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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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A “Grande Tranformação” é pequena

Posted by Pax em 17/02/2010

As Diretrizes para o Programa de Governo Dilma 2010 no site do PT, chamado de A Grande Transformação, não trazem ênfases importantes para Educação, Segurança Pública, Meio Ambiente e Corrupção.

O 4o Congresso do PT será realizado de amanhã a sábado, 18 a 20 de fevereiro de 2010. Dividiram a pauta em dois cadernos que tratam dos seguintes temas:

Regimento Interno, Tática Eleitoral, Programa de Governo, Construção Partidária, Propostas de Resoluções de Combate ao Racismo, Cultura, Desenvolvimento Sustentável, Escola de Formação, Fundação Perseu Abramo, Juventude, Política Internacional e Progama Nacional de Direitos Humanos.

No Caderno 1 disponível no site, tem as Diretrizes para o Programa de Governo Dilma 2010, com os principais itens que serão abordados neste programa chamado de A Grande Transformação. Seus principais tópicos são:

  • O crescimento acelerado e o combate às desigualdades sociais e regionais serão o eixo que vai estruturar o desenvolvimento econômico.
  • Investimentos, crédito, ciência e inovação tecnológica a serviço de um
    novo desenvolvimento
  • Infra-estrutura para impulsionar o desenvolvimento agrícola, industrial e comercial do país
  • Melhor condição de vida nas cidades brasileiras
  • Um desenvolvimento ambientalmente sustentável
  • Educação de qualidade, ciência e tecnologia para construir uma
    sociedade do conhecimento
  • O SUS deve garantir acesso universal e de qualidade aos serviços de saúde
  • Acesso à comunicação, socialização dos bens culturais, valorização da produção cultural e estímulo ao debate de idéias
  • Direitos humanos e proteção de homens, mulheres e jovens
  • Democracia, fortalecimento do Estado democrático de Direito e do Pacto Federativo
  • Política de Segurança Pública
  • Defesa Nacional
  • Presença do Brasil no mundo

A leitura do documento deixa evidente que os temas  Educação, Meio Ambiente e Segurança Pública são tratados com menor relevância que outros, também importantes, como Saúde, Desenvolvimento, Crédito etc. Vale ressaltar que o assunto da Corrupção, que está na pauta da sociedade, nem aparece nesta discussão. Não deveria?

O que mais incomoda, em essência, é a falta de visão de um grande projeto para Educação. Com este “Grande Furo” não haverá nenhuma “Grande Transformação”. O que está no texto público evidencia que o partido entende que o caminho que Lula definiu e atuou para Educação é correto e suficiente. Não é.  Ou fazemos algum projeto grandioso, como a Finlândia e a Coréia do Sul fizeram, ou patinaremos por mais um tempo, sem capital humano que desenhe um futuro realmente digno.

Aconselho a leitura do documento para um bom debate. Está nas páginas 12 a 22 do Caderno 1.

Resta aguardar o resultado final do Congresso do PT, a divulgação dos programas definitivos do partido e dos outros candidatos e comparar para as propostas que imaginam para o Brasil.

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5 Respostas to “A “Grande Tranformação” é pequena”

  1. Chesterton said

    Mudaria o termo grandioso para eficiente.

  2. Jorge said

    achei uma boa proposta, realista, um reformismo esclarecido. Espero que sejam as diretrizes da presidenta Dilma, senão, ficarei muito desapontado, pois menos que isso não é admissível, tendo em vista que ela irá pegar a casa em ordem.

  3. Pax said

    Jorge,

    Não estou dizendo que seja uma proposta ruim. Estou afirmando, sim, que esperava uma ênfase muito grande na questão da Educação, se o proposta de governo for para preparar o país para a tal “Grande Transformação”. Não há outro caminho.

    Hoje saiu uma notícia que interpretou a proposta de forma diferente da minha, no Valor Econômico. Vale a pena dar uma lida, no link abaixo. É um contraponto ao meu ponto. Mas, confesso, ainda fico com o meu. E explico: prefiro o debate de propostas que o histerismo de um chamar o outro de neoliberal fracassado (do lado dos petistas mais exaltados) e o outro rebater com “stalinistas, chaviztas etc” numa falta de argumento que chega a dar dó, acima de ser chato e contraproducente pacas. Se o debate for em cima das propostas, há uma mínima chance de reforçar os compromissos. Então me reservo o direito de ler e apontar onde acho que está falho ou fraco. É um exercício que, mesmo que insignificante, me ajuda a olhar a política sem dor no fígado.

    Dilma volta-se para ciência e educação

    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/2/18/dilma-volta-se-para-ciencia-e-educacao

  4. Elias said

    Pax,
    16 novas universidade e 131 novos campi é uma boa marca para 8 anos de governo.

    Nos 8 anos anteriores, não aconteceu nem metade disso. E olha que o PT “copiou” o PSDB, como querem alguns por aqui… Deve ter usado uma excelente copiadora, porque a cópia ficou melhor que o original.

    Mas o negócio é que, até agora, não vi ninguém pelo menos alinhavar uma proposta inovadora para a educação.

    Há uns meses, vi na tevê uma entrevista com aquele cara que é o “pai” do “diretor de faturamento”.

    Ele falou da evolução que houve na área de vendas, nas últimas décadas.

    Antes, o valor do produto era definido na esfera da produção. Na circulação, o valor do produto não se alterava, ou pouco se alterava. Isso exigia que o profissional de vendas tivesse, acima de tudo, capacidade de persuasão.

    Agora, todo mundo sabe tudo a respeito dos produtos de todos. Qualquer produto pode ser facilmente copiado e as inovações de melhoria têm vida útil cada vez menor (com as inovações de ruptura a coisa é diferente, mas só um pouco…).

    Vai daí que, hoje, segundo esse cara, o profissional de vendas não vende mais um produto, cujo valor intrínsico foi definido na esfera da produção. Hoje ele vende, sobretudo, soluções. Ou seja, o profissional de vendas passou a agregar valor. E isto é o que se exige dele, atualmente. A capacidade de persuasão, hoje, é mero complemento. E, quanto mais avançado tecnologicamente for o produto, mais acentuada se tornará essa tendência.

    Mas, ainda no dizer do cara, nas universidades americanas, há de 70 a 100 programas e cursos para a área de marketing, para cada um programa ou curso direcionado à área de venda. Mesmo sabendo-se que o mercado emprega muito mais profissionais de venda do que de marketing, e que as equipes de marketing e de venda oram pra deuses diferentes…

    Pior: ele exemplifica com o caso hipotético de um sujeito que foi congelado há 50 anos e descongelado agora, na primeira década do século XXI.

    Esse sujeito sai pras ruas, vê a garotada brincando com micros, PSPs e quetais; vê as novas tecnologias em uso na maiorias dos ramos de conhecimento e pensa: “Caramba, como tudo mudou!”

    Aí o tal sujeito resolve visitar a universidade onde ele se formou. Lá chegando, ele sorri satisfeito: “Aqui eu me situo! Aqui eu me reconheço! Olha lá minha carteira…”

    Isso dito da universidade americana, por um professor universitário americano que, depois de estabelecer sólida reputação acadêmica, arrebentou a boca do balão no mundo dos negócios.

    Imagina o que esse cara diria da universidade brasileira…

    Em tese, a universidade brasileira — como qualquer outra –deveria produzir conhecimento. Não só não produz, como ainda têm dificuldade em assimilar e levar pra dentro de seus muros o conhecimento que se produziu à revelia dela. O conhecimento que se produziu não graças a ela mas, às vezes, até apesar dela.

    Quem quer que visite uma universidade brasileira não deixa de se sentir frustrado.

    Estou, é claro, falando da universidade pública, que ainda investe em capacitação, pesquisa e extensão. A universidade privada, salvo raríssimas — e bote raríssimas — exceções, é mero caça níquel. Não investe nem em mehoria da capacitação de seus docentes, quanto mais em pesquisa…

    Só que, quando você analisa mais a fundo os investimentos em capacitação e pesquisa, é quase impossível você estabelecer um nexo entre eles e um suposto plano estratégico da instituição. Em geral, esses investimentos contemplam, muito mais, projetos individuais, sejam eles ou não compatíveis com o plano estratégico da instituição (isto quando a instituição tem, ou diz que tem, plano estratégico).

    É como se fosse um cavalo cego, conduzido por um cavaleiro doido e bêbado: anda em todas as direções e não chega a lugar nenhum.

    O diabo é que, sem um ensino superior muito bem estruturado, não se avança — ou quase nada se avança — na melhoria do ensino médio e do ensino fundamental, porque estes, queira-se ou não, goste-se ou não, devem estar sempre direcionados ao 3º grau, e porque é o ensino superior que prepara os docentes dos níveis antecedentes.

    A meu pensar, a estrutura atual não tem futuro. Pulveriza recursos, despotencializa resultados… Por outro lado, a depender da dinâmica interna das próprias IES, tão cedo essa música não mudará.

    Acho que o Estado deveria, pelo menos, induzir uma mexida nesse quadro.

  5. Pax said

    Elias,

    Bons pontos. Pena que fiquei 6,5 horas sem micro aqui, com uma vontade de responder (já tinha lido), mas a luz só voltou agora.

    A priori concordo com tudo que você diz. E também não vi nenhuma crítica ao meu post que diz: “A Grande Transformação é pequena”. E que toca, específicamente, nesta questão da Educação.

    Ou o programa do PT melhora neste ponto, ou, sinceramente, o acharei fraco.

    E aqui, meu caro, é onde mais quero discutir.

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