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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Plínio pode unir PSOL, PSTU e PCB

Posted by Pax em 02/03/2010

Dia 11 de abril o PSOL decidirá quem será seu candidato à presidência em outubro. Plínio de Arruda Sampaio, que completa 80 anos em julho, pode ser o indicado pelo partido. Com ele aumentam as chances de apoio do PSTU e PCB.

Nesta hipótese a esquerda brasileira, socialista, entraria unida nas eleições.

Plínio de Arruda Sampaio - foto da Wikipédia

Leia a notícia de ontem da Folha de São Paulo:

PSOL deve lançar Plínio de Arruda candidato à Presidência

Como sabemos, as posições mais extremadas, tanto à direita quanto à esquerda, hoje, são forças políticas menores no cenário nacional.

O centro, de um lado um pouco mais à esquerda (PT com PMDB e outros aliados) e outro um pouco mais à direita (PSDB com DEM e PPS) são os núcleos que formam as correntes políticas mais importantes.

No fundo os dois principais partidos, os que dividem o governo, ao menos nos últimos 16 anos, são o PT e o PSDB que não diferem tanto em suas visões programáticas. E ambos cedem às velhas oligarquias para crescerem em seus volumes e obterem mais força política no Congresso que se vende fácil a quem estiver governando.

O que acaba gerando as distorções em ambos, PT e PSDB, desconfigurando suas personalidades partidárias. No fundo nenhum dos dois, hoje, representa alguma visão programática de fato. O fisiologismo destruiu suas caras. O PMDB, o maior de todos os partidos, não nos deixa mentir.

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17 Respostas to “Plínio pode unir PSOL, PSTU e PCB”

  1. Anrafel said

    Disparado o melhor nome do PSOL, evitando, inclusive, sacrificar eleições certas como Chico Alencar e Heloisa Helena à Câmara Federal.

    Plínio, com seu imenso prestígio pessoal e político, pode atrair votos de uma parcela da esquerda e centro-esquerda no primeiro turno, aquela mesma que vai votar em Dilma no segundo turno e sabe que é praticamente impossível a não realização deste.

  2. Jorge said

    Lamento. Plinio e o Psol deveriam apoiar Dilma e toda a esquerda sulamericana que deseja sua vitória. E Dilma ganhar no primeiro turno seria importante, pois ela entraria fortalecida nas negociações com os partidos políticos no congresso, junto a mídia. Quem sabe o Psol não reconsidera e fortalece a esquerda no PT.

  3. fk said

    É. Mas Dilma não é candidata da esquerda.

    E que negociações? O fiel da balança -PMDB- já vai estar no barco sedento por cargos e com a vice presidência.

  4. Carlão said

    Pax
    = entrevista Plínio de Arruda Sampaio ou WTF is this?=

    Heloísa Helena defendeu publicamente o apoio do PSOL à candidatura de Marina Silva à presidência. No entanto, o partido foi em outra direção. Por que não ocorreu um acordo entre o PSOL e o PV?
    Eu me opus fortemente a esse acordo, que eu considero um erro político. O PSOL é um partido que está se lançando na vida pública brasileira, após uma enorme derrota da esquerda, após um enorme impacto do fracasso do PT como um partido socialista. Então, ele é um partido em formação e, portanto, um partido que ainda não tem uma identidade própria. Não convém a um partido como esse, na segunda eleição que disputa, já fazer uma grande aliança com todo mundo. Veja, o Lula só foi fazer uma aliança com a direita em 2003, até então ele só fez aliança na esquerda, porque você precisa primeiro criar a sua identidade e depois você pode fazer aliança. O Mao Tse Tung fez aliança com o Chiang Kai-shek, mas ninguém havia de imaginar que o Mao Tse Tung estava virando capitalista. Agora, se ele no primeiro ano da fundação do partido comunista chinês, já fizesse uma aliança, acabava. Então foi esse o argumento que eu usei e que foi o argumento vitorioso na conferência do partido. Porque que não pode com a Marina? Porque a Marina é da direita. Ela pode ser uma direita moderada, uma direita que vai mais para o centro, isso tudo você pode admitir, mas ela não está no campo popular, ela não está no campo da classe trabalhadora, ela está no campo da ordem estabelecida, no campo portanto do PT, do PMDB, do PSDB, e ela está no partido que é governo em todos os Estados, inclusive aqui em São Paulo.

    Hoje, em março de 1957, eu Carlinhos, só lamento que o grande lider Plinio tenha esquecido de citar o camarada(companheiro) Ho-chi-Min, herói de Die Bien Phu…
    Quanta injustiça do camarada(companheiro)Plinio.

    Carlinhos
    Tenho 5 anos e minha professora se chama Ritinha…

  5. Pax said

    Carlão,

    Assim como existe a extrema direita, neoliberal e revolucionária, existe a extrema esquerda, socialista e revolucionária.

    Como vivemos numa democracia, todos têm direito ao Sol.

    Mas existe um certo conforto que nenhuma dessas posições extremas são fortes no cenário político nacional, em minha opinião. Onde quero chegar? Que o caminho do centro me parece muito mais factível. E parece que o país entendeu isto a partir dessa nossa nova fase democrática, que tem aproximadamente 3 décadas.

    E teremos muitas outras décadas para aprimorar o que está aí, que muitas vezes nos incomoda sobremaneira. A mim, principalmente, no tema principal do blog: a corrupção.

  6. Carlão said

    Pax
    Estou mal informado sobre este assunto.
    Extrema Direita, neoliberal e revolucionária? Organizadas em algum partido brasileiro? Onde?

  7. Jorge said

    Fk, Dilma é candidata da esquerda sim. O Pmdb pode chegar mais ou menos forte ao governo. Hoje está mais fraco, pois a Dilma mostrou que tem fôlego para crescer. Caso tenha grande apoio entre outros partidos, o peso do Pmdb, diminui. Por isso também é importante uma grande bancada do PT, PSB, PCdoB, PDT. O Psol poderia se unir à essa frente trabalhista, em sua ponta esquerda – PDT, na direita.

  8. fk said

    Que outros partidos? O único partido capaz de dar um apoio substancial à Dilma de forma que ela prescinda do PMDB é o PSDB e, sinceramente, nessa carta eu não aposto.

    A força do PMDB não vem só de sua bancada gigantesca, mas, principalmente, por causa do coronelismo que aplica em centenas de prefeituras rincões afora.

    A prova da força do PMDB vai vir com o vice, escolha na qual o partido tem muito mais força do que Dilma. Não pense que ela pode ficar vetando vices ad infinitum, principalmente quando esses são caciques do partido.

    No mundo ideal, o vice seria Henrique Meirelles, em uma manobra igual àquela de quando Lula escolheu o Alencar. Não vai ser pq o PMDB não quer.

  9. Pax said

    Fk,

    Acho que você coloca muito bem a situação.

    Bate com o que penso. Infelizmente é isso mesmo.

    A aliança que poderia ser mais lógica e menos venal aos cofres públicos, na minha opinião, seria a do PT com o PSDB. Por mais que tenhamos críticas fundadas sobre os dois.

    Mas, como você, nesta carta não aposto. Mas sinto, muito.

    E o que acontece é o que disse no post:

    No fundo os dois principais partidos, os que dividem o governo, ao menos nos últimos 16 anos, são o PT e o PSDB que não diferem tanto em suas visões programáticas. E ambos cedem às velhas oligarquias para crescerem em seus volumes e obterem mais força política no Congresso que se vende fácil a quem estiver governando.

    O que acaba gerando as distorções em ambos, PT e PSDB, desconfigurando suas personalidades partidárias. No fundo nenhum dos dois, hoje, representa alguma visão programática de fato. O fisiologismo destruiu suas caras. O PMDB, o maior de todos os partidos, não nos deixa mentir.

    É duro, mas me parece a mais pura realidade. E, com ela, lá se vão ministérios e as chaves dos cofres públicos para o espaço. Os mensalões estão aí que permitem essa opinião.

  10. Elias said

    Além do que, a consolidação do PT como um partido de centro-esquerda resulta de um processo histórico.

    Os grupos políticos que formam o PSOL, o PSTU e, agora, uma parte do PV, estavam, até há algum tempo, no PT. Participavam, portanto, da formação da fisionomia política do partido, e de sua construção ideológica, política e programática.

    Nos sucessivos embates internos, esses grupos foram perdendo espaço no partido, até que preferiram se retirar dele e partir para suas próprias construções partidárias (no caso das correntes que formaram o PSOL e o PSTU), ou aderir a siglas já existentes (no caso do grupo de Marina).

    Pergunta-se: por que esses grupos perderam terreno dentro do PT?

    Resposta: porque representam parcelas mínimas da sociedade brasileira.

    No PT, a luta interna ocorre em 2 níveis. Um deles é o chamado interno propriamente dito: ocorre dentro do partido, na disputa pela hegemonia de suas instâncias de deliberação; o outro é externo ao partido: é uma disputa que acontece na sociedade, cujo resultado é a conquista de militantes para cada grupo, de votos para os candidatos que cada grupo lança aos cargos eletivos, etc. Nisso consiste, em grande medida, a dialética petista.

    Um grupo político que consegue arregimentar mais militantes, elege uma quantidade maior de vereadores, deputados estaduais e senadores, etc, tende a ficar cada vez mais forte dentro do partido. Quem arregimenta menos militantes e elege menos candidatos, tende a ficar mais fraco. Perde espaço.

    Esse tipo de disputa reflete, de fato, a maior ou menor aceitação de uma determinada proposta política pela sociedade brasileira.

    Nos primeiros anos de vida do PT a coisa se processava de modo diferente. Como o PT praticamente não elegia ninguém, a disputa política e ideológica se restringia ao plano interno do partido.

    Uma corrente de pensamento que era minoritária na sociedade — na realidade, a sociedade nem tomava conhecimento da existência dessa corrente — poderia até se tornar majoritária em certas áreas do partido. Acabava exercendo grande influência na construção programática e na própria imagem que o partido projetava para a sociedade.

    Se o PT fosse um partido leninista (partido de quadros), a coisa poderia continuar assim.

    Acontece que, desde a fundação, o PT se encaminhou no sentido de se constituir como partido de massa. Vai daí que suas correntes internas só podem aspirar à hegemonia no partido, se essa hegemonia resultar de um maior aceite junto à sociedade. Em português de botequim: é preciso ter voto.

    Esse processo todo, a meu pensar, é que está por trás e ao fundo da mudança de fisionomia do próprio PT.

    Enquanto a fixação dessa fisionomia não dependeu da aprovação social, ela pôde ser livremente esculpida à imagem e semelhança de grupos que, no frigir dos ovos, só representavam a si mesmos.

    À medida que o partido começou a efetivamente representar não panelinhas político-ideológicas, mas parcelas reais e expressivas da sociedade, sua fisionomia se modificou, deslocando-se da esquerda para o centro-esquerda.

    É isso que boa parte das principais lideranças dos grupos minoritários tem imensa dificuldade de aceitar. No fundo, essa atitude também expressa uma certa dificuldade em conviver e interagir com quem pensa diferente. Há um nome pra isso, né?

    Daí a dificuldade desses grupos, por força de suas lideranças, em estabelecer aliança com o PT.

    Alheios a essas picuinhas tribais, os eleitores desses mesmos grupos tendem a votar no PT, notadamente no 2º turno das majoritárias.

    É a regra: à medida que a democracia se consolida, o eleitorado tende a se revelar mais sábio que as suas pretensamente mais sábias elites políticas.

  11. Pax said

    Posso fazer um post com esta tua análise, Elias?

  12. Elias said

    Sem problema, Pax.

    Mas seguem, como sempre, algumas correções.

    “Além do quê, a consolidação do PT como um partido de centro-esquerda resulta de um processo histórico.

    Os grupos políticos que formam o PSOL, o PSTU e, agora, uma parte do PV, estavam, até há algum tempo, no PT. Participavam, portanto, da formação da fisionomia política do partido, e de sua construção ideológica, política e programática.

    Nos sucessivos embates internos, esses grupos foram perdendo espaço no partido, até que preferiram se retirar dele e partir para suas próprias construções partidárias (no caso das correntes que formaram o PSOL e o PSTU), ou aderir a siglas já existentes (no caso do grupo de Marina).

    Pergunta-se: por que esses grupos perderam terreno dentro do PT?

    Resposta: porque representam parcelas mínimas da sociedade brasileira.

    No PT, a luta interna ocorre em 2 níveis. Um deles é o chamado interno propriamente dito: ocorre dentro do partido, na disputa pela hegemonia em suas instâncias de deliberação; o outro é externo ao partido: a disputa que acontece na sociedade, cujo resultado é a conquista de militantes para cada grupo, de votos para os candidatos que cada grupo lança aos cargos eletivos, etc. Nisso consiste, em grande medida, a dialética petista.

    Um grupo político que consegue arregimentar mais militantes, elege uma quantidade maior de vereadores, deputados estaduais e senadores, etc, tende a ficar cada vez mais forte dentro do partido. Quem arregimenta menos militantes e elege menos candidatos, tende a ficar mais fraco. Perde espaço.

    Esse tipo de disputa reflete, de fato, a maior ou menor aceitação de uma determinada proposta política pela sociedade brasileira.

    Nos primeiros anos de vida do PT a coisa se processava de modo diferente. Como o PT praticamente não elegia ninguém, a disputa política e ideológica se restringia ao plano interno do partido.

    Uma corrente de pensamento que era minoritária na sociedade — na realidade, a sociedade nem tomava conhecimento da existência dessa corrente — poderia até se tornar majoritária em certas áreas do partido. Acabava exercendo grande influência na construção programática e na própria imagem que o partido projetava para a sociedade.

    Se o PT fosse um partido leninista (partido de quadros), a coisa poderia continuar assim.

    Acontece que, desde a fundação, o PT se encaminhou no sentido de se constituir como partido de massa. Vai daí que suas correntes internas só podem aspirar à hegemonia no partido, se essa hegemonia resultar de um maior aceite junto à sociedade. Em português de botequim: é preciso ter voto.

    Esse processo todo, a meu pensar, é que está por trás e ao fundo da mudança de fisionomia do próprio PT.

    Enquanto a fixação dessa fisionomia não dependeu da aprovação social, ela pôde ser livremente esculpida à imagem e semelhança de grupos que, no frigir dos ovos, só representavam a si mesmos.

    À medida que o partido começou a efetivamente representar não panelinhas político-ideológicas, mas parcelas reais e expressivas da sociedade, sua fisionomia se modificou, deslocando-se da esquerda para o centro-esquerda.

    É isso que boa parte das principais lideranças dos grupos minoritários que se retiraram do PT, tem imensa dificuldade de aceitar. No fundo, essa atitude também expressa uma certa dificuldade em conviver e interagir com quem pensa diferente. Há um nome pra isso, né?

    Daí a dificuldade desses grupos, por força de suas lideranças, em estabelecer aliança com o PT.

    Alheios a essas picuinhas tribais, os eleitores desses mesmos grupos tendem a votar no PT, notadamente no 2º turno das majoritárias.

    É a regra: à medida que a democracia se consolida, o eleitorado tende a se revelar mais sábio que as suas pretensamente mais sábias elites políticas.”

  13. fk said

    “É isso que boa parte das principais lideranças dos grupos minoritários que se retiraram do PT, tem imensa dificuldade de aceitar. No fundo, essa atitude também expressa uma certa dificuldade em conviver e interagir com quem pensa diferente. Há um nome pra isso, né?”

    Se entendi bem, isso foi uma crítica aos grupos minoritários que vazaram, certo? Se foi, tenho uma crítica a essa passagem.

    O último “cisma” petista deu-se com a formação do PSol, e aqui estamos falando muito menos de uma facção intransigente que resolveu pular fora do que de uma facção dominante, essa sim que se demonstrou intransigente e disposta e vender a alma para o diabo.

    O Campo Majoritário -um nome genial para uma facção- quando tomou o poder no PT agiu como um trator, arrasando qualquer tipo de discordância política existente dentro do partido. A meu ver, isso eliminou a característica mais interessante do partido, que era a existência do diálogo interno. Esse movimento à centro-esquerda não significa apenas um deslocamento ideológico, mas sim uma maior aproximação do partido em relação caciquismo que tanto impera no seu agora quase semelhante PSDB.

  14. Elias said

    FK,
    Não foi uma crítica aos grupos, mas a lideranças desses grupos.

    De modo geral, os grupos são permeáveis. A impermeabilidade existe mais no nível das lideranças (quase sempre, em causa própria).

    O “diálogo interno” é um eufemismo para “luta interna”.

    Em política o que existe é luta pelo poder. Quem faz política, está, sempre, lutando pelo poder. Para conquistá-lo, mantê-lo ou ampliá-lo, tanto faz… Se o cara não está lutando pelo poder não está fazendo política.

    O diálogo ou o confronto se subordinam a esse propósito, segundo as circunstâncias, as expectativas dos envolvidos, as estratégias, etc.

    No PT, claro que houve (e continua havendo) uma intensa luta pela hegemonia.

    Nada tenho a ver com o Campo Majoritário, mas dizer que esse grupo arrasou com qualquer tipo de discordância interna é um evidente exagero. As discordâncias internas existem — e como! — até hoje.

    Claro que o CM é a força determinante nos rumos tomados pelo PT, e eu, pessoalmente, tenho muitas discordâncias em relação a esses rumos.

    Agora, acho que seria desonesto de minha parte negar a legitimidade dessa hegemonia. Eles e conquistaram porque são, realmente, majoritários dentro do partido e obtêm maior aceitação de suas propostas políticas junto à sociedade (tanto que elegem mais vereadores, prefeitos, deputados, senadores, etc).

    Algumas lideranças de grupos da assim chamada “extrema esquerda” se portam como se fossem profetas de uma nova era. Como se tivessem visto a luz…

    Pode até ser que tenham (eu duvido!). O problema é convencer as pessoas disso.

    Até hoje não convenceram, salvo uma escassa minoria.

    Vai daí…

  15. fk said

    A impressão -e isso é só impressão- é que o diálogo interno no PT hoje só existe pró-forma, pra dizer que há consultas as bases de maneira não apenas para referendar a cacicada, mas também para apresentar propostas. A questão é: há mesmo esse diálogo dentro do PT?

    O que me parece é que os radicais que ainda não sairam do PT não o fizeram por pragmatismo: é melhor ser um radical marginalizado em um grande partido do que um radical com voz em um micro-partido. Cada um com a sua, mas a minha consciência não permitiria a primeira hipótese.

    Uma coisa é hegemonia e, concordo com vc, procurá-la é um dever político; outra é o grupo hegemônico aos poucos liquidar os divergentes ou dar a eles apenas uma ou outra posição cala-boca. Eu vejo o diálogo interno no PT estrangulado, e isso é ruim para o partido e para o Brasil.

  16. Elias said

    FK,
    No PT, nenhum grupo político pode “liquidar” com outro.

    Se um determinado grupo se fortalece junto à sociedade, conquista mais militantes, elege mais parlamentares, ele ganha mais força dentro do partido, e não há quem possa impedir isso.

    Agora, se uma corrente de pensamento se revela incapaz de crescer politicamente, a tendência é que essa corrente se veja enfraquecida e seja derrotada nos embates em que ela se envolver. Isso ocorrerá nos sindicatos, nas associações de moradores, no partido e na própria sociedade em geral.

    Na dinâmica petista, em tais circunstâncias, restam a essa corrente de pensamento as alternativas de aliar-se a outras para ganhar mais expressão, submeter-se às decisões da maioria ou, eventualmente, retirar-se do partido.

    Em diferentes épocas e contextos, cada uma dessas 3 alternativas tem sido escolhida por diferentes grupos.

    Houve mesmo correntes de pensamento que decidiram se dissolver dentro do PT. Foi o caso do PRC, cujos militantes e dirigentes aderiram a outras correntes, permaneceram no PT sem vinculação a nenhuma corrente ou até romperam seus vínculos com o partido.

    Mas a dissolução do PRC não aconteceu por interferência de qualquer outra corrente petista. De fato, ela decorreu do debate interno entre seus próprios membros. Eles simplesmente romperam com o marxismo-leninismo (isso bem antes da queda do muro de Berlim). Nessas circunstâncias, não havia mais sentido em manter o grupo.

    Se nós resolvermos classificar rigidamente a interação entre esses grupos nas categorias “diálogo” e “disputa”, em diria que o diálogo é mais comum quando dos embates com os adversários do PT.

    Aí as diferentes correntes dialogam e colaboram mutuamente no sentido de derrotar os adversários. No mais, é disputa, é luta interna. O PT é, assim, o resultado de uma espécia de média, produzida pelas lutas internas.

    No passado, alguns críticos do PT diziam que esse partido jamais iria muito longe. Ele sempre seria um partido fraco, por causa das tais “disputas intestinas”.

    O tempo mostrou que essas disputas não só não destruíram o PT nem impediram seu crescimento, como também proporcionaram a ele uma apreciável experiência em negociação política (que já não era estranha ao PT, por sua origem em sindicatos e associações).

    Daí porque a revista Veja costumava repetir (como um alerta aos seus simpáticos), que “a negociação política está no DNA do PT”.

  17. Pax said

    O drama do blogueiro… quis focar a discussão num post exclusivo, aproveitando a capacidade de análise do comentarista e dos colegas que o chamam ao debate. Mas a discussão fica no post original.

    cosas del bandonion

    E, no fundo, uma vontade de mudar o layout deste blog. Uma hora faço isso. Um post que merece discussão maior deveria ter um espaço melhor e não entrar no scroll do “First In First Out” inerente a esse tipo de layout que uso.

    Depois do “preâmbulo reclamatório sobre as vicissitudes de blogar”…

    Elias,

    O mais interessante é que o PT realmente virou um partido grande depois que se moveu ao centro, abandonando o ideal marxista-leninista. Só que este posicionamento é, muitas vezes, ambíguo. O discurso descola da prática. Mas a prática de permanecer grande precisa do discurso. Há uma espécie de “paradoxo ambulante”, mais que uma “metamorfose ambulante”.

    Hoje entendo que há uma certa esquizofrenia entre ambos (prática e discurso). E confesso que fico incomodado do PT não determinar logo uma nova cara que possa ser entendida, principalmente definindo as bandeiras que quer empunhar. Quais são elas?

    Para provocar a discussão, usaria uma parte do post do Alon de hoje, que é muito bom. Aqui: “Um soco em boa hora”http://www.blogdoalon.com.br/2010/03/um-soco-em-boa-hora-0503.html

    Tomo a liberdade de reproduzir a parte que mais gostei:

    Qual é a maior tragédia nacional? Todos têm uma opinião. Na minha modesta, é a distância galáctica entre, de um lado, a beleza de escola frequentada pelo filho do rico e do classe média e, de outro, a tristeza da “escola” oferecida ao filho do pobre. Se você discorda dessas minhas aspas, assista “Pro dia nascer feliz”.

    Querem uma segunda desgraça? A expansão ainda muito lenta da rede de água e esgoto para as regiões que o eufemismo nacional chama de “carentes”. Uma terceira? A deplorável situação do transporte coletivo nas grandes cidades. Metrô escasso e ônibus caindo aos pedaços, enquanto empresários espertos, além de muito bem relacionados e sortudos em licitações, faturam os tubos.

    Uma quarta? A impunidade crônica dos autores de crimes de morte. O Brasil é o país da boa relação custo-benefício para o homicida. Especialmente se é “de menor”.

    Discordo do Alon somente por ele não elencar a corrupção nestas quatro prioridades. Mas é puxar a brasa para minha sardinha.

    No fundo ele define uma leque de bandeiras que parece muito apropriado:

    Educação para todos. E, aqui, não consigo ver diferente: tem que ser o Estado mesmo. Não acredito que a iniciativa privada vá resolver a situação.
    Saneamento básico para todos (água, esgoto etc). Idem – Estado.
    Transporte Coletivo nas grandes cidades – bem, é um bom ponto, e aqui já não acho que o Estado precise ser dono dos meios, mas, com certeza, o regulador. Só lembro que aqui sabemos que existem corrupção de Norte a Sul.
    Impunidade para crimes de morte – bem, creio que o Alon quer abranger Segurança Pública de forma geral e pegou somente um de seus pontos. Mas é uma excelente bandeira, como já falamos em post anterior.

    Por fim, já teve muito petista que não teve a mesma paciência que você, que parece entender que apesar das minhas enormes críticas com relação às questões éticas e morais, respeito o PT, mais ainda respeito vários dos governos que faz em todos os âmbitos, Federal, Estaduais e Municipais.

    Mas, claro, sempre me permitindo as críticas. Diria coisa semelhante, por exemplo, do PSDB.

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