políticAética

Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

  • Sobre o blog

    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
  • Categorias

  • Arquivos

  • Páginas

  • Meta

A migração do PT rumo ao centro

Posted by Pax em 04/03/2010

O PT migrou ao centro num processo histórico como explica o comentarista Elias, um petista desde sua fundação.

O texto abaixo foi reproduzido com autorização do autor, a quem agradeço.

Elias:

A consolidação do PT como um partido de centro-esquerda resulta de um processo histórico.

Os grupos políticos que formam o PSOL, o PSTU e, agora, uma parte do PV, estavam, até há algum tempo, no PT. Participavam, portanto, da formação da fisionomia política do partido, e de sua construção ideológica, política e programática.

Nos sucessivos embates internos, esses grupos foram perdendo espaço no partido, até que preferiram se retirar dele e partir para suas próprias construções partidárias (no caso das correntes que formaram o PSOL e o PSTU), ou aderir a siglas já existentes (no caso do grupo de Marina).

Pergunta-se: por que esses grupos perderam terreno dentro do PT?

Resposta: porque representam parcelas mínimas da sociedade brasileira.

No PT, a luta interna ocorre em 2 níveis. Um deles é o chamado interno propriamente dito: ocorre dentro do partido, na disputa pela hegemonia em suas instâncias de deliberação; o outro é externo ao partido: a disputa que acontece na sociedade, cujo resultado é a conquista de militantes para cada grupo, de votos para os candidatos que cada grupo lança aos cargos eletivos, etc. Nisso consiste, em grande medida, a dialética petista.

Um grupo político que consegue arregimentar mais militantes, elege uma quantidade maior de vereadores, deputados estaduais e senadores, etc, tende a ficar cada vez mais forte dentro do partido. Quem arregimenta menos militantes e elege menos candidatos, tende a ficar mais fraco. Perde espaço.

Esse tipo de disputa reflete, de fato, a maior ou menor aceitação de uma determinada proposta política pela sociedade brasileira.

Nos primeiros anos de vida do PT a coisa se processava de modo diferente. Como o PT praticamente não elegia ninguém, a disputa política e ideológica se restringia ao plano interno do partido.

Uma corrente de pensamento que era minoritária na sociedade — na realidade, a sociedade nem tomava conhecimento da existência dessa corrente — poderia até se tornar majoritária em certas áreas do partido. Acabava exercendo grande influência na construção programática e na própria imagem que o partido projetava para a sociedade.

Se o PT fosse um partido leninista (partido de quadros), a coisa poderia continuar assim.

Acontece que, desde a fundação, o PT se encaminhou no sentido de se constituir como partido de massa. Vai daí que suas correntes internas só podem aspirar à hegemonia no partido, se essa hegemonia resultar de um maior aceite junto à sociedade. Em português de botequim: é preciso ter voto.

Esse processo todo, a meu pensar, é que está por trás e ao fundo da mudança de fisionomia do próprio PT.

Enquanto a fixação dessa fisionomia não dependeu da aprovação social, ela pôde ser livremente esculpida à imagem e semelhança de grupos que, no frigir dos ovos, só representavam a si mesmos.

À medida que o partido começou a efetivamente representar não panelinhas político-ideológicas, mas parcelas reais e expressivas da sociedade, sua fisionomia se modificou, deslocando-se da esquerda para o centro-esquerda.

É isso que boa parte das principais lideranças dos grupos minoritários que se retiraram do PT, tem imensa dificuldade de aceitar. No fundo, essa atitude também expressa uma certa dificuldade em conviver e interagir com quem pensa diferente. Há um nome pra isso, né?

Daí a dificuldade desses grupos, por força de suas lideranças, em estabelecer aliança com o PT.

Alheios a essas picuinhas tribais, os eleitores desses mesmos grupos tendem a votar no PT, notadamente no 2º turno das majoritárias.

É a regra: à medida que a democracia se consolida, o eleitorado tende a se revelar mais sábio que as suas pretensamente mais sábias elites políticas.”

Anúncios

18 Respostas to “A migração do PT rumo ao centro”

  1. Zéantonio Lahud said

    Elias,

    Um único comentário: Brilhante!!!

  2. vilarnovo said

    Bom mesmo…

  3. Pax said

    Contribuindo com o post do Elias, realmente bom, vai uma fresquinha da minha pesquisa cotidiana sobre a política nacional, dessa vez envolvendo o protagonista do post, o PT:

    Agnelo reclama de fogo amigo do PT
    http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=32056&cod_canal=1

    Realmente o PT é formado de uma quantidade enorme de forças. Mas, como já dito no post anterior, quem hoje está por cima da carne seca é o Campo Majoritário.

    Que é formado por antigos participantes do partido. Alguns deles acabaram perdendo o apoio de uma enorme parcela da classe média, a tradicional esquerda que hoje também não se identifica com nenhuma corrente socialista pura. Mas que, também, não engole as composições do PT no governo, em especial com o pior do coronelato do PMDB.

    Enfim. Crítica que pode ser feita de forma muito parecida com o PSDB quando se aliou ao PFL (hoje DEM) no segundo governo do FHC.

    Cosas del bandonion, como diriam alguns.

  4. Zéantonio Lahud said

    Pax,
    E voltando no tempo, aqui no Rio, Brizola se aliou aos chaguistas, seguidores de Chagas Freitas.A História teima em se repetir…até quando?

  5. Jorge said

    boa análise. contudo, o PV está à direita do PT, basta notar que são aliados do Psdb em São Paulo e do DEM na cidade de São Paulo, além de Zequinha Sarney e Gabeira.

  6. Chesterton said

    nessa velocidade vai acabar à direita da direita…..

  7. Carlão said

    Elias grato pela explicação,achei muito instrutiva.
    Uma única pergunta:

    Por que Dilma?

    Desculpe. Duas vai?

    O PT está feliz com essa escolha ou não? Existem discussões internas ou quem decide é o “Lula locuta causa finita”

    Pergunto isso por que O centro ao qual você se refere soa-me como centralismo das decisões.Posso estar enganado.
    Embora dirigido ao Elias vale para todos que quiserem se manifestar a respeito.

    abs.

  8. Elias said

    Carlão,

    Não sei de nenhuma articulação séria dentro do PT, no sentido de se propor uma candidatura alternativa à Dilma.

    Lembro, aliás, que, no momento em que Dilma adoeceu, a reação da maior parte do partido foi de perplexidade. Não se havia pensado na eventualidade de ser necessário lançar outra candidatura.

    Claro que, pela inexperiência de Dilma em campanhas eleitorais, a candidatura dela causou certa apreensão inicial. Seu desempenho nas pesquisas, entretanto, praticamente detonou com essa apreensão.

    Acho que ela vai fazer uma bela campanha. Será uma adversária bem mais difícil de enfrentar do que julgam os oponentes. Pelo que sei dela, aliás, a maior parte das análises que os adversários fazem de Dilma reflete mais um desejo que uma constatação.

    Se os adversários realmente forem por onde sinalizam que irão, poderão ter algumas surpresas de bom tamanho pela frente.

  9. vilarnovo said

    Elias – Há de considerar que a campanha na televisão ainda não aconteceu. A subida de Dilma foi até agora, bancada mais pela propaganda antecipada do governo com intenso uso da máquina.

    Concordo contigo em vários pontos, mas para mim, a campanha são irá iniciar quando a Dilma começar a falar por ela mesmo e não ser apenas o Papagaio de Pirata do Lula.

    Aí sim teremos um quadro mais estável para avaliações.

  10. Chesterton said

    eu quero ver um debate televisivo com a Dilma.

  11. Anrafel said

    Um primor de clareza e objetividade.

    Tudo o que faltava naquelas brigas, às vezes insanas, dos primeiros anos entre Libelu, Convergência, O Trabalho e tantas outras.

  12. Elias said

    Vilarnovo,

    Toda a campanha de Dilma terá como base o apoio e a popularidade de Lula.

    Se ela vencer — e creio que vencerá — os adversários dirão que quem venceu as eleições não foi ela, mas Lula.

    Em certa medida, estarão corretos. Não será a 1ª vez que algo parecido acontece, no Brasil e em outros países.

    Se um determinado partido tem um governante que encerra seu mandato com mais de 80% de aprovação, é burrice não usar isso pra eleger o sucessor. Não sei de nenhum grupo político que, em situação igual ou parecida, não tenha pelo menos tentado fazer o mesmo.

    Na realidade, o índice de aprovação do Lula acaba dando pouco espaço pra operar policitamente. O próprio PSDB já ensaia um discurso de “continuidade”. É o que se depreende dos mais recentes pronunciamentos do José Serra.

    É um lance perigoso, mas compreendo o embananamento. O PT enfrentou algo parecido, na reeleição do FHC.

  13. vilarnovo said

    Elias – Mas o PT não pode errar a mão. Você está certíssimo sobre a participação de Lula na campanha, porém se Dilma não se apresentar por ela mesmo (coisa que até agora não fez) corre o risco de mais na frente o eleitorado se tocar que quem está na disputa é Dilma e não Lula e aí babau.

  14. Elias said

    Vilarnovo,

    O mote será “continuidade sem continuísmo”. Não exatamente com essas palavras (de triste memória, né?), mas será por aí.

    Pelo andar da carroça do Serra, aliás, parece que até o PSDB quer embarcar nessa!

    Quanto à Dilma, não creio que ela terá dificuldade em se encaixar na dinâmica de uma campanha. Ela é inteligente e veterana em disputas políticas (está na estrada desde anos anos 1960). Deve ter participado de alguns milhares de debates com platéia micro, pequena, média e grande. Enfim, nada disso é, assim, tão novo pra ela.

    Estou curioso pra ver como ela se comportará nos debates na TV.

    Ao contrário do Lula, que dificilmente explode em público, Dilma tem a fama de ter pavio curto (e ela tem, mesmo). Quero ver como ela vai administrar isso. A tendência é que ela seja doutrinada pra se segurar, mas bem que gostaria de presenciar uns toques mais agressivos.

    No mais — e independentemente do resultado — espero que a volta por cima que ela deu na doença, pra entrar numa disputa duríssima como é uma eleição presidencial, inspire um monte de mulheres sensacionais que conheço, e que ainda estão meio que pra baixo, depois de terem sido agredidas pelo mesmo mal.

  15. vilarnovo said

    Elias – É a única escapatória do PSDB. Impressiona como os tucanos e petistas correm atrás do rabo. Foi a mesma coisa com o PT pós FHC.

    Sobre Dilma discordo um pouco. Não questiono sua inteligência, mas Dilma nunca participou de campanhas e tenho lá minhas dúvidas sobre os debates. Sempre foi pessoa dos bastidores, nunca esteve nos holofotes. Apesar de ter se saído muito bem no Senado, mas também com a levantada de bola que deram à ela…

  16. Elias said

    Vilarnovo,

    Já presenciei a participação de Dilma em alguns debates. Pelo menos em 2 deles, a platéia e os debatedores eram bastante hostis.

    Ela se saiu bem. Tinha um monte de informações memorizadas e soube aproveitar os erros dos oponentes.

    No palanque a coisa muda de figura. É aquele mar de gente e, por vezes, da um “branco”. O principiante esquece tudo.

    Mas, no palanque, a coisa funciona assim: o candidato tem um discurso pra cada semana. Aí o discurso é repetido em vários comícios, com as variações de praxe, só pra inserir citações à localidade onde o comício acontece.

    É uma chatice acompanhar candidato e ter que ouvir o mesmo discurso 10 ou 15 vezes em uma semana…

    Às vezes, o discurso “da semana” é praticamente o mesmo da semana anterior. É o que acontece quando a fala é boa e foi bem recebida.

    Além disso, nos comícios, o vento sopra sempre a favor. O público tá lá pra apoiar. Você diz qualquer coisa e… aplausos!

    Se a pessoa leva algum certo jeito pra coisa, na primeira semana, depois de uns 15 comícios, faz aquele discurso até dormindo…

    Tem gente que nunca havia participado de campanha eleitoral. Aí mete a cara, e se revela um tremendo(a) palanqueiro(a).

    Repito: de político, você pode esperar qualquer coisa. Principalmente o inesperado.

  17. Carlão said

    Elias

    E esse rolo da Bancoop enlameando o PT. Algum esclarecimento?

  18. Elias said

    Carlão,

    Esclarecimento?

    Tenho um: não tenho nada a ver com isso!

Faça seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: