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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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O governo mais popular da História erra

Posted by Pax em 28/12/2009

Lula é o governante mais popular da História do Brasil? Não sei responder essa questão. Sei que a maioria do Brasil e do mundo inteiro acham que sim. Talvez eu também.

Talvez…

O Brasil é o país do fim da década, ou do início do milênio, como queiram. Está em todos os jornais mais importantes do mundo, Lula como exemplo para os maiores líderes e formadores de opinião, enfim, há uma euforia gereralizada em torno do Brasil que venceu a crise, do Brasil da Copa, o Brasil das Olimpíadas, o Brasil finalmente do Brasil.

E é claro que o Brasil está melhor. O rumo que tomamos desde o fim da ditadura militar é bem melhor que o Brasil da dita dura. Mas ainda falta um bocado para eu eleger o Brasil como um grande país ou mesmo o governo Lula como um grande governo. Nem um nem outro o são.

O mínimo que se fez com relação à corrupção desvairada do que entendemos ou vivenciamos como governo surtiu resultados que impressionam para todos os lados. Começamos com a Responsabilidade Fiscal que não é desse governo. É do passado que acabou se sujeitando à velha aristocracita para que pudesse continuar sua obra. Foi aí seu fim. A emenda para a reeleição determinou o fim do PSDB que hoje estrebucha para mostrar que seus quadros são melhores que os atuais. Não são. Se não são iguais, são corruptos tais e quais e se aliam com corruptos, também tais e quais a situação o faz. Não há questão aqui. É constatação. E os corruptos de ambos os lados, que PT e PSDB se aliam, representam, em síntese, a velha e podre aristocracia.

O governo atual pegou a onda nacional e mundial para prosseguir uma obra da evolução das espécies, ou dos governos. E conseguiu feitos inegáveis. O país está melhor. Muito melhor. Nossa economia é muito diferente do país devedor do FMI para a atual situação de credor. Chegamos ao ponto de ditar regras aqui e acolá. O Meio Ambiente, assunto que sempre incomodou e ainda incomoda o governo atual, acabou por confirmar Lula como “este é o cara” na fracassada COP15, assunto que nunca foi pauta do líder de Obama. Mas a base da pirâmide, uma miopia que o governo anterior deu pouca importância, melhorou.

Porém continuamos sendo o país do estrativismo, desde os tempos do descobrimento. Estamos melhor na economia porque exportamos matérias primas, sem qualquer valor agregado. Não temos capital humano para isto – talvez uma ou outra exceção honrosa como a Embraer, mas pouco, muito pouco para o século da informação e conhecimento que mal adentramos. Triste e pura realidade. Educação não é prioridade para este governo como não foi no anterior. Nunca estados que representam as aristocracias creditaram à Educação qualquer importância maior. Nunca. É onde podemos availar a competência de um governo, seja para o lado de cá, mais liberal, ou para o lado de lá, mais centralizador e forte. E dos dois lados, apesar dos discursos, só temos fracassos retumbantes.

Desde os gregos a questão do Estado é discutida. Nos séculos XVII e XVIII as ideias sobre o Estado foram aprofundadas e chegamos a brilhante conclusão que os poderes devem ser divididos entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. E que estes poderes sejam diferenciados em seus assuntos, mas iguais em sua importância no poder.

E o que vemos?

Uma corrupção da proposta. O Legislativo e o Executivo vivem uma situação de amantes, e amantes gulosos dos bens públicos. Um deita com o outro e se satisfazem em prazeres com os cofres públicos.

Essa situação é venal e precisa ser revista com urgência. O patrimonialismo é ditante das regras de poder e governo. Ou achamos que as alianças do PT com o PMDB ou do PSDB com o DEM negam tal verdade?

A aristocracia continua no poder, os donos de grandes propriedades, sejam agrícolas, industriais, financeiras ou das informações, continuam os donos do poder. Mandam e desmandam, compram, vendem e alugam o que bem lhes interessa. Inclusive o Estado.

Aí é que mora a grande questão. O Estado só é razoável se existir para o bem comum.

É o que vemos?

Não. A verdade cruel é que não. Por mais que tenhamos um país melhor aqui e acolá, por mais que tenhamos uma população melhor e uma ascensão social jamais vista, os donos dos meios de produção continuam os donos do Estado. E aí a coisa tende a desandar.

Os escândalos que vivenciamos em 2009, sejam das passagens aéreas, sejam das verbas indenizatórias, sejam dos governos municipais, estaduais e federal, quaisquer que sejam, principalmente a escória ressaltada pelo Senado, nos mostram que é a aristocracia que continua em sua luta incansável de dominar os bens públicos. E os que vieram debaixo, dos sindicatos que nasceram para lutar pelos afiliados e hoje detém algum poder? Bem, esses estão sentados em poltronas de couro em salas luxuosas com ar condicionado e um bom contra-cheque regado por “outras” vantagens, um estágio bem acima dos pelegos tradicionais. E estas poltronas são das maiores estatais do governo que agradam à aristocracia, num looping eterno de canalhice.

Aqui não há inocentes. Até pareceria que as esquerdas brasileiras, as dominantes faz 2 décadas, se preocupariam com o bem comum. Podem até ter em seus conceitos, e em alguns de seus quadros, a ideia básica deste princípio. Mas são fracas. Ao ponto de se submeterem à aristocracia dominante por conta da vontade de poder. O poder da propriedade venceu as classes. De longe. E este poder vitorioso é canalha em última instância. É, no fundo, déspota. Não quer nada do povo além do voto fácil, do mesmo modelo de curral de outros tempos. Se houver diferença, é na vírgula. E assim, perpetuando as desigualdades, principalmente em Educação, Saúde e Segurança, perpetuam suas vontades.

Os amigos da situação dirão que a governabilidade impôs tal situação. Os da oposição dirão que este é o jogo e que o Estado mínimo é a solução para o atual quadro corrupto dos poderes nacionais.

Nenhum deles tem qualquer razão ou História para subir em tamancas e proferir juízos ou conceitos. Todos se perderam. Ou se renderam às aristocracias vigentes.

Este é um discurso comunista? Claro que não. O que fracassou fracassou por conta de sua incompetância de princípios. É um discurso liberal? Claro que não. Este já fracassou faz mais tempo.

O que realmente fracassou, principalmente no Brasil, foram os conceitos morais e, principalmente, os éticos. Não sobrou praticamente pedra sobre pedra.

O Estado que só deveria existir para defender o bem comum, hoje só existe para defender o bem de poucos calando a maioria com um pouco qualquer, uma migalha aqui e acolá capaz de alçar qualquer um ao status de líder que não é.

Houve uma discussão aqui no blog sobre o tamanho do Estado. Ela é para lá de complexa. Deveríamos nos reportar aos gregos, aos iluministas e a toda a linha histórica para fazê-la com competência.

Mas acredito que se nos focarmos no assunto do blog: a Corrupção, teremos um bom caminho para discutir o tamanho do Estado.

Ou então acharemos que o coronelato é quem tem razão. Aí é melhor começarmos a censurar jornais e revistas, baixar o cassetete e, como nos idos dos anos 60 e 70, teremos um crescimento vertiginoso da nossa economia e o aparecimento de novos “líderes”. Deus, dentro do meu ateísmo, que me livre disso.

Prefiro o caminho da discussão.

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64 Respostas to “O governo mais popular da História erra”

  1. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax,
    Considerei exagerado a primeira parte do seu post, mas não é essa parte que pretendo discutir. Para esclarecer porque considerei a primeira parte do seu post exagerado transcrevo o parágrafo qm que esta primeira parte termina:
    – – – – – – – – –
    “Mas continuamos sendo o país do extrativismo, desde os tempos do descobrimento. Estamos melhor na economia porque exportamos matérias primas, sem qualquer valor agregado. Não temos capital humano para isto. Triste e pura realidade. Educação não é prioridade para este governo como não foi no anterior. Nunca estados que representam as aristocracias creditaram à Educação qualquer importância maior. Nunca. É onde podemos avaliar a competência de um governo, seja para o lado de cá, mais liberal, ou para o lado de lá, mais centralizador e forte. E dos dois lados, apesar dos discursos, só temos fracassos retumbantes”.
    – – – – – – – – –
    Penso que o parágrafo acima demonstra bem o que eu achei da primeira parte do seu post: muito exagero. Você diz que a educação não é prioridade deste governo e que não foi do anterior. Sou crítico do governo de FHC, mas penso que não se pode dizer que ele não tenha priorizado a educação. Poderia ter escolhido políticas mais adequadas, mas penso que há exagero em dizer que tanto o atual governo como o governo anterior não priorizaram a educação.
    O que me interessa discutir, entretanto, no seu post é a segunda parte dele que se inicia com a seguinte seqüência:
    – – – – – – – – –
    “Desde os gregos a questão do Estado é discutida. Nos séculos XVII e XVIII as ideias sobre o Estado foram aprofundadas e chegamos a brilhante conclusão que os poderes devem ser divididos entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. E que estes poderes sejam diferenciados em seus assuntos, mas iguais em sua importância no poder.
    E o que vemos?
    Uma corrupção da proposta. O Legislativo e o Executivo vivem uma situação de amantes, e amantes gulosos dos bens públicos. Um deita com o outro e se satisfazem em prazeres com os cofres públicos”.
    – – – – – – – – –
    Há aqui um mérito. Você trata do funcionamento do Estado como um problema mundial e não especificamente do Brasil. Não vejo, entretanto, mais méritos além disso.
    Para você a proposta de divisão de poderes foi corrompida. Não sei se é assim.
    Há duas formas de democracia: a democracia direta e a democracia representativa. A crença na superioridade da democracia direta sobre a democracia representativa é uma das grandes falhas das análises políticas.
    Na democracia direta prevalece a vontade majoritária sem possibilidades de acordos, trocas, conchavos e barganhas. A vontade majoritária impera de forma ditatorial, e os grupos minoritários são praticamente eliminados do jogo político, pois nem há jogo.
    Na democracia representativa, principalmente quando a representação é resultado de eleições proporcionais, prevalece a opinião do consenso, fruto do acordo, da troca, do conchavo, da barganha. É o toma-lá-dá-cá que permite que grupos minoritários possam obter em determinado momento benéficios, dando em troca em outras situações os votos que possuem, defendendo assim os interesses desses grupos minoritários. A democracia passa a ser um processo e não mais um evento pontual que se esgota em cada evento. Ao longo do processo os grupos minoritários se protegem e não são eliminados como na democracia direta.
    Todo o processo da democracia representativa visa o bem comum, mas em cada momento não se sabe qual é o bem comum. Na democracia direta, em cada situação o bem comum é a vontade da maioria. Na democracia representativa, o bem comum também é a vontade da maioria, mas é uma vontade construída através de acordos, trocas, conchavos e barganhas em um processo que é essencialmente um toma-lá-dá-cá, ou seja, um processo essencialmente fisiológico.
    Assim, a democracia é mais moderna quanto mais ela for representativa e proporcional e, portanto, fisiológica.
    O parlamento é mais moderno do que o executivo. O parlamentarismo é mais moderno que o presidencialismo. Como a eleição para presidente da República, em um regime presidencialista em que se elege um presidente com poder de comando, é um grande trunfo do princípio da igualdade, pois se dá a cada um do povo, independentemente do poder econômico ou do poder de conhecimento que cada um possui, o mesmo valor, eu sou a favor do presidencialismo, mas sabendo que assim eu reduzo o poder de barganha dos grupos minoritários (Se o presidente for de esquerda os grandes prejudicados são os ricos, mas se o presidente for de direita, os grandes prejudicados são os pobres). Para conciliar a vantagem do parlamentarismo: a proteção aos interesses minoritários com a vantagem do presidencialismo: a potencialização do princípio da igualdade eu sou contra a reeleição e defendo o mandato maior para Presidente da República.
    Enfim, o fisiologismo, isto é, a troca, a barganha, os acordos e conchavos, é a única forma de funcionamento da democracia moderna, isto é, a democracia representativa proporcional. Dizer que essa forma é corrompida é ou o desconhecimento do funcionamento da democracia ou a pretensão de se ter um outro modelo idealizado, bem distante do que se tem no mundo e que eu duvido que se possa chamá-lo de democrata.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  2. Chesterton said

    O chefe da Passarinha, pela parabólica, manda avisar: a partir de janeiro, é a pobre da Dilmá quem vai apanhar… Uma grande revista de circulação nacional prepara uma série de reportagens batendo pesado na presidenciável petista. Motivo: a Dilmá não é a preferida da Oligarquia Financeira Transnacional para suceder $talinácio. Os controladores globais preferem alguém mais confiável para ser o fantoche deles por aqui. A instabilidade emocional da Dilmá joga contra ela.

    O candidato ideal do sistema globalitário para ocupar o papel de Lula é Fernando Henrique Cardoso. O Diálogo Interamericano e o CFR (Council on Foreign Relations) confiam nele. FHC já foi testado e aprovado pelos clubes do Poder Real Mundial. Curiosamente, o retorno dele, em 2011, ao reformado Palácio do Planalto interessa, sobretudo, ao Grande Filho do Brazil. Sim, FHC é o candidato de Lula. A Dilmá é só para inglês ver. E para iludir os petistas inocentes que caem sempre no conto da cúpula petralha.

    Até um Ignorantácio da Silva sabe que FHC é alternativa mais conveniente para o esquema globalitário ou mesmo para o atual Presimente. Motivo 1: a partir de 2011, o presidente Henrique Meirelles já advertiu seu companheiro $talinácio, existe a previsão de uma crise econômica internacional que – ao contrário da marolinha de 2008 – pode prejudicar o Brasil. Nada mais perfeito para o plano de retorno de $talinácio, em 2014, do que ter um sucessor que vai arcar com o desgaste de gerenciar tal crise, enquanto a memória coletiva guarda a lembrança de “tempos bons” com Lula no poder.

    Jorge serrão

  3. Chesterton said

    Motivo 2: Lula e FHC parecem aqueles irmãos gêmeos da paródia novelesca “Vim Ver Artista” do Casseta & Planeta Urgente. Um vive sacaneando o outro, mas, no fundo, são a mesma coisa. Um com o verniz intelectual; o outro com a pintura da malandragem da grande escola da vida; Os dois, desde 1994, cumprem o roteiro imposto pelo Globalitarismo à Grande Colônia Brazil. Por fazerem o dever de casa direitinho, ambos sempre são considerados “personalidades” do mundo e agraciados com os mais vaidosos prêmios e títulos distintivos.

    Motivo 3 para uma provável candidatura FHC: ele não gosta de José Serra. Problemas pessoais entre os dois sempre são mascarados pelos tucanos. E para piorar para Serra, a Oligarquia Financeira Transnacional também não confia nele. Tanto que armou com seu candidato em preparação – Aécio Neves – para que tirasse o time da sucessão antes do previsto. Assim, do mesmo jeito que a Dilmá, Serra fica exposto para tomar as pancadas previstas de janeiro para frente.

    FHC versus um candidato PT-PMDB. Eis o cenário provável para 2010. Logicamente, a cenografia política sempre corre o risco de sofrer mudanças radicais. FHC prepara seu retorno cuidadosamente, mas pode desistir da briga, por algum motivo que só ele saberá. Os petistas fundamentalistas só precisam saber que a Dilmá é cabra marcada para perder. Mesmo que eventualmente ganhe a eleição.

    Uma coisa é certíssima: o próximo governo – com previsões de déficit púbico fora de controle, dívida interna em elevação e crise externa no cangote – tem tudo para ser pior que o atual. Quem ganha com isto? Lula, aquele que parece um Ignorantácio, mas que, na verdade, é o único Apedeuta que só sabe de tudo que lhe interessa.

    Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

  4. José Antonio Lahud Neto said

    Pax,
    só um dado: A média do valor das aposentadorias do setor público é de R$ 5.305.00; a do setor privado R$ 707.00.

    O grande problema é termos Estado demais onde não é necessário e de menos onde mais se precisa de sua presença. O resto é perfumaria…

  5. Zbigniew said

    Pax, entendo que esta sua constatacao, a da corrupcao endemica, nao se esteia tanto no tamanho do Estado, mas na qualidade do sistema politico que temos. A alternancia no poder implica na alternancia do controle da maquina publica, e, consequentemente, dos diversos orcamentos e de onde os valores serao aplicados. Ainda que se amarre estas questoes, como o fez a Lei de Responsabilidade Fiscal e a propria Constituicao, entre outras, a politica, entendida como as relacoes de poder entre as diversas esferas, tanto no ambito publico quanto privado, ancoram a sua etica em face dos interesses do grupo politico que esteja no comando, e ai nos remete a dois aspectos: o projeto de governo e o projeto de poder. Com a etica subjugada aos interesses primarios do grupo politico, o que se sobressai e o projeto de poder, que, numa democracia madura, deveria andar concomitante ao projeto de governo, sem desvirtua-lo naquilo que ele deve ter de mais importante: o desenvolvimento de toda a sociedade e o bem-esta dos cidadaos. Ocorre que no Brasil o projeto de poder SEMPRE se sobrepos aos interesses da sociedade. Vide a politica do cafe-com-leite, o coronelismo e o oligarquismo que ate hoje sobrevive em face desta regra maldita, a partidarizacao da midia.
    Onde voce enxerga, nao com um certo pessimismo, a manutencao deste “status quo”, eu enxergo um movimento a frente, uma desconexao com o passado, comecando com um esforco no sentido da democratizacao dos meios de comunicacao com a CONFECOM(que sao muito utilizados como ferramentas de dissuasao e convencimento nas maos dos coroneis e oligarcas), o esforco pela distribuicao de renda e um maior investimento em educacao, saude e seguranca, nao so pelo governo federal, mas tambem pelos governos estaduais e municipais, como deve ser numa verdadeira federacao.
    Verdade que os problemas sao imensos e complexos, verdade tambem que nao se modifica a cultura politica em menos de uma geracao (vide a restauracao Meiji no Japao), e so estamos comecando a mudar este estado de coisas (ha bem pouco tampo jamais ouviriamos falar em Daniel Dantas e seu esquema de corrupcao; mensalao e caixa 2). Nada melhor do que fazermos isto com a estima elevada e confianca no futuro, acreditando que estamos num momento muito bom, ocupando um lugar de destaque no cenario mundial, com os fundamentos economicos solidos e, melhor de tudo, funcionando para o bem de toda a populacao brasileira.
    Acredite, Pax, nos vamos melhorar…

  6. Pax said

    Clever,

    Você defende esse fisiologismo brasileiro? Não consigo acreditar que sim. Mas é o que está escrito no teu comentário acima…

    José Antonio,

    Pior que a corrupção é a corrupção aliada com a ineficiência. Já discutimos os pontos principais: Educação, Saúde, Segurança… e aqui só quem anda muito otimista para achar que andamos bem.

  7. Zbigniew said

    Falando em lugar de destaque no cenario mundial, teria sido isto verdade? Ha, mas tem os Rafale…

    “Obama chegou a Copenhague decidido a pressionar a China a aceitar um controle externo sobre emissões de gás carbônico.

    Por isso, sua primeira reunião bilateral foi com o primeiro ministro chinês Wen Jiabao.

    Em pouco tempo, presidente americano percebeu que o chinês não cederia em nada.

    Obama saiu da reunião tão indignado, que pediu outra entrevista bilateral com Wen e disse aos assessores que, daí em diante, só falaria com Wen cara a cara.

    Ao mesmo tempo, os Estados Unidos tentavam organizar uma reunião com Lula, Manmohan Singh (da Índia) e Jacob Zuna, da África do Sul.

    Nessa altura, a confusão era monumental.

    Ninguém sabia quem estava onde, e que delegação permanecia em Copenhague.

    Uma reunião de Obama com Wen foi agendada para às sete da noite.

    Quando Obama saiu de um encontro com líderes europeus, e foi em busca de Wen, lhe informaram que a sala prevista já estava ocupada.

    E na sala estavam Wen, Lula, Singh e Zuma.

    Obama abriu a porta, entrou e perguntou a Wen, em voz alta – essa parte foi gravada por emissoras de televisão: “Você está pronto para a nossa conversa ?”

    E entrou.

    Não havia sequer cadeira para o presidente americano. Obama disse que não tinha problema.

    Ele se sentaria ao lado do amigo Lula.

    E Lula lhe cedeu a cadeira de um dos assessores.

    Na verdade, arrumou duas cadeiras, porque Obama veio com Hillary.

    Obama decidiu que essa era a oportunidade para falar com todos de uma vez só.

    E sua ousadia acabou por lhe ajudar.

    Obama anunciou que se eles cinco não fechassem um acordo ali, na hora, ele, Obama, faria um acordo em separado com os europeus.

    Não se sabe o que passou a acontecer na reunião.

    Mas, daquela reunião saiu o único acordo que hoje se pode celebrar.

    Lula não é apenas um lince da política.

    Quando ele percebeu que a reunião tinha entrado em ponto morto, pronunciou um ovacionado discurso e, pela primeira vez, para surpresa de seus próprios assessores, anunciou que o Brasil estava disposto a contribuir para um fundo verde global.

    Lula sabia que, com isso, deixava Obama com um perfil baixo.

    Uma vez mais, Lula soube jogar suas cartas com astúcia e sem estridência.

    Não é à toa que Obama disse que ele é “o homem do momento”.

    Em seu discurso, Lula disse que o Brasil não aceitaria que as figuras mais importantes do planeta assinassem um documento qualquer só para decidir que nós outros também o assinamos.

    Disse que, como crê em Deus e em milagres, “se se produz o milagre, quero fazer parte dele”.

    (El País, página 40, domingo, 20 de dezembro de 2009)


    Obama se fechou por cinquenta e cinco minutos com Wen.

    A Casa Branca anunciou que haveria um segundo encontro.

    Na hora marcada para esse segundo encontro, Obama constatou que Lula, o primeiro ministro da Índia Singh, e o presidente sul-africano Zuma estavam já reunidos com Wen.

    E estes cinco lideres negociaram o acordo de três paginas que foi apresentado à sessão final.

    O que aconteceu em Copenhague ?

    A Europa defendeu objetivos ambiciosos que ela não pode e não soube compartilhar com os outros países.

    A Europa foi marginalizada por uma coalizão que testemunha a divisão do poder político no mundo de hoje: os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul.

    (Le Monde, paginas 6 e 2, domingo, 20 de dezembro de 2009)”

    http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=24747.

  8. Pax said

    Zbigniew,

    Obrigado pelo teu otimismo. Está maior que o meu.

    E concordo quando você bem coloca sobre os projetos de poder se sobreporem aos projetos de governo.

    Um passo adiante? Bem, mesmo num tom pessimista também admiti isso no texto. Afirmei mais de uma vez que estamos melhor…

  9. A análise do Zbigniew sobre o peso político do Lula é precisa. Contudo, ele está em fim de mandato. E, no que diz respeito à sucessão, parece não existir quem substitua a dupla Lula/Amorim. Serra é o melhor assessorado, conta com orientações precisas de gente com escola no Itamaraty – Ricupero, Sérgio Amaral, Rubens Barbosa – mas também tem ao seu redor formuladores tacanhos, capazes de articular um virar de costas para a América Latina. Dilma deu sinais em Copenhage que não está à altura da tarefa de liderar um país em ascenção. O principal formulador internacional de Marina Silva, Alfredo Sirkis, geralmente acerta na estratégia e erra na tática.

    Falta um José Dirceu, alguém com perspecácia e poder suficiente para de articular a aproximação de Lula com Bush e Chirac. Se ele existe, não sabemos onde está. Aliás, em 2002 não sabíamos que Dirceu seria capaz de articular o que articulou.

  10. Pax (#8). Política se faz com projetos de poder. Weber já dizia isso.

    A pergunta, desde Aristóteles até hoje, é: “poder para que?”

  11. Pax said

    Paulo Roberto,

    Ande um pouco mais para a antiguidade e veja o postulado eudemonístico de Sócrates… o bem moral se identifica com o útil.

    Eudemonismo: doutrina que considera a busca de uma vida feliz, seja no âmbito individual seja coletivo, o princípio e fundamento dos valores morais, julgando eticamente positivas todas as ações que conduzam o homem à felicidade.

  12. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (6) (28/12/2009 às 16:06),
    Você me questiona se eu defendo o fisiologismo brasileiro. Eu preciso esclarecer um pouco mais a idéia que eu defendo. Eu disse no meu comentário (1) de 28/12/2009 às 12:44 que a crença na superioridade da democracia direta sobre a democracia representativa é uma das grandes falhas das análises políticas. Ficou faltando uma complementação. A crença da superioridade da democracia direta também leva em conta que na democracia direta não há fisiologismo. Pode até haver, mas a menos que se trate de um grupo pequeno (Suponhamos que haja apenas 5 eleitores em que a maioria conta com três votos e um da minoria compra o voto de outro da maioria e passa a ser maioria) o fisiologismo não prevalece, pois seria necessário a compra de vários votos. Só que no caso se a compra for proibida, então a compra não se trata de fisiologismo, mas de um crime. E se a compra de voto for permitida, mas se tratando de um número grande de eleitores, não há como alguém se garantir mediante a compra de votos, pois não se sabe quantos votos deveriam ser comprados. Assim, não existe fisiologismo na democracia direta.
    Na democracia representativa, o fisiologismo é da essência. Quanto mais democrática for uma democracia mais fisiológica ela será. Na ditadura não há fisiologismo. Trato o fisiologismo aqui não como a compra do voto de um representante, pois isso é crime. Fisiologismo é a conquista de um voto de um representante em troca de um benefício para os representados pelo representante que cedeu o voto dele. É só assim que a democracia funciona. No Brasil e no mundo todo. Pede-se a um representante para votar pelo casamento gay em troca do apoio para a construção de uma ponte, de uma escola ou um posto de saúde de interesse dos representados que o representante representa.
    É isso que se chama fisiologismo e é com esse fisiologismo que as democracias funcionam em qualquer parte do mundo. Não há porque acreditar que o nosso fisiologismo seja diferente do fisiologismo em qualquer lugar do mundo. O que se pode dizer é que se há mais fisiologismo, há mais democracia. Os Estados Unidos são provavelmente os países mais democráticos do mundo e, portanto, os mais fisiológicos também.
    Comparando com a Europa, mesmo se gostando mais do caráter mais social da democracia européia, não se pode deixar de dizer que há mais fisiologismo nos Estados Unidos do que na Europa. Na Europa a democracia está amarrada a regras que de certo modo reduzem o fisiologismo. Lá não se pode ter déficit público superior a 3% do PIB, não se pode ter dívida pública superior a 100% do PIB, não se pode ter inflação superior a 3% do PIB, o Banco Central é independente. Tudo são regras, inegociáveis, não sujeitas aos conchavos, às barganhas, ao fisiologismo. É por isso que eu avalio que os Estados Unidos são mais democratas do que a Europa.
    No blog do Pedro Doria, quando ainda funcionava, no post “Em tempo” de 23/07/2009 às 19h25 eu fiquei de responder um comentário (No meu comentário (2193) de 11/08/2009 às 14h27 eu relacionei seis comentários que eu deveria responder) que Zbigniew enviou em 02/08/2009 às 14h26. No comentário (1628) de Zbigniew ele rebatia um pouco essa minha idéia de que a democracia só funciona fisiologicamente afirmando que há o basiquinho e há as ações das instituições que não sofreriam as injunções do mundo político.
    Quanto as instituições como, por exemplo, as Universidades e o Banco Central, eu sou favorável a elas e tenho muita expectativa de que elas possam funcionar mais corretamente sem as injunções política. Só que penso que se o império é da democracia elas devem ficar submetidas a essas injunções políticas. Um governante eleito tem o direito de dar uma direção para essas instituições e essa direção deve estar o mais próximo da direção do grupo que o governante eleito representa.
    Quanto ao basiqunho, eu não afirmo que ele não exista. Tenho, entretanto, a impressão que quanto maior for o basiquinho, menos democrático é o modelo. É claro que se se trata de um basiquinho com 100% de aprovação (às vezes basta 66% de aprovação) o basiquinho se transforma em uma lei, uma emenda constitucional ou uma norma a que todos devem obediência. É o caso da previsão constitucional de 30% de gasto com a educação. Ai talvez exista o que todos querem que conduza o processo democrático em substituição ao fisiologismo: o interesse maior da nação. Ocorre, entretanto, que não há nada que nos assegure que qualquer decisão que vai ser tomada atenda ao interesse maior da nação. Por isso que as decisões governamentais originária do parlamento são tomadas de forma majoritária e em um processo onde se fazem acordos conchavos e barganhas, em que, portanto, impera o fisiologismo.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  13. Chesterton said

    Pax, cuidado, quando você pede explicações ao Clever, ele dá.

  14. Chesterton said

    Parece que nos EUA, o fenômeno da rejeição ao Presidente “pogrecista” por seus antigos “cupaeros” se repete, pois é igual à decepção dos radicais com o governo Lula.

    http://www.opednews.com/articles/1/Now-I-m-Really-Getting-Pis-by-David-Michael-Gree-091219-496.html

  15. Chesterton said

    Like any good progressive, I’ve gone from admiration to hope to disappointment to anger when it comes to this president. Now I’m fast getting to rage.

    Ler essas coisas é algo que me deixa rolando de rir.

  16. Paulo Roberto Silva said

    Pax, o bem comum é a causa final da política para todos, inclusive Aristóteles. Este inclusive chegou a concluir que o bem comum é a felicidade do cidadão, e isto deve ser buscado pelo governante.
    O meu ponto é: você conhece algum tirano que não tenha apelado ao bem comum para justificar seus abusos? Hitler, Stalin, Napoleão, Metternich, Vargas… Nenhum deles disse em público “quero o poder porque ele é uma delícia”.
    Aliás, nem os corruptos admitem que fogem ao bem comum. Afinal, o que significa o “rouba mas faz”.
    A saída para a política não está na escolha de políticos cândidos, mas no equilíbrio de poder. Um governante sem poder absoluto pensa duas vezes antes de abusar de suas prerrogativas.

  17. Pax said

    Chegamos num dos pontos do post, Paulo Roberto. Onde afirmo que o Legislativo e o Executivo (e um pouco do Judiciário também) se deitaram numa farra canalha, patrimonialista. Vários do Legislativo pensam que “aquele Ministério é meu” e o Executivo pensa, em troco “se eu der aquele Ministério” eu tenho o partido…

    Só que o interesse pelo tal Ministério, ou estatal ou qualquer coisa que mexa com dinheiro grosso, não é nenhum além de assaltar seus cofres.

    Esse casamento infiel (com o povo) dos poderes dá no que dá. Escândalo depois de escândalo. De grão em grão lá se vão uns 20% do PIB em desvios, anomalias e corrupção braba mesmo. O que sobra do dinheiro público que não é desviados, se perde, boa parte, em incompetências monstruosas e ineficiências monumentais.

    Clever,

    Na sua comparação entre Europa e EUA, prefiro a primeira, descartando o fracasso que sua União aponta para dentro em breve. Acho que o velho mundo é mais sábio por ser mais velho. O modelo americano não me causa grandes impressões. Pelo contrário.

  18. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax (17) (28/12/2009 às 20:45),
    Tudo bem. Neste ponto eu até concordo com você. Como todo mundo de esquerda eu prefiro o modelo europeu ao americano. Agora não posso deixar de lembrar que a Europa me decepcionou um pouco esse ano na campanha para o parlamento europeu quando o partido da Democracia-Cristã na Alemanha utilizou o slogan “Por Deus, contra a Turquia”, segundo eu li no artigo de José Luís Fiori, intitulado “Entre Berlim e o Vaticano” publicado no Valor Econômico de 17/06/2009.
    Agora, eu não discuti qual era o modelo de minha preferência, mas sim onde havia mais o processo político democrático.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2009

  19. Pax said

    Ainda assim, Clever. Prefiro as democracias mais consolidadas da Europa à dos EUA. São mais voltadas ao tal do bem comum. A velha questão do vinho novo e o vinho adormecido em barris de carvalho…

    Os EUA, que inegavelmente são democratas, ainda me parecem num jogo de vale tudo. É só ver a indústria farmacêutica, petroleo e petroquímica, de saúde, armamentos etc e seus modelitos de influência no Congresso americano. O Obama está lá rebolando e suando um bocado para evoluir agora a questão da Saúde.

    É um passo, claro. Mas este, por exemplo, já foi dado pelos países europeus mais do meu agrado já faz um bom tempo…

  20. Chesterton said

    Peraí, Pax, Obama quer evoluir a medicina para onde? Para niveis de SUS? Os EUA praticam medicina de ponta enquanto o Canadá e o Reino Unido tem filas de até 2 anos para fazer exames mais sofisticados ou cirurgias eletivas, e você acredita que isso´seja evolução?

  21. Pax said

    “exames mais sofisticados ou cirurgias eletivas”

    Só para os ricos, Chesterton… só para os ricos.

    Há quem considere pobre gente também. Lembre-se disso.

  22. Chesterton said

    Ricos? Onde? Classe média e classe trabalhadora com seguros pagos pelas empresas.
    Afinal, como você pretende “igualitalizar” a medicina, dando acesso a quem não tem ou tirando de quem tem?

  23. Chesterton said

    Você parece minha ex-sogra. Ficava o dia inteiro na frente da TV resmungando: “é culpa dos ricos, é culpa dos ricos”!

  24. Os Estados Unidos eu não sei, mas a China veio fazer benchmarking no Brasil para desenvolver uma espécie de SUS chinês. Apesar de comunista, a China não tem sistema público de saúde. Como resultado, boa parte dos 50% da renda que os chineses poupam é destinado aos gastos médicos. A proposta chinesa é: o estado banca os médicos e as famílias destinam parte desta poupança ao consumo.

  25. Chesterton said

    A China já teve sistema de saude estatal, só oferecia medicina moderna aos poderosos.
    Se é verdade que 50% da poupança dos chineses vai para garantir a necessidade de médicos (aliás, um bom motivo para poupar para a velhice)uma vez o governo assumindo o risco tomará 70% da poupança dos chineses. Basta esperar para ver.

  26. Chesterton said

    …daqui a pouco Pax vai dizer que por ele todas as óticas seriam fechadas porque tem muito pobre que precisa de óculos e não tem como comprar.

  27. Pax said

    Boa, Chesterton,

    Aí a Bíblia passaria a ser o Ensaio sobre a Cegueira.

  28. Zbigniew said

    Paulo Roberto, em 16. Exato! O equilibrio atraves de instituicoes maduras que chancelariam o “check and balances” e todos os seus processos de fiscalizacao. Utopia?! Isto nos remete ao raciocinio de que o homem e um ser corrupto por natureza. Apenas Deus nao o e (ou a sua ideia), ate porque o que mantem nao se corrompe, pois so assim poderia manter, quanto mais na nocao de eternidade e infinitude.
    Precisamos nos espelhar no que e perfeito na certeza de vivermos com um minimo “aceitavel” de transgressoes, toleradas pela consciencia de nossa natureza. Mas esse minimo nao pode, de forma alguma, anular o que e bom, e o que e bom deve se-lo para todos. E o “basiquinho” que o Clever aponta como de somenos importancia nas relacoes de poder de uma democracia, ao tentar justificar o fisiologismo como inerente a tal sistema. Ate pode se-lo, mas nao como elemento principal ou necessariamente inerente, mas, no maximo, incluido na categoria das tolerancias consentidas.
    Essa e a luta que travamos, especificamente no nosso pais, com a quebra constante de paradigmas, a fim de se implantar de uma vez por todas uma logica de poder que nao exclua o bem comum em detrimento de patrimonialismos, personalismos ou projetos de poder, para dar lugar a politicas de Estado consistentes e permanentes, independentes dos governos da vez. Utopia?!

  29. Não Chest, vai ser assim: cria-se um novo imposto e a carga tributária chega a 60% do PIB (a imprensa comemorará como mais um recorde de arrecadação). Nasce o programa Bolsa-Óculos, que custará 200 bilhões por ano e dará uma armação de plástico de 10 centavos para cada brasileiro cadastrado como eleitor do PT nas prefeituras. Os óculos serão comprados de uma única empresa, amiga do povo e com consciência social, ao custo unitário de 100 reais. Esta empresa doará dinheiro para as campanhas do PT e dirá que o empresariado adora Lula. Os concorrentes desta empresa serão comprados por ela com dinheiro do BNDES com juros de 0,0005% ao ano e se tornará a única fabricate de óculos do país – o governo dirá que está ajudando a criar uma empresa nacional “forte”. Roberto Teixeira será contratado como advogado desta empresa por 1 milhão de dólares por mês para “assessoria jurídica”. José Dirceu será um assessor especial para assuntos aleatórios por outro milhão por mês. O último concorrente desta empresa, que se negou a vender o negócio, será preso pela polícia federal e algemado para as câmeras da TV Globo, condenado a 2.000 anos de prisão e chibatadas porque uma conversa telefônica foi interceptada e o dono dizia que ia comprar picolé para a filha e, claro, picolé só pode ser um código para uma coisa muito ruim, que depois será apurada pela polícia, mas prende já o cara e, se possível, faz ele virar a “noiva” da cadeia para aprender o que é bom pra tosse! Seu sítio no interior é invadido e destruído pelo MST. A prisão será revogada e o STF será acusado de bandido pela imprensa. Lula será escolhido como Homem do Ano pelo Pravda, pelo Granma e pela Telesur. A imprensa dirá que o Bolsa-Óculos virou um benchmark mundial e agora todo mundo usa óculos por idéia nossa.

  30. Pax said

    Lula Borges,

    Este tipo de texto vale a pena? A gente discute os pontos com alguma chance de alguém convencer alguém? Acho que não.

    Essa questão é boa: como você acha que deve ser o sistema de saúde – privado ou público.

    Segundo entendi do Chesterton ele acha que a o modelo americano é bom. Eu acho que não pois abandona uma parte significativa da população, além de permitir os lobbyes das principais indústrias de saúde e farmacêutica atuarem como atuam por lá, que me parecem bem venais.

    Chesterton diz que na Europa você tem que esperar 2 anos para um exame mais específico. Conversei com 2 conhecidas da blogosfera que me afirmaram ao contrário, que os modelos inglês e francês têm críticas, claro, mas que se sentem atendidas, como todo o resto da população.

    Obama agora está aprovando um modelo que não é parecido, mas que ao custo de quase US$ 900 bi por ano permitirá que a base da pirâmide tenha um plano de saúde que os tirem do abandono. Não conheço o projeto a fundo, mas já acho que melhora alguma coisa.

    Volto ao pano de fundo do post que vem de uma outra discussão: onde achamos que o Estado deve atuar e qual o tamanho do mesmo.

    Meus três pontos você sabe bem: Educação, Saúde, Segurança – com, claro, Forças Armadas. Não dá para esquecer da Previdência.. enfim. Se não for pedir muito, gostaria que a gente voltasse às boas discussões.

  31. Zbigniew said

    O modelo americano e bom?!!!!!! Mas nem o McCain acredita nisto!!!! Ele ja assistiu Sicko de Michael Moore? Ha, ja sei! Nao tem o “nihil obstat” da “doutrina para a fe”.

  32. Onde o Estado deve “atuar”? Vamos por partes, definindo “atuação”. O estado deve regular e fiscalizar a saúde? Evidentemente. Deve subsidiar o atendimento médico, odontológico e nutricional a necessitados? Claro, até para evitar que o traficante o faça. Os seguros de saúde devem ser acessíveis a todos? Sim. O Estado deve gerir diretamente hospitais, comprar e distribuir remédios, ser um “player” do setor? Não!
    O governo deve fornecer os meios para que o ensino fundamental e médio sejam universalizados? Claro! O governo deve pegar a maior parte do orçamento do MEC e torrar com universidades federais com uma produção científica ridícula, áreas de humanas apenas para pregação marxista, volume medíocre de novas patentes e sem nunca ter conseguido um Nobel em nada? Nunca, nunca, nunca!
    Nos EUA, uma sociedade criou e gere o estado, que é seu servidor. No Brasil, a criação do estado, por D João VI, precedeu a própria existência de uma sociedade, que foi se moldando em torno dele, a seu serviço. Voltamos a esse ponto oportundamente, discussão longa demais para um comentário de post.
    Sobre o modelo americano, o tal pacotaço do Obama foi uma tentativa de empurrar goela abaixo da população um conjunto enorme de medidas (eram mais de 1.000 páginas) e a sociedade, de forma admirável, reagiu. Obama começou o governo com 16% de “strongly desaprove”, ou seja, um grande voto de confiança. Hoje o índice está em 41% em menos de um ano! O governo dele é “fortemente desaprovado”, que é o limite da desaprovação, por 41% do eleitorado! As coisas não tão lá indo muito bem, certo? 53% é o total de desaprovação hoje (começou com 30%), mais da metade do país desaprova o governo.
    Sobre o debate do sistema de saúde americano, muita bobagem já se falou. Na teoria, vale o que o Friedman falou há 30 anos: http://www.youtube.com/watch?v=VPADFNKDhGM
    O assunto é enorme e, se conseguir uma folga, faço um post sobre ele, um assunto que acompanhei com atenção durante o ano lendo jornais de lá e não recebendo informações de segunda mão da imprensa bolivariana daqui. O Brasil nem faz idéia do que estava se discutindo lá. O povo americano e ambos os partidos querem reformar o sistema de saúde, o que se debate é qual é a reforma e a que custo, além da pergunta fundamental: de onde sairá o pote de ouro para pagar os 11 trilhões de dólares a serem gastos em 10 anos de ObamaCare? Alguém tem que responder a pergunta de forma convicente, o que ainda não aconteceu.
    Citar um pilantra mentiroso e embusteiro como Michael Moore numa discussão é para não discutir, certo? Aliás, vi tanto “Manufacturing Dissent” como “Michael Moore Hates America”, recomendo os dois (o primeiro é melhor). Nem lembrava que alguém ainda levava a sério esse cara. Sobre Sicko, divirta-se com esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Hc-hGzW53FQ

  33. Chesterton said

    A “base” que não tem seguro saúde é de maioria de jovens que acham que não vão ficar doentes (e estatisticamente estão corretos) e não compram seguro ou compram seguros baratinhos para emergencias. Com o dinheiro que não gastam compram ações na baixa e vendem na alta guardando o lucro para cuidados médicos na velhice (que é, estatisticamente, quando precisam).
    O governo forçar essas pessoas a terem seguro vai confiscar uma grana preta da economia produtiva. A burocracia vai ser enorme, como já é nos diversos países onde é implementada.
    Só existe uma coisa mais cara que um sistema de saúde funcionante: a guerra total.

  34. Chesterton said

    Não conheço o projeto a fundo, mas já acho que melhora alguma coisa.

    chest- baseado em que, Pax, na fé?

  35. Pax said

    Bem, Lula Borges,

    Então você é a favor do estado bancando o ensino fundamental e médio e a saúde pública, de certa forma – ao menos aos mais carentes.

    Beleza, agora falta definir segurança pública e você se torna um belo social democrata.

    Sabia que por trás dessa fama de durão acabaria achando um coração mole e meio avermelhado.

    Agora só falta adocicar um pouco o Chesterton. Ufa, a evolução das espécies funciona mesmo…

  36. Pax said

    O comentário #32 do Lula Borges estava travado por conter mais de um link… vale a pena ver a declaração socialista (vá, com boa vontade dá para achar assim) do colega.

  37. Chesterton said

    perai, Pax, subsidiar não é bancar.

  38. Chesterton said

    seguindo o post do Lula Borges achei um link para você, Pax

  39. Chesterton said

    isso já está passando dos limites da decência

    “Nós vamos fazer o PAC número 2 a partir de março do ano que vem, portanto, vai ter mais obras para o ABC Paulista, para Osasco, para Guarulhos, porque nós também não fazemos distinção de que partido é o prefeito ou o governador. Seja de qualquer partido, ele foi governador ou foi prefeito e o seu povo precisa, a gente tem mais é obrigação de fazer sem olhar… Você não pode deixar de dar comida para um porco porque você não gosta do dono do porco.” – Lula, hoje, “elogiando” o porco, digo, o povo paulista.

  40. Chest, não há nada de esquerdista no que eu disse, muito pelo contrário. O Pax é um gozador.
    Há vídeos muito interessantes no Friedman no YouTube, inclusive um que é específico sobre esse assunto que estamos debatendo. Tem um que é tão didático que deveria ser mostrado em escolas: “The Fallacy of Welfare State” – http://www.youtube.com/watch?v=EHjVxmJrpHo

  41. Chesterton said

    não, Lula, ele é um equivocado. Algumas pessoas envelhecem sem amadurecer, e o tempo está correndo para o Pax, periga entrar nesse grupo.

  42. Pax said

    Para vocês, Chesterton e Lula Borges, suarem frio com pesadelos em 2010 (não é maldade minha, é para felicidade futura):

    “Hoje, 99% das escolas são públicas e o aluno conta com material escolar, refeições e transporte gratuitos.”

    “O preço do sistema de bem-estar social que assiste o cidadão do berço ao túmulo é uma carga tributária de 43% do PIB, uma das maiores do mundo, mas apenas seis pontos acima da brasileira. Ou seja, trata-se de um estado paquidérmico, mas eficiente. A Finlândia é o país menos corrupto, segundo a Transparência Internacional.”

    “Na Finlândia, existe um consenso de que todo mundo precisa ter uma educação mínima para ser um cidadão.”

    “A educação de qualidade foi essencial para uma virada na economia finlandesa. A mão-de-obra qualificada permitiu que a eletrônica substituísse a madeira e o papel como principais produtos de exportação. A Finlândia tem hoje o terceiro maior investimento em pesquisa e desenvolvimento do planeta, grande parte feita por empresas privadas. Uma antiga fábrica de papéis e de botas de borracha do interior do país foi o símbolo dessa transformação. A empresa, Nokia, hoje é a maior fabricante mundial de celulares, com 40% do mercado internacional. Juntos, ela e o sistema educacional são os dois maiores orgulhos dos finlandeses.”

    E não reclamem da fonte, pois é a que vocês mais usam – http://veja.abril.com.br/200208/p_066.shtml

    Não venham com o discurso que a Finlândia só tem 5 milhões de habitantes. Claro que temos diferenças enormes em números e território e que precisaremos adaptar muita coisa, mas é o norte que estou discutindo.

    Vocês ficam com o exemplo americano e eu trago um que representa uma parte do que defendo. Há outros.

  43. Chesterton said

    mais um link para tentar tirar Pax da miséria intelectual

    http://washingtontimes.com/news/2009/dec/24/holmes-author-sees-utopian-new-left-same-as-old-le/

  44. Chesterton said

    Pax, o Jardim Zoológico funciona assim tambem.
    A questão não é ter só 5 milhões de habitantes, mas 5 milhões de habitantes (a população do estado do Rio de Janeiro) -15 habitantes/km quadrado, contra 352 do estado do Rio e 5.200 da cidade do Rio de janeiro. Não tem gente na Finlandia.
    Você acha que aumentando a carga tributária em mais 6% no Brasil vai transformar o brasileiro em finlandês e o Brasil numa Finlandia? Acha que jogar dinheiro para o governo adianta alguma coisa?
    Recomendo o texto Swede and Sour para você entender o que ocorre na realidade.

    http://www.johannorberg.net/?page=articles&articleid=45

  45. Pax said

    Eu aqui discutindo modelos democráticos, um com espírito mais social e outro com espírito mais liberal e o Chesterton me trás um artigo discutindo comunismo.

    Chesterton, de uma vez por todas, a guerra fria acabou. Vire a página. Estamos discutindo democracia, não mais estados totalitários. Entenda de uma vez por todas que eu também me assusto e me incomodo sobremaneira com gente como Chávez que disfarça o discurso mas no fundo quer mesmo é refundar um modelo que fracassou. Caso tenhamos algum risco de um chavismo no Brasil pode ter certeza que estarei do teu lado. Como não acho isso, mas sempre fico de olho aberto, não estou discutindo essa possibilidade. Estou olhando para propostas que poderão realmente levar o Brasil para outro patamar. Não acho que o liberalismo seja a melhor proposta. Também não acho que o “meu” modelo é a melhor proposta. Quero é discutir exatamente isto.

    Caramba, que enorme dificuldade… vamos andar para frente.

  46. Assuntos deveras palpitantes. Discussão “encerrada” as 23:28 e reiniciada às 6:49.
    O bloguista proprietário tem razão: andemos para frente…

  47. Chesterton said

    Chesterton, de uma vez por todas, a guerra fria acabou. Vire a página. Estamos discutindo democracia, não mais estados totalitários.

    chest- Mas de onde falei em comunismo? No artigo sobre a Suécia? Não me consta que a Suécia tenha sido comunista.

    A discussão não acabou, pelo contrario, o fato de o autoritarismo não ser mais HARD não quer dizer que não exista. Vivemos tempos de fascisnmo SOFT, tão nocivo quanto o HARD apesar de menos hemorrágico.

    Esse papo de ” a discussão acabou” faz parte disso. lembram do tal “aquecimento global”. A discussão tinha acabado também Até que se descobriu que tudo era uma enorme falsificação.

  48. Pax said

    Me referi ao comentário #43, Chesterton.

    Você pode achar que o assunto das mudanças climáticas é uma enorme farsa. É um direito seu. Só que eu e boa parte do planeta não achamos. Direito nosso também.

    Talvez, na tua cabeça, façamos parte de uma grande conspiração…

  49. Chesterton said

    O autor justamente fala que a era do fascismo HARD acabou, mas os sonhos de dominação continuam os mesmos.

    Olha aqui

    O chefão Lula da Silva e seu ministro da Justiça, Tarso Genro, colaboram, institucionalmente, para mais um ataque à soberania nacional – em fidelidade ao esquema globalitário que os controla. Os militares, em particular, e os brasileiros, em geral, serão obrigados a prestar continência, homenagem e lealdade a uma nova bandeira: o pavilhão do Mercosul.

    Pertinho do Natal, os dois impuseram a Lei Nº 12.157 – que institui o culto ao internacionalismo, modificando a Lei Nº 5.700, que cuida sobre a forma e apresentação dos símbolos brasileiros. Pelo artigo 13 da nova lei (seria coincidência com o número petista?), devem ser hasteadas, todos os dias, em conjunto, as bandeiras do Brasil e do Mercosul. É o desmanche simbólico do Estado Nacional Brasileiro.

  50. Chesterton said

    The enemies here are also familiar, namely, the nation-state and the free market. The United Nations and the European Union seek to bypass and control both, empowering bureaucratic elites who are unaccountable to the democratic process. In the old days, the nation-state was to be the engine of socialism; today, it is supranational institutions. (43)

  51. Chesterton said

    Você pode achar que o assunto das mudanças climáticas é uma enorme farsa. É um direito seu. Só que eu e boa parte do planeta não achamos. Direito nosso também.

    chest- de novo, equivocado. Acredito nas mudanças climáticas. O clima sempre mudou, não é por causa do capitalismo que ele vai deixar de mudar. Um dia chove, outro dia faz sol. Simples fatos da vida.
    O resto é achismo, crença baseada na fé.

  52. Pax said

    O Kim R. Holmes também acha que há um comunista atrás do armário dele, Chesterton.

  53. Pax said

    Aliás, o Kim R. Holmes deve andar com insônia esses dias. O comunista não é mais russo, é chinês. E, pior, o comunista chinês não só está mais forte como sua defesa do neoliberalismo está muito mais fraca.

    Esse tal Kim R. Holmes nem com psicanalista judia da José Linhares no Leblon. Esse já foi, não tem mais salvação.

    Você ainda evolui. Lentamente, mas evolui.

  54. Chesterton said

    Chinese? Esses dão uma lição contra o relativismo moral do ocidente rousseaniano diariamente.

    Pax, insisto que você leia Fascismo de Esquerda, até estou pensando em doar um livro a você.

  55. “Pelo artigo 13 da nova lei (seria coincidência com o número petista?), devem ser hasteadas, todos os dias, em conjunto, as bandeiras do Brasil e do Mercosul. É o desmanche simbólico do Estado Nacional Brasileiro.”

    Oi? O que tem a ver o fortalecimento simbólico da integração regional com o internacionalismo ou o desmanche do Estado Nacional?

    Aliás, o Mercosul é um projeto petista? O que pensaria disso Raul Alfonsin, que começou a tratar do assunto com o Sarney, nos anos 1980?

  56. Pax said

    Chesterton,

    Aceito de bom grado. Pode mandar.

  57. Chesterton said

    manda um PO BOX via email que vai chegar

  58. Pax said

    Ok, mas me lembre.

    Valeu.

  59. Pax said

    Vai ser o primeiro faturamento com a internet… simbólico, logo de um “inimigo” ideológico.

    Será que o blog passa a ser considerado profissional depois disso?

    Chesterton, vou repensar, acabo de entrar em crise existencial bloguística.

  60. Chesterton said

    presente não é honorário.

  61. Chesterton said

    pax, falando sério.Obama deve uns 18 pontos de ibope para aquele holandes que dominou o incendio no jato, hein????

  62. Pax said

    Holendês?

    Deixa quieto o lance do livro, manda um link que eu corro atrás por aqui. Já valeu a intenção.

    E você jamais poderá dizer que me corrompeu…

    Mas se quiser mandar uma BMW para eu falar bem do liberalismo.
    .
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    .

    O não será mais retumbante e ainda te denuncio para a PF.

    (te peguei…)

  63. Chesterton said

    BMV? Brasilia muito velha.

    Não é corrupçaõ, pois nada peço em troca.

  64. Chesterton said

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=01375217411122162567079532&nitem=2938562

    o livro caiu bem de preço

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