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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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“Gracias a la vida”

Posted by Pax em 22/08/2010

Após o primeiro disparo, a correria. Noite alta, rua Uruguaiana, centro do Rio de Janeiro. Três jovens mal chegados ao fim de suas puberdades, a tortura destruindo dignidades, a ditadura interrompendo vidas e a vontade de mudar motivando os cartazes que colávamos nos postes em defesa dos direitos humanos.

Depois do segundo disparo a velocidade das nossas pernadas era maior que nossa capacidade, o medo nos fazia mais velozes que éramos. No terceiro já sabíamos que não seríamos acertados e só queríamos sair dali o quanto antes para continuar as colagens em algum outro canto da cidade. Corremos, fugimos, mas levamos a lata de cola e os cartazes. Escapamos da covardia de quem atirava em jovens desarmados, mas levamos conosco a coragem de continuar a luta pelos nossos direitos e dos que eram massacrados nos porões.

Muita coisa mudou de lá para cá. A ditadura ruiu, os ideais mudaram, o mundo trocou suas revoltas. A guerra fria acabou, o socialismo foi nocauteado e, com ele, o neoliberalismo.

A busca de justiça social como forma mais harmônica permaneceu. Assim como permaneceram velhos coronéis que se transformaram em bezerros mamões da nova ordem estabelecida. Agarrados em tetas como carrapatos se agarram em picadas que lhes fornecem o sangue de suas gulas ou o dinheiro público de seus confortos canalhas.

Chegamos em 2010 e as duas principais candidaturas são de partidos que defendem a social democracia. A terceira principal candidatura também. Esta é, em essência, a nova ordem. Por este quadro digo frases que ouvíamos à aquela época: “Gracias a la vida”, ou “Soy feliz, soy un hombre feliz, y quiero que me perdonen por este día los muertos de mi felicidad”.

Mas os velhos coronéis estão firmes. Não parecem esmorecer em suas lutas pelo que consideram seus quintais, adotam bens públicos como propriedade privada e cobram seus apoios em sacos de ouro ou ministérios de orçamento gordo. A pergunta que fica é se esta ditadura da corrupção não pode ser vencida como foi a ditadura dos cassetetes, dos choques elétricos e das mortes covardes.

Quem quer que vença estas eleições precisa mesmo defender os velhos canalhas e suas trapaças venais aos interesses públicos?

Perdoem-me os antigos colegas que se dizem pragmáticos, mas prefiro continuar a luta para que o dinheiro público seja exclusivamente dedicado ao bem estar de uma sociedade mais equilibrada, harmônica, que privilegie o direito ao saber e estimule as conquistas individuais em igualdade de condições para todos.

Tudo indica que Dilma vencerá porque Lula fez um governo de sucesso. O Brasil está melhor. Menos pobreza gerou uma espiral positiva para a economia e a sociedade vive melhor que antes. Estes ganhos não são frutos exclusivos do atual governo, devemos agradecer Itamar, Fernando Henrique, mas também devemos aplaudir todos os acertos sociais produzidos nestes últimos sete anos e meio. Talvez aqui tenha acontecido o fracasso da campanha de Serra, ao abandonar estes merecidos reconhecimentos e adotar uma agenda negativa em sua campanha, capitaneada principalmente por meia dúzia de histéricos correligionários e jornalistas que acabaram flechando o próprio pé do candidato.

Porém os ganhos sociais destes últimos anos poderiam ser muito maiores não fossem os anacrônicos coronéis de plantão e seus altíssimos preços.

Não me peçam para aplaudi-los. Muito ao contrário, aqui lembro de outra música que ouvíamos naqueles tempos e que cabe muito bem nesta nova ditadura. “Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia…”

A luta contra a ditadura da corrupção não pode acabar.

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29 Respostas to ““Gracias a la vida””

  1. emerson57 said

    belo texto pax,
    até que enfim voce declarou qual é o seu partido,
    eu já sabia,
    agora, quem desconhecia pode saber:
    “A luta contra a ditadura da corrupção não pode acabar.”
    esse é o seu partido.
    e de muitos outros.
    abraço

  2. Patriarca da Paciência said

    Caro Pax,

    Muito bom texto. Concordo em tudo. O que acontece é que a “natureza dá saltos”. As coisas acontecem lentamente. Já vencemos muitas etapas. Temos muitos outras a vencer.

    Depois de 400 anos de escravidão e alguns anos de positivismo, temos, finalmente, uma verdadeira “Revolução Brasileira”, aquela que vai se desenhando, qual seja, o povo se libertar dos cononéis e dos “formadores de opinião”.

    É só uma questão de tempo!

  3. Patriarca da Paciência said

    A verdadeira Revolução Brasileira, O povo se libertar dos coronéis e dos “formadores de opinião”.

  4. Anrafel said

    Bom texto, Pax.

    Confirmando-se os números das pesquisas, vale um post e uma discussão sobre a oposição.

    Um partido social-democrata fará oposição a um governo social-democrata (tudo bem, sei que no PT ainda existem aqueles que não foram para o PSOL e PSTU e que acham que Dilma dará o ‘salto à frente’).

    O DEM estará à beira da morte e os médicos dirão que a sua sitação é estável. Os velhos caciques morreram fisicamente ou estão morrendo políticamente e a geração mais nova (ACM Neto, Rodrigo Maia, etc) nada acrescentou, qualitativa ou quantitativamente.

    Não temos (desconfio que nunca tivemos) uma força sinceramente liberal, organizada em partidos ou entidades sociais. Esses que hoje se dizem liberais no sentido econômico se abrigaram no passado em partidos como Arena, PDS e Partido da Frente Liberal (PFL) (vai o nome completo do partido para salientar a ironia).

    Extrema-esquerda e extrema-direita têm os seus nichos, inclusive na internet, mas não são representativos no âmbito partidário-eleitoral.

    À primeira vista, resultarão dessas eleições dois partidos nacionais, o PT e o PMDB, os dois no governo. O PSDB corre o risco de não mais poder ser chamado assim, de um partido nacional.

    Caberia uma lupa com o objetivo de observar quem está crescendo entre os não muito visíveis.

    Fica a sugestão.

  5. Chesterton said

    “A luta contra a ditadura da corrupção não pode acabar.”

    chest- e o mensalão, não é corrupção?

    http://www.escandalodomensalao.com.br/

  6. Chesterton said

    os netos de FHC começaram seu governo como herdeiros de um banco. No final viraram sem-banco. O filho do Lula começou o governo como monitor de Jardim Zoológico, terminou como empresario de sucesso milionario……tem uma diferença ou não tem?

  7. emerson57 said

    pax,
    considerando as duas afirmações abaixo:

    “A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa.” Ayres Britto, ministro STF.

    “A grande mídia — e não o PSDB ou o DEM — é que realmente desempenha o papel de oposição” Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais.

    visto que as únicas pessoas que gozavam de liberdade de imprensa
    eram os donos dos grandes jornais e redes de tv,
    que não publicavam contra os seus interesses partidários ou comerciais,
    transformaram suas empresas em “imprensa partidária”.

    penso que a do ministro revela aonde se dará a guerra contra a corrupção.
    será nos blogs como o seu e o namaria:
    http://namarianews.blogspot.com/
    para ficar só em dois,
    aonde se dará o bom combate.

    novos tempos.
    abraço.

  8. Pax said

    Obrigado caros Emerson57, Patriarca da Paciência e Anrafel.

    Realmente entendo que esta luta não pode parar.

    Anrafel: boa ideia fazer uma discussão sobre o que será a oposição a partir dessas eleições. Vou pensar no assunto. Mas ainda há chão a ser percorrido nestas eleições, vamos acompanhar os movimentos e entender como a oposição se comportará. Neste momento o que vemos é o início dos rachas. Realmente interessante notar a ausência de uma força política liberal que mereça respeito. Marcelo Augusto e Pablo Vilarnovo sofrem com esta ausência. Tenho certeza que não sentem conforto algum em serem representados pelo DEM, como um dos exemplos.

    Emerson57: acho que a Web mal começou a mostrar a que veio. Tenho certeza que as empresas de comunicação serão muito diferentes dentro de alguns anos. Não tenho pretensão maior que manter aqui um local aberto para todas as vozes, sejam elas quais forem, e que a gente consiga um convívio pacífico e respeitoso.

  9. Chesterton said

    Pax é bem seletivo quando o assunto é corrupçaõ. Se refugia no tunel do tempo quando se depara com corrupçaõ petista.

  10. Jorge said

    Pax, sem blogs como o teu, a ditadura midiática ainda estaria intocada no Brasil.
    A democracia se faz com a ação das pessoas comuns.

  11. Pax said

    Obrigado, caro Jorge.

    Mas confesso que aqui não tenho pretensões maiores que realmente colecionar notícias sobre o cerne da motivação do blog – que me parece um bom motivo – e alguns outros assuntos como Meio Ambiente e Eleições.

    O que estimula, sinceramente, é que desenvolvemos uma comunidade pequena mas plural, e o espaço me parece democrático. Acredito que sim. Aqui, diferente de outros blogs, aceita-se críticas de todos os lados.

  12. Chesterton said

    Esse pessoal é que manda

  13. Chesterton said

    caraca, Pax, olha essa do brizola “Gracias a la Vida”

    http://www.prosaepolitica.com.br/2010/08/23/para-desespero-dos-orfaos-de-brizola-ele-foi-ajudado-pela-cia-quem-diria-rsss/#more-38583

  14. Alba said

    Bom texto, Pax!

    Esperemos que a voracidade do PMDB por cargos consiga ser negociada, talvez como apontou o Anrafel. Mas não tenho ilusões em que essa luta será rápida. :-(

  15. Pax said

    Cara Alba,

    Pelo menos que coloquem alguém “melhorzinho” do PMDB nos cargos. A última lembrança que nos remete à esta solicitação foi a diretoria dos Correios que foi entregue para uma turminha deste partido que detonou uma das melhores empresas públicas do Brasil, segundo o noticiário disponível. Tanto que Lula teve que tirar a “galera” da teta, digamos assim.

    O texto do post é, sim, sobre esta preocupação. Lembro, por exemplo, do Ministério das Minas e Energia nas mãos do Edson Lobão, apadrinhado do Sarney e coisas deste gênero e garanto que nem os nossos amigos petistas são capazes de defender com prazer estes “pagamentos” da aliança.

    Como disse o Patriarca da Paciência, agora é hora de combater este problema. Oxalá que a graça seja alcançada e que este blog tenha frequência de posts cada vez menor.

  16. Luiz said

    Pax,

    A luta que vejo no horizonte pós-eleitoral mais próximo será a da reforma política via constituinte exclusiva e restrita.

    Dilma já sinalizou apoio, Marina também e mesmo Serra não criticou com ênfase.

    Resta saber como reagirão PMDB e quetais. Pois são eles que terão mais a perder. A grande mídia, por exemplo, já começou a usar o espantalho do chavismo. Patético.

    Pessoalmente sou entusiasta, desde que alguns cuidados sejam tomados. Especialmente uma quarentena após o encerramento dos trabalhos (uns 4 anos sem assumir cargos públicos).

  17. Pax said

    Caro Luiz,

    Ontem Lula disse que se dedicará ao assunto quando sair do Planalto. Será? Afirmou que como presidente não era seu papel, mas sim dos partidos. Será?

    Infelizmente tenho cá minhas dúvidas.

    Apoios em troca de cargos não me parecem assim um erro em si. Erro é “dar” ministérios e cargos para partidos e políticos que todos sabem que só querem mesmo é “alisar/alivar” os cofres públicos. Como disse acima, não consigo engolir tal pragmatismo que vem em prática há tanto tempo.

    Como sabemos bem, essas “doações” acabam por detonar empresas públicas … (exemplo Correios) ou detonar infraestrutura do país (exemplo Ministério do Transporte).

    Tomara que eu esteja errado e você certo e que a classe política entenda que a reforma política seja prioridade. Infelizmente não levo muita fé.

  18. Pax said

    Sugestão de leitura relacionada ao tema do post. Artigo de Raymundo Costa no Valor Economico.

    “As primeiras disputas de um governo Dilma”

    …e a última frase do artigo, dita por um petista anônimo no artigo…

    Como diz um companheiro, o PT não chegou até aqui para entregar o poder na mão do PMDB. E o partido também tem uma história a resgatar.

    Só aguçando a curiosidade de vocês para a leitura do tal artigo, uma outra passagem:

    O PMDB começou com dois ministros o governo Lula; chegou às eleições com seis – Minas e Energia, Saúde, Integração Nacional, Comunicações, Agricultura e Defesa – muito embora o partido considere este último cota pessoal do presidente, o fato é que o ministro Nelson Jobim é um discreto articulador pemedebista junto ao governo e à campanha de Dilma.

  19. Chesterton said

    O humorista Marcelo Madureira, da programa “Casseta & Planeta”, da Rede Globo, revelou que o ministro da Propaganda do governo Lula, Franklin Martins, tem o hábito de mandar recados e “recadinhos”para não fazerem piada sobre o presidente Lula e a situação em que se encontra o Brasil. A declaração do humorista foi exibida há pouco no programa “CQC”, da Band, numa reportagem sobre o protesto dos humoristas contra a censura imposta pela legislação e a Justiça Eleitoral.

  20. Chesterton said

    A grande mídia, por exemplo, já começou a usar o espantalho do chavismo. Patético.

    chest- patético é o chavismo.

    Olhe o que ocorre na Argentina

    Cristina ameaça fábrica de papel para atingir jornais

    ‘Clarín’ e ‘La Nación’ acusam governo de tentar anular compra da Papel Prensa para [br]controlar a imprensa
    Os dois principais jornais argentinos, Clarín e La Nación, denunciaram ontem uma ofensiva da presidente Cristina Kirchner contra a imprensa local. O novo alvo do governo seria a Papel Prensa, maior produtora de papel para jornal da Argentina. O governo apresentará amanhã um relatório de 400 páginas que mostrará supostas ligações entre os dois jornais e a ditadura, nos anos 70.

    A Papel Prensa, que abastece cerca de 170 jornais de todo o país, foi fundada em 1972. Hoje, ela é controlada pelo Grupo Clarín, pelo La Nación e pelo Estado argentino. O controle acionário foi determinado após uma operação de venda realizada durante a ditadura militar. De acordo com a Casa Rosada, os dois maiores jornais do país compraram as ações depois que os antigos proprietários da empresa foram torturados, por isso a venda seria ilegal.

    Os antigos donos da Papel Prensa, na época, foram de fato torturados, mas depois da operação de venda, alegam o Clarín e o La Nación. “O governo pretende tomar posse dos ativos e controlar a empresa, conduzir a produção de papel para impressão de jornais e submeter, assim, o jornalismo independente até levá-lo a uma convivência dócil com o poder”, disse ontem o Clarín, em editorial.

    Em sua maior parte, por questão de custo, os maiores jornais argentinos têm optado por utilizar papel importado. Mas, para muitas organizações de defesa da liberdade de expressão, o ataque à Papel Prensa pode ser o passo prévio de uma ação do Estado para intervir nas operações de importação do produto.

    De acordo com muitos analistas do setor, a Casa Rosada poderia impor uma tarifa na importação de papel e, ao mesmo tempo, controlar a maior fornecedora do produto no país, deixando os jornais argentinos nas mãos do governo.

  21. Fernando Monteiro said

    Pax,

    Gosto do blog mas, em algumas raras ocasiões, há uma perda nítida da neutralidade: se os “coronéis” ainda tem seu papel na política brasileira é porque os que os demonizaram no passado, por conveniência, cegueira, hipocrisia ou desfaçatez pura e simples, deram-lhes as mãos e os puxaram das tocas onde pareciam predestinados a agonizar.

    Não creio que, por melhor que possa ter sido o governo do PT (ou teria sido só do Lula), possa ser perdoado pelas alianças espúrias que fez com certos grupos políticos.

    Com que moral criticam a privatização praticada no governo FHC dizendo que foi a farra da corrupção e do enriquecimento ilícito se vemos exemplos semelhantes no atual governo?

  22. Pax said

    Caro Fernando Monteiro,

    Se você reler o post com calma verá que afirmo meu entendimento da situação atual aplaudindo muitas coisas feitas nos governos Itamar e FHC. Do blog não acredito que você verá qualquer demonização a eles.

    De outro lado estou afirmando que as alianças com os velhos coronéis me causam tremenda azia. Alguma compreensão? Talvez. a mesma quer reputo a que FHC fez com ACM e Lula com Sarney, ambas indigestas.

    O post, se você reparar, diz algo como: ok, parece que Dilma, neste momento, tem mais chances de vencer o páreo. Qual preço pagará aos coronéis? Que ministérios serão ofertados em troca do apoio? (só lembrando que hoje em dia o PMDB leva 6 ministérios no governo Lula).

    De minha parte daria um enorme calote oferecendo alguns ministérios novos como:

    – Ministério da pesca em açudes secos
    – Ministério da luta contra bicho do pé
    – Ministério das festas juninas

    Agradeço a visita, agradeço ainda mais a crítica.

  23. Chesterton said

    sei, pax, e o pt sai limpinho…ora bolas……

  24. Chesterton said

    http://coturnonoturno.blogspot.com/2010/08/lula-pede-voto-para-renan-calheiros.html

    Lula pede votos para Renan, mas não tem culpa se ele foi do governo Collor. Aliás, tá todo mundo doido.

  25. Pax said

    Chesterton,

    Coturno Noturno? Despolua-se. Imagine se eu começar a trazer PHA e Cia? Vale a pena?

    Mas trago, sim, Alon Feuerwerker que toca no assunto do post com bastante propriedade e levanta a mesma lebre que originou o post.

    http://www.blogdoalon.com.br/2010/08/o-pmdb-e-as-apostas-2508.html

  26. Chesterton said

    Alon é o cara. Nem li mas já gostei. Não sei se concordo.

  27. Chesterton said

    Reinaldão impecável

    Vocês sabem quão fascinante acho o pensamento de Franklin Martins, ministro da Verdade de Luiz Inácio Babalorixá da Silva. Ainda anteontem, na inauguração da TV do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, este ex, mas jamais conformado, militante do MR-8 prometia quebrar as pernas da imprensa brasileira, acabando, como ele disse, com o poder dos “aquários”, referindo-se aos comandos das redações de jornais, revistas e TVs Brasil afora. Franklin já teve uma arma na mão é péssimas idéias na cabeça. As péssimas idéias continuam. Sua arma, hoje, é a publicidade oficial — incluindo a de estatais —, que ele distribui segundo seus critérios “democráticos”.

    Pois bem… Alguns de vocês já viram o vídeo que vai abaixo. Mas também decidi entrar nessa história. Os cineastas Silvio Da-Rin e Suzana Amado filmaram cenas para um documentário chamado “Hércules 2456″, mesmo nome de registro do avião que transportou ao México, no dia 7 de setembro de 1969, os seqüestradores do embaixador americano Charles Elbrik. Os diretores do filme reuniram alguns dos que participaram daquela ação para ouvir seus depoimentos, saber como viam a história — para glorificá-los, é claro! Vejam um trecho do filme. Volto em seguida:

    Voltei
    Participam da mesa-redonda Cláudio Torres (camisa azul e primeiro que fala), Paulo de Tarso (camisa branca), Franklin Martins (que dispensa caracterização), Monoel Cyrillo (que aparece no quadro enquanto Franklin dá seu depoimento), Silvio Da-Rin e Daniel Aarão Reis (que não aparecem nesse trecho)

    Vou transcrever o diálogo porque se trata de um registro histórico. O primeiro a dar seu desassombrado depoimento é Cláudio Torres, que dirigiu o carro da embaixada, tomado então pelos terroristas. Com Franklin, ele era membro da DI-GB – “Dissidência Guanabara”, grupo que havia saído do PCB porque optara pela luta armada, contra a orientação do partido. A DI-GB daria origem ao MR-8. Vamos lá.

    CLÁUDIO TORRES – Se os caras [o governo] não aceitassem a troca [de Charles Elbrick pela libertação de presos], nós executaríamos ou não o embaixador? Essa pergunta foi feita para mim no Cenimar (risos) no intervalo de duas sessões de porradas.

    O Cenimar a que ele se refere era o Centro de Informações da Marinha. Durante os piores anos do regime militar, funcionou como um centro de interrogatório de presos políticos e de tortura — Torres faz alusão às “porradas”. Voltemos com eles. Notem que, para a voz que fala em off, “matar ou não matar” é uma questão “babaca”

    VOZ EM OFF – É a famosa pergunta babaca!

    Aí entra o contundente depoimento de Franklin Martins, com aquele seu ar sério, próprio de quem era um terrorista muito consciencioso, ciente de seus deveres. Vamos à sua fala inequívoca, escandindo com as mãos as sílabas para que a gente também não tenha dúvida nenhuma.

    FRANKLIN MARTINS – Eu não tenho dúvida nenhuma! A decisão era de executar. Você pode chegar e dizer: “Podia na hora o cara tremer?” Bom, mas a decisão era de executar. Disso eu não tenho a menor dúvida. E, felizmente, não chegamos a isso. E eles não tinham dúvida nenhuma sobre isso…

    Volta Cláudio Torres para expressar a moral elevada da turma, evidenciando que concorda com aqueles princípios até hoje — com o apoio evidente de Franklin.

    CLÁUDIO TORRES – Quando eu fui questionado sobre isso, foi dentro do Cenimar, no meio da porrada. E o cara me perguntou, o cara da Marinha lá: “Você executaria o embaixador?”

    Atenção, agora, para este trecho: com a leveza de um anjo da morte, ar cínico, como se falasse de uma mosca, Torres responde:

    CLÁUDIO TORRES – Sim, eu cumpro ordens. Se me mandassem executar, eu executaria (sorrindo).

    Deve haver um tanto de bravata aí, de autoglorificação. É que Torres deve achar heróica, ainda hoje, a possibilidade de matar alguém. Por que digo isso? Os torturadores atuavam para quebrar a resistência dos presos, obrigá-los a denunciar seus parceiros. Por que ele confessaria a intenção de matar o embaixador se essa informação era irrelevante para quem o interrogava e para a causa e só poderia prejudicá-lo? Torres não liga em parecer burro para parecer herói — ainda que um “herói” que se confessa um potencial assassino ao menos. E, então, entra Franklin Martins para fazer a síntese escandalosa da fala. Prestem atenção! É ele quem resume como ninguém a moral profunda do grupo:

    FRANKLIN MARTINS – Essa lógica, ele entendeu perfeitamente!

    CLÁUDIO TORRES (como quem tivesse recebido uma iluminação) – É a lógica dele [do torturador]!!!

    Todos gargalham satisfeitos. Alguém ainda diz, num contexto não muito claro: “Mas era você que dava ordens, cara!”

    Conforme sempre quis demonstrar
    Anteontem, escrevendo sobre a fala “babaca” de Franklin Martins na inauguração da TV sindical, escrevi:
    “A gente sabe que Franklin é determinado no confronto com o “inimigo”. Quando lutava para implantar uma ditadura comunista no Brasil, seqüestrou um embaixador e ameaçou matá-lo caso algumas exigências não fossem atendidas. A ameaça está na carta que ele redigiu, de que tanto se orgulha. Tem em comum com Dilma o indisfarçável orgulho de ter pertencido a um grupo terrorista. Sua guerrilha, agora, é outra: quer minar o poder da “mídia”, dos “aquários”, com o apoio aos meios “independentes” de divulgação da notícia. O interessante é que essa “independência” é financiada com dinheiro público e é sempre favorável ao governo.”

    Até houve algumas reclamações de boa-fé: “Pô, Reinaldo, você não exagera?” Não! Eu não exagero. Acredito no que Franklin fala: eles, de fato, iriam matar o embaixador porque, como confessa o agora ministro de Lula, a “lógica” dos torturadores e dos terroristas era a mesma. É Franklin que confessa isso! É Cláudio Torres quem confessa isso. Eles reconhecem: assim como os agentes do Cenimar torturavam “cumprindo ordens”, os terroristas matavam — e eliminaram muita gente — também “cumprindo ordens”.

    Qual era mesmo a diferença de moral entre os torturadores e eles? Nenhuma! Se diferenças há, são de outra natureza. Os torturadores encontraram seu justo lugar na lata de lixo da história. Já os terroristas redigiram a versão do próprio “heroísmo”, transformaram-na em “história oficial”, e muitos deles foram bater a carteira dos brasileiros, pedindo, e obtendo, indenizações.

    A tortura e o terrorismo estão entre os crimes mais asquerosos da política — até porque política não são. O que dizer de um agente do estado que faz um prisioneiro, culpado ou não, e o submete a sevícias? O que dizer de um “libertador do povo” que seqüestra um inocente e confessa que pode matá-lo se suas exigências não forem cumpridas?

    Notem que não há a menor sombra de arrependimento em Torres e Franklin. Como, não custa lembrar, não há em Dilma. Nada! É como se aqueles mesmos seqüestradores e potenciais assassinos estivessem ali, vivinhos na silva, em todos eles. Isso nos força a um desdobramento puramente lógico: se, em nome da causa, podiam matar, e muitos mataram, inocentes, o que não fazem hoje em nome das causas de agora?

    Não sei que pito toca esse tal Torres aí. Franklin Martins eu sei muito bem o que faz. De trabuco na mão — se matou alguém, não sei; o MR-8, a que ele pertenceu, tem diversos assassinatos nas costas —, ele seqüestrou um embaixador e confessa, entre gostosas gargalhadas, que o homem seria, sim, executado se as exigências não tivessem sido satisfeitas. Hoje, até onde sei, não anda com um revólver na cinta. Tornou-se o czar da publicidade oficial e está empenhado em derrotar a “mídia”. Entenda-se por “mídia” qualquer texto jornalístico que não cante as glórias do presidente Lula e que não endosse as suas mistificações. E, aí, vale tudo mesmo.

    O mais curioso é que, durante um bom tempo — no governo FHC —, o rapaz, então contratado da Globo, fez a linha “progressista moderno”, interessado apenas em fazer uma análise sem paixões da política. Um monte de gente caiu no truque. A chegada de Lula ao poder foi lhe despertando, parece, antigos apetites. Demitido da emissora, vimos despertar o antigo militante da DI-GB, do MR-8. Mas agora com alguns bilhões para “fazer política”. Ora, se ele não renega, como se nota acima, o passado terrorista e ainda explica a sua estranha racionalidade, vai ver a publicidade oficial é só o terrorismo exercido por outros meios.

    Por Reinaldo Azevedo

  28. El Torero said

    Desconfio que pra variar não entendi muito bem. Falo sobre o texto do Alon que havia lido já por conta do link no NPTO…
    Há quem espera algo do PMDB além de um ataque desenfreado a cargos em troca do apoio de sua bancada? No que o Allon aposta? Que o PMDB, agora com mais poder, direcione sua força para uma política maior?

  29. Pax said

    Fala, El Torero…

    Acredito que o Alon alerta que o PMDB subirá nas tamancas e cobrará um enorme preço pelo apoio. Aos pedaços… fartos pedaços, onde houver orçamento gordo.

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