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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Se eu fosse candidato – Segurança Pública

Posted by Pax em 24/01/2010

O blog vai abrir uma nova série: Seu eu fosse candidato. Tentará imaginar um eleitor comum que, basicamente, tem as seguintes características: pouca informação política, pouco tempo e vontade para se informar, baixíssimo interesse pelo assunto e que, finalmente, será bombardeado pelas propagandas eleitorais, informações sobre pesquisas e noticiário geral sobre as eleições.

Este eleitor acabará fazendo algumas associações da imagem dos candidatos e partidos com propostas que o farão dar o <CONFIRMA> na urna eleitoral em outubro de 2010.

A ideia é discutir aqui, com os que se propuserem, mas sabemos que a comunidade de comentaristas deste blog não tem as características do eleitor comum, definidas acima.

Alguns temas certamente aparecerão nas campanhas: economia, investimentos públicos, geração de empregos, saúde,  meio ambiente, educação etc etc etc.

Segundo me lembro, posso estar errado aqui e ali, mas as últimas pesquisas mostraram que entre as principais preocupações do eleitor brasileiro estão: Saúde, Segurança Pública e, incrivelmente, aparece até o tema da Corrupção.

Inauguro com Segurança Pública.

Todos somos afetados pelo problema. E não é uma questão somente brasileira, todos os dados mostram que os problemas de segurança pública pioraram desde as últimas décadas do século passado e o caminho não aponta para melhor, pois as curvas indicam aumento da insegurança no âmbito planetário.

Especificamente no Brasil o problema tem se tornado insuportável, não há mais onde o assunto seja de menor importância na pauta da sociedade, desde as tragédias das grandes cidades até as pequenas vilas do interior estão tomadas pelo medo da população de uma forma geral.

As polícias são mal pagas, mal treinadas, mal armadas e desestimuladas. Uma parte aprodreceu, hoje faz parte do problema e, além de estar na criminalidade, assume o comando de milícias que, ao menos na minha opinião, é um caminho torto e errado. Os bons policiais ficam de mãos amarradas nesta triste constatação. A sociedade acaba pagando duas vezes para alguma proteção, a primeira com os impostos e a segunda com a contratação de seguranças privados, outro caminho que considero um desvio se generalizado e indiscriminado. O papel de polícia é da polícia, que é pública e não privada.

Enfim, o assunto é enorme, envolve tráfico de drogas e armas, desigualdades, geração de empregos, presença do estado, tanto na própria manutenção da ordem como em vários aspectos comunitários que acabam, ao menos em parte, nas mãos dos chefes locais de tráfico que dão o dinheiro da consulta médica para os protegidos, da queda de faturamento dessa atividade com o aparecimento do crack e outras drogas que, mais baratas, servem mais ao consumo de camadas menos favorecidas da sociedade e tem menor lucratividade. O tema vai longe de tanta variável, além de estar fora da minha competência a discussão mais profunda.

Mas acredito que se algum candidato souber explorar o ponto e consiga desenvolver uma proposta crível e com diferenciais e, ao final, consiga a bandeira do melhor encaminhamento da questão da Segurança Pública, terá uma boa parcela de votos da sociedade brasileira.

Fica como sugestão de leitura a que fiz hoje de manhã.

Do site Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.

Meninos do Rio: Jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas

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43 Respostas to “Se eu fosse candidato – Segurança Pública”

  1. Chesterton said

    1. acabar com o estatuto da criança e do adolescente

  2. José Antonio Lahud Neto said

    Pax,
    aceite minha renúncia antecipada e irrevogável!

  3. Pax said

    Como assim, José Antonio?

    Desististe de discutir as bandeiras que estão aí para os candidatos tentarem pegar?

  4. Elias said

    1 – Poder de polícia para as Guardas Municipais, com função exclusiva de policiamento ostensivo.

    2 – Fusão das PMs com as Guardas Civis.

    3 – Liberdade condicional concedida por uma comissão mista governo/sociedade civil e nunca pelos presídios (porque, com a concessão pelos presídios, esse poder passa a ser exercido de fato pelo crime organizado).

    4 – Revisão da idade mínima para responsabilidade penal.

    5 – Reestruturação dos estabelecimentos penitenciários, segundo a tipologia do delito e a faixa etária do apenado.

    6 – Revisão dos níveis de escolaridade mínima para as funções policiais — na maioria das categorias, deve-se adotar a escolaridade mínima de ensino superior em nível de graduação –, com o objetivo de elevar o nível de qualificação e de remuneração do policial.

    7 – Plano de carreira em âmbito nacional.

    8 – Escola Superior de Polícia (nível de pós-graduação), com promoção automática para conclusão com aproveitamento acima de 70%.

    9 – Modernização da Polícia Científica. Programa nacional de treinamento e aperfeiçoamento com estágio no exterior e promoção automática pela conclusão com aproveitamento superior a 70%.

    10 – Fixação do efetivo mínimo direcionado ao policiamento ostensivo, em proporção à população, por microrregião.

    Tem mais, mas por ora, paro por aqui.

  5. Chesterton said

    4 – Revisão da idade mínima para responsabilidade penal.

    te cuida que o Pax vai cair de pau.

  6. Pax said

    Os numerados são do Elias, abaixo de cada um, minhas opiniões/comentários sobre a boa proposta:

    1 – Poder de polícia para as Guardas Municipais, com função exclusiva de policiamento ostensivo.

    ==> Sim, mas com rigor na seleção, treinamento e corregedoria. Precisam ser bons guardas, e também bem remunerados e estimulados.

    2 – Fusão das PMs com as Guardas Civis.

    ==> Sim. Colocaria também em discussão a fusão com as Polícias Civis, sem ter ainda uma opinião completamente fechada no assunto.

    3 – Liberdade condicional concedida por uma comissão mista governo/sociedade civil e nunca pelos presídios (porque, com a concessão pelos presídios, esse poder passa a ser exercido de fato pelo crime organizado).

    ==> Boa, implica, caso não esteja enganado, numa revisão da legislação, aliás, ponto importante.

    4 – Revisão da idade mínima para responsabilidade penal.

    ==> Para desespero do Chesterton, concordo completamente.

    5 – Reestruturação dos estabelecimentos penitenciários, segundo a tipologia do delito e a faixa etária do apenado.

    ==> Aqui, meu caro, precisa de um mundo. Hoje o sistema só deforma e não recupera.

    6 – Revisão dos níveis de escolaridade mínima para as funções policiais — na maioria das categorias, deve-se adotar a escolaridade mínima de ensino superior em nível de graduação –, com o objetivo de elevar o nível de qualificação e de remuneração do policial.

    ==> Salário mínimo dos policiais = R$ 4.000, depois de claro, fazer o mesmo ou melhor para os professores.

    7 – Plano de carreira em âmbito nacional.

    ==> boa

    8 – Escola Superior de Polícia (nível de pós-graduação), com promoção automática para conclusão com aproveitamento acima de 70%.

    ==> boa

    9 – Modernização da Polícia Científica. Programa nacional de treinamento e aperfeiçoamento com estágio no exterior e promoção automática pela conclusão com aproveitamento superior a 70%.

    ==> tem uma máxima de gestão que é: começa a medir que melhora (indicadores). Este é um ponto importante pacas. Qual o índice de solução dos homicídios, roubos, furtos etc? Além do policiamento ostensivo, há que ter o investigativo forte pacas e que minimize essa sensação que ninguém acaba sendo descoberto e preso.

    10 – Fixação do efetivo mínimo direcionado ao policiamento ostensivo, em proporção à população, por microrregião.

    ==> boa

    Minhas inclusões:

    11 – Implantação de um modelo de policiamento comunitário, tipo “Romeu e Julieta” nos bairros de todas as cidades. A polícia atuando em conjunto com a sociedade. Assunto longo e de farta informação na internet.

    12 – Plano de integração da Segurança Pública Nacional, envolvendo Polícia Federal, Força Nacional de Segurança, Polícias (Militar e Civil) Estaduais, Guardas Municipais.

    13 – Redução (plano bem feito e implementação rigorosa) do contrabando de armas. Fronteiras, Cidades etc etc.

    vai longe, também de afobadilho nas inclusões.

  7. vilarnovo said

    Eu escrevi um artigo sobre isso:

    Segurança Pública: uma proposta viável
    outubro 21, 2009 por vilarnovo | Editar

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    Talvez o maior problema enfrentado pelo Estado do Rio de Janeiro e principalmente a capital é como resolver o problema da segurança pública. Várias abordagens de diferentes atores sociais já foram tentadas com fracos ou nenhum resultado. A impressão que fica é que estamos enxugando gelo.

    Em uma abordagem objetiva e sucinta, poderíamos descrever o problema da criminalidade carioca em três pontos fundamentais. São eles:

    Caos Urbano: As favelas cariocas são o ambiente perfeito para a criminalidade. Isto não quer dizer que as pessoas que lá habitam são criminosas ou possuem maior tendência ao crime. Acontece que as favelas possuem o melhor sistema de defesa para o criminoso: ruas estreitas, mal iluminadas, pontos altos de observação, muitas vezes em tornos de florestas que facilitam a fuga. A solução para a criminalidade deve levar em conta esse aspecto. Uma possibilidade é, junto com a iniciativa privada, a construção de prédios baixos, com no máximo cinco andares, sem elevadores e lajes, de baixo custo, com um primeiro nível ou andar destinado a pequenos comércios como salões, lanchonetes e etc. A verticalidade proporcionará a capacidade de criação de ruas amplas e iluminadas, propiciando a entrada do poder público em seus diversos ramos. Será imprescindível a participação dos órgãos de segurança nessa fase, já que pelo tamanho das atuais favelas é virtualmente impossível a execução do serviço de uma só vez, além do que deverá haver um trabalho de cadastramentos dos moradores que poderia ser realizado utilizando-se mão-de-obra das Forças Armadas.

    Serviços Públicos – Atualmente o único serviço público que adentra as favelas é a Polícia. Muitas vezes, por conta dos combates, falta de preparo e outros motivos, sem causar tragédias. Com o fim do caos urbano haverá a possibilidade de uma melhora na qualidade de vida com o acesso a serviços atualmente inexistentes. Por outro lado os moradores deverão reconhecer que muitos dos serviços que hoje possuem através de ligações clandestinas serão cobrados. Não podemos subestimar a quebra desse paradigma. Acordo com Concessionárias de Serviços públicos (como luz, por exemplo) para tarifas diferenciadas poderão ser fechados, já que o custo para esses “gatos” são altos. Serviços públicos como postos de saúde e, principalmente, escolas de qualidade deverão ser oferecidos. Sempre lembrando que isso é obrigação do Estado de acordo com a Constituição. Não é esmola nem favor.

    Legislação e Propriedade Privada – Um dos aspectos mais relegados é a propriedade privada. Resolvendo o problema do caos urbano com a criação de edifícios uma legislação especifica de compra e venda desses apartamentos deverá ser criada. Não seria inteligente incentivar uma bolha imobiliária nesses locais, porém deve-se incentivar a noção de valor de mercado desses imóveis. Deve-se fazer entender que agora sendo sua propriedade, é vantajoso promover a preservação desses imóveis a título de investimento futuro. Essa parte talvez seja a de maior importância, pois poderá oferecer acesso a financiamentos mais baratos, capazes de impulsionar uma oportunidade de abertura de um negócio próprio, o que traria perspectiva a essas pessoas.

    Logicamente não é tarefa fácil de ser realizada, mas experiências em outros locais mostram que são possíveis. Basta ter a vontade política apropriada e respeito aos cidadãos e contribuintes desses locais que sempre foram esquecidos pelo Estado. Não podemos cair nos contos das maquiagens por motivos eleitoreiros que pouco ou nenhum resultado prático apresenta.

  8. vilarnovo said

    5 – Reestruturação dos estabelecimentos penitenciários, segundo a tipologia do delito e a faixa etária do apenado.

    ==> Aqui, meu caro, precisa de um mundo. Hoje o sistema só deforma e não recupera.

    Sistema penitenciário existe para punição e não recuperação.

    Cadeia é estímulo negativo, só e recupera quem quer e não é dentro da cadeia que faz isso é por não querer voltar para a cadeia.

    Isso não quer dizer que cadeia tem que ser o moedor de carne que é hoje. Mas tem que se esquecer de uma vez por todas essa coisa de “recurperação”.

    Recuperação tem que ser feita FORA da cadeia, com programas de emprego para ex-detentos (com incentivos fiscais), acompanhamento por profissionais, cursos profissionalizantes e etc…

    Os cursos podem até mesmo serem feitos dentro da cadeia pelos presos QUE FIZEREM POR MERECER. Preso tem que trabalhar, pagar parte de seus custos, ter ordem, disciplina, obedecer regras rígidas de conduta. Tem que aprender a obedecer às leis.

  9. Elias said

    Pax,

    Onde eu escrevi:

    “2 – Fusão das PMs com as Guardas Civis.”

    Leia:

    “2 – Fusão das PMs com as POLÍCIAS Civis.”

    A reestruturação do sistema penitenciário, segundo a imagino, tem por objetivo, exatamente, favorecer o eventual processo de regeneração.

    Acho que o sistema penitenciário deve ter, primeiramente e acima de tudo, uma função PUNITIVA. O indivíduo violou a lei, agrediu a sociedade, foi julgado com amplo direito de defesa, declarado culpado e, agora, deve ser punido com privação da liberdade.

    Essa a função primeira e principal do sistema penitenciário: punir.

    Agora, secundariamente, o sistema deve proporcionar certas oportunidades ao apenado que, eventualmente, demonstre, sem sombra de dúvida, o desejo de se tornar um cidadão decente.

    Daí porque defendo a estruturação do sistema em função do tipo do delito, da existência ou não de contumácia, da idade do apenado, etc.

    Um criminoso barra pesada, condenado a 40 anos de cadeia, p.ex., deve ser tratado de modo completamente diferente de um delinqüente de 22 anos, condenado por furto. Este último tem muito mais chances de, um dia, vir a se tornar um cidadão integrado à comunidade.

    Se juntar os 2 no mesmo espaço, como ocorre no Brasil, é certo que o delinqüente de crime mais leve será influenciado pelo de crime mais pesado, e não o inverso.

    Por outro lado, em penitenciárias especificas para crimes mais leves, é mais fácil e rápido desenvolver e operar programas tendentes à recuperar o delinqüente.

    Deve-se dar uma chance a ele, desde que ele demonstre que deseja essa chance e é digno dela. Ou seja: o sistema de recuperação deve criar certos obstáculos — a que costumo chamar de “pontos de sofrimento” — que o apenado deve suportar e superar, para demonstrar que se arrependeu de seu procedimento passado e se dispõe a construir um futuro melhor.

  10. Pax said

    Vilarnovo,

    Coloque o seu link, não tenho nenhuma objeção que você faça referência ao seu blog. Aliás, em Pandorama, vou abrir uma área para blogs de comentaristas. Posso inserir o teu?

    No seu segundo ponto do comentário acima (#7): Serviços Públicos, acima, você parece ceder a Social Democracia. Curioso, no mínimo. Com qual dinheiro você quer as tais escolas e postos de saúde de qualidade? Se é dinheiro público então você se contradiz ao querer o estado mínimo.

  11. Pax said

    Pelo visto temos uma discordância do papel da penitenciária.

    Concordo com o Elias na questão da diferenciação entre um criminoso barra pesada e um criminoso de “primeira” com um crime menor (um que furta uma bicicleta versos outro que comete vários assassinatos, ou um sequestrador etc).

    Sim, também entendo que não devem se misturar. Há um canal que assisto de vez em quando na Sky que mostra o sistema penitenciário americano para os casos barra pesada. Aqui já temos alguns, de segurança máxima.

    Mas discordo de vocês dois no ponto da recuperação. Confesso que nunca me aprofundei no assunto, mas acredito que esses casos de criminosos leves, minha tendência seria a de tentar dar uma formação para o cara, ensinar um ofício, dar escola básica e algum curso profissionalizante e, depois, tentar recolocá-lo na sociedade com bons programas de acompanhamento.

    Enfim, boa discussão.

    p.s.: mas vocês ainda não tocaram em dois pontos que fico curioso:

    1 – não acham que é uma bandeira a ser pega pelos candidatos?

    2 – concordam que é uma prioridade nacional?

  12. Chesterton said

    Pax, se você concorda com o item 4 do Elias, como é que pode ser favorável ao estatuto da criança e do adolescente?

  13. vilarnovo said

    Pax – Claro que sim… vilarnovo.wordpress.com

    Como já falei anteriormente. Há uma enorme confusão que a Esquerda faz entre Estado Mínimo e Estado Forte. Como praticamente TUDO que fala a esquerda cria a própria agenda daquilo que a esquerda chama de direita.

    Estado Mínimo não tem absolutamente nada a ver com um Estado que não realize sua função constitucional.

    Vou dar três exemplo. Um dos países mais liberais do mundo, a Inglaterra, possui um sistema de saúde universal. Isso não faz do Estado Inglês um elefante. Muito pelo contrário, está colocado em 10º no ranking de liberdade econômica. O segundo exemplo são os EUA. Lá existe educação pública gratuita até o segundo grau. Está colocado em 6º colocado no mesmo ranking. Quer países escandinavos? Islândia, 14º. Noruega, 12º. Finlândia, 17º.

    Outro motivo é que essas pessoas pagam para ter saúde e educação. Isso não é fornecido “de graça” pelo Estado. Friedman já dizia há muito tempo que não existe almoço grátis.

    Por outro lado onde está escrito na Constituição do Brasil que o Estado deve ser fornecedor de serviços bancário? Onde está escrito na Constituição que o Estado deve ser dono de posto de gasolina? Que deve ser dono de empresa de petróleo?

    A esquerda brasileira e sulamericana entende Estado Forte como um estado burocrático, em que políticos providos por “sapiência divina” acham que podem dizer o que as pessoas devem fazer com suas vidas.

    Somo um país fundado, gerido, governado, dominado por funcionários públicos. Aqui as pessoas trabalham em pró do Estado e não o contrário.

    Enquanto esse entendimento permanecer não vamos a lugar algum.

    E isso não tem nada a ver com a social democracia.

  14. Pax said

    Chesterton,

    Você está sendo absolutamente superficial ao reduzir o Estatudo da Criança e do Adolescente a esse único ponto. Não dá nem para começar a discussão assim.

    Leia pelo menos o básico. Na Wikipédia tem um bom resumo.

  15. vilarnovo said

    Pax – Na minha cabeça o sistema penal deveria ser dividido em no mínimo três.

    O primeiro para os casos de alta periculosidade e grande violência. Crimes contra a vida. Esses devem ficar trancafiados por um bom tempo. Para mim não há problema nenhum em um bandido morrer na cadeia.

    O segundo são casos em que se enquadrariam a maior parte dos casos, onde o detento não cometeu crimes violentos e cujas penas não são tão grandes. Esses trabalhariam na cadeia para pagar seus custos.

    O terceiro caso são crimes leves.

    No segundo e no terceiro caso a privatização dos presídios seriam uma boa opção em conjunto com ONGs que desses assistência.

    No mais as leis penais tem que ser mudadas. É inconcebível um país onde a taxa de retorno é de 80%. Um país onde um cara mata duas, três, quatro pessoas e ainda é beneficiado por redução de penas automaticamente. Isso não é justiça.

    Segurança Pública não dá IBOPE. Isso porque é a classe média a mais atingida, juntamente com 99% das pessoas nas favelas. E aí temos dois pontos:

    a) a classe média é odiada pela esquerda de hoje porque uma parcela dela insiste em pensar por conta própria. A esquerda odeia aqueles que não seguem sua cartilha imposta.

    b) os pobres são apenas moeda eleitoral. Não há a menor chance da esquerda promover uma qualidade de vida melhor para os favelados pois perderia o seu grande filão. Benedita aqui no Rio é conhecida como Benê Papa Defunto. Há toda uma indústria que gera muito dinheiro para os “movimentos sociais” que se alimentam da pobreza. Isso não vai mudar enquanto a esquerda estiver no poder.

  16. Pax said

    Vilarnovo,

    Seu comentário em #13 merece uma enorme discussão. Bons pontos. Finalmente paramos de brigar e começamos a conversar de forma contributiva.

    Faça um post sobre o assunto. No teu blog, ou em Pandorama, ou onde você quiser, me permita trazer para cá e/ou para lá e vamos discutir a questão.

  17. vilarnovo said

    Discordo sobre a diminuição da idade penal. Não acho que deva ser por esse lado. O que deve ser julgado é o tipo de crime cometido. Baixar de 18 para 16 não irá fornecer justiça a uma mãe que teve o filho barbaramente assassinado por um jovem de 15 anos.

    Concordo como os sistemas americano e ingleses que primeiro julgam de acordo com o crime se a “criança” pode ser julgada como adulto. Caso positivo sofre todas as penalidades previstas em lei.

  18. vilarnovo said

    Pax – Vou estudar e escrever algo.

    O interessante é que a cada dia que passa nós como indivíduos perdemos mais nossa liberdade de decisão. Recentemente proibiram o uso de bronzeamento artificial. O motivo é que o bronzeamento artificial aumenta a possibilidade de câncer.

    E daí? Quem é o Estado que se acha no poder de dizer o que devo ou não fazer com o meu corpo.

    E o que acho mais engraçado de parte da esquerda é que é favorável ao aborto, o que eu também sou, que é favorável a liberação de drogas, o que eu sou também (apesar de ser por motivos bem diferentes do da esquerda), mas em casos como o fumo e esse do bronzeamente artificial são favoráveis.

    Como foi o caso dos pais em Minas Gerais que quase perderam a guarda de seus filhos por preferirem que os meninos estudadessem em casa. Uns gênios, desses que tiram diploma e se acham no direito de dizer como pais devem cuidar de seus filhos, utilizando o famigerado Estatudo da Criança e do Adolescente disseram que os país eram criminosos, pois não seguiam a sua cartilha. Falaram um monte de bobagem como as “crianças ficariam a margem da sociedade, seriam uns pequenos alienados fora do convívio dos amiguinhos da escola.” Fizeram os garotos de 16 e 14 anos responder uma “prova” especialmente feita para eles. Enfin, os garotos passaram. E a tal prova era cópia de provas de vestibulares. O que demonstra claramente o caráter desses “deuses”.

  19. Elias said

    Pax,
    Concordo: a segurança é uma tremenda bandeira.

    Em todas as pesquisas que já li sobre o que mais preocupa as pessoas, a segurança vem em primeiro lugar. Todos os partidos e políticos sabem disso.

    Estranho que ninguém — ou poucos — se dediquem mais a esse tema, né?

    Vilarnovo
    Também concordo: não existe almoço grátis.

    Se tem alguém pensando que vai reduzir a miséria sem gastar grana — muita grana! — esse alguém tá doido varrido!

    Dia desses falei sobre isso, num debate. A atual governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, está executando um projeto de saneamento integrado da Bacia do Tucunduba, a maior favela de Belém (aproximadamente 140 mil habitantes).

    O projeto está construindo prédios com as características que você citou: construções verticais, mas com apenas 3 pisos, para não haver a necessidade de elevadores. Em compensação as ruas ficam mais largas e com iluminação pública, facilitando o policiamento intensivo. Em cada conjunto de 10 blocos, deu pra descolar uma área para lazer, com praça, quadra a descoberto, etc.

    Bem, os críticos do projeto reclamam, porque os apartamentos estão sendo entregues gratuitamente às famílias.

    Aí vem o célebre: “não existe almoço grátis”, como se o cara houvesse acabado de inventar a pólvora.

    Ora, a isenção de ICMS à Vale é de graça? Ninguém paga por ela?

    Quem acha que não paga, é um completo idiota.

    Nada é de graça. Não só o almoço, mas também o café da manhã, o jantar e os lanches entre eles. Na sociedade humana, tudo tem preço.

    As questões são: (a) quem paga o preço? (b) pra quem se paga? (c) para o quê se paga?

    Veja o caso da Vale. O lucro líquido da empresa é várias vezes maior que o valor da isenção fiscal. Logo, sem esse papo de que a isenção fiscal tem o objetivo de proporcionar competitividade ao preço de venda. Nada disso! Segundo o próprio balanço da Vale, a isenção fiscal somente turbina o lucro.

    De minha parte, como pagante e não beneficiário de nenhuma das 2 torneiras, acho mais justo pagar pra arrancar da miséria o pessoal do Tucunduba do que pagar pra turbinar o lucro da Vale.

    Ou, se é inevitável pagar pra turbinar o lucro da Vale, muitíssimo mais justo é pagar pra erradicar — ou diminuir — a miséria. Ademais, neste último caso, o Estado está, mais que nos demais, cumprindo o seu papel.

    Em tempo: todos os brasileiros pagam, nas respectivas contas de energia, o subsídio que o governo concede à Vale no consumo da energia eléttrica pra fabricar alumina e alumínio.

    É lá como diz o velho Milton: não existe almoço grátis…

  20. Elias said

    Onde está escrito:

    “policiamento intensivo”

    Leia-se:

    “policiamento OSTENSIVO”.

    Pensando melhor, além de ser ostensivo, ele bem que poderia ser, também, intensivo.

    Só um pouquinho, pelo menos…

  21. vilarnovo said

    Elias – Não entendi. A isenção fiscal à Vale está contribuindo para o projeto da Ana Júlia?

  22. Elias said

    Não Vilarnovo,

    O único ponto em comum que existe entre os 2 custos é que ambos são pagos pela sociedade brasileira.

    Por “sociedade brasileira”, entenda-se: aquela parcela que trabalha feito burro de carga e paga impostos feito um condenado.

    Minha tese é: se o “custo/Vale” é admissível, o outro é muito mais.

  23. vilarnovo said

    Apesar de discordar conceitualmente, entendo o seu ponto.

    Os impostos no Brasil são muito altos. Infelimente em um dia o presidente fala para que nós tiremos o cavalinho da chuva que o Brasil nunca terá imposto baixo, no outro ele diminui a carga de impostos a um setor específico.

    Não vou nem dizer quantas brechas para corrupção que isso abre pois seria maldade minha…

  24. Elias said

    Certo, Vilarnovo.

    Se bem que, no caso da Vale, o privilégio tributário vem de longe…

    A imunidade fiscal dos meios de comunicação, idem. O que faz com que o dono da padaria da esquina pague mais impostos — em termos absolutos, inclusive! — que a Rede Globo.

    Enfim, não são almoços. São verdadeiros banquetes, de milhares de talheres…

    E, valendo o que diz o velho Miltão… não é de graça!

  25. Pax said

    Já que a série parece que agradou e os comentários estão fluindo, vou pegar uma só frase do Elias

    “Se tem alguém pensando que vai reduzir a miséria sem gastar grana — muita grana! — esse alguém tá doido varrido!”

    E propor a discussão: qual vocês acham que deveria ser outra bandeira para o próximo tópido da série?

  26. Chesterton said

    Di.lma tem alguma coisa a ver com isso? Não é propaganda eleitoral fora de hora? Não dá processo?

    http://selvabrasilis.blogspot.com/2010/01/dilma-vai-nos-levar-ao-paraiso-e-depois.html

  27. Pax said

    Chesterton,

    Fique no tema, por favor.

  28. iconoclasta said

    boa sacada, segurança é o dever numero um do estado.

    antes de qq coisa tem q pegar as infos, algo q nao sei se ja é suficientemente sofisticado hj. entao vai la e ve, ja se sabe com firmeza quais são os locais mais violentos? qual o tipo de crime? como é feito? quem mais faz? e etc… a policia é melhor q seja responsabilidade do alcaide, com clara distinçao de quem faz oq. esse papo de pena máx. de 30 anos, e liberdade hipoteticamente automatica com 1/6 da pena nem deve ser necessario qualificar, ne?!
    essa de separar por tipo de crime é outra.
    travar a favelizaçao incomoda os canhotinhos, mas é a real. alias, so travar nao, transforma em bairro, ruas, quadras e etc.
    e o treinamento para quem tem q te proteger? de forma geral é lamentavel, poe a mao nisso, inclusive na parte social. nao é o bandido q precisa ser reinserido, mas o policial é q nao pode perder a noçao do q é certo e errado.
    grana? tem q melhorar muito, mas policial, esse q ta na rua atras de bandido, nao tem ambiçao de ser classe media alta. tem q ser viavel. nego nao se mete em beco de favela por 700 pratas nem por 10k, esses o fazem por gosto. podes crer.
    alem de equipar os profissionais, admitir q o tal desarmamento é um fracasso.
    utilizar a PF de forma mais discreta e util.
    dar inicio a liberação do uso e comercialização dos entorpecentes, vai incomodar muito os conservas, mas é para já. os portugas e os checos ja se adiantaram no uso (ja nao é só a maconha…), entao parte da resistencia ja foi para o saco.
    liberação do jogo.
    presidio tem q ser um lugar duro, no limite do q pode ser considerado habitavel, mas inospitos como sao acho q passam um pouco do ponto. nem digo pelos marginais q ja deixaram de ser gente, ou talvez nunca tenha sido. o problemas é q muitos ainda sao, alem evidentemente do pessoal q la trabalha.
    sem privilegio para o molecada.
    + tecnologia.
    agora, oq eu acho q é mesmo o mais importante é zerar os feudos, acabar com as mesadinhas. tentar por so gente de primeira, q nao faz concessoes, dispensa ao bandido o unico tratamento q se pode dar, tolerancia zero.

    se lembrar de algo mais q nao tenha aparecido volto depois.

    ;^/

    o proximo item pode ser educação ou saude, quem sabe.

  29. Anrafel said

    Dar poder de polícia às Guardas Municipais é uma medida que deve ser tomada com algum cuidado, é óbbio. Não sei como foram os processos de arregimentação nas outras cidades, mas aqui em Salvador foi um troço eminentemente eleitoreiro.

    Os guardas foram efetivados quase todos até antes de outubro de 2008, apesar da criação ter sido aprovada há algum tempo. Não tendo funções claras, pois isso não estava na pauta àquela época, a Guarda Municipal, diz a população, é o retrato perfeito do prefeito João Henrique: que existe, existe; pra que serve, ninguém sabe.

    Outro ponto: as cidades medianas já sofrem muito com a criminalidade, que é uma das caracterísiticas importadas das grandes cidades, junto com a bagunça crescente no trânsito e a alta nos preços dos aluguéis.

    Agora, são as cidades pequenas que passaram a atrair os assaltantes de bancos, lotéricas e agências dos Correios e o tráfico de drogas. Nelas, o problema é agravado pelo contingente policial pequeno, ausência de serviço de inteligência e logística deficiente, dependendo muitas vezes da boa vontade da prefeitura o abastecimento e manutenção regular das viaturas.

  30. Pax said

    Iconoclasta,

    Concordo com alguns dos teus pontos, vamos lá:

    Revisão dessa lei, que segundo dizem por aí, é avançadíssima (já li sobre isso), mas, segundo a real, coloca na rua gente de alta periculosidade cumprindo 1/6 da pena. Gostaria de entender mais do assunto, mas concordo que parece um erro ou algo fora de época para a situação que estamos vivenciando.

    Concordo com a questão das drogas. Acho que do jeito que está não resolve nada, pelo contrário, acaba ajudando a corromper parte da polícia. Como fazer não sei. Vale estudar os países que já foram para este caminho, Holanda, Espanha, Portugal etc. Nem tudo são flores nessa opção. Mas, a priori, compartilho da tua opinião.

    Concordo com a ideia da tolerância zero.

    Onde discordo:

    Cadeia não precisa, nem deve, ser chiqueiro. Aqui parece que discordo de quase todos. Mas não acredito que cadeias lotadas, verdadeiras ratoeiras/chiqueiros abarrotados resolvam a questão, que seja a forma punitiva mais eficiente. Só a restrição da liberdade já é o suficiente, no meu entender, para o estímulo negativo.

    Questão da favelização: parece que a culpa é dos pobres. Não é. A culpa é dos governos, da falta de planejamento, da falta de coragem de impedir ocupações ilegais etc. O problema maior, quando falamos de segurança pública, é a ausência do estado nesses locais. É o que acho. Uma coisa leva a outra? Bem, merece uma análise que acho que já fizeram. Mas, de novo, a culpa é dos governos que adoram os votos destes locais.

    Remuneração dos policiais: cara, essa que policial gosta de subir morro, entrar em beco somente porque gosta da profissão, desculpe-me, não dá para engolir. Sâo pessoas como qualquer outra, querem ter dinheiro no fim do mês, geladeira cheia, casa própria, carro, dinheiro para escola dos filhos etc etc. Só com remuneração compatível, rigor na seleção, treinamento de primeira, armamentos, equipamentos, tecnologia, enfim tudo de primeira, após o cara estar satisfeito com o que leva para casa. É muito parecido com a questão da Educação. Tem que pagar bem professor e polícia. Para mim é questão básica. Falo em R$ 4 mil porque é o salário inicial de um policial em NY, só que lá em dólares, mas acaba dando no mesmo. Vamos ter um topico da série sobre educação e aí vamos falar do salário dos professores. Na Coréia do Sul, por exemplo, são US$ 10 mil para os professores. Em 25 anos mudaram o país. As vagas são disputadas, os cara valorizados, reconhecidos pela sociedade. O mesmo, mesmíssimo, se aplica para as polícias. Creia.

    Anrafel,

    Bom ponto este sobre as guardas municipais. Com certeza é uma questão prioritária o processo de seleção, treinamento, idem a questão dos policiais militares e civis que coloquei acima. Senão a emenda sai pior que o soneto.

    E a tua colocação dessa evolução do problema, ou migração, da cidade grande para as médias e pequenas é perfeita, na minha opinião.

    Volto a insistir, nos locais onde a característica é diferente das megalópolis que são um tanto individualistas, nas cidades menores, o policiamento comunitário me parece uma excelente opção. Os caras são conhecidos no bairro, participam de reuniões com as lideranças de bairro, juntos vão entendendo os movimentos que acontecem, os meninos que começam com as drogas, os pontos, bocas de fumo que aparecem, decidem coletivamente as prioridades etc etc. Já participei de algumas reuniões sobre isso com o pessoal da minha cidade, tanto da comunidade quando do CONSEG, comandante da polícia militar. Não deu certo a implantação. Sabe porque? Porque o governo de São Paulo não tinha 2 motos e rádios para disponibilizar. É mole? O comandante do quartel da região estava entusiasmado, disponibilizou gente e aí parou tudo.

  31. fk said

    Vamos lá:
    -A progressão pressuõe um sistema que vai reintegrando o preso à sociedade. Ela é fundamental para um sistema prisional que queira mais do que simplesmente tirar o cara de circulação por algum tempo. Isso não funciona.
    A progressão, no entanto, deveria ser feita observando-se não apenas critérios objetivos, como hoje, já que apenas o tempo cumprido já da direito ao exercício da progressão. Deveria ser feito algum tipo de análise psicológica que atestasse que o preso está no caminho da recuperação.

    Tenho minhas dúvidas quanto à liberalização das drogas. A descriminalização do usuário, a meu ver já é um super avanço. O problema é que no Brasil quem determina se o cara é usuário ou traficante é o policial que faz a ocorrência, o que dá vazão a todo tipo de arbitrariedade que se pode imaginar.

    Tolerância Zero, ah, a velha Tolerância Zero! Qual tolerância zero? Aquela do Maluf, do rota na rua? Ou a aplicada em NY, que vê nos pequenos delitos a raiz dos crimes mais raves, procurando combater aqueles para se evitar esses? Esse papo de tolerância zero tornou-se um anátema, mas poucos sabem do que efetivamente se tratou.

    O problema das cadeias, como já disse aqui, é que o cara entra pequeno criminoso e sai membrod e facção. Ao invés de recuperar -e sim, meus caros, a unção da cadeia é recuperar- vc expõe o sujeito ao que há de pior nesse mundinho em que vivemos. E não venham com essa de que o cara escolhe se unir a uma facção. Isso é coisa de faz de conta. Ou se une ou morre. Assim é a cadeia. Solução? De imediato, não prender o pequeno criminoso primario já é um avanço. O governo tem, por sinal, um projeto de lei para não prender pequeno traficante primário. Meu Deus, o governo protegendo o tráfico! comunistas malditos!! Não, não, o projeto baseia-se em amplo estudo que mostrou isso que eu disse: o cara entra pequeno traficante e sai soldado do tráfico.

    Bom, a longo prazo, tem mesmo que haver um divisão dos presos conforme crime e periculosidade, que são coisas distintas.

    Essa de que policial gosta de subir morro é mesmo piada. No Brasil, quando o policial vai pra rua é porque foi punido, e quando fica no trabalho burocrático, é porque foi premiado. Reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho e maiores salários. Na verdade, imediatamente, ao invés de salários, poderia-se dar créditos facilitados para, pro exemplo, compra e construção de moradias, uma forma de burlar eventuais desculpas de aperto orçamentário.

    A tal polícia comunitária é outro anátema da discussão sobre segurança pública. A ideia é em princípio boa, colocando sempre o mesmo grupo para policiar a mesma área, fazendo com que população e polícia se reconheçam mutuamente não apenas como instituições, mas como pessoas. O que eu vi na prática, porém, é que essa comunitarização da polícia serviu, isso sim, para o estabelecimento de loteamentos privados de segurança pública – basicamente, polícia cobrando por proteção.

  32. Pax said

    Tolerância Zero, para mim, é o exemplo de NY. Aqui nunca vi algo que pudesse chegar perto.

    Não sei o exemplo de policiamento comunitário que você vivenciou. Mas os que estudei tiveram êxito, sim. Precisaria recuperar todo o material que colecionei à época. O lance de você integrar, estar nas reuniões do CONSEG, junto com os comandos etc é uma forma de impedir, acho – já que não tive a sorte de participar de uma implementação – a formação dos tais loteamentos, que são reais.

    Nem toda polícia é corrupta. As de São Paulo tem uma parcela boa. Ou conseguiram me enganar muito bem.

  33. vilarnovo said

    Fk – “e sim, meus caros, a unção da cadeia é recuperar”

    Não, não é não.

    “Não, não, o projeto baseia-se em amplo estudo que mostrou isso que eu disse: o cara entra pequeno traficante e sai soldado do tráfico.”

    Estudos feitos por quem? Pelas dezenas de “sociólogos” brasileiros?
    Ora filho, pense apenas um pouco. Se o cara trafica, não é preso ele vai deixar de traficiar??

    Isso é a legitimização da impunidade.

    Uma boa alternativa ao combate às drogas seria liberar o plantio de maconha em pequenas quantidades. Um outro artigo que escrevi fala sobre isso:

    Não compre, plante!
    dezembro 16, 2009 por vilarnovo | Editar

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    No último dia 15 de Dezembro o jornal Extra em sua edição eletrônica o Blog “Casos de Polícia” apresentou matéria sobre um rapaz que havia sido preso pela equipe da 20ª Delegacia de Polícia (Vila Isabel). Os policiais encontraram em sua casa dez vasos contendo pés de maconha. Segundo o rapaz a maconha era para consumo próprio e informou que adquiria as sementes via Internet e eram entregues pelo Correio na sua residência.

    Ele surpreendeu os policiais afirmando que era “radicalmente contrário aos viciados que compram drogas de traficantes nos morros”.

    – Sou contra o traficante dos morros e contrário aos viciados que buscam seu vício nas bocas de fumo.

    As lojas especializadas em vender produtos ligados ao cultivo de maconha, chamadas de Growshops, tem tido um relativo sucesso em países da Europa. Muitos acreditam que essa é uma das melhores alternativas ao tráfico de drogas, principalmente em áreas violentas como o Brasil.

    Como liberal acredito que é decisão individual usar ou não usar drogas. Mas como liberal também acredito na responsabilidade individual e no Império das Leis. Em minha opinião o plantio de determinado número de pés de maconha deveria ser liberado ao exemplo do que acontece na Holanda ou tolerado como acontece na Espanha.

    Seria uma boa alternativa para o combate ao tráfico e a violência inerente ao comércio ilegal de drogas.

    vilarnovo.wordpress.com

  34. Iconoclasta said

    o Pax, foi bem confuso mesmo como eu separei cada ideia, entao é natural q haja certa confusao. tento esclarecer:

    eu não acho mesmo q cadeia deva ser chiqueiro, ou q a superlotação deva ser o padrão. isso para mim é um ambiente inabitavel. mas deve ser duro, muito duro. o sujeito tem q trabalhar para se pagar, tem q seguir disciplina rigida, e, a depender do crime, ter estimulos fisicos e intelectuais apenas o suficiente para preservar sua saúde.

    eu nao disse, ou pelo menos nao quis dizer, q o pobre é o culpado pelas favelas. responsável ele é, sem dúvida, pois sem ele tais inexistiriam, mas isso é obvio, mas como poucas pessoas sao voluntariamente pobres não se pode culpar OS pobres. responsabilidade do governo q permite a ocupação ilegal de áreas, q até por serem ilegais lava suas maos e ainda aceita os avanços (territoriais)e todo tipo de infraçoes q lá ocorrem. responsabilidade da sociedade até, pois mesmo ciente de leis q impedem a construção de unidades residenciais diminutas em bairros mais nobres, justamente aquelas q seriam viaveis aos desfavorecidos, continua a contratá-los como domésticos (copyright do Gaspari). o fato é q quem tem q acabar com as favelas é o GOVERNO (eu, nesse caso hipotético), desapropriar e tornar bairros as áreas viáveis e em outras reflorestar, criar parques, oq for.

    qts aos policiais é o seguinte: eu não vou tentar provar e nem mesmo apresentar qq evidencia sobre a minha afirmação, afinal, hj, eu nao sou candidato (aqui, por conveniencia, uso argumento inverso ao caso de cima). é algo q eu apenas sei. já sobre o salário considero q vc já resolveu a questão qd descreveu sua inspiração. compatibilizar o salário no Brasil com o de NY é inviável, vc precisa q eu diga pq?

    ;^/

  35. vilarnovo said

    Ah, e a Tolerância Zero de NY só pode ser avaliada em conjunto com a Three Strike Law. Acho que o Fk concordaria com isso. Essa lei existe para punir severamente os reincidentes. Ou seja, mesmo que seja preso traficando pequena quantidade de drogas (o pequeno traficante como fala o Fk) esse sujeito na terceira condenação toma um sentança de 30 anos a perpétua dependendo do crime praticado. E lá são 30 anos mesmo. Pode até sair em condicional mas vai passar por várias entrevistas, testes, metas de bom comportamento etc…

    Muitos reclamam da quantidade de presos nos EUA, mas se esquecem de ver os resultados de leis mais duras. Podem ver aqui:

    http://www.disastercenter.com/crime/uscrime.htm

  36. vilarnovo said

    Ico – Não precisa pegar o exemplo de NY. É só igualar os salários das polícias com o salário das polícias da Disneylandia brasileira: Brasília.

    Existe um PEC (PEC 300) que quer fazer isso. Só a título de curiosidade. Um soldado da PM em Brasília ganha R$ 4.056,59 enquanto o mesmo soldado no Rio de Janeiro não ganha nem 900,00 reais.

    A grande diferença é que o orçamento das polícias em Brasília é paga pela União… o que mais uma vez demonstra a precariedade de nossa Federação que só existe no papel.

  37. fk said

    Qual a função da prisão então? Isolar o cara durante 15 anos e depois soltar ele, como se fosse possível simplesmente recomeçar do zero, como se ele já não carregasse uma nódoa indelével que torna praticamente impossível uma vida normal pós-prisão? Tratar o cara como um pária social? Ai sim o cara vai sair e vai fazer pior mesmo.

    Parte considerável dos presos brasileiros é reincidente, e, geralmente, em crimes mais graves do que os primeiramente cometidos. Isso, por si só, já mostra o fracasso do sistema punitivo brasileiro.

    Ah, e o trabalho. Na LEP, ele é obrigatório. Na verdade, pode-se dizer mesmo que seja um direito do preso, pelo instituto da remissão. Vai lá ver se é dada condição ao preso para trabalhar? Outro ponto interessante para se discutir.

    O projeto baseia-se em pesquisa do Ministério da Justiça. A idéia não é que não haja pena, mas sim que não haja prisão. São coisas beeem diferentes.

    Por sinal, um bom passo seria a institucionalização das penas alternativas. Só isso já ajudaria a tirar muito ladrão de galinha das cadeias, pis a maioria dos juízes, frente a um caso passível de punição com pena alternativa, não tendo os instrumentos para tal, prefere mandar o cara pro xadrez. É assim que ladra de shampoo vai parar na cadeia.

    E a quem interessar possa, nossas cadeias são um antro de atrocidades humanas e legais. Vcs não tem ideia da quantidade de gente presa sem condenação. Aquela história de “in dubio pro reu” não rola por aqui. E aqui o processo tem dois acusadores: o promotor e o juiz.

  38. Pax said

    Boa, Fk. Concordamos aqui. A privação da liberdade já é mais que suficiente.

    Agora, já que você parece entender e ser da área, não acha que o Artigo 112 da LEP precisa de uma revisão?

    Acabei de achar por aí neste site: http://www.dji.com.br/leis_ordinarias/1984-007210-lep/lep110a119.htm

    Art. 112 – A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. (Redação dada pela L-010.792-2003)

    obs.dji.grau.4: Penas Privativas de Liberdade; Progressão da Pena; Regimes de Penas

    obs.dji.grau.5: Progressão ou Aplicação Imediata de Regime Menos Severo Antes do Trânsito em Julgado da Sentença Condenatória – Admissibilidade – Súmula nº 716 – STF

    § 1º A decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor. (Redação dada pela L-010.792-2003)

    § 2º Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. (Acrescentado pela L-010.792-2003)

    obs.dji.grau.4: Livramento Condicional

  39. fk said

    Antes de mais nada, devemos saber para que serve a progressão.

    A progressão é instrumento de paulatina reinserção do condenado no convívio da sociedade. Só faz sentido se temos em mente que a prisão tem a função de reintegração do condenado na sociedade, objetivo, por sinal, explicitado no art. 1º da LEP.

    Não sei se vc chegou a ver a redação antiga do artigo. Ela falava sobre exame criminológico e parecer de Comissão Técnica. Ambos provaram-se impossíveis na prática porque, bem, não se gastava dinheiro com isso. A decisão poderia ser então implementar esses instrumentos, manter tudo igual e ferir o direito do condenado à progressão ou aliviar os pressupostos da progressão. Ficou-se com o último.

    Apesar das ressalvas na lei, que falam sobre pronunciamento do MP, da defensoria e do diretor da prisão, de fato o cara progride com 1/6, indepente de nenhuma análise. Ai está, a meu ver, o erro. Deveriam ter proporcionado as condições para análise criminológica caso a caso, e não simplesmente acabar com essa anáçise, como é hoje.

    Só que não podemos esquecer que a justiça brasileira é do tipo reativa, ou seja, precisa ser acionada para funcionar. Moral da história: tem um monte de gente cumprindo pena em regimes mais pesados do que deveriam segundo a lei, isso para não falar naqueles que já cumpriram suas penas.

    Querem ter uma noção do desastre no nosso sistema penal? Leiam qualquer matéria sobre o multirão de justiça organizado pelo CNJ ano passado. É muito educativo.

  40. Chesterton said

    Peraí, Growshop deve vender o que? sementes ou mudas de maconha? Isso é tráfico.

  41. Chesterton said

    Cortado – fora do tema.

  42. Jorge Lima said

    O Ministério da Justiça e o Governo Federal, pensando fazer uma borboleta, fizeram um morcego na área de Segurança Pública entre ontem e hoje. Para usar uma metáfora, tão ao gosto da midia nos últimos tempos, deram um tiro no pé. E foi um tiro de 44Magnum, com projétil hydrashock.
    Analisemos a tragédia em duas fases:
    1ª) Foi anunciado que a bolsa formação, auxilio financeiro pago aos policiais que se matriculam nos cursos da Senasp, seria estendida aos servidores com renda de até R$ 3.200,00. Até agora, esse auxilio era pago aos que ganhavam até R$ 1.700,00. Pois bem, foram disponibilizadas 200.000 vagas nos cursos, com período de inscrição de 00hs de 26/01 até 00hs de 30/01. O problema é que o sistema não foi preparado para atender a demanda. A página caiu e poucos conseguiram se inscrever. Em razão do problema, o período de inscrições teve a data de início prorrogada para 00hs de 27/01. Novamente, o sistema não consegue dar vazão a demanda e ninguém está conseguindo acesso.
    2ª) O Presidente Lula anunciou hoje duas novas bolsas para a Segurança Pública. A Bolsa Copa e a Bolsa Olímpiada. São auxílios financeiros de R$ 1.000,00 e R$ 1.200,00, respectivamente, a serem pagos aos policiais civis e militares lotados em cidades sedes dos jogos da Copa e aos policiais do Rio de Janeiro (suponho que da capital, não do estado do RJ). Bom, dizendo o mínimo, o governo acaba de cuspir na cara de todos os policiais que trabalham em cidades do interior, onde não há jogos da Copa nem competições olímpicas, além de ter criado uma faixa salarial nas polícias por critério de lotação. É a mais cabal prova de que o governo federal age, em Segurança Pública, pelos mesmos critérios cretinos de privilegiar as instituições onde o investimento possa render votos, graças a visibilidade. Não é por outra razão que os governos estaduais destinam as melhores viaturas e equipamentos para as regiões metropolitanas, onde está concentrada a midia, como se não houvesse crimes em cidades do interior. Um absurdo total, que demonstra, mais uma vez, que o poder público está se lixando para a população e que o objetivo, com essas iniciativas, é garantir manchetes.
    Uma rápida pesquisa, em qualquer banco de dados, mostra que a maior parte dos crimes, como assalto a bancos e tráfico de drogas, migrou para as pequenas cidades, justamente porque os bandidos se deram conta de que a estrutura policial é incapaz de fazer frente a quadrilhas organizadas e bem armadas. Não há, sequer, armamento capaz de intimidar um bando armado de fuzis. Centenas, talvez milhares, de pequenos municípios tem meia dúzia de policiais que podem ser fácilmente dominados, como tem ocorrido frequentemente em todos os cantos do País. Por outro lado, desconhece o governo, ou faz que desconhece, que eventos como a Copa e as Olimpíadas, exigiram reforço dos efetivos policiais das cidades sedes. E de onde virá esse reforço? Das cidades do interior, onde já poucos policiais e onde ficarão menos ainda, sobrecarregados porque terão de fazer seu trabalho e mais o daqueles que irão reforçar os esquemas de segurança nas grandes cidades. Então, é óbvio, os policiais das cidades do interior, que já são preteridos sempre, serão penalizados duplamente: não ganham as tais bolsas e ainda terão de enfrentar o acúmulo de trabalho pelo desfalque obrigatório do efetivo.
    O governo, estupidamente, ou na ânsia de produzir manchetes, não deve ter aquilatado muito bem o tamanho da besteira. Se alguém da oposição tivesse pensado nisso, não poderia causar maior estrago. Calculando que cerca de 90% dos policiais brasileiros estão excluídos desses programas, dá para dizer, com alguma precisão, que foram jogados no lixo 1.500.000 votos, numa conta bem otimista. Sem falar que o Ministro da Justiça, candidato ao governo do RS, garantiu para si a fúria de todos os policiais civis e militares lotados nas cidades fora da região metropolitana de Porto Alegre.

  43. […] é analisar olhando para os eleitores. Dia 24 de janeiro, domingo retrasado, inauguramos a série Se eu fosse candidato com o tema da Segurança Pública. Deu uma boa discussão. Agora aparece uma análise da última […]

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