugentaria o capital externo que só entra para aumentar a exploração do país. Não li o livro, mas lembro de ter lido artigo de Elio Gaspari brandindo esse argumento.
    “2 – Dívida Externa
    Nos tempos do FHC: foi mantida
    Nos tempos do Lula: foi zerada”
    Assim de supetão não me ocorre mencionar um ou outro economista que defenda esse argumento, mas já li economistas que diziam que quanto maior a dívida externa mais se revelava a pujança de um país. Os Estados Unidos seriam um país pujante porque possuem uma grande dívida externa.
    “3 – Novas universidades federais
    Nos tempos do FHC: nenhuma
    Nos tempos do Lula: 10”
    e
    “4 – Novas escolas técnicas
    Nos tempos do FHC: nenhuma
    NOs tempos do Lula: 214”
    Aqui entra a questão de prioridade governamental. Como podemos saber se Lula não abriu mão de uma prioridade maior, como por exemplo saneamento, para atender o que não seria uma prioridade tão grande assim: universidades e escolas técnicas? A resposta a esta questão vai depender da nossa ideologia. E mesmo que FHC não tenha feito nada em área nenhuma ele poderá sempre alegar que ele deixou de fazer tudo que ele podia para combater a inflação.
    “5 – Valores e reservas do Tesouro Nacional
    Nos tempos do FHC: US$ 185 bilhões NEGATIVOS
    Nos tempos do Lula: US$ 160 bilhões POSITIVOS”
    Há muitos que criticam a formação de reservas. Uma boa pesquisa e provavelmente podem-se encontrar vários nomes de críticos da formação de reservas. Os americanos não vão fazer crítica porque sabem que esse é um mecanismo que recolhe a inflação de dólares na economia mundial e, portanto, é benéfico para os Estados Unidos. O único problema para os Estados Unidos é se o mundo resolvesse acabar com as reservas. Ocorre que se a China resolvesse acabar com as reservas dela ocorreria uma inflação que talvez repercutisse na própria China.
    Não sou contra as reservas, tanto assim que resolvi parodiar o slogan pro parlamentarismo do PSDB e dizer: “governo bom forma reservas e governo ruim as destrói”. Só que eu acrescento o seguinte: “Mas é bom que se diga que as reservas são para inglês ver”. Para usar as reservas é preciso que a economia esteja indo mal, com problemas no Balanço de Pagamento. Assim, não se deve mexer com elas. Se eu estiver certo no meu acréscimo então formar reservas não é bom, pois para que formar algo que é só para inglês ver? Bem, vou parando nesta digressão, pois como disse o Pax no comentário enviado em 09/12/2009 às 18:50 meus comentários “acabam-se alongando demais. . . . .e fica difícil acompanhar”. Eu mesmo já não sei onde é que eu estou. Ah sim, quanto os Estados Unidos possuem em reservas?
    “6 – Taxa de juros SELIC
    Nos tempos do FHC: 27%
    Nos tempos do Lula: 11%”
    É o tal negócio, o juro alto inibe o consumo e favorece o país ter excedente para as exportações que permite que o país cresça puxado pelo mercado externo e impede que o país, com o aumento do consumo interno que é o que o juro baixo provoca, fique submetido a constrangimentos no Balanço de Pagamento. Aliás é fácil achar muitos defensores do aumento de juro.
    “7 – Mobilidade social
    Nos tempos do FHC: 2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.
    Nos tempos do Lula: 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.”
    Quanto a esse item eu já encontro mais dificuldade para apresentar um contra-argumento, muito embora eu tenha certeza que muitos dirão que isso é fruto do Bolsa Família que destrói os valores do trabalho e do sacrifício e que são fundamentais na construção do ser humano na curta existência dele sobre a Terra produzindo não homens mas espectros de homens. Ou como diria Francisco Octaviano:
    “Quem passou a vida em brancas nuvens
    E em plácido repouso adormeceu,
    Quem não sentiu o frio da desgraça,
    Quem passou pela vida e não sofreu
    Foi espectro de homem, não foi homem,
    Só passou pela vida, não viveu”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/12/2009

  27. Elias said

    I
    E lá vai mais um dado da Economist:

    Investimentos em infra-estrutura.
    Nos tempos do FHC: Nada
    Nos tempos do Lula: R$ 504 bilhões(incluindo programação para 2010)

    II
    Em educação os dois foram IGUALMENTE medíocres?

    Sei não…

    Lula implantou 10 novas universidades federais e 45 extensões universitárias. FHC nenhuma.

    Lula implantou 214 novas escolas técnicas. FHC nenhuma.

    Lula e FHC podem ser, ambos, medíocres. Mas não IGUALMENTE. Tem um aí que, necessariamente, terá sido mais medíocre que o outro.

    III
    É melhor ter juros altos que juros baixos?

    Sei não…

    Juros altos inibem o consumo interno e, por isto, “liberam” exportáveis.

    Acontece, criaturas, que o nível de vida é diretamente proporcional ao nível de consumo. Quem consome mais, vive melhor, com mais conforto, etc…

    Quando “inibimos” o consumo interno, estamos, de fato, tornando mais difícil a vida para a população do país, já que o benefício proporcionado pelo aumento das exportações tende a ficar concentrado no alto da pirâmide social, cuja melhoria do nível de vida tem baixa elasticidade-renda (são pessoas que atingiram um padrão de vida de tal ordem que já não se altera só porque elas passaram a ganhar mais).

    IV
    Só mais duas:

    Primeira:

    “…o juro alto inibe o consumo e favorece o país ter excedente para as exportações que permite que o país cresça puxado pelo mercado externo e impede que o país, com o aumento do consumo interno que é o que o juro baixo provoca, fique submetido a constrangimentos no Balanço de Pagamento.”

    Nem tanto, amigo… nem tanto.

    Por isso, fiz questão de citar os dados dos juros juntamente com os das reservas, da dívida externa e do “risco-país”.

    O mérito do cara foi exatamente esse: ele conseguiu combinar aumento das exportações com aumento do consumo interno; rebaixamento da taxa básica de juros com inflação sob controle e aumento das reservas.

    Durante esse período, o Balanço de Pagamento jamais esteve sob ameaça de “constrangimento”. Seu resultado tem sido, sistematicamente, positivo.

    Segunda:

    O alto nível de reservas ajudou pacas a fazer a travessia da crise. Sem ele, o país ficaria sem liquidez e teria que correr atrás… como vários outros, pelo mundo afora, né?

  28. fk said

    I-
    Acho dificil o investimento em infraestrutura de FHC ter sido zero. Os números do Lula são investimentos realizados ou dinheiro empenhado? Os dois são muito diferentes, e está aí o orçamento do PAC e as estradas federais esburacadas, aeroportos caindo aos pedaços, portos podres e transporte ferroviário inexistente que não me deixam mentir.

    II-
    A gente já discutiu essa questão da instalação de novas universidades federais -enquanto as velhas caem aos pedaços- em outro post. Lula só tenta fazer no ensino superior o que FHC fez com terrível custo qualitativo na educação fundamental: a universalização.
    A chave pra educação melhorar não está no ensino superior, apesar de passar indubitavelmente por ele, mas sim no ensino báscio, como, por sinal, percebeu o primeiro Ministro da Educação do Lula, Cristovam Buarque. O resto é engodo, como por sinal o é o Pro-uni, que está criando uma geração de analfabetos funcionais com diploma superior pelo que há de pior em ensino universitário nesse país, mas isso é uma discussão que passa pelo debate -inexistente no país- de qual a função do ensino superior.

    III-
    Esse argumento dos juros baixos e altos do Clever me parecem ruins e insustentáveis. Os juros altos do FHC ocorreram por causa do PLano Real e a forma com que esse combateu a inflação, principalmente por causa da âncora cambial. Isso, combinado ao derretimento da economia na década de 1990, levou aos juros astronômicos do período.
    Isso para não falar que os juros poderiam cair mais ainda se o país conseguisse suprir demanda interna, o que não ocorre porque não existe política industrial pública no país e a infraestrutura é, para falar o mínimo, porca. Pode botar na conta da dupla FHC-Lula…

    IV-
    “O mérito do cara foi exatamente esse: ele conseguiu combinar aumento das exportações com aumento do consumo interno; rebaixamento da taxa básica de juros com inflação sob controle e aumento das reservas.”
    Esse era um processo que já vinha desde os dois últimos anos de governo FHC. Ponto pro Lula, que apenas aprofundou o processo, muito devido ao ambiente deixado por seu predecessor e pela situação mundial.

    O que é preciso entender é que o Brasil não começou em 2003. O Lula consegue jogar muito bem com essa ideia, ams ela é uma mentira.
    Deve-se reconhecer todos os avanços do governo Lula, mas deve-se reconhecer que existiu uma coisa chamada “história”, e que esse governo não existiu à revelia dela.

    O desafio, impossível para a incompetente oposição, não é criticar o que Lula fez, mas sim questionar porque não fez mais.

  29. Elias said

    Ah, vejam só:

    Nos EUA, atualmente, questiona-se a estratégia usada pelo país, de transferir para outros países certas funções de produção, em busca de custos mais baixos.

    Exemplo: indústria do vestuário.

    Lá pelos anos 1960, os EUA produziam 95% do vestuário consumido no país. Atualmente, menos de 5% do vestuário consumido no mercado americano é produzido lá.

    A situação se inverteu.

    O tecido é comprado e encaminhado pra Índia, onde é cortado. Depois, as roupas cortadas vão pra China, onde são fechadas e etiquetadas. Daí seguem pros EUA, onde são vendidas.

    É que o custo da mão-de-obra é muito menor na Índia e na China, onde se usa intensivamente o trabalho subremunerado, inclusive o trabalho infantil, semi-escravo, etc. Algo que não seria possível fazer nos EUA.

    Resultado: o custo — mas não o preço ao consumidor! — do vestuário caiu substancialmente, elevando de forma brutal o lucro das grandes empresas do setor.

    Só que isso extingüiu com mais de meio milhão de empregos diretos na indústria americana do vestuário, e uma quantidade ainda não conhecida de postos de trabalho indiretos e…

    …e a coisa já repercute no consumo, indo repicar sobre o… lucro das grandes empresas do setor.

    Ao fim e ao cabo, a coisa se revela mais como um enorme e lento suicídio.

    Esta primeira década do século XXI está se esmerando em jogar por terra todas as fantasias liberais e neo-liberais que, no papel, parecem (e, às vezes, nem parecem…) redondinhas, mas que, na prática, simplesmente não funcionam.

    Cá do outro lado do balcão: bobagem montar uma estratégia econômica para a qual exportação e consumo interno são variáveis mutuamente excludentes. É só mais outra fantasia liberal.

    As economias mais bem sucedidas jamais usaram essa estratégia. Elas procuraram combinar o aumento do consumo externo com o aumento das exportações. Aumento do nível de vida da população interna com aumento da participação do país no mercado mundial.

    Isso implica um rítmo de crescimento menos intenso, porém mais consistente e menos vulnerável às pressões externas.

    Todas as economias preponderantemente voltadas à exportação, comeram capim em 2008/2009, por causa da crise. Quem se manteve atento ao consumo interno, enfrentou dificuldades, mas sofreu menos.

    É o que está por trás de mais um dado da Economist.

    Indústria automobilística.
    Nos tempos do FHC: em baixa, 20%
    Nos tempos do Lula: em alta, 30%

  30. Elias said

    Mais uma:

    A chave para a melhoria do ensino foi, é, e continuará sendo o ensino superior.

    É no ensino superior que se forma o pessoal que atua na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio.

    Quem se der ao trabalho de olhar o que se passa por este Brasil afora, entenderá rapidamente o que estou dizendo. No Nordeste, por exemplo, uma parcela expressiva dos professores que atuam no ensino fundamental não tem nem o ensino médio completo.

    Daí porque é no ensino superior que se dá o começo de qualquer trabalho consistente de melhoria na área de educação.

    E isso não tem nada a ver com “provões”, né?

    “Provão” dá, quando muito, o diagnóstico. Mas o remédio só vem com investimentos no ensino público, que é quem carrega o piano.

  31. fk said

    “Cá do outro lado do balcão: bobagem montar uma estratégia econômica para a qual exportação e consumo interno são variáveis mutuamente excludentes. É só mais outra fantasia liberal.” – Que eu saiba, isso nunca, jamais foi aventado por nenhum liberal, até pq vai contra o princípio máximo do liberalismo econômico da não-intervenção…

    Todo ano centenas de faculdades de pedagogia despejam toneladas de pedagoga(o)s no mercado, sem nenhum efeito real sobre a educação fundamental.
    A chave para a melhoria do ensino passa, isso sim, pela melhoria das condições de ensino nos estágios iniciais da educação. Passa por melhores salários, melhores condições materiais e melhor formação – e só aqui entra o ensino superior como chave da melhoria educacional brasileira e, ainda assim, pela reforma dos cursos já existentes, e não pela abertura de novos cursos.

    Em São Paulo, a maioria dos professores é relativamente bem formados. O ensino básico é muito bem avaliado, já o ensino secundário é um desastre. Ou seja, a questão educacional passa a largo de ser somente a formação dos professores…

    Nós aqui temos essa tara com o ensino superior, que leva a abertura inconsequente de “universidades” de esquina, sendo que a discussão sobre o porque do ensino superior, qual sua função, essa discussão passa a largo.
    Na verdade, a discussão sobre educação, em geral, não sai muito do feijão-com-arroz reducionista e de “soluções” mirabolantes.

  32. Elias said

    Eu disse que é no ensino superior que SE INICIA o processo de melhoria do sistema educacional.

    Impossível pretender que a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio melhorem de qualidade, quando a maioria das turmas é regida por professores que nem dispõem do ensino médio completo.

    A Universidade de Brasília tem um estudo interessante a esse respeito, inclusive com a formulação de estratégias.

    Daí porque, ainda no governo FHC, foram estabelecidas datas-limite para que as escolas brasileiras passem a manter, em seus quadros, somente professores com formação superior.

    Por que foram estabelecidas datas-limite, aliás estabelecendo prazos diferenciados para o ensino médio (sim, há dezenas de milhares professores de ensino médio SEM o ensino médio completo!), o ensino fundamental e a educação infantil?

    Elementar… é que as universidades brasileiras não tinham como abastecer todas as escolas com os profissionais necessários (em especial em disciplinas como química, matemática, física e biologia), caso as exigências da lei tivessem que ser cumpridas imediatamente.

    Então… tem que, primeiro, criar condições para que os profissionais necessários sejam formados, nos locais onde são demandados.

    A experiência demonstra que não adianta muito formar profissionais em excesso na localidade ou região A, enquanto esses mesmos profissionais são escassos na localidade ou região B.

    Dependendo da distância entre A e B, somente uma escassa minoria se dispõe a migrar.

    A experiência também demonstra que, a medida que o nível de formação do corpo docente se eleva — notadamente nas localidades em que sejam escassos docentes com nível de formação de melhor qualidade — o nível de remuneração também se eleva.

    No estudo feito pela UnB, há uma proposta interessante, no sentido de premiar os municípios cuja proporção de docentes com nível superior e remuneração aos docentes atinjam determinadas metas. Esses municípios teriam uma participação maior no rateio do montante que não é atingido pelas taxas constitucionais de distribuição da receita tributária.

    Alguns estados como Goiás, Ceará e outros, já fazem algo parecido na área ambiental (é o chamado “ICMS ecológico”).

    Enfim… propostas existem, e algumas medidas já vêm sendo praticadas há alguns anos.

    Mas todas as propostas existentes e as medidas já em prática dependem do ajuste que deve ser feito no ensino superior.

    Que é onde tudo começa.

  33. O juro alto não favoreceu as exportações. Pelo contrário, ele operou como um impeditivo, pois:

    1) Atraiu capital especulativo externo, que pressionou o real para baixo. O Câmbio só não caiu porque, como o risco país estava elevado, pouca gente queria investir aqui. Aliás, o juro ficou elevado justamente para compensar o risco país

    2) Elevou o custo do investimento no Brasil, com impacto na competitividade.

    O que aconteceu nos últimos dois anos de FHC foi que o país teve que exportar para poder salvar algum resultado de PIB. A economia estava estagnada, o real desvalorizado e o país precisava de reservas. FHC então começou um esforço exportador, para tentar ativar a atividade industrial e gerar divisas.

    Este esforço, contudo, só deu resultado durante o começo do governo Lula. E graças a um ministro chave para este tema: Luís Fernando Furlan.

  34. fk said

    “A experiência também demonstra que, a medida que o nível de formação do corpo docente se eleva — notadamente nas localidades em que sejam escassos docentes com nível de formação de melhor qualidade — o nível de remuneração também se eleva.” – Discordo de vc -é o nível da remuneração que é capaz de atrair melhores profissionais. Veja o caso de Barueri, aqui do lado de São Paulo. O município recolhe uma fortuna de impostos por causa dos condomínios Alphaville, e tem feito uma aplicação pesadíssima em educação, tanto na questão dos salários quanto na questão materil. Resultado: os concursos para professor municipal em Bauru são mais concorridos do que balde de água no Saara.
    Não é o nível dos profissionais que aumenta os salários, mas sim o nível dos salários que aumenta o nível profissional. E isso vale pra todo o país.
    De qualquer forma, se vc não tem pessoas com o mínimo de formação básica, não terá pessoas suficientemente capacitadas para uma formação universitária boa.
    O aluno de química não vai pra sala de aula porque não há estímulo econômico para tal. Bem, nem mesmo os professores de faculdades de pedagogia vão para saula de aula…Vc pode fazer 300.000 universidades, se não houver incentivos pro cara entrar na saula de aula, a educação ainda será ministrada por uma parcela de mediocres e outra de idealistas, e nenhum dos dois é particularmente bom para a educação pública.

    O Furlan realmente fez uma política de incentivo à exportação quando no Ministério, mas enquanto o custo brasil for essa barbaridade que é, não há esforço exportador que dê conta do recado, e o Brasil vai por todo o sempre ficar oscilando na medíocre marca de 1 a 2% de participação no comércio internacional.
    E ai, a culpa é mais uma vez de ambos e seus 16 anos de serviços não prestados à infraestrutura e desburocratização do país.

  35. Elias said

    Só pra complementar o que disse o Paulo Roberto Silva.

    Nos “tempos do FHC”, em especial nos últimos anos, o câmbio foi mantido fixo. Como o R$ estava sob pressão, o BC teve que intervir a todo tempo, estourando as burras Tesouro Nacional.

    Fechou 2002 com US$ 185 bilhões negativíssimos (já mencionei essa cifra lá acima).

    Nos “tempos do Lula”, o câmbio é flutuante e têm sido raras e discretas as intervenções do BC (e o TN fecha com US$ 160 bilhões positivíssimos).

    Meu comentário sobre o “juro alto pra inibir o consumo interno e, assim, liberar exportáveis”, foi, muito mais, dirigido a uma determinada corrente do pensamento econômico.

    É mais do que sabido que a contenção do consumo interno, via elevação da taxa básica de juro, nos últimos anos do FHC, foi, muito mais, uma medida anti-inflacionária.

    Se o juro caísse, o consumo se elevaria e, como a produção estava estagnada, isso produziria uma alta generalizada nos preços internos.

    Durante o governo Lula — após o período de ajuste em 2003 — foi possível derrubar a taxa básica de juros, o que aconteceu em 2005, sem prejuízo do controle inflacionário.

    Na realidade, muita gente acha — e eu concordo — que teria sido possível derrubar os juros desde 2004. Isto só não ocorreu por causa do conservadorismo do Palocci, cuja ausência, até hoje, preenche uma lacuna na equipe do Lula.

    Dentro do governo, Mantega vinha defendendo a redução da taxa básica de juros desde o início de 2004. Já Palocci dizia que, se baixasse o juro, a inflação voltaria.

    O escândalo em que Palocci se envolveu acabou resultando altamente benéfico para a condução da política econômica.

    Furlan?

    Sim, foi bem, mas… não esse futebol todo…

  36. Elias said

    FK, você precisa entender o seguinte:

    Quando falamos em educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, estamos falando em ENSINO PÚBLICO.

    A participação do setor privado na oferta de vagas nesses níveis é minoritária. E bote minoritária nisso.

    No setor público, nunca será possível elevar o nível de remuneração do docente que nem dispõe do ensino médio completo.

    Se for profissional de nível superior, o nível de remuneração é, necessariamente, mais elevado.

  37. fk said

    “Nos “tempos do FHC”, em especial nos últimos anos, o câmbio foi mantido fixo. Como o R$ estava sob pressão, o BC teve que intervir a todo tempo, estourando as burras Tesouro Nacional.” – O câmbio tornou-se flutuante no começo de 1999. Muito tarde, na verdade, considerando que a crise internacional sangrava os cofres públicos na casa do bilhãos por dia. Mas,d esde então, o câmbio é flutuante.
    Flutuante em termos, na verdade, pois desde aquele tempo, como ocorre até hoje, o BC sempre entra comprando ou vendendo para tentar dar uma estabilizada no câmbio, mantendo-o em patamares controlados…

    Os juros vinham em viés de queda desde 1999, e só foram elevados no final do governo FHC devido ao ataque especulativo advindo da desconfiança internacional com a eleição de Lula.

    Vc sabe quanto ganha um professor de ensino público no Estado e no município de São Paulo, nos quais a maioria absoluta tem formação superior?

    “No setor público, nunca será possível elevar o nível de remuneração do docente que nem dispõe do ensino médio completo.” – Aposto que os professores com ensino superior discordam de vc. É óbvio que parte dos problemas educacionais do país passam pela má formação dos professores, mas também é óbvio que parte dos problemas advém da péssima remuneração. Peguemos aquelas áreas que vc citou, as amis técnicas, digamos assim (física, química, matemática)…Formam-se algumas boas centenas de profissionais nessas carreiras, e uma infinésima parte deles vai para o ensino. Isso ocorre porque não há incentivo para tal. O sujeito prefere uma má remuneração no campo da química a uma bela remuneração no campo do ensino público porque os incentivos são maiores para que ele permaneça um técnico privado do que um professor público.

  38. Clever Mendes de Oliveira said

    FK (28) (10/12/2009 às 12:53),
    Fiz mais um exercício sobre os itens que Elias (18) (09/12/2009 às 18:37) havia retirado da revista The Economist. Poderia questionar a revista The Economist que possui uma ideologia diferente da minha, mas achei interessante analisar cada item isoladamente, salvo a educação que tive que apresentar como uma questão de decisão gerencial.
    Primeiro há que observar que tudo é uma questão gerencial. Fazer o PIB crescer mais rápido como está crescendo agora via aumento consumo das famílias e benefícios para as indústrias reduzindo o saldo na Balança Comercial e fazendo o mesmo caminho de FHC que nos levou a crise no Balanço de Pagamentos ou ter optado por um crescimento mais devagar, repousando nas exportações e para isso tendo que manter o câmbio em 2,3 do final de 2008 e evitando que o crescimento do consumo das famílias crescesse a taxas tão altas? É uma decisão que depende da ideologia de cada um, mas que vai ter repercussões diferentes.
    Segundo, minha ideologia é favorável ao governo de Lula, principalmente aos anos de Palocci e contrária ao governo de FHC.
    Terceiro, eu sempre fui favorável e que se traduza em índices a atuação de um governo.
    E quarto e mais importante, o cerne da minha argumentação, que foi feita mais como um exercício, é a idéia de que a humanidade não inventou um mecanismo capaz de dizer objetivamente qual foi ou é o melhor governante. O nosso julgamento é um julgamento ideológico. Os índices eu escolho com base em minha ideologia e eles trazem também uma carga ideológica elevada.
    Depois se eu achar importante tentarei fortalecer um ou outro argumento que eu tenha apresentado e que você achou que eles seriam inconsistentes. Lembro apenas a questão do consumo. É claro que todos são favoráveis ao consumo conspícuo de uma sociedade afluente, mas, de novo, perguntando com base na análise do economista romeno e judeu Nicholas Georgescu-Roegen, a humanidade pode conviver com isso? É possível incentivar o consumo da sociedade chinesa até que os chineses tenham o mesmo nível de consumo da sociedade americana, ou o mundo quebra antes de chegar a esse ponto?
    E para países em desenvolvimento, o mais aconselhável é fazer como FHC e Itamar fizeram em 1994 e acabar com a inflação de uma vez o que leva a um aumento do consumo de forma assustadora de tal modo que já no fim do ano, o saldo comercial que até junho de 1994 era de 1 bilhão de dólares ao mês já passou a ser negativo? Ou o certo é fazer como os chineses que reduzem o consumo da população ao máximo e assim ficam livres das crises de Balanço de Pagamentos com as quais o Brasil conviveu com freqüência durante o governo de FHC?
    Agora, na sua análise não esqueça que a quantidade gera qualidade. E não esqueça também que a universalização do ensino não foi obra de FHC, mas obra da Constituição de 88. É de FHC o FUNDEF que, se analisado com cuidado verificando como nos estados e municípios os estados e municípios cuidam do ensino fundamental e do ensino médio, qual é a média dos estados prestando cada um desses serviços, a média dos municípios e a média geral do Brasil para o conjunto dos estados e para o conjunto dos municípios, chegar-se-á a conclusão que o FUNDEF foi um mero artifício para passar verbas do município de São Paulo governado por Celso Pitta para o Estado de São Paulo governado por Mario Covas.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 10/12/2009

  39. Elias said

    Então tá, FK!

    É possível elevar o nível de remuneração de professores que, na realidade, nem têm formação de professores, porque não chegaram a concluir o nível médio.

    Também é possível, com esses profissionais, melhorar o nível de ensino na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio.

    E — claro! — o câmbio nos anos FHC era flutuante. Só no finalzinho do 2º mandato é que ele se tornou fixo.

    Aquele negócio da paridade R$.1,00 = US$.1.00, desde o início do Plano Real e mantida por um porrilhão de tempo, mesmo quando a inflação acumulada já quebrara a barreira dos 15%, aquilo tudo, dizia eu, era o CÂMBIO FLUTUANTE.

    Claro, se fosse fixo, teria se alterado. Se permaneceu parado, é porque era flutuante. Só se tornou fixo no finzinho do segundo mandato e, assim mesmo, por causa do Lula (esse aí é sempre culpado de alguma coisa, né?).

    Certo, FK, certíssimo!

    Como é que eu não percebi?

    Só não fico mais envergonhado, porque centenas de milhares de outros brasileiros também não perceberam.

    Para ser mais exato, acho que só você percebeu isso.

    Parabéns, cara!

  40. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (35) (10/12/2009 às 16:50) e FK (37) (10/12/2009 às 17:54),
    Eu sou contrário tanto ao câmbio fixo como ao câmbio flutuante. Prefiro o câmbio arrastado. É opinião de leigo, mas é a que eu tenho. Isso para países em desenvolvimento. O país deve segurar o câmbio para permitir o saldo na balança comercial para garantir a independência do capital esterno.
    Na semana passada houve um artigo do Lemgruber, antigo presidente do Banco Central, na época de Francisco Dornelles (1985), em que ele recomendava o sistema de banda. Só que ele preconizava o sistema de banda com banda larga em vez da banda estreita da época de Gustavo Franco. Gustavo Franco há mais tempo defendeu a adoção do câmbio flutuante, dizendo que era para o câmbio flutuante que ele iria se continuasse na presidência do Banco Central. Eu preferiria a banda estreita dele com ajustes mais periódicos.
    É só um adendo nessa discussão sobre o câmbio. Agora quem como eu defende um câmbio favorável às exportações deve estar ciente que exportações em alta pressupõe que parte da produção interna é direcionada para o mercado externo. E situação de equilíbrio é preciso que venha de fora na mesma quantidade do que se está exportando. Como eu quero exportações maiores que importações é preciso que se reduza o consumo interno para se ter o excedente para as exportações. Assim, câmbio desvalorizado que produza excedente para as exportações precisa vir associado com mecanismos que reduzam o consumo (ou melhor, não deixa o consumo crescer no mesmo ritmo das exportações). Os mecanismos conhecidos são: reduzir os prazos do crédito, aumentar o compulsório, reduzir os gastos públicos, aumentar as receitas públicas e aumentar os juros. De todo o mais fácil é aumentar o juro. É o mais fácil e o de melhor resultados para efeito de diminuir o consumo, mas me parece o que impõe mais custos à nação (talvez o corte de gastos seja equivalente ao aumento do juro em criar externalidades negativas para o país).
    Hoje é consenso que a alternativa de câmbio desvalorizado, saldo na balança comercial com crescimento econômico puxado, portanto, pelo mercado externo é a melhor alternativa para países em desenvolvimento, mas para se chegar a isso é preciso impor sacrifício a população. Quanto mais de esquerda for o governante melhor distribuído será o sacrifício. Em razão do sacrifício poucos governantes têm coragem de fazer a opção por esse modelo de crescimento econômico.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 10/12/2009

  41. fk said

    Elias, vc bebeu? Eu disse exatamente o contrário do que vc está ironizando na questao economica. Por isso, essa ironia nem me afetou…Lê de novo. Talvez vc entenda.

    Ah, e sobre os professores, vou apenas citar o fato de que o último censo dos professores do ensino básico disse que o perfil é de pessoas com ensino superior…
    Agora, achar que os profissionais qualificados chegam antes da remuneração é uma completa maluquice!! Pq diabos um químico deixaria um trabalho ruim remunerado a R$ 2000 para assumir uma sala de aula a R$ 1200? Vai…me explica esse mistério!!!

    Clever – Os anos Pallocci foram uma cópia perfeita dos anos FHC. vc nao pode ser a favor de um e contrario ao outro. É uma contradiçao…
    Onde vc leu que na China a exportaçao é incentivada em detrimento do consumo? A China exporta a rodo pq sua moeda é artificialmente desvalorizada! E a classe média chinesa -leia-se consumo- cresce a ritmo alucinante! É por isso que eles tem uma balança de pagamentos mega ultra superavitária!! Yuan desvalorizado, é o nome dessa mágica!

  42. Clever Mendes de Oliveira said

    FK (41) (10/12/2009 às 19:50),
    O discurso é uma coisa a realidade é outra. Palocci não criticava nem criticou o govrno FHC, mas a ação dele era distinta do governo FHC. Em 2002, por uma série de motivos o real se desvalorizou. Não foi só pelo temor da eleição de Lula, foi também em razão da conjuntura internacional adversa. A um artigo de Antônio Delfim Netto, talvez ainda no primeiro semestre de 2002 em que ele chamava a atenção para a semelhança do câmbio do real com o câmbio do peso chileno. Depois a desvalorização do real se distanciou da desvalorização do peso chileno, um tanto pelo problema da eleição do Lula, mas um tanto maior pelo fato de que para o investidor e o especulador internacional as contas externas brasileiras ainda não refletiam a melhora que a desvalorização já dava sinais de produzir. Com a moeda desvalorizada Antônio Palocci pôde implementar uma política econômica bem distinta da de FHC
    O saldo na Balança Comercial em qualquer ano do período de Palocci foi maior do que a somatória dos saldos de todos os anos do governo de FHC só somando os anos em que houve saldo. 2003 iniciou-se para mim como iniciou-se o processo de recuperação econômica do Brasil em 1983 com a desvalorização nos imposta pelo FMI, mas que já em 1987 nos dava um crescimento do PIB de mais de 7% (Na primeira estimativa o percentual era algo próximo de 7,8%, sendo que em 1984 fora de 4%). Dizer que o período de Palocci foi igual ao período de FHC é não conhecer a história econômica brasileira coisa que até um leigo, como eu, conhece. Eu esperei por um governo como o de Palocci por quase 20 anos. Desde que Sarney e os economistas do PMDB, sendo que muitos deles foram depois para o PT ou então para o PSDB (Veja por exemplo no arquivo da Veja de 19 de março de 1986 a entrevista nas páginas amarelas do José Serra tecendo loas ao Plano Cruzado. O título da entrevista era: “O Cruzado já Vingou”), destruíram pelo Plano Cruzado o relançamento da economia brasileira que ocorria em decorrência da desvalorização de março de 1983, eu esperava que alguém relançasse a economia brasileira via o mercado externo para nos libertar da eterna dependência ao capital externo.
    Há muita diferença entre o governo Lula e o governo FHC e as semelhanças são mais decorrentes de uma camisa de força que FHC deixou como herança maldita. Assim é muito difícil para Lula acabar com o câmbio flutuante (medida tomada nos poucos dias que Francisco Lopes ficou respondendo pela presidência do Banco Central, pois até então imperava a banda larga e que Armínio Fraga emcapou quando tornou-se presidente do Banco Central) e o livre fluxo de capitais e no entanto, nenhum país em desenvolvimento e com uma grande população adota o regime de câmbio flutuante, modelo adequado para países mais desenvolvidos.
    É difícil acabar com o regime de metas de inflação, mesmo sabendo que salvo a Inglaterra que resolveu ficar submetida aos ditames de Washington e atrelou libra ao dólar não adotando o Euro, as maiores economias do mundo não adotam o regime de metas. Já fui mais crítico ao regime de metas, mas há entre os economistas bons defensores deste modelo de combate a inflação. O economista José Luis Oreiro tem um artigo em uma revista do Rio Grande do Sul em que ele apresenta o Regime de Metas como um avanço da teoria monetária. Penso, entretanto, que sob o aspecto prático o Regime de Metas não é adequado para um pais grande, populoso e em desenvolvimento. A Europa adota um modelo semelhante ao estabelecer que a inflação não pode ser superior a 3%. É, entretanto, um mundo já acabado com pouco para fazer e além disso o modelo ainda não foi realmente testado pelo lado da inflação. Será qie com recessão e inflação eles vão aumentar o juro para que a inflação não ultrapasse o teto?
    É difícil acabar com a não tributação das exportações. Assim, não resta a Lula que defender a liberação do comércio exterior. Também é difícil acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. É lei estimada por todos, mas tem coisas do arco da velha no que diz respeito ao modelo de gestão das finanças públicas, mas ai essa herança maldita é benéfica para Lula, pois põe estados e municípios submetidos ao governo central.
    Quanto à China, às exportações daquele país e ao consumo dos chineses é preciso estar atento ao processo de crescimento puxado pelo mercado externo. Em um primeiro momento você desvaloriza a sua moeda. Com a moeda desvalorizada você aumenta as exportações. O aumento das exportações irriga o setor exportador de receita e esse setor começa a investir para crescer. O crescimento desse setor transborda para os outros setores e toda a economia cresce. Não basta, entretanto, desvalorizar, pois o país não terá como exportar sem antes atender as suas necessidades internas. Nesse momento inicial é preciso impor um sacrifício à população reduzindo o consumo para se ter o excedente a ser exportado. Depois quando toda a economia estiver crescendo o consumo também crescerá, mas deve-se deixar sempre uma margem entre a produção mais o que é importado menos o que é consumido (inclusive para investimento) menos o que é exportado. Esta margem representa o sacrifício imposto a todo a nação e é com ele que se monta as reservas. Quando o sacrifício deixar de ser feito, as reservas deixam de crescer e se o consumo aumentar desenfreadamente haverá redução das reservas até o ponto em que começam a surgir crises no Balanço de Pagamentos que acabam paralisando qualquer processo de crescimento econômico. Isso foi o que ocorreu durante o governo de FHC.
    Bem, a China teve o sacrifício e o crescimento continuado. Com a crise do ano passado eles focaram nos gastos no mercado interno para recompor a perda ocorrida para a economia com a paralisação do comércio mundial. Fizeram isso dentro da margem de manobra que o sacrifício imposto ao país por tanto tempo assegura a eles. Aproveitaram tão bem para melhorar as condições internas do país fazendo investimentos maciço no país que nem precisaram usar as reservas e elas ficaram desempenhando aquele papel maluco que cabe a as reservas desempenhar: “as reservas são para inglês ver”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 10/12/2009

  43. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (35) (10/12/2009 às 16:50),
    O câmbio no primeiro governo de FHC foi conduzido por Gustavo Franco seja como diretor seja como presidente do Banco Central. E ele gostava de reproduzir a frase famosa de Giuseppe Tomasi di Lampedusa em O leopardo “Se quisermos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”. Era a política da banda cambial e ele fazia mudanças periódicas nela. O câmbio não era fixo como era na Argentina. Durante muito tempo isso era apresentado como qualidade da Argentina, pois o modelo permitia que ela obtivesse recurso na banca internacional a juro mais barato.
    Depois com a saída do Gustavo Franco, o Francisco Lopes veio com a diagonal exógena, mas legalmente criou o câmbio flutuante. E assim o câmbio permaneceu desde janeiro de 1999.
    Com Armínio Fraga ainda informalmente no comando do Banco Central, o juro foi para estratosféricos 45% ao ano bem diferente dos 25% ao ano do início do governo Lula. A elevação do juro foi para controlar a inflação que poderia sair do controle uma vez que o câmbio fora de 1,2 para 2,0. A elevação do juro no governo de Lula foi pela mesma razão, mas então o câmbio foi a mais de 3,0. O juro foi alto o suficiente para inibir o consumo e nem tão alto para trazer capital especulativo que derrubasse a cotação do dólar rapidamente.
    Os juros com Palocci caíram no segundo semestre de 2003. Aliás o grande problema brasileiro é o atrelamento do juro aos interesse políticos. Para salvar politicamente o governo Lula nas eleições de 2004, Palocci (O Henrique Meirelles eu considero como um presidente do Banco Central para inglês ver, para inglês e para os que se tomam por ingleses) ordenou o Banco Central que reduzisse os juros fortemente na entrada do segundo semestre de 2003. Em razão disso o crescimento foi muito alto em 2004 o que obrigou o governo a antecipar o aumento do juro. Se a redução fosse mais lenta talvez não houvesse necessidade de aumentar o juro no segundo semestre de 2004. O governo trabalha com a idéia de que politicamente a população não percebe o aumento do juro, mas percebe o aumento da inflação. Assim em véspera de eleição o governo combate a inflação com aumento do juro.
    O crescimento econômico por si só gera aumento do consumo, mas no instante inicial em que se precisa criar um excedente para as exportações é preciso reduzir o consumo. Muitas vezes essa tendência de redução do consumo fica tão arraigada na população que os governos não conseguem incentivar o consumo quando é necessário. Na década de 90 depois que o iene valorizou sobejamente dificultando as exportações japonesas e reduzindo o crescimento econômico daquele país, os japoneses não conseguiam incentivar o consumo e a década de ficou quase perdida para o Japão.
    O escândalo do Palocci se não foi fabricado a pedido do Lula foi altamente benéfico para Lula, mas a meu ver por outros motivos. Ao ser pego em ato comezinho Palocci pode ser defenestrado do governo no momento em que ele era considerado o grande mestre do governo. Retirando-o da condução da economia, Lula apareceria para a população como quem realmente decidia e ao mesmo tempo mostrava o que o médico era capaz de fazer com um simples caseiro. O outro médico que queria ser o Palocci na presidência deve ter passado noites sem dormir.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 10/12/2009

  44. Elias said

    Clever,
    Pra quem trabalha exportando ou importando, o melhor é o câmbio estável.

    Vou lhe dar um exemplo (com números aleatórios) de algo que aconteceu aos montes no início do governo Lula:

    1 – Você fecha um contrato de exportação de US$ 1 milhão.

    2 – A cotação da época do fechamento do contrato é de R$.2,60. Portanto, sua expectativa é de receber R$.2,6 milhões.

    3 – Você trabalha, produz e faz a entrega.

    4 – O pagamento é realizado: US$ 1 milhão.

    5 – O BC recebe em dólares, converte em R$ pela cotação do dia.

    6 – Só que o dólar quicou, e agora está a R$.2,30.

    7 – Você recebe R$.2,3 milhões.

    Você recebeu, portanto, R$ 300 mil menos que sua expectativa no momento do fechamento do negócio.

    Pergunto: seu custo baixou R$ 300 mil, só porque o câmbio se mexeu? Certamente que não. Logo, alguma coisa aconteceu com seu lucro (e não foi nada bom…).

    Se o governo estabelece, p.ex., uma política de redução fiscal para compensação — ainda que parcial — de perdas cambiais decorrentes de flutuação no curto prazo, a coisa ainda vai.

    Isso quase nunca acontece em lugar nenhum, em especial quando o câmbio mora numa gangorra. Logo, nesses casos, o bicho pega!

    Uma flutuação em sentido contrário, ferra com quem fechou contratos de exportação. Aí, o bicho come!

    Só se livra dessa desgraça quem opera em ZPE, porque pode deixar os dólares lá fora (se tiver caixa pra agüentar o tranco!), e esperar o melhor momento pra internalizar a receita.

    Na crítica que fiz ao FK (que, sim, disse que o FHC só manteve o câmbio fixo no final do mandato — afirmação absolutamente equivocada), o treco é o que segue:

    1 – FHC manteve o câmbio fixo por mais de um ano, com paridade US$ 1.00 = R$ 1,00.

    2 – Só que a inflação interna, acumulada, já beirava os 17%.

    3 – Vale dizer: os custos de produção subiam, mas a remuneração pela exportação não.

    Tanto no caso que citei ao início como neste, houve um “confisco cambial”. Quem ficou com a diferença foi o Tesouro Nacional. Em ambos os casos, o exportador levou farelo.

    Conclusão: melhor é o câmbio estável, desde que essa estabilidade reflita o que acontece com a economia, no plano interno.

    Se há inflação, melhor que o câmbio espelhe essa realidade, a menos que sejam criados mecanismos compensatórios (que, quase sempre, são vistos como medidas protecionistas pelos organismos multilaterais de regulação).

    É assim que a coisa funciona na vida real.

    Diga lá, Pax, você que já viveu no olho desse furacão: estou errado?

  45. Elias said

    Onde está escrito:

    “Uma flutuação em sentido contrário, ferra com quem fechou contratos de exportação. Aí, o bicho come!”

    Leia-se:

    “Uma flutuação em sentido contrário, ferra com quem fechou contratos de IMPORTAÇÃO. Aí, o bicho come!”

  46. fk said

    Elias – Eu escrevi: “O câmbio tornou-se flutuante no começo de 1999. Muito tarde, na verdade, considerando que a crise internacional sangrava os cofres públicos na casa do bilhãos por dia. Mas,d esde então, o câmbio é flutuante.” Agora me diga: de onde vc tirou que eu falei que o câmbio tornou-se fixo SÓ a partir de 1999, quando eu falo justamente o contrário? A ressalva que eu fiz é que, para alguns economistas, o câmbio é flutuante em termos, pois o BC está sempre no mercado tentando influenciar a flutuação do dólar, mas que ele flutua, ah, flutua!

    Clever – Não há nada nos saldos da balança comercial que sugira uma grande mudança de política da era FHC para a era Palocci. Certo, há um salto de R$ 13 bi em 2002 para R$ 24 bi em 2003, mas essa salto não está fora do nomral, pois em 2001, o saldo foi de R$ 2bi, ou seja, o crescimento estonteante do saldo vem já da época FHC.
    Isso para não falar que Palocci saiu mais ortodoxo do que a emenda, e ele batia de frente com todos os outros ministérios por sua política austera, muita tucana para vários petistas. Meirelles não é um presidente do BC para inglês ver. Sua linha apenas era igual àquela seguida pelo Palocci.
    Veja com Mantega como a relação é diferente, com uma queda de braço entre o Ministério da Fazenda, que adotou um perfil menos austero, enquanto o BC continua sendo um bastião de austeridade monetária.

  47. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (44) (11/12/2009 às 10:49)
    O que você disse “Pra quem trabalha exportando ou importando, o melhor é o câmbio estável” é o que eu sempre enfatizo quando digo que o câmbio flutuante é uma herança maldita. Por outro lado a estabilidade do câmbio fixo pode matar se a sua moeda é fraca e é atrelada à moeda forte ou fortalecendo de um país. Por isso que eu defendo o câmbio arrastado para países de moeda fraca como o Brasil (Ou países em desenvolvimento).
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/12/2009

  48. Clever Mendes de Oliveira said

    FK (46) (11/12/2009 às 11:40),
    Aqui eu concordo com você. Aliás costumo bater palmas para FHC pela desvalorização de 1999 e pela desvalorização de 2002. O problema é que FHC não aceita essas palmas. Ele diz que o culpado pela desvalorização de 1999 é do Itamar Franco que suspendeu o pagamento da dívida externa de Minas. Além disso ele elevou muito o juro que acabou reduzindo a desvalorização cambial. E quanto a desvalorização de 2002 que permitiu um saldo na Balança Comercial de 12 bilhões de dólares e que você pode verificar que é um saldo mensal em ascendência durante o ano de 2002, segundo FHC foi culpar de Lula.
    É por isso que eu bato palmas mas sei que não era a política dele. Já a política de 2003 era do governo Lula, pois ele não a renegou embora ela tenha vindo do governo anterior, mas com o governo anterior dizendo que não era a política dele.
    Agora, a política de desvalorização cambial que é a que eu defendo é combatida pelos grandes economistas americanos. Você pode ver um pouco dessa crítica no blog de Na Prática a Teoria é Outra com referência a um artigo de Tyler Cowen. O título do post é “Tyler Cowen e a Crise (2)” de 10/12/2009
    Ainda que leigo, desde a década de 90 eu faço essa crítica aos economistas americanos. Recentemente, em um post no blog do Luis Nassif intitulado “Importação e desenvolvimento tecnológico” de 23/11/2009 às 08:15 em que Luis Nassif fala dos trabalhos de Michael E Porter sobre a competitividade das nações para justificar a necessidade de desvalorização monetária eu procurei mostrar em uma série de comentários que exatamente por ser contra a desvalorização cambial, os trabalhos de Michael E. Porter, que não é economista de formação, mas engenheiro mecânico e aeroespacial, não podem ser apresentados para justificar uma desvalorização cambial.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/12/2009

  49. fk said

    A desvalorização de 1999 não foi por causa do calote mineiro, mas sim por causa do derretimento da economia mundial. O Brasil, por utilizar o sistema de âncora cambial para segurar a inflação, era extremamente dependente da injeção de capital externo. Com a fuga de capitais internacionais, amnter o câmbio fixo foi ficando cada vez mais inviável, inclusive com o PT fazendo um escarcéu pela liberalização do câmbio, na minha visão, corretamente.
    FHC faz um mea culpa em seu livro “A arte da política”, dizendo que o câmbio deveria ter sido desvalorizado mais cedo, ainda em 1998. Os críticos dizem, e eu concordo com essa visão, que FHC segurou o câmbio por motivos estritamente eleitorais. Deu em corrida ao FMI e perda significativa de reservas cambiais.

    Já a desvalorização de 2002 não é colocada na conta do Lula. O que houve foi uma reação do mercado à vitória do Lula, por tudo o que ele já disse na vida sobre economia, ainda que seu partido tivesse publicado a “Carta aos brasileiros”, ressaltando seu compromisso com a política econômica vigente. Foi a reação irracional do mercado que levou àquela desvalorização.

    Diga: como vc faria essa desvalorização do câmbio?
    A meu ver, o governo Lula perdeu uma chance de ouro na crise para diminuir os juros. Os juros praticados no País são extremamente atraentes pro investidor internacional, e não custar dizer que economistas como Paul Krugman já falam da bolha do Brasil, por causa desses juros muito maiores do que os praticados no mundo, que, por sinal, andam com juros negativos.

    Perdeu-se essa chance. Paciência.

  50. Elias said

    FK,

    Peço-lhe desculpas.

    Realmente não li direito o texto que critiquei e, por isto, fui injusto.

    Fui injusto com você, mas não com FHC. Na prática, ele manteve o câmbio fixo o tempo todo. Daí o pânico que ele criava quando dos boatos de desvalorização (que acabava acontecendo).

    Clever,

    “…Aliás costumo bater palmas para FHC pela desvalorização de 1999 e pela desvalorização de 2002.”

    Ora, Clever, é o mesmo que bater palmas pra alguém só porque lavou o fiofó depois de fazer cocô.

    FHC desvalorizou porque tinha mantido o Real artificialmente durante um porradal de tempo. Quando ninguém mais agüentava — Tesouro Nacional incluso — ele desvalorizou.

    Poucas vezes o Brasil teve uma gestão cambial tão reativa quanto a de FHC.

    Dê uma olhada nas tabelas, e constatará que, no governo Lula, a coisa tem sido conduzida de modo muito diferente, mas muito mesmo…

    FHC faz muito bem em não aceitar seu aplauso. Pelo menos nisso eu concordo com ele.

  51. fk said

    Desculpas aceitas, Elias.

    Mas não entendi quando vc fala que FHC manteve o câmbio fixo o tempo todo se ele largou mão do controle em 1999. Explique-se, por favor, porque, que eu saiba, a partir de então foi o mercado quem determinou a taxa de câmbio, com uma ou outra intervenção do BC, como, por sinal, ocorre até hoje, apenas para dar uma segurada em variações cambiais maiores.

    Clever, vc não precisa aplaudir o FHC por causa da desvalorização de 2002 proque não foi ele quem a fez, mas sim o mercado.

    Elias – A gestão cambial do FHC tem que ser analisada dentro do todo do Plano Real. Mais uma vez, a âncora cambial era a viga mestra na contenção da inflação. Posso concordar que FHC demorou demasiado em promover uma maior liberalização do câmbio, como, por sinal, o fiz, mas como instrumento inicial do Plano Real foi uma ideia de ouro, e que se provou efetiva.
    Lembrando, tambem, que o câmbio brasileiro não era propriamente fixo, como o era na Argentina -país no qual o câmbio era estabelecido por lei, com a paridade peso-dólar-, mas sim flutuava dentro de uma banda cambial específica. O que se pdoe discutir é o nível em que se fixou essa banda, tanto que, se não me falha a memória, a desvalorização promovida pelo Chico Lopes foi na banda, ou seja, nos patamares nos quais o câmbio flutuaria, e só depois, com o Armínio Fraga, é que se aplicou a flutuação livre, pois o Brasil simplesmente não tinha mais cacife pra segurar o câmbio em qualquer patamar.

    Agora, se vc me perguntar qual é o melhor sistema -flutuação em banda ou livre- não saberia dizer.

  52. Clever Mendes de Oliveira said

    FK (49) (11/12/2009 às 14:14),
    Você diz que FHC fez um mea culpa no livro dele “A arte da política”, pois lá ele teria dito que o câmbio deveria ter sido desvalorizado mais cedo, ainda em 1998.
    É melhor dizer que FHC fez meia culpa, pois o câmbio deveria ter sido desvalorizado muito mais cedo. Só que se houvesse a desvalorização na época certa, o grupo dele não teria conseguido a aprovação da emenda da reeleição.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/12/2009

  53. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (50) (11/12/2009 às 14:15),
    Quando eu disse em (48) (11/12/2009 às 13:26) que “costumo bater palmas para FHC pela desvalorização de 1999 e pela desvalorização de 2002. O problema é que FHC não aceita essas palmas” eu cometi uma imprecisão gramatical. Esperava que as duas frases fossem entendidas no conjunto. Na verdade eu deveria dizer a frase mais no condicional: bateria palmas para FHC se a desvalorização cambial de 1999 e a de 2002 tivessem sido provocadas por ele, mas não queria entrar no mérito de saber quem produziu a desvalorização do real, se a incompetência do governo, a força do mercado ou outra razão qualquer. Enfatizava, entretanto, a própria recusa de FHC em assumir a paternidade daquilo que eu considerava que era uma sábia decisão se tomada de forma planejada.
    O câmbio, durante todo o período de Gustavo Franco no Banco Central durante o Plano Real, como diretor de julho de 1994 até agosto de 1997 e de agosto de 1997 até janeiro de 1999 como Presidente, foi administrado segundo o modelo de banda. Em 1994, o câmbio chegou a assumir a relação de 0,8, ou seja, 1 dólar valendo 0,8 reais. Esse foi o grande truque que permitiu que o real desse certo. É claro que esse truque também foi o culpado pelas crises no Balanço de Pagamento. Junto com a pressão consumista que todos os planos de combate à inflação mediante a queda rápida dos índices de inflação produzem.
    Clever Mendes de Oliveira
    11/12/2009

  54. fk said

    A questão, Clever -para a qual eu, por sinal, não tenho resposta-, é em que momento o sistema de banda cambial poderia ser desvalorizado, ou seja, em que momento já não era mais imprescindível para a manutenção dos níveis de inflação a manutençao de um câmbio valorizado.

    Penso -e aqui vai um chute- que o correto seria um ajuste fino constante tanto na banda cambial quanto no nível dos juros, posto que um era diretamente ligado ao outro, essenciais para o funcionamento do Plano Real.

    O problema é que as crises internacionais e o consequente -e histórico- estrangulamento cambial do Brasil atropelaram qualquer possibilidade de ajuste fino constante. Logo em 1995 veio a crise do México, seguida pela crise asiática e pela crise Russa, ou seja, já não estava apenas nas mãos do governo FHC o ajuste na banda cambial e nos juros.

  55. Clever Mendes de Oliveira said

    FK (54) (11/12/2009 às 19:05),
    No meu entendimento, de leigo é claro, o problema foi anterior a introdução do Real. O problema estava no modelo de se acabar com a inflação de uma vez e que se resolveu aplicar no Brasil. Esse modelo seria viável para países pequenos como Bolívia que acabou com a hiperinflação antes do Plano Cruzado, como Israel e outros semelhantes. Aplicar esse modelo no Brasil era uma temeridade e ainda mais para ganhar a eleição. Talvez essa tenha sido a maior corrupção que nós tivemos e que se revela no aumento substancial da dívida pública, mas é só uma conjectura minha.
    O certo era fazer como Marcílio Marques Moreira fazia em final de 1991 e início de 1992. Em dezembro de 1991 a inflação era de cerca de 29% e em abril caia para quase 20%. Provavelmente em 1993 a inflação mensal poderia cair para a casa de 1 dígito. Só que o processo era mais demorado e com o impeachment de Collor ficou mais difícil Itamar Franco retomar aquela política. Tivemos sorte que Collor foi denunciado pelo irmão pois em 1993 haveria a revisão e com a inflação em queda Collor poderia aprovar a emenda da reeleição e ganhar. Embora ache que Collor tenha mais capacidade de desempenhar funções de executivo do que FHC eu prefiro o FHC ao Collor.
    De todo modo a questão do câmbio tem que estar associada a se definir primeiro que tipo de desenvolvimento se pretende adotar: se aquele que privilegia o crescimento puxado pelo mercado interno e ai o câmbio deve ficar valorizado ou se o desenvolvimento puxado pelo mercado externo e ai o câmbio deve ser desvalorizado. E para países de dimensões continentais e de elevada população eu acho que o modelo de câmbio administrado (que eu chamo de arrastado) em que o governo vai procurando manter o câmbio na melhor posição possível para que se desenvolva bem o modelo de crescimento que se adotou.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/12/2009

  56. Clever Mendes de Oliveira said

    FK (54) (11/12/2009 às 19:05),
    No meu comentário de 11/12/2009 às 23:16 ficou faltando acrescentar “e para países em desenvolvimento” e no final acrescentar “é o melhor modelo” na frase “E para países de dimensões continentais e de elevada população eu acho que o modelo de câmbio administrado (que eu chamo de arrastado) em que o governo vai procurando manter o câmbio na melhor posição possível para que se desenvolva bem o modelo de crescimento que se adotou”.
    Assim com os acréscimos a frase fica:
    “E para países de dimensões continentais e de elevada população e em desenvolvimento eu acho que o modelo de câmbio administrado (que eu chamo de arrastado), em que o governo vai procurando manter o câmbio na melhor posição possível para que se desenvolva bem o modelo de crescimento que se adotou, é o melhor modelo”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 12/12/2009

  57. Elias said

    Clever,
    No Brasil, é ingenuidade pensar que o Banco Central tem a palavra final sobre política monetária ou a política cambial.

    Ele administra, e até influi na formulação, mas não decide. A política monetária e a política cambial fazem parte da política econômica. O que esta deliberar, o Banco Central executa. É isso, e só.

    Veja que, não por acaso, o COPOM nada mais é do que a diretoria do Banco Central, contrariamente ao que acontece nos EUA, onde o Conselho Monetário é integrado, também, por representantes da sociedade civil.

    No Brasil, os membros do COPOM são, todos, subordinados ao presidente da autarquia que, por seu turno, é subordinado ao Presidente da República (e agora, formalmente, com status de ministro, por força da lei aprovada às pressas pra tirar o atual presidente do BC de uma enrascada, lembra?).

    De julho de 1997 a dezembro de 2008, o câmbio permaneceu praticamente parado, independentemente de quem fosse o presidente do BC. Só a partir de janeiro de 1999 deu-se início a uma certa flexibilização.

    Antes disso e já durante o Plano Real, o câmbio funcionou com ou sem sistema de bandas, dependendo da conjuntura.

    FK
    Grato por sua compreensão. Fui mal…

    O sistema de bandas nada mais é do que uma fixação de câmbio. Apenas, em vez de amarrar numa cotação “fechada”, ele fecha numa faixa de variação, que pode ser mais ou menos ampla.

    A “banda”, na realidade, é uma espécie de aviso ao mercado. Com ela, o governo informa que não admitirá variações maiores que aquela previamente fixada. Qualquer ameaça em sentido contrário, o BC intervém, tirando ou colocando dólar no mercado.

    A adoção de “bandas” é, sempre, determinada pela conjuntura. No início do governo Lula, por exemplo, seria loucura adotar uma “banda”. O Brasil estava sob ataque especulativo, o dólar estava absurdamente alto e o governo teria que fazer o que pudesse pra derrubar (como de fato derrubou).

    Nesse caso, a ausência de “banda” também era um aviso, no sentido de que os especuladores estavam por sua conta e risco. Quem apostou na alta continuada ou mesmo na manutenção daquela cotação lá nos píncaros, se ferrou doidamente. O que houve de gente perdendo uma grana firme — que, até hoje, não recuperou — não está no almanaque. Foi uma bolha.

    FHC, em todo o seu governo, correu atrás. O dólar ou esteve amarrado a uma cotação irreal (a tal âncora), ou o BC esteve intervindo pra manter uma estabilidade minimamente razoável. Quando não houve intervenção do BC, a cotação ficou caduca (como no caso do 1º semestre de 1995 ao 2º semestre de 1998).

    Uma diferença enorme em relação aos dias de hoje, mesmo com a merdolência em escala planetária, que marcou os anos 2008 e 2009.

    Há, sim, uma condução de política econômica muito mais eficiente do que no passado.

    É uma pena que tanta gente inteligente não se mostre disposta a reconhecer isso, só por causa de simpatias partidárias ou profissões de fé ideológica.

  58. Elias said

    Complementando:
    Na prática, os governos sempre atuam em regime de “bandas”. A cada período, existe uma faixa de tolerância cujo transbordamento deve ser evitado. Havendo ameaça dessa ultrapassagem, o BC intervém.

    Na prática, quando se diz que o governo adotou o sistema de “bandas”, está se dizendo, apenas, que o governo tornou pública a feixa de tolerância com a qual opera.

    Aí o mercado sabe, exatamente, em que momento ele deve esperar uma intervenção.

    Em períodos de estabilidade econômica não convém divulgar essa faixa de tolerância (embora ela possa ser estimada com razoável precisão), porque isso deixa o pessoal do volátil menos seguro de si, o que é bom pro país. Essa turminha barra pesada fica sem saber, exatamente, quando nem em que intensidade haverá a intervenção do BC.

    Então, não creio que seja possível dizer que o sistema de “bandas” é bom ou ruim. Depende da conjuntura.

  59. Elias said

    “De julho de 1997 a dezembro de 1998 o câmbio permaneceu praticamente parado…”.
    Não exatamente. “Parado” no sentido de que a cotação não se atualizava em face ao contexto econômico. Ou seja, o Real foi mantido supervalorizado por um longo período.

  60. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (57) (12/12/2009 às 17:52)
    Nós vamos conversando aqui até o ponto que chegamos a ter a mesma opinião. Sua frase:
    “No Brasil, é ingenuidade pensar que o Banco Central tem a palavra final sobre política monetária ou a política cambial”.
    É uma frase que eu venho dizendo há muito tempo e com insistência nos blogs desde 2006. No blog do Luis Nassif, que eu só comecei a freqüentar de forma mais constante em 2008, para ficar contra as críticas dele ao Henrique Meirelles eu dizia que Henrique Meirelles é Presidente do Banco Central para inglês ver. Se você entrar com Luis Nassif Banco Central e Clever Mendes no google vai aparecer alguma crítica minha a ele.
    E nisso há uma diferença de FHC e Lula. Com FHC o Banco Central foi comandado de forma independente seja por Gustavo Franco ainda que só como diretor e no segundo mandato de forma independente por Armínio Fraga. FHC achava que como ele não entendia de economia como os economistas que entendem de matemática aparentavam que entendia ele tinha que deixar tudo por conta deles.
    Com Lula foi diferente porque ele se cercou de economistas que o instruíam a interferir no BC
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 13/12/2009

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