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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Política Br – uma grande análise

Posted by Pax em 12/04/2010

A análise do momento político nacional por Luiz Felipe de Alencastro numa entrevista concedida ao jornalista Diogo Viana do Valor Econômico é uma pérola de lucidez.

A dica peguei no twitter de Ricardo C., do excelente blog Ágora com Dazibao no meio

Dois pontos que gostaria de provocar discussão:

Valor: A oposição está desarticulada?

Alencastro: Desarticulada e sem discurso político coerente, e isso é ruim para o Brasil. Como ela vai se reorganizar? E vamos extrapolar: se perder São Paulo e o Rio Grande do Sul, acaba como força política nacional. Um desequilíbrio tamanho entre os partidos é problemático. Novamente, o exemplo americano: fico impressionado não só com o radicalismo, mas com a histeria. Obama é chamado de Anticristo… O Brasil pode enveredar por aí. Brasil e Estados Unidos são países conservadores e precisam ter um partido conservador à altura. A desarticulação da direita não é bom sinal. É preciso uma alternativa conservadora que mantenha a insatisfação no jogo eleitoral. Foi isso que o PT fez na esquerda. Ainda no tempo da ditadura, recolheu o sindicalismo apartidário, a franja próxima da luta armada, que tinha sido desmantelada, e a militância cristã, que não tinha onde se expressar eleitoralmente. Isso fez a força do PT.

Valor: O PT sofreu mutações desde que Lula foi eleito.

Alencastro: O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência. Tarso Genro disse que a candidatura Dilma cresceu no vazio que se criou dentro PT, e tem razão. O próprio Tarso, em 1997, foi pré-candidato contra Lula. Imagine se hoje isso seria possível! Existe um problema de sobrevivência para o PT pós-Lula. O movimento mais forte do Brasil no século XX, o varguismo, esgotou-se quando Lula foi para o segundo turno em 1989, batendo Brizola e puxando o eleitorado trabalhista. O PT também pode se desarticular porque perdeu o debate interno. Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas. Perdeu, depois sumiu. Ninguém mais ouve falar nele, nem se sabe o que ele pensa. A ausência de debate interno pode transformar o PT num partido amorfo, corroído pelo empreguismo e o clientelismo político.

Parabéns ao Diego Viana pela excelente entrevista e obrigado ao Ricardo Cabral pela dica em seu twitter.

E sugiro com veemência a leitura completa neste link: A política pós-Lula

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19 Respostas to “Política Br – uma grande análise”

  1. Pax said

    Quando se lê uma análise política como essa ou alguma crônica do mestre Villas-Bôas Corrêa é que se tem absoluta certeza que uma massa de pseudoanalistas políticos histéricos (e/ou à serviço) não valem o que comem.

  2. Mona said

    Ao que me parece, essa entrevista é objeto de bons comentários no NPTO.

  3. Jorge said

    ele está errado sobre o PT. Ele está errado sobre não existir oposição e muito menos, sobre uma direita desorganizada – a direita é muito organizada aqui no Brasil! Tem até representantes no PT, como o Pallocci. Mesmo com o sucesso inquestionável de Lula a direita tem candidato e ele tem visibilidade eleitoral – cerca de 40% dos votos. Acontece que o governo Lula foi realmente ótimo para os padrões brasileiros e, assim, terá continuidade como ocorre em toda parte aonde há democracia – Inglaterra, França, Alemanha…

  4. fk said

    Com todo o respeito, Jorge, mas dizer que PSDB e Palloci são de direita é querer forçar muito a barra ideológica…

    Centro, até admito. Centro-direita, alguns tucanos. Mas direita, direita mesmo?

    A política nacional caminha, na verdade, para um grande centrão. Não sou eu quem digo, mas sim as pesquisas feitas pelo site Congresso Aberto. Dá uma procurada e vc vai ver.

  5. Elias said

    Conheço um porradal de filiados ao PT que assinaria embaixo de boa parte das declarações do entrevistado. Eu incluso.

    Ele está corretíssimo ao apontar o estabelecimento da candidatura de Dilma no vazio que se formou dentro do partido.

    É a velha regra: em política não existe espaço vazio. Qualquer vazio que se forme é, imediatamente, preenchido por alguém. Para o bem ou para o mal.

    Alguns analistas políticos vivem enchendo o saco com a história de que Dilma foi enfiada goela abaixo do partido. Pura flatulência!

    Ora, se não fosse ela seria qualquer outro, pelo mesmo processo. O fato é que, em todo o PT, ninguém se credenciou para ocupar esse espaço. Fez-se o vazio. Lula o preencheu do melhor modo que pôde. Se ele não fizesse isso, seria cobrado pelo resto da vida.

    Mas faço algumas restrições à análise do entrevistado. É certo que Gushiken, Palocci e Dirceu representavam, de certo modo, uma “vida própria” do partido, independentemente da liderança de Lula.

    Mas o fato da simples “decapitação” dos 3 ter esvaziado essa característica é sintoma de que a tal vida não era tão “própria” quanto imagina o entrevistado. Num partido como o PT, a “vida própria” não pode depender de 3 ou 4 pessoas.

    Disse o velho Nicolau que, para se bem considerar a natureza da montanha, melhor se postar na planície. E vice-versa.

    Bem, da planície onde nasci, vivo e hei de morrer, ouso afirmar que o debate político não acabou dentro do PT. No PED 2009 a disputa foi acirrada em vários áreas de grande concentração da militância, com candidatos de correntes à esquerda disputando o 2º turno.

    Se isso vai ou não evoluir é algo que só o tempo dirá. Mas é um indício.

    O fato é que, pela primeira vez em sua existência, o PT está sendo cobrado “de fora pra dentro”, nos seus próprios termos. A insatisfação com o modo como a atividade político-partidária é exercitada, está deixando de se limitar a parcelas minoritárias da sociedade — ditas mais politizadas — e tende, cada vez mais a se generalizar.

    O projeto “ficha limpa” é um poderoso exemplo disso, em especial porque foi concebido, gestado e parido sem nenhuma interferência de qualquer partido político. O projeto se consolidou não graças a partidos políticos, mas independentemente e, a bem da verdade, a despeito deles. Isso não é comum no Brasil.

    Nas pesquisas eleitorais, a insatisfação com a corrupção ganha espaço cada vez maior na percepção das pessoas sobre quais os mais graves problemas do país.

    Até a direita cobra do PT um mínimo de coerência com os princípios fundantes do partido (como se ela, a direita, tivesse algum compromisso com esses princípios…).

    Mas o fato é que, ao fazer a cobrança, com o evidente propósito de enfraquecer o PT, a direita pode estar contribuindo para fortalecê-lo.

    É o que acontecerá se o partido encarar o desafio e fizer jus a ele (e a si mesmo).

    Difícil? Sim, mas não impossível.

    Se não for assim — e espero que não seja — o PT logo será mais um na longa lista dos que têm apenas um passado pela frente…

  6. Pax said

    Grande Elias. Mais não preciso dizer.

    Caro Jorge, tendo a concordar com o fk e complemento o raciocínio com a análise do Elias, que no fundo quer dizer, segundo meu entendimento:

    Sim, o PT de agora com certeza não é o PT de antes. E afirmo isso do apanhado mesmo, ou seja, das várias correntes que existem dentro do partido e do que posso apurar não sendo filiado, nem militante, nem mesmo profundamente informado.

    E a liderança de hoje, a que venceu as duas últimas eleições internas, representa o tal PT que hoje é muito questionado de fora para dentro, posição na qual me encontro. Se vai cair a ficha ou se o modelo da atual executiva é o que vai prevalecer, seja pela minha torcida ou pela minha intuição, é o que vai definir o futuro ou o não futuro do partido.

    Pode se tornar um PMDBzão, sim, mas pode resgatar sua essência, ao menos nas questões de ordem moral. É esta que foi por água abaixo e é esta que aparece para quem está de fora.

    Como bem disse o Elias, essa posição contrária ao Projeto Ficha Limpa é um bom exemplo de um descaminho no sentido de resgatar a cara desfigurada que o partido hoje tem.

    E… veja, para desespero dos que torcem por uma boa política, qual a posição que toma com relação ao assunto? Perde boa parte da classe média mais politizada com essa oposição ao Ficha Limpa.

    E aí o que acontece é que vai depender dos currais eleitorais do povo mais carente que está vivendo melhor e de uma militância absultmente acabrestada e pouco pensante. Mas até o povo mais carente acaba sendo inundado de notícias da corrupção. Ou seja, a posição não é sólida.

    Enfim, o assunto é longo, nem sempre fácil de engolir, mas saudável pacas.

  7. Jorge said

    FK, sem problemas, o ponto é definir de antemão o que se entende por direita. é sempre em relação ao que se considera esquerda ou mais a esquerda. Para mim o governo Lula é de centro-esquerda e acho que é o possível para o Brasil. Mas o Pallocci é liberal. Alckim em 2006 também. Serra em 2010, idem. Mercado e menos Estado, menos gastos públicos, menos aposentadoria, menos ensino público, etc. Há prefeitos do PT entusiastas da terceirização da saúde. Lamentável.

    Elias, a Dilma foi construída com o apoio dos petistas, não contra eles. Ela é PT faz tempo.

    Pax, o PT, no estado de SP tem a preferência de 25% do eleitorado.Demonstra enraizamento do partido e sinal de que expressa os anseios de grande parte da população. Acredite, o PT irá permanecer referência no Brasil, estruturando o debate político, por muito tempo, como a socialdemocracia alemã. A mídia, quando critica e denuncia o PT com justiça, faz bem ao partido, impede a cristalização de esquemas corruptos e lembra lideranças autistas da importância da militancia. Devia fazer o mesmo com o Psdb, pois faria bem aos tucanos também. O Brasil mudou, o PT tinha de mudar tambem, senão, nem mesmo teria chegado a presidência.

  8. Elias said

    Jorge,
    Claro que a candidatura da Dilma está sendo construída com apoio dos petistas. Não é esse o ponto que estamos discutindo.

    Mas, vejamos: no PT, há uma clara distinção entre petistas “técnicos” e petistas “políticos”. Volta e meia pinta um ou outro “anfíbio”, mas isto não é muito comum. O ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, hoje no PSOL, é um exemplo de “anfíbio”: combina participação nas disputas eleitorais com sólida formação acadêmica e contínua atuação técnico-profissional. Não são muitos com esse perfil.

    Já a Dilma Roussef sempre se concentrou muito mais em atuar como técnica. Não se tem notícia de sua participação em disputas eleitorais, nem mesmo no plano interno do partido.

    Ao longo dos últimos anos, a área política do PT produziu governadores, prefeitos, deputados federais e senadores. Mas nenhum deles se credenciou para ocupar, por si mesmo, o espaço que, hoje, pertence à Dilma.

    Se você sabe de alguém que tenha alcançado essa condição, por favor me diga, porque eu desconheço.

    Essa circunstância deve ter algum significado, não?

    Não disse que a candidatura da Dilma é “contra” o PT, nem é disso que trata a nossa discussão.

    Falávamos do vazio que se formou no PT e o próprio surgimento da candidatura de Dilma é a mais eloquente e irrefutável demonstração de que esse vazio se estabeleceu.

    Negar isso não ajuda muito. Significa acreditar que todo mundo fez tudo certinho e não há o quê corrigir. É o caminho mais rápido para o nada.

    Por que esse vazio de lideranças nacionais? A explicação mais óbvia passa pelos escândalos de 2005, etc e tal.

    Não subestimo a influência dos escândalos de 2005, mas acho que o buraco é noutro lugar. Mesmo sem os escândalos, esse vazio se estabeleceria. Antes dos escândalos, o vazio já se prenunciava.

    A tentativa de Raul Pont (pós-escândalos) não deve ser levada a sério, porque, pra muita gente — e com fundadas razões — ela pintou como uma iniciativa marcadamente oportunista. Aquele negócio de achar que a presa está moribunda e se posicionar pra fazer a festa com a carniça (na prática, uma aplicação equivocada da teoria dos espaços vazios). Aí a presa não morre e…

    Não admira que ele tenha submergido.

    Tem mais coisas, muito mais coisas, aí, pra se discutir…

    No mais, acho que a Dilma fará um excelente governo. Sinceramente, acho que ela fará melhor que o Lula, embora sem os mesmos índices de popularidade.

  9. Pax said

    Acredito que Palocci era uma das lideranças que poderiam ter emergido, até que se enrolou com o Francenildo e sua posição política atual é de um telhado de cristal.

    E vocês que são mais bem informados poderiam me dizer se é fato ou boato que Zé Dirceu era outra liderança que queria emergir, mas que Lula sentia certa ameaça com relação a isso.

    Confesso que não sei, me parece mais boato que fato. Alguém tem mais informação.

    Dilma, se eleita, fará um bom governo? Talvez. Vai ter que aprender rápido o que é ouvir, negociar etc. Idem ibidem para o Serra.

    Se tivesse que dizer em uma frase para cada um dos dois:

    – Dilma parece ter mais visão estratégica, mas não tem experiência.

    – Serra tem experiência, mas não parece ter lá muita visão estratégica.

    E ambos são muito queixo-duro para a pancadaria que é ser presidente de um país como o Brasil.

  10. Jorge said

    Elias e Pax, lideranças não surgiram porque o PT ainda está em construção e canalizou todos os seus esforços para eleger o Lula. Jacques Vagner será uma, se vencer novamente na Bahia. Marta Suplicy seria uma, se tivesse sido eleita governadora ou mesmo reeleita prefeita. Marina Silva seria uma, não tivesse deixado o partido. Poderia ter enfrentado Dilma em uma previa, como Suplicy fez em 2002. Olívio Dutra seria uma tivesse sido reeleito governador do Rio Grande do Sul. Pallocci e Zé Dirceu seguramente queriam ser a Dilma de hoje, para mim, felizmente, não o foram. Patrus Ananias talvez construa seu nome, mas antes, precisa vencer em Minas Gerais.

  11. Elias said

    Certo, Jorge.

    O próprio fato da Marta não conseguir se reeleger, dá uma medida de suas limitações. Vale o mesmo para o Olívio Dutra (em que pese o apreço que tenho por ele) e demais citados.

    Ou, então, posso dizer: o Varejeiras do Boteco-Bar Quitéria, valorosa equipe de Madureira, seria um dos grandes clubes cariocas, se conseguisse se profissionalizar, passar pra 1ª divisão e vencer campeonatos.

    Estamos falando de política. Não cabe o condicional “seria”.

    Fato: não foram forjadas lideranças nacionais. Abriu-se um vazio. E, em política, não se admite espaço vazio. Ponto.

    Dificilmente Palocci se firmaria dentro do partido como liderança capaz de mobilizar para uma presidencial. Sua recusa em flexibilizar os juros, queimou o filme dele.

    Repito: a ausência de Palocci preenche uma lacuna na equipe do Lula.

    Dirceu é outro que teria problemas. Tremendo articulador, com uma capacidade de liderança simplesmente espetacular. Carismático. Mas atrai simpatias e antipatias extremas dentro do próprio partido. Dificilmente unificaria pra uma presidencial.

    Creio que, nas atuais circunstâncias, a esmagadora maioria dos petistas considera que a esclha de Dilma foi acertada.

    Nos últimos anos, fiquei observando como ela se sairia com o PAC. Acho que ela foi bem.

    Não é moleza colocar um programa como o PAC pra rodar. O(a) infeliz tem que lidar com um monte de variáveis absolutamente fora de seu controle. É o município inadimplente junto ao TCU, ao TCE e ao TCM, e que, por isto, não pode receber repasses voluntários. São os Estados sobrecarregados por terem que assumir os pepinos dos municípios inadimplentes. É a recusa do empresariado em investir de seu bolso, pro PAC, mais à frente, subsidiar a compra da casa (PAC-Mercado), e por aí vai.

    De cara, imaginei que o PAC necessitaria de, pelo menos, uns 6 ou 8 anos pra rodar com as 4, porque mexe muito com o modo tradicional de se gerir investimento público no Brasil.

    Pelo que vi, o programa já está produzindo bons resultados, e produzirá muito mais, se tiver continuidade.

    Acho que Dilma se saiu bem, como coordenadora desse rabo de foguete em escala nacional. Imagino a barra que deve ter sido…

    Do ponto de vista da capacidade administrativa, acho que ela não deixa nada a desejar.

    Na área da articulação e negociação política, a essa altura da dança ela já deve ter concluído seu doutorado. De mais a mais, é bom lembrar que o PT emergiu dos movimentos sociais. Negociar está no DNA do partido. Para um petista “técnico” ou “político”, negociar é algo tão natural quanto respirar.

    Quanto ao fato do PT ser um partido em construção… certo! Sempre! Estamos falando de dialética, né?

    Agora, em quase 3 décadas de existência, ter forjado somente uma liderança de expressão nacional é um pouco…. digamos, excessivo, não acha?

  12. Carlão said

    Pax
    Em briga de nhambú, guandú não mete o bico…mas
    gostaria de entender seu pensamento ao escrever:
    – Dilma parece ter mais visão estratégica, mas não tem experiência.
    – Serra tem experiência, mas não parece ter lá muita visão estratégica.
    Quais são os fatos que dariam alguma validade ao seu pensamento?
    Estou curioso prakct!
    Não seja acanhado Pax…mande brasa!
    abs.

  13. Jorge said

    Carlão, pode piar, aqui é um espaço democrático!

    Elias, as lideranças não surgiram porque os adversários do PT também querem forjar lideranças e chegar ao poder. Não houve vácuo. Houve disputa e derrota. Ou seja, o PT tentou forjar lideranças, mas elas foram ceifadas, independente da vontade do partido. Seria diferente se Olívio tivesse sido reeleito e convidado a sair do PT.

  14. Pax said

    É isso mesmo, Jorge, obrigado por entender perfeitamente a posição do blog e por fazer parte da discussão de forma tão honesta e democrática, além de inteligente pacas.

    Aqui é um espaço que quer incentivar todas as vozes. Seja de que lado for. E que elegia e bate (mais bate que elogia) todos os lados também.

    Carlão,

    Vamos lá: não vejo em Serra um permanente discurso sobre futuro, visão de longo prazo, projeto para o país. E não é de hoje e não é uma opinião somente minha. Tive, recentemente, com empresários graúdos de São Paulo, gente com quem tive o privilégio de trabalhar. Acham a mesmíssima coisa.

    Dilma, de outro lado, tem esse discurso. Se gostamos ou não é uma outra questão. Mas, como eu afirmei, ela carece de experiência política mesmo. Nota-se por alguns de seus movimentos estaduais e algumas gafes, muito bem apontadas pelo Villas-Bôas Corrêa, um experiente jornalista político. Não compartilho de todas as opiniões do Villas, mas com certeza o leio todos os dias.

    Jorge e Elias,

    Excelente esta discussão de vocês, mas gostaria de colocar uma pimenta neste caldeirão. O PT tem uma direção nacional e ela é paulista. Só que o PT cresceu e gerou filhos estaduais que hoje são adolescentes, quase adultos, que querem vida própria, querem trabalhar, ganhar espaço, ter casa própria e sair “de casa” – a tal casa paulista que parece um tando “mandona”. Um excelente exemplo é o PT do Maranhão, onde o PT nacional, paulista, entende que deve apoiar a candidatura de Roseane Sarney por conta da aliança nacional, mas o PT maranhense, formado de gente aguerrida que sempre combateu o coronelismo do Sarney, não quer apoiar Roseane. Este é um exemplo de vários.

    E aí fica a questão: com esses movimentos regionais de PTs crescendo e querendo seu lugar ao Sol, qual será o futuro do PT? O que a direção nacional paulista quer ou que outro arranjo poderia acontecer?

    Minha opinião é que se a direção nacional paulista do PT forçar demais a barra, aí mesmo que o PT se desconfigura e vira um PMDBzão, num certo sentido, ou algo que o valha.

    Aqui entendo que mora uma discussão boa e para mais de metro.

  15. Elias said

    Jorge e Pax:

    O PT forjou excelentes lideranças de expressão local, e elas não foram ceifadas. Continuam existindo — e até se fortalecendo, em alguns casos — como lideranças de expressão local.

    Nenhuma dessas lideranças — pelo menos até o momento — se dispôs a se tornar liderança de expressão nacional.

    Para isso, é necessário uma vontade política férrea e não menor nem menos forte capacidade de renúncia.

    Veja-se, como exemplo, o próprio Lula: ele foi eleito deputado federal com uma votação expressiva e, se quisesse, poderia continuar acumulando mandatos.

    Em vez disso, Lula abriu mão de reeleições tranquilas, e passou a percorrer o Brasil, conversando, debatendo, ouvindo e, acima de tudo, conhecendo e aprendendo.

    Isso numa época em que o PT não tinha estrutura, não tinha grana. Sei muito bem como eram financiadas essas viagens, até porque um tanto desse custo veio parar no meu bolso, assim como nos bolsos de um montão de outros filiados.

    Uma liderança de expressão nacional não se forma em cima do nada. É preciso trabalho duro e vontade política. Muita vontade política! Garra! Tesão!

    É isso que está faltando, Jorge.

    O carinha quer ser liderança nacional, mas também quer o prato pronto; o cavalo domado, treinado e selado, paradinho na porteira, só esperando por ele… Quer resolver tudo num único período eleitoral e só na base da propaganda. Na boa: quer que a condição de liderança nacional desça por gravidade e se acomode gostosamente no seu colinho…

    Então, tá! Vai morrer com a boca cheia de formiga, como se dizia no passado.

    Devagar, mas sempre, o eleitorado brasileiro está se politizando. E, à medida que for se politizando, irá se tornando cada vez mais exigente.

    Pra que um(a) sujeito(a) tenha chance de se tornar presidente, será cada vez mais necessário, que ele ou ela tenha varado o país de ponta a ponta, conhecido os problemas de cada pedaço a partir de sua própria observação, colhido em primeira mão elementos de convicção, desenvolvido essa convicção e construído um discurso capaz de verbalizá-la adequadamente.

    Não dá pra fazer isso sentado confortavelmente em um escritório de Brasília, né?

    Jorge, é preciso dar uma sacudida nessa poeirada velha e fedida. É preciso desarrumar o arrumado e incomodar os acomodados.

  16. Elias said

    Jorge e Pax,

    As contradições entre os acordos regionais e os de âmbito nacional, num país como o Brasil, sempre vão acontecer.

    Ainda há pouco li a notícia de que o Pará é um dos Estados problemáticos para as alianças políticas que Dilma necessita costurar.

    É isso mesmo. Aqui no Pará, o PT ganhou as eleições para o governo do Estado com o apoio do PMDB do Barão de Barbalhão (ou Anhanga, como se diz no Pará). Claro que o PMDB recebeu uma participação no governo, mas a direção política é do PT. E o PMDB não é o PT nem vice-versa.

    Claro, também, que isso gerou insatisfações em certas áreas do PMDB. Querem uma fatia maior do governo, mas sabem que o PT não deve, não quer nem vai dar. Vai daí, a permanente queda de braço.

    Jader não se move em vão. Ele tem, claramente, um projeto político, e obra por ele. Acontece que, projeto por projeto, o PT-Pará também tem o seu, e, naturalmente, não é o mesmo projeto de Jader.

    No ambiente que daí se forma, ouve-se, ao fundo, uma balada dos infiéis. Como nenhum dos lados abre mão — até porque não pode, não deve e não quer abrir mão — de seus próprios projetos, segue-se que os aliados de hoje tendem a se ver como adversários mortais no futuro próximo. Coisas da política, né?

    No plano nacional o papo é outro. O próprio PMDB não tem quadros em condições de postular a presidência. Nessa condição, os acordos ficam mais fáceis.

    As condições atuais, e as expectativas e projeções para o futuro imediato são, portanto, bastante diferentes. Natural que haja conflitos. Compreensível que as negociações sejam mais sofridas. Mas o negócio é negociar, pra ver no que dá…

    Já os conflitos entre a direção paulista e algumas direções regionais se dão em outro plano e por outras razões. A rigor, não têm a ver com geografia e sim com concepções políticas. A geografia só entra no embrulho porque — e sabe-se lá por que (ou sabe-se, sei lá..) — algumas correntes têm suas principais lideranças concentradas em determinados Estados.

  17. Olá!

    Comentando a entrevista.

    “Para o historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, os cenários políticos que podem emergir das urnas, em outubro, contêm elementos preocupantes, seja quem for o vencedor. Michel Temer, como eventual vice-presidente de Dilma Rousseff, tenderia a comandar um PMDB fortalecido demais, a ponto de comprometer o poder da presidente. […]”

    O PMDB não é um Ciro Gomes e muito menos esses partidos menores sem representação política expressiva e que apenas se prestam ao papel de meretrizes do fisiologismo (claro, fisiologismo também acomete o PMDB e demais). Ao contrário: O PMDB é um partido que dispõe de um grosso calibre político para “dialogar” com o PT e fala um dos poucos idiomas que os petistas entendem: A chantagem e a sabotagem política. Os petistas precisam sempre ter em mente que o PMDB não é um partido barato em diversos aspectos.

    “Quanto a José Serra, Alencastro entende que o ex-governador de São Paulo, embora tenha ‘muita experiência’ e seja ‘um grande líder’, tem ‘um problema sério’, derivado da dificuldade de formular uma proposta que se diferencie de políticas que se mostraram bem-sucedidas no governo Lula. Essa situação pode trazer certo conforto para a candidata do PT, mas está aí outro motivo de inquietação’, pois ‘não é sadio para país nenhum a ausência de alternância política’.”

    Eis aí um argumento compatível até a alma com o que um intelectual-militante diria. Se ele fosse um pouco mais honesto, em termos intelectuais, admitiria que o governo Lula não trouxe nenhuma novidade e que não passa de continuidade do que foi feito no governo de seu antecessor, o FHC, se sustendando, basicamente, das reformas feitas nos idos de 1994-2002. Qual foi a grande política inovadora do atual governo? Qual foi a grande reforma estrutural que o governo Lula deixará para a posteridade?

    É engraçado como esse camarada afirma que, apesar da experiência e de ser um grande líder (palavras do próprio entrevistado), ele diz que enxerga problemas para o José Serra continuar políticas que o próprio PSDB iniciou. Por tautologia, valeria perguntar: Será que a falta de experiência eleitoral e de liderança inerentes à Dilma Rousseff não causariam à ela algum tipo de problema?

    “Tendo acompanhado de perto a formação dos novos partidos, nos anos 1980, Alencastro conhece a dinâmica interna das principais legendas. No PT, vê o risco de transformação do lulismo no varguismo que o partido combateu em sua origem. Já o PSDB pode ficar circunscrito a São Paulo, enquanto a direita passa por um processo de radicalização semelhante ao dos republicanos nos Estados Unidos.”

    Valeria indagar o nível de representatividade do PT em escala nacional. Quais os principais estados da federação que estão sob a tutela petista? Quais as principais capitais? Eu lembro de apenas dois estados: O Pará e a Bahia. Ao que me parece, existe um certo rancor no coração dos esquerdo-petistas pelo fato de eles nunca terem conseguido conquistar o governo de São Paulo. A experiência da Marta Suplicy na prefeitura e a posterior rejeição quando ela tentou se reeleger, talvez, ajudem a explicar isso em algum sentido.

    Direita? No Brasil? Onde? Acho que o nosso colega de blog, o Elias, poderia utilizar aquela maiêutica toda particular a ele e demais esquerdistas para nos dizer onde está a direita. Para os que não conhecem essa maiêutica, eis uma explicação parafraseada por mim a partir dos escritos do nobre colega Vilarnovo, que identificou e sintetizou uma das bases estruturais da mentalidade esquerdista (aliás, falando em maiêutica, podemos dizer que o Vilarnovo foi a parteira — maieuticamente falando — da idéia que segue):

    Freqüentemente, os esquerdistas reservam para si o direito de definir quem é e quem não é de esquerda e de direita, atribuindo à esquerda tudo aquilo que eles vêem como essencialmente bom e à direita tudo o que for de natureza deletéria.

    Voltando ao que escreveu o Alencastro, se, durante o Mensalão, a tal da “direita brasileira” tivesse se radicalizado a, pelo menos, 10% da escala do que fazem, hoje, os conservadores norte-americanos, o PT já teria sido liquidado como partido político, as suas principais lideranças estariam presas e o presidente Lula já teria sofrido impeachment há muito tempo e poderia ter sido, até mesmo, encarcerado.

    Valor: A revista ‘The Economist’ fez uma matéria de capa sobre o Brasil, dizendo que o futuro chegou para o país do futuro. O sr. compartilha desse otimismo?

    Luiz Felipe de Alencastro: Até a oposição compartilha desse otimismo. Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.”

    Até a oposição? Hehehehehe… Vale lembrar que foi a atual oposição que construiu as bases para que o Brasil pudesse figurar naquela capa da edição da The Economist. O PT, como é de costume, procurou sabotar do começo ao fim todos os passos importantes desse processo que, hoje, é o responsável pela estabilidade econômica em que vivemos.

    Sobre o usual papel do Brasil como exportador de matéria-prima, o atual governo poderia ter iniciado algum processo que, futuramente, pudesse mudar esse quadro. É inegável que, nesse processo, a educação escolar e a liberdade econômica terão um papel fundamental para retirar do Brasil esse rótulo de país extrativista-exportador. E quais foram as medidas do atual governo nesse sentido? ProUni? Cotas nas universidades? Alguma reforma estrutural na educação pública? O Estado forte de Dilma Rousseff? O PT é receptivo ou hostil ao capital da livre iniciativa?

    As esquerdas parecem ter uma forte tendência a odiar todo e qualquer dinheiro que elas não podem meter a mão e não é de se estranhar que haja, da parte delas, essa hostilidade à liberdade econômica.

    Valor: Dilma é considerada uma administradora eficiente, mas não tem uma carreira política como a de Lula. Isso pode comprometer seu governo?

    Alencastro: Ela assumiu a Casa Civil num momento difícil. O governo e o país estavam em crise e, por muito tempo, não se falou nela, o que é um indício de grande eficácia. Num cargo exposto como esse, não ser notícia é um grande feito. Isso prova que não é ficção sua fama de boa administradora. Mas acho problemático ela não ter a experiência de um mandato eletivo.”

    Ao meu ver, a Dilma Rousseff assumiu a Casa Civil pelo fato de o PT não ter ninguém melhor no lugar para pôr. No momento em que as principais lideranças do PT estavam sendo ceifadas em decorrência do Mensalão, restaram poucas opções dentro da ala petista e chegados para escolhas desse gênero com o objetivo de ocupar cargos importantes dentro do governo.

    Quanto à suposta “grande eficácia” de Dilma Rousseff como “administradora”, deixo isso completamente sob a responsabilidade do entrevistado. Mas, adianto, que, a mim, não convence. Ele poderia ter se estendido mais na questão que versa sobre a falta de experiência eleitoral de Dilma Rousseff.

    É engraçado como o Alencastro procura converter algo que é uma fraqueza em ponto forte para a Dilma Rousseff. Por quais motivos, nos idos de 2005, a Dilma Rousseff aparecia menos do que aparece hoje, dado que ela já ocupava um ministério naquela época imediatamente anterior ao Mensalão?

    Valor: Serra, o sr. conhece melhor.

    Alencastro: Serra tem muita experiência e é um grande líder. Mas tem um problema sério. Vou formulá-lo de maneira abrupta: e se Serra for um blefe? Explico: ele é apresentado desde 1982, quando foi secretário de Planejamento em São Paulo, como o reformador do Brasil, o homem que vai racionalizar a economia e dar jeito no país. Quando Fernando Henrique ganhou, ele foi ministro do Planejamento, mas ficou fora da política econômica. Como se dizia, Serra era o candidato da Fiesp, da indústria, e Fernando Henrique, da Febraban, dos banqueiros. Serra foi parar na Saúde e até hoje não quer ser associado àquela política econômica, de que era crítico acerbo.”

    Um tanto improvável essa tripudiação de que José Serra poderia ser um blefe eleitoral. Caso, realmente, seja, então é um enorme desperdício para o PSDB, pois todas as pesquisas feitas até hoje para a presidência de 2010 o mostram na dianteira.

    Independentemente das críticas do José Serra às medidas econômicas feitas entre 2994-2002, ele admite que os resultados foram benéficos para o Brasil e não as esconde. É um enorme capital eleitoral a seu favor.

    Valor: Já em 2002 ele tentava se apresentar como ruptura.

    Alencastro: As pesquisas mostravam uma rejeição ao candidato indicado por Fernando Henrique. Isso continua. É curioso esse excesso de impopularidade. Chega a ser injusto. Não tem um vereador do PSDB que faça santinho dizendo ser candidato do partido de Fernando Henrique. Pergunto às pessoas, quando vou ao Brasil, o que as incomoda em Fernando Henrique. Fala-se das privatizações: ‘Vendeu tudo e não se viu o dinheiro’. Ou nos bilhões de dólares queimados na gestão temerária da paridade cambial. Ou coisas mais subjetivas, misteriosas: ‘O jeito como ele ri’…”

    Essas palavras revelam um tanto de ódio e rancor. O professor indaga por quais motivos os demais candidatos/políticos do PSDB não aderem à uma das práticas mais retrógradas da política brasileira: O apadrinhamento. Essa prática é típica de lugares politicamente atrasados (como o Brasil). O tal do recall do Plano Real não poderia ser eterno e a memória política do eleitorado brasileiro é curtíssima, daí que não faria sentido, quase 16 anos após o Plano Real, ainda haver políticos do PSDB procurando obter ganhos eleitorais com isso, até mesmo pelo fato de que quem faz isso, hoje, é o PT.

    Ah… as privatizações. Ainda estou para encontrar um professor universitário da área de humanidades que diga meia dúzia de palavras honestas sobre esse processo. As questões que ele levanta são essencialmente características da mentalidade dos esquerdo-militantes chegando, até mesmo, à beira do esdrúxulo.

    Não entendo esse ódio que as esquerdas nutrem pela iniciativa privada e pelo capital alheio. A realidade que temos hoje no Brasil é fruto direto da construção de um país sem os valores do liberalismo. A ineficiência brasileira em gerar riquezas é fruto direto disso.

    Valor: Voltando a Serra, e se ele for um blefe, como o sr. diz?

    Alencastro: O problema dele é esse: com a expectativa em torno de seu nome, ele vai fazer o quê no governo? A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? E os banqueiros, que se entopem de dinheiro? Sem contar os 26 milhões de pessoas que subiram na escala social. Não dá para saber o que Serra vai fazer. Não pode entrar com o discurso de acabar com a corrupção, porque isso não dá muito refresco e depende mais da Justiça, dos tribunais de contas.”

    E se a Dilma Rousseff for eleita, qual o exemplo passado dela na chefia de algum poder executivo? Quais os programas que ela já lançou para as áreas de saúde, educação, segurança pública, impostos e etc.?

    Vale lembrar que tudo isso que o professor Alencastro coloca — os lucros dos banqueiros e a ascensão social — ocorreram não por causa do governo Lula, mas, sim, apesar desse governo. Afinal de contas, quais as medidas que o PT propôs ao Brasil para que isso fosse possível? Tudo isso são frutos das reformas estabelecidas pelo FHC e não houve nada de novo em termos de reforma no período Lula.

    Valor: Essa situação parece confortável para Dilma.

    Alencastro: Esse pode ser outro motivo de inquietação. Não é sadio para país nenhum a ausência de alternância política. A transição de Fernando Henrique para Lula foi a primeira alternância que houve no Brasil dentro da legalidade democrática. Era a última hipoteca que pesava sobre a democracia brasileira. Uma democracia não é só ter partido político e eleição. É preciso que a oposição também possa ganhar. Isto posto, no Chile a “Concertación” ficou 20 anos no poder, só perdeu agora. Se o Lula voltar em 2014, e ficar 8 anos, aí vamos ter 20 anos de PT na Presidência. Penso que será mais complicado que o ocorrido no Chile.”

    O detalhe é que a atual esquerda chilena é bem mais civilizada do que a atual esquerda brasileira. No Chile, os esquerdistas aceitaram as reformas liberais que a ditadura militar do Pinochet introduziu no país e, hoje, colhem os frutos disso, desfrutando da condição do mais avançado país latino-americano e com boas chances de ser o primeiro país da América Latina a se tornar plenamente desenvolvido.

    No Brasil, as tais das medidas “neoliberais” dos idos de 1994-2002 foram amplamente combatidas pelos nossos esquerdistas e sempre foram alvo de sabotagem política dessa gente.

    Valor: De todo modo, é uma projeção.

    Alencastro: É uma projeção, mas está no horizonte de gente como Aécio Neves, que deve estar inquieto. E não é uma perspectiva nova. Em 2006, a candidatura de Fernando Henrique estava na pauta. Na época, Serra teria dito: ‘Se for para perder, o candidato sou eu. Se for para ganhar, é Fernando Henrique.’ Essa projeção não é irracional. Os dois mandatos de Lula criaram algo novo. O cientista político André Singer mostra [em artigo para a revista ‘Novos Estudos’] que Lula foi eleito no primeiro mandato pelos operários sindicalizados e pela classe média. No segundo, perdeu uma parte da classe média e ganhou entre trabalhadores não organizados e subempregados, graças aos programas sociais. Isso resultou num novo populismo. Segundo Singer, esse eleitorado é conservador, não quer mudanças, quer que o governo tome conta dele. Acho essa interpretação um pouco estática, porque pressupõe que a ascensão social desse subproletariado não incomoda ninguém, e que a ameaça de perder o que ganhou não o levará a uma politização ativa.”

    Isso, destacado em negrito, me parece ser maluquice total. Seria bastante complicado para que o FHC ganhasse as eleições de 2006, a começar pelo fato de ele ter tomado medidas no seu segundo mandato que custaram popularidade. Não recordo de alguma pesquisa de opinião da época de colocar o nome de FHC como um dos candidatos. Em 2006 o PSDB perdeu para si mesmo. Essa suposta fala do José Serra é algo que beira o cômico, dado que políticos como o Serra e o Aécio Neves têm vida própria.

    O artigo do André Singer já foi debatido por nós aqui e mostrei algumas considerações sobre esses escritos. É uma penas que os oito anos do governo Lula não tenham legado à posteridade nada mais do que uma “nova” forma de populismo, deixando de lado reformas básicas tão necessárias ao país.

    Valor: A classe média também pode gerar instabilidade, ao sentir que perde privilégios?

    Alencastro: Isso já está acontecendo. É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.”

    Eis um dos trechos mais intelectualmente desonestos que esse senhor escreveu. É nesse ponto que o Alencastro se mostra mais visivelmente como um intelectual-militante.

    Vou comentar por partes.

    Alencastro: Isso já está acontecendo. É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura […].”

    Vai ver, esse senhor gostaria de viver em um mundo onde todos os veículos de comunicação concordassem com o governo Lula. Fosse assim, jamais saberíamos das tramóias do atual governo e como o nosso dinheiro estava sendo utilizado para alimentar esquemas de corrupção como o Mensalão e afins.

    Agressividade anti-Lula? Onde? Os principais jornais e revistas são até bondosos com o Lula. Tivesse a imprensa e a sociedade civil se empenhado minimamente durante o Mensalão, o atual governo nem sequer ainda estaria aí.

    É uma declaração que revela um certo ódio à liberdade de expressão e de imprensa.

    Alencastro: Os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. […]”

    Claro, claro… afinal, quem paga a conta de boa parte dessa farra é a classe média que tem que arcar com uma escala de impostos confiscatórios.

    Alencastro: Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família.”

    Isso é mentalmente vagabundo ao extremo. Puro ódio classista.

    Acho que a maioria das domésticas não têm acesso aos direitos trabalhistas e ganham por diária. Desconheço se diária dá acesso a esses direitos.

    Considero muito salutar que, hoje, as pessoas possam consumir mais e que as reformas sintetizadas no Plano Real tenham dado maior poder de compra aos consumidores. Antes dessas medidas, era muito complicado para um pobre ter acesso ao crédito e as compras parceladas eram exclusividade de uma minoria privilegiada. Agora, o professor Alencastro dizer que a classe média não gosta de ver os outros comprando o seu carro porque vai atrapalhar o trânsito é de uma vagabundice intelectual sem tamanho.

    A universidade pública nunca foi uma garantia certa para a classe média. Os filhos da classe média sempre tiveram que batalhar e muito para obter sua vaga no vestibular e isso sempre ocorreu, na maioria dos casos, através do mérito, da meritocracia. As cotas nas universidades representam uma deturpação desse processo, que avalia única e exclusivamente o mérito do vestibulando, convertendo-o em material militante-politiqueiro e nivelando por baixo algo que deveria selecionar os melhores. É algo inconstitucional. As cotas acabam criando uma classe de privilegiados perante o vestibular.

    No fundo, as cotas são a expressão mais visível do fracasso total do Estado em prover um serviço de educação adequado e concorrer com a iniciativa privada que atua nesse mesmo setor.

    Alencastro: Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. […]”

    Estranho esse argumento do professor, pois os principais espaços de comentários dos maiores jornais do Brasil já estão aparelhados pela militância esquerdo-comuno-socialo-petista. Os casos mais comuns de agressividade que vejo são os dessas esquerdas contra quem dela discorda e contra o próprio veículo que permite a existência de comentários nas suas notícias.

    Alencastro: O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.”

    O DEM é de direita? Hehehehehehe… O senador Demóstenes Torres fez um discurso em que mostrava sua opinião contrária às cotas raciais e defendia as cotas sociais. Fosse o DEM de direita, como o próprio professor afirmou, dificilmente haveria a defesa de qualquer tipo de cotas. Essa foi uma colocação mentirosa do professor Alencastro, algo realmente vergonhoso para alguém do meio acadêmico e que tem como uma das prioridades um forte compromisso com os fatos.

    Valor: A oposição está desarticulada?

    Alencastro: Desarticulada e sem discurso político coerente, e isso é ruim para o Brasil. Como ela vai se reorganizar? E vamos extrapolar: se perder São Paulo e o Rio Grande do Sul, acaba como força política nacional. Um desequilíbrio tamanho entre os partidos é problemático.[…]”

    Eis um argumento tosco. A priori, não discordo da consideração de que, no PSDB, não há aquela “união” ao redor de um mesmo ideal e de uma única pessoa (o Lula), até mesmo pelo fato de os tucanos terem à sua disposição grandes lideranças políticas, como o Aécio Neves e o José Serra, e de permitir que haja discordâncias internas, como o próprio Serra criticou a política econômica do FHC. Sabemos exatamente como os petistas tratam aqueles que discordam das diretrizes vindas da alta cúpula do petismo. O PSOL é a maior prova disso.

    A suposição de que se a atual oposição perder os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, ela irá ser liquidada como força política, abre espaço para perguntar como, então, ficam aqueles partidos que, atualmente, não dispõem desses estados sob suas respectivas tutelas? Estão liquidados como forças políticas?

    Alencastro: Novamente, o exemplo americano: fico impressionado não só com o radicalismo, mas com a histeria. Obama é chamado de Anticristo… O Brasil pode enveredar por aí. Brasil e Estados Unidos são países conservadores e precisam ter um partido conservador à altura. A desarticulação da direita não é bom sinal. É preciso uma alternativa conservadora que mantenha a insatisfação no jogo eleitoral. Foi isso que o PT fez na esquerda. Ainda no tempo da ditadura, recolheu o sindicalismo apartidário, a franja próxima da luta armada, que tinha sido desmantelada, e a militância cristã, que não tinha onde se expressar eleitoralmente. Isso fez a força do PT.”

    Ei, Elias, bem que você poderia responder essa para nós. Mostre-nos aquela sua definição de esquerda e de direita para responder, ainda que em parte, alguns levantamentos feitos pelo professor Alencastro nesse trecho.

    Valor: A tendência, então, é Serra liderar uma direita radicalizada?

    Alencastro: O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin. Por quê? Porque Serra teve a experiência da perseguição política, da ditadura, do exílio. Companheiros dele foram mortos, outros torturados. Isso até o aproxima de Dilma: os dois principais candidatos à presidência correram o risco de ser assassinados pela direita mais radical. Serra ainda escapou de Pinochet quando estava no Chile. De Paris, acompanhei com atenção sua volta ao Brasil em 1977, antes da anistia. Eduardo Kugelmas [sociólogo e cientista político, morto em 2006], quando soube que Serra tinha voltado sem ser preso, me disse: “Todo mundo pode voltar agora. Serra é um elefante de piranha. Se ele passou, todo mundo pode voltar”. Hoje, o que torna sua candidatura difícil é não ter um discurso mais abrangente, além do anti-PT, para atrair outros setores.”

    A pergunta foi de uma desonestidade intelectual sem tamanho. Acho que esse jornalista deve ter se formado na Escola Nacional de Formação de Militantes. Qualquer um com um mínimo de conhecimento sobre a trajetória política do José Serra sabe muito bem em qual local do espectro ideológico ele está.

    A resposta do professor Alencastro até que foi um tanto honesta. Mas chamar o Demóstenes Torres e o Alckmin de direita é maluquice total. Seria interessante saber por quais motivos o professor considera a ditadura militar brasileira como sendo de “direita”. Aposto como a única razão para tanto foi a perseguição e eliminação dos esquerdistas extremados que resolveram pegar em armas para implantar uma ditadura comunista de cunho cubano-soviético.

    Valor: A aliança possível para Serra seria talvez a direita radical, com que não se identifica. E sua adversária é uma esquerda que se aproximou das ideias que ele defendia…

    Alencastro: Serra está confrontado a um impasse. Não pode elogiar Fernando Henrique e não pode atacar Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre. Disse que ia mexer no câmbio e nos juros. Falou disparates e levou um cala-boca do partido.”

    Sobre FHC e Lula, basta ler o discurdo de José Serra no lançamento de sua pré-candidatura à presidência. Vejam lá se ele e demais tucanos se envergonham de terem legado ao Brasil um país melhor do que aquele que pegaram em 1994-1995.

    Hehehehehehe… Prometer continuidade dos programas do PT? Eis uma tentativa vagabunda de mudar os fatos históricos. A melhor coisa que o PT fez desde a sua criação foi, justamente, ter se apoderado dos programas do seu maior adversário. Não é à toa que os petistas recorrem à desconstrução e reinvenção do passado para tentar mudar a pecha que carregam de terem custado muito caro ao Brasil, pois, nos momentos mais cruciais da nossa história recente, o PT sempre procurou sabotar politicamente quase tudo que, mais tarde, se mostrou um grande avanço. A negação de apoio ao Tancredo Neves; as críticas classistas e ideológicas à Constituição de 1988; as sabotagens políticas que os petistas tentaram fazer para acabar com o Plano Real; e o terrorismo político em cima de iniciativas como a Lei de Responsabilidade Fiscal estão, todos, como exemplos dessa atitude dos petistas. Não é à toa que os petistas procuram mudar o passado deles através de mentiras.

    Valor: Isso pode fazer com que a campanha se torne virulenta?

    Alencastro: Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. É um sinal do que está por vir. Vai ser um vale-tudo monumental. Embora o impacto disso seja limitado no grande eleitorado, é forte entre os chamados ‘formadores de opinião’. Sobretudo, cria um clima de tensão e de irresponsabilidade na campanha presidencial.”

    Hehehehehehe… Na blogosfera já começou? Pelo que se sabe, são os petistas que possuem uma rede de blogs e sites amigos do presidente Lula e da Dilma Rousseff, fora os blogs e sites dos Amigos do BNDES, que estão aí praticando pistolagem política há mais de cinco anos. E eles não fazem isso de graça.

    A ficha policial de Dilma Rousseff, independentemente de sua veracidade ou não, evidencia algo que ela mesma não tem como esconder: A sua ligação política e ideológica com grupos terroristas que torturaram, prenderam e mataram pessoas. Grupos esses que procuravam instalar no Brasil uma ditadura comunista e que utilizaram atos de terrorismo para chegar a esse objetivo, prejudicando civis inocentes ao longo do processo.

    Valor: O PSDB é cada vez mais dependente desse Estado. Ele pode se tornar uma versão moderna dos partidos paulistas de antigamente?

    Alencastro: É uma possibilidade. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Tarso Genro já empatou com José Fogaça. Se o PT toma o Rio Grande, sobra pouco para o PSDB fora de São Paulo. Fernando Henrique disse numa entrevista quando percebeu que a eleição de 1994 estava ganha: na Bahia, foi mais ovacionado que Antonio Carlos Magalhães. As pessoas agitavam notas de um real. Qual é o real do Serra? O real da Dilma são o Bolsa-Família, o PAC, o ProUni. Serra vai vender o quê? […].”

    Eis um dos pontos mais interessantes da entrevista e que revela, ainda que em parte, o nível de honestidade intelectual do professor Alencastro.

    Colocar no mesmo nível o Plano Real e programas como o PAC, o ProUni e o Bolsa Família é de uma pilantragem mental enorme. O Plano Real representou uma quebra de valores com o passado hiperinflacionário do Brasil e que trouxe reformas importantes para que, hoje, o Brasil pudesse desfrutar da estabilidade econômica que tem. Vale perguntar:

    Quais reformas estruturais programas como o PAC, o Bolsa Família e o ProUni trouxeram e que possuem um significado histórico com a mesma envergadura que tem o Plano Real?

    O ProUni não passa de fornecimento de bolsas de estudos em faculdades particulares, a maioria de qualidade extremamente duvidosa. O PAC sequer saiu do papel e caminha a passos lentos. O Bolsa Família é apenas a reedição de um programa social nascido no PSDB e que tem por objetivo fornecer um complemento de renda às famílias pobres. Nenhum deles representa um conjunto de reformas estruturais como foi o Plano Real. Admitir que há equivalência é dar recibo de pilantragem mental.

    Esse argumento tosco do professor Alencastro resume bem o tom de, praticamente, a totalidade da entrevista (senão, pelo menos, quando se trata de se referir à atual oposição). Uma desconstrução do passado através de mentiras, pilantragens lógicas e a atitude envergonhada que alguns intelectuais-militantes simpatizantes do petismo têm em relação ao passado deletério do próprio PT.

    Valor: O PT sofreu mutações desde que Lula foi eleito.

    Alencastro: O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência. Tarso Genro disse que a candidatura Dilma cresceu no vazio que se criou dentro PT, e tem razão. […]”

    Nesse ponto, eu discordo. A candidatura de Dilma Rousseff é fruto direto do Mensalão e da decapitação das figuras da alta cúpula petista. Tivesse o Mensalão passado em branco, como muitos petistas gostariam, a candidatura dela nem mesmo existiria.

    Valor: A política externa brasileira tem recebido elogios no exterior, mas críticas pesadas no país. A que o sr. atribuiria essa disparidade?

    Alencastro: Pela primeira vez, desde 1850, quando a marinha de guerra inglesa bloqueava a baía de Guanabara por causa do tráfico negreiro, a diplomacia brasileira entrou na agenda da campanha eleitoral nacional. Acho uma coisa muito boa. […]”

    É… basta ver o posicionamento do atual governo em relação a determinados assuntos, como o Irã nuclear, os presos políticos em Cuba (que Lula comparou a presos comuns), o anti-americanismo barato de gente como Marco Aurélio Garcia, a ligação do PT com as FARCs e coisas desses gênero.

    Até!

    Marcelo

  18. Elias said

    Experiência, experiência, experiência…

    Se isso significasse alguma coisa, melhor chamar o Sarney e o FHC. Fora o Lula — que não pode ser candidato — Sarney e FHC são os brasileiros vivos com maior experiência na Presidência da República.

    Qual a experiência de Lula, ao assumir a presidência? Foi deputado federal por um único mandato. Antes disso, havia sido presidente de um sindicato de trabalhadores, nos remotos anos 1970 (época em que pouco se envolveu na administração do sindicato, preferindo mergulhar de cabeça no que realmente interessava e se esperava dele: a política sindical).

    Sem experiência como parlamentar, prefeito, governador ou ministro, Lula, como presidente, fez o que fez. E, mesmo às voltas com uma pusta crise econômica mundial, termina seu mandato com popularidade superior a 70%, coisa com a qual seus antecessores — todos infinitamente mais experientes que ele –não puderam nem sonhar.

    A oposição poderia ser um pouquinho mais inteligente, e construir raciocínios melhores pra tentar desconstruir Dilma. Isso pelo menos daria um pouco mais de emoção à disputa.

    Do jeito que a coisa tá andando, parece mais que a oposição quer ferrar de vez com o bicho Serra. Saca do velho baú exatamente o argumento que deveria permanecer lá, conservado em naftalina, à espera de uma ocasião de uso mais propícia.

    Haja saco!

  19. Olá!

    O comentário maiêutico do Elias é o típico exemplo da mudança dos fatos históricos em prol do Partido e do Líder.

    “Qual a experiência de Lula, ao assumir a presidência? Foi deputado federal por um único mandato. Antes disso, havia sido presidente de um sindicato de trabalhadores, nos remotos anos 1970 (época em que pouco se envolveu na administração do sindicato, preferindo mergulhar de cabeça no que realmente interessava e se esperava dele: a política sindical).

    Sem experiência como parlamentar, prefeito, governador ou ministro, Lula, como presidente, fez o que fez. E, mesmo às voltas com uma pusta crise econômica mundial, termina seu mandato com popularidade superior a 70%, coisa com a qual seus antecessores — todos infinitamente mais experientes que ele –não puderam nem sonhar.”

    Eu não discordo. Mas adiciono uma pergunta: Quais medidas o governo Lula tomou para que, hoje, a sua administração esteja sendo bem avaliada pela população? Quais reformas estruturais foram feitas no atual governo e que propiciaram as condições em que atualmente o Brasil se encontra?

    Um dos maiores méritos do Lula foi ter um FHC como seu antecessor, que arrumou a casa e lhe entregou um país muito melhor do que aquele que ele, FHC, pegou nos idos de 1993-1995.

    E é essa o maior problema do Lula e do seu sucessor: Ele não conseguiu ser o FHC do seu sucessor.

    Sem dúvida, o presidente Lula também irá entregar um país melhor para o seu sucessor, porém, sem nenhuma reforma estrutural importante e que é tão necessária ao Brasil.

    Eu aceito numa boa discutir fatos históricos, mas não desconstruções do passado e verdades pela metade.

    Até!

    Marcelo

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