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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Fofoca de Natal: A chapa cabocla

Posted by Pax em 24/12/2009

Lula Borges, meu colega de Pandorama, do qual discordo em quase todos os assuntos ideológicos, me mandou um e-mail hoje de manhã da fofoca plantada por Diogo Mainardi na Veja: Marina pode compor a chapa da oposição com Serra.

Imediatamente Reinaldo Azevedo colocou lenha na fogueira e reproduziu o texto. É um aliado de Diogo na crítica ferrenha ao governo Lula e ao PT. Eles têm esse direito, apesar de discordar completamente da forma de suas agressões. Porém também entendo que o outro lado não deixa por menos. Estas discussões, nesse âmbito e nível, não são as melhores, em nenhum dos dois lados. Quase nunca este blog usa textos dos principais blogueiros que apóiam a situação ou dos que apóiam a oposição.

Mas essa fofoca – ainda não é notícia – merece atenção no cenário eleitoral para 2010. Caso se torne realidade mexe no tabuleiro e mexerá nas pesquisas. Terá aceitação e rejeição de ambos os lados. Mas a oposição tende a ficar menos incomodada.

Leia no link abaixo o post do Mainardi no blog do Reinaldo.

NA VEJA: “A chapa cabocla”. Por Diogo Mainardi

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59 Respostas to “Fofoca de Natal: A chapa cabocla”

  1. Diogo Mainardi fez uma “fofoca” e “plantou” a informação, algo que faz porque comete “agressões” ao governo.
    Interessante ver como um cara ponderado e não agressivo como você dá a essa informação o mesmo tratamento que deu àquela do Josias de Souza quando sugeriu que Serra “cogitou” Arruda para vice, algo que é preciso de uma dose cavalar de fé e anti-serrismo para acreditar. A informação do Diogo tem fundamento das últimas declarações de Serra e Marina, mas qual a evidência da “cogitação” de Arruda para vice? Uma única, pelo menos? Desconheço.
    Mas tudo bem, o que importa é que a informação da “chapa cabocla” foi dada aos seus leitores, que saberão separar os adjetivos dos substantivos.

  2. Chesterton said

    |Essa das agressões eu não entendi, pax. Para você Lula pode bater mas não pode levar?

  3. Anrafel said

    Encarregaram Mainardi de lançar o balão, Azevedo ecoou. Jabor, se de blog fosse proprietário, pontificaria.

    É claro que há mais coisas na zona cinzenta da política do que julga a nossa limitada percepção de eleitor, mas elogios mútuos num conclave internacional não podem ser pista para coisa alguma.

    Acho que Serra chamará, sim, uma mulher para vice. Não sei se Marina aceitaria. Seria um rebaixamento na sua proposta de auscultar o impacto de uma pregação ambientalista entre o eleitorado (uma coisa que o PV se esquivou de fazer).

    De qualquer maneira, aguardemos o veredicto de Caetano Veloso.

  4. Chesterton said

    Dilma e a volta aos passados.
    São vários os passados que assustam na candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República. O primeiro passado que aterroriza é o fato da candidata, como única experiência política, ter sido mentora intelectual e ativa militante de uma das mais violentas facções terroristas dos anos setenta: a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária. A VPR cometeu assaltos à mão armada, realizou atentados à bomba e assassinou dezenas de cidadãos brasileiros a sangue frio, em nome de quê? Em nome da instalação, no Brasil, de um regime comunista, nos moldes de Cuba que, até hoje, é uma ditadura sanguinária, sob o tacão do castrismo há mais de 50 anos. Participar de uma organização assassina sem nunca ter se arrependido disto, ao contrário, tendo orgulho, revela índole, caráter, personalidade. O segundo passado que atemoriza é a certeza de que uma candidata politicamente inexpressiva trará de volta uma quadrilha de criminosos lesa pátria: os mensaleiros, comandados por José Dirceu e os aloprados, liderados por Ricardo Berzoini. Sem o freio de Lula, uma liderança construída ao longo de trinta anos, estas figuras abjetas e nojentas transformarão o Palácio do Planalto, finalmente, em um aparelho do PT, governando em colegiado e loteando definitivamente o país entre seus apaniguados. Imaginemos a política com José Dirceu, as relações internacionais com Marco Aurélio Garcia, as polícias com Tarso Genro, os movimentos sociais com João Pedro Stedile, tendo na presidência uma ameba amestrada, sem a mínima legitimidade dentro da organização partidária que, nos regimes totalitários, está acima de tudo. O terceiro passado que assusta é a volta da inflação e a gradativa desestabilização da economia, alimentada pela irresponsabilidade fiscal e pela crescente estatização da economia, um cenário perfeito para, finalmente, na crise provocada, no caos dirigido, ser implantado o socialismo no país, bastando para isso aprofundar o discurso já oficializado da luta de classes. Os empresários que hoje deliram com a formação dos seus monopólios serão os primeiros a terem seus impérios estatizados, juntamente com uma violenta repressão à liberdade de imprensa, sustentada pelo populismo barato da Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Sugere-se aos empresários uma semana de férias na Venezuela para que saboreiem as delícias do socialismo bolivariano, antevendo o banquete que lhes reserva um eventual terceiro governo petista. Sim, porque o governo não será de Lula. Muito menos de Dilma, o poste, o cone de trânsito. Pela primeira vez o país será governado efetivamente pelo PT e por todo o passado que o cerca e o domina.

    Postado por Coronel Coturno

  5. Ricardo said

    Não conhecia esse tal Lula Borges, mas o lance do Arruda é baseado em uma fala do Serra, se não me engano ele falou vote num careca e leve dois, ao lado do Arruda.
    Aquilo não existiu? É montagem?

  6. Anrafel said

    Coronel Coturno é nome de programa de sketches de humor na TV da caserna.

  7. Chesterton said

    qual frase você considera falsa?

  8. Chesterton said

    http://selvabrasilis.blogspot.com/2009/12/uma-constante-bolivariana.html

  9. Chesterton said

    Trecho de “Graves vulnerabilidades na diplomacia e na defesa”, artigo do general Luiz Eduardo Rocha Paiva, em O Estado de S. Paulo, de 19/12/09.

    Mas a maior vulnerabilidade é a enfermidade moral do País. A liderança é patrimonialista e se apodera ilegalmente dos bens públicos como se fossem de sua propriedade. Apoia-se na impunidade e na omissão da sociedade, que, sem esperança na Justiça, também assume a falta de ética e valores. Sociedade carente de exemplos e referências que, anestesiada, se contenta com a satisfação de necessidades básicas e a falsa noção de liberdade, que usa sem responsabilidade e disciplina, tornando-a um bem ilusório. Tudo isso debilita a coesão nacional e a autoridade moral de nossa liderança, condições para inserir o Brasil no cenário dos conflitos onde reina o eixo do poder. Só um choque de valores e um sistema educacional moral e profissionalmente recuperado poderão sanar essa gravíssima vulnerabilidade.
    do blog do tibiriçá

  10. Pax said

    Caro Lula Borges,

    Você me dá o direito de não gostar do Mainardi? Posso não gostar do Paulo Henrique Amorim também?

    Posso me permitir chamar de fofoca uma “ideia ainda é embrionária. Só é debatida no interior de um grupelho do PSDB.”?

    Agradeço muitíssimo sua liberação para que meu blog continue meu, com liberdade de opinião e expressão.

  11. Chesterton said

    comissão da verdade?
    Que coisa mais soviética:

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/12/091220_comissaoverdade_fa.shtml

  12. Pax, cadê o espírito natalino? Acalme-se.
    Você tem todo direito de fazer o que quiser, gostar de quem quiser gostar e não só aqui, lá no meu cafofo você fala mal de muita gente e nunca te censurei. Sinta-se à vontade aqui, lá ou em qualquer lugar da nossa comunidade, não se trata disso.
    Apenas salientei o fato de que o colunista mais lido da quarta maior revista do mundo fornece uma informação de bastidores e dá como indício os elogios mútuos de Serra e Marina na COP15, algo realmente inusitado para dois supostos oponentes ano que vem, o que faz sentido (não é necessariamente verdade, mas é verossímil) e isso é tratado como conversa de manicure.
    Já quando um dos maiores anti-serristas da imprensa, Janio de Freitas, diz num jornal que faz um editorial lamentando a longevidade do PSDB no governo de São Paulo, a Folha, sem apresentar qualquer indício, evidência, verossimilhança ou algo parecido com motivo, que Serra convidaria Arruda para vice na sua chapa, a “informação” é tratada como se merecesse algo mais do que a inclusão na coleção de anti-serrismos da Folha e muito de seus colunistas, dessa turma formada, em grande parte, por ex-uspianos de grupos ativistas de esquerda. Foram dois pesos e duas medidas.
    Não quero convencer você de nada, mas acrescentar esse comentário ao debate, acredite quem quiser, concorde quem quiser. Bola pra frente.

  13. Ricardo, a frase foi claramente uma deferência com Arruda, políticos fazem isso o dia inteiro, assim como Lula já fez diversos afagos público em Arruda antes que ele virasse esse proscrito que é hoje. Imagino que você já tenha visto isso aqui, por exemplo: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/04/16/lula_na_inauguracao_do_metro_de_ceilandia_politicalha_fez_povo_padecer_-426868682.asp
    Serra está costurando há meses a aliança com o DEM, buscando a unidade do partido em torno do seu nome, o Rodrigo Maia (presidente do partido) apostou em Aécio, esqueceu? Até o Sérgio Guerra, presidente do PSDB, parecia mais aecista que serrista. Com Aécio fora da equação é que o DEM está se unindo por Serra.
    Arruda era o único governador do DEM e é claro que Serra iria incluí-lo no Road Show de sua pré-candidatura. Lula, diferentemente, só se encontra e só se alia com santos, certo?

  14. Pax said

    Caro Lula Borges, só reclamo a minha liberdade de optar pelo que acho melhor.

    Nada além disso.

    E você sabe que, apesar de todas as ideológicas, não temos nenhuma divergância nos âmbitos éticos e morais. Um grande conforto que me faz lhe dar sinceros abraços no âmbito fraternal.

    Para você, um debatedor inteligente, só tenho uma palavra agora: Feliz Natal.

  15. Zbigniew said

    Se Marina for para a vice do Serra, vai perder todo e qualquer apelo. So pode ser brincadeira.

  16. Zbigniew said

    E pra voces, tambem, um feliz natal. Vai aqui uma mensagem edificante dos novos tempos que tomam conta do nosso querido pais.

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  17. Zbigniew said

    Desculpem, agora foi.

  18. Quequel said

    Quanta baboseira o Diogo Mainardi escreveu, credo! Será ignorancia ou estratégia prá passar o recado que ele queria? Tá certo que “aquecimento global” é uma expressão muito ruim – melhor seria “mudanças climáticas” – mas dizer que as mortes ocorridas na Polônia, devido ao frio, aconteceram porque o aquecimento global deu um tempo, foi demais. Outra é dizer que, estando na vice-presidencia, Marina poderia dedicar-se à plataforma ambiental dela. O que é isso? Ver Marina como portadora de uma plataforma ambiental, simplesmente, é não entender nadica de nada da questão que se coloca ao mundo nos dias atuais e que Marina tão bem compreende. Desenvolvimento sustentável é muito mais que ter uma plataforma ambiental, que embargar obras de hidrelétricas ou proteger pererecas em torno da construçao de pontes. Pena que tão pouca gente saque isso, que até pessoas inteligentes como o Mainardi não consigam ver além do sistema dominante.

  19. Pax, meu irmão, um 2010 animadíssimo pra nós, cheios de assuntos para debatermos com lucidez, clareza, originalidade e a defesa intransigente da democracia. Um ano novo de sucesso, saúde e felicidade para você, para sua família e para a nossa comunidade Pandorama. Até os trolls merecem uma mensagem de paz e fraternidade, para que um dia percebam o preço que a sociedade precisa pagar para que eles e seus companheiros tenham suas boquinhas, suas aposentadorias, seus superfaturamentos e suas mamatas no estado que aparelharam e saquearam como gafanhotos devastando um milharal.
    Há uma enorme diferença entre brigar e polemizar e nós polemizamos, já que unanimidade de opinião não é compulsória, ainda é possível discordar sem ser considerado um “contra-revolucionário”.

  20. Pax said

    Fala Lula Borges,

    Afie suas espadas!

    Grande abraço.

  21. Zbigniew said

    Espacos como estes sao de suma importancia para o exercicio na democracia. Parabens ao Pax, que nos da a oportunidade de nos expressarmos, nossa conviccoes politicas e crencas, seja de que espectro for, muitas de forma caustica, ironica, acida; a maioria, de forma inteligente, mas nem todas sabias, mas o que importa, espaco aberto para todos que desejam emitir sua opiniao, inclusive aqueles que nao admitem que defender este ou aquele lado pode estar vinculado apenas ao fato de querermos uma pais melhor para todos, ainda que possamos ate estar (nao digamos de todo) equivocados. Mais uma vez, parabens Pax.

  22. Pax said

    Prezados,

    Agradeço e fico comovido com a frequência de gente inteligente no pedaço.

    Não fiquem elogiando que acabam estragando…

    Mas obrigado, claro.

    Quequel: o Diogo gosta de criar polêmicas mas não tem o dom como um Caetano, por exemplo. É chatinho mesmo. Não o acuso de nada além disso. O que é ruim porque suas convicções acabam perdendo força – veja, aqui defendo que todos os lados devem ter voz e forte, para que sejam ouvidas. A dele acaba virando uma voz fraca, pouco considerada.

    Já ouvi gente da oposição dizendo que não o aguenta, pra você ter ideia do que digo. E da oposição ferrenha mesmo. Com crítica quase igual a essa minha.

  23. Chesterton said

    Pax, que o ano que vai chegar ilumine sua cabeça abrindo-a para novas idéias, mais arejadas que as idéias petistas com as quais você comunga (rs)

    Numa coisa concordamos:

  24. Pax said

    Além de tudo era linda, não? Não morreu com 97 anos…

  25. Chesterton said

    Mas vamos arrumar um pouco d animação

  26. Pax said

    De qual PT estamos falando? Do que defendia o lado dos trabalhadores ou do que, agora, defende ferrenhamente o José Sarney?

    As coisas mudam. Nem sempre para melhor. Não são todos, outra verdade. Mas quando a maioria vai no vai da valsa a dissonância acaba não compondo na sinfonia, por mais modernismo “musical que possamos imaginar”.

    Melhor a gente colocar alguns pingos nos is nesses dias de calmaria. Um pingo que ainda não está confortával para mim é o tal do tamanho do Estado e onde ele realmente tem que atuar, uma questão que sempre me incomoda, partindo da premissa que ele atue dentro de limites razoáveis nas disputas de poder.

    Pensar é sempre bom.

    Ano que vem a gente tem uma tarefa para lá de importante.

    É, Chesterton, ao menos na música a gente sabe que Villa-Lobos foi o que foi. Bidu idem. Esses não tem mensalão nas costas. Ele com alguns no âmbito dos amores, mas, cá entre nós, desta natureza quem não tem?

  27. Chesterton said

    Vai precisar de muita psicanalista judia para superar esse trauma, né Pax. A arrecadação sobe 26% esse mês, as contas publicas apresentam deficits cresentes, Lula distribui favores e dinheiro como se esse desse em árvores.
    Pax, há uma guerra de classes. Mas não dos ricos contra os pobres, mas sim dos ricos contra os que querem enriquecer. A mobilidade social desaparece junto com impostos altos, quem tem, pode se dar ao luxo de pagar, quem não tem, nunca terá.

  28. Chesterton said

    e o excesso de ministérios?

  29. Elias said

    Pax,
    Não vejo nada de espantoso na composição Serra/Marina.

    Afinal, a candidatura de Marina surgiu como linha auxiliar do PSDB, pra roer votos do PT à esquerda.

    Se ela não conseguir cumprir esse papel com sua candidatura — como de fato não está cumprindo — nada mais natural que passe para a parceria sem disfarces (que, a essa altura do campeonato, são pouco mais que segredos de polichinelo).

    E, cá pra nós: pra Marina, melhor estar no palanque do PSDB, onde existe gente decente, do que ter que se esconder pra não dividir o palanque do PV com certos espécimes que pontificam por lá e que, infelizmente, não estão sob ameaça de extinção, muito pelo contrário… No palanque do PSDB essa mistura indigesta vai se diluir, e Marina aparecerá pelo que ela ainda representa.

  30. Pax said

    Elias,

    Me incomoda essa visão que a candidatura de Marina nasceu para apoiar o PSDB.

    De um lado pela miopia do atual governo de ver a questão com a importância devida. Um bom exemplo aqui é o “nas coxas” que a Belo Monte está sendo conduzida, ou, em outras palavras, com a visão imediatista das construtora$. (se você tiver opinião contrária, sou todo ouvidos aqui).

    De outro o aproveitamento de uma visão de futuro, de uma economia baseada em entendimento mais razoável do mundo, por representantes de um passado mais que desatualizado, vide os porta-vozes do ruralismo nacional.

    Ou seja, caro Elias, segundo tua análise, que coloco crédito, o Meio Ambiente virou moeda de troca e não assunto da vez. Dói olhar desta forma e entender que você, de alguma forma, tem razão.

  31. Chesterton said

    Pax, o problema é que o ruralismo nacional é responsável direto pelo superavit em dolares do governo Lula , e ele sabe disso.

  32. Chesterton said

    Em última análise o meio ambiente só vai “sobreviver” (que idéia) se gerar riqueza aos humanos que nele vivem, a longo prazo. Acreditar que seja possível isolar o “ambiente” é ilusório.

  33. Pax said

    Ué, virou ambientalista moderno, Chesterton?

    Quem diria. A evolução das espécies é verdade!

  34. Chesterton said

    sou ambientalista antigo.

  35. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (30) (28/12/2009 às 12:07),
    Concordo com você, embora não vejo como incômodo considerar que Marina veio para tirar votos da Dilma. De qualquer modo, pode até ser que Marina Silva tire votos da Dilma, mas ela pode ser também uma estratégia do Planalto para impedir que o Partido Verde se ajeite com José Serra. Aqui em Minas Gerais quem manda no PV é o Vitório Mediolli, ex-PSDBista e dono do jornal “O Tempo”, que demonstra no jornal dele ser mais a favor de José Serra do que de Aécio Neves.
    Agora quanto a chapa José Serra e Marina Silva, penso que embora José Serra seja de esquerda, a Marina ficaria muito desacreditada se se juntasse ao José Serra na medida em que se estaria juntado aos valores do PSDB e em posição subalterna. Se a chapa fosse Marina Silva e José Serra, ela ganharia conceitualmente. Com a chapa José Serra e Marina Silva ela leva votos da esquerda, mas a chapa perderá muitos votos da direita que provavelmente deverão preferir a Dilma Rousseff com um vice mais de direita (Um Henrique Meirelles, por exemplo).
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  36. Chesterton said

    ambientalista antigo, pax

  37. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (29) (28/12/2009 às 10:29),
    Como eu disse para Pax no meu comentário (34) de 28/12/2009 às 13:09 não acredito que Marina Silva tenha surgido como linha auxiliar do PSDB. Não descarto essa possibilidade, mas a acho difícil.
    Agora não concordo com você em dizer que ela pode aparecer no palanque do PSDB, onde existe gente decente, e se esconder no palanque do PV pelas espécimes que pontificam por lá. O que salva na chapa do PSDB é o José Serra, no mais o partido dele vai se tornando cada vez mais de direita e talvez ainda com espécies piores do que o do PV que ainda possui muita gente boa.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  38. Não existe direita organizada e com representação política relevante no Brasil. PSDB? Piada, né? O Partido da Social Democracia Brasileira, cuja maior liderança é um ex-presidente sociólogo, professor de marxismo e que auto-define “socialista”? O autor de todas as teorias sociológicas que embasaram a esquerda latino-americano bípede desde os anos 60, como a Teoria da Dependência? É um partido visceralmente de centro-esquerda e chamá-lo de direita é coisa da extrema esquerda mais radical e xiita. Stalin chamava Trotsky de direitista, por exemplo, isso não é novo, mas é profundamente equivocado. Nosso esquerdismo extremado aliás ajuda a explicar parte do nosso subdesenvolvimento e nossa paixão por aiatolás messiânicos e por estados paternalistas que nos jogam migalhas, dando pão e circo enquanto quebram a capacidade do país de empreender, produzir, criar novas tecnologias e gerar valor com suas cargas tributárias escorchantes e a corrupção desenfreada da sua burocracia estatal xenófoba, clientelista e coronelista, aquela mistura de Lula com Sarney que conhecemos tão bem desde 2003.
    Clever, não ache que quero polemizar com você por conta desse comentário, li seus textos e acho que vivemos em universos paralelos. Acho que levaria um ano para discutir cada ponto dos seus textos, portanto respeito suas “crenças”, como diz o Pax, e como ele apenas me reservo ao direito de não comungar delas. Só peguei esse gancho porque chamar a centro-esquerda de direita, um vício dos radicais de esquerda desde sempre, é revoltante. Quando se levanta um muro ideológico na centro-esquerda, diz que ela é a direita e fala “daqui ninguém passa” temos o fim da linha para a democracia e para o debate político.
    Um dia, diga para um conservador de verdade que no Brasil o que chamamos de direita é o partido que se auto-define como social democrata, que tem como modelo de país as economias de centro-esquerda europeus e que seu principal aliado acaba de mudar de nome para DEM por se inspirar no… Partido Democrata! Se o Partido Democrata americano é de direita, defina esquerda.
    Serra é o quadro mais esquerdista do PSDB e não pensem que estou elogiando o governador quando digo isso, apenas constatando e lamentando.
    O próprio Lula já tentou explicar isso para a esquerda, vocês devem lembrar: “Lula diz que eleições em 2010 não terão “trogloditas da direita”” http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u625136.shtml
    Lula não conta com a minha simpatia em nada, mas é um sujeito muito esperto e dá um banho na esquerda brasileira em qualquer assunto.

  39. Clever Mendes de Oliveira said

    Lula Borges (36) (28/12/2009 às 13:51)
    Não creio que o que você disse seria motivo de polêmica com o que eu disse. No fundo há apenas um mal-entendido. Uma das maiores críticas que eu tenho feito há um longo tempo é a mania que a esquerda tem de denominar o governo de FHC como um governo liberal. Aliás, os três Ministro que o FHC indicou para o STF (Nelson Jobim, Helen Gracie e Gilmar Mendes) são mais defensores do Estado do que os Ministros de São Paulo indicados por Lula.
    Brinco dizendo que quando o Sérgio Motta disse que o projeto do grupo dele era de ficar no poder por 20 anos ele não estava referindo ao PSDB, mas à USP, e à USP de esquerda.
    Há mais tempo fiz uma crítica a Luis Nassif porque ele disse que a direita capturou José Serra quando na verdade foi José Serra que capturou a direta. É claro que ha muito outros pontos em que eu estou conflitante com a cúpula fundadora do PSDB. Não concordo com o que eu chamo de presunção arrogante da sapiência autoritária que acho o PSDB acometido, mas não tenho dúvida da formação marxista da maioria dos teóricos do partido.
    O problema é que sou prolixo, difuso, confuso e impreciso, daí que às vezes surgem esses mal-entendidos. No meu limite vou tentar a precisão e a concisão. Sou de esquerda, penso que a minha ideologia é mais próxima daquela que a cúpula fundadora do PSDB professava, salvo alguns descendentes da Democracia Cristã como Franco Montoro. Não acredito em alguns slogans que o PSDB propagou desde a sua fundação e penso que o próprio PSDB não acreditava. Há ai uma diferença minha com o PSDB: não concordo que se pense uma coisa e se diz outra.
    São exemplos de slogans PSDBistas que a cúpula não acredita: a idéia de que a “inflação é o mais injusto dos impostos” (Mesmo um leigo como eu sabe que há que estudar caso a caso para saber o quão ruim é a inflação), a idéia de que “governo bom fica, governo ruim o povo tira” e a constituição de um partido sob o fundamento da ética. A política como uma atividade de composição de interesses conflitantes feitas pelos representantes dos possuidores do interesse não admite a renúncia, mas a luta renhida, o acordo, o conchavo, a barganha que são valores não tão próximos da ética. Os representantes devem seguir as normas, os procedimentos, as leis na composição dos interesses, lutando pelos interesses que representam, sem possuir jamais o valor ético da renúncia. Não pode o representante renunciar o interesse do representado.
    Uma coisa, entretanto, é a cúpula formadora do PSDB. Outra coisa muito distante é aquilo que o PSDB está se tornando.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  40. Elias said

    Clever,
    Não vejo contradição entre um político ser “de direita”, ou “conservador” e, ao mesmo tempo, ser uma pessoa decente.

    Existem vários políticos conservadores — ou “de direita”, se você preferir — a quem conheço pessoalmente, que são pessoas decentes.

    Decência não é monopólio de nenhuma posição ideológica (e, infelizmente, pouca vergonha também).

    O problema do PV é que ele escancarou as portas para um monte de gente que nada tem com o ambientalismo. Acabou se tornando um escritório eleitoral. Uma sigla de aluguel, associada ao que há de pior na política brasileira.

    Tanto que a maior parte das pessoas que conferem credibilidade à Marina, espera que ela faça uma “depuração” no PV. Se o PV não houvesse se desnaturado, se degradado, não necessitaria de “depuração”, né?

    Quanto ao papel de Marina como linha auxiliar do PSDB não creio que ainda haja espaço pra dúvida. O jogo tá mais do que revelado.

    Não há nada de ilegítimo nisso. Faz parte do processo político. Agora, negar o que tá na cara só desacredita, né mesmo?

  41. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (38) (28/12/2009 às 19:55),
    Concordo com você. Na pressa eu disse de forma linear coisas que deveriam ser apresentadas de modo estanque. Quis dizer que a cúpula fundadora do PSDB era da esquerda. Se tivesse prolongado mais sob o caráter esquerdista da cúpula do PSDB eu teria até dito que eu tinha uma leve simpatia por essa cúpula fundadora. Não gostava da filosofia do José Arthur Giannotti e considerava o FHC muito demagogo. Gostava do Bresser Pereira pelo didatismo dos livros dele. E achava que o José Serra, como eu disse acima para Lula Borges, jactava a presunção arrogante da sapiência autoritária. Para mim o José Serra se revelou todo na entrevista que foi publicada nas páginas amarelas da Veja e se intitulava “O Cruzado já vingou” de 19/03/1986.
    Quis dizer ainda que o PSDB, até porque se firmou como o partido em antagonismo ao PT, se conduzia cada vez mais para a direita.
    E quis dizer também que talvez o Partido contasse com espécies piores do que o PV que possui muita gente boa. Embora transparecesse, não se tratava de idéias consecutivas.
    Gosto mais das pessoas da esquerda do que os da direita, e avalio melhor um partido que possui mais esquerdistas quando o comparo com um partido que possui mais direitistas. Não recrimino de per si a pessoa ou o político ser de direita. O que não me pareceu correto foi você ver superioridade no palanque do PSDB em relação ao palanque do PV. Pode ser que o Palanque do PSDB em São Paulo seja de boa qualidade, mas no Brasil ele possui muitos aproveitadores. E o número de aproveitadores cresceu muito no período do Plano Real.
    Vejo, entretanto, nessa sua análise crítica do PV uma visão preconceituosa em relação a determinadas lideranças que estão presentes nas fileiras do PSDB. É uma visão preconceituosa porque facilmente classifica um político do nordeste como um político rastaqüera e outros aqui do sul maravilha do mesmo nível ou pior como políticos superiores . O Filho de José Sarney talvez tenha mais a convicção de partido verde do que a convicção que tem alguns dos partidários do PV aqui de Minas Gerais. Não se vê esse tratamento assim para políticos do mesmo estilo, mas cuja origem é nordestina. O próprio Vitório Medioli aqui em Minas Gerais, como um ex-PSDBista que é, procurou apenas um ponto mais seguro para como grande empresário poder ter capacidade de influir nas composições políticas eleitorais. Não há nele convicção própria de um partidário do PV. E é incensado.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  42. Clever, fiquei impressionado com sua resposta e com certeza julguei você apressadamente. Concordo com muito do que você disse (menos o que se refere a ser de esquerda, evidentemente).

  43. Pax said

    Antes de considerar, ou não, Marina como linha auxiliar do PSDB, considero que sua saída foi uma perda significativa para o PT.

    E concordo, falta de vergonha não é “privilégio” da esquerda ou da direita. É uma praga nacional. Os episódios da farra do ParlamenTurismo e das Verbas Indenizatórias fizeram do noticiário um verdadeiro streaptese de muitos vestais nacionais.

  44. Pax said

    Paulo Moreira Leite, diretor da Época em BSB fez um post sobre o assunto.

    Merece a leitura

    Serra quer Marina mas…

    http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2009/12/28/serra-quer-marina-mas/

  45. Chesterton said

    Ufa, até há alguns meses o bom mocismo era monopolio das esquerdas e o mau caratismo monopólio da direita. Que mudança de tom!

  46. Marina está “freaking out” a esquerda lulista e realmente é divertido assistir isso, é como um flamenguista como eu ver o Obina aos sopapos com o Maurício naquele jogo entre Palmeiras e Grêmio. Duda Mendonça prefere briga de galo, eu já me contento em assistir um Ultimate Fighting entre amantes do estado anabolizado, aquele que fagocita a sociedade em torno do projeto de poder de um partido e da figura messiância do aiatolá.
    Na semana em que Marina começou a ser cogitada como candidata a presidente, toda a máquina petista da imprensa voou na jugular dela tentando colar na ex-ministra o rótulo de criacionista e anti-aborto, que na visão da esquerda lulista é colocar a moça como um Torquemada da Santa Inquisição. Ilimar Santos, o cunhado da Tereza Cruvinel que faz o diário do PT no O GLOBO diariamente, chegou a dizer que a posição anti-aborto da Marina podia colocar o país na “contramão das reinvidações históricas do feminismo”.
    Claro que sua atuação como ambientalista também foi chamada de antiquada e anti-desenvolvimentista (Dilma seria a cara do desenvolvimentismo), que o ministério no tempo dela era inoperante e só foi salvo pelo ministro da marofa, o Carlos D2, aquele faz passeata contra as queimadas e depois vai pra casa queimar seu próprio mato das FARC.
    O tratamento fascista que a esquerda lulista no Brasil dá aos seus opositores é previsível e notória, por isso poder ver essas armas de difamação em massa sendo usadas contra um “deles”, dando uns momentos de paz e refresco para os outros que ousam não vender a alma, não deixa de ter lá sua graça.
    Não tenho qualquer simpatia pela Marina, mas cada ataque de nervos de um esquerdista falando da chapa Serra-Marina me faz olhá-la com mais condescendência.

  47. Elias said

    Não creio que, com seu desempenho nas pesquisas, Marina esteja dando ataque de nervos em quem quer que seja.

    A menos que o “atacado” seja quem esperava que ela fosse arrebentar…

    E, como ministra do Meio Ambiente, Marina sempre fez questão de seguir obedientemente a linha de governo. Não se sabe de nenhuma contramola instalada por ela, na equipe de governo.

    Um paralelo: Mantega, dentro do governo, se opôs a Palocci, quando este insistia em manter os juros lá em cima numa época em que já estava mais do que claro — e a prática confirmou — que uma redução na taxa básica não produziria impactos inflacionários significativos (isso rendeu bons debates no Weblog).

    Marina só começou a chiar depois que foi descartada. Nisso, aliás, foi bem mais discreta que Cristóvão Buarque (que, aliás, quando ministro, no início do governo Lula, protagonizou uma historinha interessante — e nada edificante! — envolvendo uma pesquisa sobre as universidades brasileiras).

    Marina não tem, assim, credenciais para acusar o governo Lula — tanto que não acusa — de traição aos ideais que nortearam a trajetória do PT na oposição. Se houve traição, ela foi co-autora.

    Sem essa bandeira, sua faixa operacional já se estreita bastante. Pior ficará quando o eleitor souber que boa parte dos próceres do PV é formada por políticos ligados umbilicalmente a madeireiros, eminências da “indústria” carvoeira, etc. Isso não será possível esconder por mais tempo. Mais dia, menos dia, a bolha explode.

    Acho que, por uma questão de sobrevivência política, Marina ficaria mais confortável numa coligação PV/PSDB (e, claro, DEM & fauna acompanhante).

    Marina como vice de Serra (ou de Aécio) faria um belo estrago ao PT, já no 1º turno. Além disso, selaria as portas para qualquer possibilidade de acordo com o PT no 2º turno.

    Não me causaria espanto se isso acontecesse.

    Sozinha, Marina será traço ou vidraça. Coligada ao PSDB, vira um senhor estilingue.

  48. “ministro da marofa, o Carlos D2, aquele faz passeata contra as queimadas e depois vai pra casa queimar seu próprio mato das FARC.”

    Lula, essa foi muito boa, mas esquece que maconha é um produto nacional. Para usar “mato das Farc”, o citado ministro teria que usar cocaína. Ou cheirar maconha, como dizia a avó de um maconheiro amigo meu.

  49. Pax said

    Tem uma questão interessante além das colocadas. O primeiro movimento de aliança, na verdade, foi do PV com o PSOL.

    De todas as possibilidades a que me pareceria um pouco mais coerente seria esta, ou seja, o PV com o PSOL com a tal “limpeza” do PV realmente acontecendo.

    Mas, num eventual segundo turno, poderiam compor e requerer uma posição significativa no governo e propostas, segundo tudo que Marina inspira e transpira, de um desenvolvimento sustentável. (*)

    Não lhes parece uma linha mais coerente?

    Supondo que eu tivesse alguma razão nessa possibilidade, com quem vocês imaginam que essa eventual aliança PV-PSOL comporia no segundo turno? Com PT+PMDB ou com PSDB+DEM?

    Uma boa sinuca de bico.

    (*) Esse tal “desenvolvimento sustentável” é, no meu entendimento, muito além de ideologia radical, mas sim uma oportunidade de ouro que o Brasil deveria abraçar… a questão ambiental já ganhou a agenda do planeta e tende a crescer.

  50. Pax said

    Lula Borges, há um dito popular muito interessante que você conhece:

    O peixe morre pela boca.

    Quando você usa uma frase como essa

    “O tratamento fascista que a esquerda lulista no Brasil dá aos seus opositores é previsível e notória”

    você vira peixe.

    Senão vejamos:

    Troque a expressão “esquerda lulista” por “direita” e verás que a verdade se confirma. Só falta um nome para a direita, no fundo.

    Todos esses radicais, sejam eles do PT, do PSDB, do DEM, do PV, do PSOL, da dita esquerda, da dita direita etc não passam de animadores de platéia.

    Hoje fujo dessas discussões porque acabam numa infantilidade sem tamanho e numa improdutividade que não leva a nada.

    Agora, numa coisa você tem razão: é assim que será boa parte das campanhas do ano que vem. Uma enorme pena. O momento era para realmente discutirmos o país e essa tendência acaba por estragar a participação de um monte de gente inteligente.

  51. Elias, não estava discutindo a Marina como ministra ou militante, mas constatando o tratamento de “traidora” dado pelos lulistas mais radicais da imprensa, como os colunistas da Folha e do O GLOBO. É claro que ela não me engana, assim como o PSOL inteiro, são como cães caídos do caminhão de mudança do PT, latindo e correndo atrás dele mas loucos para pular de novo na caçamba. Marina com Serra é uma chapa de esquerda, mas uma esquerda mais palatável do que a chapa bolivariana da Dilma, é uma opção que se faz com dedo no nariz.
    Paulo Roberto, foi uma piada e você entendeu ;-)
    Pax, a diferença entre “radicais de direita” e “radicais de esquerda” ou “radicais do governismo” no Brasil é que os primeiros não são mais que um punhado de gatos pingados, não tem qualquer relevância no debate, ficando apenas nos seus blogs obscursos. Já os radicais de esquerda e do governismo estão por aí dentro das redações, influenciado o noticiário, escrevendo colunas ou blogs em grandes portais, sendo entrevistados não como militantes xiitas mas como “especialistas” ou “analistas isentos”.
    Sei que você quer incluir na lista de radicais gente do quilate de um Reinaldo Azevedo, que tem o melhor texto jornalístico do Brasil, mas isso eu prefiro não polemizar, sei que o talento e a inteligência dele causam reações das mais diversas por aí mesmo. É como se eu falasse que o Chico Buarque é um mau compositor porque ele apóia o regime cubano (que o Reinaldo me perdoe a comparação hehehe), coisa que eu não faço por princípio.
    Você sabe que me recuso a aceitar esse expediente de chamar a centro-esquerda, o centro e a centro-direita de “radical de direita” apenas por ousarem não rezar cinco vezes por dia virados para o Palácio do Planalto.

  52. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (49) (29/12/2009 às 11:36),
    Você tem razão quanto à possibilidade de coligação do PV com o PSOL, mas apenas sob a ótica da esquerda. Para quem deseja o PV como um partido mais vinculado à esquerda, a opção da canditatura da Marina Silva foi um achado (Por isso que eu não considero o lançamento da candidatura da Marina Silva como uma candidatura contra o PT) e a possibilidade de coligação com o PSOL é ainda melhor para o PV sob a ótica da esquerda.
    É claro que se depois de todo esforço a Marina Silva fosse formar chapa com José Serra, tudo que até então não era ruim para o PT passaria a ser. Só que eu não vejo a possibilidade da candidatura da Marina Silva como vice do José Serra. Pareceu-me desde quando li este post pela primeira vez um mero balão de ensaio. Mas como eu tinha esquecido a coligação PV / PSOL com a renúncia da candidatura de Heloísa Helena, o balão de ensaio não me pareceu tão claro.
    Hoje lendo os jornais da semana passada eu percebi como os meios de comunicação e nós leitores somos presa fácil das raposas políticas. A idéia da Marina como vice do José Serra é só para, na hipótese de segundo turno, os votos da Marina Silva inclusive aqueles insuflados pela coligação PV / PSOL irem para o José Serra. Uma verdadeira raposa quem lançou essa idéia.
    E é idéia ainda mais bem bolada se se considera que a chapa que recebe mais divulgação é a chapa puro sangue José Serra – Aécio Neves. A Dora Kramer no artigo dela do dia 24/12/2009 com o título de “Fator de Risco” deu a seguinte notícia no subtítulo “Senhor da Razão”:
    “O governador Aécio Neves saiu do páreo da Presidência para não ficar refém do calendário de José Serra. O presidente do PSDB interditou o debate público sobre a chapa puro-sangue a fim de que o partido não ficasse agora a reboque de uma decisão de Aécio”.
    Na verdade, o tucanato percebeu o perigo para o partido, primeiro em praticamente impedir que o Aécio Neves fosse o candidato do partido à Presidência da República e posteriormente seja por vingança do Aécio Neves seja por injunções política não puder emplacar a chapa puro sangue José Serra – Aécio Neves. Como bem lembrou José Dirceu no blog dele no post intitulado “Minas jamais perdoará Serra” de 18/12/2009, o povo mineiro criou certa resistência com esse domínio paulista na política brasileira. Essa resistência cresceu com o debate entre Aécio Neves e José Serra. E, ao alimentar a formação da chapa José Serra – Aécio Neves, o PSDB se sujeita a não poder contrariar mais Aécio Neves. Ora isso deixa o PSDB refém do Aécio Neves, e por isso que era necessário interditar esse debate como bem mostrou a Dora Kramer.
    Dai que o PSDB encarregou alguém de confiança do PSDB para repassar a idéia da Chapa José Serra e Marina Silva. Além de interditar o debate da chapa puro sangue, a possibilidade da chapa José Serra – Marina Silva ainda aproxima o PV do José Serra.Se tudo der certo para o PSDB, José Serra não perde o apoio dos mineiros e ganha o apoio dos correligionários da Marina Silva.
    Cabe ao PT mostrar que a Marina Silva ainda é uma petista e que ela foi para o PV apenas como uma concessão que o PT fez ao PV para que o partido pudesse ter uma identificação mais forte com a causa ambientalista e não se transformasse em uma legenda de aluguel.
    E quanto a Aécio Neves volto a falar sobre as raízes atávicas do governador mineiro (Penso que já falei sobre isso aqui neste blog). Aécio Neves é filho de Aécio Cunha. Aécio Cunha é político antigo que pertencia antes do golpe de 64 ao Partido Republicano que teve como um dos chefes Arthur Bernardes. Quando do levante paulista de 1932 perguntado a Arthur Bernardes de que lado ele ficaria ele respondeu: “Quanto a mim fico com São Paulo, pois para lá se transferiu a alma cívica do povo brasileiro”. Assim, se Aécio Neves puxar o pai que é Cunha ele deverá manter-se firme com São Paulo.
    Aécio Neves é neto de Tancredo Neves. Quando do suicídio de Getúlio Vargas em 1954, Tancredo Neves estava do lado de Getúlio Vargas. E Getúlio Vargas tio do sobrinho de Tancredo Neves Francisco Dornelles e estudante em Minas Gerais na escola de Ouro Preto fez a Revolução de 30 com ajuda de Minas e do Nordeste contra o predomínio paulista na política brasileira que Washington Luiz quis impor a qualquer custo apoiando à candidatura do paulista Júlio Prestes. Assim se Aécio Neves puxar o avô que é Neves ele fica com Minas Gerais, Rio Grande do Sul e o Nordeste como os mineiros ficaram na Revolução de 30.
    Par o PSDB vale o ditado: “o germe que o alimenta é o mesmo que o destrói”. O PSDB só se mantém vivo se lança candidato por São Paulo. Ao fazer isso a possibilidade de vitória do Partido aumenta, mas ao mesmo tempo cria-se um ranço com o restante do Brasil.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 29/12/2009

  53. Pax said

    Caro Clever,

    Agora você deu mais volta que bolacha em boca de velho desdentado. Não consegui acompanhar.

    Dá para fazer um twitter deste teu comentário, um “lead”?

  54. Pax, há coisas que não se deve pedir. Pelo menos não este ano. Um tweet do Clever é uma delas. Deixe para 2010.

  55. O Clever é uma figuraça, vocês leram o texto dele? Viu uma conspiração de toda imprensa e sua fonte confiável e insuspeita sobre o assunto é o blog do José Dirceu! ahahaha
    Tem que ter uma dose realmente cavalar de boa vontade para achar que o José Dirceu dá conselhos gratuitos pro PSDB em seu blog. O PT fez o “spin” (são ótimos nisso) dizendo que eles temiam o Aécio é as correntes de transmissão na imprensa publicaram. Alguém consegue imaginar o PT “temendo” um pré-candidato e avisando o adversário disso? Pelo amor de Deus! Aécio patinava nas pesquisas, é um nome restrito a Minas e ponto. Seria um suicídio apostar na sua candidatura. O candidato mais viável da oposição, desde 2002, é Serra. Se não recebesse tanto fogo amigo, a história poderia ter sido outra.
    A questão relevante em relação a Aécio é se ele vai se empenhar na campanha ou não. Ele deu as costas para os candidatos tucanos nas duas últimas eleições e deu no que deu. Minas é o segundo colégio eleitoral do país e o pau que Alckimin tomou lá em 2006 decidiu a eleição.
    Aécio acabou para o PSDB quando posou com Ciro Gomes, ou seja, abraçou o capeta.
    Clever, que tal agora discutir a Guerra do Iraque usando como fonte confiável e insuspeita o blog do Dick Cheney? ;-)

  56. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (55) (29/12/2009 às 13:55),
    Uma vez eu comentei com um professor em curso de graduação que o homem seria um ruminante de idéias, por mais destrinçada que nos fosse dada uma idéia nós ainda seríamos capazes de a mais dividir. O professor não gostou da minha comparação, pois achava a atividade do ruminante, muito aquém da nossa. Pelo que eu vejo ele tinha um pouco de razão. Você e os demais comentaristas parecem mais com o bicho preguiça e eu tenho que apresentar tudo detalhe por detalhe para vocês compreenderem.
    Aproveitando um pouco de folga desse final de ano faço então um resumo:
    1) Marina ir para o PV foi bom parta a esquerda, pois leva o PV para a esquerda;
    2) O PV se coligar com o PSOL é bom para a esquerda, pois robustece a ida do PV para a esquerda;
    3) Marina formar chapa com José Serra será ruim para a esquerda, pois além de anular os efeitos apontados em 1) e em 2), leva o PV de volta para a direita e talvez ajude a José Serra a pegar votos da esquerda que estavam no PV e no PSOL;
    4) A chapa José Serra é mais que balão de ensaio, pois
    – – A) surge de uma pretensão com remotas chances de se tornar realidade;
    – – B) visa trazer os votos do PV e do PSOL para José Serra principalmente no segundo turno;
    – – C) visa dissipar a discussão sobre a possibilidade da chapa José Serra e Aécio Neves uma vez que essa chapa:
    – – – – a) leva o PSDB a ficar refém de Aécio Neves;
    – – – – b) aumenta a antipatia dos mineiros em relação aos paulistas caso o Aécio Neves não seja o escolhido;
    5) A não escolha de Aécio Neves para compor a chapa com José Serra será considerada como uma medida antipática do PSDB de São Paulo contra os mineiros ainda que a decisão de não aceitar compor a chapa seja de Aécio Neves (Por isso que o PSDB é refém do Aécio).
    6) A possibilidade do próprio Aécio recusar a compor a chapa com José Serra está relacionada com a divisão da política brasileira ocorrida com a Revolução de 30. Foi para explicar isso que eu falei das raízes atávicas de Aécio Cunha Neves.
    7) A atual divisão da política brasileira está sendo provocada pelo PSDB que por instinto de sobrevivência tem que concorrer a presidente da República lançando candidato por São Paulo e de preferência que São Paulo não saia dividido como esteve em 1989 com Mario Covas, Afif Domingos, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães e Lula e permitindo a entrada de Fernando Collor pelos costados. Como o concorrente do PSDB é da esquerda, o PSDB, originalmente um partido de esquerda, ainda que da academia, torna-se paulatinamente um partido de direita e, por privilegiar São Paulo, correr o risco de se antagonizar com o restante do país. Daí o lembrete do ditado: “O germe que o alimenta é o mesmo que o destrói”.
    Mais bem explicadinho assim é impossível, a menos que vocês usem do poder de ruminação que vocês pelo menos até agora não revelaram capacidade de o utilizar (Se é que o possuem).
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 29/12/2009

  57. Clever Mendes de Oliveira said

    Lula Borges (55) (29/12/2009 às 16:17),
    Não, a minha fonte foi a Dora Kramer. Já havia lido o post de José Dirceu na semana passada após ler as reações ao comentário dele por parte do PSDB. É claro que ali há mais um desejo de José Dirceu do que há de realidade. Também em relação ao que eu digo sobre a polarização da política brasileira a semelhança do que ocorreu em 1930 pode ser só um desejo meu que não se verifica na prática.
    Em relação a essa polarização que eu venho apontando de longa data, José Dirceu foi crítico dela quando de modo um tanto canhestro o Frias em artigo na Folha de São Paulo nas vésperas da eleição de 2006 percebeu que ela (a divisão) existia e a apresentou. É claro que Frias a apresentou de modo mais palatável para a direita: a divisão se fazia entre o Brasil que trabalhava na iniciativa privada – São Paulo e os estados do Centro-Oeste – e os estados em que a população era dependente do Estado.
    José Dirceu não gosta da divisão porque ela acaba atingindo também o PT que é um partido muito paulista. Lula foi quem deu ao PT uma dimensão nacional, embora o PT possua bom quadros em vários estados brasileiros.
    Há mais tempo eu dividia a política brasileira em dois grupos. Um grupo de defensores do Estado forte (E só se faz um Estado forte com uma carga tributária elevada) com ramificações à direita e à esquerda e dizia que esse grupo tinha na Revolução de 30 e em Getúlio Vargas o seu símbolo. E outro grupo que não queria o fortalecimento do Estado propugnando pela redução da carga tributária. Havia no grupo a esquerda e a direita. E eu até considerava o PT como mais próximo desse grupo na ala à esquerda. O PT nunca defendeu o aumento da carga tributária. O PSDB também não propugnava pelo aumento da carga tributária, mas as pessoas que participaram da formação do partido tinham mais consciência da importância de se fortalecer a noção do Estado (só que para que o partido não se antagonizasse com o empresariado paulista, os fundadores preferiam falar em fortalecimento das instituições). E a carga tributária aumentou no período em que FHC foi presidente por outras razões que não foram resultado de uma política econômica clara (Os keynesianos não gostam do aumento da carga tributária). Assim a carga tributária aumentou porque só se combate a hiperinflação com aumento de receita e porque a turma do Rio de Janeiro é mais próxima de Getúlio Vargas do que de São Paulo (A turma do Rio na verdade é só o Gustavo Franco e contando com a ajuda do nordestino Everardo Maciel).
    Não fiz nenhuma análise com base na defesa da candidatura do Aécio Neves. Sabia desde o início que ela era fadada ao fracasso. Penso também que o Aécio Neves sempre soube disso. O PSDB não pode concorrer para presidente com um candidato de outro estado sob o risco de desaparecer como partido político. Se Aécio Neves sabia disso porque ele agiu assim desde o início? Para mim a explicação disso são as raízes atávicas dele. Pode ser só um desejo meu, mas me parece que essas raízes o vão fazer pender para o lado materno.
    Um pouco mais de efemérides genealógicas:
    1) Magalhães Pinto era funcionário de Clemente Faria no Banco da Lavoura e em 24 de outubro de 1943 (no aniversário da vitória da Revolução de 1930) assinou o Manifesto dos Mineiros, uma carta aberta assinada por importantes nomes da intelectualidade liberal (advogados e juristas) do estado de Minas Gerais em defesa da reinstituição da democracia e do fim do Estado Novo. Afastado do Banco da Lavoura por imposição de Getúlio Vargas, Magalhães Pinto fundou o próprio banco dele.
    2) O Filho de FHC casou com uma filha de Magalhães Pinto.
    3) A mãe de Aécio Neves casou com Gilberto Faria filho de Clemente Faria e dono do Banco Bandeirantes, um dos bancos que surgiu com a divisão do Banco da Lavoura;
    4) Tancredo Neves disputou a eleição para governador em 1960 contra Magalhães Pinto.
    Torço para que a minha avaliação esteja certo porque sendo de esquerda torço para que prevaleça o princípio da igualdade. E no plano político o princípio da igualdade em uma República Federal é o federalismo. Na minha opinião, para a esquerda é melhor que não haja a prevalência política de um estado da federação. Assim, a minha opinião não é uma opinião pró Aécio Neves, mas sim uma opinião contra o PSDB.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 29/12/2009

  58. Clever Mendes de Oliveira said

    Lula Borges (55) (29/12/2009 às 16:17),
    Antes de acrescentar uma última observação que faltou no meu comentário (57) de 29/12/2009 às 19:31, faço duas correções em textos anteriores meus. Sei que há mais correções a serem feitas, mas foram só essas que eu percebi com mais atenção.
    No meu comentário (41) de 28/12/2009 às 22:57 para o Elias, no início do quinto parágrafo eu deveria dizer PV e não PSDB. Assim a frase fica:
    “Vejo, entretanto, nessa sua [de Elias] análise crítica do PV uma visão preconceituosa em relação a determinadas lideranças que estão presentes nas fileiras do PV.” (Antes estava nas fileiras do PSDB)
    E no meu comentário (57) de 29/12/2009 às 18:28, no penúltimo parágrafo eu usei o verbo correr no infinitivo quando ele deveria ser utilizado no presente. Efetuando a correção, a frase fica assim:
    “Como o concorrente do PSDB é da esquerda, o PSDB, originalmente um partido de esquerda, ainda que da academia, torna-se paulatinamente um partido de direita e, por privilegiar São Paulo, corre o risco de se antagonizar com o restante do país.”
    Quanto a observação queria lembrar que eu não vi uma conspiração de toda a imprensa e, como eu disse no meu comentário (57) de 29/12/2009 às 18:28, a fonte do que eu expressei veio de Dora Kramer, uma jornalista mais identificada com o PSDB.
    E repito, não vi uma conspiração da imprensa. Vi uma conspiração do PSDB. Aliás vi na imprensa a mesma fraqueza que vi nos leitores, eu inclusive, em não ter percebido que a idéia da chapa era de uma raposa política.
    Clever Mendes de Oliveira
    30/12/2009

  59. Chesterton said

    Antes de acrescentar uma última observação que faltou no meu comentário

    chest- impossível, seus comentáruios são completos :)

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