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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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A derrota de Serra

Posted by Pax em 19/08/2010

O início do horário eleitoral obrigatório traz à tona a realidade que a oposição não aprendeu a fazer seu papel em 8 anos e entrou na campanha de 2010 sem um pingo de unidade. O maior inimigo de José Serra não é Dilma Rousseff e sim os partidos que compõem a aliança que o sustenta, em especial o próprio PSDB.

A debandada do apoio ao candidato tucano se estabelece nacionalmente e a imagem de José Serra some nas campanhas regionais. Veja na notícia abaixo, do Estadão, o estabelecimento do voto camarão onde os candidatos da base oposicionista tiram o candidato tucano de suas peças de campanha tentando salvar suas peles nas eleições locais.

Se já era difícil derrotar um governo com quase 80% de aprovação popular estes sintomas parecem anunciar uma derrota com possibilidade mínima de reversão. Sem apoios locais como Serra reverteria a tendência apontada pelas últimas pesquisas de intenção de votos? Parafraseando Garcia Marquez, parece a crônica de uma derrota anunciada onde a autoria se deve muito mais aos caciques do PSDB que a competência do PT e suas alianças.

Aliados ignoram Serra em programas eleitorais na TV

AE – Agência Estado
No primeiro dia do horário eleitoral gratuito dos candidatos a governador, o presidenciável do PSDB, José Serra, foi ignorado pela maioria dos aliados que dão sustentação a sua candidatura à Presidência. A candidata do PT, Dilma Rousseff, aparece logo depois do presidente Lula como a principal estrela nos filmetes. Levantamento feito nos programas na televisão que foram ao ar ontem, às 13 horas, em todos os Estados – exceto Rondônia – e no Distrito Federal, mostra que o tucano foi citado explicitamente, e uma única vez, por apenas um candidato: o paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

Principais aliados do tucano em Estados considerados estratégicos não fizeram uma única menção à sua candidatura. Foi o caso dos candidatos na Bahia, no Rio Grande do Sul e até em Minas Gerais, onde Serra apareceu apenas num clipe que ilustrava o jingle do candidato a governador, Antonio Anastasia (PSDB). Serra apareceu ainda num clipe de Marconi Perillo (PSDB), em Goiás, e teve seu nome mencionado por um locutor, no fim do programa do tucano Sílvio Mendes, no Piauí.

Continua no Estadão…

Atualização: Enquanto escrevia o post, Roberto Jefferson, em seu twitter, confirmava a situação, vejam abaixo.

Eu apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar.
28 minutes ago via TwitBird

Eu encontrei com o Serra duas vezes. Uma na convenção do PTB. Outra na casa do Geraldo Alckmin.
30 minutes ago via TwitBird

Serra e responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu.
31 minutes ago via TwitBird

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29 Respostas to “A derrota de Serra”

  1. emerson57 said

    om dia, pax
    voto camarão presupõe que alguma parte do psdb se aproveita.
    como, de fato, é verdade,
    o psdb tem vários quadros bons.
    por outro lado é uma campanha para se salvar os dedos,
    os anéis já se foram.
    a derrota para a eleição à presidência são favas contadas,
    serra terá 28% do eleitorado, (mãe dinah, quer dizer emerson).
    então trata-se de eleger pelo menos um governador,
    se possivel são paulo. (segundo orçamento da república),
    de cujo estado sairá a verba para financiar as outras eleições
    e,o psdb continuar vivo. (vide a sabesp em são paulo).
    enquanto não se fizer a famosa reforma política,
    infelizmente, o panorama será esse.

  2. Pax said

    Caro Emerson57,

    A estratégia do PT, pelo que entendi, foi abdicar de vários governos estaduais para reforçar sua base no Congresso, à além de fazer a presidência.

    Pelo que estamos percebendo na campanha, está dando certo, apesar de algumas indigestões.

    Mas continuo afirmando que a derrota que se desenha para o Serra é mais culpa do PSDB que pela estratégia do PT. Serra faz parte dessa culpa, sim. E alguns jornalistas histéricos também, acho eu.

    Outro enorme erro é a insistência em não aceitar que o país está melhor porque dezenas de milhões de pessoas passaram a viver muito melhor com um salário mínimo reforçado, aumento de crédito etc. Enquanto Serra elogiava estas conquistas e lembrava que boa parte dela era devida ao Plano Real (uma verdade esquecida pelo eleitorado jovem, como sempre nos lembra o Elias), as intenções de voto para ele subiram. Veja em março, abril se isto não é fato. É.

    Depois adotaram a agenda negativa e Serra passou a ser visto como “ah, então é esse cara que é contra a vida da gente ter melhorado?”. Isto é o resultado da agenda negativa, sim.

    Paciência, que a oposição fique mais 4 anos tentando aprender o que é fazer oposição.

  3. Elias said

    Pax,

    Como demonstram os arquivos do PolíticAética, venho cantando essa pedra há um tempão.

    Seguinte:

    I
    Os candidatos do PSDB vão mal na maioria dos Estados. Naturalmente, estão priorizando a própria sobrevivência. É “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Serra que se vire…

    II
    Se o Serra houvesse alcançado um desempenho melhor na pré-campanha, o candidatos locais se colariam nele (pra ajudá-lo, sim, mas, também e principalmente, para serem ajudados por ele).

    Como ele não apresentou bom desempenho, tende a ficar falando só…

    III
    Mais uma vez, a agenda negativa. Serra fez a escolha errada.

    Quem quer ficar de bem com o povão evita bater de frente com o governo Lula. Os candidatos locais sabem disso. Vai daí que se afastam do bicho Serra, pra não perder votos.

    Se você der uma olhada nas qualitativas vai perceber facilmente: Serra e o PSDB já começam a despertar antipatia no povão (curioso é que isso não está sendo provocado pelos adversários, mas pelo próprio PSDB).

    Serra e o PSDB estão sendo associados ao desejo de extinção da maioria das iniciativas do governo Lula que melhoraram a vida de alguns milhões de pessoas.

    Os candidatos locais não estão apenas se afastando do Serra. Estão dando as costas para toda a estratégia política que o PSDB adotou em âmbito nacional.

    Na realidade, a própria sigla desse partido já começou a desaparecer do material de campanha…

    Daí porque, em outra lista, eu disse que, agora, o problema do Serra deixou de ser apenas de estratégia eleitoral. Passou a ser, também, uma questão político-partidária interna, do PSDB.

    Na prática, a campanha do Serra está antecipando o esfrangalhamento do PSDB que, pela lógica, só deveria acontecer depois da derrota.

    Parece que Serra quer saltar etapas…

  4. Pax said

    Pois é, caro Elias, eu aprendendo com você. Continue com esta paciência…

    Uma hora tomo um avião e vou pagar uma Cerpa na Praça da República comendo uma maniçoba pra aprender um pouco mais. Aliás, tenho uma história boa em Belém com meu irmão mais velho. Fomos do Rio até Belém num Fiat 147 andando a 80km/h para economizar gasolina. Ficamos na Casa do Estudante, um casarão que tinha paredes de quase 1 m de espessura, nem sei se ainda existe. Um dos dias resolvemos conhecer Abaetetuba e pegamos um barco no porto, chegamos lá e pegamos outro para conhecer uma das destilarias. Compramos 2 garrafas de pinga e pegamos o barco de volta.

    Acontece que tínhamos experimentado tantas que esquecemos as 2 garrafas no tal barco.

    Quero voltar lá para “reencontrar” essas duas peças que fazem parte da história.

    =)

  5. Elias said

    Pax,

    Terei o máximo prazer em lhe oferecer uns barriletes da mais pura pinga de Abaetetuba e de Igarapé Miri.

    Já que você entrou no terreno da história, permita-me extrapolar para o terreno da História.

    Saiba que os canaviais de Abaetetuba e de Igarapé Miri foram implantados pelos Jesuítas.

    Lá pela primeira metade do Século XVIII os Jesuítas tinham um império aqui no Pará: fazendas que totalizavam mais de 100 mil cabeças de gado (se hoje isso é muito, imagine no Século XVIII…); canaviais onde produziam e refinavam açúcar (numa época em as colônias portuguesas eram proibidas de refinar açúcar); monopólio da produção de cacau (que é nativo da Amazônia e cujo consumo, sob a forma de chocolate, se tornara muito popular na Europa); fabricação de medicamentos a partir de ervas e outros derivados de vegetais da Amazônia, e um monte de etc.

    Quando o Marquês de Pombal assumiu o poder, ele acabou com a farra, expulsando os jesuítas das colônias portuguesas e confiscando suas propriedades.

    A exemplo do que já fizera com o Brasil, Pombal tornou obrigatório o uso do idioma português no Pará, colocando o “geral” fora-da-lei. As cidades paraenses, quase todas com nomes em tupi (na verdade, no “geral”), tiveram que adotar nomes portugueses (tempos depois, várias delas retomaram suas designações originais).

    Pombal também proibiu a escravização dos indígenas paraenses e passou a ofertar dinheiro e terras pra qualquer cidadão português que se casasse com uma indígena (o que houve de gente fazendo isso não foi fácil…). Permitiu que fossem usados escravos africanos no Pará (até então, isso era proibido).

    Enfim, Pombal preparou o terreno para que o Pará passasse a fazer parte do Brasil (o que acabaria acontecendo pouco tempo depois, em agosto de 1823, passados apenas 11 meses da Independência).

    Por outro lado, Pombal restabeleceu a proibição do Pará fabricar açúcar (que, na prática, continuaria a vigorar nos séculos seguintes). Acabou com a indústria açucareira de Abaetetuba e Igarapé Miri (cidades vizinhas).

    Mas manteve a fabricação de cachaça. Que tá lá até hoje.

  6. Zbigniew said

    Isto é o resultado de uma política equivocada, onde se priorizou os (maus) métodos ao invés das proposições. A oposição serrista vai levar na cabeça e vai desaparecer. O Zibell, no Nassif, trouxe uma boa reflexão sobre esta questão em poucas palavras:

    “(…)
    Nessa discussão sobre quem é propositividade acho que o PSDB sai perdendo:

    – O Serra, em um debate sobre o futuro de 2011 a 2014, defender a oposição destrutiva do presente PSDB usando exemplos dos anos 90 é “uó” demais. Se é assim tem que comparar governos também, o que ele recusa, ora. Afinal, ele olha para trás ou para a frente? Decida-se.

    – O PT fez dossiês no passado : sempre se fala isso, mas quais foram mesmo? Além de que um erro não justifica o outro, não haveria diferenças tanto quantitativas como qualitativas?

    – Posicionamento em congresso : o PT ter sido contra o Plano Real teve um preço eleitoral que já foi pago (mesmo assim sua bancada cresceu em 1994 e 1998), mas nem todas as críticas eram impertinentes, pois o alerta quanto a juros excessivos foi sensato. A Reforma da Previdência foi necessária, mas também é fato que foi pouco discutida com a sociedade e foi votada somente após a reeleição de FHC. Isso entre outras coisas que o PT passou a assumir como política de Estado mas sem impedir sua reanálise. Já o PSDB é a contradição na forma de partido : vota contra a CPMF que criou, vota contra o fator previdenciário que criou, tão somente para constranger o governo. Cabe lembrar que assim que houve a reeleição de FHC foi encomendada pesquisa sobre o que a população acharia de 3º mandato.

    Em resumo : parece que o PT tem uma curva de aprendizado melhor que o PSDB.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/reflexoes-da-campanha-eleitoral#more

  7. Mona said

    Caro Z:
    O PT só mente e se apropria das idéias e dos feitos dos outros. Nome disso? Rapinagem.
    Seguem exemplos, dos mais paroquiais, aos mais globais.

    No Pará, por exemplo (Elias, confirma aí, meu…):

    a) O Centro de Convenções, em Belém: a construção da esmagadora maioria da obra foi feita no Governo de Simão Jatene (PSDB). Os 5% restantes foram concluídos no Governo do PT e foi determinada a retirada da placa onde constava o nome do Simão Jatene, dando ao governo petista o crédito por toda a realização da obra.
    2) No Mosqueiro: numa ruazinha que vivia alagada, foi solicitado apoio à prefeitura do PT à época para a melhoria de uma na via,a forma do fornecimento de máquinas, uma vez que a mão de bra e o material seria fornecido pelos próprios moradores. O apoio foi negado e os moradores se viraram para atingir o objetivo a que se propuseram, a melhoria da tal via estragada pelas chuvas. Literalmente no dia seguinte à realização, foi colocada uma placa da Prefeitura de Belém fazendo propaganda da obra, como se tivesse sido uma realizaçao sua.

    Exemplos globais:
    Fico só num, que é pra lá de emblemático: a recente apropriação do Plano Real.

    Conclusão: é o modus operandi do partido. E é nessa rapinagem de idéias e de obras que ele foi se construindo, firmou-se no País e está empurrando “Goela Abaixo” o seu mais novo produto.

    Tudo fake. Tudo dobrado às suas conveniências.

  8. Pax said

    Poxa, estava olhando o post abaixo, onde me atacam de todos os lados e esqueci de ver aqui a resposta do Elias.

    Caro, com certeza a História está melhor que a história. Sebastião José de Carvalho e Melo foi realmente uma figura absolutamente controversa. Capaz de reconstruir Lisboa em pouquíssimo tempo após o terremoto seguido de tsunami em 1755 e, ao mesmo tempo, capaz de produzir uma censura tal que não se podia ler Rousseau, Voltaire e La Fontaine por considerá-los ameaçadores… enfim.

    Dele tem-se a frase (após tal terremoto): “E agora? Enterram-se os mortos e cuidam-se dos vivos”.

    O cara era realmente uma figura. Estive algumas vezes em Portugal (nem tantas, mas 2 boas e uma curta) e andei por vários locais onde Pombal influenciou sobremaneira em suas atuações. Em especial na Universidade de Coimbra e em Lisboa mesmo.

    Voltando à frase acima, “cuidam-se dos vivos” me permito trazer uma das melhores piadas que vi até agora sobre estas eleições, da revista Piauí: “Rubens Barrichelo ultrapassa José Serra”.

    Leiam aqui, vale cada vírgula – http://revistapiaui.estadao.com.br/herald/post_192/Rubens_Barrichelo_ultrapassa_Jose_Serra.aspx

    (não, a revista Piauí não é de petistas, petralhas, apedeutas etc)

    Pra fechar este comentário sem pé nem cabeça: caro Elias:

    a) aceito de bom grado os dois barriletes

    e, principalmente…

    b) dado que a vitória de Dilma parece se consolidar, conto com você e vários outros bons quadros do partido para que o tal vírus que Gilberto de Carvalho comentou no trigésimo aniversário do partido não acometa nosso país de uma septicemia. Este assunto gostaria de conversar em especial no nosso encontro que haverá de haver. Conheço o Idelber via a blogosfera, almocei com ele uma vez e o considero amigo sim, apesar de várias discordâncias. Uma em especial é forte, pois na questão palestina minha posição é absolutamente compatível com a do Amos Oz. Também conheço o Lula Borges, no outro extremo e o considero um amigo, sim, apesar de discordar de quase tudo que ele pensa. Uma coisa é uma coisa, outra é outra.

    Caro Zbigniew,

    Também acho que o PSDB precisa aprender a aprender. Ou isso, ou que surja uma oposição ao governo PT que saiba se unir. Falo pelo bem do Brasil. Democracia pressupõe a existência de uma forte oposição. Ou ficamos com aquela sensação ruim de “Who watch the watchmen?”.

    p.s.: não me incomodo que ataquem o blog e o autor, como já disse e repeti inúmeras vezes, me incomodo, sim, é que acusem sem providenciar uma tese para tal. O blog não passou por problemas técnicos algum que eu saiba e não é petista, nem psdbista, nem verde, apesar de ter convicção social democrata e entender que o Meio Ambiente precisa ser cuidado de forma muito melhor que está. E o blog continuará a apontar corrupção seja ela de onde aparecerem notícias em jornais e veículos com um mínimo de respeito. E, não, com certeza o blog não será pautado por qualquer histerismo.

  9. Jorge said

    Mona, voce cada dia mais fanática.

    O Serra colocou o Lula em sua propaganda eleitoral, tentando roubar a popularidade do presidente que ele sempre quis destruir.
    O kassab fez o mesmo na última eleição.
    Quem lançou o plano real foi o Itamar.
    E voce vem criticar o PT… Chega a ser cômico.

  10. iconoclastas said

    Pax,

    este é o tipo de notícia que cabe bem aqui no teu espaço que remete a (falta de) ética:

    http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/08/18/secretaria-de-patrimonio-da-uniao-defende-invasores-em-vez-do-jardim-botanico-917426232.asp

    os caras, como de hábito, não cumprem seu dever, e nem decisão da justiça. vão lendo e achem a figurinha por trás de td…

    caros, quem conhece o JB do Rio não tem como ficar quieto diante de tal assalto, e quem não conhece deveria se apressar a conhecer, pq do jeito que a escória tá dominando td não sei se vai durar muito.

  11. Mona said

    Jorge,
    o que você me diz de a Dilma pegar carona no Plano Real?
    Quanto a usar a imagem do Lula no programa do Serra, concordo em número, gênero e grau com você. Não devia, mesmo. Cada qual no seu quadrado. Governo é governo, oposição é oposição. É uma estratégia equivocada – pode creditar aí na conta dos erros do Serra – ficar a reboque da popularidade do governo da hora. Garanto-lhe que, se eu fosse a marketeira dele, a coisa seria bem, mas beeeeem diferente.
    Ah, sim, fanatismo é acreditar cegamente nas coisas, tal quando você é criança e acredita firmemente que seus pais estão sempre certos. Esse comportamento vai se modificando na adolescência – que passa ao seu oposto: os pais estão sempre errados. Quando se é adulto, o posicionamento é bem mais sofisticado, posto prescedido de análise. Aí se vê que os pais podiam estar certos ou errados, pois eram falíveis.
    Garanto-lhe que sou adulta o suficiente para ver o que há de bom e de ruim à volta e dar os devidos créditos.

  12. Elias said

    Mona,

    1 – Sobre o Centro de Convenções (Hangar)

    Que eu saiba, o projeto arquitetônico foi concebido, licitado, contratado, executado, concluído e inaugurado (com pompa e circunstância, diga-se), pelo governo Simão Jatene (PSDB).

    O governo Ana Júlia Carepa (PT) corrigiu algumas falhas e omissões de projeto e de execução (sistema de sonorização, p.ex.), detectadas pela gestão anterior, que não as eliminou porque não houve tempo (o mandato acabou antes). Não sei se isso corresponde a 5% da obra, mas creio que é daí pra menos.

    O governo Ana Júlia também equipou o Centro de Convenções e o colocou em funcionamento.

    Também pelo que sei, a placa da gestão anterior ainda está lá. Pelo menos estava, até há uns dias atrás, quando estive no Hangar, durante uma feira empresarial.

    Além da placa, há um enorme painel de cerâmica, contendo os moldes das mãos de todo o pessoal envolvido na elaboração do projeto e na execução da obra: dirigentes governamentais (da gestão Jatene), operários, arquitetos, engenheiros, mestres-de-obra, etc.). Esse painel integra a decoração do foyer do bloco principal.

    2 – Sobre a Ilha do Mosqueiro

    Não sei desse acontecimento que você narrou.

    À época, eu era diretor geral do Gabinete do Prefeito e nunca recebi nenhuma reclamação de moradores daquele distrito sobre o assunto. Se alguma reclamação fosse dirigida ao Palácio, necessariamente passaria por mim. Nunca soube disso.

    No Mosqueiro, em 2004, o prefeito Edmilson Rodrigues (hoje no PSOL) iniciou a implantação do sistema de esgoto sanitário, com Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e tudo o mais.

    Não foi uma iniciativa popular. A maior parte da população fixa da ilha — e, creio, a maior parte da população flutuante (a Ilha do Mosqueiro, distrito de Belém, é um dos principais balneários do Pará) — preferiria que o governo municipal pertisse para o asfaltamento, deixando o esgoto sanitário pras calendas.

    É uma opinião. Com todo o respeito, discordo dela. O governo Edmilson também discordou.

    A inexistência de tratamento de esgoto sanitário estava — como ainda está — ferrando com os mananciais subterrâneos da ilha e contaminando as praias. As praias mais próximas da Vila, há muito haviam se tornado impróprias para o uso humano, por conta das toneladas de esgoto que, diariamente eram — e ainda são — despejadas nelas.

    Assim mesmo, uma boa parcela da população fixa e flutuante não via a implantação do esgoto sanitário com bons olhos. A esse respeito, sim, houve pilhas de reclamações.

    É um troço complicado. Implantação de esgoto sanitário arrebenta com o leito das ruas, e este nem sempre pode ser imediatamente recomposto (por causa das ligações domiciliares, etc).

    Além do mais, é “obra enterrada”. Por isto, quase nenhum governo gosta de encarar essa fera. Por isto, também, as cidades brasileiras quase não têm esgoto sanitário.

    O governo petista encarou e pagou o preço. Nas eleições de 2004, fomos impiedosamente surrados nas urnas do Mosqueiro (situação que não melhorou muito em 2008).

    Gozado é que nas discussões do Orçamento Participativo (e do Congresso da Cidade), a prioridade aprovada foi o esgotamento sanitário. O problema é que havia uma maioria que se manteve silenciosa durante as discussões do OP, mas que resolveu se manifestar — principalmente nas urnas — depois que as obras foram iniciadas.

    O governo subseqüente interrompeu as obras de esgotamento sanitário e asfaltou as ruas, que ficaram muito bonitas (o mesmo já não posso dizer das praias e dos mananciais subterrâneos…).

    Não sei bem a quantas anda a “Bucólica”, hoje em dia. Desde que vendi a casa que tinha lá dificilmente vou “al fiume”, como dizia o filósofo Rômulo Maiorana.

  13. Jorge said

    Mona, eu nunca vi voce dar crédito nenhum ao PT e ao governo Lula aqui no blog. Somente ataques e ataques e vontade de desqualificar e destruir. Então, para voce, eles não tem crédito algum. Obviamente, uma avaliação minimamente racional e isenta não chegaria a tal conclusão.

  14. Pax said

    Encontrei com amigo meu que torce pelo PSDB. Entristecido com a desunião do partido e com os rumos da campanha. Assustado com a possibilidade quase certa que Dilma vai assumir o comando do país e reclamando que acha perigoso este desfacelamento da oposição.

    Concordo com ele somente no terceiro item.

    Sem oposição o jogo não fica correto, no meu entender também. De onde ressurgirá é que são elas.

  15. Pax said

    off topic, pedindo desculpas…

    Conheci Mosqueiro também. Bonito lugar. E fico triste em saber que não nadaria mais naquelas praias do estuário do Amazonas.

  16. Zbigniew said

    Concordo, Pax. O PSDB perdeu uma grande oportunidade: assim como o PT conseguiu implantar sua assinatura no momento em que se tornou governo, o PSDB poderia tê-lo feito enquanto oposição. Não o fez, nem quis. Ficou neste discurso tresloucado de desqualificar todo e qualquer sucesso do governo, apontar qualquer suposta irregularidade que saísse num dos órgãos do consórcio Veja-FSP-Globo-Estadão como verdade absoluta e utilizar “penas amestradas” para assassinar reputações. Afastou os bons quadros do partido em nome de uma linha de atuação que desfigurou o que se poderia e queria se chamar de oposição responsável e propositiva. Nem responsabilidade, nem proposições. Vai se desfazer e dois nomes apontam como sucessores: Aécio e Alckmin. Por outro lado temos a grata surpresa da Marina Silva, que . Haverá espaço para outros nomes com chances reais de chegar ao poder, que não sejam apenas os patrocinados pelo citado consórcio…

  17. Elias said

    Pax,

    As praias de Mosqueiro são de rio, mas têm ondas. Ao que parece, a ilha tem esse nome porque era um lugar onde os índios moqueavam peixe.

    As praias mais próximas da vila (Praia do Bispo, Praia Grande, Praia do Farol, Praia do Chapéu Virado, Porto Arthur e Murubira), já estão impróprias para uso humano.

    Restam (sob risco) Ariramba, São Francisco, Carananduba, Marahu, Paraíso e Baía do Sol.

    Nas poucas vezes que vou a Mosqueiro, quase nunca passo pela Vila. Vou direto à Praia do Paraíso, que é dividida em 3 seções. Quando pirralhos, meus filhos davam nomes a essas 3 seções: Praia do Início, Praia do Meio e Praia do Fim.

    Meu pedaço preferido é e sempre foi a “Praia do Fim”, na Cabana do Lafayette. Boa praia, boa comida, boa bebida e música de primeira, em civilizados decibéis (o que já é um fenômeno, em se tratando de Belém…).

    Hoje, o acesso rodoviário à Mosqueiro é feito por 70 Km de estrada. O cara sai de Belém e cruza vários municípios até chegar ao Furo das Marinhas onde há uma ponte rodoviária ligando a ilha ao continente.

    Daqui a mais um tempo, creio, esse percurso será reduzido a pouco mais de um terço com uma nova ponte ligando Icoaraci a Ilha de Caratateua (também chamada Outeiro) e outra ligando esta última a Mosqueiro.

    Num advinhômetro de 30 anos, mais ou menos, vejo Mosqueiro como bairro classe alta e média-alta de Belém, que, a essa altura, estará com aproximadamente 3 milhões de habitantes (hoje tem 1,5 milhão).

    Bem que valeria a pena um plano urbanístico para o pedaço…

  18. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Alckmin não se sustenta, a não ser em São Paulo. E mesmo aqui não tenho lá muitas certezas. Tudo indica que vai ganhar no primeiro turno pois Mercadante não entrou com força e nem acho que a tenha para vencer essa barreira da Fiesp que é toda do PSDB.

    Mas o candidato é fraco. Acho pior que fraco. Para a Educação é um fracasso, um desastre. Recentemete tive uma conversa com um outro conhecido, esse do PSDB de torcida mesmo. Foi pelo MSN. Em dado momento o pobre quis falar comigo sobre política, comemorando as pesquisas de Alckmin e pedindo minha aprovação. Disse-lhe em alto e bom tom (teclado): “neste eu não voto nem sob tortura braba”. Me perguntou porque e afirmei que, principalmente, pela destruição da Educação no estado. Aí veio com choraminguelas que teria sido mal assessorado e coisa e tal. Ora bolas, a principal atribuição, dentro da minha crença, de um governante, é se preocupar com Educação e o cidadão me escala um fracasso? Sem falar em Daslu e outras coisas mais.

    Acredito no Aécio, acho que ele virá forte em 2014. Dilma terá, ao que tudo indica neste momento, uma tremenda tarefa de fazer um bom governo. Caso contrário será seu enterro político, até mesmo dentro do PT. E não vai ser fácil substituir o Lula com essa aprovação toda. Mas se Dilma escorregar, Aécio virá forte em 2014, acho eu. Isso se conseguir juntar o trigo e separar o joio, como o Alckmin. Trigo para mim seriam excelentes nomes como Gustavo Fruet do PR e outros. Mas vai ter que apartar muita gente ruim. E, de preferência, apartar totalmente o DEM nesta pretensão, senão afunda também. O DEM hoje, se fosse ação na bolsa, seria papel chamado podre.

    As notícias que rolam agora em São Paulo são bastante tristes. Estão acabando com a TV Cultura e agora soube que querem detonar o Parque da Água Branca, um lugar maravilhoso que existe na zona Oeste da cidade, um resto de verde com bastante flora e fauna. E, segundo li, por conta da mulher do atual governador que está com projeto de fazer um estacionamento no local. Preciso confirmar esta informação, não tenho certeza, apesar da fonte ser boa, sim.

    Não vou colocar a fonte, direito meu, mesmo porque não pedi autorização para isto, mas aqui o que li:

    Para aqueles que gostam do Parque da Agua Branca peço que fiquem ligados na devassa que a 1a Dama Deuzeni Goldman esta fazendo em seus bosques e o projeto de privatização do estacionamento… ABSURDO!!! Quem desejar participar das reuniões dos frequentadores do Parque mande contato…..

    Pois é, privatização…

  19. iconoclastas said

    rapaz, eu não tinha assistido td o debate da folha. o banho foi muito maior, o Serrote deitou e rolou…de novo!

    tv um momento, ao responder a pergunta de um internauta, q pareceu q Dilmao ia surtar, virou os olhos, deixou claro q a garganta secou e, como de hábito, soltou aquelas palavras desconexas.

    Dilmao falando remete ao Rubinho sambando…

  20. Pax said

    Caro Iconoclasta,

    Não vi o debate da Folha… meu link aqui é impeditivo de todo. Mas se você selecionar alguns trechos acho muito válido.

    Caro Elias,

    Pelo que me lembro chegamos pela PA 391, ou seja, direto em Canananduba. E, com certeza sei que não fomos para Leste e sim para Oeste, ou seja, estas praias que você gosta eu não conheço.

    Acho que meu irmão ainda tem alguma cerâmica marajoara que compramos nesta ocasião.

  21. Jorge said

    Pax, Dilma e Serra estão empatados na cidade de São Paulo. Na Grande SP o PT é forte, governa as maiores cidades. No interior, tucanos comandam. Mercadante deve subir e haverá segundo turno. Sexta e sábado dois comícios com Lula e Dilma, Marta e Mercadante. O PT de São Paulo é forte.

  22. Zbigniew said

    A censura no governo Lula:

    aqui neste link

    *** Caro Zbigniew — tomei a liberdade de editar o teu link por ter destabulado a página, preservando tua informação. Peço desculpas antecipada pelo abuso e pela falha do WordPress, sistema no qual o blog é feito.

  23. Olá!

    A eleição apenas estará decidida quando os votos forem contabilizados e todas as urnas forem esvaziadas*.

    Até!

    Marcelo

    * Mesmo que a maioria das urnas seja eletrônica, vale, aqui, o velho jargão.

  24. Chesterton said

    Fudel

  25. Pax said

    Caro Zbigniew – por favor atente à alteração que fiz no teu comentário 22, peço que entenda o “abuso” e me desculpe.

  26. Zbigniew said

    Pax, a linha por que se orienta a Oposição PSDB-DEM passa por aquilo que chamamos de orgulho e preconceito. Quando tentam acabar com a TV Cultura no que ela tem de melhor, é para dar-lhe um perfil menos cultural e mais eficiente (com cara de tv aberta privada), sacrificando-se o conteúdo pelo método, e a se confirmar esta notícia do parque se transformar em estacionamento, aí não tem nem argumento. Isso me faz associar imediatamente a uma iniciativa do governo FHC de retirar dos currículos escolares públicos o ensino de filosofia.

    Observe que as pessoas que vêm aqui defender o PSDB o fazem, na grande maioria das vezes, em contraposição a aspectos negativos do PT ou do governo Lula. Muito raramente se trata de políticas públicas ou de Estado. O discurso é da desqualificação ou do desmerecimento. A senha é o desmerecimento que se faz ao governo FHC. Governo este que, ironicamente, está sendo escondido pelo Serra na atual campanha. Que por sua vez está sendo escondido por seus “correligionários” nos Estados e municípios. Até o Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador de campanha do Serra, tem escondido o candidato, ou mostrado de forma tímida – vá lá, o cara é candidato a Deputado Federal num Estado que aprova o Lula em mais de 80%. O Arthur Virgílio tá em segundo no Amazonas, mas nem quer ouvir falar do Serra. E por aí vai.

    O preconceito se dá por um certo elitismo, que muitos alcunharam de “leblon-higienópolis”. Pessoas que vivem uma realidade bem específica do país, que sempre estiveram associadas ao poder, auto-considerados homens bons – como bem caricaturou o professor Hariovaldo de Almeida Prado -, e que têm uma dificuldade enorme de aceitar o Lula, por ser como ele é, diferente daquele padrão global, do homem culto, de uma determinada classe social, e que dominasse pelo menos o inglês. É insuportável pra eles que um Presidente da República diga na tv que o povo “tava na merda”, ou pronuncie um “sifu”, cá para nós, muito bem colocado na ocasião. Mas isto pode-se até entender como frescurite. O que dói mesmo foi fazer o que eles não fizeram e tiveram oportunidade de fazer. E digo mais, não foi tanto conseguir diminuir a pobreza ou distribuir melhor a renda. Para esta oposição que está aí foi fazer tudo isto sem romper com os paradigmas de mercado, e mais, mostrar-se mais eficiente na gestão do Estado. Aí foi a “volta” que o Lula deu neles e que fere de morte aquilo que é a sua principal e mais terrível característica (da citada oposição): o orgulho. Nada que mais alguns anos não venha a depurar…

  27. Zbigniew said

    Sem problemas, Pax.

  28. Dimas Antonio Granado de Pádua said

    Gostei deste site.Acredito que os debates são equilibrados,o que é saudavel para a democracia.

  29. Pax said

    Prezado Dimas,

    Bem-vindo. Puxe uma cadeira e sinta-se à vontade para soltar a voz.

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