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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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A crise da ECT e o PMDB

Posted by Pax em 17/06/2010

A ECT – Correios e Telégrafos já foi uma das empresas mais respeitadas no Brasil. Não é mais. As causas? Todos os indícios levam a péssima gestão dos diretores indicados pelo PMDB.

O fisiologismo político fez da ECT um dos quintais de atuação do PMDB. A presidência da empresa e 3 das principais diretorias são indicações do maior partido da base de apoio ao governo e não são funcionários de carreira. Caíram de paraquedas na empresa e os resultados são péssimos.

Outras 3 diretorias são indicações do PT, com funcionários de carreira da empresa. Entre eles parece haver uma guerra que prejudica a empresa além de uma enorme insatisfação do quadro de funcionários, mais de 100 mil profissionais. Como consequência os clientes é que sofrem com o declínio da qualidade dos serviços prestados.

Vale ressaltar que o fundo de pensão dos funcionários da ECT, o Postalis, é controlado por um grupo ligado ao presidente do Senado, José Sarney. O atual presidente é Alexej Predtechensky indicado por Edson Lobão, fiel escudeiro de Sarney. Alexej era sócio de Marcio Lobão, um dos filhos do ex-ministro de Minas e Energia, numa revenda de carros BMW em Brasília. E o Postalis está em crise, a ECT terá que cobrir um rombo de R$ 1.430.000.000,00 em seu caixa. Por “coincidência” o Postalis fez enormes investimentos em empresas de energia. A Polícia Federal mapeou, na Operação Faktor, antiga Operação Boi Barrica, o tráfico de influência de Fernando Sarney, filho de José Sarney, no setor elétrico brasileiro.

Ao puxar o fio do novelo deste imbroglio temos fortes indícios de um dos exemplos que o preço do PMDB ao governo é, além de salgado, um bocado indigesto.

E quem paga a conta? De um lado o povo brasileiro, ao perder os bons serviços da ECT. De outro mais de 100 mil funcionários da empresa que sofrem com sobrecarga de trabalho e defasagem de seus salários.

Links que sustentam o post acima:

Sem demitir, Lula cobra melhora nos Correios – Estadão
Lula adia decisão de demitir cúpula dos Correios para não perder o apoio do PMDB nas eleições – Estadão
Direção dos Correios resistia a socorrer fundo de pensão – Folha
Posicionamento dos Diretores Regionais – Doc interno da ECT

P.S.: O blog agradece um amigo da ECT pelas informações.

Atualização: Um dos apadrinhados do PMDB foi demitido. O diretor de Operações, Marco Antonio Oliveira. Há uma torcida interna para que o diretor de Gestão de Pessoas, Pedro Magalhães Bifano, siga o mesmo caminho, que é a porta da rua.

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9 Respostas to “A crise da ECT e o PMDB”

  1. Elias said

    Pax,
    O assunto é realmente sério.

    Agora, me parece que há 2 questões a serem analisadas.

    Uma é o rombo do fundo, formado em período anterior a 2000, e que, na prática, inviabiliza o Postalis.

    Trocando em miúdos, até 2000 esse fundo funcionava como um “esquema Ponzi”. O estouro da bolha era dada como certa pra quem mais ou menos acompanha o mercado.

    Outra questão é o tráfico de influência do filho do Sarney (em tempo: esse um não é o tal que é filiado ao PV?).

    Aproveito pra acrescentar uma terceira questão, que é a participação de fundos de previdências estatais no processo de privatização e, no desdobramento, na composição aqcionária das privatizadas.

    Isso foi fonte de mutretas paquidérmicas durante a privatização, que, em muitos casos, acabou se convertendo numa privatização de mentira, já que a parcela majoritária do capital continua sendo estatal, via fundo de pensões.

    Aí, quando a coisa dá lucro, este é privado. Quando dá prejuízo, torna-se público…

  2. Pax said

    Caro Elias,

    O filho do Sarney filiado ao PV é o Zequinha, não o Fernando. Este segundo é o está envolvido na Operação Boi Barrica, atual Faktor.

    Zequinha, apesar dos afagos de Marina, também não me convence. Para mim é um dos sintomas que o PV não vai fazer a reforma que prometeu, infelizmente.

    A questão da Postalis, independente do período em que o rombo começou, é forte indício do tal quintal do PMDB como falei. Haja vista sua atual presidência, conforme o post relata. Ou entendemos que a indicação de Edson Lobão, segundo o noticiário, foi com o intuito do bem maior, o público?

    Acho que não.

  3. Elias said

    Pax,

    Concordo com você. Também acho que não. Dessa turma aí não se pode esperar grande coisa.

    Agora, que a Postalis era um imenso “esquema Ponzi”, lá isso era.

    Pelo que sei, a estrutura atuarial dela era insustentável. Em 2000 essa estrutura foi modificada, mas o buraco anterior continuou aberto. Acho até que havia uma decisão não formal de que a ECT cobriria o rombo, o que nunca ocorreu. À medida que o tempo passa, o rombão passa a pressionar o caixa, que descompensa. É quando o “esquema Ponzi” começa a mostrar sua cara feia.

    Segundo li, a polêmica com a direção atual é porque esta entende que o dimensionamento do rombo está fajutado, para maior.

    Essa é uma questão que existe independentemente das armações do clã Sarney.

    Se bem que, do jeito que a confusão está aflorando, fica-se com a impressão de que o dimensionamento do rombo está sendo propositadamente superdimensionado, pra alguém levar algum.

    Mas não creio que os funcionários da ECT perderão alguma coisa com isso, exceto na condição de cidadãos. Nesta condição, eles entram bem, como todos nós.

    Quando o buraco do “esquema Ponzi da Postalis” for fechado, a conseqüência será a maior facilidade do fundo em pagar as aposentadorias devidas segundo os critérios vigentes até 2000.

    Esse pagamento deixará, assim, de avançar sobre as disponibilidades criadas pelas contribuições recolhidas a partir da vigência dos atuais critérios (esse avanço é a própria essência do “esquema Ponzi”). Os funcionários da ECT só têm a ganhar com isso.

    Já nós…

  4. Pax said

    Elias,

    Não sei bem como surgiu o tal rombo da Postalis. Vou tentar conseguir alguma informação com minha fonte.

    Também acho que os funcionários da ECT não se darão mal nessa. E, cá entre nós, nem acho que deveriam. A gestão dos fundos de pensão na mão dos políticos que nós elegemos não é culpa, me parece, dos funcionários. Sâo vítimas, como você e eu.

    Falando nisso, e no processo de privatização, bem lembrado, a história cabeluda do Dantas, a de maior monta, é toda em cima dos fundos de pensão.

    E ele, Dantas, não prega prego sem estopa. Tem tentáculos para todos os lados, sejam eles da situação como da oposição, segundo o noticiário indica.

    Segundo um conhecido nosso, sim, teu e meu, onde nos conhecemos virtualmente, este é o modelão do cara, puxando para si todos os lados do poder com negociatas de toda ordem. E aí vale aquele dito popular famoso em latim: “Vacilastes sum, enrabadus est”

    —-

    Mudo um pouco de assunto para tocar em outro que envolve a turma que aqui comenta. E pego tua participação, Elias, como exemplo, sem tua permissão…

    O blog se propõe a colecionar notícias de corrupção, anomalias e desvios de conduta no trato da coisa pública. E se propõe, também, a ter isenção nesta coleção, ou seja, bate em Chico e em Francisco com o mesmo pau.

    Ao colocar notícias que me incomodam das alianças, quero, no fundo, afirmar meu enorme desconforto que estas precisem ser de forma venal a coisa pública. Alianças sempre existirão. Corrupção necessariamente não, ao menos acredito que perseguir o objetivo de mitigar ao máximo essa chaga da política nacional é um bem para o Brasil.

    Assim vibro com o projeto Ficha Limpa, com a Lei Capiberibe de transparência das contas públicas e tudo mais que for no sentido do que falo: reduzir a corrupção.

    Estamos num ano eleitoral, ou vence Dilma, ou Serra, ou muitíssimo pouco provável, praticamente impossível, Marina. E todos os três não estão confortáveis. PT precisa atender sua base de apoio, PSDB idem e PV ainda terá que montar uma, na hipótese quase nula que vença. E nenhum dos três casos têm cheiro bom em suas alianças. Nem mesmo a que não existe, no caso do PV, muito menos, como sabemos, internamente. Enfim…

    Mas reclamar e reclamar, até mesmo com os simpatizantes de A, B, ou C, pode gerar um desconforto nesse loteamento dos cargos públicos. Tomara que sim, cada vez mais. E quanto maior, menor serão os desvios. A sociedade é quem deve reclamar, é quem deve apontar, é quem deve denunciar e, mais que tudo, é quem deve exigir probidade no trato dos cofres públicos.

    Quanto mais a população falar e falar, reclamar e até um blog insignificante colecionar notícias, de grão em grão alguma coisa melhora.

    Este blog não tem relevância alguma, mas as ferramentas estatísticas me dizem que tem blogs com relevância que acabam usando este aqui como referência. Antes de ontem houve, por exemplo, uma explosão de acessos. Dobraram da noite para o dia, mesmo com poucos posts como tem sido os últimos tempos. Fui verificar e era um dos blogs de jornalistas famosos que fez referência a um caso de corrupção apontando para cá.

    No mais acredito que, mesmo que tenha como convicção a opção social democrata, não quer dizer que não tenha uma visão liberal para os investimentos privados. Aceito um estado razoavelmente robusto para atender as questões básicas da sociedade mas acredito que é a iniciativa privada é quem produz riquezas para sustentar este mesmo estado. E a iniciativa privada, hoje em dia, vive kafkianamente com o modelo tributário e fiscal brasileiro. Um absurdo que precisa de foco e que só ocorrerá, acredito, se houver uma reforma política que sustente esta mudança.

    Enfim, continuarei apontando tanto questões compicadas da situação como da oposição.

    E agradeço imensamente a todos que entendem o âmago deste espaço, da forma que é, sem me acusarem disto ou daquilo que não sou. E uma das coisas que não sou é um idiota útil, seja de quem for.

  5. Pax said

    Caro Elias,

    Minha fonte informa que sim, o problema da Postalis é de bem antes de 2000.

    Mas em minha opinião, não justifica o loteamento atual tanto da ECT quanto da Postalis.

    Ou seja, um problema que existia e que continuou, talvez só trocando os estranhos beneficiados que não são nem os funcionários, bem muito menos a sociedade brasileira.

  6. Elias said

    Pax,

    O rombo da Postalis é recorrente em fundos de previdência de instituições públicas.

    A coisa se estabelece na definição da estrutura atuarial. Cobra-se pouco dos segurados e do empregador, que é pra ficar bem na foto. Ao mesmo tempo, se estabelece um plano de benefícios que, de tão generoso, é absolutamente incompatível com a estrutura de capitalização.

    Por algum tempo, o arranjo proporciona felicidade, no varejo e no atacado. Realiza o sonho de pagar pouco e ganhar muito em troca. Quem não quer?

    Vale dizer: o fundo já vem ao mundo falido. O que ele capta, menos o que gasta pra se administrar, é bem menos do que ele tem que gastar, para solver os compromissos de benefício que assumiu.

    Por algum tempo, ele engana.

    Como ele sobrevive? Simples: usando o dinheiro das contribuições de hoje, pra complementar o gasto que deveria estar sendo pago com os recursos da capitalização passada.

    É o clássico “esquema Ponzi”. Uma espécie de “pirâmide financeira”.

    À medida que o tempo passa, a despesa a ser paga com a capitalização passada avança mais e mais em cima das contribuições presentes. Que, por este motivo, não podem se capitalizar para a despesa futura.

    O buraco vai aumentando, aumentando…

    Pior: o caixa fica a cada dia mais apertado, reduzindo a capacidade de gerar receita por aplicações financeiras.

    É como um sujeito que ganha R$.5,0 mil/mês e, no primeiro mês do emprego, gasta R$.6,0 mil. Ou seja, avança R$.1,0 mil sobre o salário do mês seguinte. No 2º mês ele gasta R$.7,0 mil; no 3º mês R$.8,0 mil, e assim sucessivamente.

    Lá pelas tantas, ele se dá conta de que já gastou sua renda de 2 ou 3 anos à frente. Está fedido e mal pego.

    No caso dos fundos de aposentadoria de estatais, quando o “esquema Ponzi” começa a jogar sujeira no ventilador, a coisa acaba se resolvendo pelo método científico de enfiar recursos públicos no buraco, até ele ficar completamente tapado.

    Se não tapar completamente, quem leva o calote são os segurados. Que irão à Justiça, e acabarão ganhando as demandas, porque o plano é obrigado a cumprir com o que prometeu.

    Enfim, a viúva tem estado aí pra isso, né?

  7. Pax said

    Caro Elias,

    Você toca num ponto importante. Com certeza esta farra de Ponzi (ou esquema) é inviável. Há que se impedir que continue. Como? Confesso que não sei nem por onde começar.

    Aliás, para quem não conhece o famoso Esquema de Ponzi, como eu antes do primeiro comentário do Elias, aqui está:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquema_Ponzi

  8. Elias said

    Pax,

    Os únicos remédios que se conhece para evitar o “esquema Ponzi” & correlatos, são:

    a – regulamentação adequada;
    b – disposição política e capacidade técnica para aplicar a regulamentação.

    Nada a ver com o Brasil, a pátria que me pariu.

    Mas a verdade é que, no mundo todo, esse tipo de falcatrua acontece pra caramba (se bem que, muito mais, no mercado de capitais).

    Por que acontece tanto? Porque, basicamente, o “esquema Ponzi” se estabelece contando com a inestimável cumplicidade de suas vítimas.

    Daí porque é tão difícil combatê-lo.

    No mercado de capitais, p.ex., é aquele cara que te oferece um rendimento muito mais alto do que qualquer concorrente. O mercado em geral tá em baixa, e os rendimentos que ele te dá continuam lá em cima!

    Nos fundos de pensão, é aquele negócio de te cobrar um pouquinho, garantindo um muitão de benefícios.

    Claro que a coisa é boa demais pra ser verdade. Mas a cobiça, travestida de esperteza, faz das vítimas os principais cúmplices do vigarista. Que deita e rola…

    No Brasil, a regulamentação dos fundos de pensão é frouxa e a fiscalização mais frouxa, ainda.

    Pra piorar, a maior parte dos fundos de pensão é vinculada a estatais.

    O governo passado usou e abusou desses fundos pra conceber, gestar e parir um estranho processo de privatização onde a maior parte do capital supostamente privatizado continua sendo pública (só que, agora, livre da fiscalização que, bem ou mal, existe sobre a movimentação de fundos públicos).

    Tudo faz crer que, no Brasil, continuará sendo jogada pras calendas uma regulamentação e uma fiscalização civilizadas sobre os fundos de aposentadoria. Que, por isto, continuarão a ser o paraíso dos “esquemas Ponzi” da vida.

    Pena… o mercado brasileiro de fundos de aposentadoria é potencialmente fantástico. Bem regulamentado, bem fiscalizado e bem operado, seria um excelente negócio. Pros operadores e, principalmente, pros segurados.

  9. Pax said

    Caro Elias,

    Obrigado pela aula. Faz enorme sentido.

    Há uma diferença brutal entre a ambição, que me parece saudável na maioria dos casos, e a ganância, que gera não só essas bolhas do mercado como estas que você me instrui.

    Mas a ganância é uma das características do ser humano… então… viveremos bolhas e bolhas.

    Termino por concordar que, por mais que a tal da ganância esteja aí, as regras devem estar juntas, para não deixar a coisa tão solta que acabe em prejuízo insustentável pela maioria.

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