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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Reestatizando

Posted by Pax em 24/02/2010

Há uma questão importante acontecendo no Brasil que tem relação direta com as eleições de outubro: Estatizações – qual é a medida?

Várias discussões acontecem sobre essa questão, seja a reestatização da Eletrobras, da volta do monopólio Estatal com a reestatização da Petrobras, da Vale do Rio Doce e agora a pauta da reestatização da Eletrobras para implantação do Plano Nacional de Banda Larga, entre outras.

Em paralelo há a discussão sobre as formulações dos programas de governo. O do PT que se chama A Grande Mobilização sugere um Estado mais forte que indica a possibilidade de efetivamente reestatizarmos algumas áreas privatizadas anteriormente.

Hoje há noticiário que os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Reinhold Stephanes (Agricultura) querem criar uma nova estatal de fertilizantes agrícolas com objetivo de redução dos preços dos fertilizantes em dois anos. Passaria a funcionar já em 2011.

Ao mesmo tempo não há nenhum movimento consistente de reformulação das Agências Regulatórias que parecem fazer água ao se tornarem interesses de grupos políticos com a perda do foco em estimular a competição entre empresas privadas e defender os interesses da sociedade brasileira que quer qualidade e preços baixos. Além dos inúmeros escândalos de corrupção que várias estão envolvidas.

O post não pretende firmar uma opinião sobre a questão, mas sim estimular a discussão entre os leitores e comentaristas sobre o tema: Estatizar – onde parece razoável e qual a medida?

Ministros querem criar estatal de fertilizantes
Governo confirma criação de estatal de fertilizantes
Autor(es): Célia Froufe, Leonardo Goy,Renato Andrade
O Estado de S. Paulo – 24/02/2010

O governo estuda criar uma estatal de fertilizantes, com atribuições de regulação, pesquisa e produção

Atribuições da empresa incluiriam a regulação do setor, a pesquisa e a produção de insumos, segundo os ministros Stephanes e Lobão

O governo estuda a possibilidade de criar uma nova empresa estatal para atuar no setor de fertilizantes, com atribuições que incluiriam a regulação do setor, a pesquisa e a produção desses insumos, afirmaram ontem os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e da Agricultura, Reinhold Stephanes. A iniciativa reforça a política do governo de intensificar a presença do Estado na economia. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao Estado, que a Eletrobrás seria fortalecida. As diretrizes do PT para a campanha da pré-candidata à presidência Dilma Rousseff defendem um Estado forte.

A discussão sobre a criação de uma estatal acontece desde o ano passado. Inclusive, uma proposta deixada pelo ex-ministro Mangabeira Unger sugeria um nome: Fertilizantes do Brasil S/A, uma empresa pública de capital fechado, voltada para a produção e comercialização de fertilizantes minerais e orgânicos. Além de um amplo diagnóstico do setor, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) tem uma proposta de anteprojeto de Lei.

Continua no Estadão, via clipping do Minstério do Planejamento…

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56 Respostas to “Reestatizando”

  1. vilarnovo said

    Os franceses possuem um ditado para mostrar como o governo trabalha: ‘se algo funciona o governo vai lá e o taxa, se continua a funcionar o governo vai lá e o regula, quando está morto o governo vai lá e o subsidia’.

    No Brasil é algo parecido, só que ao invés de subsidiar o governo cria uma estatal.

    Está para nascer o dia em que uma empresa do governo consiga fornecer serviços e produtos mais baratos que a iniciativa privada utilizando as MESMAS REGRAS que o setor privado.

    Só isso que tenho a dizer.

  2. Jorge said

    Pax, é a Grande Mudança. Hoje os brasileiros não se iludem mais com o discurso que glorifica a privatização. Os monopólios e oligopólios privados são mais autoritários e custosos para o consumidor que o estatal. Basta ver o escândalo das tarifas telefônicas, pedágios. Além disso, diante da crise econômica do ano passado, as grandes corporações brasileiras recuaram, abandonando a sociedade brasileira. felizmente o setor público – Banco do Brasil, Petrobrás, Caixa, existiam e iniciaram a política anticíclica. Vale, Embraer, Votorantin, Bancos Privados, Gerdau, Sadia etc, dependessemos deles, estaríamos afundados na crise econômica até agora.

  3. Zbigniew said

    O grande parâmetro sempre foi o sistema norte-americano. Mas trata-se de cultura e mercado. Nossa cultura e nosso mercado não são os mesmos, por isso, aqui, poucos ganham. O Brasil precisa do Estado em algumas áreas, mas não pode ser para sempre.

  4. Pax said

    Vilarnovo, Jorge, e Zbigniew

    Não discordo, de forma alguma, do governo atuando forte. Alguns exemplos que apóio atualmente são a Petrobras, o BNDES, o BB, a CEF etc.

    O BNDES, por exemplo, participa tanto da JBS/Bertin quanto da Brasil Foods, dois gigantes do mercado frigorífico.

    Fico um pouco apreensivo com algumas críticas de pequenos produtores que reclamam um bocado do tratamento que recebem da Brasil Foods (Perdigão e Sadia). Como é o gigante do setor, impõe goela abaixo as condições para criação de frango, sem nenhuma margem de negociação.

    Mas, veja, não é o Governo que está lá criando frango, abatendo e exportando. O governo estimula, tem participação, senta na mesa do conselho, mas não produz.

    O meu receio é o Estado começar a criar estatais para todo lado. Sabemos que, indiscriminadamente, acaba saindo do controle e muitas delas tenderão a virar cabides de emprego e, ao final, empresas ineficientes.

    Agora o Brasil quer o projeto de banda larga para todo o Brasil. A priori apoio totalmente. Vai ao encontro de um futuro que é inexorável.

    A minha questão é: precisa criar uma estatal? O governo diz que sim. Tenho opiniões favoráveis e alguns questionamentos sobre o assunto.

    O post foi criado para gerar a discussão mesmo. A notícia que pesquei na Agência Brasil é a da criação de uma estatal para produzir fertilizantes. As justificativas para esta nova estatal estão na notícia do Estadão que coloquei no post. Reproduzo abaixo:

    é o de tornar o Brasil autossuficiente na produção de fertilizantes. Para se ter uma ideia, a importação de potássio é equivalente a 91% de todo o uso do insumo para a produção agrícola. Essa independência deve ocorrer em um prazo de seis a 10 anos, de acordo com o insumo em questão. Além da dependência externa, a vulnerabilidade de preços à qual o País está exposto é outro ponto de preocupação.

    “A razão disso tudo é sairmos de um cartel, de um monopólio”, explicou Stephanes. Ele acrescentou que, com a produção interna, há a possibilidade de reduzir os custos para o produtor e, consequentemente, haver um repasse para o consumidor, já que os gastos com fertilizantes representam de 10% a 30% dos custos totais.

    Outro ponto que ressalto no post é: E as Agências Regulatórias? Não parece claro que não funcionam bem e precisam de uma discussão e reformulação? Entendo que sim. Aliás, entendo que é assunto urgente, urgentíssimo.

    Como disse, não tenho conclusões, tenho dúvidas e vontade de discutir mais para firmar posição.

  5. Zbigniew said

    Fazendo uma “propagandinha”, se me permite Pax, há um post no meu blog em que são apresentadas algumas posições sobre a questão da banda larga, que passa inclusive pela sugestão da utilização do Fust (fundo de universalização dos serviços de telecomunicações) atrelado a um caderno de obrigações de investimentos em regiões. Acontece que a fiscalização e as questões políticas são entraves importantes para que tal sistema dê certo. Com isso, as empresas privadas tendem a turbinarem seus ativos ou suas aplicações financeiras, sob o argumento do tipo “perdas no período”, etc. Sendo assim o governo tem sido obrigado a entrar no mercado, uma vez que (ao contrário de outros países em que o nível de renda da população é mais homogêneo), a banda larga para pobres ainda é uma realidade distante dos planos da iniciativa privada. Isto para falar apenas da banda larga.

  6. Pax said

    Zbigniew,

    Claro que permito, meu caro.

    Aliás, sugiro mesmo aos colegas do blog. Tenho acompanhado o blog do Zbigniew que passou a colecionar notícias e tende a ficar melhor que este aqui, pois não se limita à notícias nacionais.

    O link está aqui:

    http://zbignieweapolitica.blogspot.com/

    Mas, caro, passe o link dessa notícia que você sugere a gente visitar, por favor.

  7. Olá!

    Santo Deus! Não acredito que li um troço desses aqui:

    “Pax, é a Grande Mudança. Hoje os brasileiros não se iludem mais com o discurso que glorifica a privatização. Os monopólios e oligopólios privados são mais autoritários e custosos para o consumidor que o estatal. […]”

    É mesmo, cara pálida? Vamos pegar apenas um setor, o de telefonia, e comparar como era para se adquirir uma linha telefônica na época da EMBRATEL/TELEBRÁS e como é hoje, após as privatizações.

    Lembro que nos anos de 1980 — as estatais ainda estavam a toda –, a pessoa chegava a esperar uns três anos para adquirir a sua linha telefônica, sem dizer que o preço dessa aquisição era assustador, coisa entre três mil (U$ 3.000,00) e seis mil dólares (U$ 6.000,00)!

    Pouquíssimas pessoas podiam adquirir uma linha telefônica e esse “bem” tinha que ser declarado no imposto de renda. Pedreiro, naquela época, nem sonhava em ter um bem desse tipo. Hoje qualquer pessoa pode comprar um celular ou mesmo uma linha fixa. Veja quanto custa nos dias atuais uma linha telefônica — bem menos do que “míseros” seis mil dinheiros do Tio Sam (U$ 6.000,00)!

    Celular, então, nem se fala! Nos idos de 1993-1994, quando a telefonia celular dava os seus primeiros passos no Brasil (nos países mais desenvolvidos e sem essa sanha jurássico-estatal brasileira, os celulares começaram bem antes: Em 1982!), era bastante caro adquirir um celular, fora as tarifas que eram caríssimas — era coisa de classe média alta em diante. Pobre nem sonhava em ter um celular.

    Nos dias de hoje, até banca de revista/jornal vende celular a módicos R$ 50,00! Já vi um quiosque de celulares até mesmo em praça durante o final de semana. Pergunto: Isso seria possível com o monopólio estatal da telefonia/telecomunicações?

    Ah, sim: Vale lembrar que, se hoje temos Internet (e acesso) relativamente popularizada(os), agradeça, e muito, às privatizações.

    Em 1998, Roberto Campos (Bob Fields) escreveu:

    “[…] Em meados de 1995, a arrogância burocrática da nossa Embratel pretendeu oferecer a 250 formadores de opinião, quase como graça divina, uma senha para o acesso à rede. Hoje temos perto de 2 milhões de internautas (o dobro do resto da América Latina). E há 6 milhões de computadores instalados (indo para 10 milhões), num esforço de recuperarmos o tempo perdido. […]”

    Hehehehehe… Eis aí como se deu o início da Internet no Brasil. Continuasse o setor de telefonia sob a responsabilidade de uma empresa estatal, a Internet, hoje, seria um privilégio de uma exclusivíssima casta — como era, em parte, ter uma linha telefônica nos idos de 1980 até o meados dos anos de 1990.

    Hoje, temos mais de 65.000.000 (65 milhões!) de internautas. As privatizações contribuíram, e muito, para atingirmos essa marca.

    Outra tolice:

    […] Basta ver o escândalo das tarifas telefônicas, pedágios. […]”

    Eu concordo que as tarifas telefônicas são caras, no Brasil. Porém, vale lembrar que o governo taxa essas tarifas, se não estou enganado, em 40%! Ou seja, a cada 1 real que a pessoa gasta falando ao telefone, 40 centavos vão para o governo. Não sei se a mesma taxação vale para telefonia fixa e celular.

    Mais uma:

    “[…] Além disso, diante da crise econômica do ano passado, as grandes corporações brasileiras recuaram, abandonando a sociedade brasileira. felizmente o setor público – Banco do Brasil, Petrobrás, Caixa, existiam e iniciaram a política anticíclica. Vale, Embraer, Votorantin, Bancos Privados, Gerdau, Sadia etc, dependessemos deles, estaríamos afundados na crise econômica até agora. […]”

    Então, tá! Vamos estatizar todas essas empresas privadas que você citou para ver no que vai dar daqui a uns 20 ou 30 anos. Quem sabe assim, quando houver outra crise financeira, o Brasil nem mesmo sequer saia abalado dela. Pelo contrário, talvez, saia até mesmo mais fortalecido do que entrou, afinal de contas, todos sabemos que as empresas estatais são o estado da arte em termos de eficiência, de gerenciamento de recursos, de combate à corrupção, de transparência administrativa, e etc.

    Quem sabe assim, a EMBRAER não retorne aos seus picos de eficiência de meados dos anos de 1980 até o início de 1994. A Vale, então, nem se fala! Quando ela era estatal gerava superávits jamais vistos na história recente do Brasil. Vamos estatizar a Gerdau, afinal de contas, a produção de vergalhões é um setor estratégico para o Brasil e não deve, jamais, cair nas mãos do setor privado (nem dos Yankees), pois as moradias dependem desse material importantíssimo. Estatizem também o Grupo Votorantim! Cimento, celulose e suco de laranja são de suma importância para combatermos o imperialismo do norte e suas vertentes européias! Ah… a Sadia tem que ser estatizada, pois presunto, queijo, requeijão, mortadela, iogurte e leite longa vida são setores estratégicos e nenhum país sério do mundo os deixa sob a responsabilidade do ineficiente e corrupto setor privado.

    Dizer que foram as estatais as responsáveis pela melhora da economia brasileira no período pós-2008 é uma enorme tolice e por uma razão muito óbvia: O setor privado, no Brasil, é o que de fato gera riqueza. Veja lá o que aconteceu quando o governo reduziu o IPI. As vendas voltaram a se aquecer e isso ajudou o setor privado a gerar mais riqueza.

    Eu fico abismado com os esquerdistas: Querem transformar, hidrocarbonetos, vergalhões, cimento, suco de laranja, minério de ferro, iogurte, presunto e mortadela em ideologia.

    Infelizmente, a esquerda brasileira não chega nem sequer no chulé dos seus pares europeus e norte-americanos. Triste.

    Até!

    Marcelo

  8. Pax said

    Marcelo Augusto,

    Seria muito insistir que você coloque seus pontos sem agredir as pessoas, chamando-as de tolas ou acusando-as com uma retórica rebuscada?

    Será que melhora o debate?

    O Jorge não pode ter opinião contrária a sua sem ser necessariamente um tolo?

    Há blogs histéricos por aí que gostam dessa linha de debate, rotulando pessoas. Aqui, como sou eu quem faço o blog e tento promover um debate democrático, sinceramente dispenso esse tipo de bobagem.

  9. Olá!

    Pax, ao que me parece, você ainda não entendeu, apesar de já ter explicado isso antes: Não chamei o Jorge de tolo, mas, sim, os argumentos dele. É diferente, Pax.

    O argumento dele é tolo, mas isso não quer dizer que ele seja tolo.

    Uma pessoa não-tola pode cometer tolices. Afinal de contas, todas as pessoas são falíveis. Simples.

    Até!

    Marcelo

  10. Mona said

    Puxa, Marcelo
    Que avalanche de exemplos, dados e informações. Creio que, a despeito do dono do boteco ter puxado sua orelha (coisa feia, Pax! Deixa o homem falar com base no estilo dele… Taxar algumas idéias de “tolices” não significa chamar que as apresenta de “tolo”), informações assim apresentadas nos ajudam a colocar as coisas em suas reais perspectivas, principalmente acerca de quem é a culpa por nossos serviços de telecomunicações de uma maneira geral, energia, água, esgoto, estradas, combustíveis, etc, etc, serem tão caros.
    A análise de preços, a meu ver, deveria ter como base não números absolutos (o preço da ligação aqui é 10x mais cara do que no país tal, por exemplo), mas parâmetros tais como a margem de lucro das empresas que estão fornecendo esses serviços. Se são margens semelhantes, nosso perverso empresariado não está sendo mal porque quer, mas porque assim é levado a ser…

  11. Zbigniew said

    O link é http://zbignieweapolitica.blogspot.com/2010/02/sobre-banda-larga-popular.html
    Quanto a ser melhor que o seu… estou muito longe disto. Mas o bom da blogosfera é a capacidade de agregar boas informações e complementariedade.

    Em relação a alguns comentaristas que gostam de rotular, sejam idéias, sejam pessoas, é o tipo do cacoete que, hoje, está mais em voga aos acólitos da direita raivosa. Por sinal já bastante demodé. Talvez a idéia de um debate de alto nível não seja tão atrativa, pois, no seu mundo maniqueísta, tudo é preto no branco, já pré-conceituado. Ainda bem que hoje são pequenas parcelas do pensamento, que, com o tempo, vão sendo restringidos à irrelevância.

  12. Pax said

    A mim parece óbvio que o Estado tem que participar em algumas áreas. Alguns exemplos que cito com frequência são escolas e hospitais públicos. Segurança Pública é outro ponto óbvio, na minha opinião. Mas não sou o dono de nenhuma verdade.

    Em poucas áreas entendo que o Estado também pode participar em áreas estratégicas, como por exemplo, em Energia. Sempre com um pé atrás por conta da história de ineficiência e corrupção que já tomou conta de várias ex-estatais no passado e no presente. Aqui e alhures.

    Mas, por exemplo, não privatizaria a Petrobras. Um assunto que os liberais brasileiros tem uma opinião um dia e no outro outra, dependendo da valsa que se toca. E eu não sou um liberal, sou um social democrata e me permito ter essa posição.

    Tenho minhas dúvidas sobre a tal empresa de fertilizantes, mas não gosto nem um pouco do Brasil, com sua vocação enorme para produção de alimentos, ser totalmente dependente das multis do setor. Como resolver? Abrindo uma Estatal? Não sei, o post veio para provocar a discussão. Aqui (no post) também entra a questão atual do projeto de banda larga. É bom, ruim? Como implementá-lo?

    Mas gosto mesmo é da discussão. Sem precisar chamar nenhuma idéia ou quem quer que seja de tolo, ou de vigarice intelectual ou qualquer ofensa “educada” dessas. A mim parece pouco eficiente levar as discussões com essa entonação. Gosto do método mais antigo conhecido, o socrático, da ironia e maiêutica. Não me ocorre que este mais básico método pressuponha desqualificar idéias ou pessoas. Mas sim, criticá-las, mostrar as falhas em suas verdades e, a partir da desconstrução das mesmas, o processo de construção de ideias que não mais se submetem às críticas então já formal e logicamente resolvidas.

    Os liberais acham que tudo na mão da iniciativa privada é o caminho mais correto, numa enorme síntese. Já eu prefiro discutir as áreas em que admitimos ou não a participação do Estado que achar que as idéias liberais são tolas.

    Uma reforma tributária que permitisse ao país estimular a iniciativa privada, sem esses processos e modelos kafkinianos (nunca sei como escrever essa expressão), além do apoio financeiro, vai muito ao encontro do que penso. Mais que ficar abrindo indiscriminadamente Estatais. Mas não admitir a discussão, com base em axiomas ou dogmas, será um caminho interessante? Acho que não.

    O Brasil vive um momento de eleições. Há propostas de governo em elaboração. E não me consta que haja alguma que pressuponha o total desmanche de todas as estatais. Nem mesmo a proposta da oposição mais forte, que é a do PSDB com o DEM e seus outros aliados. Então, onde admitem estatais e onde não? Porque não deixam claro? O mesmo questiono para as propostas da situação. Repito: não gosto, a priori, de sairmos abrindo estatais sem um cuidado extremo. Até ao contrário, a priori prefiro que não se abra nenhuma, até prova em contrário, e que essas provas sejam discutidas pela sociedade.

    Sem chamar nenhuma ideia de tola. Não acho que seja o melhor método de discussão.

    Já disse e vou repetir: há blogs por aí que são monotônicos, ou apoiam tudo da situação ou fazem todo tipo de crítica. E não permitem diálogo. Alguns chegam a bloquear os comentários numa demonstração evidente que o debate democrático não é de seus interesses.

    Aqui, meus caros, é exatamente o contrário. Estimulo. Todos podem subir ao palco, pegar o microfone e falar. Todos podem defender as idéias que quiserem. Sejam elas quais forem.

    A única coisa que peço é que seja com educação, sem agressões desnecessárias porque entendo que este é o melhor método de discussão, de construção de ideias.

    Não acredito que seja pedir muito.

  13. Pax said

    Zbigniew

    Muito bom o artigo que você colecionou e colocou aí no comentário #11. Obrigado.

    Sugiro aos outros leitores.

    Uma boa base de discussão.

  14. iconoclasta said

    Pax, tá @#$% de postar, entro aqui e fica horas no aaattttuuuuuuuaaaaaaallllliiiiiiizzzzzaaaaaaannnnnnndddddooooooo.

    ae, mas é o seguinte, uma esculhambadinha de vez em quando cai muito bem, Pax. serve p/ nego refletir mais e se informar um pouco antes de postar qq abobrinha. o excesso de gentileza, q acaba por inflar o ego dos deslumbrados, tem gerado uma quantidade de dados fantasiosos desproporcional ao número de comentários.

    nisso vc deve q se ligar…

    ;^/

  15. iconoclasta said

    “Acontece que a fiscalização e as questões políticas são entraves importantes para que tal sistema dê certo. Com isso, as empresas privadas tendem a turbinarem seus ativos ou suas aplicações financeiras, sob o argumento do tipo “perdas no período”, etc. Sendo assim o governo tem sido obrigado a entrar no mercado,…”

    saca a lógica: o governo não é nem mesmo capaz de cumprir com seu papel na fiscalização, e as questões políticas são outros obstáculos. então a gente pega os políticos, os mesmos q escolhem os chefes dos fiscais, e os coloca para tocar as empresas, porque ai sim a coisa vai funcionar, não é mesmo?

    vai dizer q isso não pede uma zoadinha?!

    ;^/

  16. Zbigniew said

    Rapaz! O sistema que está aí não está fiscalizando. O governo não é um monolito.

  17. Olá!

    Zbigniew, os argumentos no link que você indicou parecem ir pela seguinte via: Nos locais onde foi aplicada, a isenção tributária não fez com que a o serviço de Internet banda larga (oferecido pelo setor privado) pudesse se popularizar entre as camadas de menor renda da população. Portanto, se nem com esse tipo de incentivo houve o setor privado conseguiu fazer/promover a popularização da Internet banda larga, o Estado deve intervir para prover esse tipo de serviço a essas pessoas.

    A isenção do ICMS em São Paulo começou a ser aplicada no final do ano passado (outubro de 2009). Esperar que em um período de apenas 5 meses a banda larga se popularizasse e sob as condições de infra-estrutura e de renda do público alvo atuais é um belo exemplo de wishful thinking (boa vontade de pensamento). Algumas mudanças levam tempo.

    Há uma impossibilidade técnica quanto à implantação da banda larga via ADSL: Se não houver uma linha telefônica já instalada, então, nada de ADSL! E não digo isso por maldade, mas, sim, porque é dessa maneira que a ADSL funciona:

    “Asymmetric Digital Subscriber Line (ADSL) é um formato de DSL, uma tecnologia de comunicação de dados que permite uma transmissão de dados mais rápida através de linhas de telefone do que um modem convencional pode oferecer.”

    É um fato da vida. Infelizmente.

    As linhas telefônicas são baratas de se adquirir, o problema são as tarifas cobradas que são caras demais, sendo que os impostos embutidos nelas são o que as encarecem mais ainda. Sem dizer que serviços de Internet banda larga também são caros — às vezes, mais caros do que o preço de um celular e/ou uma linha fixa.

    Um outro ponto que coloco: Há certas coisas que uma pessoa com um determinado nível de renda não pode comprar. Esse é outro fato da vida. Podem espernear e esbravejar à vontade. Porém, isso não muda esse fato. Enquanto o nível de renda não mudar e o Brasil continuar a ser ineficiente na geração de riqueza, sempre haverá essa camada de pessoas que não terão acesso a serviços como Internet banda larga e coisas tais. Se bem que eu considero que, dadas as condições atuais, o governo deveria focar suas forças e recursos em assuntos mais urgentes, como saúde, educação e segurança pública. Mas, enfim, foi como eu disse no meu comentário acima: A esquerda tem a “notável” “habilidade” de transformar tudo em ideologia, até mesmo Internet banda larga. Triste.

    Seria interessante se o governo federal oferecesse isenção total de impostos para aquelas empresas que levassem seus serviços ao público de baixa renda e/ou que se dispusessem a implementar obras de infra-estrutura no sentido de melhorar a malha de comunicação de dados existente. Detalhe: A isenção total seria aplicada apenas nos serviços direcionados a esse público e os valores investidos nas obras poderiam ser abatidos dos impostos recolhidos pelo governo. É apenas uma sugestão.

    Considero que uma idéia desse tipo é bem melhor do que, por exemplo, ter que explicar como uma empresa semi-falida pode retornar rendimentos de 35.000% (35 mil por cento) em um curto período de tempo, dando lucros de 200 milhões de reais a quem investiu um valor equivalente a um saquinho de jujubas (1 real).

    Isso aqui é um docinho de cereja:

    “Em relação a alguns comentaristas que gostam de rotular, sejam idéias, sejam pessoas, é o tipo do cacoete que, hoje, está mais em voga aos acólitos da direita raivosa. […]”

    Zbigniew, diga-me: Neste país, quem é de direita? Qual é o partido de direita que temos por cá?

    Até!

    Marcelo

  18. Iconoclasta said

    “Rapaz! O sistema que está aí não está fiscalizando. O governo não é um monolito.”

    sei, mas e ai? nao foi o atual ocupante do governo federal q desmontou a anatel?

    so para eu entender: o papel do governo nao é fiscalizar, pq nao funciona, ele deve é gerir empresas, pq isso sabe fazer bem?

    tá contigo de novo…

    ;^/

  19. Olá!

    Ao, Pax:

    “A mim parece óbvio que o Estado tem que participar em algumas áreas. Alguns exemplos que cito com frequência são escolas e hospitais públicos. Segurança Pública é outro ponto óbvio, na minha opinião. Mas não sou o dono de nenhuma verdade.”

    Eu concordo 500%! Ou para dizer um número mais agradável aos esquerdistas: Concordo 35.000%!

    Porém, se o setor privado quiser atuar nos ramos de educação e saúde que haja espaço para tal. Serviços básicos/clássicos são, sim, uma obrigação do Estado. Internet banda larga não é um serviço básico.

    Quanto à segurança, o setor privado também poderia atuar, mas no sentido de fornecer serviços de segurança a quem quisesse contratá-los, havendo todo um corpo de regras que as empresas deveriam obedecer para se inserirem nesse nicho. Não seria uma polícia privada. Apenas um serviço de segurança particular.

    “Em poucas áreas entendo que o Estado também pode participar em áreas estratégicas, como por exemplo, em Energia. Sempre com um pé atrás por conta da história de ineficiência e corrupção que já tomou conta de várias ex-estatais no passado e no presente. Aqui e alhures.”

    Aí, eu discordo. Considero que energia (com letra minúscula) é um mero serviço que pode ficar a cargo do setor privado. A corrupção seria bem menor se comparada aos níveis passados e atuais que tanto assolaram (e assolam) as ex-estatais e estatais. Afinal de contas, não conheço nenhum empresário que seria trouxa o bastante para roubar o próprio dinheiro.

    “Mas, por exemplo, não privatizaria a Petrobras. Um assunto que os liberais brasileiros tem uma opinião um dia e no outro outra, dependendo da valsa que se toca. E eu não sou um liberal, sou um social democrata e me permito ter essa posição.”

    Pax, você poderia dar um exemplo desse liberais citados?

    Eu gostaria que a Petrobras fosse privatizada. Fico imaginando o salto de qualidade que ela poderia dar se totalmente controlada pelo setor privado. Peguem o exemplo da Vale do Rio Doce e o salto de qualidade que essa empresa deu quando foi privatizada. Imaginem, agora, o possível salto de qualidade que uma empresa do porte da Petrobras não daria se fosse sofresse o mesmo processo.

    Sem dizer que, privatizando a Petrobras, a companheirada esquerdo-petista que hoje aparelha a empresa teria que dar o fora de lá (a começar pelo seu presidente), pois no setor privado prevalece uma palavra que aterroriza a alma dos petistas: Meritocracia.

    “Tenho minhas dúvidas sobre a tal empresa de fertilizantes, mas não gosto nem um pouco do Brasil, com sua vocação enorme para produção de alimentos, ser totalmente dependente das multis do setor. Como resolver? Abrindo uma Estatal? Não sei […].”

    Pax, você não considera um absurdo que o Estado tenha que vender adubo?

    Não consigo imaginar um troço desses em documentos históricos como a Constituição dos Estados Unidos da América ou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Tentem imaginar os Founding Fathers estabelecendo algum artigo nessa constituição no sentido de colocar lá adubos como direitos naturais ou coisa do gênero. Ou então que o Estado vender adubos é uma medida tática para derrubar o Antigo Regime… Triste.

    Não ficarei surpreso caso apareça algum esquerdista declarando que adubo é um setor estratégico importantíssimo para a segurança nacional e que, portanto, deve, sim, ser implementado pela iniciativa estatal sob a condição de urgência urgentíssima.

    Os liberais acham que tudo na mão da iniciativa privada é o caminho mais correto, numa enorme síntese. Já eu prefiro discutir as áreas em que admitimos ou não a participação do Estado que achar que as idéias liberais são tolas.”

    Isso que você afirma (negrito) é incorreto, Pax. Veja neste link qual é a definição que o liberal Roberto Campos (Bob Fields) dá para o tal do Estado mínimo. Transcrevo as palavras dele:

    “O Estado mínimo é o Estado voltado para suas tarefas clássicas. Essas tarefas clássicas são: Educação, saúde, segurança, justiça, relações exteriores e defesa. Essas são as funções clássicas do Estado.

    Se o Estado tivesse recursos financeiros sobrantes e capacidade gerencial sobrante poderia considerar excursões em outras áreas. O problema é que o cobertor é curto e o talento ainda mais curto. De onde o governo, em querendo ser, ao mesmo tempo, assistente social, reitor, diretor e empresário, acaba fazendo mal todas as tarefas. E o que os liberais querem é que o governo se concentre nas suas tarefas fundamentais… E duas tarefas fundamentais que não são frequentemente mencionadas: Uma tarefa fundamental do governo é manter a concorrência, é preservar a competição. E o que o governo brasileiro faz? Cria monopólios. Ele tem o monopólio e quer criar[monopólios]… Tem a maior reserva de mercado que são modalidades do monopólio. A outra responsabilidade do governo, fundamental, indelegável, é a estabilidade monetária. O governo que não cumpre essas duas funções — preservar a concorrência e estabilizar a moeda — é um governo falido.”

    “Uma reforma tributária que permitisse ao país estimular a iniciativa privada, sem esses processos e modelos kafkinianos (nunca sei como escrever essa expressão), além do apoio financeiro, vai muito ao encontro do que penso. Mais que ficar abrindo indiscriminadamente Estatais. Mas não admitir a discussão, com base em axiomas ou dogmas, será um caminho interessante? Acho que não.”

    Sou 35.000% a favor de uma reforma tributária menos hostil ao capital e que possa estimular a geração de empregos, renda e coisas tais. Abrir empresas estatais é sempre um problema. O exemplo clássico que utilizo foi a enorme besteira que os militares fizeram quando iniciaram a inauguração de dezenas de estatais que legaram à posteridade empresas que eram o exemplo da ineficiência administrativa e da geração de riqueza. Algumas dessas empresas (como a EMBRAER) chegaram a operar em uma situação de semi-falência (foi a privatização que permitiu que ela tomasse novo fôlego e se tornasse a terceira maior fábrica de aviões do mundo).

    A corrupção em empresas estatais, pelos exemplos que a nossa própria história nos fornece, sempre foi galopante. Nem dá para comparar com o setor privado. Há corrupção na iniciativa privada? Sim, há! Mas em níveis menores do que no setor estatal (a começar pelo patrimonialismo).

    Eu estou convencido de que se não mudarmos o nosso modelo econômico, se não dermos condições mais receptivas ao capital, se não implementarmos medidas para nos tornar mais eficientes na geração das riquezas e se setores da sociedade — sobretudo as esquerdas — continuarem com essa mentalidade jurássico-estatal, dificilmente o Brasil atingirá patamares de país desenvolvido.

    O estatismo fracassou fragorosamente com os militares de direita da época da ditadura. Deveriam abrir mais espaço para que os brasileiros pudessem experimentar um pouco mais um capitalismo de verdade e de abandonar aquela mentalidade atrasada do “só tem um pão pra todo mundo”.

    Peguem o exemplo da Áustria. É um país com uma população em torno dos 8 milhões de habitantes e que possui uma força de trabalho de 3.6 milhões de pessoas, mas que geram, anualmente, 414 bilhões de dólares em produto interno bruto. O Brasil tem uma população de mais de 190 milhões de pessoas e uma força de trabalho equivalente a 95 milhões de trabalhadores. Infelizmente, geramos apenas 1.612 trilhões de dólares — isso é muito pouco para um país com as dimensões que temos. Mesmo tendo uma força de trabalho 26 vezes maior do que a da Áustria, o Brasil gera um produto interno bruto que é aproximadamente 4 vezes ao produto austríaco. É um exemplo tolo, mas que serve para nos mostrar o quanto o Brasil é ineficiente na geração de riquezas. (Utilizei valores nominaisnos produtos internos brutos de cada país. Os valores de paridade de poder de compra também não são lá muito animadores. Fonte dos dados: Wikipédia.)

    Capitalismo, democracia, educação e liberdades individuais são os ingredientes básicos de qualquer grande país.

    Até!

    Marcelo

  20. vilarnovo said

    Marcelo – O real problema é que os liberais possuem uma visão totalmente distinta de Estado. Eu quase concordo com o que o Zbigniew escreveu lá em cima em #3.

    É um problema filosófico, um problema cultural e até religioso.

    Nossa formação como país, como povo, como nação não seguiu um modelo anglo-saxão protestante e sim um modelo ibero-católico. Faz parte de nossa colonização acreditar em uma entidade que deva preceder o indivíduo. E essa entidade para os brasileiros é o Estado.

    Aqui nossos direitos individuais sempre são atrelados a concessões do Estado. A ordem natural se inverteu completamente.

    Enquanto nos EUA o povo permite que exista o Estado, um poder central, no Brasil é o Estado que permite que existe um povo.

    Por isso vário pontos aqui são invertidos: você é proprietário de uma fazenda, mas só pode ser se cumprir as exigências do Estado. Enquanto nos EUA se você cavar e achar petróleo, esse petróleo é seu, no Brasil ele pertence ao Estado.

    Como as pessoas não entendem sobre direitos naturais. Quando Locke escreveu Dois Tratados sobre o Governo antes de se perder na Ilha de Lost (desculpe, não consegui evitar) seus conceitos de “vida, liberdade e propriedade” se tornaram a base para Thomas Jefferson escrever sobre os direitos inalienáveis na Declaração de Independência dos Estados Unidos.

    Ao meu amigo e companheiro Pax afirmo: cara, é difícil pacas ser liberal. Não é algo que aconteça da noite para o dia. A doutrina, filosofia liberal não está impregnada de palavras bonitas e fáceis como “socialmente responsável” e outras que polulam a filosofia de esquerda.
    Ao invés disso é impregnada de livre arbítrio e principalmente responsabilidade invididual.

    Só o indivíduo é RESPONSÁVEL pela sua felicidade apenas ele e mais ninguém.

    Por isso acho que confundem a coisa toda.

    Concordo e muito quando você fala que não é papel do governo garantir acesso a banda larga a todos.

    Só que eles acreditam que sim, baseado naquele velho maquineísmo tipo: se alguns tem, todos devem ter…

    Se é assim eu quero que o governo providencie uma Ferrari para mim, ora bolas.

    Pior, não conseguem entender que recursos são finitos. Ao gastar dinheiro dos impostos para criar uma Estatal para colocar banda larga para todos o governo desvia dinheiro de áreas como educação, saúde e segurança.

  21. vilarnovo said

    Aproveito e faço uma pergunta aos amigos estatistas: qual foi o benefício REAL que a Petrobrás trouxe aos brasileiros.

    Quero saber para o Zé das Coves, para o tiozinho da padaria, para o jornaleiro da esquina… que vantagens a Petrobrás trouxe para essas pessoas? Que benefício ela trouxe que empresas privadas não poderiam trazer?

    Antes de responderem, por favor leiam isso:

    Operação envolvendo BNDES (e o Tesouro Nacional – NOSSOS IMPOSTOS) e Petrobras eleva dívida pública para R$ 1,45 tri

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u612517.shtml

    Alguém aqui considera justo que o dinheiro dos nossos impostos sejam destinados à Petrobrás? Alguém aqui recebeu ações da Petrobrás? A Petrobrás é de quem? De todos nós ou dos acionistas da empresa?

    Se for de todos nós, por favor, eu quero a minha parte agora mesmo.

  22. Pax said

    iconoclasta,

    Não tenho como analisar teu problema de conexão com o blog. Sinto muito. Aqui tenho um link de 200 kpbs (e que custa R$ 470,00 por mês – um serviço da Embratel, privatizada em 1998 e atualmente dirigida pela Telmex que a adquiriu da MCI Communications) e funciona bem, apesar do absurdo cobrado.

    E você afirma que uma esculhambadinha de vez em quando cai muito bem. Pois eu afirmo que não. Mais que isso, tenho certeza, hoje em dia, que não. Mais que isso, peço aos leitores que evitem e respeitem uns aos outros.

    Marcelo Augusto,

    Você cita o Roberto Campos e o próprio admite a participação do Estado. Educação básica, por exemplo, segundo ele neste própria entrevista que você linkou, deveria ser totalmente responsabilidade do Estado. A partir daí, que não define bem onde para, imagino que na 8a série, deve ser “partilhada”, ou seja, um misto entre privado e estatal, mas básicamente privado. É perto do modelo que a Coréia do Sul adotou, pelo que me parece.

    E o próprio Roberto Campos admitia a participação do Estado na economia. Veja aqui, segundo o Gustavo Franco:

    Roberto Campos tinha e tem a ensinar que a participação do Estado na economia pode fazer sentido às vezes, e que como os erros do governo são bem maiores e mais frequentes que os do mercado, o ideal é que a política econômica seja conduzida por quem acredita em mercados e não na infalibilidade da burocracia. – link – http://www.econ.puc-rio.br/gfranco/a126.htm

    Mas, entre nós, me permito não ser um admirador do Roberto Campos não. Várias episódios de sua vida me parecem bastante questionáveis. Algumas delas:

    – Apoio ao golpe militar de 1964.
    – Apoio ao Maluf em sua candidatura à presidência em 1985
    – etc

    E, para finalizar, não sou nem do time do Keynes nem do Friedman. Acredito que há algo no meio do caminho que me parece mais apropriado.

    Isto quer dizer que aceito a existência de algumas estatais? Sim, claro que sim.

    Mas quer dizer que desgosto da visão do Roberto Campos que todas as estatais deficitárias deveriam ser extintas? Nem sempre. Não acho uma má idéia, a priori, mas entendo que não pode ser uma lei absoluta. Acredito que possam existir casos em que se admitiriam déficts sim. Aqui podemos abrir uma boa discussão, ao que me parece.

    Como gerenciar empresas estatais para que sejam superavitárias e não virem cabides de emprego e portas para a corrupção é que me parece a chave da questão.

  23. Pax said

    Uma importante explicação: não entendo patavinas de Economia.

  24. Pax said

    Vale anotar na entrevista do Roberto Campos:

    Estado mínimo é o que se atém às suas tarefas clássicas:

    – Educação
    – Saúde
    – Segurança Pública
    – Relações Exteriores
    – Defesa – Forças Armadas

    E, também

    – Manter a concorrência, preservar a competição
    – Estabilidade monetária
    – Estado regulador.

    Então, voltando. Educação, segundo RC só no ensino fundamental.

    E Saúde?

    Essa parte não ficou claro, mas posso inferir que Saúde, então, tem que ser responsabilidade do Estado?

    Mesmo admitindo a existência de Saúde privada, mas que o Estado seja o responsável maior pela saúde da sociedade.

    E aí a gente chega na questão anterior: como, sem que seja deficitária?

    Um bom exemplo.

  25. Pax said

    Vilarnovo,

    Só agora li teus comentários #20 e #21.

    No #20 você diz:

    Nossa formação como país, como povo, como nação não seguiu um modelo anglo-saxão protestante e sim um modelo ibero-católico. Faz parte de nossa colonização acreditar em uma entidade que deva preceder o indivíduo. E essa entidade para os brasileiros é o Estado.

    Tenho um amigo que trabalha já uns 30 anos no BNDES que fez doutorado com essa tese. Quem sabe não o trago para cá para esse debate. Tomara que consiga.

  26. Olá!

    Eu concordo com você, Vilarnovo.

    Eu reconheço que a influência íbero-católica moldou a essência do nosso ideário ao longo da história brasileira. Tento imaginar a carga de esforço que seria necessária para mudar esse cenário. Até mesmo com certo fatalismo, penso que mudar a cultura do nosso povo é algo extremamente complicado, sobretudo quando esses valores estão profundamente enraizados no imaginário das pessoas e estas não tem, no geral, renda suficiente para pagar por uma educação de qualidade — não preciso dizer que a educação oferecida pelo Estado é um lixo total. Em um cenário desses, as pessoas se tornam presas fáceis para a esquerda jurássico-estatal.

    A questão que levanto é que o modelo brasileiro atual de geração de riqueza é ineficiente e incapaz de proporcionar às pessoas melhores condições para gerar riquezas e para que elas tenham acesso a essas riquezas — logo, as pessoas possuem menos riquezas disponíveis para sanar suas necessidades de subsistência (alimentação, moradia, entretenimento, educação, e etc.). Daí que aquelas pessoas com baixa renda considerem um “direito” seu ter banda larga, ainda que não possuam o nível financeiro necessário para pagar pelo serviço. Logo, o Estado entra em cena, criando uma estatal e um cabide-de-empregos.

    Nossa renda per capita é vergonhosa. Por quais motivos um país que tem uma força de trabalho que beira as 100 milhões de pessoas possui uma renda tão baixa? Há uma forte influência de ineficiência econômica nisso aí. Para que tivéssemos uma renda per capita mais próxima dos países civilizados, digamos uns U$ 30.000,00 (trinta mil dólares), o Brasil teria que possuir um produto interno bruto, hoje, de 5.7 trilhões de dólares. O valor atual desse produto é menos da metade disso — um pouco menos de 2 trilhões de dólares levando em conta a paridade do poder de compra. Ou seja: Temos um défict de 3.7 trilhões de dólares! Nada mais, nada menos do que uma Alemanha!

    Será que o modelo estatizante — ou o tal do “Estado Forte” — seria capaz de produzir uma Alemanha no menor período de tempo possível e aumentar a renda da população a níveis mais dignos? Quais países conseguiram aumentar a renda das suas respectivas populações usando um modelo estatizante?

    Até!

    Marcelo

  27. Jorge said

    Roberto Campos? Veja o que esse senhor dizia da Petrobrás. Hoje é Petrobrás é uma das maiores empresas do mundo e fundamental para a economia brasileira. Tívessemos feito o que Roberto Campos dizia e hoje seríamos um grande Haiti, país totalmente ligado aos EUA e sem Estado – e próspero, muito próspero.

    Neoliberais, voces precisam ajustar as contas com o passado. O que voces prometiam não aconteceu. Não há como fugir dessa realidade. Não adianta fingir que ainda estamos em 1990. Ninguém mais acredita nessa conversa fiada de livre mercado, mercado autoreguláveis, eficiência privada e ineficiência pública. Um amontoado de mentiras sem base na realidade, pura ideologia para concentrar riquesa.

  28. vilarnovo said

    Jorge – Perdoê-me mas a Petrobrás é fundamental em quê mesmo? Pelo que sei quem sustenta o superávit do governo é o campo e não a Petrobrás que aliás devido a sua ENORME eficiência voltou a importar petróleo (coisa que aliás, sempre o fêz).

  29. vilarnovo said

    Aliás, tem que acabar com essa ilusão, esse fetiche pela Petrobrás. Ela é apenas uma empresa que comercializa um produto igual a milhões existentes no país.

    Os “enormes” investimentos da Petrobrás tem como único beneficiário a própria Petrobrás. Quantas escolas a Petrobrás construiu? Quantos hospitais?

    O dinheiro destinado à cultura é devidamente descontado do IR.

    O próprio Orçamento da União, apelidado de PAC mostra isso. Os projetos apresentados como sendo “para o país” nada mais passam de investimentos da Petrobrás para a própria Petrobrás.

    Quando foi que vocês viram o governo federal tirar dinheiro do lucro da Petrobrás e colocar no Tesouro Nacional? NUNCA! E NUNCA verão isso acontecer pois a Petrobrás é uma SA e o governo federal possui apenas a maioria das ações com direito a voto. As ações ordinárias nem estão nas mãos do governo. Se um dia o governo quisesse tirar dinheiro do lucro da Petrobrás e colocar no Tesouro seria acusado de gestão fraudulenta.

    E olhe bem eu nem estou defendendo isso pois vide o desastre que está a PDVSA hoje que enfrenta diversos problemas.

  30. Olá!

    Ao, Pax:

    “Você cita o Roberto Campos e o próprio admite a participação do Estado. Educação básica, por exemplo, segundo ele neste própria entrevista que você linkou, deveria ser totalmente responsabilidade do Estado. A partir daí, que não define bem onde para, imagino que na 8a série, deve ser “partilhada”, ou seja, um misto entre privado e estatal, mas básicamente privado. […]”

    Sim, Pax, eu concordo com o Roberto Campos. Considero que o Estado deve ser forte naquelas áreas que ele listou (educação básica, saúde, segurança, justiça, relações exteriores e defesa nacional). O setor privado poderia participar também da educação básica e dos serviços de saúde. Educação secundária e superior poderia ser partilhado entre ambos também.

    “E o próprio Roberto Campos admitia a participação do Estado na economia. […]”

    Na entrevista, Roberto Campos afirma que o Estado deve participar da economia somente se as condições forem favoráveis. Nas palavras dele:

    Se o Estado tivesse recursos financeiros sobrantes e capacidade gerencial sobrante poderia considerar excursões em outras áreas. […]”

    “Mas, entre nós, me permito não ser um admirador do Roberto Campos não. Várias episódios de sua vida me parecem bastante questionáveis. Algumas delas:

    – Apoio ao golpe militar de 1964.
    – Apoio ao Maluf em sua candidatura à presidência em 1985
    – etc”

    É um direito seu, Pax. Pena que sua opinião seja tão unilateral e mal informada.

    Veja aqui neste vídeo como eram as conjunturas brasileira e mundial na época do Golpe de 1964 e as explicações pelas quais Roberto Campos se alinhou aos militares em meados dos anos de 1960.

    Sobre o apoio dado a Paulo Maluf (retirado da Wikipédia):

    “Votou em Paulo Maluf na eleição indireta para presidente da república em 15 de janeiro de 1985, argumentando ser adepto da fidelidade partidária ao candidato do PDS e alegando que o referido candidato adotaria uma política econômica alinhada aos princípios liberais e privatizantes que defendia, linha programática que, em sua visão, não corresponderia à administração do candidato da oposicão, Tancredo de Almeida Neves (PMDB), o vencedor do pleito.”

    Nessa época, o Roberto Campos era senador. Natural que um político apóie o candidato com quem tenha mais afinidades de implementação de programas de governo. Roberto Campos acreditava que o apoio a Maluf poderia ser uma oportunidade de implantar medidas liberais no Brasil.

    Marta Suplicy e o PT receberam apoio de Paulo Maluf, Pax. Mas vai ver o Maluf não presta apenas quando apóia os outros ou recebe apoio dos outros. É o duplipensar esquerdista. Ou como diria o poeta:

    “Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da Democracia e que o Partido era o guardião da Democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra ‘duplipensar’ era necessário usar o duplipensar.”

    Gostaria de saber o que seria o “etc.”, Pax.

    “Mas quer dizer que desgosto da visão do Roberto Campos que todas as estatais deficitárias deveriam ser extintas? Nem sempre. Não acho uma má idéia, a priori, mas entendo que não pode ser uma lei absoluta. Acredito que possam existir casos em que se admitiriam déficts sim. Aqui podemos abrir uma boa discussão, ao que me parece.”

    Qualquer empresa ineficiente merece um único fim: A falência e a liquidação. Se é ineficiente — isto é, não consegue gerar riquezas para sustentar a própria empresa — não merece estar no mercado oferecendo serviços, produtos e etc. Empresa estatal, na minha humilde opinião, não deveria existir, pois ninguém melhor do que a própria pessoa para cuidar do seu dinheirinho ganho a tanto esforço.

    “Como gerenciar empresas estatais para que sejam superavitárias e não virem cabides de emprego e portas para a corrupção é que me parece a chave da questão.”

    Eu acho isso muito complicado e considero que a pessoa que encontrar uma solução para um troço desses merece um Nobel de economia.

    Até!

    Marcelo

  31. Pax said

    Não há duplipensar algum. Nunca engoli o Maluf, a ditadura, nem engulo o Sarney, o Collor ou o Renan.

    E, bem, se estamos de acordo que empresas superavitárias podem, também, ser estatais, então vamos deixar a Petrobrás na mão do governo.

    A questão que o Vilarnovo colocou, que estamos importando gasolina, é conjuntural. As empresas privadas resolveram produzir açucar ao invés de álcool. Direito delas. Estão pouco se lixando com a equação energética nacional e sim, somente com o botom line de seus DREs e seus EBTIDAs.

    E puxa bem a questão que, em algumas áreas, admito a participação do Estado como produtora, como dona dos meios de produção. Este é um caso que apóio, como falei.

    Se há empreguismo na Petrobrás? Há sim. Se há problemas em algumas grandes obras? Há indícios fortíssimos que sim. Se isso justifica privatizá-la: não, minha opinião é que não.

    Este etc que você pergunta, Marcelo Augusto, já está parcialmente respondido com essa questão acima.

    Só para não deixar passar em branco: se você concorda que Educação, ao menos a básica, é uma função do Estado, eu proponho que a gente admita que inserir os jovens na internet é, sim, uma questão de Educação. Não é? Em outras palavras, supondo que você tivesse um filho, você não estimularia que ele aprendesse o quanto antes o bom uso da internet? Acho que sim.

    A partir dessa premissa a gente pode passar a discutir como providenciar a banda larga para a massa da sociedade.

  32. Zbigniew said

    Marcelo Augusto:

    “Algumas mudanças levam tempo” – mas o tempo necessário para que se crie condições de mercado e renda que possam proporcionar a universalização da banda larga, neste diapasão, está fora, digamos, da nossa “realidade temporal”.

    “Enquanto o nível de renda não mudar e o Brasil continuar a ser ineficiente na geração de riqueza, sempre haverá essa camada de pessoas que não terão acesso a serviços como Internet banda larga e coisas tais.” – Esse é o núcleo do raciocínio ideológico que diferencia o que pensa o governo lulista e a linha política adotada pelo PSDB. No fundo tem a ver com um sistema de um espécie de meritocracia da sociedade, com base em valores liberais, que espera a homogeinização da distribuição de renda, através do, digamos, Estado gerente, que “negocia” regras com seus pares privados, nem acima, nem eqüidistante, mas impulsionador desses mesmos interesses que, por si só, seriam suficientes para induzir ao desenvolvimento da sociedade. Mas só os valores liberais são suficientes para induzir o desenvolvimento no nosso atual estágio econômico e social? Já que o Estado é par, não poderia em casos de inação da iniciativa privada induzir o serviço ou mesmo assumí-lo, como subsidia certos setores “sensíveis” da economia?

    “A esquerda tem a “notável” “habilidade” de transformar tudo em ideologia, até mesmo Internet banda larga. Triste.” – O que é banda larga? Além do negócio é transmissão e acesso a conhecimento. Nesta seara, meu caro, o que mais predomina é ideologia.

    “A isenção total seria aplicada apenas nos serviços direcionados a esse público e os valores investidos nas obras poderiam ser abatidos dos impostos recolhidos pelo governo. É apenas uma sugestão.” – O caderno de investimentos atrelado ao FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) é isento, mas a verba sofre de “miopia de princípio”. Neste aspecto talvez o governo até ache melhor a ineficiência do sistema para que possa implantar seu projeto. Esse é um modelo que existe também nos EUA, sob o nome de Universal Service Fund (USF) e supervisão do Federal Communications Comission (FCC).

    Quanto a esta questão de direita e esquerda, é pano pra manga. Considero o governo uma social-democracia, mais ao centro na seara financeira, mas à esquerda na econômica e social.

    Iconoclasta:

    O sistema de agências, inclusive nos EUA em um determinado período, sofreu severas críticas, em face do seu poder normativo em favor dos fiscalizados, justamente pela “parceria ideológica” estar descambando quase para uma advocacia administrativa. Um governo mais a esquerda não adotaria tal sistema, principalmente num país em que as amarras normativas e as condições de mercado impediriam o acesso ao serviço no tempo que ultrapassaria o de uma vida humana.

    Vilanorvo:

    “Nossa formação como país, como povo, como nação não seguiu um modelo anglo-saxão protestante e sim um modelo ibero-católico. Faz parte de nossa colonização acreditar em uma entidade que deva preceder o indivíduo. E essa entidade para os brasileiros é o Estado.” – O Estado não deve preceder o indivíduo, mas em certas circunstâncias pode e deve assumir a linha de frente do desenvolvimento humano e econômico. Taí os que cobram iniciativas na educação, saúde e segurança; taí os que citam os subsídios dos diversos governos a setores deficientes. No fundo, amigos, não se trata de ser liberal ou estatizante, se trata de dinheiro e poder. Concordo que Weber ao citar a ética protestante como isenta de culpa e a favor do progresso sem a demonização da riqueza, facilitou o desenvolvimento de um pensamento progressista com base na livre iniciativa. E aí temos os grandes EUA. Mas isto não quer dizer que por sermos de origem íbero-católica estaremos sempre atrelados ao atraso ou ao apego ao Estado como ente salvador. Na realidade podemos achar um meio termo, sem afastar o importante papel que a iniciativa privada tem no desenvolvimento econômico, tampouco que o Estado possa ter, sempre que necessário. Afinal, hoje o Brasil e o mundo são bem diferentes do que eram no início do séc. XX.

  33. Olá!

    Ao Pax:

    “Só para não deixar passar em branco: se você concorda que Educação, ao menos a básica, é uma função do Estado, eu proponho que a gente admita que inserir os jovens na internet é, sim, uma questão de Educação. Não é? Em outras palavras, supondo que você tivesse um filho, você não estimularia que ele aprendesse o quanto antes o bom uso da internet? Acho que sim.”

    É um bom argumento, Pax. Mas eu discordo.

    A questão da alfabetização em informática poderia ser levada a cabo pelas próprias escolas, desde os passos iniciais do estudante no ensino básico, daí que seria a escola que proporcionaria toda a infra-estrutura (computadores, softwares, acesso à Internet, professores e etc.) para que os alunos aprendessem o básico sobre uso de computadores e coisas tais.

    Essa minha proposta é diferente de classificar como educação o fornecimento de Internet banda larga através de uma estatal. Considerar isso uma medida de educação é forçar demais a barra — na minha opinião.

    Até!

    Marcelo

    P.S: Pax, apague, por gentileza, o comentário #33. Faltou um pedaço de texto nele. Obrigado!

  34. vilarnovo said

    Zbigniew –

    “O Estado não deve preceder o indivíduo, mas em certas circunstâncias pode e deve assumir a linha de frente do desenvolvimento humano e econômico.”

    Ou seja, precedendo o indivíduo.

    Amigo, aprenda uma coisa: todo estado é autoritário por natureza, inclusive os democráticos. E outra coisa: o estado não é uma entidade supra-humana, altruista e dotada de poderes super naturais. Estado é composto por uma pequena parcela de seres humanos com ideias próprias e MUITO poder nas mãos. É ilusão achar que um pequeno grupo de pessoas consiga fazer o que toda uma sociedade não faz. Mas em contrapartida consegue atrapalhar e muito.

    Estados que “assumiram a frente do desenvolvimento humano” só realizarm genocídios filho. Saí fora dessa. Correndo.

    Estado não consegue fazer isso e muito menos fazer desenvolvimento econômico. Quando tenta mais atrapalha do que ajuda. Estado tem é que não atraparar as pessoas, isso sim.

  35. Pax said

    Vilarnovo,

    Não concordo com esta tua frase:

    Estado não consegue fazer isso e muito menos fazer desenvolvimento econômico.

    Nem mesmo o Roberto Campos diria uma coisa destas.

    Criou o BNDES, o FGTS, o SFH etc.

    Não seria melhor reformular?

  36. Zbigniew said

    Vilanorvo,

    não deve preceder, exceto em “certas circunstâncias”. De qualquer forma apenas algumas pessoas sempre terão que tomar decisões, e, sob esta ótica, os regimes democráticos são os menos autoritários, porque admitem a participação do povo através do voto, e por intermédio de instituições que promovem o exercício da cidadania e resguardam o direito das pessoas. Essas são tipicamente públicas.

    Há uma confusão enorme entre qual deve ser o papel dos atores transformadores da sociedade. Repito, não vejo problema nenhum que o Estado assuma o timão do desenvolvimento econômico e social em circunstâncias específicas, embora concorde que a condição ideal é a de promover a iniciativa privada na linha de frente, ora como parceiro, ora como ator indutor principal. Mas há um papel importante para o Estado.

    Não fosse assim como teria o Brasil saído desta última crise mundial, quando o mercado escondeu o crédito com medo da inadimplência? Quem assumiu a linha de frente do estímulo à economia, quando, inclusive, muitos agentes privados, irresponsavelmente, demitiram a rodo, tendo que readmitir logo depois? O próprio EUA teve que “estatizar” bancos e financeiras, num socorro desesperado pela falta de um marco regulatório do sistema financeiro, fruto de uma política irresponsável que adotou o neoliberalismo como religião de ocasião.

    Não à toa que o velho e bom keynesianismo olha de solsaio para os liberais mais deslumbrados e, meio boçalmente diz: não te avisei?

  37. iconoclasta said

    # 28, Pablo: “superávit do governo”.

    q superávit? fiscalmente o país é deficitário.

    # 29, o governo usa sim recursos provenientes dos dividendos da petr para cobrir o tesouro, e é controlador justamente por possuir a maior parte das ações ON.

    # 32, Zbig, e daí, qual o ponto? até agora vc nao respondeu. um governo q é incapaz de cumprir seu papel, vai se sair melhor como gestor de empresas?

    ;^/

  38. Zbigniew said

    Iconoclasta,

    vc considera cumprir o papel o fato do governo assumir uma estrutura que não foi por ele idealizada, e que, no caso do governo Lula, certamente não teria implementado. O das agências reguladoras. Pelo menos não desta forma.

    Na realidade não se trata de incapacidade (que deriva da gêneses das agências) mas de desinteresse.

  39. iconoclasta said

    # 38,

    cara, oq significa isso?

    vc diz q o atual governo tem desinteresse em cumprir seu papel de fiscalizador por causa da “estrutura que não foi por ele idealizada”.bem, supondo q isso seja verdade, é de qq forma descumprimento de seu dever, pois nao é uma escolha q lhe cabe, dado q o governo, goste ou não, está obrigado a seguir a lei.

    dai a gente segue, ainda dentro da sua logica: e se amanha o governo da ocasião se desinteressa por gerir a empresa, ou ainda, na suposição de q os atuais ocupantes do planalto sejam pessoas de primeira, se aqueles q vierem a ocupar tal lugar sejam ineptos, ou desonestos, ou ambos?

    ai eu volto ao ponto. vc diz, e eu concordo, as agencias nao funcionam, a fiscalização não funciona, mas qual empresa estatal funciona ou funcionou (Pareto)?

    ;^/

  40. Zbigniew said

    Não me fiz entender. Não se trata de fiscalização. O governo pode continuar a fiscalizar e regular por intermédio delas, mas não tem interesse de utilizá-las como elemento idutor do setor, no caso específico do PNBL. Isto porque não vem dando certo para o que ele quer. Levar a banda larga a quem não pode pagar pelos parâmetros da iniciativa privada.

    Há empresas estatais bem geridas. É verdade que o número é bem menor que o das privadas, até porque existem mais empresas privadas que estatais (graças a Deus!), mas ser estatal não é sinônimo, necessariamente, de incompetência.

    Se a Petrobrás é mal gerida, aponte onde. Se o BB é mal gerido, aponte onde. Se o BNDES não atua como um banco de fomento competente, aponte onde. Vale ressaltar que o melhor porto do Brasil é um porto público: Suape. Entre outros exemplos.

  41. Olá!

    “Estado não consegue fazer isso e muito menos fazer desenvolvimento econômico.”

    Discordo, Vilarnovo. O Estado consegue fazer desenvolvimento econômico. Porém, é um desenvolvimento ineficiente e nem se compara ao que o setor privado pode fazer — justamente pelo fato de a livre iniciativa ser mais dinâmica e menos dependente de burocracias das mais variadas em relação ao setor estatal.

    Os militares estatistas da ditadura fizeram desenvolvimento econômico, ainda que a um custo econômico e social elevadíssimo, fora todas as besteiradas que eles legaram para a posteridade resolver (como hiperinflação).

    Essa sua afirmação acima equivale, em essência, àquela afirmação do Pax de que o capitalismo é a única forma de gerar riqueza. O que é errado.

    “Não fosse assim como teria o Brasil saído desta última crise mundial, quando o mercado escondeu o crédito com medo da inadimplência? Quem assumiu a linha de frente do estímulo à economia, quando, inclusive, muitos agentes privados, irresponsavelmente, demitiram a rodo, tendo que readmitir logo depois? O próprio EUA teve que “estatizar” bancos e financeiras, num socorro desesperado pela falta de um marco regulatório do sistema financeiro, fruto de uma política irresponsável que adotou o neoliberalismo como religião de ocasião.”

    Mudar as regras no meio do jogo é injusto, Zbigniew. Querer que o setor privado brasileiro aja como os setores privados das economias realmente capitalistas, estando inserido em um cenário econômico que é, consideravelmente, hostil ao capital, é mudar as regras no meio do jogo. Sugiro que as regras sejam mudadas gradativamente em direção a medidas mais liberalizantes e receptivas à circulação da riqueza — coisa que não existe ainda no Brasil. Aí, sim, você poderá fazer esse tipo de exigência.

    Você esquece de dizer que o dinheiro fornecido pelo Estado brasileiro não foi produzido, em larga escala, por ele. Esse dinheiro veio das empresas e dos cidadãos que pagam impostos. Devolvê-lo aos seus donos nada mais é do que o caminho natural a seguir.

    A demissão será sempre um fator constante no capitalismo. Ela também possui sua função de regular a produção, as forças produtivas e etc. É um direito dos empregadores demitirem quando considerarem necessário, pois é melhor cortar funcionários em uma época de crise e esperar que a tormenta passe para que, mais tarde, tais funcionários encontrem novos empregos, do que mantê-los a um custo elevado para a empresa (admitindo um cenário de crise econômica), podendo levá-la, inclusive, à falência.

    Quanto à questão dos Estados Unidos, você a apresenta de uma forma muito simplista. Mostra apenas o resultado final que foi a tal da “estatização” de bancos e financeiras, sem dizer que, ainda por cima, utiliza uma ferramenta retórico-falaciosa ao evocar a palavrinha mágica “neoliberalismo”. É a típica explicação que eu esperaria receber em um sindicato CUT-petista. Triste.

    Sugiro dois artigos para termos os “dois” lados dessa história:

    01. Can’t Grasp Credit Crisis? Join the Club (New York Times)

    02. How HUD Mortgage Policy Fed The Crisis (Washington Post)

    Boa leitura.

    Até!

    Marcelo

  42. Zbigniew said

    Mudar as regras no meio do jogo? Que jogo? O que não é um a um? Só se ganha de um lado. Mas aí é culpa do governo se o serviço é mal oferecido, se é lento e se não chega ao pobre. Mas se o governo quer que chegue ao pobre, é mudança de regra de jogo, é ingerência indevida. E é… mas por um único motivo: dinheiro e poder.

    Quanto ao termo “neoliberalismo” que tanto melindra os estômagos mais sensíveis, rebata a falta de regulação dos mercados financeiros americanos, criticada inclusive pelo Presidente do Bradesco , o Sr. Trabuco, em entrevista à CBN e Carlos Alberto Sardemberg, quando, inclusive fez referências elogiosas às iniciativas do governo brasileiro.

  43. iconoclasta said

    #40,

    a empresa ser estatal significa ser, necessáriamente, burocrática, portanto, ineficiente.

    qts vezes o BB precisou ser capitalizado pelo estado para cumprir com suas obrigações? só de lembrança, assim ligeira, eu posso citar duas. e pq isso se deu? por causa do uso político, o mesmo tipo de utilidade q o fez participar do esquema do mensalao através da visanet.

    o BNDES utiliza recursos do FAT, q são sub-remunerados, para emprestar, com juros abaixo do mercado, principalmente a empresas capazes de obter recursos globalmente. ou seja, exatamente o oposto de uma politica distributiva, sua atuação é concentradora.

    a Petr, bem, essa joia… qt custou ao pais o gigantismo dessa empresa e seu monopolio? ah esta merece mais tempo…

    agora, pode um serviço sob gestão dos governos atender-nos? pode, eu considero q a comlurb atua de forma satisfatória, só não sei o custo disso.

    ;^/

  44. vilarnovo said

    Zbigniew – “Não à toa que o velho e bom keynesianismo olha de solsaio para os liberais mais deslumbrados e, meio boçalmente diz: não te avisei?”

    O que só faz os liberais chorarem de rir, pois a) essa crise passou longe de ser uma crise do liberalismo, sorry e b) os que se dizem keynesianos hoje fariam Keynes se ruborizar de vergonha por estar usando seu nome de maneira tão leviana.

  45. vilarnovo said

    Pax – Quem na verdade criou o BNDE(S) foi Getúlio Vargas. Aliás, seu comentário me fez rever algumas coisas que tenho sobre o Bob Fields…

    Cara, que falta que esse cara faz ao Brasil.

  46. vilarnovo said

    Revendo a entrevista do Roberto Campos no Roda Viva tem uma resposta ótima, bem caracteristica do Bob Fields.

    “Matinas Suzuki: Carlos Barzam, de Florianópolis, diz o seguinte: “Ao Ilustríssimo senhor Roberto Campos. Com base nos seus conhecimentos adquiridos quando seminarista não seria verdade que Deus não é socialista, pois criou o idiota e o inteligente”?

    Roberto Campos: Deus não é socialista não, os padres ficam muito frustrados, mas Deus foi um grande criador de desigualdades.”

  47. vilarnovo said

    Matinas Suzuki: Deputado, o Nairo Almere, jornalista de Belo Horizonte, escreve aqui o seguinte para o senhor: “A sua singular inteligência que proporciona leituras apaixonantes nos jornais de domingo parece sempre a serviço dos favorecidos com negócios que giram nas bolsas internacionais – Wall Street, Frankfurt, Hong Kong ou Tóquio. Nela cabe um alento aos nossos miseráveis? Nossos miseráveis encontram esperanças dentro da sabedoria de vossa excelência?

    Roberto Campos: Eu sempre fui preocupado com a pobreza brasileira. Dediquei toda a minha vida à cura da pobreza. A única divergência que existe entre mim e os caridosos bonzinhos é que eu acho que o mercado é a grande solução para a pobreza. Haveria país mais fadado à maior pobreza do que Hong Kong, que não tem nada. São rochas, numa ilha rochosa, sem sequer água. Hoje Hong Kong tem uma renda por habitante superior à da Inglaterra, a potência imperialista, metropolitana que colonizou Hong Kong. O que provocou o crescimento? O mercado! A liberdade competitiva no mercado. O mercado é o maior criador de riquezas. A minha divergência com vários dos esquerdosos brasileiros é que eles têm a obsessão de distribuir pobreza. Você tem que ter certa consideração com os elementos capazes de criar riquezas, o respeito ao criador da riqueza é o começo da solução da pobreza.

  48. Pax said

    Vilarnovo,

    Se o Roberto Campos não criou o BNDES então ele mente descaradamente no vídeo que o Marcelo Augusto colocou aí em cima.

    Nele o Ronerto Campos afirma que “eu criei o BNDES”

    E, só algumas críticas:

    – a crise 2008/2009 não foi do mercado incentivada pelo governo americano que queria bombar a economia com crédito e mais crédito que acabou em bolhas furadas? Fala mais um pouco sobre essa tua visão que não teve nada com o mercado, por favor.

    – bem, Hong Kong pode até ter lá suas particularidadas, mas e o resto? Por exemplo os EUA. Confesso a você que não gostaria nem um pouco que seguíssemos o caminho/modelo americano.

    Já se você falar no modelo Canadense, ou no modelo Sueco, ou algo desse gênero, a gente começa a conversar com minha aprovação.

  49. Olá!

    Aos que se interessarem pela leitura da transcrição da entrevista de Roberto Campos que o Vilarnovo citou, segue o link:

    Programa Roda Viva de 05/05/1997 – Roberto Campos.

    Até!

    Marcelo

  50. Zbigniew said

    Nao foi uma crise do liberalismo, mas os liberias mais deslumbrados nao se acanhariam com o prefixo “neo” adicionado ao epiteto. Claro que agora se escondem uma vez que defendiam a mao invisivel do mercado. Ai o mercado, bonzinho, todo serelepe, foi la e… pimba! A crise foi de um mercado nao regulado.
    Sim, keynes era liberal, mas de modo algum descartaria um modelo como o sueco e o canadense, aproveitando a deixa do Pax.

  51. Pax said

    Aqui está a parte do programa Roda Viva onde o Roberto Campos afirma que criou o BNDES:

    Roberto Campos: Essa idéia de que o governo é generoso, porque usa recurso do BNDES para auxiliar a empresa privada. De onde veio o BNDES? Eu fui o criador do BNDES, escrevi boa parte da lei, fui o primeiro diretor. O BDNES é um instrumento de extração de impostos para o governo. Se o governo nos devolve o comodato, está fazendo o seu dever, nada mais.

    E agora, caro Vilarnovo?

    Ou você se enganou, o que acontece, ou o Roberto Campos é mentiroso, o que também pode acontecer, afinal estamos falando de um político comum, e não de uma entidade com alguma divindade.

  52. vilarnovo said

    Ele esteve lá com o Getúlio, participou da criação mas quem criou foi o Getúlio.

    “- a crise 2008/2009 não foi do mercado incentivada pelo governo americano que queria bombar a economia com crédito e mais crédito que acabou em bolhas furadas? Fala mais um pouco sobre essa tua visão que não teve nada com o mercado, por favor.”

    O que eu falei foi que a crise não foi uma crise liberal. Existia um programa na TV a cabo chamado “Engenharia do Desastre”. Uma crise (ou desastre) dificilmente possui um motivo único. E essa não foi diferente.

    Se pudéssemos chamar essa crise por um nome seria “crise de percepção de risco”.

    Houve alguma quebra de lei? Não. O que faz uma mesma crise atingir países diferentes?

    Pois bem, desde muito tempo o sistema capitalista tem mudado com suas crises. Podemos dizer que tem se aprimorado. Muitos agentes econômicos pensam (ou melhor pensavam) que éramos agora imunes a uma crise sistêmica pois acreditavam nos controles criados e desenvolvidos.

    Mito 1: “fui uma crise causada pela falta de regulamentos”. Balela. Poucos mercados nos EUA são tão regulados como o bancário e o imobiliário. São inúmeras as instâncias “olhando” o mercado financeiro: FED, SEC e outras mais.

    Como aconteceu a quebra da percepção de risco?

    Primeiramente devemos voltar a dois personagens que com o governo Obama sumiram dos noticiários que foi a Freddie Mac e a Fannie Mae. Essas duas empresas, apesar de privadas, funcionavam praticamente como para-estatais, recebendo recursos do governo e garantias implícitas (depois veremos que se tornaram explicitas) sobre o seu funcionamento. Essas empesas nos EUA são chamadas de government sponsored enterprises (GSEs). E são utlizadas mais ou menos como os governos no Brasil utilizam as Estatais, como “financiadoras” de “políticas públicas” (o que é, impressionantemente mais verdade nos EUA que no Brasil).

    Essas empresas receberam em 2000 cerca de $ 13 bilhões de dólares em subsídios (nada liberal) e possuiam uma linha de crétido do Tesouro Nacional por volta de $ 2 bilhões (nada liberal).

    Em um discurso no congresso americano o Senador liberal Ron Paul afirmou:

    “(…)Mais importante, a linha de crédito é uma promessa em nome do governo de uma transferência enorme, inconstitucional e imoral da renda dos americanos em suportes do débito do GSE.”

    “(…)A conexão entre o GSEs e as ajudas do governo isola a gerência do GSE da disciplina do mercado. Este isolamento da disciplina do mercado é a causa origem dos relatórios recentes da gestão fraudulenta que ocorrem em Fannie e em Freddie.”

    Sabe quando foi escrito isso?? Em 2003. Está aqui para todos lerem.

    http://www.lewrockwell.com/paul/paul128.html

    P.S.: Nunca aprendi a usar esses códigos de HTML…

    Mas o trecho mais importante é, e novamente, indico que esse pronunciamento foi realizado em 2003, por um liberal, no Senado Americano:

    “Ironically, by transferring the risk of a widespread mortgage default, the government increases the likelihood of a painful crash in the housing market. This is because the special privileges granted to Fannie and Freddie have distorted the housing market by allowing them to attract capital they could not attract under pure market conditions. As a result, capital is diverted from its most productive use into housing. This reduces the efficacy of the entire market and thus reduces the standard of living of all Americans.”

    Deixei em inglês para o impacto mas vou traduzir:

    “Ironicamente, ao transferir o risco de uma quebra generalizada nas hipotecas, o governo AUMENTA A PROBABILIDADE DE UMA QUEBRA NO SETOR DE IMÓVEIS. Isso porque os privilégios especiais garantidos à Freddie Mac e Fannie Mae distorceram o mercado imobiliário permitindo que atraissem capital que não conseguiriam atrair no mercado competitivo. Com o resultado, o capital é onde é mais produtivo para o setor imobiliário (Nota minha: nasce uma bolha). Isso reduz a eficiência do mercado e com isso reduz o padrão de vida de todos os americanos.”

    Mais…

    “Despite the long-term damage to the economy inflicted by the government’s interference in the housing market, the government’s policy of diverting capital to other uses creates a short-term boom in housing. Like all artificially-created bubbles, the boom in housing prices cannot last forever. When housing prices fall, homeowners will experience difficulty as their equity is wiped out. Furthermore, the holders of the mortgage debt will also have a loss. These losses will be greater than they would have otherwise been had government policy not actively encouraged over-investment in housing.”

    Na verdade eu recomendo que TODOS pudesse ler esse discurso, que repito, foi feito em 2003, por um liberal, por um republicano, no Senado dos EUA, em pelo governo republicano de Bush.

    Tenho que sair agora.

    Grande abraço.

  53. vilarnovo said

    Pax – Você não está me entendendo. Quis dizer que foi o Getúlio pois foi no governo do Getúlio.

    Roberto Campos não está mentindo…

    P.S.: Corra e procure a ISTO É de hoje. Soltou uma bomba, conseguiu dar uma barriga enorme na VEJA. O escândalo do Direceu é fichinha comparado ao que está na ISTO É.

    Dinheiro público bancou mensalão e contas do Fórum Social Mundial, diz revista

    http://noticias.uol.com.br/politica/2010/02/26/dinheiro-publico-bancou-mensalao-e-contas-do-forum-social-mundial-diz-revista.jhtm

  54. Pax said

    Já fiz um post sobre isso, caro.

  55. vilarnovo said

    Véio, a bomba é nuclear!!!!!!

    “De acordo com a publicação, Pimentel remeteu ao exterior recursos que acabaram usados para pagar dívidas do PT com o marqueteiro Duda Mendonça. O ex-prefeito da capital mineira teria relações com o empresário Glauco Diniz Duarte e com o contador Alexandre Vianna de Aguilar, que enviaram ilegalmente, segundo o Ministério Público Federal, cerca de US$ 80 milhões aos EUA.

    Desses, US$ 30 milhões teriam sido depositados nas contas da empresa Gedex International, de propriedade de Diniz. Esse dinheiro teria origem, de acordo com o Ministério Público mineiro, no superfaturamento de um contrato assinado por Pimentel com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) para instalar um circuito de câmaras nas ruas da cidade. Na época, diz a revista, Diniz dirigia a CDL.

    Em depoimento à CPI instaurada para investigar o caso na época, Mendonça admitiu ter uma conta com R$ 10 milhões não declarados nos EUA, enviados pelo PT.”

    Essa eu vou comprar.

  56. Glynis said

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