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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Niguém quer o DEM

Posted by Pax em 14/04/2010

Gabeira anuncia que não quer o DEM em sua chapa no Rio de Janeiro. Talvez nem dispute o governo do estado por conta de sua briga com Cesar Maia. Briga imposta pelos eleitores verdes.

Só que a decisão tardia de Gabeira já causou estrago na campanha à presidência do PV com Marina Silva candidata.

E esta foi uma pedra cantada que o Partido Verde não deu a devida importância. Quando Marina Silva saiu do PT e migrou para o PV, houve uma verdadeira avalanche de acusações que sua campanha era uma linha auxiliar de José Serra e a aliança do PSDB com o DEM estabelecida. Estas acusações se baseavam principalmente na aliança costurada por Gabeira no Rio. É um dos motivos que a campanha de Marina não deslanchou. Claro que ela tem menor projeção, que uma enorme massa nem a conhece, mas a classe média mais politizada não se encantou com a proposta elaborada e uma das razões foi esta mesmo, a aliança do PV com o DEM no Rio. E esta classe média quando começa a fazer barulho tende a reverberar.

O DEM, para quem não é de direita, é um problema. O partido se tornou um estorvo político, haja vista que todas pesquisas eleitorais demonstram que a sociedade brasileira entende que a social democracia traz melhores resultados que o liberalismo. Esta comprovação se tem pela situação política das forças dominantes. De um lado o PT e de outro o PSDB. Nenhum dos dois pode ser considerado um partido liberal. Serra não pode ser taxado como um defensor do livre mercado. Não é. É defendor de um estado forte e atuante, como Dilma. Algumas diferenças aqui e acolá, com certeza, mas ambos se situam na mesma direção social democrata.

O que pesa são as alianças escolhidas. O PMDB puxa para o centro, tem componentes de direita através de seus coronéis que querem manter seus poderes nos currais eleitorais estabelecidos com os quais o PT namora. Mas o DEM representa uma posição mais à direita que o PMDB.

Tanto que Serra enfrenta este problema, o mesmo causado ao PV pelo DEM. Uma parcela da sociedade mais entusiasmada com a política, que entende que a alternância de poder é salutar, ou mesmo que está descontente com as questões éticas e morais do PT e seu casamento com o coronelato representado por Sarney, Renan, Collor etc, não vê na aliança do PSDB com o DEM uma solução adequada.  Seria algo como trocar seis por uma meia dúzia indigesta.

Em outras palavras, e como já dito, o DEM virou um estorvo político nacional que tende a perder cada vez mais força.

Mais atrapalha que ajuda. Serra que o diga. A última pesquisa eleitoral – feita pelo Sensus semana passada – já mostra Dilma colada em seu calcanhar.

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70 Respostas to “Niguém quer o DEM”

  1. fk said

    “O partido se tornou um estorvo político, haja vista que todas pesquisas eleitorais demonstram que a sociedade brasileira entende que a social democracia traz melhores resultados que o liberalismo. Esta comprovação se tem pela situação política das forças dominantes. De um lado o PT e de outro o PSDB. Nenhum dos dois pode ser considerado um partido liberal. Serra não pode ser taxado como um defensor do livre mercado.”

    Acho que vc tem uma percepção demasiado otimista sobre o eleitor médio. Duvido muito que a escolha do eleitorado entre basicamente PT e PSDB seja por uma escolha pela social-democracia. Sinceramente, ideologia não é exatamente o forte nas escolhas políticas dos brasileiros.

    Quanto à questão de PT e PSDB não serem liberais, me parece que mesmo o DEM também não é, pelo menos não no sentido clássico, pois, se pede menos estado em algumas áreas, pede muito estado em outras, vide a bancada ruralista.

    Infelizmente, a política nacionao não pode ser analisada em termos ideológicos tão puros, assim como acredito que nem as escolhas do eleitorado também o possam.

  2. Marcio Dutra said

    Sinceramente acredito que o povo não tenha esta visão politica. A visão da massa é muito mais simples, ou apóia o vermelho ou o azul, simples assim.
    Visto que quem paga a conta, região SUL & SUDESTE, não quer saber do vermelho com suas distribuições de verbas, enquanto o Norte & Nordeste apoiam a continuidade da distribuição de verbas.

    Em outras palavras, esta eleição é:
    Eu não aguento mais pagar (X) Eu quero continuar recebendo

    simples!

  3. Pax said

    Prezados Marcio Dutra (bem-vindo) e Fk,

    Discordo um pouco de vocês. Não menosprezo tanto assim o eleitor médio. As pessoas sabem que a vida melhorou por uma série de motivos:

    – Os mais velhos se lembram dos tempos da inflação que garantia a vida de quem tinha dinheiro para viver de overnight mas surrava o assalariado de baixa renda que se não comprasse no mesmo dia que recebia, comia metade ou menos naquele mês.

    – Estes e os mais novos percebem que o Brasil vive tempos melhores, o processo todo, por mais tortuoso que seja, fez o Brasil melhor. É público e notório que as classes mais carentes hoje compram mais, o salário mínimo tem mais poder, e os programas assistencialistas iniciados com FHC e continuados com Lula deram resultado, por mais críticas que se pode fazer, principalmente por não anunciar a saída do programa de quem precisa, através de treinamento e preparação para uma posição no mercado de trabalho. Enfim…

    – E as pessoas sabem de onde esses progressos tem origem. Sabem que os discursos de reduzir desigualdades vem de políticos mais preocupados com governos mais sociais.

    Márcio Dutra: nem todo Sul e Sudeste está nessa de azul e vermelho, ou ainda nessa tua metáfora (boa, por sinal) de “Eu não aguento pagar mais versus Eu quero continuar recebendo”.

    Há muita gente do Sudeste que acredita na Social Democracia. Não fosse isso nem o PSDB teria o apoio que tem na região. Principalmente em São Paulo, o berço do partido.

    Então, caro, onde está essa massa de gente do “eu não aguento pagar mais”?

    O que me consta é que existem meia dúzia de liberais por aí sem quem os represente, pedindo pelo amor de deus que apareça algum partido ou alguém que substitua Roberto Campos que se foi e deixou essa pequena parcela da sociedade de torcedores do liberalismo absolutamente órfã.

    A crise mundial de 2008-2009 é quase uma pá de cal neste enterro. Por mais que neguem que seja uma crise do liberalismo, a imagem que ficou foi que sim, que a ausência de um estado mais forte, mais regulador deu no que deu. Na patifaria que governos incentivaram (caso dos EUA) e empresas financediras agiram numa má fé descomunal. Me parece que sim. Aí mesmo que os órfãos de pai ficaram sem pai e nem mãe.

  4. fk said

    Aí já ficou simplista demais…

    Não falo nem em visão da massa. Muita gente esclarecida, muito profissional liberal com diploma por ótimas faculdades brasileiras tem visão política tão estreita quanto o zé do botequim.

    A sua divisão regional do voto também muito simplista, bem como a conclusão…

  5. fk said

    Concordo em parte com vc, Pax, pois é óbvio que parcela grande da população vota segundo os benefícios que aufere e as melhorias que vê em volta, mas não acho que elas tendam a associar imediatamente isso a uma ideologia, à socialdemocracia.

    Não se vota nesse ou akele partido por ele ser social democrata -a prova é que há dois partidos hoje que pdoeriam se encaixar nessa definição, e adisputa entre dois partidos ideologicamente iguais é absurda.

    Vota-se personalisticamente. Vota-se no Lula, e não no PT -certo, parte vota no PT mesmo-, vota-se no Serra, e não no PSDB.

    Quanto ao Roberto Campos, só os liberais mais idiotas e desconhecedores da história podem tê-lo como papa, pois ele aplicou o PAEG quando ministro do planejamento, em 1965, um plano pra lá de intervencionista. Liberal de pensamento, mas não na prática.

  6. jorge said

    abaixo link sobre dinheiro, futebol e mídia. Sinceramente, se há algo que não engulo nos governos fhc e Lula é a covardia em afastar ricardo teixeira do futebol brasileiro. não é possível o esporte ser isso no país da copa e da olimpíada.

    http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-futebol-e-os-bastidores-de-uma-batalha-de-r-3-bi

  7. Olá!

    “O DEM, para quem não é de direita, é um problema. O partido se tornou um estorvo político, haja vista que todas pesquisas eleitorais demonstram que a sociedade brasileira entende que a social democracia traz melhores resultados que o liberalismo. Esta comprovação se tem pela situação política das forças dominantes. De um lado o PT e de outro o PSDB. Nenhum dos dois pode ser considerado um partido liberal. Serra não pode ser taxado como um defensor do livre mercado. Não é. É defendor de um estado forte e atuante, como Dilma. Algumas diferenças aqui e acolá, com certeza, mas ambos se situam na mesma direção social democrata.”

    Então vamos lá, Pax: Quais medidas a social-democracia possui que seja mais eficiente em termos de geração de riquezas do que o idário liberal?

    Pax, não seja ingênuo: No século XX e início do XXI, não houve, no Brasil, correntes liberais fortes o bastante para fazer transformações liberais de longo prazo. Acho que apenas durante o século XIX é que houve alguma expressão mais forte do liberalismo no Brasil. A maioria dos ditos partidários da social-democracia, pelo menos os que vi, eram extremamente hostis à livre iniciativa e à liberdade econômica.

    Diga apenas um país desenvolvido que não seja liberal, Pax. Se vierem, novamente, com aquela baboseira dos países escandinavos, deixo logo uma observação a priori: Nesses países, a liberdade econômica é forte o bastante para conseguir arcar com os custos de um Welfare State gigantesco. São os valores liberais que criam as riquezas necessárias para sustentar esse tipo de Estado e não o contrário.

    Esse é um dos problemas das esquerdas brasileiras: Primeiro, as esquerdas criam todo um mecanismo que dificulta a liberdade econômica dos indivíduos e, também, a geração de riquezas, daí que haverá menos recursos disponíveis para as pessoas garantirem a sua sobrevivência. Depois, essas mesmas esquerdas, criam toda uma rede estatal de assistencialismos para buscar amenizar a pobreza que ela mesma ajudou a criar. É um troço assustador. Aí, os esquerdistas vêm com aquele papo de “justiça social”, “ações afirmativas”, “universidade para todos” e coisas tais. No final, acabam gerando mais dependência estatal e pobreza — quando não, são processados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

    “O que me consta é que existem meia dúzia de liberais por aí sem quem os represente, pedindo pelo amor de deus que apareça algum partido ou alguém que substitua Roberto Campos que se foi e deixou essa pequena parcela da sociedade de torcedores do liberalismo absolutamente órfã.”

    Aí vai um trecho que revela algo inerente ao coração dos esquerdistas: Um certo rancor/ressentimento em relação aos liberais e à baixa representatividade política que o liberalismo possui no Brasil.

    Menos, Pax, menos. Eu não entraria em desespero pelo fato de não haver representantes políticos do liberalismo em nosso país. É um fato da vida que aceito numa boa, já que, diferentemente das esquerdas e dos esquerdistas, não considero que os valores liberais detenham algum tipo de poder e conhecimento absolutos, que estão acima de todas as coisas, chegando ao ponto de controlar o passado, o presente e o futuro da humanidade. Nos lugares em que pessoas, que se consideravam detentoras de um conhecimento absoluto, ainda que sem nenhum teste rigoroso perante a realidade, puseram tal conhecimento em prática, o que se viu depois foram as maiores tragédias que a humanidade já presenciou.

    O liberalismo, ao meu ver, é uma forma muito humana de conhecimento, pois um liberal, quase sempre, pode contar apenas consigo mesmo e os escassos recursos que tem a seu dispor, sendo, exatamente, a partir disso que ele procurará garantir a sua sobrevivência. Um liberal está, frequentemente, no limite entre o que pode e não pode ser feito/produzido com esses recursos e, mesmo assim, ele se sente impelido a seguir adiante e extrair um pouco mais daquilo que está disponível. Todo o julgamente e incorreções feitos ao longo desse processo encontram-se à beira do erro e é pessoal, pois não há um Estado, um Partido ou entidade superior para colocar a culpa por quaisquer infortúnios que apareçam… O liberalismo é um tributo às nossas capacidades humanas e a aquilo que podemos melhorar ainda que os recursos sejam escassos e que sejamos extremamente falíveis.

    No liberalismo, não há ideologias mentirosas para que o indivíduo esconda a própria mediocridade.

    Roberto Campos (Bob Fields) foi um grande brasileiro. Uma das figuras intelectuais mais importantes ao longo do século XX no Brasil. Tivessem as idéias dele mais espaço para serem aplicadas, o Brasil seria um país muito melhor e mais eficiente em termos de tirar pessoas da pobreza.

    No meu entendimento, esse Brasilzão de hoje e seus vergonhosos índices em diversas áreas, da economia ao social, com suas invasões e favelas, com elevadas taxas de violências urbana e rural, pobreza galopante e etc., apenas evidenciam no que resulta um país que é construído sem os valores do liberalismo e sem projetos liberais de longo prazo.

    “A crise mundial de 2008-2009 é quase uma pá de cal neste enterro. Por mais que neguem que seja uma crise do liberalismo, a imagem que ficou foi que sim, que a ausência de um estado mais forte, mais regulador deu no que deu. Na patifaria que governos incentivaram (caso dos EUA) e empresas financediras agiram numa má fé descomunal. Me parece que sim. Aí mesmo que os órfãos de pai ficaram sem pai e nem mãe.”

    Isso é uma enorme tolice, Pax. A crise de 2008-2009 teve origem dentro do setor imobiliário norte-americano e sua forte dependência do governo dos EUA, sem dizer que houve, da parte dos esquerdistas de lá, um certo lobby para que bancos emprestassem dinheiro a quem não tinha como pagar. Não é uma crise do liberalismo. Caso fosse, bastiões da civilização como a Europa Ocidental e o próprio Estados Unidos da América não ocupariam essa condição que ocupam.

    Afirmar que medidas socialistas geram desenvolvimento e riqueza é equivalente a entrar em uma sala de aula para ensinar que a Terra é quadrada, que o Sol gira ao redor dela e que ela ocupa o centro do Universo.

    Ao Fk:

    “Quanto ao Roberto Campos, só os liberais mais idiotas e desconhecedores da história podem tê-lo como papa, pois ele aplicou o PAEG quando ministro do planejamento, em 1965, um plano pra lá de intervencionista. Liberal de pensamento, mas não na prática.”

    Você deveria conhecer um pouco melhor a história do seu próprio país. Os militares que tomaram o poder em 1964 eram extremamente nacionalistas e intervencionistas. Em termos econômicos eles eram mais esquerdistas do que muitas esquerdas que há por aí. O Roberto Campos (Bob Fields) fez apenas o que podia ser feito dentro dessa filosofia de governo dos militares. Mesmo assim, ele participou de uma equipe de tecnocratas que fizeram algumas reformas no sistema tributário brasileiro da época, além de ter levantado a pauta da privatização da Petrobrás, coisa que ainda há de aparecer um político com coragem o bastante para fazê-lo.

    Até!

    Marcelo

  8. Jorge said

    Roberto Campos foi um atraso para o Brasil. Tentou acabar, por exemplo, com a Petrobrás. Imaginem o Brasil sem a Petrobrás. Hoje, todo o Pré-sal estaria em mãos de estrangeiros. Durante a ditadura militar também apoiou um amplo programa de intervenção dos EUA na Amazônia brasileira, o que não foi adiante devido a ação decidida do governador do Amazonas Arthur Cezar Ferreira Reis, que denunciou o caso para a imprensa e fez os entreguistas recuarem.

  9. Pax said

    Marcelo Augusto,

    Vamos lá meu caro, que você está repleto de enganos em seu discurso, no meu entender:

    Então vamos lá, Pax: Quais medidas a social-democracia possui que seja mais eficiente em termos de geração de riquezas do que o idário liberal?

    Pax, não seja ingênuo: No século XX e início do XXI, não houve, no Brasil, correntes liberais fortes o bastante para fazer transformações liberais de longo prazo. Acho que apenas durante o século XIX é que houve alguma expressão mais forte do liberalismo no Brasil. A maioria dos ditos partidários da social-democracia, pelo menos os que vi, eram extremamente hostis à livre iniciativa e à liberdade econômica.

    Diga apenas um país desenvolvido que não seja liberal, Pax. Se vierem, novamente, com aquela baboseira dos países escandinavos, deixo logo uma observação a priori: Nesses países, a liberdade econômica é forte o bastante para conseguir arcar com os custos de um Welfare State gigantesco. São os valores liberais que criam as riquezas necessárias para sustentar esse tipo de Estado e não o contrário.

    Você mesmo já respondeu por mim.

    Esqueceu, talvez de propósito, da França, da Inglaterra, da Alemanha etc. Sim, caro, queira você ou não, tem estados fortes, e são sociais democracias também. E são os exemplos que miro, sim, mas não esqueço de olhar também o recente exemplo da Coréia do Sul que investiu um bocado em Educação e deixou de produzir bugigangas e hoje exporta alta tecnologia.

    Se você questiona que o Brasil tem uma kafkiana carga tributária, que há um tremendo desperdício de energia na atividade empreendedora por conta da burocracia e do modelo tributário estamos juntos nesta crítica.

    Mas não esqueça que a classe trabalhadora protegida, desde os tempos do fim da escravidão (final do século XIX) até as garantias das condições de trabalho, dos salários mínimos, suas agremiações sindicais etc, trouxeram um enorme avanço social em todos os países em que aconteceram. O mercado de hoje vive em função de trabalhadores que tem renda suficiente para o consumo. E, também, inegável, de países que estimularam a iniciativa privada que contrata esses trabalhadores.

    Vamos extrapolar para ver se você consegue entender o ponto: você acha que trabalhadores em regime de semi-escravidão, como viviam na Europa no início do século XX, caso a situação perdurasse, comprariam roupas, aparelhos eletrodomésticos, material de construção, motos, carros e, pasme, para desespero de alguns, até viajar de avião? Não, caro. Eles quando muito compravam batatas e pedaços de carvão para não morrer de fome e frio. Não havia consumo quase algum além das necessidades primárias, ainda que muito mal atendidas.

    Foram os avanços sociais que criaram os mercados. Force a barra, vá aos extremos que você encontra as respostas mais reais. O sonho liberal, ou pelo menos o que você parece defender, não admite que o Estado proteja o cidadão, as classes etc. Como que se a humanidade, livre e solta, pudesse se acomodar e produzir riquezas e justiça sem intervenção do Estado. Conversa para boi dormir. Nem Roberto Campos acreditava nisso.

    Em outras palavras e respondendo tua primeira pergunta: Quais medidas a social-democracia possui que seja mais eficiente em termos de geração de riquezas do que o idário liberal?

    Uma única resposta: MERCADO – bingo!

    Mas, Marcelo Augusto, em vários momentos acho que existe mesmo é uma questão de rotulações erradas, de empregarmos os termos errados e nos apegarmos a eles como religiões. Então vou esquecer essa discussão entre os tais conceitos liberal e social democrata para que a gente não discuta fés e santos, ainda mais que sou ateu de pedra.

    O que acredito:

    – Na existência de um Estado que seja responsável por questões básicas de uma sociedade, tais como Educação, Saúde e Segurança.
    – Que este estado também seja responsável por incentivar a economia, como por exemplo nas atuações em bancos de fomento e crédito.
    – Que o estado atue em algumas poucas áreas que considerar estratégicas, como por exemplo em questões energéticas.
    – Que o estado atue também em outras áreas necessárias e que não sejam de interesse privado, como por exemplo alguns setores de transporte etc.
    – Que o estado impeça mesmo a formação de cartéis, monopólios, oligopólios etc e atue regulamentando de forma a estimular a competição e proteger os interesses dos consumidores (agências regulatórias que hoje não funcionam mas deveriam funcionar).
    – Que este estado seja absolutamente atuante na defesa da propriedade privada e incentivador do empreendedorismo, como forma básica da geração de renda e emprego.

    Então, meu caro, esquece um pouco essa religião liberal ou socialista, ou social democrata e vamos aos pontos. Tira essa vontade enlouquecida de rotular coisas e pessoas que isso não leva as discussões aos pontos que efetivamente interessam.

    Estamos num ano eleitoral, num ano que a tendência nacional (a internacional também não é muito diferente) é ficar um lado querendo aumentar o rebanho de fiéis para atirar pedras no outro lado.

    Respeito as crenças, as religiões etc. Defendo que qualquer um tenha as suas. Mas não compartilho de nenhuma fé. Acredito mesmo é na discussão, acredito na tal da maiêutica socrática que você provoca o Elias. Mas lembre que antes da maiêutica há a crítica.

    Sócrates desmontava as verdades para depois reconstruí-las

  10. Pax said

    Só para concluir, Marcelo Augusto, pense um cadinho só, sem pedras nas mãos.

    Se eu faço um blog que fala da corrupção generalizada no Brasil, seja de Chicos ou de Franciscos como diz o Elias, você acha que eu aplaudo tudo que está aí? Claro que não.

    O que acho, isso sim, é que temos um rumo, e este rumo é mais preocupado com o social que outras propostas. E aprovo este rumo.

    Mas também aprovo e aplaudo tudo o que o Pablo Vilarnovo fala, por exemplo, de apoio ao livre empreendedorismo, de incentivo, de facilitação, de financiamento, tudo que for para que brasileiros montem suas empresas, gerem renda e empregos. A livre iniciativa, como disse no comentário anterior, deve ser a forma básica de geração de renda e empregos. Deve ser estimulada, facilitada, desburocratizada.

    Minha discordância do Vilarnovo é com relação a carga tributária e atuação do estado, não sobre a livre iniciativa. Ele quer menos carga e menos responsabilidade do Estado com a sociedade, pelo menos é o que eu acho que ele acha. Já eu acredito que uma das funções básicas do Estado é se preocupar e agir constantemente para reduzir as desigualdades sociais acentuadas.

    O que afirmei no post é que a grande maioria da sociedade brasileira também parece aprovar o mesmo que eu. Haja vista as duas principais forças concorrentes que não divergem tanto assim em suas essências. E que essa grande maioria não está do lado do partido que representa a outra vertende de opinião, que me parece centrada no partido DEM. Foi isso que disse no post.

    Jamais disse que o que está implantado no Brasil está correto em sua prática. A prática está corrompida. O rumo não.

    Então, se a prática está corrompida, este é meu ponto, esta é a essência do blog. E aqui, meu caro, não há, de novo, Chico ou Francisco que escape. Se há corrupção, então é isso que tem que ser combatido.

    Já disse e repito, a Ditadura da Corrupção que vivemos tira do Brasil o futuro que este país merece. Vou morrer batendo nesta tecla. O rumo está correto, o status quo está uma desgraça geral.

    Mas tem conserto. E este conserto pressupõe a participação da sociedade. Sem ela nada dará certo. Não espero dos políticos a solução, espero da sociedade politizada e fiscalizadora.

    A política deveria ser uma paixão nacional.

  11. fk said

    Marcelo, sobre o Bob Fields e os militares nacionalistas, só digo uma coisa: estude vc um pouco mais a história do Brasil.

    Ele foi Ministro do Planejamento do primeiro governo militar, Castelo Branco, marcado exatamente por uma postura de total aproximação com os EUA em nada condizente com o ideário da parcela nacionalista dos militares que posteriormente chegariam ao poder, chegando ao ápice com Geisel. Só digo uma coisa: o Brasil mandou tropas para intervir em Honduras, em uma atitude inédita para o país, apenas porque os EUA pediram -ou mandaram, vai saber.

    Quer dizer, então, que o governo que foi mais próximo dos EUA na história do Brasil não teria poder para implementar reformas econômicas liberais? Faz-me rir!!

    Ah, e só pra te lembrar: se quiser procurar as origens da inflação inercial que detonou o Brasil na década de 1980, eu te ajudo a achar. Está lá na indexação monetária do PAEG do Roberto Campos.

    Quanto à crise norte-americana, vc deveria prestar mais atenção às discussões levadas a cabo nos EUA: lá mesmo, essa história de que a crise foi provocada por uma ato legislativo lá da época do Clinton, referente a empréstimos para pessoas de baixa renda, não é mantida por ninguém minimamente sério. Foi aventada por uns bobocas no começo da crise, mas depois viu-se que era tudo balela e ninguém nem cita mais isso. Ainda bem que a política econômica do Obama está conseguindo, aos poucos, colocar os EUA nos eixos, não?

    “Não é uma crise do liberalismo. Caso fosse, bastiões da civilização como a Europa Ocidental e o próprio Estados Unidos da América não ocupariam essa condição que ocupam.” – Bem, acho que vc não anda lendo muito jornal, pois senão saberia muito bem quais as condições de ambos atualmente…E não adianta nem tentar colocar toda a riqueza da Europa e dos EUA na conta do liberalismo, pois é bem mais complicado do que isso.

    Por outro lado, não sei se é efetivamente um ponto de concordância nosso, mas creio que muitas vezes o Estado atinge tamanhos que estrangulam sim a iniciativa privada,e não nos enganemos: é só ela que é capaz de gerar riqueza efetiva pro país. De qualquer forma, não acho que o contrário melhor dessa opção do estrangulamento da iniciativa privada seja simplesmente a retirada do Estado de qualquer tipo de atividade econômica. A melhor opção é sim uma equalização entre Estado e mercado, de forma que não sejamos nem essa Brasil atual que sufoca o pequeno empresário, nem a Inglaterra liberal do século XIX, que fez sua fortuna sob a merda e a indigência em que se afundavam a maior parte da população.

    Abraços

  12. Elias said

    Roberto Campos?

    Sei…

    Aquele carinha que, como ministro do Castello, mandou elaborar um “estudo técnico-científico” que concluiu que o Brasil jamais teria condições de estruturar uma indústria siderúrgica capaz de atender às necessidades do país. Que a produção brasileira de aço seria eternamente medíocre, e por aí afora.

    O estudo foi elaborado por uma empresa norte-americana, que, por coincidência — e apenas por coincidência, né? — era contratada de uma das então gigantes mundiais do aço.

    Carlos Lacerda disse que Bob Fields era burro ou desonesto. Ou, mais provavelmente, as duas coisas juntas. O Corvo desafiou Fields para um debate na tevê. Bob refugou, claro…

    Os militares mantiveram Bob no ministério até o fim do governo Castello. Mas nunca mais o quiseram nem perto da esplanada.

    Hoje, o Brasil é um dos gigantes da siderurgia. E, com a implantação da CAP — cuja pedra fundamental foi lançada pela governadora Ana Júlia há 2 semanas — se converterá no maior produtor mundial de aço (bobina e/ou chapa plana).

    Já o Bob Fields, que tinha pretensão de ser farol dianteiro, terminou seus dias como lamparina de pôpa…

  13. Jorge said

    Fk, voce tem razão. Bastasse liberalismo para um país ser rico, nada explicaria porque Haiti e Somália, que nem Estado tem, não cresceram mais que a China ano passado, aonde o Partido Comunista controla todo o planejamento econômico – e não o mercado. A China precisa virar socialdemocrata também. Será um grande ganho para a humanidade.

    Elias, essa da indústria siderúrgica eu não conhecia. O homem era um fenômeno, acertou todas hehehehehe.

    Pax, voce é socialdemocrata, obra dos socialistas europeus. É o caminho do PT no Brasil, embora não dito explicitamente. O Estado protege a sociedade da ganância e irracionalidade do mercado. Discordo de voce quando afirmou aqui outras vezes que o Psdb também quer isso. Não creio. Penso que, acompanhando sua ação, são liberais.

  14. Olá!

    Isso aqui é engraçado demais:

    “Roberto Campos foi um atraso para o Brasil. Tentou acabar, por exemplo, com a Petrobrás. Imaginem o Brasil sem a Petrobrás. Hoje, todo o Pré-sal estaria em mãos de estrangeiros. Durante a ditadura militar também apoiou um amplo programa de intervenção dos EUA na Amazônia brasileira, o que não foi adiante devido a ação decidida do governador do Amazonas Arthur Cezar Ferreira Reis, que denunciou o caso para a imprensa e fez os entreguistas recuarem.”

    Eu devolvo a pergunta: Imaginem o Brasil sem a Sadia? Sem a EMBRAER? Sem a CSN?

    Eis um exemplo da mentalidade do atraso. É essa mentalidade que promove a ineficiência na geração de riquezas e espalha a pobreza para todos os lados de uma sociedade. É exatamente à essa hostilidade que me refiro quando digo que as esquerdas, no geral, são extremamente violentas quando o assunto é liberdade econômica e medidas de circulação da riqueza que não passem pelas mãos do Estado — e mesmo quando passam pelo Estado, as esquerdas apenas aceitam tais medidas quando são elas que estão no controle do aparato estatal. O que eu vejo é que essa hostilidade à liberdade econômica é um reflexo de algo bem mais sério: As esquerdas odeiam todo e qualquer dinheiro no qual elas não possam meter a mão para roubar.

    Petrobrás, coitada, se não fosse a abertura de seu capital para um influxo de recursos do setor privado, dificilmente ela estaria na condição em que está. Quando era completamente estatal não tinha sequer dinheiro para explorar petróleo que era necessário ao país e vale lembrar da vergonhosa condição em que tal empresa deixou o Brasil nos idos dos anos de 1970-1990, quando o Brasil tinha que mendigar petróleo para o Iraque.

    Como já nos disse o colega Vilarnovo: Qual o benefício que a Petrobrás trás para o cidadão comum?

    Hoje, a Petrobrás é um Estado dentro do Estado. E seus comissários concentram muito poder econômico e político, o que é perigoso para as liberdades gerais.

    A única cantilena que os esquerdistas têm em relação ao Roberto Campos é a de que ele sempre foi um entreguista. Ao meu ver, ele queria estabelecer medidas para desenvolver um capitalismo moderno dentro do Brasil e que o setor privado pudesse atuar com liberdade nos mais diversos setores. Isso seria bom para toda a sociedade de um modo geral, pois geraria empregos e daria mais liberdade de escolhas às pessoas.

    Sei lá, mas, às vezes, monto um suposto cenário histórico no qual Juscelino Kubitschek teria que enfrentar como oposição o PT para implantar os projetos que ele visionava, O quê os petistas não diriam dele? Entreguista? Peão do Império do Norte? Americanizado?

    Jorge, você deveria ler menos a cartilha esquerdista que lhe deram na Escola Nacional de Formação de Militantes e usar um pouco mais a sua massa cinzenta. E, segundo o próprio Pax já afirmou aqui, o Jorge é um petista civilizado/acima da média. Imaginem os que estão abaixo da média ou três desvios-padrões à esquerda dele.

    Eis a esquerda brasileira.

    Até!

    Marcelo

  15. Olá!

    “Esqueceu, talvez de propósito, da França, da Inglaterra, da Alemanha etc. Sim, caro, queira você ou não, tem estados fortes, e são sociais democracias também. E são os exemplos que miro, sim, mas não esqueço de olhar também o recente exemplo da Coréia do Sul que investiu um bocado em Educação e deixou de produzir bugigangas e hoje exporta alta tecnologia.”

    Pax, não seja ingênuo. Esses países podem manter esse enorme aparato de Welfare State justamente por terem aderido fortemente ao ideário liberal. São essas idéias que permitem aos cidadãos desses respectivos países gerarem riquezas o suficiente para que o Estados possa arcar com toda uma rede de proteção social às pessoas de lá. Não é o raciocínio inverso. É a iniciativa privada que, atuando dentro de um ambiente receptivo à livre iniciativa e à liberdade econômica, gera os recursos que bancam esse Welfare State.

    Diga aí: Quais desses países tem uma estrovenga como uma Petrobrás? A Mercedes-Bez é estatal? A Dassault Aviation é estatal? A Siemens é estatal? A BOSCH é estatal? A NOKIA é estatal? Pelo que eu saiba, são empresas de capital aberto, com ações nas bolsas de valores mundo afora e líderes dentro do seus respectivos nichos de atuação.

    É salutar que o capital esteja diluído ao longo de toda a sociedade, pois isso evita a concentração de poder econômico sob a tutela de uma elite minoritária e privilegiada, seja ela estatal ou não. Porém, quando o maquinário estatal detém muito poder econômico, a situação fica muito complicada, pois apenas uma entidade concentrará muito poder, além do poder político que já tem, e isso é perigoso para a democracia e as liberdades individuais. E, como a história já nos mostrou, é muito perigoso deixar a produção sob os “cuidados” de qualquer espécie de comissariado.

    Fora a já conhecida corrupção burocrático-estatal. Ao menos eu não conheço nenhum empresário que seria trouxa o bastante para roubar o próprio dinheiro.

    “Mas não esqueça que a classe trabalhadora protegida, desde os tempos do fim da escravidão (final do século XIX) até as garantias das condições de trabalho, dos salários mínimos, suas agremiações sindicais etc, trouxeram um enorme avanço social em todos os países em que aconteceram. O mercado de hoje vive em função de trabalhadores que tem renda suficiente para o consumo. E, também, inegável, de países que estimularam a iniciativa privada que contrata esses trabalhadores.”

    Você cometeu um erro histórico. A escravidão de nativos do continente europeu vinha entrando em desuso desde os idos da queda do Império Romano — e, até mesmo, antes disso, com a implantação do colonato no século IV — e se intensificou ao longo do Medievo. Houve, mais tarde, um renascimento dessa instituição nas colônias das metrópoles européias, sobretudo as africanas.

    Esses avanços que você citou apenas foram possíveis por causa do desenvolvimento do capitalismo e da otimização dos processos que geram riquezas. O capitalismo colocou a humanidade, pelo menos parte dela que a ele aderiu, em um nível jamais imaginado pelas gerações anteriores. É claro que é extremamente necessário que os trabalhadores ganhem bem para poder garantir a própria sobrevivência e os trabalhadores que, hoje, têm os melhores níveis de vida são exatamente aqueles provenientes de países que adotaram o capitalismo e o liberalismo econômico no sentido de gerar riquezas.

    O principal papel do mercado é funcionar como um agente de estabelecimento de preços.

    “Vamos extrapolar para ver se você consegue entender o ponto: você acha que trabalhadores em regime de semi-escravidão, como viviam na Europa no início do século XX, caso a situação perdurasse, comprariam roupas, aparelhos eletrodomésticos, material de construção, motos, carros e, pasme, para desespero de alguns, até viajar de avião? Não, caro. Eles quando muito compravam batatas e pedaços de carvão para não morrer de fome e frio. Não havia consumo quase algum além das necessidades primárias, ainda que muito mal atendidas.”

    Novamente, Pax, você cometeu um erro. Condições de semi-escravidão, pelo menos na história do Ocidente, houve apenas em dois períodos: No regime de colonato durante o Império Romano e, mais tarde, com o resurgimento dessa instituição naqueles países em que predominou a escravidão africana e que gradativamente foram eliminando-a de suas sociedades (como foi o caso do Brasil).

    Eu concordo que os trabalhadores do começo do século XX viviam sob condições brutalmente insalubres, tanto no ambiente doméstico, quanto no ambiente de trabalho. É claro que essas condições não iriam ser perpétuas, pois, com o desenvolvimento do capitalismo e a melhoria dos processos que geram riquezas, seria quase que inescapável às autoridades buscar maneiras de melhorar as condições de vida daquelas pessoas, bem como os próprios trabalhadores também iriam lutar nesse sentido, como a própria história nos mostra.

    Vale ressaltar um ponto: No começo do século XX a população mundial havia atingido a cifra de, aproximadamente, 1 bilhão de pessoas. A esmagadora maioria dessa gente vivia sob condições muito piores do que esses trabalhadores que você citou, pois sequer tinham um saco de batatas e um pedaço de carvão para se alimentar e se aquecer. Foi o capitalismo e a liberdade econômica que permitiram que essas condições melhorassem, já que prato de comida não cái do céu e aquecedores elétricos custam caro. Por mais irônico que pareça, hoje, a forma mais selvagem de capitalismo é praticada em um país comunista: A China.

    Foram os avanços sociais que criaram os mercados. Force a barra, vá aos extremos que você encontra as respostas mais reais. O sonho liberal, ou pelo menos o que você parece defender, não admite que o Estado proteja o cidadão, as classes etc. Como que se a humanidade, livre e solta, pudesse se acomodar e produzir riquezas e justiça sem intervenção do Estado. Conversa para boi dormir. Nem Roberto Campos acreditava nisso.”

    Esse é um erro crasso, Pax. O mercado é, em essência, um mecanismo para o estabelecimento de preços. Podemos dizer que o mercado nasce com a civilização e evolui juntamente com ela.

    Os avanços sociais, que você tanto fala, apenas foram possíveis quando houve um excesso de riquezas que poderiam ser redirecionadas para a criação de uma rede social de proteção aos cidadãos. Se o mercado tem algo a ver com isso, honestamente, eu não sei. No entanto, o único sistema de produção que eu conheço, e que permite que haja riquezas em excesso como nunca antes visto na história humana, é o capitalismo acoplado à liberdade econômica e a um forte sistema educacional.

    Eu já expliquei aqui que defendo a presença do Estado nos seguintes setores:

    01. Educação
    02. Defesa Nacional
    03. Segurança Pública
    04. Justiça
    05. Relações Internacionais
    06. Saúde
    07. Estabilidade Monetária
    08. Garantir a Concorrência

    O restante pode ser deixado a cargo da iniciativa privada e/ou parcialmente partilhado entre o setor estatal e o setor privado. Em educação e saúde a iniciativa privada também poderia atuar.

    “Em outras palavras e respondendo tua primeira pergunta: Quais medidas a social-democracia possui que sejam mais eficientes em termos de geração de riquezas do que o ideário liberal?

    Uma única resposta: MERCADO – bingo!”

    Pax, essa sua resposta é pura maluquice. O mercado, como já afirmei antes, é, em essência, um mecanismo de estabelecimento de preços. Havia, por exemplo, um mercado na União Soviética, Pax. Mas você acha que, dado o monopólio estatal em praticamente todos os setores da URSS, havia concorrência de preços? E sem concorrência, a qualidade dos produtos era boa?

    “- Que este estado também seja responsável por incentivar a economia, como por exemplo nas atuações em bancos de fomento e crédito.”

    Nesse ponto eu discordo 35000%, Pax. Esses bancos de fomento e crédito acabam se tornando uma arma política nas mãos de gente mal intencionada. O BNDES é, até certo ponto, um troço desse gênero e é, não raro, utilizado para hostilizar a iniciativa privada e obter vantagens muito particulares para agentes públicos. Sem dizer que concentrar muito poder econômico nas mãos do Estado é perigoso. Quando você alia esse poder econômico a um partido pouco civilizado como o PT, a mistura é extremamente explosiva.

    “- Que o estado atue em algumas poucas áreas que considerar estratégicas, como por exemplo em questões energéticas.”

    Discordo novamente. Esse discurso de que há certas áreas que são estratégicas pode ser utilizado de forma completamente deturpada e no sentido de privilegiar uma minoria. O PT já faz isso com o pré-sal, por exemplo. Além do que, esse discurso tende a transformar qualquer coisa como sendo estratégica e disso para a politicagem e o atraso econômico é um passo.

    Aquela tosca campanha “O Petróleo É Nosso!” foi algo que resultou desse sentimento de que hidrocarbonetos representavam um setor estratégico para o Brasil. E o mais engraçado é que, mesmo hoje, a auto-suficiência em petróleo/hidrocarbonetos nacional fica na corda bamba.

    Aquela outra campanha mentalmente vagabunda também. A tal da “A Informática É Nossa!”. E vejam o atraso tecnológico que isso legou ao Brasil. Heranças do varguismo.

    Até!

    Marcelo

  16. Olá!

    Comentando o segundo comentário do Pax.

    “O que acho, isso sim, é que temos um rumo, e este rumo é mais preocupado com o social que outras propostas. E aprovo este rumo.”blockquote>

    Eu também aprovo os rumos que melhoram o social, o detalhe é que o dinheiro para fazer isso não cairá do céu e tem de ser produzido de alguma maneira. Considero que o capitalismo, acoplado às medidas que melhoram as liberdades econômicas e a um forte sistema educacional, representam a melhor maneira de gerar as riquezas para amenizar as mazelas sociais do nosso país e é uma das poucas alternativas que podem dar ao indivíduo condições de ter uma vida digna, sem necessitar de assistencialismos estatais.

    “O que afirmei no post é que a grande maioria da sociedade brasileira também parece aprovar o mesmo que eu. Haja vista as duas principais forças concorrentes que não divergem tanto assim em suas essências. E que essa grande maioria não está do lado do partido que representa a outra vertende de opinião, que me parece centrada no partido DEM. Foi isso que disse no post.”blockquote>

    Eu também concordo com você: O PSDB civilizou, ainda que em parte, o PT. O DEM não representa nem de longe o liberalismo. É um partido historicamente ligado às oligarquias nordestinas e ao patrimonialismo.

    Vale lembrar que, na minha opinião, esse Brasilzão que temos hoje é fruto direto da construção de um país afastado dos valores do liberalismo e da essência da civilização ocidental.

    Até!

    Marcelo

  17. Olá!

    Comentando o segundo comentário do Pax.

    “O que acho, isso sim, é que temos um rumo, e este rumo é mais preocupado com o social que outras propostas. E aprovo este rumo.”

    Eu também aprovo os rumos que melhoram o social, o detalhe é que o dinheiro para fazer isso não cairá do céu e tem de ser produzido de alguma maneira. Considero que o capitalismo, acoplado às medidas que melhoram as liberdades econômicas e a um forte sistema educacional, representam a melhor maneira de gerar as riquezas para amenizar as mazelas sociais do nosso país e é uma das poucas alternativas que podem dar ao indivíduo condições de ter uma vida digna, sem necessitar de assistencialismos estatais.

    “O que afirmei no post é que a grande maioria da sociedade brasileira também parece aprovar o mesmo que eu. Haja vista as duas principais forças concorrentes que não divergem tanto assim em suas essências. E que essa grande maioria não está do lado do partido que representa a outra vertende de opinião, que me parece centrada no partido DEM. Foi isso que disse no post.”

    Eu também concordo com você: O PSDB civilizou, ainda que em parte, o PT. O DEM não representa nem de longe o liberalismo. É um partido historicamente ligado às oligarquias nordestinas e ao patrimonialismo.

    Vale lembrar que, na minha opinião, esse Brasilzão que temos hoje é fruto direto da construção de um país afastado dos valores do liberalismo e da essência da civilização ocidental.

    Até!

    Marcelo

    P.S: Pax, por gentileza, apague o comentário anterior que ficou sem formatação.

  18. Olá!

    Ao Fk.

    “Ele foi Ministro do Planejamento do primeiro governo militar, Castelo Branco, marcado exatamente por uma postura de total aproximação com os EUA em nada condizente com o ideário da parcela nacionalista dos militares que posteriormente chegariam ao poder, chegando ao ápice com Geisel. […]”

    Eu teria mais cuidado em dizer que houve uma postura de “total aproximação com os EUA”. O próprio Roberto Campos sabia que qualquer medida que estivesse fora do escopo nacional-intervencionista dos militares que apoiaram Castello Branco seria recebida com extrema hostilidade. Tanto isso é verdade que os governos militares posteriores deram mostras bem explícitas dessa filosofia nacional-intervencionista com a criação de diversas estatais.

    “Quer dizer, então, que o governo que foi mais próximo dos EUA na história do Brasil não teria poder para implementar reformas econômicas liberais? Faz-me rir!!”

    A base de apoio do governo Castello Branco era composta por militares de cunho extremamente estatizante e nacional-intervencionista. Tanto Roberto Campos quanto o Castello Branco sabiam disso e o general sugeriu que, para implementar medidas mais liberalizantes, seria necessária uma mudança de mentalidade de parte da cúpula dos militares, o que demandaria tempo. Tanto isso é verdade que tais reformas nunca foram feitas no Brasil e os governos militares que se seguiram demonstraram isso de forma mais visível.

    “Ah, e só pra te lembrar: se quiser procurar as origens da inflação inercial que detonou o Brasil na década de 1980, eu te ajudo a achar. Está lá na indexação monetária do PAEG do Roberto Campos.”

    Isso que você fala é uma enorme besteira. A intensificação do fenômeno inflacionário no Brasil ocorreu por causa das medidas estatais-intervencionistas dos militares na década de 1970 e, também, da aquisição de crédito a juros baixos nos idos da mesma década e a consequente crise do petróleo que houve nesse período. Foi nesse caldo de cultura que se criou a intensificação do fenômeno inflacionário brasileiro. No geral, foi o excesso de Estado que resultou na hiperinflação dos anos de 1980-1993.

    Até!

    Marcelo

  19. Olá!

    Vamos à maiêutica do Elias.

    “Roberto Campos?

    Sei…

    Aquele carinha que, como ministro do Castello, mandou elaborar um “estudo técnico-científico” que concluiu que o Brasil jamais teria condições de estruturar uma indústria siderúrgica capaz de atender às necessidades do país. Que a produção brasileira de aço seria eternamente medíocre, e por aí afora.”

    Você poderia nos dar a fonte em que você leu isso, Elias? Pelo que se sabe, nos idos de 1965-1970 a disponibilidade de capitais era escassa e Roberto Campos defendia a redução dos gastos estatais como uma das medidas de controle da inflação e para que houvesse mais investimentos de atendimento às camadas mais pobres da sociedade. Investir uma soma enorme de capitais (que o Brasil não tinha) para erigir uma estrovenga estatal ao estilo Petrobrás quando as necessidades mais urgentes do Brasil eram outras era uma decisão insensata. Mas, ao que parece, esquerdistas gostam de desperdiçar dinheiro, sobretudo quando não sai do bolso deles.

    “Lacerda disse que Bob Fields era burro ou desonesto. Ou, mais provavelmente, as duas coisas juntas. O Corvo desafiou Fields para um debate na tevê. Bob refugou, claro…”

    Isso é mentalmente vagabundo. Eis o que diz, sobre tal episódio, a Folha de São Paulo ao entrevistar o Roberto Campos:

    Folha – Qual foi o crítico que mais o machucou? O Lacerda?

    Campos – É, o Lacerda, ele era infernal. Era de longe o mais capaz. Brizola sempre foi aquela crítica muito primitiva. O Lacerda era mais articulado. Ele era um fabricante de “slogans” extraordinário, terrível. Eu passava parte do meu tempo tentando me defender do Lacerda, quase tanto como pensando coisas criadoras.

    Folha – O sr. chegou a ter um debate pela televisão com ele?

    Campos – Tive. Não foi propriamente um debate. Ele foi à televisão e fez discurso violentíssimo e eu fui logo depois.

    Folha – Sem combinar nada?

    Campos – Sem combinar. O Castelo é que me telefonou: “Liga a televisão que o Lacerda está falando. Eu quero que o senhor responda”. Eu fiz lá um discurso meio emocional e tal – o que é raro em mim – e o embasamento econômico dele era fácil de destruir, não tinha embasamento técnico. E eu citei lá um versículo da Bíblia em latim, que dizia que todo homem odiento será punido. E aí meus assessores – uma gente boa que está hoje aí, o Wilson Figueiredo, o Walter Fontoura, o Pedro Gomes -, eles falaram: “Mas que desastre, você vai falar com um grande comunicador e vai me citando latim”. Eu fiquei muito deprimido.
    Aí, um dia, andando aqui na praia com a minha mulher, em Ipanema, de repente vem um negro enorme e me levanta assim para o ar – eu imediatamente pensei a manchete do dia seguinte: “Ministro esbofeteado por um desempregado” e tal. Mas ele me põe no chão e diz assim: “É isso mesmo, o Lacerda matou o dr. Getúlio, caga latim nele”.

    Eis aí a honestidade intelectual de um esquerdista como o Elias e sua maiêutica toscática do pé-quebrado.

    Roberto Campos burro? Puro rancor e ódio anti-acadêmico e anti-intelectual.

    “Os militares mantiveram Bob no ministério até o fim do governo Castello. Mas nunca mais o quiseram nem perto da esplanada.”

    Foi como eu respondi ao Fk: Roberto Campos e seu liberalismo não eram bem vistos pelos militares estatais-nacionais-intervencionistas. Eles eram meio esquerdosos em termos econômicos.

    “Hoje, o Brasil é um dos gigantes da siderurgia. E, com a implantação da CAP — cuja pedra fundamental foi lançada pela governadora Ana Júlia há 2 semanas — se converterá no maior produtor mundial de aço (bobina e/ou chapa plana).”

    É isso aí, Elias! É o Brasil do século XXI atuando como o Brasil colonial: Fornecendo matéria-prima para os países centrais.

    Gostaria que o Brasil do século XXI fosse um gigante da computação, da microeletrônica, das tecnologias de telecomunicações, um gigante da biotecnologia, do capitalismo tecno-agrícola e etc… Já imaginaram como o estado do Pará não poderia ser se ele tivesse uma presença forte nas áreas de biotecnologia e bioinformática? Com todos aqueles recursos genéticos da Amazônia à disposição e um futuro enorme de possibilidades, com plena certeza, o Pará seria um ícone do nosso país, orgulho a ser imitado ao longo de toda a nação e, também fora dela, inovando e fornecendo ao mundo produtos que nenhuma Europa Ocidental e/ou Estados Unidos da América poderiam fornecer, já que são pobres em termos de recursos genéticos em seus biomas. Sem dizer o celeiro de inovações que esse estado iria se tornar, atraindo as melhores mentes do Brasil.

    Mas não… No lugar desse Pará grandioso, rico, avançado e preparado para encarar os desafios do mundo, temos o Pará do Elias, que exporta bobina e chapa plana.

    “Já o Bob Fields, que tinha pretensão de ser farol dianteiro, terminou seus dias como lamparina de pôpa…”

    Ao que me parece, não era apenas ele, Elias

    Até!

    Marcelo

  20. Elias said

    Caro Marcelo Augusto,

    Mostre que você é inteligente e capaz, debatendo sem fazer alusões depreciativas às pessoas com quem você não concorda.

    Onde eu li o episódio Lacerda X Bob Fields?

    Eu era garoto quando isso aconteceu, Marcelo. Acompanhei pelos jornais. Uma de minhas irmãs era casada com um parente do Lacerda, e tudo o que o Corvo fazia era objeto de debates em minha casa (até porque mais da metade da família simplesmente detestava o Lacerda).

    Leia com atenção, Marcelo.

    Eu não chamei o Bob Fields de burro e desonesto. Sei que de burro ele não tinha nada. Já desonesto… as evidências falam mais alto (e ainda tem aquele episódio dos banqueiros, né?).

    Repetindo o que já disse em meu comentário anterior, quem chamou o Bob Fields de burro e desonesto, Marcelo, foi o Lacerda! Vou dizer pela terceira vez: foi o Lacerda!

    Espero que tenha ficado claro pra você.

    Para mais detalhes sobre o caso, recomendo a leitura de “Depoimentos”, uma enorme entrevista de Carlos Lacerda (já no ostracismo) transformada em livro depois de sua morte.

    Leitura obrigatória para quem quer entender um mínimo da política brasileira, no período que vai do Estado Novo até o AI-5.

    E, antes que você tire novamente conclusões equivocadas, eu sempre admirei a inteligência e a capacidade de verbalização de Lacerda, sua enorme habilidade em proferir discursos e declarações contundentes, com tiradas sarcásticas verdadeiramente brilhantes. Um tremendo tribuno. Considero, igualmente, que ele foi um excelente administrador, com realizações perenes no Rio de Janeiro. Além do mais, jamais soube de qualquer evidência ligando Lacerda à corrupção (o que não é pouco, no Brasil…).

    Ideologicamente, entretanto, sempre joguei — e continuo jogando — no time oposto ao de Lacerda. Mais: pro meu gosto, a visão de Lacerda sobre a problemática brasileira tinha a profundidade de um pires.

    Além do quê, Lacerda era golpista (“Juscelino não deve ser cabdidato. Se candidato, não deve ser eleito. Se eleito, deve ser deeposto). Obcecado por chegar à Presidência da República. Como não tinha chance no voto, pensava que seria capaz de manipular os militares para esse propósito. Decano das vivandeiras…

    Se ferrou!

    Mantive — e ainda mantenho — entretanto, minha admiração por suas muitas qualidades, além das já referidas. Não necessito concordar com um sujeito pra admirar e respeitar sua inteligência.

  21. Elias said

    Marcelo,

    Leia novamente.

    O Pará NÃO exporta bobinas nem chapas planas.

    Eu disse que, há 2 semanas, a governadora Ana Júlia Carepa lançou a PEDRA FUNDAMENTAL da usina que produzirá bobinas e chapas planas. Impropriamente, chamei a usina de CAP. Na verdade, chama-se ALPA (Aços Laminados do Pará).

    É um projeto de aproximadamente US$.6,0 bilhões. Leva pelo menos 10 anos pra se concluir a implantação (mas o início da produção se dá em 5 anos).

    Se a pedra fundamental da usina foi lançada há 2 semanas, só o mais profundo desconhecimento da matéria poderia levar alguém a supor que, já agora, a produção esteja sendo exportada.

    Se for pra debater, vamos debater.

    Mas, pelo menos, vamos ler com um mínimo de atenção as afirmações que se pretende refutar.

    Chato ficar repetindo, né?

    E, antes que eu esqueça: a ALPA só saiu do papel porque o Lula virou a mesa. Ameaçou, inclusive, tirar o Agneli da presidência da Vale, se esta não iniciasse imediatamente a implantação da ALPA (em Marabá), e a nova usina de alumina (em Barcarena).

    É que o país inteiro está fazendo um imenso sacrifício pra minimizar os efeitos da crise econômica e a Vale, numa boa, entesourando recursos.

    Recursos que ela só dispõe porque não paga ICMS, recebe energia elétrica subsidiada (o subsídio é despejado nas contas de energia elétrica de todos os brasileiros e brasileiras que pagam conta de luz), e, ainda por cima, se valeu do Refis pra se livrar de sua imensa dívida previdenciária e fiscal (além de sonegar contribuição para o INSS, a Vale burlou o Imposto de Renda e, pela burla, foi punida com a maior multa já aplicada a uma empresa no Brasil; com o Refis, a multa virou pó…).

  22. Mona said

    Acho que o Marcelo Augusto falou foi que o Pará tem potencial para exportar produtos muito além de matérias primas, focados em itens que otimizem o bioma que lá existe e que podem transformar o Estado – e o País, por extensão – em expert/player em biotecnologia.
    É secundário se a CAP/ALPA foi ou será implantada. Mas, em sendo, ótimo!

  23. Elias said

    Mona,

    Ele disse: “…temos o Pará do Elias, que exporta bobina e chapa plana.”

    Eu corrigi: o “Pará do Elias” NÃO exporta bobina e chapa plana.

    Para boa parte dos brasileiros, pode ser que isso não signifique nada, mas a implantação da ALPA é o primeiro passo realmente significativo para:

    a – a verticalização da cadeia do ferro paraense (aintquíssima reivindicação deste Estado), hoje limitada à exportação de minério e gusa;

    b – a passagem direta do minério ao aço, “pulando” o estágio guseiro que, como se sabe, é o principal responsável pelo desmatamento desenfreado, que destrói o bioma, tornando impossível a futura transformação do Estado em um “expert/player em biotecnologia”.

    Uma coisa tem tudo a ver com a outra. A análise mais apressadinha é que não percebe…

  24. Mona said

    Que ótimo. Que o futuro seja bem vindo a nós.

  25. Olá!

    “Mostre que você é inteligente e capaz, debatendo sem fazer alusões depreciativas às pessoas com quem você não concorda.

    Uma coisa que eu não perdôo é um argumento intelectualmente vagabundo. Você ter afirmado aquilo sobre o debate Lacerda vs Campos, enquanto que a realidade foi diferente daquilo que você citou, é um argumento desse gênero.

    “Eu não chamei o Bob Fields de burro e desonesto. Sei que de burro ele não tinha nada. Já desonesto… as evidências falam mais alto (e ainda tem aquele episódio dos banqueiros, né?).

    E nem mesmo eu afirmei que você o chamou de burro e entendi que, quem o fez, foi o Lacerda. Disse, isso, sim, que alguém chamar o Roberto Campos de burro é pura demonstração gratuita de ódio anti-acadêmico e anti-intelectual, dada a excelente formação dele. Leia com mais atenção.

    “O Pará NÃO exporta bobinas nem chapas planas.”

    Acho que a Mona captou melhor a mensagem do que quis dizer quando afirmei sobre o atraso do Pará em aproveitar os seus potenciais biotecnológicos.

    Em todo o caso, eu refaço a assertiva que coloquei acima:

    “Gostaria que o Brasil do século XXI fosse um gigante da computação, da microeletrônica, das tecnologias de telecomunicações, um gigante da biotecnologia, do capitalismo tecno-agrícola e etc… Já imaginaram como o estado do Pará não poderia ser se ele tivesse uma presença forte nas áreas de biotecnologia e bioinformática? Com todos aqueles recursos genéticos da Amazônia à disposição e um futuro enorme de possibilidades, com plena certeza, o Pará seria um ícone do nosso país, orgulho a ser imitado ao longo de toda a nação e, também fora dela, inovando e fornecendo ao mundo produtos que nenhuma Europa Ocidental e/ou Estados Unidos da América poderiam fornecer, já que são pobres em termos de recursos genéticos em seus biomas. Sem dizer o celeiro de inovações que esse estado iria se tornar, atraindo as melhores mentes do Brasil.

    Mas não… No lugar desse Pará grandioso, rico, avançado e preparado para encarar os desafios do mundo, temos o Pará do Elias, que nem mesmo sequer exporta bobina e chapa plana.”

    Tomara que, um dia, o Pará se livre da pecha de estado com um forte extrativismo e chegue a pelo menos metade disso que vai acima. Aliás, acho que foi exatamente esse tipo de Brasil que o Roberto Campos imaginava.

    “E, antes que eu esqueça: a ALPA só saiu do papel porque o Lula virou a mesa. Ameaçou, inclusive, tirar o Agneli da presidência da Vale, se esta não iniciasse imediatamente a implantação da ALPA (em Marabá), e a nova usina de alumina (em Barcarena).”

    Aquele assalto que os petistas pretendiam fazer sobre a Vale demonstra bem qual é a visão deles sobre o livre mercado, o respeito à propriedade privada, o direito à livre escolha e ao capital privado. Um dos maiores rancores nos corações dos esquerdistas afora é justamente esse: O fato de a Vale ter sido privatizada e a impossibilidade de eles não poderem meter a mão na grana dessa empresa para fazerem suas mamatas, maracutaias e esquemad de corrupção.

    “É que o país inteiro está fazendo um imenso sacrifício pra minimizar os efeitos da crise econômica e a Vale, numa boa, entesourando recursos.”

    Se a Vale escolhesse não investir, a vontade dela, dentro de uma democracia representativa e do Estado de direito, deveria ser respeitada. A empresa arcaria com os custos disso, mas, mesmo assim, seria total direito da Vale fazer as escolhas que fossem, ainda que completamente insensatas.

    “Recursos que ela só dispõe porque não paga ICMS, recebe energia elétrica subsidiada (o subsídio é despejado nas contas de energia elétrica de todos os brasileiros e brasileiras que pagam conta de luz), e, ainda por cima, se valeu do Refis pra se livrar de sua imensa dívida previdenciária e fiscal (além de sonegar contribuição para o INSS, a Vale burlou o Imposto de Renda e, pela burla, foi punida com a maior multa já aplicada a uma empresa no Brasil; com o Refis, a multa virou pó…).”

    Eis aí um argumento que encerra dois aspectos econômicos do nosso país.

    O primeiro é essa carga tributária absurda que estrangula o setor privado nas mais variadas vertentes. Chega ao ponto de ser, praticamente, uma transferência de capital do setor privado para os burocratas e comissários do governo. É um dinheiro que ficaria bem melhor nas mãos da livre iniciativa em vez de se concentrar nos políticos e suas já conhecidas honestidades.

    O outro, é que tal argumento acima evidencia o primitivismo do atual estágio do “capitalismo” brasileiro no qual transfere-se para a população uma parte das despesas dessas empresas.

    Ambos são resultados da construção de um país afastada dos valores do liberalismo.

    Ah, sim: A Mona entendeu exatamente a essência do meu argumento.

    Até!

    Marcelo

  26. Jorge said

    Marcelo,
    se voce lesse alguma apostila do instituto milenium, do Dem ou do Psdb eu ficaria feliz. Mas, pelo visto, sua apostila é a revista veja e seus blogueiros… Ainda bem que pessoas como voce ficarão longe do poder e, dessa forma, não poderão destruir o Brasil e os brasileiros. Tente a sorte no Haiti ou sa Somália, lá não há Estado para atrapalhar.

  27. Olá!

    “se voce lesse alguma apostila do instituto milenium, do Dem ou do Psdb eu ficaria feliz. Mas, pelo visto, sua apostila é a revista veja e seus blogueiros…”

    Duvido muito dessa suposta felicidade. Se eu lesse fosse o que fosse de qualquer um desses veículos que você citou, aí, sim, você iria enxergar uma chance de 35000% para me rotular de golpista, pertencente ao PIG, reacionário e coisas desse tipo.

    “Ainda bem que pessoas como voce ficarão longe do poder […].”

    É essa a visão de democracia que uma parte considerável das esquerdas têm. No PT, não ficaria surpreso se fosse opinião majoritária. Para essa gente, implantar medidas que podem tirar pessoas da pobreza e dar à sociedade uma maior quantidade de escolhas, ao que parece, são vistas como algo terrível. Para esses esquerdistas, é melhor deixar as pessoas na miséria enquanto o Estado se “prepara” para, supostamente, retirá-las dessa condição. Esse é um tratamento brutalmente sub-humano, pois espalha pobreza para todos os lados de uma sociedade, sobretudo para as camadas mais carentes.

    É com uma esquerda dessa qualidade que o liberalismo tem que disputar espaço e não é uma tarefa fácil, pois essa gente tem a seu “favor” a mentira, a desconstrução do passado e dos fatos históricos, fora o teor fortemente anti-intelectual que essas esquerdas, no geral, possuem.

    “[E], dessa forma, não poderão destruir o Brasil e os brasileiros. […]”

    Chega a ser cômico uma consideração como essa. O pouco de liberalismo que houve durante o governo FHC foi capaz de colocar o Brasil na atual estabilidade monetária e econômica na qual o país se encontra. Foram esses valores do liberalismo, ainda que com uma expressão um tanto acanhada dentro do cenário nacional, que proporcionaram isso.

    Nos lugares nos quais as esquerdas tiveram total controle da sociedade, dos meios de produção, da imprensa, do aparato estatal e de toda a economia, o resultado final foi a total destruição dessas sociedades e de seus potenciais para gerar riquezas. O leste europeu foi ou não foi devastado por esses valores dos esquerdistas? E a Rússia? E Cuba? E os demais países comunistas?

    Esses países voltaram a melhorar suas condições gerais quando aderiram ao capitalismo e, até certo grau, à liberdade econômica.

    Portanto, se houve na história valores relacionados à destruição de povos e sociedade, esses valores são aqueles que as esquerdas defendem, em maior ou menor grau.

    “Tente a sorte no Haiti ou sa Somália, lá não há Estado para atrapalhar.”

    Jorge, quem precisa de Haiti e Somália quando há o Complexo do Alemão, o Morro do Vidigal, e as infindáveis invasões e favelas Brasil afora onde, também, não há Estado?

    Essas favelas e invaões são uma vergonha para a nossa sociedade, pois nós não fomos competentes o bastante para criar condições no sentido de evitar que essas pessoas ficassem nessa situação. Isso é um dos sintomas que mostra o fracasso de uma sociedade — senão total, pelo menos, em algum sentido. Mas, quando a grana é escassa e o talento é mais escasso ainda, e uma sociedade prioriza a criação de estrovengas burocrato-sindicato-estatais em vez de medidas que permitissem às pessoas ser independentes de qualquer assistencialismo governamental, é exatamente esse o resultado final.

    Eu fico abismado com as esquerdas: O atual mercado de trabalho brasileiro, que os valores dos esquerdistas ajudaram a criar, é tão rígido ao ponto de não permitir que determinadas pessoas entrem nele, fora as diversas medidas protecionistas de classe que determinados segmentos profissionais e seus sindicatos defendem, o que apenas gera exclusão, desemprego e, consequentemente, menor oferta de empregos. Daí que, uma parcela da população, sobretudo a mais pobre, que já não é assistida pelo Estado, também ficará de fora dos principais benefícios do único refúgio que poderiam ter: O mercado de trabalho. Uma pessoa que não pode contar com o Estado — que está “ausente” em lugares como as favelas e invasões — e nem com alguma ocupação no mercado de trabalho, irá, fatalmente, escolher a criminalidade. Isso é uma brutalidade desumana. Pela defesa de alguns valores ultrapassados e atrasados, as esquerdas submetem a sociedade a essas brutalidades e coisas afins.

    Até!

    Marcelo

  28. Jorge said

    Marcelo, voce fala tantas tolices que é difícil responder todas. Primeiro, voce nem me conhece e fica dizendo que eu sou isso, que eu aquilo. Meu caro, fique sabendo que já votei várias vezes no Psdb para derrotar o liberal Maluf. Segundo, quem disse que para defender a Petrobras estatal é preciso ser contra a Sadia empresa privada. As favelas que voce citou somente sairão da miséria se o Estado investir ali o que investe no meu bairro, Alto de Pinheiros. Tolice é acreditar que tudo que vem do Estado é demoníaco, como voce faz. De qualquer forma, como não entro neste blog para brigar, mas para discutir, não irei mais me referir a voce ou aos seus comentários.

  29. Pax said

    Marcelo Augusto,

    Você acusa todo mundo de argumentos vagabundos e outras agressões e escreve uma coisa dessas:

    Eu fico abismado com as esquerdas: O atual mercado de trabalho brasileiro, que os valores dos esquerdistas ajudaram a criar, é tão rígido ao ponto de não permitir que determinadas pessoas entrem nele, fora as diversas medidas protecionistas de classe que determinados segmentos profissionais e seus sindicatos defendem, o que apenas gera exclusão, desemprego e, consequentemente, menor oferta de empregos. Daí que, uma parcela da população, sobretudo a mais pobre, que já não é assistida pelo Estado, também ficará de fora dos principais benefícios do único refúgio que poderiam ter: O mercado de trabalho.

    Pelo que sei a geração de empregos durante os dois governos Lula foi bastante expressiva, se não me engano mais de 8 milhões com carteira assinada. O governo passado, salvo enorme engano, foi bem inferior. Acho que não passa de 1 milhão. Com certeza teríamos que nos aprofundar em várias outras questões envolvidas, mas os números são os números. E são 8 anos para um e quase 8 para o outro.

    Mas não interessa tanto a acuracidade dos dados, porque realmente não as tenho, procurei uma boa fonte e não achei, aliás se algum colega souber onde há esses dados agradeço. Mas acredito que não esteja errando muito.

    O que realmente interessa é essa questão de agressões que você costuma fazer aqui. Qualquer pessoa que não tenha tuas convicções é vagabundo ou usa argumentos “intelectualmente vagabundos” ou algo que o valha. E que no fundo é a mesma agressão. Isso sem você saber exatamente quem são as pessoas, o que elas fazem, qual sua história de vida, e mesmo qual seu momento, seu dia. As pessoas tem essas coisas todas, desde uma história, um presente e um momento. E com certeza você é capaz de entender isso.

    Então, meu caro, te peço que você evite essa postura. O blog se pretende um local de discussão, onde todos podem ter voz, desde sociais democratas como eu, até mesmo socialistas, liberais ou neoliberais, anarquistas, religiosos, ateus, ou o que quer que queiram ser, afinal vivemos num país livre.

    Todo mundo pode falar do que acredita. Mas, acima de tudo, eu que faço o blog e tento manter a discussão, gosto um bocado de educação. Não acredito que outras formas de discussão, partindo para agressões tão rábicas, sejam as mais apropriadas. Até pelo contrário, sempre vejo esse tipo de argumentação de gente que perdeu a capacidade de defender seus pontos.

    Agora mesmo acabo de questionar uma afirmação tua e em nenhum momento te agredi. Só questionei, trouxe informação que me parece real, que contrapõe teu argumento, sem ofender, de forma alguma.

    Então, mais uma vez, peço com todo respeito que você também respeite todos que vierem aqui comentar.

  30. Olá!

    “Pelo que sei a geração de empregos durante os dois governos Lula foi bastante expressiva, se não me engano mais de 8 milhões com carteira assinada. O governo passado, salvo enorme engano, foi bem inferior. Acho que não passa de 1 milhão. Com certeza teríamos que nos aprofundar em várias outras questões envolvidas, mas os números são os números. E são 8 anos para um e quase 8 para o outro.”

    Mais uma vez, o Pax não entendeu o argumento. A essência do que escrevi acima tem a ver com a rigidez que o mercado de trabalho brasileiro possui e a exclusão que isso cria, sobretudo da camada mais pobre da sociedade. Essas forças retrógradas que citei — sindicatos e demais agremiações esquerdo-sindicais — defendem medidas classistas que impedem uma maior oferta e concorrência na área de empregos, salários e etc. Isso é ruim.

    Fosse o mercado de trabalho mais flexível, haveria uma geração de empregos muito maior.

    “O que realmente interessa é essa questão de agressões que você costuma fazer aqui. Qualquer pessoa que não tenha tuas convicções é vagabundo ou usa argumentos “intelectualmente vagabundos” ou algo que o valha. […]”

    Isso não é verdade, Pax. Não digo que quem discorda de mim é intelectualmente vagabundo ou vagabundo per se. Classifico os argumentos de intelectualmente vagabundos e não os seus autores. Há uma boa diferença entre essas duas atitudes.

    Por exemplo, pegue aquela consideração sobre o tal “debate” Campos vs Lacerda em que afirmaram que o Roberto Campos refugou. Peguei uma entrevista do próprio Roberto Campos em que ele lembra do caso do debate e mostrou o acontecido entre ambos. A verdade factual desse caso é bem diferente daquilo que narraram nos comentários. Ao meu ver, isso foi uma tentativa desonesta de mudar um fato histórico no sentido de desconstruir a história e beneficiar uma visão de mundo ideológico-esquerdo-petista. Se não fosse a minha intervenção nesse caso, os demais leitores teriam tomado como verdadeiras as considerações que disseram sobre tal episódio — as quais eram plenamente desonestas em termos intelectuais.

    Pax, sinto muito, mas quando alguém utiliza mentiras para fazer uma desconstrução das verdades históricas, bem como da própria história, no sentido de beneficiar uma dada visão de mundo cheia de afinidades ideológicas com um partido político retrógrado e que dá abrigo às forças políticas mais atrasadas da atualidade brasileira, não há outra classificação para esse tipo de atitude senão a desonestidade intelectual e coisas desse gênero.

    Em um outro post seu, o Jorge me chamou de coisas que não sou e até mesmo disse que eu faço propaganda militante para o PSDB. Não vi essa indignação da sua parte nesse episódio, Pax. E ele nada disse dos meus argumentos, mas, sim, da minha pessoa. É claro que não me importo, pois ele é um dos mais fracos aqui quando o quesito é a argumentação e não é de se estranhar que apele para essas tolices quando falta uma base argumentativa sólida para discutir.

    Até!

    Marcelo

  31. fk said

    Marcelo

    Claro que a inflação assassina da década de 1980 teve parte de seu fundamento nos empréstimos bizarros e na forçassão de barra econômica da década de 1970 -que foi não apenas para manter a economia em crescimento, mas também para manter o regime em ordem-, mas qualquer pessoa que tenha estudado minimamente história econômica do país -e eu ficaria muito feliz em lhe recomendar dois ótimos livros que tratam do assunto- sabe que a inflação inercial da década de 1980 tem sim sua origem no sistema de indexação monetária do Roberto Campos. Foi preciso quebrar essa indexação para acabar com a inflação brasileira.

    Concordo em parte com sua crítica sobre o capitalismo brasileiro em geral, ainda que não concorde que as mazelas deste sejam frutos das esquerdas. Por sinal, tanto não são que as esquerdas nunca governaram o país para ter qualquer tipo de responsabilidade sobre essa construção torta do mercado nacional. O Brasil burla o princípio básico do capitalismo, que é o risco do empresário. Aqui, o grande empresário não corre risco -e isso serve tanto para a indústria tecnológica quanto para o agrobusiness-, mas sim o Estado assume seus riscos. Isso é obviamente absurdo.
    A contrapartida é o estrangulamento da iniciativa privada em geral, principalmente do pequeno empresário. E aí mando sim duas críticas ao governo Lula: uma, quando abriu os cofres dos bancos estatais para manter o fluxo de crédito em direção à petrobrás, estrangulando o fluxo de crédito de pequenos e médios investidores. Quem vcs acham que precisava mais de dinheiro no momento da crise? A petrobrás os milhares de fulaninhos? De qaulquer forma, não se pode perder de vista que o crédito em geral cresceu enormemente no governo Lula. Outra crítica foi sobre essa “intervenção” na Vale, ditando a uma empresa privada o que ela deve fazer. Nesse ponto, penso que ninguem é melhor pra decidir investimentos privados do que o ente privado. Sem falar que se é pra criar simplesmente uma outra zona de profunda diferença econômica, como carajás, então o argumento da razão social do investimento vai por agua abaixo.

    Marcelo, uma crítica, que eu já fiz a vc: esse tendência incorreta de falar em esquerdas, sem atentar que existem sim diferenças na esquerda, assim como existe na direita. Mas vc bota tudo no mesmo saco. Comunistas, socialistas, social-democratas. Tudo é pra vc igual. E não é bem assim. Senão seria como dizer que John Mccain é igual à Sarah Palin -é que não consigo achar um argumento igual pra direita brasileira organizada, talvez porque ela não exista.

    E quando vc fala em pulverização do capital devido ao inventivo às empresas privadas, vc perde de vista a realidade. Pegue apenas as empresas que vc citou lá em cima para justificar o crescimento de países europeus. A tendência não é a pulverização, mas a concentração, como já bem tinha notado o Schumpeter lá atrás, na década de 1940. E essa concentração pode se tornar extremamente nociva para a sociedade. O que me trás uma discussão incipiente na social-democracia sobre os métodos de análise de desenvolvimento, excessivamente economicistas, mas que não levam em conta outros argumentos de ordem social. Assim, o sucesso mede-se não pelo bem estar que se proporciona aos cidadãos, mas pelo crescimento econômico do país. Daí, por exemplo, a perspectiva irreal do imenso sucesso do milagre econômico, ou mesmo da China.

  32. Elias said

    Pessoal, negócio seguinte:

    Fato 1: No governo Jango, Roberto Campos defendeu (em Washington) a maior intervenção do Estado no domínio econômico. Defendeu a política econômica de Jango. No início de março de 64, Roberto Campos fazia isso. Logo após o golpe militar, ele passou para o outro lado.

    Daí porque Lacerda o chamou de vigarista vira-casaca.

    Fato 2: Como ministro de Castello, Roberto Campos — agora fantasiado de Bob Fields — patrocinou aquele estudo afirmando que a produção siderúrgica do Brasil jamais conseguiria pelo menos atender à demanda do mercado interno.

    Daí porque Lacerda o chamou de burro e desonesto.

    Fato 3: Na entrevista citada pelo Marcelo, Fields diz que soube por um telefonema do Castello, que Lacerda estava falando contra ele na tevê, etc e tal.

    Mentira! O desafio de Lacerda foi feito com muita antecedência, marcando data, hora e local.

    Lacerda mandou carta ao ministro Fields e ao presidente Castello.

    Os jornais — cariocas principalmente — noticiaram amplamente o desafio e meio Brasil aguardou o debate como se aguarda uma decisão de campeonato (Lacerda pretendia se candidatar à Presidência da República nas eleições que, depois, seriam canceladas, com a prorrogação do mandato do Castello).

    Bob Fields simplesmente refugou. Não compareceu ao debate.

    Mais tarde ele deu uma entrevista na tevê, supostamente para responder ao Lacerda, mas que, de fato, não tocou em nenhum dos assuntos que tinham dado causa ao desafio.

    Especialmente, não fez referência ao caríssimo “estudo” que ele havia patrocinado, sob a suposta “incapacidade” brasileira na área da siderurgia.

    Foi uma desmoralização total. Afinal, o “estudo” seria uma das bases técnicas para a formulação da política nacional de desenvolvimento industrial…

    Bob Fields foi mantido no ministério, porém sua influência (que nunca foi lá aquele chocolate todo), ficou ainda menor. De Costa e Silva em diante, Fields foi simplesmente ignorado como opção para ministério. Nunca mais ele chegou nem perto da esplanada.

    Deram pro Bob uma embaixada, como prêmio de consolação. A partir daí, ele passou a desfiar aquele discurso monocórdico, de liberalismo de almanaque, para um mundo que não existe.

    Seus discursos bem podem ser gravados e vendidos a pecuaristas cujos rebanhos sofram de insônia. Eles vão adorar uma cedeteca inteira de conversa pra boi dormir.

    Mas é bom que eles tenham cuidado. Se houver excesso de exposição a esse agente insalubre, a manada pode ficar de saco cheio e se revoltar…

    Bob Fields era muito mais um discursivo. Um papagaiador — de má qualidade — de idéias alheias. Como gestor, seu desempenho foi abaixo de um fracasso.

    Um boquirroto. Só isso. Um inútil, mesmo para o regime e a causa que ele se propôs defender.

  33. Elias said

    A questão não é deixar de explorar os minérios paraenses.

    (1) Tome-se a Balança Comercial brasileira; (2) Exclua-se o superávit produzido pelas exportações paraenses; e (3) Veja-se como fica.

    A questão é explorar sem ferrar com o bioma e verticalizar ao máximo a produção.

    Exportar alumina e alumínio em lingote, é o mesmo que exportar energia elétrica. É o que acontece quando se exporta matérias-primas e produtos intermediários eletrointensivos.

    Eles geram emprego e renda? Sim, mas não nos locais e origem e sim nos locais de destino.

    Como a energia elétrica usada na geração desses produtos é subsidiada, segue-se que sua exportação significa exportar subsídios.

    Quando a produção se verticaliza a cadeia produtiva, o papo é outro. É na cadeia verticalizada que são gerados o emprego e a renda que interessam ao país.

    Problema: como verticalizar e, ao mesmo tempo, não ferrar com o bioma?

    Resposta: no caso da cadeia do ferro, o negócio é passar diretamente do minério ao aço, sem passar pelo gusa.

    É que, para produzir o gusa, necessita-se de carbono pra agregar moléculas de ferro.

    Alternativas: (a) carvão-de-pedra, altamente poluente; (b) madeira carbonizada (ou seja: carvão vegetal), que esculhamba com a biomassa.

    Se ficar por aí, resta escolher em que fogueira você será queimado…

    Com a passagem direta do minério ao aço, sem o gusa como etapa intermediária, fica viabilizada a verticalização sem ameaça ao bioma.

    Daí a importância histórica do lançamento da pedra fundamental da ALPA, feito pela governadora Ana Júlia há alguns dias.

    Entendeu, Marcelo?

  34. Elias said

    Onde se lê:

    “Quando a produção se verticaliza a cadeia produtiva…”,

    leia-se:

    “Quando se verticaliza a cadeia produtiva…”.

  35. Pax said

    Marcelo Augusto,

    O que você escreveu, está escrito:

    O atual mercado de trabalho brasileiro, que os valores dos esquerdistas ajudaram a criar, é tão rígido ao ponto de não permitir que determinadas pessoas entrem nele, fora as diversas medidas protecionistas de classe que determinados segmentos profissionais e seus sindicatos defendem, o que apenas gera exclusão, desemprego e, consequentemente, menor oferta de empregos.

    E aí você diz que eu não entendi. Sei. Talvez você queira refrasear o que escreveu, pois está claro como água. E um tanto distante da realidade brasileira das últimas duas décadas.

  36. Elias said

    “O atual mercado de trabalho brasileiro, que os valores dos esquerdistas ajudaram a criar…”

    Pax, deixa eu dar uma lembrada.

    Nos EUA, os Beatles não conseguiram gravar um disco, porque George Martin não era sindicalizado no país (e o quarteto decidiu que, sem Martin, nada feito).

    Vai ver, o mercado de trabalho norte-americano está totalmente contaminado por valores esquerdistas.

    Os da Alemanha, Suécia e Dinamarca, então, nem se fala (França e Holanda não valem, porque são países comunistas. Bélgica idem). Também, pudera: 9 em cada 10 alemães, suecos e dinamarqueses são comunistas, da ala esquerda da facção xiíta maronita de extrema-extrema do B dos p… dentro das caçlas…

    Aliás, como todos sabem, a família real sueca, agora associada ao também comunista Obama, financia o Foro São Paulo, que há de deitar por terra o capitalismo. Subversivos, ativos, ferozes e nocivos ao bem de todos e felicidade geral da humanidade.

    Pensando bem… acho que o governo do Canadá também não tem mais jeito. Está reduzido a mero joguete da gang do Foro São Paulo.

    Ainda bem que o Olavo de Carvalho está nos EUA pra tentar impedir a catástofre que se avizinha…

    Mas Olavo precisa de ajuda.

    Ele não pode trabalhar como jornalista para publicações americanas. Não pode cobrar pelas palestras que ministra no país (são os tais valores esquerdistas, acho).

    A grana tá cotó pro Olavo… Dia desses, no seu blog, ele estava pedindo dinheiro aos seus leitores, para financiar sua cruzada pela salvação do capitalismo (sabe como é: sem Olavo, o capitalismo vai acabar..).

    Falando sério: a direita brasileira tá doida feito uma louca! Os caras simplesmente piraram. Deixaram de ser posição político-ideológica e se tornaram casos clínicos.

    Psiquiátricos, pra ser mais claro.

  37. fk said

    Em partes:

    A estruturação do mercado de trabalho -que, obviamente, não foi feita pela esquerda brasileira- precisa ser urgentemente revista, pois é um sério empecilho à iniciativa privada, ao pequeno empreendedor.
    A CLT e a justiça trabalhista toma como base a noção de que o empregado é hiposuficiente em relação ao patrão. Isso é correto pra Vale, mas não pro Manoel da padaria que, coitado, fica ele sim hiposuficiente em relação aos seus cinco empregados. Sei disso por conheciemnto de causa e não, não me chamo Manoel e nem tenho uma padaria.

    Penso que os direitos trabalhistas deveriam ser organizados nos moldes da tributação para a pequena empresa, ou seja, direitos mais flexíveis para pessoas contratadas por empresas com um certo rendimento e assim por diante. Essa é uma discussão séria e que está negligenciada no país simplesmente porque, graças às tortas reformas estruturais do FHC e ao bom juízo do Lula, o Brasil conseguiu manter um bom crescimento econômico, mesmo nessa crise insana.

    A questão trabalhista é o outro lado desse capitalismo doido que aqui temos e sobre o qual me referi acima.

    Ah, e, para quem não lembra da escola ou simplesmente não estudou isso, a inspiração para a CLT não foram os “valores” da esquerda, mas sim a “Carta del lavoro” do Mussolini, ou seja, inspiração fascista. Mas é claro que sempre vai ter um retardado pra dizer que fascismo=nazismo=comunismo=esquerdismo, mas vamos supor que ninguém aqui é burro a esse ponto.

  38. Olá!

    Ao Fk.

    Suas críticas são bastante honestas e eu concedo o seu ponto-de-vista quanto à atuação do Roberto Campos na economia nos idos dos anos de 1960. Mas não creio que essa atuação tenha gerado a hiperinflação do período 1980-1993.

    Quanto ao fato de eu me referir aos esquerdistas e esquerdas no plural, isso tem uma razão bastante óbvia de ser: Em maior ou menor grau, todos defendem idéias que emperram a geração de riquezas e clamam por mais Estado em setores que deveriam ficar a cargo da iniciativa privada.

    “E quando vc fala em pulverização do capital devido ao inventivo às empresas privadas, vc perde de vista a realidade. Pegue apenas as empresas que vc citou lá em cima para justificar o crescimento de países europeus. A tendência não é a pulverização, mas a concentração, como já bem tinha notado o Schumpeter lá atrás, na década de 1940. […]”

    Eu não discordo. Mas há de convir que é muito mais salutar para uma economia, para o mercado de trabalho e para um país de modo geral que haja diversas empresas que atuem em um mesmo setor em vez de monopólios. Ao meu ver, o poder econômico fica mais diluído quando há umas 25 empresas atuando no setor de petróleo do que na situação em que apenas uma detém todo esse mercado. O mesmo pode ser dito sobre outros nichos.

    Quanto à questão trabalhista, acho que você a entendeu as minhas considerações melhor do que os demais.

    Até!

    Marcelo

  39. Olá!

    É com esse tipo de coisa que eu preciso lidar:

    “Fato 1: No governo Jango, Roberto Campos defendeu (em Washington) a maior intervenção do Estado no domínio econômico. Defendeu a política econômica de Jango. No início de março de 64, Roberto Campos fazia isso. Logo após o golpe militar, ele passou para o outro lado.

    Daí porque Lacerda o chamou de vigarista vira-casaca.”

    Eis uma versão menos ideológica dos fatos:

    Miguel Jorge: Vou fazer uma pergunta ao senhor em relação ao seu período de embaixador, me parece que o senhor foi duas vezes embaixador. Gostaria que o senhor falasse da primeira vez, em que governo foi e como foi essa experiência?

    Roberto Campos: A primeira vez foi em Washington, eu tinha sido convidado, designado pelo Jânio Quadros , mas ele renunciou. Eu então já tinha até pedido licença ao Itamaraty para voltar à atividade privada, não imaginava mais nenhuma ligação com a embaixada em Washington. Mas o primeiro-ministro do governo parlamentarista era Tancredo Neves, meu grande amigo, e o ministro do Exterior era o San Tiago Dantas [foi também ministro da Fazenda e um dos precursores da chamada “política externa independente”]. Então ambos me chamaram e disseram: “Agora que você tem quê.” Eu disse: “vocês estão brincando. Eu não tenho nenhuma intimidade com o Jango, ele mal me conhece, não temos nenhuma afinidade ideológica. E o embaixador em Washington deve ter a liberdade de acordar o presidente às duas e meia, três horas da manhã para uma situação de crise, eu sou contraindicado para Washington”. Tancredo então me disse: “Você não tem a confiança do Jango, você mal o conhece, mas tem a minha confiança, eu sou o primeiro-ministro”. E o San Tiago Dantas dizia: “Eu insisto em que você vá, porque os dois países vão marchar em rota de colisão. É preciso alguém com conhecimento de ambos os países, com experiência econômica, para tentar minimizar o choque. Você vai lá, vai ser um algodão entre cristais”. Foi assim que ele me apresentou o problema. Eu fui para Washington num momento particularmente difícil, que era o Brasil ameaçado de envolvimento pela esquerda, e um Kennedy ressabiado com a sua derrota na Baía dos Porcos [movimento organizado pelo governo norte-americano, em 1961, contra a presidência de Fidel Castro. Simulando uma rebelião interna, a operação contou com exilados cubanos e herdeiros das empresas norte-americanas nacionalizadas pelo governo castrista, que formaram o Exército Cubano de Libertação], extremamente sensível a qualquer coisa que significasse esquerdização do Brasil. O pânico do presidente Kennedy era que ele carregasse, ao longo da vida, a cruz que [Harry S.] Truman [assumiu a presidência dos Estados Unidos em abril de 1945, fase final da Segunda Guerra Mundial, após a morte do presidente Franklin Roosevelt] carregou: a de ser acusado de perder a China. Ele dizia “imaginem se eu for acusado de perder o Brasil”, que seria a China do novo continente. Então era uma situação difícil.

    Miguel Jorge: O senhor foi embaixador do governo João Goulart?

    Roberto Campos: Acabei sendo embaixador do João Goulart. E o Lacerda [(1914-1977), jornalista e político, foi fundador e proprietário do jornal Tribuna da Imprensa e ficou famoso como pivô no episódio do suicídio de Getúlio Vargas, de quem era ferrenho opositor], aliás, fez uma gozação enorme. Ele dizia: “Esse cara não tem caráter”. Ele foi […] de governo, esquerda, direita… [risos]”

    O detalhe é que eu não tenho verdades pela metade a meu favor.

    “Fato 2: Como ministro de Castello, Roberto Campos — agora fantasiado de Bob Fields — patrocinou aquele estudo afirmando que a produção siderúrgica do Brasil jamais conseguiria pelo menos atender à demanda do mercado interno.”

    Levando em consideração a disponibilidade de capitais e o momento tecnológico do Brasil dessa época, ele não estava errado.

    “Bob Fields foi mantido no ministério, porém sua influência (que nunca foi lá aquele chocolate todo), ficou ainda menor. De Costa e Silva em diante, Fields foi simplesmente ignorado como opção para ministério. Nunca mais ele chegou nem perto da esplanada.”

    Foi como afirmei mais acima: Os militares que apoiaram o golpe de 1964 eram extremamente nacionalistas e estatais-intervencionistas. Não há espaço para liberalismo dentro de uma mentalidade como essa, que é apenas parente bem próximo do que os esquerdistas defendem.

    “Deram pro Bob uma embaixada, como prêmio de consolação. A partir daí, ele passou a desfiar aquele discurso monocórdico, de liberalismo de almanaque, para um mundo que não existe.

    Seus discursos bem podem ser gravados e vendidos a pecuaristas cujos rebanhos sofram de insônia. Eles vão adorar uma cedeteca inteira de conversa pra boi dormir.

    Mas é bom que eles tenham cuidado. Se houver excesso de exposição a esse agente insalubre, a manada pode ficar de saco cheio e se revoltar…

    Bob Fields era muito mais um discursivo. Um papagaiador — de má qualidade — de idéias alheias. Como gestor, seu desempenho foi abaixo de um fracasso.”

    Ao que parece, mesmo passada quase uma década após o adeus de Roberto Campos a este mundo, o coração dos esquerdistas continua o mesmo em relação a ele.

    Não fico surpreso que um esquerdista seja contra as liberdades, sobretudo a liberdade econômica, pois é duro para essa gente ver um indivíduo comum, livre dessa ideologia de rebanho, ter sucesso na vida e sem nenhuma dependência em relação ao Estado. As esquerdas odeiam o capital privado pelo simples fato de não poderem colocar as mãos nele para os seus já conhecidíssimos esquemas de corrupção.

    O dia em que sair das lavras esquerdistas uma produção intelectual no mesmo patamar daquela feita por Roberto Campos, aí, sim, poderá haver um debate mais civilizado e em menor desvantagem intelectual para essa gente. Enquanto isso não acontecer, é lamentável que os esquerdistas se dediquem à uma crítica primitiva e coisas desse gênero, como a desconstrução da história e o uso de mentiras para apagar as verdades.

    Esse ódio dos esquerdistas ao capitalismo e ao liberalismo econômico são responsáveis, ainda que em parte, pelo país que somos. Ao meu ver, o Brasil de hoje é o resultado direto da construção de um país afastada desses valores. Seja à esquerda, seja à direita, nunca houve, no Brasil, um grupo de pessoas bem organizado e que defendesse essas idéias. Digam apenas um país desenvolvido e que foi construído sem esses valores.

    Até!

    Marcelo

  40. Olá!

    Roberto Campos foi um dos maiores brasileiros do século XX. Ele queria a construção de um Brasil moderno, avançado, rico e preparado para lidar com os desafios que surgiriam ao longo do tempo. Um Brasil produtor e exportador de tecnologias e inovações, gerador de riquezas e livre do patrimonialismo. Ele acreditava que o capitalimo e o liberalismo econômico eram a chave para abrir as portas desse mundo. Nunca encontrou um apoio sólido para levar adiante esses ideais e sempre teve que combater as forças do atraso que imperam neste país desde sempre, sejam elas de esquerda, sejam elas de direita.

    É um desastre total que, no virar do século XXI, o Brasil ainda tenha o mesmo papel da época da colônia: Exportador de matéria-prima para os países centrais. Em vez de o Brasil criar tecnologias e inovações, cria, no máximo, buracos no chão, que ficam ali como registro, para a posteridade, do atual atraso brasileiro.

    Até!

    Marcelo

  41. Olá!

    “Nos EUA, os Beatles não conseguiram gravar um disco, porque George Martin não era sindicalizado no país (e o quarteto decidiu que, sem Martin, nada feito).

    Vai ver, o mercado de trabalho norte-americano está totalmente contaminado por valores esquerdistas.”

    Eis aí um pouco da maiêutica toscática do pé-quebrado. Típica jogada retórico-falaciosa para se esquivar do principal.

    A questão é: Os sindicatos americanos e europeus são tão retrógrados quanto os seus pares brasileiros? Na Europa e Estados Unidos da América, houve políticos corajosos o bastante para combater a máfia sindical de lá quando esta encontrava-se em seu auge. Madame Thatcher e Ronald Reagan que o digam.

    Como diria o poeta: O poder sindical é, essencialmente, o poder de privar alguém de trabalhar por salários que estaria disposto a aceitar.

    “Vai ver, o mercado de trabalho norte-americano está totalmente contaminado por valores esquerdistas.

    Os da Alemanha, Suécia e Dinamarca, então, nem se fala (França e Holanda não valem, porque são países comunistas. Bélgica idem). Também, pudera: 9 em cada 10 alemães, suecos e dinamarqueses são comunistas, da ala esquerda da facção xiíta maronita de extrema-extrema do B dos p… dentro das caçlas…

    Aliás, como todos sabem, a família real sueca, agora associada ao também comunista Obama, financia o Foro São Paulo, que há de deitar por terra o capitalismo. Subversivos, ativos, ferozes e nocivos ao bem de todos e felicidade geral da humanidade.

    Pensando bem… acho que o governo do Canadá também não tem mais jeito. Está reduzido a mero joguete da gang do Foro São Paulo.”

    Isso que vai acima é pura idiotice. Mas serei generoso e comentarei mesmo assim.

    Em sociedades capitalistas modernas, não raro, não há um troço tão querido pelas mentes esquerdo-petisto-sindicais: O salário mínimo. É comum que, nesses lugares, o salário se forme dentro do mercado, quando não, o governo estipula um valor simbólico para ele. Essa é uma boa maneira de combater a exclusão e o desemprego. Países que estipulam um salário mínimo generoso, frequentemente, quando ocorre uma crise, são os que mais sofrem com exclusão do mercado de trabalho e o desemprego.

    Houvesse nesses países que citaram alguma estrovenga semelhante ao tal Foro de São Paulo — que nada mais é do que um Parque dos Dinossauros das Ideologias –, dificilmente eles estariam na condição de países desenvolvidos em que estão. Aliás, estrovengas como o Foro de São Paulo é o tipo de coisa que encontraria pouco espaço em países civilizados.

    Estava demorando para alguém vir me associar ao Olavo de Carvalho. Ao Reinaldo de Azevedo um outro já o fez. Quando associações desse tipo são feitas, é quase certo de que quem as utilizou ficou sem argumentos melhores para debater. Não é de se espantar que isso ocorra, sobretudo quando o único refúgio argumentativo que gente desse náipe tem é a cartilha que lhe deram na Escola Nacional de Formação de Militantes. Deveria haver uma escola igual a essa aqui para a recuperação desses militantes.

    Até!

    Marcelo

  42. fk said

    Marcelo, em partes, novamente.

    Sobre mercado de trabalho:
    – Concordamos em parte. O sindicalismo brasileiro é retrógrado, na minha opinião, por não deefender o direito da universalidade da classe que representa. Muitas vezes fica em disputas políticas que só servem a seus dirigentes, isso para não falar em certa intransigência por parte deles.
    Por outro lado, discordo totalmente de vc que os sindicatos, ou medidas como salário mínimo, sejam ruins.
    Já li muito do que a teoria clássica fala sobre os salários serem definidos pelo mercado e blah blah blah. A única coisa que essa teoria desconsidera é algo que ela mesma tras, sobre elasticidade da oferta. Dizendo de uma maneira simples, a oferta de mão de obra é muito maior do que a demanda, sendo assim, haveria aqueles que aceitariam trabalhar por salários de fome, ou de subsistência, uma situação obviamente boa para os empregadores, mas terrível para os empregados.
    Para ver na prática o que acontece, basta pensar na Inglaterra do século XIX e a situação desesperadora de sua classe trabalhadora.

    Quanto ao Roberto Campos, parece-me uma falácia dizer que ele defendia um Brasil moderno e exportador de tecnologia quando combatia exatamente a criação de uma indústria moderna com o auxílio do Estado.
    O problema do Brasil sempre foi poupança. Não havia dinheiro para investir. por isso a necessidade da intervenção do Estado e da abertura do mercado para o capital externo. Essa visão essencialmente clássica do Roberto Campos, das vantagens comparativas, já havia sido provada errônea tanto pela história quanto pela Cepal e seu mentor, o Raul Prebisch, quando esse desenvolveu a teoria da defasagem dos termos de troca. Valendo a visão do Campos, seríamos ainda essencialmente agrários, o que não somos mais, ainda que concorde que é pra lá de preocupe essa volta da proeminência de bens primários na balança comercial brasileira.

    Lembrando que o liberalismo funcionou muito bem para a Inglaterra e seus 2 mil anos de história, mas o que proporcionou a formação econômica de duas das mais poderosas economias capitalistas do século XX foi o protecionismo, que foi praticado tanto pelos EUA quanto pela Alemanha no século fundamental para a formação de seus Estados, o XIX.

    Essa produção intelectual já saiu: chama-se Celso Furtado. E há muitos outros da lavra da esquerda nas mais diversas áreas.
    Já da lavra da direita, daí sim é que saiu quase nada em termos de produção intelectual, o que é uma pena, pois, na minha opinião, a ausência de debate vicia a postura da esquerda e infantiliza a postura da direita. Sinceramente, não sei explicar o porque de a tradição intelectual da direita ser tão pobre no país.

    E só voltando ao Celso Furtado, é curioso notar que ele, um economista heterodoxo, foi autor de um plano pra lá de ortodoxo quando ministro do planejamento do jango, enquanto o Campos, bastião da ortodoxia nacional, foi autor de um plano heterodoxo quando na sua gestão.

    Quanto ao tema da competição e do monopólio, sim, um mercado com 25 empresas é melhor do que um mercado com um. Mas se vc estiver se referindo, por exemplo, ao mercado do petróleo, vc tem 25 empresas no mundo. Acho que só os EUA tem mais de uma grande empresa petrolífera. Assim também é para diversos outros setores, principalmente aqueles mais intensivos em tecnologia e investimentos. Não é a toa que todo estado que se presa tem um bom orgão de regulação de competitividade econômica, pois quem potencialmente perde nesse cenário é a sociedade. E a tendência é cada vez mais concentração. Daí a necessidade de regulação estatal urgente.

  43. Elias said

    Marcelo, referindo-se ao “estudo” patrocinado por Bob Fields:

    “Levando em consideração a disponibilidade de capitais e o momento tecnológico do Brasil dessa época, ele não estava errado.”

    Estelionato intelectual.

    Marcelo, você não leu o estudo.

    Não se trata de “disponibilidade de capitais” nem de “momento tecnológico do Brasil dessa época”.

    Nada disso. E não lhe direi nada a respeito. Porte-se honestamente. Leia o trabalho e, depois, comente.

  44. Elias said

    Quer dizer que, na Alemanha, Suécia, Holanda, etc., não há salário mínimo?

    Marcelo, você é um enganador.

  45. Olá!

    Não li o referido estudo e não fiz comentários sobre o que não li. As considerações expostas sobre esse tema foram feitas apenas tendo como base os relatos do próprio Roberto Campos quando este trabalhou no segundo governo Vargas, após aquela radicalização do “O Petróleo É Nosso! e os discursos caudilhescos de Vargas contra o capital estrangeiro de risco que queria entrar no país para atuar no setor petrolífero.

    Bom, apenas considero complicado iniciar um negócio sem capital e sem um mínimo de auxílio tecnológico que seja.

    Há países europeus que estipulam salário mínimo através de seus governos. Alguns são mais generosos e outros menos. Mas isso não quer dizer que todas as sociedades capitalistas modernas utilizem esse mesmo mecanismo. Aliás, em outros momentos históricos desses países, não havia salário mínimo.

    Até!

    Marcelo

  46. Olá!

    Ao Fk.

    Você entendeu bem melhor do que os demais os pontos que expus aqui.

    “- Concordamos em parte. O sindicalismo brasileiro é retrógrado, na minha opinião, por não deefender o direito da universalidade da classe que representa. Muitas vezes fica em disputas políticas que só servem a seus dirigentes, isso para não falar em certa intransigência por parte deles.”

    Eu concordo com você. É justamente a esse tipo de máfia sindical que fiz referência mais acima em meus comentários anteriores. São práticas dessa essência que tornam o sindicalismo brasileiro uma força retrógrada.

    “Por outro lado, discordo totalmente de vc que os sindicatos, ou medidas como salário mínimo, sejam ruins.”

    Não disse que os sindicatos sejam ruins. Os trabalhadores têm liberdade para se organizarem da maneira que bem entenderem e reivindicarem as medidas que quiserem. Porém, há uma enorme diferença entre tomar essas atitudes e se tais atitudes serão economicamente benéficas em termos gerais.

    “Já li muito do que a teoria clássica fala sobre os salários serem definidos pelo mercado e blah blah blah. A única coisa que essa teoria desconsidera é algo que ela mesma tras, sobre elasticidade da oferta. Dizendo de uma maneira simples, a oferta de mão de obra é muito maior do que a demanda, sendo assim, haveria aqueles que aceitariam trabalhar por salários de fome, ou de subsistência, uma situação obviamente boa para os empregadores, mas terrível para os empregados.
    Para ver na prática o que acontece, basta pensar na Inglaterra do século XIX e a situação desesperadora de sua classe trabalhadora.”

    Esse ponto que você tocou é interessante. De fato, há essa possibilidade de o trabalhador ser completamente espoliado pelo mercado de trabalho e se prestar a trabalhar por salários miseráveis. No entanto, essa seria uma atitude insensata do empresariado, pois um trabalhador com um baixo nível salarial não teria muita liberdade para fazer escolhas e se integrar a um mercado consumidor sólido — até mesmo a consolidação de um mercado consumidor ficaria sob a possibilidade de ser extinto. É um problema complicado.

    Uma questão que levanto para você: Você afirmou acima que deixar que o mercado estabelecesse um valor para o salário mínimo seria algo que poderia levar à espoliação da classe trabalhadora, subemetendo-a a níveis sub-humanos de vida. OK! Não discordo dessa possibilidade. Mas, e em uma realidade em que há salário mínimo, isso não ocorre da mesma forma? Uma parcela da população sequer tem condições de entrar no mercado de trabalho e tem que se dedicar a atividades diversas para ganhar o próprio sustento. Uma quantidade considerável dessas pessoas sobrevivem com um rendimento ignóbil e são deixadas na completa miséria — não raro, sequer o Estado pode auxiliá-las em algum sentido.

    Até!

    Marcelo

  47. Bom, vou dar os meus pitacos.

    Falar em liberalismo no Brasil é o mesmo que falar em pinguins no Ártico. Não existe. A maior fonte de informação sobre o liberalismo no país são os falatórios de gente de esquerda. Não é mistério e nem segredo para niguém que após o muro cair o maior inimigo daqueles que ficaram sem pai nem mãe foi o liberalismo.

    Duvido que o Jorge tenha lido algum texto no Instituto Millenium (sério dizer que Delfin Netto é liberal so demonstra uma falta de capacidade intelectual enorme ou uma desonestidade intelectual gigantesca. Ou as duas). E olha que eu conheço esse instituto há anos. Conheço vários de seus fundadores. Ele só entrou no alvo, só se tornou inimigo porque começou a aparecer um pouco na mídia.

    O Fk falou algo certo. A produção intelectualizada de direita no Brasil é muito pouca. Mas como poderia ser maior? Se alguém já conheceu alguma aula de economia nas universidades brasileiras sabem que economistas liberais são totalmente ignorados. Isso acontece não só, mas principalmente nas públicas. Vá a alguma livraria no país, vá ao setor de economia e conte a quantidade de livros de autores liberais. Agora pesquise rapidamente pelo título “Crise no Capitalismo” ou “Fim do Capitalismo” ou “Morte do Capitalismo”…

    E saindo do campo da economia, pois o liberalismo econômico é apenas uma consequência de uma filosofia liberal, autores liberais também são ignorados pelo estudo filosófico brasileiro. Ortega y Gasset, Ayn Rand, Locke, Kant… O estudo da história também é assim. Damos muito mais importância à Revolução Francesa e sua consequente barbárie e totalitarismo napoleônico, do que às Revoluções Gloriosas e Revolução Americana que fazem sim a base da democracia moderna.

    Preferimos estuda a “riquíssima” história da África a aprender a história do pensamento grego e romano que são a base da filosofia ocidental.

    Há pouco tempo um professor da UNICAMP se vangloriava dizendo que não havia economistas liberais na faculdade. Isso só mostra o grau de idiotização do debate no Brasil.

    Até mesmo Keynes, que nunca foi socialista e nem mesmo social-democrata no sentido europeu, é manipulado de tal forma que seus ensinamentos parecem ter saido do livro vermelho de Mao.

    Isso aos pouco está mudando. Lentamente, mas é irreversível por conta da disponibilização maior da informação presente nos novos meios. Cada vez mais conheço liberais, cada vez mais alunos de faculdades conhecem o liberalismo. E isso já está causando a raiva de muitos, vide o Jorge.

    Hoje mesmo tive duas gratas surpresas. A primeira é que descobri que há o desenvolvimento de um pensamento homossexual de direita no Brasil. Dois blogs chamados Q-libertários e Gays de Direita são bem interessantes. E é mais que óbvio isso. As filosofias liberais, que são muito mais próindivíduo do que as filosofias socialistas e até mesmo a social-democracia, se encaixa muito melhor na defesa do homossexualismo. Basta ver o tratamento dispensado aos homossexuais em Cuba ou na China.

    Outra foi, o crescimento do Partido Liberal Inglês que está incomodando, e muito, os trabalhistas e conservadores.

    E por não entenderem o que é liberalismo, mesmo o Pax vez por outra se surpreende que muitas posições dele não são diferentes das posições liberais, é que não entendem o movimento Tea Party nos EUA e não entendem o crescimento vertiginoso do partido Liberal Inglês. Aliás, se vocês não estão acompanhando os debates para as eleições na Inglaterra acompanhem. Está sendo uma aula de como o liberalismo, algo que muito aqui haviam taxado como morto, está mais forte do que nunca. E se não entenderem vão ficar fazendo uma enorme ginástica para justificar a derrocada do partido Democrata nos EUA. Ainda mais depois de colocarem alguém fraquíssimo e totalmente oco como Obama em um patamar de quase semideus.

  48. fk said

    Marcelo,

    Os trabalhadores tem mesmo que se organizar, pois não dá para esperar benesses do empregador, daí a necessidade da livre associação sindical. O que acontece no Brasil é exatamente o contrário da livre associação, pois os sindicatos aqui ainda vivem muito no molde getulista pelego, o que desincentiva tanto a disputa de cargos com propostas melhores como também afasta a massa dos trabalhadores das reivindicações sindicais. Como eu disse, o sindicato vira defensor dos interesses dirigentes.

    Na minha cabeça simplesmente não faz sentido a justificativa de que estabelecer um salário mínimo afaste trabalhadores do mercado de emprego, ou seja menos benéfico economicamente para uma nação. O maior exemplo sobre o liberalismo total foi a Inglaterra vitoriana e, mais uma vez, todos sabemos como vivia a classe trabalhadora por lá.

    A questão daqueles que não entrariam no mercado do trabalho sob salário mínimo seria a mesma alijada de um mercado sem trabalho. Falamos, claro, dos trabalhadores não qualificados. Então, a discussão aqui não é ter ou não trabalho mínimo, mas sim como integrar essa massa desqualificada e sem renda. O bolsa-família parece que vem sendo uma boa solução, pelo que indicam os números. Ainda assim, concordo com a crítica de que é um programa que se basta em si, sem perspctivas posteriores, e, para mim, a maior representação dessa ausência de perspectiva é a “ênfase” que o governo Lula dá à educação superior, ou, seja, deixa-se todo o meio, no qual se continuaria a inclusão social, sem solução.

    Vilarnovo
    A questão da ausência de uma intelectualidade de direita pode ser em parte creditada ao currículo universitário, ams nem tanto. Não sei se vc já entrou em uma faculdade de direito, mas por lá a direita domina, assim como nas faculdades mais “técnicas”, como engenharia e administração. Parece que simplesmente não há uma voltade do público de direta tanto por trilhas o caminho acadêmico quanto por realizar o debate. Há uma satisfação desse público em simplesmente enriquecer -sem nenhuma crítica a esse objetivo, que é legítimo.
    Em compensação, a esquerda se contenta com seus feudos universitários e não consegue transformar seu pensamento em diálogo pra fora da academia. Vivemos, assim, um diálogo de surdos-mudos.

    Quanto ao currículo, contesto vc. Há sim muito estudo de Kant, Locke, Hobbes, Revolução Americana e Revolução Gloriosa no país. Pelo menos nos lugares que eu estudei.
    E não tenha preconceito quanto à revolução francesa, pois, se por um lado desembocou em napoleão, por outro representou uma vitória da burguesia e de seus ideias, que simplesmente serviram de base para todo o desenvolvimento do individualismo europeu no século XIX.

  49. fk said

    Ah, e outra coisa, Vilarnovo, sobre os EUA.
    Larga a mão desses Tea Party. Esses caras são ruins e inconscistentes. Ouça a intelectualidade da direita norte-americana.
    E o Obama tem saido ultimamente muito melhor do que a encomenda, assim como os EUA finalmente parecem dar tímidos sinais de que vai saindo do fundo do poço, tanto economicamente quanto em termos de legitimidade internacional.

  50. Elias said

    Marcelo, rapaz,

    I
    Na maior parte dos países desenvolvidos não existe UM salário mínimo. Existem vários, por categorias profissionais.

    Vai pra lá, te estabelece, tenta pagar um salário menor que o mínimo fixado pelos sindicatos, e vê o que te acontece…

    Nos EUA esse tipo de norma é burlada com o uso da mão-de-obra dos imigrantes ilegais. Se a malandragem é detectada, o ilegal é repatriado e o patrão pega uma multa de bom tamanho. Além disso, ainda tem que se entender com o Imposto de Renda, o que é meio caminho andado em direção ao xilindró.

    Lá o problema do salário mínimo se tornou tão grave, que alguns setores da economia estão simplesmente desaparecendo. O setor de confecções é um exemplo.

    Como o salário mínimo dos artesãos é muito alto, as fábricas norte-americanas fazem lá apenas os cortes, e mandam fazer o fechamento em outros países: Índia e China, principalmente, onde a mão-de-obra é mais barata, se usa (e abusa) do trabalho infantil, etc. Esse mesmo procedimento é adotado na Inglaterra, usando predominantemente mão-de-obra indiana.

    Marcelo: dizer que não existe regulação de salário dos países do 1º mundo; dizer que “nos países capitalistas” o salário é livremente (ou mesmo predominantemente) determinado pelas forças do mercado, é demonstração da mais solene ignorância acerca de como as coisas funcionam por lá.

    Aliás, em recente entrevista a um programa da ManagemenTV, o atual presidente mundial da Coca Cola — um executivo turco, por sinal — deixou claro que, na modernidade contemporânea do mundo atual de hoje em dia, livremente determinada pelo mercado só mesmo a esperteza de poucos e a ignorância de porrilhões de bípedes.

    II
    Tava mais que na cara que você não tinha lido o tal “estudo” do Bob Fields.

    Mas vou te dar uma dica: em plenos anos 1960, o Brasil não dominava a tecnologia da redução de minério de ferro? É preciso ser muito ingênuo pra engulir uma dessa.

    Essa tecnologia é dominada no país desde o Brasil colônia, Marcelo. Tanto que Portugal teve que regular, proibindo e criminalizando a produção de ferro e aço no Brasil (para garantir que ferramentas, pregos, etc., seriam comprados de Portugal).

    Capital, sim. Mas isso o Brasil não tem até hoje. A fantástica produção mínero-metalúrgica brasileira é feita em associação com capital japonês, canadense, norte-americano, norueguês, chinês, etc.

    E não pense você que o Bob Fields considerava apenas a hipótese do Brasil fazer redução de minério de ferro e manganês sem participação de capital externo.

    Logo o Bob, pra dizer uma coisa dessa…

    Não era nada disso, cara. O “estudo” dele passava — aliás, passa, porque existe até hoje — a léguas de distância daquilo que você escreveu.

  51. vilarnovo said

    Fk – Não, Obama não é melhor que a encomenda e não, os EUA não estão mostrando sinais que estão saindo do fundo do poço. A bomba está apenas sendo congelada, não foi desarmada. E o movimento Tea Party é uma das coisas mais interessantes que surgiu na política americana há décadas. Se muitos tivessem ao menos a boa vontade de conhecê-lo verdadeiramente veria isso.

  52. vilarnovo said

    Ah, complementando o comentário anterior: “Se muitos tivessem ao menos a boa vontade de conhecê-lo verdadeiramente veria isso. MESMO DISCORDANDO DELES.”

  53. vilarnovo said

    “E não tenha preconceito quanto à revolução francesa, pois, se por um lado desembocou em napoleão, por outro representou uma vitória da burguesia e de seus ideias, que simplesmente serviram de base para todo o desenvolvimento do individualismo europeu no século XIX.”

    A minha visão da Revolução Francesa é totalmente diferente dessa… mas respeito sua opinião.

  54. fk said

    Já li bastante sobre o tea party: um bando de obscurantista que tem a Sarah Palin como ideal de liderança e que fazem uma interpretação completamente amalucada do que foi a formação da nação norte-americana. Ainda que sirvam de motivo pra muita piada, são perigosos exatamente por serem radicais burros.

    Olha, tegaranto que por mais que muita gente queira forçar a barra, a Revolução Francesa não foi um movimento comunista ou qualquer coisa assim, como alguns até gostam de pintar.
    Foi um movimento feito pela burguesia e a favor da posição desta, posição essa que só poderia ser afirmada em um ambiente de igualdade FORMAL -a chave para entender a revolução- e de afirmação do individualismo, pois apenas nesse tipo de ambiente a burguesia poderia afirmar-se tambem politicamente como a classe economicamente dominante que era.
    Os mesmo ideias que regeram a Revolução Americana regeram a Francesa, vide a participação de anglo-saxonicos na França e de franceses na América.
    Ao varrer o mundo dos privilégios de grande parte da Europa, a revolução francesa e sua “tragédia” napoleônica estabeleceram o ambiente sobre o qual frutificaria a revolução industrial por toda a Europa, bem como a ascenção da burguesia enquanto classe. Ainda que tenha havido uma restauração conservadora, o estrago estava feito e o antigo mundo dos privilégios nobiliárquicos estava acabado. A burguesia venceu, bem como sua doutrina individualista.

    Mas, sei lá, nem é esse o tema do tópico e tal…

  55. iconoclasta said

    FK, to vendo uma boa evolução ai.

    só vou te dar uma forcinha: qd tiver vontade de citar uma obra economica (de brasileiros) relevante, procura um autor contemporãneo e, isto é fundamental, esquece o celso furtado, aquilo é estória. no CEPAL só tinha romancista, e a prosa, vc há de convir, era ruim…

    ;^/

  56. Fk – Novamente discordo totalmente de suas duas visões, tanto da Revolução Francesa quanto do Tea Party.

    Amanhã escrevo mais sobre isso.

  57. fk said

    Iconoclasta,
    Discordo frontalmente de vc.
    havia muita gente boa na Cepal, Furtado incluído.
    A análise dele no “Formacao economica do Brasil” é brilhante, e a ideia de deterioracao dos termos de troca, criada pelo Prebisch, tambem foi uma bela analise da situacao economica dos paises emd esenvolvimento.

    Mas, se for pra ser um contemporaneo, serve o Giambiagi?

  58. Elias said

    FK,

    Lá no início dos anos 1980, logo após Celso Furtado retornar ao Brasil, tive a oportunidade de entrevistá-lo — juntamente com 3 amigos — para uma publicação do DCE da UFPa.

    Furtado disse que, se pudesse, escreveria novamente o “Formação…”. E seria um livro completamente diferente.

    No mais, concordo com você.

  59. Iconoclasta said

    FEB é uma novela baseada em alguns fatos reais…

    “serve o Giambiagi?”

    serve, mas tem mais gente, como o pastore, muita gente da PUC rio, da FGV (principalmente rio), o pessoal do plano real (inclusive o nda ortodoxo franco), enfim, uma turma com análises mais bem sucedidas…me parece q o pessoal mais novo q vem sendo formado por estas escolas está cada vez mais preocupado em ser leal aos dados e menos ideológico.

    ;^/

  60. Olá!

    Afirmar que em algumas sociedades capitalistas modernas há salários mínimos definidos por categorias profissionais apenas corrobora a minha afirmação acima. Isso mostra que há uma negociação entre o empresariado e os trabalhadores organizados em sindicatos, evidenciando uma menor interferência do Estado nessa questão.

    Até um tempo atrás, a Inglaterra não tinha salário mínimo definido pelo governo. Nos EUA, o valor do salário mínimo era simbólico. Não sei a quantas anda essa questão na atualidade.

    Siderurgia de larga escala não deve ser algo tão simples quanto àquela praticada no Brasil colonial. É algo que envolve uma soma considerável de capital e de tecnologia.

    Quanto ao Roberto Campos, uma das últimas coisas que eu faria seria pedir uma opinião de um esquerdista sobre ele.

    Até!

    Marcelo

  61. Olá!

    Ao Fk:

    “O maior exemplo sobre o liberalismo total foi a Inglaterra vitoriana e, mais uma vez, todos sabemos como vivia a classe trabalhadora por lá.”

    Mas eu defendo a atuação do Estado nas suas tarefas clássicas (permitindo, obviamente, que o setor privado atue em alguns desses nichos também):

    01. Educação

    02. Defesa Nacional

    03. Segurança Pública

    04. Justiça

    05. Relações Internacionais

    06. Saúde

    07. Estabilidade Monetária

    08. Garantir a Concorrência

    Ah, sim. No seu comentário acima, você diz que é idiotice afirmar que esquerdismos, nazismo, socialismo e fascismo são iguais. Eu concordo com você. Essas “ideologias” são diferentes. Porém, elas compartilham de alguns traços comuns. Todas são anti-burguesas, anti-capital privado, anti-livre-iniciativa, pró-Estado forte, pró-intervencionistas e etc.

    Até!

    Marcelo

  62. Elias said

    “Afirmar que em algumas sociedades capitalistas modernas há salários mínimos definidos por categorias profissionais” NÃO corrobora a afirmação de quem disse que, nessas sociedades, o valor do salário é definido pelas leis de mercado.

    Exemplo: o salário real do trabalhador da indústria de confecções nos EUA não caiu, embora o mercado de trabalho esteja quase que desaparecendo (a oferta de emprego caiu quase 95 pontos percentuais).

    Pra entender esse troço, tem que raciocinar com outras variáveis. Não vou dizer quais, porque já dei a dica mais acima.

    Nessas sociedades o governo não interfere?

    Brincadeira! Então não existe a sobretaxa do aço brasileiro, pra manter o emprego e a renda no setor siderúrgico norte-americano?

    Não existe? Não?

    Cara, tás perdendo uma grana! Dá — melhor, vende a peso de ouro! — um assessoramentozinho pro pessoal da Vale, porque esse pessoal jura que a sobretaxa existe. E mais: os caras reclamam pra caramba, dizendo que é uma sobretaxação altamente atrapalhante…

    Jé pensou quantos milhões de dólares/ano esses caras deixam de faturar, por não dispor dessa informação? Eles estão estruturando boa parte da estratégia da empresa em cima de um enorme equívoco!

    Ah, sim… o Bob Fields… ele viveu pra ver os EUA sobretaxando o aço brasileiro, que ele dizia que nunca seria produzido em tal escala…

    Pois é… o Bob Fields…

  63. Olá!

    Havendo livre negociação, sem interferência estatal, entre sindicatos e empresarido para definir um salário para uma dada categoria é, sim, seguir uma das leis do livre mercado.

    É claro que nessas sociedades existe interferência do governo, mas não ao ponto de criarem estrovengas burocrato-sindicato-estatais como a Petrobras e coisas desse gênero. Se há estatais é em escala bem menor do que aquilo que existe no Brasil. Dia desses, o Pax colocou aqui uma notícia sobre a criação de uma estatal para fertilizantes. O governo interferir para taxar um dado produto é bem menos pernicioso do que esse mesmo governo agir para criar estatais.

    Apesar dessa interferência, nada muda o que penso sobre o liberalismo e o capitalismo.

    Até!

    Marcelo

  64. Olá!

    Vilarnovo! Finalmente uma lufada de civilização por estas banda.

    Até!

    Marcelo

  65. Elias said

    Tem gente confundindo banana com abacaxi e chamando pra urubu de meu louro.

    Em países onde vigora a chamada autonomia sindical (modelo que, por sinal, é defendido pela OIT), os trabalhadores podem se sindicalizar POR CATEGORIA ou POR EMPRESA.

    A fixação de pisos salariais POR CATEGORIA nem sempre decorre de “livre negociação” entre empresa e sindicato. Aliás, nos EUA, quase nunca decorre.

    Nos EUA, o que resulta de negociação entre empresa e sindicato, é a fixação de salários POR EMPRESA. É aquele tipo de negociação feita com o sindicato dos trabalhadores de uma determinada empresa, geralmente de grande porte (Ford, IBM, etc.).

    Eu me referi a um caso norte-americano (confecções) onde a fixação do piso se deu — e se dá — POR CATEGORIA. Logo, de forma não negociada com as empresas do setor.

    Isso não tem nada a ver com lei de mercado, caramba! Pelas leis de mercado, o piso salarial teria recuado, já que a oferta de emprego praticamente desapareceu.

    Quanto ao setor siderúrgico, houve, sim — como de fato há e, pelo andar da carroça, continuará havendo — interferência estatal. Sem ela, o setor vira pó, nos EUA.

  66. Olá!

    Apenas recapitulando o que escrevi de fato antes que alguém mentalmente pobre tente deturpar meus argumentos:

    “Em sociedades capitalistas modernas, não raro, não há um troço tão querido pelas mentes esquerdo-petisto-sindicais: O salário mínimo. É comum que, nesses lugares, o salário se forme dentro do mercado, quando não, o governo estipula um valor simbólico para ele. Essa é uma boa maneira de combater a exclusão e o desemprego. Países que estipulam um salário mínimo generoso, frequentemente, quando ocorre uma crise, são os que mais sofrem com exclusão do mercado de trabalho e o desemprego.”

    Não afirmei que inexistam salários mínimos em todos os casos. Disse que é comum que, nesses lugares (isto é, algumas dessas sociedades capitalistas modernas), o salário se defina pelas forças de mercado, o que implica negociação entre trabalhadores e empregadores, ainda que seja algo um tanto tímido em determinados casos. Uma parte considerável da indústria de informação da Califórnia define salários e benefícios através de contratos individuais ou coletivos.

    Durante o governo Reagan, havia um salário mínimo simbólico, sendo que os pisos salariais eram livremente negociáveis e o desemprego ficou em níveis baixíssimos. Durante o governo de Margaret Thatcher e suas reformas liberais, algo similar aconteceu. Basta analisar a história e verificar o salto de qualidade que esses países deram ao implantarem tais medidas. E é exatamente sobre isso que lida o meu argumento que destaquei.

    Na Suécia e Suíça, os salários são negociados através de contratos. Mais acima, um argumento tosco e sem embasamento nenhum na realidade afirmou que há salário mínimo na Suécia. Mas o que dizem os fatos? Ei-los:

    There is no national minimum wage law. Wages are set by annual collective bargaining contracts. Nonunion establishments generally observed these contracts as well. […]

    Isso é diferente de haver salário mínimo inegociável, rígido e definido por lei via governo, por mais que queiram negar esse fato.

    Até!

    Marcelo

  67. Olá!

    Esqueci de citar o caso da Suíça:

    “*There was no national minimum wage*, which resulted in low average wages for workers and employees in the clothing, hospitality, and retail industries. A majority of the voluntary collective bargaining agreements, reached on a sector by sector basis, contained clauses on minimum compensation, ranging from 2,200 to 4,200 francs (approximately $2,000 to $4,000) per month for unskilled workers and 2,800 to 5,300 francs (approximately $2,600 to $5,000) per month for skilled employees. These wages generally provided a decent standard of living for a worker and family; however, parties did not always adhere to these agreements. In September 2007 the government released the results of a study involving the inspection of more than 31,000 companies between January 2006 and June 2007. The study found that 24 percent of inspected companies paid less than the minimum compensation provisions set in their collective bargaining agreements. This practice, known as ‘wage dumping’, was most prevalent in the construction and hospitality sectors.”

    Mais uma vez: Isso é diferente de haver salário mínimo inegociável, rígido e definido por lei via governo.

    Até!

    Marcelo

  68. Olá!

    Esqueci de citar o caso da Suíça:

    *There was no national minimum wage*, which resulted in low average wages for workers and employees in the clothing, hospitality, and retail industries. A majority of the voluntary collective bargaining agreements, reached on a sector by sector basis, contained clauses on minimum compensation, ranging from 2,200 to 4,200 francs (approximately $2,000 to $4,000) per month for unskilled workers and 2,800 to 5,300 francs (approximately $2,600 to $5,000) per month for skilled employees. These wages generally provided a decent standard of living for a worker and family; however, parties did not always adhere to these agreements. In September 2007 the government released the results of a study involving the inspection of more than 31,000 companies between January 2006 and June 2007. The study found that 24 percent of inspected companies paid less than the minimum compensation provisions set in their collective bargaining agreements. This practice, known as ‘wage dumping’, was most prevalent in the construction and hospitality sectors.

    Mais uma vez: Isso é diferente de haver salário mínimo inegociável, rígido e definido por lei via governo.

    Até!

    Marcelo

  69. Olá!

    Para complementar meus comentários acima, segue uma pequena lista com alguns países que não possuem salário mínimo inegociável, rígido e/ou definido pelo governo via lei.

    Austria
    Dinamarca
    Alemanha (exceção para alguma categorias)
    Islândia
    Itália
    Noruega
    Suécia
    Suíça
    Finlândia

    Fonte: List of minimum wages by country, Wikipedia.

    Até!

    Marcelo

  70. Elias said

    I – Salário mínimo nos EUA

    Nos EUA existem 2 conceitos de salário mínimo.

    Um deles é o “salário mínimo federal”, vigente em todo o país.

    O outro é o “salário mínimo estadual”, fixado pelos próprios estados, para vigência nos respectivos territórios. Evidentemente que o “salário mínimo estadual” não pode ser inferior ao “salário mínimo federal”.

    Ou seja, é fixada uma remuneração mínima a ser observada em todo o país. As Unidades Federadas, querendo, podem elevar esse piso obrigatório, nas respectivas áreas de jurisdição.

    Tanto o “salário mínimo federal” quanto os “salários mínimos estaduais”, onde estes existem, são inegociáveis.

    Paga e não bufa!

    II – Salário mínimo na União Européia

    Na UE, têm salários mínimos nacionais: Reino Unido, França, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo e Irlanda.

    Para os demais países da UE, a regra geral é a fixação de pisos salariais por categoria profissional, nada obstando que, nas negociações por empresa, seja fixado uma remuneração MAIOR (e apenas MAIOR) que o piso da categoria.

    Os pisos salariais das categorias são fixados independentemente de negociações.

    Já houve casos em que, não concordando com o piso fixado por uma determinada categoria, organizações empresariais tenham questionado, na Justiça, a fixação desse piso.

    Onde e quando isso aconteceu, a coisa acabou sendo resolvida: a) por negociação entre as partes; b) por arbítrio da Justiça; c) por intermediação do governo.

    III – Salário mínimo no Brasil

    Tal como acontece em vários países — europeus inclusive — existe um salário mínimo nacional.

    O modelo de organização sindical, como se sabe, é por categoria — e não por empresa. Mas nada obsta que ocorram negociações por empresa, para a fixação da remuneração de seus empregados.

    De fato, a esmagadora maioria das categorias profissionais brasileiras têm piso salarial bem mais elevado que o salário mínimo.

    Vociferar agora contra o salário mínimo brasileiro é, apenas, um indicador do atraso mental e político de quem o faz.

    Coisa antiga, xexelenta, remelenta e politicamente superada.

    IV – Enquadramento ideológico do salário mínimo

    Nem todo mundo que defende a existência do salário mínimo é de esquerda.

    Keynes, por exemplo, considerava o salário mínimo um mecanismo essencial para o equilíbrio econômico, a geração de riqueza, etc.

    Todas as pessoas cujas concepções econômicas se alinham com as formulações de Keynes — é o meu caso — encaram o salário mínimo do mesmo modo.

    Isso é esquerdismo? Na cabeça de pelo menos um comentarista daqui, parece que é…

    Aparentemente esse sujeito não sabe a diferença entre ser “de esquerda” e ser “esquerdista”.

    Ou, pra ele, tanto faz…

    Os fascistas precisam sempre rotular quem pensa diferente deles. A técnica fascista, em grande medida, consiste nisso: rotular, demonizando o rótulo.

    Existem fascistas que são brilhantes fazendo isso.

    Outros são medíocres, porque vivem querendo aplicar a técnica a todas as situações.

    E há situações em que essa técnica simplesmente não funciona.

    Quando se discute a pertinência do salário mínimo, por exemplo.

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